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Top 50 da CENA – Don L domina o pódio com duas músicas e a proposta de um Brasil diferente. Badsista completa o rolê com uma proposta mais “bandida”

1 - cenatopo19

* Semana passada falamos de ideias para o futuro e não é estranho que o tema, talvez o mais recorrente do ano, volte à tona. Mas quem dá a palavra agora é Don L, em um álbum que traça todinho um futuro bem diferente e melhor para o Brasil. Tanto que são duas músicas de uma vez que aparecem no pódio. Como a gente acha que tem que ser.

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1/2 – Don L – “volta da vitória” e “favela venceu” (Estreia)
No ano em que a nossa música mais falou de sonhos que possam mudar os dias tristes do Brasil, “Roteiro para Aïnouz Vol.2”, novo álbum de Don L, talvez seja o que reúne mais elementos não só de sonho, mas também de caminhos para essa luta e principalmente para quais são os objetivos dela. Tá ruim? Massa, mas e aí? O que colocar no lugar? E com o rapper cearense não tem ideia nublada ou vaga. O crime tem culpado e não é acidente. Don L sabe que o projeto do Brasil deu certo, uma vez que esse projeto envolve massacrar minorias, destruir terras e territórios, ciênca, culturas e muito mais. Sua meta? Derrotar o inimigo, sem concessões, sem conchavo. Se perder, já ganhou, porque lutou do lado certo. Se vier a vitória de uma construção do novo país, precisa só ajudar a apontar novos caminhos. Mais interessante ainda é que, na perspectiva apresentada no álbum, essa luta não será ganha lá no futuro. Ela já foi vencida: Don L conta a história a partir do dia seguinte. Parafraseando Emicida: “Se isso não te motivar a deixar de sonhar com um outro mundo, eu não sei mais o que pode te motivar, chapa”.

3 – BADSISTA – “Bandida” (Estreia)
Na revolução de Don L, só posso esperar que a balada do dia seguinte tenha um set madrugada adentro da Badsista. Se a produtora paulista quiser folgar no dia, algo muito justo, a gente coloca “Gueto Elegance”, seu primeiro álbum, para tocar por algumas horas. Que tal?

4 – Aláfia – “Quintal” (Estreia)
A poderosa banda paulista Aláfia retoma as atividades após seu álbum lançado em 2019 e quebra este curto período sem novidades com um single que pode dar a pista dos próximos passos. “Quintal” tem tudo a ver com o tema das novidades desta edição. Nas palavras divulgadas pelo grupo, “a essência do quintal é ecossistema. A quintessência do quintal é o requinte da convivência”.

5 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (1)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

6 – Vieira – “Fluente” (participação Bixarte, A Fúria Negra, Benkes) (Estreia)
Os bons ventos da Paraíba trazem uma psicodelia agradável que atende pelo nome de Vieira. Ou Arthur Vieira. Na maturidade dos seus 20 e poucos anos, ele versa sobre os anos 20 em álbum com participações de Bixarte, o veterano Totonho, Gio, Teco Martins e Boogarins. Aliás, por falar na banda, a produção é do superguitarrista e, há algum tempo, superprodutor Benke Ferraz.

7 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (2)
E, por falar em futuro, em seu disco solo de experimentações na pandemia, gravado em casa, Thiago França coleta ideias e nessa bela instrumental anuncia que o futuro perdido por conta desse outro “Brasil Futurista” um dia volta. A gente acredita nessa ideia, Thiago.

8 – Eliminadorzinho – “Verde” (3)
Trio de rock alternativo paulista com fortes influências de Sonic Youth, que o proprio nome da banda já entrega, mais Dinosaur Jr e um monte de outras referências, o grupo chega firme em seu primeiro álbum, “Rock Jr.”, após muitos EPs. O clima lo-fi do começo ainda está lá, mas o corpo da experiência sonora é mais carregado e chega a flertar até com um rock mais radiofônico. Se as rádios brasileiras que ainda tocam rock não vacilarem, é umas. Energia bruta.

9 – Tainá – “Brilho” (4)
A gente tem um tempo que elogia a boa e criativa cena alternativa carioca, que lembra muito a cena alternativa paulistana dos anos 80. Tainá faz parte dessa turma e entrega um belo álbum em “Brilho”. Dançante na medida que é reflexivo. E a voz de Tainá revela um lugar onde a gente quer ficar por um tempo.

10 – Pluma – “Revisitar” (5)
A esperta banda paulista Pluma soltou um bom EP com alguns singles que já circulavam por aí, fora umas inéditas. Entre elas, “Revisitar”, que conta com participação do vocalista e letrista da banda O Grilo, Pedro Martins. Esse diálogo entre erudito e pop que existe no trabalho dos dois artistas casou bem aqui.

11 – Céu – “Bim Bom” (6)
12 – FBC – “Se Tá Solteira” (7)
13 – Fresno – “Casa Assombrada” (8)
14 – Duda Brack – “Oura Lata” (9)
15 – Wry – “Where I Stand” (10)
16 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (12)
17 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (13)
18 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (14)
19 – Gab Ferreira – “Karma” (15)
20 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (17)
21 – brvnks – “as coisas mudam” (19)
22 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (21)
23 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (22)
24 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (23)
25 – Alice Caymmi – “Serpente” (26)
26 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (14)
27 – Juçara Marçal – “Ladra” (24)
28 – Criolo – “Cleane” (25)
29 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
30 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
31 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
32 – Liniker – “Mel” (29)
33 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
37 – GIO – “Sangue Negro” (35)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
44 – Jadsa – “Mergulho” (42)
45 – FEBEM – “Crime” (43)
46 – Boogarins – “Supernova” (44)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o trio Fresno.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

Top 50 da CENA – Coruja BC1 e Thiago França apontam ao futuro incerto. Eliminadorzinho resgata o passado certeiro. E assim vamos

1 - cenatopo19

* Que futuro você quer? É curioso que no nosso pódio os dois primeiros lugares discutam cada um a seu modo o mesmo assunto. O rapper Coruja comenta a tragédia de um futuro imaginado por hipócritas, coisa que virou realidade no Brasil. Thiago França, também de seu jeito, sem palavras, imagina um futuro já sonhado retornando. Interessante a conexão. E o futuro pode e está nas mãos de artistas novos, como Eliminadorzinho, Tainá e Pluma, que completam o time de novidades da semana.

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1 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (Estreia)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

2 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (Estreia)
E, por falar em futuro, em seu disco solo de experimentações na pandemia, gravado em casa, Thiago França coleta ideias e nessa bela instrumental anuncia que o futuro perdido por conta desse outro “Brasil Futurista” um dia volta. A gente acredita nessa ideia, Thiago.

3 – Eliminadorzinho – “Verde” (Estreia)
Trio de rock alternativo paulista com fortes influências de Sonic Youth, que o proprio nome da banda já entrega, mais Dinosaur Jr e um monte de outras referências, o grupo chega firme em seu primeiro álbum, “Rock Jr.”, após muitos EPs. O clima lo-fi do começo ainda está lá, mas o corpo da experiência sonora é mais carregado e chega a flertar até com um rock mais radiofônico. Se as rádios brasileiras que ainda tocam rock não vacilarem, é umas. Energia bruta.

4 – Tainá – “Brilho” (Estreia)
A gente tem um tempo que elogia a boa e criativa cena alternativa carioca, que lembra muito a cena alternativa paulistana dos anos 80. Tainá faz parte dessa turma e entrega um belo álbum em “Brilho”. Dançante na medida que é reflexivo. E a voz de Tainá revela um lugar onde a gente quer ficar por um tempo.

5 – Pluma – “Revisitar” (Estreia)
A esperta banda paulista Pluma soltou um bom EP com alguns singles que já circulavam por aí, fora umas inéditas. Entre elas, “Revisitar”, que conta com participação do superguitarrista Pedro Martins, que já colou em álbuns de muitos artistas gringos conhecidos, entre eles o superbaixista Thundercat. Esse diálogo entre erudito e pop que existe no trabalho dos dois artistas casou bem aqui.

6 – Céu – “Bim Bom” (1)
Em seu disco de interprete, “Um Gosto de Sol”, Céu apresenta sua visão para uma ampla gama de composições que marcaram sua vida. Canções que você conheceu através de Fiona Apple, Rita Lee, Revelação, Nina Simone. Se destaca a aventura por uma das raras composições de João Gilberto, a balançada (e até pouco lembrada, já que ganhou poucos covers) “Bim Bom”.

7 – FBC – “Se Tá Solteira” (2)
Voltamos a dar destaque para a sacada genial da dupla FBC e VHOOR em usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô para criar uma nova gama de hits. Ao recuperar que funk e rap têm um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos, FBC talvez tenha não só feito um belo trabalho de resgate cultural como também acertado potenciais grandes hits – “Se Tá Solteira” tem cara de que vai explodir no TikTok, se é que já não explodiu.

8 – Fresno – “Casa Assombrada” (4)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

9 – Duda Brack – “Oura Lata” (5)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

10 – Wry – “Where I Stand” (6)
Se tem uma banda que não falha na entrega, essa é o Wry. Na retomada dos sorocabanos, que já tinha rendido um álbum ano passado, eles voltam em 2021 com toda a força em um álbum de inéditas de configuração um pouco não usual. Ainda que tenha sido gravadas agorinha, todas as canções são composições que ficaram pelo caminho na trajetória da banda – aquelas que ficavam no quase a cada álbum e EP.

11 – Manu Gavassi – “Gracinha (part. Tim Bernardes e Amaro Freitas)” (7)
12 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (8)
13 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (9)
14 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (10)
15 – Gab Ferreira – “Karma” (11)
16 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (12)
17 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (13)
18 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (14)
19 – brvnks – “as coisas mudam” (16)
20 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (17)
21 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (18)
22 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (19)
23 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (20)
24 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel” (21)
25 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (22)
26 – Alice Caymmi – “Serpente” (23)
27 – Juçara Marçal – “Ladra” (24)
28 – Criolo – “Cleane” (25)
29 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
30 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
31 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
32 – Liniker – “Mel” (29)
33 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
37 – GIO – “Sangue Negro” (35)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
44 – Jadsa – “Mergulho” (42)
45 – FEBEM – “Crime” (43)
46 – Boogarins – “Supernova” (44)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper cantor Coruja BC1.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – O topo da nova música é da velha geração. Jards Macalé, João Donato e Caetano Veloso mandam no ranking

1 - cenatopo19

* Quando a gente fala da potência da CENA brasileira e suas novidades parece que estamos falando só de artistas novos. Não é bem assim, claro. Nossos artistas mais velhos estão sempre mostrando o quanto ainda têm a apresentar e principalmente o quanto é preciso prestar atenção no que eles estão dizendo, do alto de sua sabedoria. Essa enorme força está provada nos novos lançamentos de João Donato, Jards Macalé e Caetano Veloso. Trabalhos de músicas inéditas, sobre o hoje. Fortes e presentes.

E, enquanto escrevíamos este Top 50, veio a notícia do falecimento do músico Letieres Leite, um dos maiores. Arranjador e instrumentista, Letieres é fundador da Orkestra Rumpilezz e tem a mão em obras de Hermeto Pascoal, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Timbalada, Paulo Moura, Ivete Sangalo, Maria Bethânia, Naná Vasconcelos, Daniela Mercury, Olodum – a lista é enorme. Gigante. É dele uma importante lição sobre música brasileira trazida em uma faixa de Zé Manoel: “Toda música brasileira é afro-brasileira”. R.i.p.

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1 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (Estreia)
Nus já na capa. E que capa. Jards e João. João e Jards. Juntos. Pela primeira vez. Em músicas inéditas, essa parceria de homens de diferentes gerações parece que sempre existiu. É uma sensação que bate de cara: “Jards e João? Escutei tudo”, como se já existissem vários álbuns da dupla. Tudo soa natural, belo e pronto por aqui. É a habilidade dos dois mestres. “Côco Táxi”, por exemplo, é um veículo cubano que ambos usaram em diferentes momentos da vida em visitas a Cuba. É a metáfora perfeita para o álbum.

2 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (Estreia)
Um beat de rap, modernoso, com interlúdio experimental e tudo. É assim que se apresenta “Não Vou Deixar”. O recado de Caetano aqui pode ter múltiplos alvos. Um Relacionamento? O Bolsonarismo? A gente entendeu que talvez o recado mesmo seja para o neoliberalismo e sua energia de querer derrubar toda a potência do Brasil. Essa vontade de ser norte-americano que existe por aí. Caetano acredita ao longo de “Meu Coco”, seu novo álbum, que a saída de salvação do mundo é brasileira. E isso vem da superação definitiva da tragédia da colonização, que ainda se reproduz na atualidade em forma da desigualdade e do racismo. Violências que impedem o Brasil de cumprir seu destino de salvar o mundo.

3 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (Estreia)
O duo Rabo de Galo (formado por Peu Araujo e Bruno Komodo) e o DJ Ubunto vai regrar o álbum “Atrás do Pôr do Sol” (1988) de Lazzo Matumbi, artista de Salvador e uma das vozes mais importantes da cidade. O primeiro single deste trabalho traz duas regravações de oito, tem a clássica “Me Abraça e Me Beija”, com participação de Luedji Luna no voz. A ideia de retrabalhar um álbum quase perdido na história da música brasileira, ausente no Spotify, por exemplo, tem essa missão de resolver essa injustiça. Vamos escutar “Atrás do Por do Sol”?

4 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (Estreia)
Rapper de longa estrada, ainda que com trabalho solo recente, Stefanie chega muito bem ao lado do companheiro em uma homenagem as vítimas da Covid. Ambos tiveram perdas pessoais na pandemia e a música fala disso, mas também fala das perdas de todos. Na segunda metade, quando o beat fica mais pesado, o recado passa a ser aos que ainda estão por aqui e que estão dando bobeira, um alerta sobre.

5 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (Estreia)
Das mais conhecidas do rapper de Salvador, “BALAH IH FOGOH” ganhou até uma releitura pesada na mão do BaianaSystem. Ainda há novas rimas de Djonga, além do próprio Vandal acelerando o flow original na sua parte. “Só quero minha moeda, nada deles.” Aliás, Vandal acabou de soltar uma nova mixtape que merece sua atenção. Se liga.

6 – Pluma – “Transbordar” (Estreia)
A banda paulista Pluma segue produzindo músicas deliciosas em clima meio pop, meio quase jazz e experimental. “Transbordar”, por exemplo, chega a “travar” a ponto de deixar você noiado se é o seu computador que está com algum problema. Quem diria que um TCC, motivo que uniu a banda, daria tão certo.

7 – Chapéu de Palha – “Domingo” (Estreia)
O duo Giovanna Póvoas e Helder Cruz, de Manaus, faz um pop delicado e bonito. Daquele que tenta te tirar do agito e da loucura e te colocar num lugar bom, como um bom “Domingo”.

8 – Francisco, El Hombre – “Loucura” (Estreia)
“A melhor cura é uma boa loucura”, canta a banda na abertura de seu novo álbum, “Casa Francisco”. “Loucura” é sobre ter coragem de se arriscar, de se jogar no mundo. É a única forma de ver se a gente consegue fazer o que sonha. Não é um processo sem dor, às vezes alguém tem que te dar um empurrão, te assusta e aí você descobre que é capaz de ser melhor, de ser o que é.

9 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (Estreia)
Sabe aquele brega que nasce com cara de clássico? Johnny consegue isso com seu novo single, “Amante de Aluguel”, que é daquelas que na primeira repetição você já saí cantando. Que poder.

10 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (1)
Tem um verso antigo do Don L que avisa: “Faz da vida um filme próprio, não um filme antigo”. Fazer o próprio filme é uma tarefa árdua. Se você tentar terá sorte se só te chamarem de maluco. Simbólico que “Você não queria um filme diferente?” seja a frase que abre sua nova música, esta aqui. No filme próprio que constrói, Don começa a dar conta de que perceber o que há de errado no mundo é bem diferente de mudar o que há de errado no mundo. Nessa distância entre reflexão e ação cabe um milhão de coisas. E nesse caminho Don já topou com as contradições (“Eu sou comunista e curto carros”), com o cansaço (“Uma luta contra o mundo/ Pra fazer parte do mundo que cê luta contra”), o tema da vez é a procura pelo que se quer de fato. Ou uma redefinição de metas e objetivos. Ricos? Imagina a gente livre, ele pondera. Temos aqui uma música que toca na questão da terra como luta primordial ao lembrar o mito guarani da busca por uma terra sem males (“Yvy Marã”). A senha é a palavra “busca”. E mais: mal não é algo abstrato, mas engloba criações dos homens brancos que massacraram a população indígena. A invenção da propriedade privada é um desses males, para ficar em um só problema. Sonhar por um filme diferente é parte essencial de conseguir armar esse filme diferente. E é uma questão que escapa ainda para muita gente, que tem deixado de sonhar, como se no máximo desse para dar uma melhorada em um roteiro ruim. Cadê nossa criatividade? E se tá ruim, massa, todo mundo entendeu, mas que filme diferente é esse? Don deu sua sugestão.

11 – Céu – “Chega Mais” (2)
12 – Alice Caymmi – “Serpente” (3)
13 – Juçara Marçal – “Ladra” (4)
14 – Criolo – “Cleane” (5)
15 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (6)
16 – Sant – “Prantos” (7)
17 – Francisco, El Hombre – “Solo Muere El Que Se Olvida” (8)
18 – Marina Sena – “Pelejei” (9)
19 – Felipe S – “Violento Monumento” (10)
20 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (11)
21 – Taxidermia – “Lava” (12)
22 – The Baggios – “Barra Pesada” (13)
23 – Tagore – “Maya” (17)
24 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (18)
25 – Marissol Mwaba – “Marte” (19)
26 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (20)
27 – Liniker – “Mel” (21)
28 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (24)
29 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (25)
30 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (26)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (27)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (28)
33 – Majur – Ogunté (29)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (30)
35 – GIO – “Sangue Negro” (33)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
42 – Jadsa – “Mergulho” (40)
43 – FEBEM – “Crime” (41)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a dupla João Donato e Jards Macalé.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA: O indie-mental health alcança solo brasileiro e vem pesado ao nosso ranking. Primeiro lugar: “Terapia”. Segundo: “Antidepressivos”

1 - cenatopo19

* A CENA brasileira parece conectada a uma tendência que já observamos lá fora: a indie-mental health. Se quiser ler mais sobre esse movimento (já consideramos um) vale dar uma lida neste post que publicamos na Semiload, umas semanas atrás. As duas primeiras posições da nossa parada desta semana abordam o assunto de modo explícito já no título. E talvez, até o Ale Sater, em seu olhar ao seu interior, possa ser colocado nessa turma. Sinais dos nossos tempos. Estamos trancafiados, as coisas não estão simples lá fora. Cantar sobre isso, que já vinha ganhando força nos últimos anos, aflorou na pandemia e hoje em dia é uma forma de terapia coletiva. A gente acredita que isso possa ser bom, já que só uma maior interação e comunicação sobre esses papos pode ajudar todos nós a lidarmos com isso. Música sempre é uma terapia. Que aborde isso, então. E vai dar tudo certo no fim.

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1 – Luna França – “Terapia”(Estreia)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

2 – Yannick Hara -“Antidepressivos”(Estreia)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

3 – Ale Sater – “Nós” (Estreia)
“Nós”, com seus dedilhados grandiosos de violão acústico, afastam Ale Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embalou “Violeta, o mais recente e bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

4 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que perdurou duas semanas no primeiro lugar deste ranking da CENA. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

5 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (2)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

6 – Winter – “Violet Blue” (3)
Se no Top 10 Gringo demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

7 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (4)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

8 – Tagore – “Tatu” (5)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

9 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (Estreia)
A banda mineira de dream pop Kill Moves consegue transformar Belo Horizonte, 2020, em Slough, Inglaterra, anos 90. Sabe aquele casamento entre barulheira e melodias quase adocicadas? Rola por aqui. “Perfect Pitch” merece sua atenção pelos diversos momentos que cria – do noise inicial, momentos mais melódicos e um break percussivo.

10 – DJ Grace Kelly – “PPK” (Estreia)
A DJ baiana Grace Kelly, que vive na frenética Berlim, manda aqui uma “ode às sapatonas e bissexuais” que vai muito além do que essas três letras podem significar”, em sua palavras. A música é um batidão funky dentro da house que não perde o fôlego em pouco mais de 3 minutos de som. A faixa faz parte do EP “Dengo”, a ser lançado em breve

11 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (6)
12 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (7)
13 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (8)
14 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (9)
15 – Edgar – “Prêmio Nobel” (10)
16 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (11)
17 – BK – “Mudando o Jogo” (12)
18 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (13)
19 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (14)
20 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (15)
21 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (16)
22 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (17)
23 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (18)
24 – Kamau – “Nada… De novo” (19)
25 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (20)
26 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (21)
27 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (22)
28 – MC Carol – “Levanta Mina” (23)
29 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (25)
30 – Criolo – “Fellini” (28)
31 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (29)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (32)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (33)
34 – YMA – “White Peacock” (34)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (35)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (36)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (37)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (38)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (39)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (40)
41 – Liniker – “Psiu” (41)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (42)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (43)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Luna França.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: Ninguém rela na Jadsa, em um inédito primeiro lugar repetido. E no alto ainda temos no ranking uma charanga, uma californiana e o melhor do não-Carnaval

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* Uma semana um pouco diferente por aqui e talvez seja pelos efeitos carnavalescos do feriado de não-Carnaval. Estamos confusos um pouco.
Para começar, repetimos nosso primeiro lugar da semana passada. Será que isso é inédito aqui? Não lembramos. Mas até vamos repetir a arte.
Falta de criatividade? Não mesmo. É que a Jadsa segue firme com a música mais relevante do momento na nossa humilde opinião. Você tem que escutar essa mina para já.

A outra questão é que estamos com menos novidades que o normal. Por causa da semana tão específica do calendário brasileiro, ainda que o que mais perto de Carnaval que chegamos foi o lançamento do documentário do Castor de Andrade, este é um período geralmente morno de novidades musicais fora do samba, das charangas, dos blocos. Ou estamos perdendo algo? Avisa a gente se pans.

Mas deu para compor bem, até, o top 10 dentro do Top 50. O que garante aquela playlist gostooooosa.

topjadsaquadrada

1 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

2 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (Estreia)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

3 – Winter – “Violet Blue” (Estreia)
Se no Top 10 Gringo desta semana demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

4 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (Estreia)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

5 – Tagore – “Tatu” (2)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

6 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (3)
Experiente rapper da cena paulista, Jamés Ventura, que viu o movimento crescer de perto na rua, anda em seu melhor momento. Após lançar em 2019 o excelente “Espelho” e um EP no ano passado, agora ele já chega com dois singles que mantém o alto nível: “Ser Humano”, nossa escolha, e “Mentiras”. Procurem. Pode não ser o rapper mais badalado do momento, mas quem conhece do assunto sempre indica o som do cara.

7 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (4)
Parece uma música que falava de uma certa praia de um outro estado brasileiro, mas é “apenas” a nova do Jovem Dionísio, banda curitibana que a gente sempre posta por aqui e que parece estar em grande fase. Um remix de sucesso de um som da banda colocou os caras com um milhão de ouvintes mensais no Spotify. Acha pouco perto dos grandalhões do pop brasileiro? Pois é um número quase irreal na CENA.

8 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (5)
Projeto de Roger Valença, ex-integrante da banda Onagra Claudique. Impossível não ficar impactado de cara com a faixa que abre o álbum “Um Delírio Madrepérola”. Em seus cinco minutos e pouco, “Leite de Migalhas” arrepia pelos diferentes climas, pela bela voz de Roger e por um violão daqueles que você escuta a mão passando pelas cordas, sabe?

9 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (6)
“Um ótimo dreampop veloz, de pegada oitentista.” Deste jeito que a gente elogiou o single anterior da dupla paulista com conexões argentinas Atalhos, formada pelo vocalista Gabriel Soares e pelo guitarrista Conrado Passarelli. A história se repete aqui em “A Tentação do Fracasso”. A letra que não entrega tanto assim sobre o que se canta é um playground para diferentes interpretações.

10 – Edgar – “Prêmio Nobel” (7)
A gente gosta de dar nossa opinião suuuuuperanalítica, mas aqui vale abrir espaço ao artista. Edgar escreveu um belo texto sobre sua nova composição e seu novo vídeo: “Imagine que o menino João e a menina Ágata poderiam muito bem terem ganhado um prêmio Nobel de literatura ou ciências, Marielle Franco um prêmio Nobel da paz. Diversas vidas que são arrancadas do seu destino todos os dias por uma necropolítica que nos extermina como se fôssemos presas fáceis. No filme “Bacurau” algumas pessoas se identificam com aquele Brasil distante e perto ao mesmo tempo. Só Jesus salva, e nesse filme ele vem armado com diversos inocentes que foram mortos pelas mãos do governo, para poder proteger os trabalhadores e estudantes que moram na favela. Em toda favela tem um prêmio Nobel. Que a polícia caça e mata.”

11 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (8)
12 – BK – “Mudando o Jogo” (9)
13 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (10)
14 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (11)
15 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (12)
16 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (13)
17 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (14)
18 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (15)
19 – Kamau – “Nada… De novo” (16)
20 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (17)
21 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (18)
22 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (19)
23 – MC Carol – “Levanta Mina” (20)
24 – Marrakesh – “To Comprehend” (21)
25 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (22)
26 – Dom Pescoço – “Delicadinho” (23)
27 – Dizin – “Human Bomb (Explode)” (24)
28 – Criolo – “Fellini” (25)
29 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (26)
30 – Cambriana – “Induction Bread” (27)
31 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (28)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (29)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (30)
34 – YMA – “White Peacock” (31)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (32)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (33)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (34)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (35)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (36)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (37)
41 – Liniker – “Psiu” (38)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (39)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (40)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a guitarrista baiana Jadsa.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.