Em papisa:

CENA – Papisa lança remixes do álbum “Fenda”. Estreia é “Semente”, mexida pela guitarrista Gabi Glowing Lens

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* Lançado em agosto do ano passado, o álbum “Fenda” é uma feliz coleção de cançoes sensoriais elevadas e femininas, mais que feminista, de autoria 360º de Rita Oliva, cantora, multiinstrumentista, produtora e dona de seu próprio estúdio, que ela mesmo construiu.

Agora vem aí os remixes de “Fenda”, interferências suprafemininas de artistas contribuintes como Larissa Conforto (Àyié) e Vivian Kuczyncski, entre outras e até outros.

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A estreia se deu hoje, com a versão nova para a faixa “Semente”, feita por Gabriela Terra, dona do projeto My Magical Glowing Lens, outra das “minas que fazem” da CENA nacional.

“Quando chamei a Gabi para remixar alguma música do disco, ela disse: ‘Eu já tô fazendo!’. E me contou que era de ‘Semente’. Teve uma grande sincronicidade ali e eu fiquei muito feliz”, falou Rita sobre a convidada para o primeiro remix.

Confira abaixo.

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Amanhã, sábado, Rita e Gabriela, ou Papisa e My Magical Glowing Lens, se juntam no Instagram também numa live, para comemorar o primeiro remix e falar com gabarito sobre processos de produção musical. Esse encontro acontece às 16h.

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Top 50 da CENA – E se o primeiro lugar desta semana fosse uma música chamada “Quarentena”? Mais: Tagore e Coruja BC1 voam alto nas paradas

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* Uma música chamada “Quarentena” lidera o Top 50 na quarentena. Este dia ia chegar. O que mais podemos dizer?

Semana foi beeeeem movimentada. Muitos lançamentos de uma vez só e tentamos incluir tudo de bom a gente ouviu. Até ficou coisa de fora, inclusive umas inéditas que só nós ouvimos, porque só vão ser lançadas nos próximos dias e resolvemos não ser ansiosos e “forçar a entrada” já neste Top 50. Sim, jornalista de música tem lá seus privilégios, que merecemos, às vezes. Mas, como manda a quarentena, um dia de cada vez.

E, como manda a “Quarentena” do rapper Rincon Sapiência, é primeiro lugar.

Bem, outro problema, começa a ficar difícil tirar músicas da lista. Tem umas que queremos deixar o ano todo ali como se nada tivesse acontecido.

Bom, já sabem o resto, né? Playlist firmeza no Spotify e Deezer e os nossos espaços de comunicação todos abertos para suas sugestões. O que perdemos nesta semana? Avisa aí, por favor.

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1 – Rincon Sapiência – Quarentena (Estreia)
Rinco Sapiência é dos velhos adeptos do home-office. Não faria sentido a quarentena não ter um som dele. E ele fez justamente a música que leva o nome “Quarentena”. Bem ao seu modo, afiado, lotado de referências ao presente. Ouça várias vezes até captar tudo que ele joga aqui. É o mundo que em vivemos milimetricamente musicado. Ou rappeado. Para ser estudada nos livros de história. Perfeita.
2 – Tagore – Drama (Estreia)
A parceria da Tagore com o Boogarins deu jogo. A canção pega de cara de tão boa. Tem uma clima meio jovem guarda encontra a psicodelia. Carregada no som, mas a mensagem soa clara como música pop das mais limpinhas.
3 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (Estreia)
Coruja prevê um EP e um álbum neste ano de 2020. O EP sai nesta quarta-feira e um dos destaque é a romântica “Baby Girl”, que tem um beat daqueles, mas também tem um riff delicioso de guitarra. Romântica no clima, mas um tanto quanto reflexiva sobre aprender amar, entender o amor.
4 – CESRV – “Cry Baby” (1)
“Cry Baby” encontra um toque brasileiro em um sample que reconhecemos de uma música estrangeira que rolava nas rádios nos anos 80, tipo “flashback de FM”. É que o tal sample veio de um disco da banda carioca standard Cry Babies, um grupo que daria origem a Banda Black Rio e que regravou sons gringos em versões instrumentais em um disco de 1969. A música faz caminhos inusitados, não é? Quão rico é isso? Quão necessário são esses caminhos do CESRV?
5 – Douglas Germano – “Valhacouto” (2)
Aldir Blanc é das grandes perdas do ano. Relembramos o compositor versátil e afiado nesta letra incrível para um nome da CENA, que é Douglas Germano. “Valhacouto” é uma crônica sobre a violência nazista que acaba resvalando em cenas da atualidade. Passado e presente juntos em um alerta sobre o perigo que nos ronda. Prova de que Aldir seguia atento, forte e necessário.
6 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (3)
A parceria da Ava Rocha com a banda colombiana é daquelas combinações que ficam tão boas e naturais que deixam a gente desejando por horas aquele som. São só duas músicas lançadas, mas queremos mais e mais disso.
7 – Clarice Falcão – “Só + 6” (4)
Clarice lançou um belo vídeo para uma música que está lá no seu disco de 2019. Que visual esse vídeo tem. Encantou a gente e voltamos ao disco e à faixa. Uma belezinha de sua fase eletrônica.
8 – YMA – “No Aquário” (5)
Que bom ouvir um novo single da YMA. A letra parece prever os tempos de pandemia, sendo uma letra feita antes da atual situação. A voz, o andamento, a letra (do Lau, do Lau e Eu), a guitarrinha à lá Chris Isaac. Tudo em harmonia perfeita. E a música nem é de disco (achamos). Pertence a uma coletânea de site.
9 – Database – “Mandrake (Nesta onda)”
Quase 5 anos sem lançar nada, aos poucos o Database volta à rotina com a dupla reestabelecida de novo em São Paulo. “A ‘Mandrake’ surgiu como uma brincadeira após uma viagem para Portugal”, conta a banda, que foi atrás de fazer um som “das antigas” que estão chamando de “nu disco rap”, cantada em português. Galera da eletrônica sabe a importância, a música está entre as 100 mais vendidas do Beatport. Só vai.
10 – Mariana Degani – “Horda Mulheril”
Primeiro single do novo álbum, o segundo da carreira de Mariana Degan. Aqui ela fala sobre a conexão e a solidariedade entre as mulheres que vêm sendo construídas nos últimos anos. Nas palavras da cantora, o ambiente escuro em que se via no passado agora se apresenta como um ambiente de acolhimento, força e poder.
11 – CESRV – “Onda” (6)
12 – Sara Não Tem Nome – “Agora” (7)
13 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (8)
14 – Vir GO – “Lunes” (9)
15 – Sessa – “Sereia Sentimental” (10)
16 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (11)
17 – Duda Brack – “Pedalada” (12)
18 – YMA – “Evaporar – Ao Vivo” (13)
19 – Carne Doce – “Saudade” (14)
20 – Francisco – “Traumas” (15)
21 – Aldo – “Restless Animal” (16)
22 – Obinrin Trio – “Medo” (17)
23 – Ozorio Trio – “Get Up” (18)
24 – Cícero – “Às Luzes” (19)
25 – Boogarins – “Inocência” (21)
26 – Djonga – “Procuro Alguém (22)
27 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (23)
28 – ÀIYÉ – “Isadora” (24)
29 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (25)
30 – Troá! – “Bicho” (26)
31 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (27)
32 – Apeles – “Deságua” (28)
33 – Papisa – “Homem Mulher” (29)
34 – Valciãn Calixto – “3R1K0N4”
35 – FingerFingerrr – “Tô Vivo” (32)
36 – Marietta – “Analógica” (34)
37 – Manaié – “Tira a Mão” (35)
38 – Rohmanelli – “Toneaí” (36)
39 – Ana Preta e Thaíde – “Não Me Leve a Mal” (41)
40 – Jhony MC – F.A.B. (42)
41 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (43)
42 – Vovô Bebê – “Êxodo” (44)
43 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (45)
44 – Edgar – “Carro de Boy” (46)
45 – ANNÁ e Ilú Obá de Min – “Sobre Rosa” (47)
46 – Victorino – “Roque” (48)
47 – Valuá – “Veneno” (49)
48 – Kiko Dinucci – “Veneno” (50)
49 – Leo Fazio – “Se Pá”
50 – Tatá Aeroplano – “Alucinações”

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper paulistano Rincon Sapiência.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – De novo, produtor CESRV pega o 1º lugar. Nem a gente acredita. Uma homenagem involuntária a Aldir Blanc e a ilustre presença de Ava Rocha são novidades

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* Como se não bastasse tudo o que já acontece, esta semaninha que passou foi triste para a música brasileira. Por isso falamos aqui, neste TOP 50 que você lê agora, sobre uma bela parceria do já saudoso Aldir Blanc (que andava tão ou mais jovem e forte do que muitos por aí, como podemos ver na música escolhida) com Douglas Germano, um raro e belo encontro de um grande nome da velha guarda com um atual da nossa CENA.

Também aproveitamos e contamos uma história com o produtor CESRV (primeiro colocado mais uma vez? como pode, hein?) sobre os caminhos tortos que percorrem música e memória. CESRV é um cara para ser olhado bem de perto. E ouvido mais de perto ainda.

Mais novidades? Temos a ótima nova música (e vídeo) nem tão nova de Clarice Falcão e a importante Ava Rocha em parceria com uma banda colombiana incrível.

E lembrando que nosso ranking é uma playlist lá no Spotify ou Deezer. Porque na real nossa missão não é dizer quem é melhor, não. É oferecer 50 sons legais toda semana para você ouvir.

Fica em casa, bb!

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1 – CESRV – “Cry Baby” (Estreia)
Falamos aqui semana passada sobre o ótimo EP onde CESRV revista música brasileira a seu modo. Mas ficamos com uma dúvida em “Cry Baby”. O sample que reconhecemos nela era de uma música estrangeira que rolava nas rádios nos anos 80, tipo “flashback de FM”. Onde estava a música brasileira ali, então? CESRV desvendou o mistério em nossas lives diárias: o sample veio de um disco da banda carioca standard Cry Babies, um grupo que daria origem a Banda Black Rio e que regravou sons gringos em versões instrumentais em um disco de 1969. A música faz caminhos inusitados, não é? Quão rico é isso? Quão necessário são esses caminhos do CESRV? Mais sobre este assunto na posição 6 deste ranking.
2 – Douglas Germano – “Valhacouto” (Estreia)
A semana que começou triste com a partida de Aldir Blanc fez a gente relembrar que o compositor versátil andava afiado. E, mais que isso, agora no ano passado fez uma letra incrível para um nome ativo da CENA, que é Douglas Germano. “Valhacouto” é uma crônica sobre a violência nazista que acaba resvalando em cenas da atualidade. Passado e presente juntos em um alerta sobre o perigo que ainda nos ronda. Prova de que Aldir seguia atento, forte e necessário.
3 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (Estreia)
A parceria da Ava Rocha com a banda colombiana é daquelas combinações que ficam tão boas e naturais que deixam a gente desejando por horas daquele som. São só duas músicas lançadas, mas queremos mais e mais disso.
4 – Clarice Falcão – “Só + 6” (Estreia)
Clarice lançou um belo vídeo para uma música que está lá no seu disco de 2019. Que visual esse vídeo tem. Encantou a gente e voltamos ao disco e a faixa. Uma belezinha de sua fase eletrônica.
5 – YMA – “No Aquário” (1)
Que bom ouvir um novo single da YMA. A letra parece prever os tempos de pandemia, sendo uma letra feita antes da atual situação. A voz, o andamento, a letra (do Lau, do Lau e Eu), a guitarrinha à lá Chris Isaac. Tudo em harmonia perfeita. E a música nem é de disco (achamos). Pertence a uma coletânea de site.
6 – CESRV – “Onda” (2)
Só quem é muito atento vai saber de onde CESRV encontrou os samples que reveste esta faixa de seu novo EP, dedicado a recriações e colagens de sons brasileiros em beats com influência de footwork. Entendeu? Se não, procure entender. Ou pelo menos ouvir esse EP “Bela Vista”, do CESRV.
7 – Sara Não Tem Nome – “Agora” (3)
“Será que o mercado vai lavar suas mães invisíveis?” É com essa frase cortante que a mineira Sara Não Tem Nome abre seu novo single. Adivinha o tema? Ela vai no alvo, o tempo todo. Que música densa. Só quem esteve em 2020 vai entender.
8 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (4)
A faixa-título do novo álbum da banda aracajuana Taco De Golfe é o melhor exemplar de introdução para o belo disco que eles fizeram. Música instrumental capaz de impactar até quem não aprecia tanto o gênero. Diz muito sem nem ter voz.
9 – Vir GO – “Lunes” (Estreia)
Nova banda punk mezzo paulistana mezzo do mundo, formada por veteranos da CENA e liderada pela conhecida agitadora Madame Mim, ex-MTV e duzentas bandas. O gás, aqui, a partir desta “Lunes”, é juvenil. Punk, pois. Alerta: cantada em castelhano. E daí?
10 – Sessa – “Sereia Sentimental” (5)
Uma bela track nova de Sessa, beneficente e disponível apenas no Bandcamp dele. Portanto vai faltar, por enquanto, na nossa playlist. Bonita, quieta, jazzy e em forte contraste com os tempos atuais. Queremos morar no violão dessa introdução.
11 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada
12 – Duda Brack – “Pedalada” (7)
13 – YMA – “Evaporar – Ao Vivo” (8)
14 – Carne Doce – “Saudade” (9)
15 – Francisco – “Traumas” (10)
16 – Aldo – “Restless Animal” (11)
17 – Obinrin Trio – “Medo” (12)
18 – Ozorio Trio – “Get Up” (13)
19 – Cícero – “Às Luzes” (14)
20 – Jovem Dionísio – “Ponto de Exclamação” (15)
21 – Boogarins – “Inocência” (16)
22 – Djonga – “Procuro Alguém (17)
23 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (18)
24 – ÀIYÉ – “Isadora” (20)
25 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (21)
26 – Troá! – “Bicho” (22)
27 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (27)
28 – Apeles – “Deságua” (23)
29 – Papisa – “Homem Mulher” (24)
30 – Dance of Days – “Não Sou Mais o Mesmo (Mas Pelo Menos Não Sou Você)” (19)
31 – Terno Rei e Tuyo – “Pivete” (28)
32 – FingerFingerrr – “Tô Vivo” (25)
33 – Francisco, El Hombre – “Juntos, Nunca Sós” (26)
34 – Marietta – “Analógica” (30)
35 – Manaié – “Tira a Mão” (31)
36 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
37 – Amen Jr. – “amoretempo” (33)
38 – Derek e Lucas Silveira – “Me Sinto Sozinho” (34)
39 – Bivolt – “110v” (36)
40 – Trupe Chá de Boldo – “À Lina” (37)
41 – Ana Preta e Thaíde – “Não Me Leve a Mal” (39)
42 – Jhony MC – F.A.B. (42)
43 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (43)
44 – Vovô Bebê – “Êxodo” (44)
45 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (45)
46 – Edgar – “Carro de Boy” (46)
47 – ANNÁ e Ilú Obá de Min – “Sobre Rosa” (47)
48 – Victorino – “Roque” (40)
49 – Valuá – “Veneno” (49)
50 – Kiko Dinucci – “Veneno” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e compositora Clarice Falcão, em repeteco.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Depois de cinco anos, banda Mel Azul acorda para sonhar com single novo

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* A provocadora e provocante (observe a ténue diferença) banda de rapazes paulistana Mel Azul está de volta, ainda que de certo modo dormindo. E sonhando com garotas legais da CENA.

O quinteto, que já foi uma banda indie-jazz e virou uma formação de rap-funk psicodélico eletrônico, lança nesta semana um dream-pop no sentido mais literal do termo, a música “Dreaming”, a primeira música deles em cinco anos. Mas, veja, por um lado pode se dizer que, na verdade, o Mel Azul acordou.

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O “psicodélico” no termo acima também grita em “Dreaming”. O Mel Azul, dadas as diversas formações e seus dez anos de saudáveis estranhezas no cenário indie paulistano, é a banda certa para este ano fora do normal.

“Dreaming” é mesmo uma viagem gostosa. E conta no canto com duas garotas da interessante cena de garotas da música independente brasileira: Yma e Papisa. Vai estar em um novo álbum do grupo, o terceiro, ainda a ser lançado neste 2020 esquisito pelo selo-agitador Freak, do qual são parte integrante no rodízio de bandas que produzem e retroalimentam com participações, shows e festivais.

“Dreaming”, o novo single, vem com um vídeo-animação criada e dirigida pelos irmãos Gabriel e Giovanna Rouvier (Pizzar Studios). Música e vídeo, tudo aqui embaixo.

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TOP 50 DA CENA – Ranking chacoalhado por novidades na semana. Carne Doce emplaca o primeiro lugar pela segunda vez. E Aldo e a dance Clarice Falcão “desbancam” os trios

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* Lave bem as mãos, fique em casa e ouça nossa playlist das 50 das melhores músicas brasileiras dos últimos sete dias seguem sendo as ordens expressas da Organização Mundial de Saúde para este período zoado que estamos vivendo.

Nesta semana, olha, até pedimos desculpas. Estamos com muitas novidades que, embora na lista abaixo, ainda não podem entrar na playlist no exato momento desta publicação. São algumas músicas que vão entrar entre amanhã (quinta) e sexta-feira, respeitando a cronologia de lançamento de cada. Mas são músicas tão boas que foi inevitável já sair falando delas. Então, igual na antiguidade, saudade das revistas de música: leia primeiro e ouça depois.

Mas já dá para ir aproveitar nossa playlist nas plataformas. Todas as novidades estarão por lá em breve. Combinado?

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1 – Carne Doce – “Saudade” (Estreia)
Mais uma vez temos a banda goiana no topo com uma música deliciosa que ilustra com som e letra um desencontro amoroso em uma DR. Ou seria um reencontro pós-término? Ainda estamos desvendando a letra, faz parte. A questão é que já estamos viciados na faixa, que é uma típica Carne Doce: começa deliciosamente calma, mas uma hora a gente sabe que o andamento vai mudar, o som vai descambar em algo esquisito de bom, e tudo se acalma no final. “Saudade” é mais um dos indícios que a banda prepara seu melhor álbum.
2 – Aldo – “Restless Animal”
O Aldo segue sua reformulação (ou reconstrução), rumo ao mundo todo. Depois dos lançamentos “ingleses” de 2019, o primeiro single deste ano chega lindo para agitar a quarentena com suas eletronices indies via o selo britânico Full Time Hobby. A faixa, uma obra que os Chemical Brothers certamente assinariam, é só o primeiro single de uma série que vem ao longo do ano.
3 – Duda Brack – “Pedalada” (5)
Quer uma música para rir e chorar? A gaúcha Duda Brack encontra esse meio termo aqui em uma música que faz rir e se desesperar pela situação. É rock, mas não é. É indie paulistano dos anos 80, tipo Rumo, mas nada tão 2020 foi feito na CENA. Acompanha um vídeo-filme perturbador de tão… gostoso.
4 – Clarice Falcão e Linn Da Quebrada – “After do Fim do Mundo”
A faixa fala por si só. Estamos no after de um mundo que acabou. Pior que isso. No after do after do after. A solução? Dançar. Mesmo que seja de um modo esquisito, combinando com este dance carioca contrastando com um rap de São Paulo. Clash de cenas com duas das mais evolutivas artistas destes tempos.
5 – Boogarins – “Inocência” (Estreia)
Tal como o Kiss quando incluiu os trabalhos solos de seus membros como parte da discografia da banda, #Fefel2020 reúne duas faixas solo do baixista da banda em um disquinho que está no Bandcamp dos Boogarins. As boas músicas vão aparecer em breve no álbum de sobras da banda, “Manchaca”. Vindo do Boogarins, até os “outtakes” costumam ser bem bons.
6 – Obinrin Trio – “Medo” (2)
Formado por Elis Menezes e as irmãs Raíssa e Lana Lopes, o trio feminino (mesmo!) de SP fez aos poucos seu “Origem”, a estreia em disco delas. E com ajuda dos já muitos fãs, famosos e os não. Mais independente impossível. Aqui destacamos, entre vários destaques do álbum debut, a bela “Medo”.
7 – Ozorio Trio – “Get Up” (1)
Outro trio, que não é exatamente um trio, mas sim o projeto de Marcelo Ozorio. Em um disco, “Big Town”, que vai encontrar as conexões do folk americano com a música caipira do Brasil, ele explora no violão uma vibe meio Wilco brasileiro que funciona muito bem em diversas canções. O resultado impressiona de bom. Nossa favorita é essa “Get Up”. Musicaça.
8 – Cícero – “Às Luzes” (3)
Cícero encontra uma vibe meio Radiohead nos tempos do “In Rainbows” e faz uma bonita música em seu novo e ótimo álbum, “Cosmos”. Pressentimos que outras músicas deste disco vão aparecer aqui no Top 50.
9 – Djonga – “Procuro Alguém (4)
Segue no Top 10 esse disco do Djonga inesgotável de bom. Na capa mais forte do ano até aqui, o rapper mineiro estampa a realidade cruel do Brasil. Sua montagem é praticamente a versão ilustrada do verso “Olha quem morre, veja você quem mata”, cantado por Edi Rock em “Negro Drama”, dos Racionais. Ao rappear sobre todas as quebradas, um dos fios de esperança no futuro onde o amor vence está na geração que chega, representada por este som que celebra a pequena Iolanda, a filha mais nova do Djonga. E que letra que ela tem.
10 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (6)
A faixa que abre o disco da Letrux já frequenta o alto do nosso ranking há algumas semanas. É uma espécie de trip-hop atravessado por uma guitarra e com um encerramento apoteótico belíssimo. “Viver é um frenesi”, canta Letrux. Parece daquelas músicas que ganham novos sentidos a cada dia que passa. E que letra que ela tem parte 2.
11 – Dance of Days – “Não Sou Mais o Mesmo (Mas Pelo Menos Não Sou Você)” (Estreia)
12 – Francisco, El Hombre – “Juntos, Nunca Sós” (8)
13 – ÀIYÉ – “Isadora” (9)
14 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (10)
15 – Apeles – “Deságua” (11)
16 – Jhony MC – F.A.B. (12)
17 – Troá! – “Bicho” (14)
18 – Papisa – “Homem Mulher” (17)
19 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (19)
20 – FingerFingerrr – “Tô Vivo” (20)
21 – Winter – “Say” (21)
22 – Bivolt – “110v” (22)
23 – Vovô Bebê – “Êxodo” (23)
24 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (24)
25 – Terno Rei e Tuyo – “Pivete” (7)
26 – Shower Curtain – “All That You Do” (18)
27 – Marietta – “Analógica” (27)
28 – Manaié – “Tira a Mão” (25)
29 – Rohmanelli – “Toneaí” (29)
30 – Amen Jr. – “amoretempo” (26)
31 – Derek e Lucas Silveira – “Me Sinto Sozinho” (28)
32 – Edgar – “Carro de Boy” (30)
33 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (31)
34 – Trupe Chá de Boldo – “À Lina” (34)
35 – La Leuca – “Morning Gloria (O Medo)” (35)
36 – Nego Bala – “Cifrão in Pé” (36)
37 – Francisco El Hombre – “Cai” (37)
38 – Jovem Dionísio – “Ponto de Exclamação” (38)
39 – Ana Preta e Thaíde – “Não Me Leve a Mal” (39)
40 – Olívia de Amores – “La Cancionera” (40)
41 – Letícia Persiles – “Trem Fantasma” (41)
42 – Juliano Guache – “Bombyx Mori No. 1” (42)
43 – Kiko Dinucci – “Veneno” (32)
44 – Valuá – “Veneno” (33)
45 – Letrux – “Fora da Foda” (43)
46 – ANNÁ e Ilú Obá de Min – “Sobre Rosa” (44)
47 – Julia Melo – “Touch” (45)
48 – Marília Calderón – “O Chão na Palma da Mão” (46)
49 – Mariana Volker – “Me da Me dê” (47)
50 – Luana Flores – “Guerreira de Lança (Furmigadub Remix)” (48)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, Murilo e André Faria, da banda paulistana Aldo.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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