Em picnik festival:

CENA – Picnik em Brasília: um final de semana com Papisa, Marrakesh, Bike e Alenis no DF

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** Fotos e texto de Afonso de Lima

No penúltimo final de semana do mês de junho (23 e 24), o Popload voltou a Brasília para conferir mais uma edição do já amado e conhecido Picnik. Um dos maiores festivais gratuitos do Distrito Federal e responsável não só por trazer apostas do indie nacional para a cidade, mas também por fortalecer e reunir sua cena local de uma maneira democrática e extremamente necessária.

Em sua edição de junho, o Picnik resolveu desviar da sua curadoria trazida em outros anos e apostar em um line up musical totalmente nacional, tendo como os cabeça de chave as cantoras Tulipa Ruiz, Anelis Assunção, o cantor Curumin e a banda Garotas Suecas. Com esse time, o evento conseguiu movimentar uma parcela considerável de público de baixo da lona montada na Praça da Torre de TV da cidade, aumentando o movimento das feiras e exposições que rondavam o parque.

Segundo os organizadores, o Picnik é um evento gratuito, totalmente aberto e que só acontece por conta das feiras que estão ao redor dos palcos e o público que as consome. Colocar grandes atrações, que garantam um público maior, faz com que mais expositores participem, mais pessoas visitem o espaço e em uma escala muito maior a economia criativa da cidade gire de forma mais potente, trazendo pessoas do Brasil inteiro para o local.

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Guilherme Cobelo, vocalista da icônica Joe Silhueta (um dos melhores shows da noite de domingo), de Brasília, comenta que a cidade vive um momento difícil para a cena musical. Para ele, cada vez mais os palcos pequenos e médios estão sumindo e o DF acaba virando, de certa forma, refém de festivais e eventos de maior porte que possam abraçar as bandas que estão por ali, que produzem localmente. Em um papo com os curitibanos da Marrakesh, eles comentam que o festival foi um dos primeiros a apostarem neles e tirarem a banda de Curitiba, abrindo sua visão para um circuito independente de eventos grandes, deixando claro o papel do Picnik não só em trazer grandes shows para a cidade ou apoiar a cena local, mas também em dar espaço a novos nomes de fora, que talvez não chegariam de outra forma até a região.

Musicalmente, os dois dias apresentarem artistas bem variados que garantiram grandes shows, alguns destacados aqui no Popload como boas surpresas. No sábado de Curumin, Tulipa Ruiz e Garotas Suecas fazendo ótimos shows, Papisa foi um dos nomes que chamaram atenção ao fecharem a noite. Foram poucos minutos de apresentação que, por conta dos atrasos de cronograma, ainda jogaram os gaúchos da Supervão para o domingo, mas que valeram cada segundo de espera. Com a banda completa, Papisa hipnotizou o público do começo ao fim, fazendo um dos melhores shows da noite.

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No domingo, a tarde abriu com a ótima surpresa local, os meninos da Palamar, fazendo uma mistura de Tame Impala com Beach Fossils, da psicodelia até a introspecção em poucos acordes. Recomendamos. Logo depois, Cachimbó, também do DF, soltou um ótimo eletro indie abrasileirado que chamou atenção de quem chegava ao parque logo cedo. Continuando a ótima tarde, Meu Amigo Tigre sofreu com problemas técnicos que voltaram no show seguinte, o dos gaúchos da Supervão. Os meninos sofreram com falhas graves que quase pararam a apresentação, mas que foram derrubadas com o carisma da banda em fazer o público dançar mesmo com todas as adversidades técnicas, um show de performance para um início caótico e final heróico.

Abrindo a noite do evento, os curitibanos da Marrakesh fizeram outro dos shows na lista de melhores do festival, com uma apresentação impecável e complexa nos arranjos, eles arrastaram um dos maiores públicos do fim de tarde no palco, chamando atenção de todos que passavam com as ótimas músicas do último disco, “Cold As A Kitchen Floor”. Nessa mesma noite, ainda tocaram os mineiros da Young Lights com direito a roda punk e uma platéia incendiada, os sempre incríveis Joe Silhueta, com Gaivota (vocalista) literalmente alçando vôo no palco, Anelis Assunção com seu show incendiário, Taurina, Bike com outro show da lista de melhores e ainda Mescalines e Rakta para fechar a noite.

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Além das bandas, uma extensa feira gastronômica com opções para todos os gostos, marcas locais expondo seus produtos em grandes estandes e, para quem não queria atravessar o parque para ver shows, um espaço eletrônico com dj’s locais. Em resumo, uma verdadeira junção de todas as tribos possíveis, com uma tenda lá no fundo, recheada de ótimos shows e oportunidades de conhecer artistas inéditos na cidade, junto de uma engrenagem criativa capaz de manter a cena unida e funcionando no Distrito Federal.

Voltando a música, mesmo com as dificuldade técnicas e alguns atrasos, o evento aparece com uma ferramenta de manutenção de encontros e conexões entre o que acontece lá e o resto do país, tudo isso aberto para um público fora da bolha que o indie nacional muitas vezes se encontra. Vida longa ao Picnik, parece que em dezembro tem mais. Vídeos de alguns dos ótimos shows logo abaixo:

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Brasília será invadida de novo pelo Picnik Festival neste final de semana. E a Popload entrega os horários dos shows

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Por aqui, a gente não cansa de viajar atrás de shows. Por isso embarcamos no próximo final de semana (23 e 24), pela terceira vez, para o Picnik, em Brasília. O festival com o maior público, para o menor e mais aconchegante palco do Brasil, responsável por movimentar a agenda de festivais no país e ainda apresentar misturas interessantes de artistas de todos os cantos do mundo em um evento para, em média, 20 mil pessoas por edição.

Esse público todo não é encabeçado apenas por grandes nomes, muito menos por atrações musicais gigantescas, mas sim por uma história de seis anos de muitas edições (mais de 20), quatro em que o festival se estabelece com dois dias. O Picnik nasceu em 2012 e vem, desde então, mesclando economia criativa e música em um espaço livre, gratuito para circulação, movimentando uma multidão de pessoas de todas as partes da região.

Musicalmente, ele já proporcionou grandes experiências, muitas delas históricas para a cidade, como foi o caso do show gratuito do canadense Mac DeMarco em 2015, ou O Terno um pouco antes crescer desenfreadamente. É com esse lema de experimentação e mistura, que o Picnik vem crescendo e expandindo cada vez mais sua atuação na cena de festivais.

Para o evento de 2018, o Popload envia o Poploader Afonso de Lima até Brasília para acompanhar dois dias que vão de Curumin até os nossos melhores de 2017, a Supervão. Esse line-up vem focado em grandes nomes nacionais, junto de revelações e apostas, proporcionando um final de semana de encontro de bandas importantes para a cena indie nacional.

Essa salada sonora de frutas, muito bem curada por Miguel Galvão, produtor do Picnik e um dos fundadores do selo Quadrado Mágico, contará ainda com Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção, Bike, Papisa, Marrakesh, Rakta, Garotas Suecas e mais uma porção de artistas de todos os cantos do país. A função acontece na Torre de TV, no próximo final de semana e a partir das 14 horas, não só com shows, mas, principalmente (já que tomam a maior parte do evento) feiras culturais, mercadinhos com produtores locais, palestras e diversas atividades espalhadas pelo local.

A Popload, em primeira mão, revela logo abaixo os horários e a escalação completa da parte musical do Picnik.

Dia 23 – Sábado
14:00 – Augusta (DF)
15:00 – Leo (DF)
16:00 – Garotas Suecas (SP)
17:00 – Curumin (SP)
18:30 – André Sampaio (SP)
19:30 – Tulipa Ruiz (SP)
21:00 – Papisa (SP)
22:00 – YPU (DF)
23:00 – Supervão (RS)

Dia 24 – Domingo
13:30 – Palamar (DF)
14:30 – Meu Amigo Tigre (DF)
15:30 – Cachimbó (DF)
16:15 – Marrakesh (PR)
17:15 – Young Lights (MG)
18:15 – Joe Silhueta (DF)
19:15 – Anelis Assumpção (SP)
20:30 – Bike (SP)
21:30 – Mescalines (SP)
22:30 – Rakta (SP)

** Mais detalhes sobre esse festivalzão você ainda encontra no evento oficial do Picnik no Facebook.

** A foto da capa é de John Stan.

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O MAPA DO ROCK APRESENTA… BRASÍLIA

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Agora a conversa é federal. A nova cidade contemplada com um raio-x de sua cena indie é Brasília, a capital do país e uma das mais diferentes terras sonoras brasileiras. Você vai entender por quê. O MAPA DO ROCK da Popload, que tem apoio da GOL Linhas Aéreas Inteligentes, chega à quarta edição no Distrito Federal. As movimentações indies de Belo Horizonte, a primeira, Porto Alegre e Fortaleza, nessa sequência, foram as três anteriores.

O MAPA DO ROCK é uma seção fixa da Popload que pretende mapear a #CENA de algumas das principais cidades brasileiras. As bandas locais de destaque, seus principais palcos, os bares que apoiam a música, os festivais e festas que movimentam a coisa toda, os agitadores que fazem tudo acontecer, as apostas indie e, já que estamos in loco vendo a #CENA com os próprios olhos, algumas das nossas dicas do que fazer, onde comer, o que visitar e, principalmente, POR QUE ir até lá.

Brasília: população de 4,2 milhões de habitantes na área metropolitana (2016), a quinta mais populosa do Brasil. Estimativa de público no último festival Picnik Festival, gratuito: 15.000 pessoas/dia em dois dias de junho.

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DESTINO: BRASÍLIA – BRAS ILHA – ILHA DE BRÁS – BRASILA – BSB

Uma das mais peculiares cenas de música nova no Brasil, é curioso constatar que a Brasília indie está sonoramente mais perto hoje da primeira geração do rock da cidade, a da MPB psicodélica de bandas como o Matuskela, do que da estrondosa e nacionalmente conhecida onda punk/pós punk que rendeu nomes como Legião Urbana, Plebe Rude, aqueeeeele Capital Inicial e botou a cidade, inclusive em versos, no mapa musical do país. É mais curioso ainda que em festas indies de hoje em dia na cidade, quando recorrem ao punk, no som ou na atitude (e no deboche), se referem mais a bandas como Raimundos e Little Quail and the Mad Birds (terceira geração) ou Divine (quarta) do que à turma de Renato Russo. Em tempos mais recentes, Móveis Coloniais de Acajú e Lucy & The Popsonics levaram a cena candanga para outras capitais, até para fora do Brasil, mas fizeram o que poucas bandas que estouraram, seja qual fosse o nível de “estouro”, ousou fazer. Ficar em Brasília, não se mudar para o eixo SP-Rio para “tentar a sorte”, e, assim, ajudar no reconhecimento e crescimento da cena local. A cidade, dos 90 para cá, teve importantes bandas indies, como a citada Divine e nomes como Low Dream, Prot(o), Bois de Gerião e um ótimo difusor que aumentou o intercâmbio da cidade com outras praças de destaque, na figura do gaúcho Fernando Rosa, que fincou em Brasília a bandeira seu selo e produtora Senhor F e sua festa mensal Noite Senhor F, entre outros agitos, fazendo a cidade acontecer. Quando essa cena ruiu e nem os então sobreviventes Lucy e Móveis resistiram, a cena de Brasília entrou para esta década precisando de uma arrumação interna e uma adaptação aos novos tempos. Começa que de uns anos para cá a noite de Brasília desapareceu, com o fechamento de quase TODAS as casas noturnas e o aperto da lei de silêncio que restringe a vida noturna em bares até 2h. A vida sonora brasiliense, indie ou eletrônica, precisou buscar lugares alternativos, como alugar clubes de embaixadas, associações e parques. E horários alternativos. As principais festas e eventos passaram a ganhar corpo de dia, um ótimo jeito de driblar a questão de horário e aproveitar também a arquitetura típica da cidade e de seus parques. Outra “dádiva” para festas de dia em lugares abertos é realizá-las no chamado período da seca, quando Brasília fica muito tempo sem ver chuva. Nessas, no caso do indie, surgiu a vital festa Picnik, hoje também um importante festival brasiliense. Outra mudança “para o bem” foi que a cena candanga teve que descentralizar. Começou a pipocar um indie “paralelo”, que não necessariamente era do Plano Piloto. Bandas independentes novas do Gama e de Taguatinga surgiram em quantidade e qualidade para chamar atenção para as cidades-satélites, nessa nova ordem da efervescência sonora da cidade, o que desvirtua a ideia de que nas periferias só brota hip hop. Brasília tem rock para além do Plano Piloto. Ao mesmo tempo se estabelece na cidade uma cena punk pop meio que oriunda de movimentações como o festival Porão do Rock, uma galera tipo Scalene, Dona Cislene, cena esta forte e fechada que trabalha a questão do metal, emo, pós-emo, não dialoga em nada com a cena indie sonoramente falando, mas que às vezes mistura a molecada, cada vez mais versátil. Tem ainda, hoje, no paralelo a tudo, uma importante cena jazz, instrumental e choro forte na cidade, apelidada de “Brasilia Nervosa”, de onde despontam bandas como o Satanique Samba Trio, que acabou de voltar de shows na Europa, e tem correspondência mesmo que acidental com a cena indie. E, nesse certo crossover com o indie, nos últimos anos, rendeu uma sintonia com bandas indies importantes mas hoje desativadas, como Bois de Gerião e o próprio Móveis Coloniais. E ainda se dá com a atualíssima Joe Silhueta, de Guilherme Cobelo. Resumo da ópera candanga: estrangularam a cena de Brasília, em muitos lados, mas ela está escapando por outros e se tornando numa das mais interessantes do país. E, de novo, uma das mais peculiares.

** Quatro bandas de Brasília

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** Cinco apostas Popload

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Tem muito mais bandas

Cassino Supernova

Superquadra

Tertúlia na Lua

Bolhazul

Luzes da Capital

Satanique Samba Trio

Bílis Negra

Sexy Fi

Alf Sá

Brancunians

Virada Cuca

Transquarto

Vintage Vantage

Cold Café

Menestrel

Enema Noise

Cachimbó

O Tarot

Humbold

Tiju

Fábio Matafora

Saci Weré

Lista de Lily

Alarmes

Cantigas Boleráveis

Brasil Cibernético

Komodo

** Por onde circula a cena de Brasília

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* Velvet Pub *
CLN 102 Bl. B, Lj. 28
Local de festas e shows, mistura bandas covers e autorais em seu espaço, no qual cabem 300 pessoas. Uma das pouquíssimas casas noturnas que resistem a não fechar, em Brasília.
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* Quinto Bar *
CLN 102 Bloco A Loja 56
Extensão física da festa Quinto, o bar, inaugurado em 2014, traz luz à música eletrônica de Brasília com DJs, lives e VJs.
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* Outro Calaf *
SBS Quadra 02 Bloco Q Térreo
A versão do Bar do Calaf para música ao vivo. Essa danceteria, lugar para shows, restaurante e bar, no setor bancário sul, ao lado da casa original, é o lugar ainda da famosa festa brasiliense Moranga.
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* SuB Dulcina *
Setor de Diversões Sul
Brasília, Conic

Lugar para shows e festas (e mais coisas) no famoso Conic, “antro” de contracultura de Brasília que outra vez está passando por uma revitalização. O SuB fica no subsolo do teatro Dulcina.
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* Espaço Cultural Canteiro Central *
SCS Quadra 3 Bloco A Lote 210
Lugar novo, surgiu há uns dois anos, e com nova administração e iniciativa de diversos coletivos, passou a ter vida musical com shows frequentes, de samba ao indie. E varando a madrugada, sem se preocupar com barulho e vizinhança incomodada, uma dos fatores que matou a cena noturna brasiliense.
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** Para comer e beber em Brasília

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* SCLN 408/409 Norte *
baixo Asa Norte
Não é um bar, exatamente. É uma rua com a melhor concentração de bares de BSB hoje. Cheio de agitadores culturais e universitários, que fazem da rua uma grande balada. Tem indies, eletrônicos, estudantes, o povo todo.
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* Piauí *
SCLS 403 Bloco B Loja 20
Não é um bar, exatamente. É uma distribuidora de bebidas. Lugar é bem “roots”, mas agrega boa parte da cena indie brasiliense.
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* Beirute *
SCLS 109 Bloco 1 loja 2/4
Bar clássico de Brasília, em dois endereços. O primeiro, da Asa Sul, destacado aqui, é o mais antigo. O segundo é na SCLN 107. Frequentado por intelectuais, universitários, gays, famílias, idosos. E os indies. O filé à parmegiana é obrigatório.
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* Cervejaria Criolina *
SOF Sul Quadra 1 CJ B Lote 6
A festa que virou cervejaria. Propriedade dos meninos da Criolina, trio de DJs dos mais bombados de Brasília finalmente abriu as portas de sua cervejaria cigana. Discotecagens e torneiras de marcas próprias.
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* La Rubia Café *
SCLN 404 Bloco B Loja 44
Vou reproduzir a descrição que está no Facebook deles. Pela galera que eu consultei, parece que é assim mesmo: “Um café cocktail bar esquizo para uma cidade careta. Coquetelaria, comidas de rua do mundo, pole-dance, disco-music, gente feliz, elegante e sincera”.
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* Kafta da Mama *
SQS 112 Entrada da Quadra Residencial
Barraca numa esquina de rua na 112 Sul de Brasília, existe há 12 anos no lugar e vai buscar seu tempero no Líbano. O melhor kafta da cidade. Talvez do Brasil. O Maruan, um dos filhos da Mama, era DJ de música eletrônica da cena candanga uns 15 anos atrás.
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* Objeto Encontrado *
CLN 102 Bloco B Loja 56
Considerado um dos 20 melhores cafés do país, o Objeto Encontrado é também conhecido por seu cheesecake e a variedade de uísques bons. Tudo apreciado com boa música e vendo uma ou outra obra de arte exposta no lugar.
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** MOVIMENTAÇÕES DA CENA BRASILIENSE

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Para começar, o velho CONIC, o lugar mais alternativo de Brasilia desde sempre. Foi o primeiro em Brasilia a ter boate gay, lojas de quadrinhos, discos, camisetas. Ainda os tem. Está passando por uma nova revitalização, resolvendo seus “perigos”, e alguns shows e festas, como a atual Criolina, passaram a ser realizados lá. O Lucy & The Popsonics, um dos grandes nomes brasiliense dos anos 2000, não tem mais banda, mas o casal popsonic tem loja de camisetas no lugar. // Alguns ousam dizer que o PICNIK FESTIVAL [foto acima], festival entre o semestral e anual que também vem a ser a festa itinerante trimestral mais famosa do Distrito Festival, salvou a cena brasiliense. Um esforço do casal Miguel Galvão e Julia Hormann, ele economista, ela publicitária, o Picnik enquanto evento grande é um ótimo junta-tribos que bota para tocar em um final de semana, em praças ou parques, de graça, um monte de exemplares da nova e às vezes velha cena de Brasília, da nova CENA nacional e da nova cena internacional também. No Picnik é banda tocando e em volta uma pequena cidade criativa fazendo rodar a economia com desfiles de moda, venda de arte e decoração, roupas de brechó, plantinhas, discos, zines e pôsteres, painéis de discussão sobre a evolução humana, workshops de costura, teatro, espaço zen badabauê moderno, áreas de cura com terapias de florais, meditações e papos sobre cartas e números, um clube de chá, curso rápido de cultivo de horta doméstica, área para crianças com brinquedos, oficinas e roda de leitura até para bebês, um estacionamento de bicicletas gratuito e, para a galera parar de pé, uma decentíssima área de alimentação, que inclui um trecho vegano. É essa galera da economia criativa participante que, segundo o festival, financia as atrações musicais do Picnik, que agora em 2017 completa cinco anos de existência e 20 edições realizadas entre festa e festival. // Outra das festas mais bombadas de Brasília, a CRIOLINA já há muito sai da cidade e esteve dentro da programação deste ano do festival Bananada, em Goiânia, por exemplo. A Criolina começou com uma festa às segundas-feiras no Calaf (bar e restaurante onde tocava bandas de samba-rock, que depois abriu espaço para outras vertentes). Pezão, Barata e Ops, protagonistas de discotecagens indies com sotaque português e um jeito muito particular de cortar e emendar as faixas, com setlist montado à base de pesquisas musicais até em psicodelia brasileira anos 70 misturado com Strokes e Raimundos, para citar a mescla. A festa atraiu uma galera tão grande que virou um projeto de Carnaval (Aparelinho) e um bar (Cervejaria Criolina [ver “Para comer e beber em Brasília”, acima] ). Um dos projetos deles é o carnavalesco Harmonia do Sampler, que produziu o pornohit “Pau, Perereca e Cu”, talvez primeiro hit de Carnaval já feito em Brasília, que repercutiu em várias esferas neste ano. // Festa famosaça de Brasília para nova geração, realizada às quartas-feiras no Outro Calaf, a MORANGA promove uma celebrada mistureba sonora que vai do trap ao pop, mas tem o indie lá no meio. É também uma festa visual, com projeções e outras chinfras artsy. Tem pegação e (mas) tem boa música também (às vezes). Capricha muito nos DJs convidados, desde gringos até os de outras festas de outros estados. // Programa histórico da representação da cena brasiliense no rádio, o CULT 22, que existe desde 1991, entre idas e vindas está de volta ao ar na Cultura FM, às sextas-feiras, das 21h às 23h. Apresentado por Marcos Pinheiro, que concebeu o programa junto com o jornalista Carlos Marcelo, o Cult 22 é o elo de ligação da velha cena de metal, da nova cena pós-emo de molecada e do indie. // Um bem-vindo escape para a cena indie brasiliense para além do sonoramente complicado Plano Piloto, a cidade-satélite do Gama, que sempre foi um reduto hardcore, metal e de hip hop, passou a “fabricar” arejadas bandas indies boas, tipo Supervibe, Bolha Azul, Tertúlia na Lua e Luzes da Capital, para citar só algumas. Numa escala menor, mas na mesma pegada, Taguatinga também tem seu destaque na oxigenação da cena de Brasília. // Listada acima no rol de bandas de Brasília para ser ouvida, o Brasil Cibernético acabou de anunciar o seu fim das atividades, agora em julho, deixando uma última música gravada no estúdio SALA FUMARTE, de boa qualidade gravação, por onde passa boa parte da nova cena indie brasiliense, principalmente pelas mãos do produtor Gustavo Harfield. Fica no sótão da casa dos irmãos Breno e Bruno, da banda Bilis Negra, no Lago Norte. O lugar é praticamente a sede do que se costuma chamar de MOVIMENTO GROGUE de Brasília, coletivo de bandas, artistas plásticos, fotógrafos, cineastas, acupunturismo, um grupo de amigos, que comungam das mesmas ideias e tentam expressá-las cada um em seu trabalho. Para resumir, essa mitologia indie brasiliense consiste na “maneira louca de ver as coisas”, segundo um de seus artífices, o músico Guilherme “Joe Silhueta” Cobelo. // Enorme conhecedor da cena brasiliense e não só, PEDRO BRANDT, criador do especialíssimo e artesanal selo Discos Além, que teve seu primeiro lançamento em 2015, um compacto da banda paulistana Modulares. No ano passado, a Discos Além produziu um compacto da antiga banda brasiliense Little Quail and the Mad Birds, e outro disquinho do gaúcho Plato Dvorak, sempre em parceria com outros selos, até internacionais, para dividir custos e tornar projetos viáveis. Os discos, em vinil, são produzidos numa fábrica na República Tcheca. A proposta da Discos Além é de culto ao vinil. Não só lançar em tiragens limitadas as novidades do rock brasileiro como também, ou principalmente, resgatar no formato físico, de preferência o vinil, gravações perdidas ou raras de bandas mais antigas, sejam demos, material para imprensa não divulgado publicamente, shows, registros de gravações de rádio. // Outro selo importante e de iniciativa diferenciada da cena de Brasília é o da LOMBRA RECORDS, criada em 2015 e que tem uma máquina alemã de corte para gravar e riscar vinis artesanais, em um material diferente do disco tradicional industrial, de som mais lo-fi, mais urgente para consumo ou discotecagem. // Um terceiro selo que ajuda a mover a música brasiliense é o DOM PEDRO DISCOS, idealizado a partir da bacaníssima loja de discos de mesmo nome (SCLN 412 Bloco C Loja 20), que já lançou com sua estampa, por exemplo, um 10 polegadas da banda Satanique Samba Trio e relançaram o primeiro disco do Maskavo Roots. // O rolê eletrônico underground em Brasília é bem forte, movimentação a partir de vários coletivos criados nos últimos anos. Da para citar muitos, do Crazy Cake Crew ao SUJO. Mas a gente destaca o Imã, que possui DJs, VJs, cineastas, artistas, músicos e designer para fazer valer não só a música em suas festas; o Vapor, de house; a MADRE, do DJ Spot, que era das bandas Club Silêncio e Mentes Póstumas, também responsável pela festa Moranga, e a 5uinto que existe desde 2007. // Um caso à parte da cena electro-indie de Brasília que junta tribos é a BOOGIE, um dos destaques do último festival Picnik. O coletivo Boogie/Woogie surgiu com a proposta de pulverizar ainda mais a música eletrônica na capital. E para isso resgatou a disco music junto de elementos percussivos e tropicais. Mesclando percussão com música eletrônica, house com funk, disco com música brasileira, o som da Boogie se auto-denomina como “batuque-digital”. Explorando até universos dançantes do rock, da new wave e do synthpop, nada dançante é descartado pelos Djs que se apresentam nas festas, que tem o Dj Fibø como residente. Com dois braços, a festa saúda lua e estrelas com a “Boogie Night”, que é precedida de um jantar (“Boogie Dinner”) para poucos convidados com discotecagem mais “soft-soul-jazzy-mellow” para abrir o apetite e esquentar os motores para a noite. Já a “Woogie”, que é a versão Sunset, teve sua estreia no último dia 1º de julho tendo como convidada a dupla paulistana-internacional Selvagem, além de experientes DJs locais, e um almoço regional preparado pelo restaurante Jamburanas. Os locais das festas são inusitados como um barco fluente no Lago Paranoá. // Outro “case” eletrônico que torna Brasília um celeiro na área é o projeto MYMK, do produtor Bruno Sres (contração de Soares), que já tocou nas bandas Pierrot Lunar, Superquadra e Disco Alto e desde 2015 enveredou (e bem) pelo experimentalismo eletrônico, um certo “electrodream” com base em ambientações sonoras construídas por velhos sintetizadores analógicos e delicadas baterias eletrônicas. // Por fim, o famoso e enorme PORÃO DO ROCK, um dos mais longevos festivais da cena indie do Brasil, que já chegou a ter 100 mil pessoas em uma de suas edições (gratuitas) no estacionamento do estádio Mané Garrincha, continua com força, porém é mais um festival que procura atrair grandes nomes do desgastado rock nacional, sem muito interesse mais na cena independente, se ela não vier do metal/hardcore/emo.

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** FIGURAS DA CENA DE BRASILIENSE

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1. Miguel Galvão e Julia Hormann
É o casal que comanda o festival e as festas do selo Picnik, que nos últimos cinco anos conseguiu ajudar muito a tirar a cena brasiliense de um certo “beco sem saída” na música indie. Trouxeram para a luz do dia o cenário musical, ocuparam parques e espaços públicos da cidade que tem belezas arquitetônicas a mostrar e transformaram suas iniciativas num ótimo case de economia criativa, construido ao redor das festas e do festival uma cidade que gira um comércio de comidas, bebidas, arte, moda, teatro, discussões de diversas ordens. Galera participativa essa que ajuda a financiar os eventos. Miguel, economista de formação (Julia é publicitária, como complemento), tem um background de agitador cultural desde as festas eletrônicas (bastante) e shows de rock (pouco) que promoveu no centro acadêmico de sua faculdade. É também criador da Groselha, festa-show que toca junto com Steve Chezz e que se pretende mensal para dar lugar às bandas indies brasileiras que passam pela região e não têm onde tocar. Nessa conta inclui-se o crescente número de grupos locais, também ávidos por eventos e lugares para tocar. A Groselha é uma alternativa para aquilo que a Picnik não consegue absorver com sua periodicidade mais espaçada. Enquanto a Picnik é um junta-tribos indie-eletrônico-pop, a Groselha se dedica exclusiva ao indie e promove também uma mostra de filmes B, da produção local ou da região, para firmar a pegada underground da festa. Miguel e Julia mantiveram ainda, nos últimos cinco anos, uma pousada em Caraíva, onde no Réveillon produziram uma festa já famosa, com DJs de renome. A pousada não é mais deles e a festa está sob estudo para acontecer em mais uma edição na virada deste ano.

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2. Cláudio Bull
Na ativa na cena brasiliense desde o início dos anos 90, Bull é a história viva da cena musical brasiliense de caráter independente e um dos caras mais versáteis da cidade: trabalha com produção de eventos, jornalismo cultural, historiador de arte e é professor universitário. Nos palcos e estúdios, Bull liderou a Divine, banda ícone indie da Brasília da virada do século; hoje, divide-se entre dois outros grupos, o Superquadra e o Da Silva. E é também DJ. Faz o ciclo completo.

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3. Pezão, Barata e Ops (DJs Criolina)
São os DJs há 12 anos da festa que sacode o ânimo brasiliense e se consideram artistas, de forma justa. Se vendem como festa, cervejaria e fábrica de conteúdo. Têm um jeito próprio de discotecar, mixar, passar de uma faixa para a outra. O “jeito Criolina”. São pesquisadores musicais e capazes de mixar Lady Gaga e batidas africanas emendando uma música latina e Raimundos. E fazer indie aplaudir. Estão construindo história ainda no Carnaval de Brasília, se é que soa esquisito juntar “Carnaval” e “Brasília” numa mesma frase. Mas por causa dos criolinos não é mais. Gravam playlists, têm programa de rádio, produzem vídeo, organizam shows. Superstars DJs, here we go.

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4. Caio Dutra
Produtor cultural e um dos fundadores do Coletivo Labirinto, um dos articuladores de um sério movimento que desde o ano passado visa levar cultura ao Setor Comercial Sul, zona nevrálgica da cidade onde convivem misturados trabalhadores e desempregados, ricos e excludentes, agitos de lojas e bares e insegurança propagada por quem está de fora. Está tentando transformar o negativismo da região em arte. Principalmente à noite, com festas e shows, uma espécie de contra-ataque à lei de silêncio que matou a vida cultural noturna em Brasília.

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** PLAYLIST DA CENA

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A Popload agradece muito: Cláudio Bull, Pedro Brandt, Eduardo Palandi e John Stan (responsável por muitas das fotos desta edição do MAPA). Este MAPA DO ROCK – BRASÍLIA presta tributo ainda ao baixista e guitarrista Pedro Souto, do Almirante Shiva e Joe Silhueta, entre outras bandas, que morreu aos 23 anos, em maio. Sua presença na cena, durante a apuraçõo deste especial, ainda era muito sentida.

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* O MAPA DO ROCK é um projeto da Popload em parceria com a GOL Linhas Aéreas Inteligentes.

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CENA – Picnik Festival, domingo, e o ensolarado Blank Tapes, a beatlemania em torno dO Terno, os ótimos shows de Glue Trip (PB) e Tagore (PE) e a nova e velha guarda brasiliense

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* Popload em Brasília. Acabou o picnik.

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* Se já não bastassem os muitos fatores que tornam o pequeno grande evento indie Picnik, de Brasília, um festival bem peculiar, pelo tanto de jeitos que dá para analisá-lo conforme listamos por aqui no post de ontem, esta edição que aconteceu no último final de semana foi também marcada pela interferência radiofônica. Explico.

O Picnik Festival 2017 aconteceu, desta vez, ao redor da Fonte da Torre de TV, no parque projetado pelo Burle Marx, no Eixão Monumental, a principal avenida de Brasília. Acontece que as ondas sonoras fortes do local faziam uma rádio sair dos PAs dos dois palcos do Picnik, o principal e o menor, da “kombi da Lombra Records”, e ser ouvida no momento em que o som baixasse, uma música acabasse. O Picnik, tinha horas, parecia um longo programa de rádio, com bandas tocando ao vivo. Ou um canal de rádio tradicional sendo invadido por uma transmissão pirata. Sensacional.

Sobre os shows, algumas coisas a considerar. O Terno realmente está nosso Beatles indie, deu para constatar nesse show fora dos que eu vi em São Paulo. O público berra pela banda, invade o palco para selfies e abraços no momento em que eles estão ligando os instrumentos para tocar e não deixa mais o vocalista e guitarrista Tim Bernardes em paz. Um ou dois seguranças precisam ser destacados para acompanhar os caras do palco para o camarim. Vai vendo.

Que apresentação noise-psicodélica, ora psicodélica-noise (entende?) do grupo recifense Tagore, cheio de raiva e ao mesmo tempo cheio de alegria de tocar. Tem algo de eletrônico ainda por cima, nessa mistura Alceu Valença-Tame Impala que a banda leva a seu show cheio de sotaque. O grupo, acho que hoje morando mesmo em São Paulo, se autodenomina dono de um som “pop épico”. Não vejo por que discordar.

Nunca tinha visto ao vivo, só escutado aqui e ali, a banda de um certo indie-reggae-bossa cheio de influências vindas de cima para baixo Glue Trip, da Paraíba. Em cima do palco, como se viu no Picnik, o quarteto acelera algumas músicas, bota peso em tudo, te tira do lugar. Estão para lançar o segundo disco. Olho neles.

Banda de psicodelia californiana sabe bem do que se trata a, bem, psicodelia californiana. Então foi prazeroso do primeiro ao último acorde o show do Blank Tapes, a atração internacional do Picnik. Viagem, barulho, solos de guitarra e virtuose vocal em músicas comuns. Altamente conectada com a psicodelia indie brasileira atual, de Recife a Caxias do Sul.

Grupo bastante recomendado para altas conexões com o público de qualquer festival indie que se preze, principalmente os realizados sob uma tenda de circo, o multifacetado Mustache e os Apaches, de São Paulo, da parte que pude ver, fez o que dele se espera: um show movimentado, em cima e fora do palco, meio rock, meio MPB, meio cigano, que é difícil seguir com um olhar fixo. Porque não é um show comum de uma banda comum.

Do atual bom celeiro do Gama, nova geração indie brotando na periferia, o primeiro brasiliense a abrir o dia foi o trio Supervibe, que tem uma baterista mulher, algo fortemente a destacar na CENA nacional atual. Da escola Tame Imp… Boogarins de psicodelia aplicada a referências diversas, no caso indie rock e um pouco de shoegaze envolvidos, o grupo mostrou-se firme nos caminhos sonoros que quer percorrer, pela aparente pouca idade que tem. A noite de domingo, e consequentemente o festival, foi fechada com uma apresentação algo rara hoje em dia da banda local Cassino Supernova. Foi um show-homenagem. O grupo recentemente perdeu seu baixista, o Pedro Souto, que foi nessa incrivelmente cedo e de modo repentino. Mas não perdeu a mão na porrada sessentista, setentista e demais “istas” em seu show movimentado. O Picnik acabou emotivo e em casa.

Para citar a última das muitas marcas “diferentes” do Picnik Festival, vale ressaltar a ótima discotecagem do palco principal do evento, no entre bandas, que foi responsabilidade do casal produtor do festival, o Miguel Galvão (The Miguelitos) e a Julia Hormann, que entre uma soltada de música e outra acionavam os fones-escuta de rádio para resolver algum problema administrativo do evento.

Alguns vídeos e fotos do domingo do festival brasiliense.

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Duas imagens da representação brasiliense no Picnik: acima, os meninos do Supervibe, do Gama, que abriram o domingo do festival; abaixo, a banda conhecida Cassino Supernova, que encerrou o evento com um show para seu saudoso baixista

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Dois momentos brasilienses, mas diferentes, do Picnik: acima, uma garotinha local, portanto uma guitarra de brinquedo, invade o palco para “tocar” com a ótima banda paraibana Glue Trip; abaixo, o jornalista Alexandre Matias, de Brasília mas agitando várias em SP há anos, em sua tradicional filmada de canto de show, no caso o da banda americana Blank Tapes

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Acima, o Mustache e Seus Apaches, de SP, momentos antes de aprontar no palco do Picnik; abaixo, o grupo brasiliense Cassino Supernova em ação

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CENA – Picnik Festival, sábado, com Ava Rocha, Congo Congo, Teach Me Tiger e a falta de um Jeremy Corbyn. Ou homenagens ao nosso Corbyn-às-avessas

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* Num final de semana em que o maior festival do mundo, o inglês Glastonbury, consagrou um político-esperança (Jeremy Corbyn) como atração no meio de mil bandas, na Brasília de tantos políticos daqueles um dos menores grandes festivais indies levou o rock alternativo ao meio do poder. Alguns gritos de “Fora Temer” foram o contraponto brasileiro, a “resposta” do Picnik ao Glastonbury. Whatever.

No primeiro dia do Picnik Festival, o sábado, atrações locais (Brancunian e Transquarto) misturadas ao bom levante mineiro (Teach Me Tiger e Congo Congo) abriram o caminho dos grandes Bixiga 70, de SP, e da impressionante Ava Rocha, do Rio. O Firefriend, trio paulistano com pé em Brasília, mais a tradicionalíssima Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, candanga, completaram o bom primeiro dia de shows.

Antes, necessário dizer, uma cerimônia xamânica com pessoas dando as mãos em frente ao palco principal abriu o festival. Foi um agradecimento ao solo em que o festival estava sendo realizado. Picnik é destes.

O visual do Picnik é espetacular, de tão bizarro. Porque o visual de Brasília é espetacular de tão bizarro. Nesta edição realizada no parque que compreende a Fonte da Torre da TV, o festival instalou sua tenda de circo e a maior área gastronômica dos festivais brasileiros no Eixo Monumental, o corpo do avião, a avenidona que desemboca no suntuoso Palácio do Congresso Nacional. De um lado do Picnik fica a Asa Norte, do outro, a Sul. Ali na Norte, na paisagem de prédios está o famoso Hotel Eron, abandonado e pixado, invadido no ano passado por desabrigados, que foram expulsos em uma manobra militar cinematográfica. A três edifícios de distância, e em fase de acabamento, está um dos hotéis da cadeia Fasano, projetado pelo arquiteto paulista Isay Weinfeld. Brasila é muito loka.

Um pouco dos shows, em fotos e vídeos, do sabadão do Picnik.

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Acima, no fim da estrada, o Palácio do Congresso Nacional. O Picnik Festival é à esq. da foto. Abaixo, a tenda circense onde fica o palco principal

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Acima, arranjos de oferenda à Mãe Terra para cerimônia xamânica que inaugurou o Picnik Festival. Abaixo, a banda paulista Bixiga 70, uma das atrações principais, passando o som durante a tarde

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A banda Brancunians, da nova geração de Brasília, do vocalista e guitarrista Gap Gap, se apresenta no Picnik Festival

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Acima, Breno Brites, guitarrista, e o irmão Bruno se apresentam na Kombi da Lombra Records, que era o palco dois do Picnik, como Bilis Negra; abaixo, o grupo carioca Beach Combers, de surf music

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