Em oasis:

POPNOTAS – Weezer e as canções tristes favoritas. Noel furando o olho do Liam. As Palberta. Playboi Carti botando fogo no Jimmy Fallon

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Palberta. Já escutou? O trio formado por Nina Ryser, Ani Ivry-Block e Lily Konigsberg ganhou uma matéria simpática no “New York Times” e chamou nossa atenção. Sendo um trio de baixo, guitarra e baterias, as meninas de NYC se revezam nos instrumentos a todo o momento e fazem um som bem interessante. Se as palavras lo-fi, noise e harmonias vocais pop te agradam, só vai. Ah, elas soltaram disco novo agorinha, “Palberta5000”. 16 faixas que correm em 30 e poucos minutos.

– O Liam até pede, tadinho. Mas o Noel, marrentão, nem dá bola. Se o Oasis em si não volta, o Gallagher mais velho avisou em um podcast que vai lançar um disco só com músicas antigas da grande banda do britpop que nunca foram gravadas, ou pelo menos nunca foram mostradas para ninguém. E sem o Liam na história. Essas “canções perdidas” do Oasis estão sendo revisitadas por Noel neste tempo ocioso da pandemia e vão formar um álbum de 14 faixas. Noel vai regravar tudo. E não usar os velhos registros puro e simples. “Algumas dessas músicas são bem old-school. Vou regravá-las agora sem mexer em nada, na mesma vibe.”

– Enquanto a Casa Natura Musical não pode voltar a realizar seus shows, eles preparam uma série de lives de papos bem intimistas entre artistas. A série “Afetos” trará conversas entre Linn da Quebrada e Jup do Bairro (28/1), Mc Tha e Malka Julieta (4/2), Luedji Luna e Conceição Evaristo (11/2) e Zeca Baleiro e Juliana Linhares (18/2) no perfil da casa no Instagram (@casanaturamusical), sempre à partir das 19h.

– Quem não perde um Popnotas sabe que a gente está acompanhando de perto um dos fenômenos do ano: Playboi Carti. Álbum novo elogiado, vendas/streamings bombando. Desta vez ele estrelou o “Tonight Show”, do Jimmy Fallon, o late night mais importante dos EUA (para a música), para uma apresentação de “Slay3r”. Numa apresentação num galpão, com fogo, escada no meio e músicos com máscara. Ornou bem tudo. Inclusive um “Noel Gallagher” sentado ali no cenário, fazendo tipo.

– As canções favoritas do Weezer são as tristes, canta River Cuomo em “My Favorite Songs”, o primeiro single a sair do próximo álbum, “OK Human”, o 14º da banda, que sai semana que vem. “OK Human” é o primeiro dos dois discos que o veterano grupo indie pop de Los Angeles vai lançar neste ano. “Van Weezer”, o 15º, está programado para chegar aos streamings no dia 7 de maio. Parece que a diferença dos dois discos é que “OK Human” teve seus instrumentos de cordas gravados no mítico estúdio de Abbey Road, na Inglaterra. “Para o som soar bem excêntrico”, disse Cuomo em uma live no ano passado. Excentricidade é um dos fortes do Weezer. “My Favorite Songs” vem com um vídeo fofinho, bem Weezer. Envolve celular e basquete.

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POPNOTAS: O maravilhoso mundo de bandas da Creation Records, em filme; os Descendents jantando o Trump; e Lady Gaga e o hino

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– Em março, chega aos cinemas ingleses (e provavelmente ao streaming) o filme sobre a Creation Records, a gravadora britânica que nos deu Oasis, My Bloody Valentine, Primal Scream e Ride, para citar só algumas das bandas espetaculares que fizeram parte do elenco do selo. Entre os autores da cinebiografia a partir do livro “Creation Stories: Riots, Raves and Running a Label” (2014), de Alan McGee, que na versão filmada vai se chamar só “Creation Stories”, está Irvine Welsh, autor do livro “Trainspotting”, que virou um dos longa-metragens mais importantes do Reino Unido nos anos 90. O importantíssimo empresário, produtor, DJ, radialista, músico e agitador escocês Alan McGee foi o fundador da Creation Records. É famosa a história de que McGee viu num bar escocês a bandinha Oasis tocar, aqueles dois irmãos marrentos e pensou: “Acho que vou assinar com esses caras para ver o que dá”. Quem vai vivê-lo na cinebiografia é Ewen Bremner, ator que fez o personagem Spud em “Trainspotting”, o filme. Dá para ter um gostinho de “Creation Stories” aqui.

creation

– A banda punk californiana Descendents fez uma pequena “homenagem” a Donald Trump. Uma música de pouco mais de 40 segundos que manda o ex-presidente – ou melhor dizendo o “asshole twitter troll” – para sua casa. Talvez melhor que a letra de “That’s The Breaks” só o recado que o vocalista Milo Aukerman deu para divulgar o som. “Loser. Big time loser. Delusional loser. SORE loser. The time has come. The time is now. Just go, go, GO”.

– Enquanto um caí fora, outro chega. E Lady Gaga, que fez campanha para Joe Biden, vai ser a responsável por cantar o hino nacional do Estados Unidos durante a cerimônia de posse do novo presidente norte-americano no dia 20 de novembro. Que momento!

– A tradicional apresentação musical de ajuda a Tibet House em Nova York vai acontecer online neste ano. Marcada para o dia 17 de fevereiro, Eddie Vedder, Phoebe Bridgers e Brittany Howard estão entre os artistas escalados na curadoria de ninguém mais ninguém menos que o consagrado compositor e pianista Philip Glass.

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Liam no gás. Com a música de Natal. No rádio, na TV, cantando Oasis e falando do Maradona

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Captura de Tela 2020-11-30 às 8.07.33 AM

* Vivemos um momento intenso Liam Gallagher nos últimos dias. E esse caldo tende a engrossar, tadinho do Noel, que anda quietinho, na dele, mas vai ter que ouvir e ver o irmão em todo lugar. Justo ele que tem esse nome natalino, mas que aparentemente vai ter que engolir a onipresença do irmão até este ano acabar.

Há poucos dias, Liam lançou a chamada “música de Natal”, a baladaça auto-ajuda “All You’re Dreaming Of” que já está tocando nos pubs nos horários em que podem abrir no semi-lockdown britânico, nas lojas em horários reduzidos, nas rádios e, desde este fim de semana que passou, na TV.

O caçula dos Gallagher levou a música ao programa do Jonathan Ross, conhecidíssimo apresentador e entrevistador da BBC One. Baita apresentação do Liam para sua música nova, que num dos papos destes últimos dias falou que a música nem era para o Natal. A ideia era lançá-la em junho, mas a pandemia acabou empurrando seu lançamento.

Liam foi também ao programa matinal de Zoe Ball, na Radio 2, no sábado. Dali saiu o novo single e uma cover do Oasis para a incrível “Hello”, que Liam não cantava havia 18 anos, desde um show de sua ex-banda em 2002. Ouro puro.

No vídeo abaixo, as duas músicas, “All You’re Dreaming Of” no minuto 2:57 e “Hello”, ali no 10:16, em meio a papos sobre Maradona e Oasis. Na entrevista, Liam disse que tocou “Hello”nas gravações do show do barco pelo Tâmisa, que vai ser transmitido neste final de semana no app MelodyVR, com ingressos a venda. Mas que, no caso da música rara ao vivo do Oasis, ganhou os ares antes, aqui, pela Radio 2.

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POPLOAD NOW – Quatro covers incríveis para ouvir nesta segunda-feira democrática

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* Tirando o Rio de Janeiro, todo mundo aí votou certinho? Mais uma edição do Popload Now, desta vez com quatro versões lançadas desde a sexta passada, cheia de conexões sonoras que vão nos embalar até o segundo turno, no final do mês. Segundo turno para quem é de segundo turno, claro.

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** PORRIDGE RADIO FAZENDO LEONARD COHEN

A banda inglesa revelação deste ano (foto na home da Popload) soltou na sexta-feira uma performance na igreja de St. Giles, em Camberwell, Londres, com uma versão lindíssima de “Who By Fire”, do gênio Leonard Cohen.

Em seu Instagram, a sensível cantora Dana Margolin comentou: “Sempre foi uma das nossas favoritas, então ficamos muito felizes em gravá-la para nossa sessão na igreja de St. Giles, Camberwell. As letras são da liturgia judaica para o Ano Novo, e filmamos na mesma semana que o Rosh Hashaná deste ano”.

O resultado é beeeem bonito.

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** KYLIE MINOGUE, CHER E MAIS UM MONTE FAZENDO OASIS

Pela segunda vez neste ano, a BBC juntou um time de peso para fazer tipo um “We Are The World” em prol das crianças carentes. A música da vez é a maravilhosa “Stop Crying Your Heart Out”, dos polêmicos irmãos Gallagher. No começo da pandemia, a BBC promoveu o BBC Radio 1 Stay Home Live Lounge com o single “Times Like These”, do Foo Fighters, na voz de artistas como Dua Lipa, Bastille, Sam Fender e Royal Blood (só para citar alguns), para arrecadar fundos para as instituições Children in Need e Comic Relief e dar suporte a pessoas vulneráveis durante a crise da COVID-19.

Captura de Tela 2020-11-15 às 10.18.39 PM

Este novo All Stars cover, que inclui as vozes de Cher, Kylie Minogue e Lenny Kravitz, entre bastantes outros, fez estrear um vídeo que o programa beneficente levou ao ar na sexta à noite na TV, que você vê abaixo, junto com a \lista completa dos artistas envolvidos:

Anoushka Shankar · Ava Max · BBC Concert Orchestra · Bryan Adams · Cher · Clean Bandit · Ella Eyre · Grace Chatto · Gregory Porter · Izzy Bizu · Jack Savoretti · James Morrison · Jamie Cullum · Jay Sean · Jess Glynne · KSI · Kylie Minogue · Lauv · Lenny Kravitz · Mel C · Nile Rodgers · Paloma Faith · Rebecca Ferguson · Robbie Williams · Sheku Kanneh-Mason · Yola

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** PHOEBE BRIDGERS FAZENDO GOO GOO DOLLS

Entre os artistas que levantaram a bandeira política durante as polêmicas eleições americanas, a cantora loira californiana, que lançou um bom disco neste ano, o “Punisher”, postou em seu Twitter que, se Trump perdesse as eleições, ela faria um cover de “Iris”, grande hit da banda Goo Goo Dolls, música que você, assim como a gente, já deve ter arriscado cantar um dia num karaokê bêbado.

E, como promessa é dívida, depois de ter sido cobrada pelo próprio Goo Goo Dolls também no Twitter, Bridgers fez bonito e chamou a compositora Maggie Rogers para acompanhá-la.

Todo o dinheiro arrecadado com o single irá para a instituição Fair Fight, organização que luta pelos votos das minorias e é encabeçada pela ativista Stacey Abrams, “acusada” de ser a responsável pela virada dos votos a favor do democrata Biden no estado da Georgia. Bravo, Abrams!

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** DIIV FAZENDO PSYCHIC TV

A banda indie nova-iorquina DIIV lançou neste final de semana uma cover bem interessante de “The Orchids”, música de 1983 do cultuado grupo artsy britânico Psychic TV, cujo líder Genesis P-Orridge morreu no começo deste ano. A versão foi feita para uma ação do blog indie americano Stereogum.

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* Esta seção é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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Blur x Oasis. Os 25 anos da batalha mais sensacional da música pop

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* São tantas nuances e reviravoltas que vamos dividir aqui em tópicos:

* No dia 14 de agosto de 1995, um quarto de século de distância de hoje, as bandas inglesas Oasis e Blur lançavam um single. No mesmo dia. O da música “Roll with It”, no caso do Oasis, “Country House”, pelo Blur.

* O entorno desta notícia é uma das coisas mais maravilhosas da música, mas pertence a um outro mundo que não existe mais. Tanto o mundo real quanto o mundo musical. Por isso cabem algumas lembranças.

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* Vivia-se à época o britpop. Em seu maior furor. Movimento cultural britânico que resgatava o orgulho inglês e da ilha toda depois de tempos nas trevas de pessoas e ideias. E, no caso da música, depois do movimento americano grunge liderado pelo Nirvana, que terminou por aniquilar a cena de Madchester do final dos 80, começo dos 90 e de umas outras cenas menores, mas frutíferas e cheias de bandas boas.

* O Reino Unido estava “swinging again”, para usar um termo que lembra um período em que a efervescência cultural e o modernismo de costumes focava particularmente em Londres na segunda metade dos anos 60, o famoso “Swinging London”. Tanto o cinema, a literatura, as artes plásticas, os museus, a dança, o teatro, o jornalismo pop. Tudo estava em evidência e cheio de sangue novo, ideias novas. Claro, a música tinha um papel essencial nessa retomada.

* E na música o britpop bombava, até ao lado do pop (Spice Girls fazendo show com a bandeira de UK). No lado mais… indie… o Oasis era até uma “banda nova”. Tinha um disco e ia lançar seu segundo dali pouco mais de um mês. O Blur já tinha três discos e uma semana antes dos Gallagher ia lançar seu quarto álbum. Mas assim…

* 1994, o ano anterior, já havia sido glorioso para as duas bandas e para o britpop em si. O Oasis tinha lançado seu maravilhoso disco de estreia, o “Definitely Maybe”, e estava há um mês de soltar o arrasa-quarteirão “What’s the Story (Morning Glory)”. O Blur já estava no rolê da música inglesa desde uns quatro anos antes e em 94 foi “adotado” forte pelo novo espírito britânico com o disco “Parklife”, coisa mais inglesa impossível. E, também, poucas semanas daquele 14 de agosto de 1995, iria lançar o quarto álbum, “The Great Escape”, outro. E aí o britpop iria para os ares. “Morning Glory” iria fazer do Oasis uma banda fenômeno, quebrou recordes, entrou muito alto nas paradas americanas (“Billboard”), um feito para um grupo inglês, e ficou três meses seguidos no número 1 do chart inglês. E o “The Great Escape”, do Blur, não só morderia de cara o primeiro lugar das paradas britânicas quanto emplacaria seu nome no Top 10 de paradas de pelo menos outros 12 países.

* Mas enfim, estamos em 14 de agosto de 1995, isso tudo ainda não aconteceu, mas o desenho estava feito. E aí as bandas marcaram a data de lançamento dos singles, nosso principal assunto, para o mesmo dia.

* Bandas grandes NUNCA marcavam lançamentos para o mesmo dia. Sempre um fugia do outro, para não dividir a “novidade” da semana: nas matérias de jornais e revistas, nas paradas, na vendagem em si e principalmente no programa de TV histórico chamado “Top of the Pops”, que trazia as bandas fazendo um playback farofa na TV aberta de todo o Reino Unido. Mas não foi o caso entre Blur e Oasis, uma tendo bronca do outra, um representando a classe operária e a molecada de rua (Oasis) e os classe média alta de boas universidades e roupas mais “arrumadinhas” (Blur). Outra tese de mestrado que vamos deixar por aqui.

* Lançamento de single, principalmente nos anos 90, também precisaria de um post gigante à parte. E não estamos falando de músicas como as de hoje lançadas como single, que é apenas uma canção colocada de graça para streaming (que não é de graça). Naquela era distante, single era capaz de vender na primeira semana de lançamento umas 250 mil cópias, se bem trabalhado.

* Mas ok, Blur x Oasis na batalha de singles, na Batalha do Britpop, como ficou mundialmente conhecida. Numa bela segunda-feira de agosto, 25 anos atrás, “Roll with It” e “Country House”, enfeitavam as gigantescas e várias lojas de discos, tocavam sem parar nas lojas, eram temas dos noticiários de TV, um inferno.

* Eu estava na Inglaterra na data, porque o Reading Festival ia acontecer naquele período e não perderia esta por nada no mundo. Fui a uma dessas lojas gigantes, desviei de algumas câmeras de TVs e flashes de máquinas que estavam lá para cobrir o evento e comprei os dois singles.

* O engraçado da coisa que, como eu, tinha muita gente comprando os dois. Porque Oasis x Blur eram rivais entre si. A galera mesma gostava das duas bandas.

* O Blur acabou ganhando “a guerra”. Vendeu cerca de 270 mil cópias de seu single, enquanto o do Oasis foi comprado por quase 220 mil pessoas. Talvez porque o Blur ali naquele ponto já era uma banda mais “consagrada” que o Oasis. Talvez porque “Country House” era mesmo melhor que “Roll with It”. Ou, talvez, porque o Blur teve a sacada de botar o seu single pela metade do preço do Oasis, a 0,99.

* Dois fatos que eu nunca me esqueço. Noel Gallagher anos depois dando seu depoimento a uma TV dizendo que aquela guerra foi muito imbecil porque as duas músicas eram ruins. Que o barulho seria mais justificado se quem estivesse em disputa nas vendas fossem “Cigarettes & Alcohol” e “Girls & Boys”. O outro é que, na semana do lançamento dos singles, enquanto esperava-se o resultado da semana das vendagens, o famooooooso tablóide “The Sun” foi a Manchester e conseguiu entrevistar a mãe dos Gallagher. Levaram um walkmen e tocaram o single do Blur para ela, que acompanhou alegrona, batendo o pezinho no chão. A manchete do jornal no dia seguinte, óbvio, era algo do tipo: “Mãe dos Gallagher adora a música nova do Blur”.

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* Esta história de Blur x Oasis está oralmente contada também no Popload:Popcast, nosso podcast que foi ao ar hoje, no Spotify.

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