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Top 50 da CENA: O indie-mental health alcança solo brasileiro e vem pesado ao nosso ranking. Primeiro lugar: “Terapia”. Segundo: “Antidepressivos”

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* A CENA brasileira parece conectada a uma tendência que já observamos lá fora: a indie-mental health. Se quiser ler mais sobre esse movimento (já consideramos um) vale dar uma lida neste post que publicamos na Semiload, umas semanas atrás. As duas primeiras posições da nossa parada desta semana abordam o assunto de modo explícito já no título. E talvez, até o Ale Sater, em seu olhar ao seu interior, possa ser colocado nessa turma. Sinais dos nossos tempos. Estamos trancafiados, as coisas não estão simples lá fora. Cantar sobre isso, que já vinha ganhando força nos últimos anos, aflorou na pandemia e hoje em dia é uma forma de terapia coletiva. A gente acredita que isso possa ser bom, já que só uma maior interação e comunicação sobre esses papos pode ajudar todos nós a lidarmos com isso. Música sempre é uma terapia. Que aborde isso, então. E vai dar tudo certo no fim.

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1 – Luna França – “Terapia”(Estreia)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

2 – Yannick Hara -“Antidepressivos”(Estreia)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

3 – Ale Sater – “Nós” (Estreia)
“Nós”, com seus dedilhados grandiosos de violão acústico, afastam Ale Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embalou “Violeta, o mais recente e bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

4 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que perdurou duas semanas no primeiro lugar deste ranking da CENA. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

5 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (2)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

6 – Winter – “Violet Blue” (3)
Se no Top 10 Gringo demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

7 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (4)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

8 – Tagore – “Tatu” (5)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

9 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (Estreia)
A banda mineira de dream pop Kill Moves consegue transformar Belo Horizonte, 2020, em Slough, Inglaterra, anos 90. Sabe aquele casamento entre barulheira e melodias quase adocicadas? Rola por aqui. “Perfect Pitch” merece sua atenção pelos diversos momentos que cria – do noise inicial, momentos mais melódicos e um break percussivo.

10 – DJ Grace Kelly – “PPK” (Estreia)
A DJ baiana Grace Kelly, que vive na frenética Berlim, manda aqui uma “ode às sapatonas e bissexuais” que vai muito além do que essas três letras podem significar”, em sua palavras. A música é um batidão funky dentro da house que não perde o fôlego em pouco mais de 3 minutos de som. A faixa faz parte do EP “Dengo”, a ser lançado em breve

11 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (6)
12 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (7)
13 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (8)
14 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (9)
15 – Edgar – “Prêmio Nobel” (10)
16 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (11)
17 – BK – “Mudando o Jogo” (12)
18 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (13)
19 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (14)
20 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (15)
21 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (16)
22 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (17)
23 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (18)
24 – Kamau – “Nada… De novo” (19)
25 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (20)
26 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (21)
27 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (22)
28 – MC Carol – “Levanta Mina” (23)
29 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (25)
30 – Criolo – “Fellini” (28)
31 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (29)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (32)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (33)
34 – YMA – “White Peacock” (34)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (35)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (36)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (37)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (38)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (39)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (40)
41 – Liniker – “Psiu” (41)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (42)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (43)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Luna França.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: Ninguém rela na Jadsa, em um inédito primeiro lugar repetido. E no alto ainda temos no ranking uma charanga, uma californiana e o melhor do não-Carnaval

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* Uma semana um pouco diferente por aqui e talvez seja pelos efeitos carnavalescos do feriado de não-Carnaval. Estamos confusos um pouco.
Para começar, repetimos nosso primeiro lugar da semana passada. Será que isso é inédito aqui? Não lembramos. Mas até vamos repetir a arte.
Falta de criatividade? Não mesmo. É que a Jadsa segue firme com a música mais relevante do momento na nossa humilde opinião. Você tem que escutar essa mina para já.

A outra questão é que estamos com menos novidades que o normal. Por causa da semana tão específica do calendário brasileiro, ainda que o que mais perto de Carnaval que chegamos foi o lançamento do documentário do Castor de Andrade, este é um período geralmente morno de novidades musicais fora do samba, das charangas, dos blocos. Ou estamos perdendo algo? Avisa a gente se pans.

Mas deu para compor bem, até, o top 10 dentro do Top 50. O que garante aquela playlist gostooooosa.

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1 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

2 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (Estreia)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

3 – Winter – “Violet Blue” (Estreia)
Se no Top 10 Gringo desta semana demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

4 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (Estreia)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

5 – Tagore – “Tatu” (2)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

6 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (3)
Experiente rapper da cena paulista, Jamés Ventura, que viu o movimento crescer de perto na rua, anda em seu melhor momento. Após lançar em 2019 o excelente “Espelho” e um EP no ano passado, agora ele já chega com dois singles que mantém o alto nível: “Ser Humano”, nossa escolha, e “Mentiras”. Procurem. Pode não ser o rapper mais badalado do momento, mas quem conhece do assunto sempre indica o som do cara.

7 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (4)
Parece uma música que falava de uma certa praia de um outro estado brasileiro, mas é “apenas” a nova do Jovem Dionísio, banda curitibana que a gente sempre posta por aqui e que parece estar em grande fase. Um remix de sucesso de um som da banda colocou os caras com um milhão de ouvintes mensais no Spotify. Acha pouco perto dos grandalhões do pop brasileiro? Pois é um número quase irreal na CENA.

8 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (5)
Projeto de Roger Valença, ex-integrante da banda Onagra Claudique. Impossível não ficar impactado de cara com a faixa que abre o álbum “Um Delírio Madrepérola”. Em seus cinco minutos e pouco, “Leite de Migalhas” arrepia pelos diferentes climas, pela bela voz de Roger e por um violão daqueles que você escuta a mão passando pelas cordas, sabe?

9 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (6)
“Um ótimo dreampop veloz, de pegada oitentista.” Deste jeito que a gente elogiou o single anterior da dupla paulista com conexões argentinas Atalhos, formada pelo vocalista Gabriel Soares e pelo guitarrista Conrado Passarelli. A história se repete aqui em “A Tentação do Fracasso”. A letra que não entrega tanto assim sobre o que se canta é um playground para diferentes interpretações.

10 – Edgar – “Prêmio Nobel” (7)
A gente gosta de dar nossa opinião suuuuuperanalítica, mas aqui vale abrir espaço ao artista. Edgar escreveu um belo texto sobre sua nova composição e seu novo vídeo: “Imagine que o menino João e a menina Ágata poderiam muito bem terem ganhado um prêmio Nobel de literatura ou ciências, Marielle Franco um prêmio Nobel da paz. Diversas vidas que são arrancadas do seu destino todos os dias por uma necropolítica que nos extermina como se fôssemos presas fáceis. No filme “Bacurau” algumas pessoas se identificam com aquele Brasil distante e perto ao mesmo tempo. Só Jesus salva, e nesse filme ele vem armado com diversos inocentes que foram mortos pelas mãos do governo, para poder proteger os trabalhadores e estudantes que moram na favela. Em toda favela tem um prêmio Nobel. Que a polícia caça e mata.”

11 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (8)
12 – BK – “Mudando o Jogo” (9)
13 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (10)
14 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (11)
15 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (12)
16 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (13)
17 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (14)
18 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (15)
19 – Kamau – “Nada… De novo” (16)
20 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (17)
21 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (18)
22 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (19)
23 – MC Carol – “Levanta Mina” (20)
24 – Marrakesh – “To Comprehend” (21)
25 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (22)
26 – Dom Pescoço – “Delicadinho” (23)
27 – Dizin – “Human Bomb (Explode)” (24)
28 – Criolo – “Fellini” (25)
29 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (26)
30 – Cambriana – “Induction Bread” (27)
31 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (28)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (29)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (30)
34 – YMA – “White Peacock” (31)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (32)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (33)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (34)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (35)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (36)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (37)
41 – Liniker – “Psiu” (38)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (39)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (40)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a guitarrista baiana Jadsa.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

TOP 50 DA CENA – O nome da banda é Carabobina. E tá em 1º lugar. Acostume-se a ela. Nelson D traz o contundente indie-indígena de volta à conversa. E mais: Supervão, Luedji, Tagua Tagua, Gabrre e Pessoas Estranhas no top 10

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* Um Boogarins torto, de som torto como não é o do Boogarins, emplaca o primeiro lugar no Top 50 desta semana. Que música é esta, “Pra Variar”, que vem não sei de onde e nos leva não sei para onde. Gostamos dessa sensação na música. Nos leva para a desafiante zona de desconforto. Fora que o álbum inteiro do Fefel mais sua escudeira Alejandra, os Carabobina, está chegando. Logo falaremos mais, inevitavelmente.
Nosso indie-indígena, tão celebrado na Popload, neste Top 50 e até no jornal inglês “The Guardian’, bota na vice-liderança uma grande liderança deste Futurismo Indígena da música brasileira, o ítalo-amazonense Nelson D.
Os discos do Tagua Tagua e da Liedji Luna continua nos maravilhando, então deixa eles ainda mais perto do topo, para o impacto da playlist (que é o que importa) seja imediato.
Porque daí chegam os meninos da Supervão e nos bagunçam todo. Que semana!!!

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1 – Carabobina – “Pra Variar” (Estreia)
Bem boa a brisa do casal Alejandra Luciani, engenheira de som de primeira, e Raphael Vaz, mais conhecido por Fefel do Boogarins. Um pop torto, eletrônico, ruídos lá e cá, que pega na produção acertada da Alejandra. Para fãs e não-fãs de Boogarins _ mas quem não é fã do Boogarins, hein?
2 – Nelson D – “Xenofunk” (Estreia)
Nelson D coloca seu Futurismo Indígena para dialogar com o funk em uma música com diferentes climas e momentos. Parece até um filme. Na letra, um papo sobre xenofobia e a força das diferenças. Afinal, o que temos em comum? As diferenças.
3 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (2)
Toques psicodélicos combinados com um charme pop. Um riff daqueles na guitarra e no baixo. Tagua Tagua prontinho para o sucesso, hein? Hit grudento a furar a bolha da música independente brasileira, talvez. Talvez!
4 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (4)
O disco novo da Luedji saiu e isso é um evento, porque já deu para notar que temos várias músicas nota 10 por aqui. “Ain’t I a Woman”, que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
5 – Supervão – “Fim de Nós/Fim do Sol” (Estreia)
Já falamos de brisa nesta edição, mas vale repetir. Que brisa é esta do Supervão? A banda electro-indie (cada vez mais electro e menos indie) segue bebendo uma água diferenciada, para dizer o mínimo. Parece que o trio está vendo alguma coisa que ninguém está vendo. São Leopoldo, RS, cada vez mais perto de Manchester. A gente curte bem. E os cinco minutos dela são muito pouco. Extended mix pra já.
6 – Gabrre – “Elephants” (Estreia)
Com seu indie cantalorável com toques eletrônicos que nos lembra Caribou e Unknown Mortal Orchestra, o gaúcho novinho Gabrre apresenta seu bom álbum de estreia cheio de altas referências para sua idade e com nome um tanto quanto inusitado mas que ele jura fazer sentido: “Tocar Em Flores Pelado”.
7 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (1)
Grande guitarrista da CENA, era de se esperar que em seu primeiro álbum solo Held colocasse seu instrumento para falar (gritar) mais alto. Ela até está lá em vários momentos, mas trabalha mais em função do que é melhor para as composições dele em diversas colaborações. “Corpo Nós” é exemplo disso, onde Held quase não aparece para brilhar a interpretação única de Juçara Marçal na letra de Alice Coutinho e um esperta bateria dupla feita por Sérgio Machado e Décio do Bixiga 70. E olha que ainda estamos no início de degustação desse disco, já discaço para nós.
8 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (Estreia)
Classificada pela própria banda como uma música sem vergonha, aprovamos a nova aventura da dupla Guilherme Silva e Stephan Feitsma, da nova porém veterana geração do indie paulistano de música boa. Várias canções em uma só: divertida (é inspirada em um cão de um deles) e bem séria para abrir um disco e apontar todo o caminho de suingue que o duo escolheu para trilhar. Fora, que, às vezes, uma música assim é tudo o que precisamos.
9 – Autoramas – “Carinha Triste” (Estreia)
Ah, o amadurecimento. O Autoramas em releitura de uma velha canção deixa seu som mais solto. Saí a guitarra abafada e entra uma vibe mais divertida. E uma produção mais caprichada, lógico.
10 – KL Jay – “Território Inimigo” (3)
Kl Jay sempre acerta. Aqui ele oferece seu balanço único para as vozes de Jota Ghetto, Amiri e Anarka. Na letra, a denúncia sobre o racismo brasileiro que se evidencia em assassinatos brutais e políticas públicas desastrosas que criminalizam a existências da população negra no país. Um basta daqueles em uma questão urgente.
11 – Marrakesh – “Tripin’” (5)
12 – Yannick Hara – “Necropolítica” (Estreia)
13 – Teach Me Tiger – “Wasted” (6)
14 – Compositor Fantasma – “Banjos e Demônios” (7)
15 – Giovanna Moraes – “Futuros do Passado” (8)
16 – RRocha – “Rua” (9)
17 – Mulungu – “A Boiar” (10)
18 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (11)
19 – Chuck Hipolitho – “Mais Ou Menos Bem” (12)
20 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (13)
21 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (15)
22 – Carne Doce – “Hater” (16)
23 – Rohmanelli – “Toneaí” (18)
24 – JP – “Eu Quero Perder Você” (21)
25 – PLUMA – “Leve” (23)
26 – Luiza Lian – “Geladeira” (24)
27 – BK – “Movimento” (25)
28 – Vivian Kuczynski – “Pele” (27)
29 – Boogarins – “Cães do Ódio” (28)
30 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (29)
31 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (30)
32 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (31)
33 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (32)
34 – Letrux – “Vai Brotar” (33)
35 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (34)
36 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (35)
37 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (36)
38 – Rincon Sapiência – “Malícia” (37)
39 – Marcelo Perdido – “Bastante” (38)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do Carabobina, a banda do Fefel e da Alejandra, top do nosso Top.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Chuck nos pegou. KL Jay nos balançou. Wry tumultuou. E Plutão nos botou de volta no nosso mapa. Confira o ranking da peculiar música brasileira

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* Confessamos. “Mais ou Menos Bem”, do Chuck, nos pegou. Primeiro por tudo o que a música envolve (lê abaixo). E, depois, porque é uma belíssima de uma música. Ainda que não do Chuck. Mas muito do Chuck, por esse exercício de colocar o português numa música gringa numa época em que “descobriu-se” que o português cabe sim no rock, na música pop, no trap, onde for. Ao contrário do que se acreditava até há pouco tempo. O refrão, de tão simples e o sincero, nos leva a outro lugar. A um lugar que queremos ir, porque nos é confortável.
Aí junta isso com a contundência que se espera de um cara como o KL Jay, em tudo que o que ele carrega nas costas na música, e formamos a dupla líder desta semana deste ranking poderoso. Sendo que o que é poderoso, está poderoso, é o caminho que a música brasileira tem tomado.
E isso, “planilhado aqui”, junto com todas as 48 posições, como a gente vem fazendo semanalmente, fica tão claro. Não fica?

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1 – Chuck Hipolitho – “Mais Ou Menos Bem” (Estreia)
Está aí um som que combina demais com nosso estado quarentenesco. Não só pelo nome do single lançado, mas também por seu vídeo, com imagens de umas colagens na janela enfeitada do quarto onde Chuck gravou grande parte de seu novo álbum, que sai mês que vem. De uma janela em que só podemos ver o tempo de um dia passar. Até um outro começar. E passar. A música é uma versão de “Más O Menos Bien”, da conhecida e muito boa banda indie argentina El Mató a un Policía Motorizado. E, muito além dos conceitos, tem a canção. E que canção! E que refrão!
2 – Kl Jay – Território Inimigo” (Estreia)
Kl Jay sempre acerta. Aqui oferece seu balanço único para as vozes de Jota Ghetto, Amiri e Anarka. Na letra, a denúncia sobre o racismo brasileiro que se evidencia em assassinatos brutais e políticas públicas desastrosas que criminalizam a existências da população negra no país. Um basta daqueles em uma questão urgente.
3 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (1)
Ana vai conquistar o mundo. A gente já sabia e o mundo agora parece que está sendo informado. Indicação ao Grammy, livro e um novo single que deixa a gente com a certeza de que a sua produção segue afiada em um som que ela explica assim: “Pensei numa melodia que pudesse ser cantada para plantas e bebês, trazendo timbres que têm me interessado, como a flauta, órgão e violão, misturando elementos da bossa-nova, chamber-pop e soft-eletro-indie. Quis explorar efeitos, estéreos e repetições trazendo elementos em comum ao ‘Little Electric Chicken Heart’, como dobras, coros, metais, e divergindo em outros aspectos, como forma e timbres”.
4 – Plutão Já Foi Planeta – “Risco de Sol” (Estreia)
No esperto EP em que gravam composições de seus conterrâneos de Natal, a banda saca ideias musicais próprias bem forte e que fala de certa maneira um monte justamente sobre a cidade e sua relação com a banda. Indie-geografia. Tendência linda que temos comentado bem por aqui.
5 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (2)
Em um beat inspirado do Kamau, Rodrigo Ogi deixa mais uma letra nota dez em um disco que não é o seu este ano – o outro exemplo é o som que escreveu pra Kiko Diinucci. Marcelo D2 em uma track sua soa quase como participação de luxo, consequência de sua ideia de montar um superálbum gravado e escrito remotamente durante a pandemia por muitas vozes e canetas. Que sacada e que generosidade com os mais novos.
6 – Revolta – “Hecatombe Genocida” (3)
Nosso “We Are the World” do mundo invertido. “Cem mil mortos entupindo o poço da escuridão/ A justiça vai caindo/ Facistas na contramão/ O terror em forma de governo/ Misturado com ódio e veneno/ Extermina toda a razão/ Patriotas de pele mais clara/ Mundo podre da corrupção”, diz a letra da banda que tem em suas fileiras “apenas” João Gordo (Ratos de Porão), Prika Amaral (Nervosa), Guilherme Miranda (Entombed AD e Krow), Moyses Kolesne (Krisiun), Castor (Torture Squad) e Iggor Cavalera (Cavalera Conspiracy e Mixhell).
7 – Carne Doce – “Hater” (4)
Single a single eles foram conquistando espaço em um disco que firma a banda em outros níveis da música brasileira, se é que existem outros níveis além de onde eles já estão. A banda está fazendo grandes músicas. Cada vez maiores. E, veja bem, “Interior”, o álbum, mostra o Carne Doce muito além de “apenas” ser a “banda da Salma”
8 – WRY – “Tumulto, Barulho e Confusão” (Estreia)
A reflexão do Wry sobre tempos nada simples de entender se encaixa em um música bonita e agradável. Sabe aquela simplicidade assobiável? Não é todo dia que sai música assim. Queremos esse álbum que chega no fim do mês.
9 – Daniel Tupy – “Bem” (Estreia)
Uma reflexão pra lá de pessoal – e em alguns pontos até complicados de decifrar – de Tupy da Marrakesh, mas que pega em todos que encararam o isolamento social e suas consequências nadas fáceis pra cabeça.
10 – Romero Ferro – “Fake” (Estreia)
Vale ir ver o vídeo que recupera esse bom som de 2019 de Romero Ferro. A letra e o vídeo cutucam a questão do fake nos termos atuais ao mesmo tempo que lembra que estamos enfrentando um velho problema. “Mas tudo é relativo, incoerente e natural. O resto é fake.”
11 – Leveze – “Aurora” (5)
12 – Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D`água” (6)
13 – SARTØR – “NEVER COMING HOME” (7)
14 – Rohmanelli – “Toneaí” (8)
15 – Autoramas – “Dinâmica de Bruto” (9)
16 – Matuê – “Máquina do Tempo” (10)
17 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (11)
18 – The Baggios – “Hendrixiano” (12)
19 – JP – “Eu Quero Perder Você” (13)
20 – Nobat – “Cárcere” (14)
21 – Gabrre – “De Noite Eh Dia de Sair” (15)
22 – Cat Vids – “Ash Ketchum” (16)
23 – PLUMA – “Leve” (17)
24 – Luiza Lian – “Geladeira” (18)
25 – BK – “Movimento” (20)
26 – Nana – “Independência ou Morte” (21)
27 – Vivian Kuczynski – “Pele” (24)
28 – Boogarins – “Cães do Ódio” (25)
29 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (26)
30 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (27)
31 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (29)
32 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (31)
33 – Letrux – “Vai Brotar” (33)
34 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (34)
35 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (35)
36 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (36)
37 – Rincon Sapiência – “Malícia” (37)
38 – Marcelo Perdido – “Bastante” (38)
39 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (39)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do multiinstrumentista e cantor Chuck Hipolitho.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Dá licença que a Ana Frango Elétrico chegou no ranking revoltado e viajante. Um oferecimento de D2, Iggor e Gordo. Pá!!!

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* A gente quase botou aqui no ranking a música em que o Tim Bernardes canta uma parte, em português, no disco do grupo americano Fleet Foxes. Ficamos pensando se seria forçar demais a amizade, emboooooora fique aqui registrado o maior crossover de CENAs que se tem notícias. Acabamos deixando de fora, mas achamos justo que incluir a música, pelo menos, na playlist, como uma faixa bônus.
Se bem que o caráter “internacional” da globalizada CENA brasileira já esteja representado com a presença da carioca Ana Frango Elétrico no topo do Top, que está concorrendo ao Grammy Latino. Solta a Frango e vem com a gente (sdd, Bonde do Rolê!). E pela Sartør, cantora brasileira fazendo electrotrap maneiro em Los Angeles. Porque a CENA tá tão boa que não cabe mais só aqui no Brasil.
Marcelo D2, João Gordo e Iggor Cavalera em altos postos nos cheira a espírito teen. E tudo bem também. Anos 90 mandando recado aos anos 20.
Tudo isso num top 10 que ainda tem o Matuê, anos 20, mandando Charlie Brown Jr., o recado aos anos 00.
Que viagem (no tempo)!!!

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1 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (Estreia)
Ana vai conquistar o mundo. A gente já sabia e o mundo agora parece que está sendo informado. Indicação ao Grammy, livro e um novo single que deixa a gente com a certeza de que a sua produção segue afiada em um som que ela explica assim: “Pensei numa melodia que pudesse ser cantada para plantas e bebês, trazendo timbres que têm me interessado, como a flauta, órgão e violão, misturando elementos da bossa-nova, chamber-pop e soft-eletro-indie. Quis explorar efeitos, estéreos e repetições trazendo elementos em comum ao ‘Little Electric Chicken Heart’, como dobras, coros, metais, e divergindo em outros aspectos, como forma e timbres”.
2 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (Estreia)
Em um beat inspirado do Kamau, Rodrigo Ogi deixa mais uma letra nota dez em um disco que não é o seu este ano – o outro exemplo é o som que escreveu pra Kiko Diinucci. Marcelo D2 em uma track sua soa quase como participação de luxo, consequência de sua ideia de montar um superálbum gravado e escrito remotamente durante a pandemia por muitas vozes e canetas. Que sacada e que generosidade com os mais novos.
3 – Revolta – “Hecatombe Genocida” (Estreia)
Nosso “We Are the World” do mundo invertido. “Cem mil mortos entupindo o poço da escuridão/ A justiça vai caindo/ Facistas na contramão/ O terror em forma de governo/ Misturado com ódio e veneno/ Extermina toda a razão/ Patriotas de pele mais clara/ Mundo podre da corrupção”, diz a letra da banda que tem em suas fileiras “apenas” João Gordo (Ratos de Porão), Prika Amaral (Nervosa), Guilherme Miranda (Entombed AD e Krow), Moyses Kolesne (Krisiun), Castor (Torture Squad) e Iggor Cavalera (Cavalera Conspiracy e Mixhell).
4 – Carne Doce – “Hater” (1)
Single a single eles foram conquistando espaço em um disco que firma a banda em outros níveis da música brasileira, se é que existem outros níveis além de onde eles já estão. A banda está fazendo grandes músicas. Cada vez maiores. E, veja bem, “Interior”, o álbum, mostra o Carne Doce muito além de “apenas” ser a “banda da Salma”
5 – Leveze – “Aurora” (Estreia)
Ex-Cabana Café e Parati, o Leveze foi por anos a “viagem secreta” de Lanfranchi, que agora toma uma forma mais escancarada e não menos delicada. É só começar a ouvir o delicioso “Aclimação12-20” (Cavaca Records), álbum recém-lançado da melhor chillwave com guitarrinha doce, para entender de primeira.
6 – Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D`água” (Estreia)
Música que vai dar o nome ao disco cheio, seu segundo, que sai em outubro, foi composta por ela em parceria com François Muleka. Um som sobre afeto, sobre respeitar o tempo do outro, o ritmo do outro, segundo a cantora. Vem disco bom por aí.
7 – SARTØR – “NEVER COMING HOME” (Estreia)
Em maiúsculas, como um grito, esse som afasta SARTØR de Isadora Sartor, seu nome pessoa física. O single apruma o caminho que a paulistana radicada em LA escolheu para pautar sua vida e sua música. De ex-guitarrista de um duro death metal a produtora de um pop maleável e moderno.
8 – Rohmanelli – “Toneaí” (Reestreia)
O hit ácido/crítico/carnavalesco de Rohmanelli volta ao top 50. O single está incluindo no bom álbum “Brazil’ejru, Vol 1”, seu primeiro trabalho 100% em português.
9 – Autoramas – “Dinâmica de Bruto” (2)
Repare. A gente ainda precisa de banda como os Autoramas. “Dinâmica de Bruto”, nome ótimo, está no mesmo EP a ser lançado pela banda neste mês, em vinil, pela gravadora espanhola Family Spree Recordings. A música tem um viés político e um vídeo beatlemaníaco, por assim dizer. É ver para entender.
10 – Matuê – “Máquina do Tempo” (3)
Será que agora o trap nacional rompe sua já gigante bolha de popularidade e alcança os números do mainstream brasileiro? Vale acompanhar a esperta pegada do Matuê neste som do seu primeiro álbum. Um trap acelerado e divertido que dá um leve aceno para o pop em um bem sacado sample de uma linha de baixo do Charlie Brown Jr. Este som já irritou youtubers conservadores, algo que sempre é saudável.
11 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (Estreia)
12 – The Baggios – “Hendrixiano” (4)
13 – JP – “Eu Quero Perder Você” (5)
14 – Nobat – “Cárcere” (6)
15 – Gabrre – “De Noite Eh Dia de Sair” (7)
16 – Cat Vids – “Ash Ketchum” (8)
17 – PLUMA – “Leve” (9)
18 – Luiza Lian – “Geladeira” (10)
19 – Bruno Del Rey – “O Amigo Que Esperava” (11)
20 – BK – “Movimento” (12)
21 – Nana – “Independência ou Morte” (13)
22 – O Cientista Perdido – “Não Cabe Em Você” (15)
23 – Terno Rei – “São Paulo (Acústico)” (16)
24 – Vivian Kuczynski – “Pele” (17)
25 – Boogarins – “Cães do Ódio” (19)
26 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (20)
27 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (21)
28 – Luiza Brina – “Oração 12” (22)
29 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (23)
30 – Yannick Hara – “Eu Quero Mais Vida Pai” (24)
31 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (26)
32 – Wry – “Travel” (28)
33 – Letrux – “Vai Brotar” (30)
34 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (31)
35 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (32)
36 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (33)
37 – Rincon Sapiência – “Malícia” (31)
38 – Marcelo Perdido – “Bastante” (34)
39 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
40 – Don L – “Kelefeeling” (38)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é de Ana Frango Elétrica, em foto de Hick Duarte.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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