Em Peter Gabriel:

POPNOTAS – O hino “Biko” está de volta, o que é bom e ruim. Os discos novos de Django Django e Clap Your Hands Say Yeah. E r.i.p. para o inovador do áudio Rupert Neve

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* Olho na nota, ouvido no streaming. O belo grupo britânico Django Django
lançou sexta-passada “Glowing in the Dark”, seu quarto disco, que carrega entre outras delicinhas os singles “Free from Gravity” e “Waking Up”, com participação certeira de Charlotte Gainsbourg. Com o disco novo, o Django Django segue com seu indie-dance atualíssimo buscando às vezes roçar o pop perfeito. E, se não conseguindo, em alguns momentos chegando perto.

* Outro álbum de destaque lançado na sexta-feira, que merece nossa orelhada atenta, é “New Fragility”, do Clap Your Hands Say Yeah, banda indie outrora grande do circuito nova-iorquino, capitaneada pelo insistente Alec Ounsworth, o sujeito que em algum momento teve a melhor voz da música independente numa época de grandes e marcantes vozes. Se vale nossa indicada, além de “CYHSY, 2005”, o primeiro single, dê uma chance para a faixa “Thousand Oaks”, para entender de onde vem o feliz paralelo do indie americano viajante proporcionado por bandas como o Clap Your Hands, o War on Drugs, Cake e Future Islands, para citar só algumas, “novas” ou mais antigas. Como disse uma resenha que eu li na “Rough Trade”, a loja, a respeito do disco, o Clap Your Hands Say Yeah confronta as doenças modernas com espiritualidade.

* Um dos mais reconhecidos engenheiros eletrônicos da história das gravações e da música, o britânico Rupert Neve morreu no sábado aos 94 anos, no Texas, onde vivia com a esposa. A causa apontada foi de pneumonia, seguida por um ataque de coração fulminante. De suas muitas criações eletrônicas, talvez a mais reconhecida seja a mesa de mixagem analógica Neve 8078, cujas poucas unidades estiveram pelos estúdios mais famosos do mundo. No filme “Sound City”, de 2013, onde Dave Grohl conta a história do Sound City Studios em Los Angeles, a mesa Neve de Neve é uma das protagonistas, já que por ela passaram álbuns como “Nevermind”, do Nirvana, e “Pinkerton”, do Weezer. Dave Grohl comprou a Neve do Sound City para o seu próprio estúdio.

* Em 1980, o músico Peter Gabriel, ex-Genesis, gigantesco à época, lançou “Biko”, uma música de protesto que inundaria rádios e estaria em seu terceiro álbum de enorme vendagem, disco com uma famosa capa que tinha metade da cara derretendo. “Biko” foi uma canção de posicionamento de Gabriel, superativista, contra o regime segregacional da África do Sul, o apartheid, uma das maiores bandeiras sociais do mundo à época. Steve Biko foi um ativista preto que morreu sob custódia da polícia sulafricana em 1977 e virou um dos mártires do movimento.
Agora, 40 anos depois, o músico reuniu uma galera forte ao redor do mundo para regravar “Biko”, mesmo nome, várias novas causa sociais. Com artistas e bandas como Yo-Yo Ma, Cape Town Ensemble, Sebastian Robertson e o baixista Meshell Ndegeocello, num total de 25 músicos de sete países, Peter Gabriel atualiza “Biko” para o movimento Black Lives Matter, ainda para falar de brutalidade policial e outras tristes agendas. Porque, infelizmente, “Biko” ainda combina com os dias de hoje.

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O "Porno" do Arcade Fire e as outras músicas. Mais a cover de Peter Gabriel

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* De repente, na Amazon francesa aparece o setlist do disco novo da banda canadense Arcade Fire, “Reflektor”, que vem à luz oficialmente no final de outubro. Será mesmo um álbum duplo. E tem uma música batizada de “Porno”.

Agora que a gente já esgotou a orelha com a incrível faixa-título, estamos na expectativa de conhecer as outras 12 do disco. Entre outros nomes, “Supersymmetry” e “Flashbulb Eyes” chamam a atenção, num primeiro momento. Mas gosto também de imaginar a letra de “We Exist” e “Normal Person”. Ou… “Awful Sound (Oh Eurydice)”. A lista completa das músicas, segundo a Amazon.fr, é assim:

Disco 1

1. Reflektor
2. We exist
3. Flashbulb eyes
4. Here comes the night time
5. Normal person
6. You already know
7. Joan of arc

Disco 2

1. Here comes the night time II
2. Awful sound (oh eurydice)
3. It’s never over (oh orpheus)
4. Porno
5. Afterlife
6. Supersymmetry

* Apareceu também neste final de semana a música que o Arcade Fire fez para a coletânea de covers do músico Peter Gabriel, “And I’ll Scratch Yours”, que sai hoje na Inglaterra, amanhã nos EUA. O grupo de Win Butler retransformou “Games without Frontiers”, single de Gabriel de 1980. Ficou massa.

Arcade Fire – “Games Without Frontiers” (Peter Gabriel Cover)

Semana que vem o Arcade Fire se apresenta no “Saturday Night Live”, famoso programa de TV americano. Vai ter a famosa performance de duas músicas do programa, mas a banda ainda promete um show de meia hora depois, para a internet.

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Londres? NYC? Berlim? – Os 12 dias pop que abalam São Paulo

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* A superbanda americana Pearl Jam deu início ontem a um período absurdo de acontecimentos pop que já estão sacudindo São Paulo e região. São 12 dias de agitos, até o descanso no feriado de 15 de novembro. E, depois disso, o ano vai estar longe de acabar. E, depois do final do ano, vem 2012 já com uma programação cavalar, mesmo levando em conta “só” o que a gente já sabe que vai rolar. Londres where? Berlim what? Nova York why?

** PEARL JAM – A festa anos 90 que vai assolar a região começou ontem no Morumbi, com o grupo de Eddie Vedder iniciando o giro de shows no Brasil com um show “curto” de apenas duas horas e pouquinho de duração. A banda, em turnê comemorativa de seus 20 anos, impregnou seu setlist com boa parte do extrafamoso disco de estréia “Ten”, de 1991. Hoje tem mais Pearl Jam, no Morumbi, em show esgotadaço há tempos. Abaixo, vídeo da animal “Animal”, do show de ontem em SP.

** PLANETA TERRA – No sábado agora, dia 5, tipo amanhã, o Playcenter vai abrigar mais uma edição do Planeta Terra, o evento de alma indie que virou megafestival. O PT, que esgotou cerca de 18 mil ingressos em horas, há meses, vai ter a atenção polarizada entre os shows da grande volta dos Strokes ao Brasil e da vinda ao país de um Gallagher, o ex-Oasis Liam, e sua banda nova Beady Eye. Mais atrações indies de peso desfilam pelo Planeta Terra, como Interpol, Broken Social Scene, White Lies, Bombay Bicycle Club, Toro Y Moi, Goldfrapp e Gang Gang Dance, entre outras. Programão.

Os Strokes tocando pela primeira vez em São Paulo no Tim Festival, Anhembi, em 2005. Foto: Chris von Ameln / UOL

** OFF-TERRA – No domingo seguinte, duas bandas do line-up do Planeta Terra fazem shows ‘solo’ na cidade. Enquanto o Interpol, banda nova-iorquina que anda um pouco preguiçosa em performances ao vivo em festival, mas que costuma acertar a mão em shows em clubes menores, toca no Clash Club (na Barra Funda, ingressos esgotados), o grupo britanico Bombay Bicycle Club tem apresentação solo marcada para o Beco SP, na Augusta.

Paul Banks mostra seu sentimento indie-dark durante show do Interpol no Via Funchal, em 2008. Foto: Lucas Lima/UOL

** CINE JOIA – Fora toda essa bagunça dos festivais, do Pearl Jam e dos shows indie-gringo em clubinhos, a capital paulista tem outro evento que promete mudar a cara da noite de quem consume música na cidade. No cabalístico dia 11/11/11, abre suas portas o novo Cine Joia, que será o novo lugar na cidade para apresentações de rock, de rap, de funk, disco, punk, disco-punk, de jazz, de eletrônico, de ska, de qualquer coisa que seja relevante na área dos shows ao vivo. Uma das grandes atrações do Joia, fora as bandas, o lindo cinema transformado em casa de shows e sua privilegiada localização, será seu sistema de iluminação com a técnica do mapping. Quem viver verá. A inauguração do dia 11 é um evento fechado com traje “black fucking tie” e uma atração internacional surpresa. Nas semanas seguintes, nomes como Ladytron e Kings of Convenience pisarão por lá. E isso vai ser só o começo. O Cine Joia fica no bairro da Liberdade e tem capacidade para 1500 pessoas.

Primeiro teste de iluminação por mapping do Cine Joia, casa de shows que inaugura dia 11 no bairro da Liberdade

** SWU – No dia seguinte, dia 12, Paulínia (110 km de SP) recebe a segunda edição do festival ecológico SWU. Com uma escalação variada e de certa forma esquisita, mas ainda assim recheada de bons nomes, o festival reserva especialmente para seu último dia (14/11) uma noite dedicada ao estilo de música que “a gente curte”. Sonic Youth, Black Rebel Motorcycle Club, Faith No More e Crystal Castles são apenas algumas das atrações “nossa cara”. Mas nos outros dias o festival ainda apresenta Hole, Odd Future, Modest Mouse, Ash, Kanye West.

 

O grande Caniê, bombada atração do festival SWU, que tem o último show do Sonic Youth no Brasil para sempre.

* Estamos juntos na balada?