Em papisa:

CENA – Música da Semana: “Roda”, Papisa

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* Faz quase duas semanas que saiu o álbum de estreia da Papisa, “Fenda”, um disco de descobertas. De descobertas para quem ouve e de totais descobertas para quem o fez, a cantora, compositora e multiinstrumentista e autoprodutora e autotécnica de som Rita Oliva, que abraçou todo o processo de desenvolvimento do disco, foi buscar timbres e texturas do zero, adaptou sua casa para gravar seu trabalho, estufou a parede da sala com colchões e embalou as estantes de livros com edredons para atingir a acústica que queria, criou audições especiais do disco para observar as reações das pessoas ao ouvi-lo. Essas coisas da mulher empoderada de hoje, graçasadeus.

Só não carimbou o disco com um selo próprio porque ele não existe (ainda). Mas foi lançado independente, tipo ela-mesmo.

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Arriscou tudo e se deu bem, talvez mais como projeto pessoal do que propriamente “sucesso popular”, porque “Fenda” e seus objetivos holísticos a serviço de uma mística que guia sua autora não são exatamente fáceis. Embora irregular, é um disco muito feliz, dentro do seu conceito e de sua feitura. Quando é bom, é muito bom.

Tipo esta canção que a gente quer destacar, “Roda”, música que quase encerra “Fenda” e nas experiências descobertas por Rita bota ela num caminho de sonoridade percorrido por artistas tão díspares quanto Warpaint e Chris Isaak, que no fim pode levar ao mesmo lugar. Coisas que oferecem respiro num dia rápido. Como “Roda” oferece um respiro em “Fenda”.

Bom, essa é uma análise sensorial, na verdade. Tanto de “Roda” quanto de “Fenda” em si. Cada um sente a sua. E, como mostra Rita Oliva em suas descobertas que viraram um disco, para ela e para nós ninguém disse que seria fácil.

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“Escrevi essa música baseada numa história familiar. Ela foi inspirada na minha vó, que toca piano desde cedo. Sempre foi muito talentosa. Ela sempre me contou de como ela tinha potencial, um maestro chegou a se encantar com o talento dela, mas ela acabou escolhendo o destino de casar, ter filho. Na época a mulher não era estimulada a seguir carreira. Mas dentro da minha cabeça eu sempre senti essa coisinha dentro dela que ela poderia ter ido mais longe com o piano”, conta Rita.

“Claro, isso pode ser mais meu do que dela, mas eu tinha essa perspectiva. Então ‘Roda” tem a ver com isso. Olha para traz e pensar no que ela poderia ter sido, ao mesmo tempo o que isso significa para mim, hoje, que posso seguir minha carreira.”

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* As fotos da Papisa, usadas neste post e na home da Popload, são de Déborah Moreno

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CENA – Festival 5 Bandas acontece hoje em São Paulo botando 5 bandas para tocar. Não é tão simples assim

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* Um dos mais novos festivais da enorme carga de eventos do calendário indie brasileiro, o festival 5 Bandas nasceu como um trabalho de conclusão de faculdade. O chamado TCC.

Pilotado por Alexandre Giglio, dono do blog Minuto Indie, que também é um canal de Youtube, o conceitual 5 Bandas pretende ser um festival que prepara o público para os outros festivais. A ideia é misturar estilos, ampliar o “leque indie”, e apresentar shows um pouco mais curtos, tipo de meia hora, a um público que não necessariamente vai a festivais, não exatamente frequenta à cena mas quer descobrir coisas novas, despertar outras predileções. A preços “amigáveis” pela quantidade de atração.

O 5 Bandas de hoje chega a sua segunda edição, já foi experimental antes disso (teve testes nos estúdios da Freak, na SIM São Paulo, na Casa do Mancha) e em sua primeira, em março, saiu já pronto da banca de avaliação estudantil. Era o trabalho escolar ganhando vida real, com Brvnks, Raça, Geo, Alaska e Mustache e os Apaches como atrações.

Nesta noite, novamente ocupando o Estúdio Bixiga, na Treze de Maio, o 5 Bandas vai reunir Glue Trip, Papisa (foto abaixo), Pessoas Estranhas, Gab Ferreira (foto acima) e The Raulis. Os ingressos, em seu segundo lote (R$ 25), podem ser comprados online. Na porta custará R$ 30.

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Dia 12 de outubro o 5 Bandas será “aplicado” no Rio de Janeiro, com atrações ainda a ser divulgadas. A ideia é fazer mais uma edição em São Paulo, provavelmente em dezembro.

“O porquê de 5 Bandas, o nome? Porque eu ia em shows, geralmente eram duas bandas que se apresentavam, shows longos, às vezes maçantes, preços caros pelo que entregavam. Tudo atrapalhando a experiência. Apresentações mais curtas, com mais nomes, a preços mais acessíveis podem formar um novo público para todo mundo. Dá para experimentar mais. Assim surgiu o 5 Bandas”, diz Giglio.

Não é a descoberta da roda indie. Mas que funciona bem, isso funciona.

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CENA – Papisa volta a pisar na “Terra” com novo single. Álbum de estreia, “Fenda”, sai em agosto

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* Papisa, a banda-projeto da cantora, multiinstrumentista, produtora e dona de seu próprio estúdio (mais novidades auto-suficientes a seguir) Rita Oliva, acostumada a sonorizar conceitos divinos e outras paradas mais “elevadas”, aterrissa bonita agora na Popload com seu novo single, “Terra”, faixa que prepara a chegada de “Fenda”, o álbum de estreia dela (dela Papisa, não dela Rita), programado para sair em agosto.

Desde que saiu de bandas para encarnar solo a Papisa, nestes últimos dois anos e tanto e à custa de um EP de três músicas, Rita (foto acima) só parou faz pouco tempo para compor este seu novo mais disco cheio inaugural, que para gestá-lo experimentou sons, aprendeu processos, no exato momento em que que produzia suas músicas. “Terra” é o terceiro exemplo do álbum que está por vir. Antes ela já tinha botado à mostra os singles “A Velha” e “Roda”.

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A música entra nas plataformas de lançamentos nesta sexta-feira. Um lançamento para a terra, para o próprio umbigo de Rita Papisa, que à luz dos novos conhecimentos (ou por se auto-entender mais) na letra diz que tinha um rio correndo dentro dela. A capa, acima, tem direção de arte de Thata Jacoponi e foto de Déborah Moreno (foto).

Segundo divulgado, “Terra” tem dois momentos: primeiro um mantra construído por camadas que se transformam ao alcançar seu ápice, desembocando na segunda parte da música, um (quase) refrão apoteótico, preenchido por vozes diversas.

A ouvir:

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Como bônus deste post, a gente traz uma session ao vivo gravada recentemente em Sorocaba pela Papisa para o canal da produtora indie Lobotomia. A música, a ótima “Homem Mulher”, não vai estar no disco, mas é presença obrigatória em seus shows. Na performance, Rita Oliva é acompanhada pela baterista Theo Charbel e a baixista May Manão.

Ainda nesta sexta, Rita se apresenta com seu Papisa no Estúdio Bixiga, dentro do minifestival 5 Bandas, junto de Glue Trip, The Raulis, Pessoas Estranhas e Gab Ferreira.

Neste show do 5 Bandas, Papisa toca em trio, mas desta vez com Stéphanie Fernandes no baixo e Pedro Lacerda na bateria. Participação especial de Luna França.

Bem, aqui está “Homem Mulher” em session.

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O indie-BR e a Courtney. Papisa faz cover linda da guitarrista australiana. Show é semana que vem

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* Está chegando. O especialíssimo Popload Gig com a cantora e guitarrista Courtney Barnett acontece daqui a uma semaninha, em São Paulo. Na quinta-feira, 21, a preferida do Obama volta ao Brasil para se apresentar no Fabrique, na Barra Funda, no primeiro Gig de 2019. Os ingressos estão quaaaaaase esgotados a esta altura. E no dia seguinte, 22, Courtney Barnett toca no Bar Opinião, em Porto Alegre.

A pedido da Popload, um pouco da cena independente tem feito releituras de músicas de Barnett, um verdadeiro esquenta indie em forma de Popload Session para o show de daqui sete dias. Na semana passada, publicamos uma cover maravilhosa que a banda goiana Brvnks fez para a música “Need a Little Time”, hit fofo do último disco da guitarrista de Melbourne.

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Aqui, agora, chega a vez de a cantora e multiinstrumentista Rita Oliva encarnar uma linda Courtney Barnett com seu belíssimo projeto indie-zen Papisa, para esta série especial da Popload Session. A Papisa buscou uma pequena pérola de um dos primeiros EPs de Courtney Barnett, lá de 2013, a canção “Anonymous Club”. Música absurdamente bonita, idem a versão da Papisa. Veja:

* Não é só a Courtney Barnett que faz recomendadíssimo show em São Paulo na semana que vem. Dois dias depois dela, no sábado 23, a Papisa se apresenta no clube Breve, na Pompéia, com uma noite em que convida ainda a banda suíço-mineira Alles Club e o barulhentíssimo power trio feminino Olympia Tennis Club. Tanto o Alles Club quanto o Olympia Tennis Club são de Juíz de Fora, MG.

Vamos em tudo?

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POPLOAD RADIO – Programa CENA, hoje, traz session ao vivo e o que vem por aí em discos nacionais. Noite ainda tem o programa SOMA

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* Nesta noite de quarta, a Popload Radio leva ao ar, às 22h, o segundo programa CENA, raio-x radiofônico da incrível produção musical independente brasileira. Cheio de novidades.

O primeiro programa, na semana retrasada, teve como foco os melhores discos do ano passado e um trecho ao vivo de meia hora de show da banda gaúcha Supervão, tirado de performance do trio em Porto Alegre, em dezembro.

Hoje, e com reprises amanhã às 11h e sexta às 18h, o CENA traz, em “Parte 1”, da expectativa de alguns álbuns ou EPs novos do indie nacional que serão lançados em 2018. Em destaque, o novo Holger, o terceiro disco do Carne Doce, o álbum de estreia do Supervão, do Der Baum e do projeto de Rita Oliva, a Papisa.

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O CENA de hoje, apresentado por este que vos escreve, the one and only Lúcio Ribeiro (hum…), vem ainda com uma session exclusiva de duas músicas do músico mineiro JP Cardoso (abaixo), que prepara para este ano uma sequência de seu disco de estréia, o ótimo “Submarine Dreams”, lançado em 2016. JP ainda concede entrevista ao programa, falando de seus planos para 2018.

Para a session, bom avisar, um ukelele e um violão foram envolvidos.

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Nesta noite ainda, antes do CENA, será apresentado o programa SOMA, conduzido docemente por Isadora Almeida, cavocadora de novidades novas dentre as novas novidades da cena indie mundial, seja ela baseada em guitarras ou indo para o hip hop e tals.

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Isadora diz que no SOMA desta noite, que começa às 21h, e tem reprises às quintas 16h e sextas 11h, terá música nova do produtor inglês Tom Misch, da produtora/DJ koreana-norte americana Yaeji, tem som da Mabel, filha da Neneh Cherry que faz um neo R&B maneiro, tem as irmãs Haim (parece que a Isa gosta agora um pouco mais do novo álbum delas…). Bom, ouve o programa porque ninguém gosta de um, digamos, “spoiler completo”.

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** A Popload Radio pode ser ouvidas em aplicativos. Tem app para iPhone e para celulares do sistema Android. Pode ser ouvida por aqui mesmo, neste site, na barra principal acima ou na aba “radio”, no menu. Também é alcançada no Facebook da Popload/Popload Gig, no item “Popload Radio”, na barra à esquerda.
 E está disponível no TuneIn, a plataforma americana de streaming ao vivo, que tem milhares de rádios cadastradas.

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