Em o caçador de androides:

CENA – Rapper Yannick Hara leva a indie Sara Não Tem Nome para o futuro sombrio em novo vídeo

1 - cenatopo19

* O consistente trabalho ideológico do rapper paulistano Yannick Hara ganhou força recente com o lançamento do single e do vídeo para “Quero Mais Vida, Pai”, faixa de seu disco “O Caçador de Androides”, lançado no final do ano passado e inspirado no filme “Blade Runner” e consequentemente no livro do escritor Philip K. Dick, “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?”.

Captura de Tela 2020-09-10 às 9.43.06 AM

Yannick é uma figura rara. Descendente de japoneses, se considera um afrosamurai. É doido por mangás e faz rap das ruas, mesmo que essas ruas são de uma Tóquio do ano 2200. Ou, melhor, de uma São Paulo traduzida para um tempo futuro.

A excelente “Quero Mais Vida, Pai” tem uma convidada especial para este rap-oração futurista. A indie mineira Sara Não Tem Nome, que faz com Yannick uma mistura tão bizarra quanto certeira.

O vídeo é todo inspirado numa cena especial do filme mais cult de todos os tempos, já totalmente anacrônico mas que inspirou gerações na imaginação de um futuro modernoso e ao mesmo tempo cáustico e sombrio.

Nela, o ser replicante Roy Batty ao lado de J.F. Sebatian se encontram com o excêntrico Dr Eldon Tyrell. Roy ao ter a consciência da sua morte, por ser um modelo NEXUS 6 com uma validade de alguns anos confronta seu criador, por mais vida. Ao perceber que não é possível a extensão de sua vida, Roy aniquila Tyrell.

O resultado, feito como deu em época pandêmica, ficou assim:

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CENA – Afrojaponês do rap paulistano, Yannick Hara vai ao filme “Blade Runner” para traduzir a São Paulo de hoje

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1 - cenatopo19

* Yannick Hara não é um rapper comum, definitivamente. Começa que é um negro de traços orientais ou um afrojaponês (ou afrosamurai, como se autodefiniu) fazendo hip hop. Seu primeiro disco, um EP exatamente com o nome “Também Conhecido Como Afro Samurai”, de 2016, era a construção de um rap baseado em um mangá, de Takashi Okazaki.

Nada a ver, tudo a ver. Filho de pai negro e mãe japonesa, Yannick se vira na cena misturando cultura oriental com a ocidental ao fundo sonoro do hip hop. E tudo bem.

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Seguindo seu caminho de estranhezas saudáveis, ele mergulha agora numa obra-prima de ficção científica, literatura e cinema, para tecer seu primeiro álbum, a ser lançado no finalzinho do ano, mas adiantado por uma série de lançamentos de seis singles mensais até outubro que começa aqui e agora, com o single “Blade Runner”. O nome do álbum? “O Caçador de Andróides”.

“Blade Runner”, a música, traz para a São Paulo de 2019 a temática futurística, depressivamente linda, do filme homônimo de Ridley Scott, que chapou os anos 80 e virou um dos mais cult de todos os tempos no cinema. Claro, cada um no seu tempo e espaço, mas ambos versando sobre “alta tecnologia e baixa qualidade de vida”, segundo o rapper.

O vídeo cyberpunk afrojaponêspaulistano filmado no Centrão de Yannick foi dirigido por Vertin Moura (ator de “Big Jato” e “3%”) e participação especial do poeta Rafael Carnevalli

2 - Blade Runner - Yannick Hara feat. Rafael Carnevalli

“O Caçador de Andróides”, o álbum de Yannick Hara, terá 12 faixas e uma mescla sonora que contemplará, além do hip hop de lei, estilos como trap, dubstep, big beat, vaporwave, synthpop e pós-punk. Participações especiais são esperadas quando o disco for revelado, como Clemente Nascimento (Inocentes e Plebe Rude), Rodrigo Lima (Dead Fish), Keops e Raony (Medulla), Rike (NDK), Moah (Lumiére), o rapper Cronixta e a cantora indie mineira Sara Não Tem Nome.

Para começar a saga cyberpunk do rap de Yannick, tome esta “Blade Runner”. Vem mais por aí.

Assista ao vídeo clipe de “Blade Runner” no YouTube e ouça o single no Spotify.

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