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Agora em podcast, Mano Brown se mostra grande entrevistador. Primeiro episódio trouxe Karol Conká como convidada

1 - cenatopo19

* Resenhar podcast é uma tarefa do jornalismo musical? Talvez, hein. O poploader Vinicius Felix tem umas anotações para levantar após escutar a estreia de Mano Brown no seu podcast “Mano a Mano”, que é um produto original do Spotify e terá semanalmente, por 16 episódios, sempre um convidado. O texto acabou virando uma reflexão sobre mídia, racismo e sobre o rapper dos Racionais em si e menos uma resenha do podcast, que para inaugurar a nova falação do Brown traz uma conversa com a polêmica rapper curitibana Karol Conká.

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Mano Brown tem uma história tortuosa com entrevistas. Justamente por isso ver ele se mostrar um grande entrevistador em seu podcast “Mano a Mano” não surpreende em nada. Parece mais a realização de um sonho. “Era assim que eu queria ser entrevistado”, ele parece dizer. Pelo menos foi isso que eu teorizei na minha cabeça após os primeiros minutos da conversa do rapper apresentador com a hoje extrafamosa Karol Conká. Cheguei a dar um pause para anotar algumas ideias.  

Em parte, é mentira que ele e os Racionais MC’s são avessos a entrevistas. Em parte, é verdade. A explicação é simples.

Se tivessem segurança que suas palavras seriam respeitadas e que as perguntas corretas fossem feitas, Brown teria dados as melhores entrevistas desde que os Racionais se inventaram como quarteto e escreveram sua primeira música como um grupo de rap. Mas, na imprensa brasileira, ainda muito estruturalmente racista – vide a contínua associação de artistas negros com questões de crimanalidade, um problema visível que artistas brancos não têm que enfrentar -, um grupo com a radicalidade dos Racionais, que vai ao cerne da questão brasileira – uma colônia da colônia que segue exterminando índios, negros e pobres e glorifica seus maiores vilões em estátuas -, não teria vez.

A fuga da imprensa não foi marketing, charme, fama de mal – ainda que tenha sido tudo isso também. Esse escape foi uma estratégia de sobrevivência. Quando dizem que ele tem fama de ser avesso a entrevistas, esquecem sua responsabilidade nessa história.
 
As perguntas certas não são as perguntas fáceis, são as reais – mas não temos uma imprensa tão realista quanto Brown. Pior, ainda há uma dificuldade em entender a sensibilidade do poeta.

Muitas vezes suas complexas narrativas parecem reduzidas a uma voz única e em primeira pessoa, que fala por toda a periferia, sendo que ele produziu exatamente o oposto disso – suas músicas dão a amplitude da periferia, sua literatura dá a complexidade da realidade e chega próximo do retrato mais fiel possível – algo que explica em parte seu sucesso e popularidade.

Ele não poderia ser o porta voz de todos, porque ele vem justamente avisar da realidade que escapa da lógica racista – “Ei, aqui o pessoal precisa bem mais do que tom de pele para se unir”; “Ei, você não sabe que tem um outro país dentro deste país”. Isso para ficar no recados que Brown deu para quem vive no centro.

Na entrevista do “Roda Viva”, programa da TV Cultura, esse um clássico, querem entrevistar justamente o porta-voz, não o poeta – ainda que a participação de Rappin Hood, Ferréz e de Maria Rita Kehl faça alguma justiça. Na maioria das vezes, todos os entrevistadores dão sinais de que entenderam tudo errado. Querem saber do Brown difícil, do Brown que amansou, do que ele pensa, em quem ele vota. E as cotas, Brown? A radicalidade, a beleza e a complexidade da obra ficam de canto. 

Lógico, algumas exceções são históricas. Thaíde fez uma grande entrevista com Brown. André Caramante tem a grande entrevista com todos os Racionais reunidos. E a melhor de todas, a do programa “Freestyle”, tocada por Marcílio Gabriel – conduzida com respeito, conhecimento e sobre arte. É Marcílio que pega disco a disco e devolve pra Brown uma pergunta maravilhosa: o que você sonhava aqui? Levantando a bola para que finalmente Brown pudesse reavaliar seus álbuns. Sem esquecer de Tatiana Ivanovici, que entrevistou Brown durante a feitura de uma batida e nos deu acesso ao seu lado de produtor – um papo 100% sobre arte.

E, sendo justo, muitos outros bons jornalistas conseguiram fazer bons papos com ele – ainda que muitas vezes querendo escutar de Brown um recado, uma ordem, um próximo passo, uma análise da conjuntura – muitas vezes essa missão foi cumprida sem soar desrespeitosa. Mas outras não foi. No próprio podcast, Brown chega a lembrar a vez que foi a uma palestra e as pessoas ficaram chateadas com sua resposta sobre cotas. Ele, um defensor das cotas, apresentou a complexidade da questão ao lembrar que existem muito negros inteligentes que são contra elas, uma resposta que irritou a plateia e os produtores da palestra. “É preciso essa pergunta?”, ele questiona.

Todas essas ideias voltam ao podcast “Mano a Mano”, essa grande novidade. Ao Brown diante de uma convidada polêmica. Ele chega a admitir no fim da entrevista que tinha medo inclusive de colaborar com uma situação que colocasse Karol em mais tretas. E ele resolve tudo com as perguntas certas – pergunta a idade, a cidade, se coloca no mesmo lugar da entrevistada, mostra sua admiração, pergunta da sua arte. Quando encontra as fragilidades dela, devolve com as suas – generosidade, afeto, entende?

As perguntas mais duras que faz são as perguntas reais. Quase como um psicólogo, alguém acertou ao comparar no Twitter. Por que aceitar participar do BBB? Por que acreditar no que os outros pensam da gente? Imagino que Karol saiu de lá com a sensação de ter dado a entrevista que nunca teve chance de dar. E Brown de tocar o papo que poucas vezes encarou quando estava do outro lado do balcão. Aliás, nesse espaço relaxado e real, Brown de alguma maneira também fala sobre si de maneira inédita, conta das brigas dos Racionais, sobre sua dureza, teoriza sobre a Globo que nem bem resolveu seu racismo e já quer ensinar a militar. Fãs dele não podem deixar de escutar. Como cultuador da banda, são meus momentos favoritos, ainda que o foco dos episódios também sejam outros.

Ah, não posso encerrar sem elogiar a presença também, no “Mano a Mano”, de Semayat Oliveira, que orienta Brown jornalisticamente durante o papo e traz uma visão que acrescenta à conversa em bons momentos – como quando se levanta a questão do pardo ou das mulheres negras serem sempre fortes.

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* A imagem da chamada na home da Popload para este post é de Pedro Dimitrow.

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Popcast:Popload conta bastidores da primeira vinda dos Strokes ao Brasil, na série especial “20 anos do ‘Is This It'”

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* O terceiro episódio do especial Strokes do podcast da Popload, o Popcast, já está no ar. Neste mês de julho, com convidados engrossando o assunto com os apresentadores Isadora Almeida e Lúcio Ribeiro, o Popcast está contando histórias em torno do primeiro álbum do grupo nova-iorquino The Strokes, o histórico “Is This It”, que comemora neste mês 20 anos de seu lançamento.

O convidado da vez é o multitarefas Ronaldo Lemos, advogado, professor universitário (inclusive em universidades americanas e chinesas), apresentador de TV e, no caso que nos toca aqui, foi um dos curadores do festival Tim Festival, envolvido em trazer os Strokes pela primeira vez ao país em 2005, para dois shows no Rio de Janeiro, um em SP e outro em Porto Alegre.

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Ronaldo revelou bastidores dessa edição do Tim Festival, como aconteceu de procurarem os Strokes para esses shows, fora outros papos muito incríveis sobre o talvez mais querido grande festival de nova música que o Brasil já teve.

Lembrando que no primeiro episódio da série tivemos a presença do jornalista Thiago Ney, que morava em Londres naquele começo de 2001, quando os Strokes explodiram por lá, assistindo de camarote e com ingresso caríssimo comprado de cambista o começo da revolução. O segundo programa trouxe a Anitta Felix, fundadora do primeiro fã-clube oficial dos Strokes no Brasil, reconhecidíssimo pela banda, naquele que então virou um episódio de conversas entre três fãs.

Especial número 3 dos 20 anos do álbum “Is This It”, dos Strokes, com Ronaldo Lemos, já no ar. E, claro, confira a playlist sobre a série.

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* Claro, no Spotify trazemos a playlist especial Strokes, com algumas músicas do disco, versões ao vivo, outtakes e algumas músicas de bandas que influenciaram o grupo de Julian Casablancas e seu álbum de estreia.

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POPCAST – O primeiro podcast da Popload em 2021 já traz uma discussão pertinente: qual já é o melhor álbum deste ano?

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* O ano nem começou e já arrumamos uma polêmica interna boa aqui na redação da Popload. Dos três álbuns lançados em 2021 que já mexeram com nossos corações indies (indies?), que já tem o melhor disco do ano. A Isadora Almeida (@almeidadora) acha que é “Drunk Tank Pink”, o segundo álbum da banda punk inglesa Shame. Euzinho (@lucioribeiro) considero ser “Spare Ribs”, o novo álbum dos malucos do Sleaford Mods, também da Inglaterra. Quer palpitar nessa?

E não é apenas que eu gostei de um e ela gostou de outro. A gente tem posições firmes sobre os discos que o outro escolheu. Verbalizamos isso no Popcast. E tudo está refletido no nosso pódio.

((tem o álbum do grupo sueco do Viagra Boys, que a gente curtiu bem, mas esse não faz parte da polêmica))

Falamos também sobre a situação de shows no mundo neste 2021 enigmático, a partir do cancelamento do gigantesco Glastonbury. E as expectativas das novas bandas que a gente quer ver bombar neste ano.

Toda essa prosa muito bem acompanhada por uma playlist maneira. Vai lá ouvir ambos, fica o convite: o Popcast e a playlist que o podcast originou.

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Popcast número 4. Podcast da Popload conta histórias sobre o Cansei de Ser Sexy

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* Já há alguns dias está à disposição nas plataformas boas a quarta edição do POPCAST, o podcast da Popload, apresentado por este que vos escreve mais a espertíssima Isadora Almeida, poploader de longa data e uma das mais absurdas enciclopédias indie que eu conheço.

Depois de falar dos fim dos festivais de verão (lá de fora), da adoração Sandy & Junior (o “stranger things” brasileiro) e a possibilidade de não ter existido, em nossas vidas, os Beatles, o Nirvana, os Strokes e o Arctic Monkeys, a gente se dedica a falar do mais novo integrante da escalação do Popload Festival, que surpreendeu até, quase, a própria banda: o grupo paulistano de meninas Cansei de Ser Sexy.

Histórias boas, umas que a gente só viveu, a importância do CSS na música, a bagunça mundial que foi esta banda, as tretas, o fim não-fim e essa volta agora, no palco do Popload Festival. Além do Cansei, os quadros de sempre: as efemérides certas para você lembrar, o pódio dos três melhores lançamentos da semana (de cada um) e o nosso olhar sobre a CENA brazuca.

Todo esse papo é revestido pelas chinfras de Raphael Bertazi, DJ, produtor e autor dos mais maravilhosos mashups do universo. A direção do POPCAST é do descobridor de talentos Manoel Brasil, mestre em podcasts.

Deezer, Spotify, Apple e Google nos guardam. Se for procurar na unha, no search bote “Popload: Popcast”, porque o “New York Times” achou de roubar nossa ideia de nome antes mesmo de a gente a tê-la.

Falando em podcasts, você ainda me acha no Sonzêra (futebol + música, inclusive tocando músicas) e a Isadora na confraria indie “Vamos Falar sobre Música”.

Ouça o POPCAST, diga o que achou, sugira temas e quadros, interaja com a gente nos caminhos que você sabe bem. Queremos saber o que você tem achado.

* No Deezer.

* No Spotify.

* Na Apple.

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* Aqui, a playlist do POPCAST 4.

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Conheça o POPCAST, o podcast da Popload

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* É divertido ver a atual obsessão do mundo por podcasts. E, para um veículo que tem uma rádio e já tem seus programas de rádio, que na verdade são podcasts sem (tanta) música e um feed para chamar de seu, é hora de apresentarmos algo nessa linha, vá lá.

Então lá vamos nós. Conheça, veja, ouça, comente o POPCAST, o podcast da Popload.

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O POPCAST chegou manso há duas semanas, tipo fase de testes, e nesta quinta-feira (seu pretenso dia de lançamento, em todas elas), mais conhecido como ontem, apresentou já seu terceiro episódio (capítulo? programa?), trazendo uma questão “assustadora”, baseada no filme “Yesterday”, de Danny Boyle, que recém-estreou. O POPCAST vai pirar em cima da (e principalmete extrapolar a) história tratada pelo delicioso filme de Boyle: e se os Beatles não tivessem existido?

Mas a gente irá além.

O podcast da Popload já está em todas as plataformas, de Deezer e Spotify a Apple Music e Google Play. O POPCAST é apresentado por mim e pela Isadora Almeida. É editado, burilado, enfeitado pelo gênio Raphael Bertazi, o “cara dos mashups”. E tem coordenação de Manoel Brasil.

((Se for procurar na unha, no search bote “Popload: Popcast”, porque o “New York Times” achou de roubar nossa ideia antes mesmo de a tê-la.))

O engraçado é que há tempos estamos no rolê de podcasts, eu com o Sonzêra (futebol + música, inclusive tocando músicas) e a Isadora com o “Vamos Falar sobre Música”, mas o nosso mesmo, da Popload, está chegando agora.

A primeira edição foi sobre um assunto que amamos demais: festivais. Fomos da fim da temporada dos festivais de verão na Europa, com foco especial no Reading Festival, a uma promessa ao vivo de ir no Glastonbury do ano que vem. Entre outros detalhes, até sobre temporadas de verão passadas, mais precisamente 1991. Também teve papo sobre os 50 anos do Woodstock, falamos de festivais brasileiros e apresentamos o nosso pódio de lançamentos da semana, um meu e outro da Isa, em ordem de preferência mesmo.

O segundo POPCAST falou de… Sandy & Junior, o fenômeno. A Isadora, que gosta de bandas obscuras de Dublin, chorou no show da volta da dupla dos filhos do Xororó. Tentamos “analisar” qual o “gatilho emocional” que esse reencontro do duo pop de afluências sertanejas desperta até em indies.

A dinâmica que pretendemos adotar com o POPCAST, semanalmente, a princípio é esta: um bloco grande tratando de um “tema quente” e seus desdobramentos; um bloco relembrando datas e coisas importantes na música independente; outro com um pódio pessoal (de cada um de nós) com os lançamentos mais importantes da semana ou das últimas semanas; e por fim dicas e opiniões sobre shows, discos e/ou músicas recentes da nossa CENA brasileira.

Ah, e uma das chinfras importantes do Bertazi para o POPCAST é o barulhinho “o-ou” toda vez que uma banda ou uma música forem citadas no programa. Significa que elas, bandas ou músicas, vão parar numa playlist que vai acompanhar o podcast da Popload semanalmente. Não precisa parar a audição do POPCAST para anotar nomes nem ir ouvir as músicas mencionadas durante sua duração. Essa playlist vai ser exclusivamente publicada no DEEZER.

Então é isso. Curta o POPCAST, diga o que achou, sugira temas e quadros, interaja com a gente nos caminhos que você sabe bem. Queremos saber o que você achou.

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* No Deezer.

* No Spotify.

* Na Apple.

* No Google Play.

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* Aqui, a playlist do POPCAST 3

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