Em popload em londres:

Popload em Londres, a terra do Tottenham Hotspurs. Hoje tem Popload Festival no All Points East. E o Morrissey banido? E o Richard Ashcroft tadinho? E a Porridge Radio? E a Yak?

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* POPLOAD EM LONDRES. Com primeira-ministra caindo, Morrissey caindo e Strokes subindo.

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Talvez mais legal que ir a Madrid semana que vem, nestes tempos agitados aqui na Inglaterra, é ficar no Reino Unido para o jogaço do dia 1º de junho entre Tottenham (pronuncia-se “tótenã”, segundo a ESPN Brasil; ok, piada interna…) x Liverpool, na final da Champions League, o campeonato de futebol mais feroz e legal do planeta, que por um acidente geográfico o Palmeiras não disputa.

Mas mais imediato que isso é dizer que começa hoje em Londres, no “tranquilo” lado oeste, o festival de seis dias All Points East, neste ano uma espécie de Popload Festival porque vai ter Hot Chip e Little Simz hoje e Raconteurs amanhã. Sem dizer (já dizendo) que teve Patti Smith no ano passado.

Neste final de semana os headliners são Chemical Brothers (tonite), o veeeelho Strokes (amanhã, no único dia esgotado até agora) e Christine & The Queens (domingo). Semana que vem, o weekend 2, na continuação, tem nas cabeças, respectivamente, Bring Me the Horizon, Mumford & Sons e Bon Iver.

Realizado no gostosinho e bem situado Victoria Park, o All Points East é uma “intervenção” americana na terra dos festivais. Feito pelos organizadores do Coachella, o evento do East London vai ter ainda, fora os headliners e os Poploaders, coisas como Idles, Metronomy, Fat White Family, Connan Mockasin, Viagra Boys, Primal Scream, James Blake, Courtney Barnett, Mac Demarco, Parquet Courts, Toro Y Moi, The Staves, Dizzie Rascal, Kamasi Washington, Julien Baker, Snail Mail, Rosie Lowe, Beach House, Interpol, Ana Calvi, Johnny Marr, Los Bitchos, Spiritualized, Kurt Vile, Kate Tempest, Jarvis Cocker, Gold Panda, Little Dragon, entre outros.

A gente vai trazer umas coisas aqui na Popload. Acompanhe nossos canais também, em Insta, Stories, Twitter. Menos naquela “rede lá”. Tô zoando, Zuck.

** No meio da turba que se apresenta no All Points East, ali no pelotão “de baixo” do domingo, está uma banda algo revelação que é de uma fofura absurda. Com disco novo na cena há três meses, o trio britânico Yak retorna rumo ao estrelato indie (com tudo o que isso pode significar) com o excêntrico álbum “Pursuit of Momentary Happiness”, nome lindo que dá sequência à carreira da banda, após o debut em 2016, o “Alas, Salvation”.

Vibrante e inquieta, a banda de indie-garage ainda ganhou uma ajudinha do, SURPRESA, J Spaceman, aka Jason Pierce, o “lunático”, da também inglesa Spiritualized, e teve disco lançado pela Third Man Records, gravadora cool de Jack White. Olha com quem o Yak está se metendo.

Aliás, enquanto o Jack não aparece no Popload Festival com a galera do Raconteurs, ele está em turnê com os caras, que estão abrindo uma série de shows pela Europa, inclusive para o Foals.
Esta semana o grupo deu as caras no francês La Blogotèque, numa apresentação moderninha da faixa “Fried”. Olha que belezura.

** Uma das bandas novas que mais tocam nas rádios da BBC, 1 e 6, é de Brighton, chama Porridge Radio, e virou orgulho da cidade ao ser uma das mais comentadas no festival local Great Escape, uma das maiores vitrines de new music do planeta, um pequeno SXSW com mais som e menos conversinha.

Estão no momento na cola dos shows solo do Interpol, como banda de abertura, e lançaram uma musiquinha nova de garagem tão suja-fofa lo-fi, linha Pavement por que não?, que se chama “Give/Take” e começa com um “one, two, three, four” feminino de matar. E só melhora, seja no vocal, no backing, na guitarra, na bateria. Desesperadora de boa. Já vi comparação até com Dinosaur Jr.

Músicas que tem o refrão que esta “Give/Take” apresenta, merece ser celebradas mesmo se compostas ou cantadas pela Paula Fernandes e Luan Santana.

“I want want want want want want want want want you
I want want want want want want want I need you
I want want want want and I always get what I need
I want want want want and I always get what’s good for me”

Pensei que o Idles, o Fontaines DC e o Toro Y Moi fariam total a trilha sonora do meu 2019. Vão ter que abrir espaço para esta “Give/Take”, do Porridge Radio.

** Entre as popices gerais por aqui, destaque para o fim da treta envolvendo “Bitter Sweet Symphony”, uma das músicas mais emblemáticas dos anos 90, que ainda toca em alta rotação mais de duas décadas depois de seu lançamento. A treta, no caso, é que os Rolling Stones enfim deram os royalties da canção para o Richard Ashcroft. A música foi baseada em um recorte da Andre Oldham Orchestra, utilizado pelos Stones em “The Last Time”, em 1965. De forma resumida, Ashcroft teria utilizado um trecho maior que o combinado previamente na base do hit do The Verve, o que acarretou em um processo por parte do staff dos Stones. Embora seja o compositor da canção, Richard nunca havia recebido grana de direitos.

Daí que o Richard informou em comunicado que resolveu a pendenga toda diretamente com Mick Jagger e Keith Richards, que “em um gesto gentil”, cederam ao cantor toda a parte deles e ainda garantiram que os royalties, daqui para a frente, vão para o ex-líder do Verve. Ano passado, inclusive, Richard foi atração de abertura de shows dos Stones.

** Quem está com o filme cada vez mais queimado aqui por essas bandas (e com a gente também) é Morrissey. Ele, que lança hoje seu novo álbum de covers, “California Son”, tem sido considerado persona non grata em algumas cidades. Em Cardiff, por exemplo, a loja de discos mais antiga do mundo, a Spiller Records, anunciou que não venderá seu novo álbum e que seus lançamentos estão banidos da loja a partir de agora. “Estou triste, mas no final não estou surpresa que a Spiller não consiga mais oferecer os lançamentos de Morrissey. Eu só queria ter feito isso antes”, revelou Ahsli Todd, dona da loja, ao site Wales Online.

Já em Liverpool, a estação de metrô Merseyrail está retirando os pôsteres de divulgação do disco, alegando que “não reflete com os valores da organização”. Esse novo imbróglio envolvendo o ex-vocalista dos Smiths decorre do seu apoio público ao partido de extrema-direita For Britain Movement, que foi criado pela ativista Anne Marie Waters, e que tem agenda anti-islâmica.

Charming Man no more…

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Ele vive. O show (de música) ao vivo do mestre de horror John Carpenter no Halloween de Londres

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Não seria uma noite normal a de terça passada, dava para sentir.

Ao chegar à casa de shows Troxy, no lado oeste de Londres, que também serve como lugar para lutas livre e casamentos segundo me avisou o motorista do Uber Mercedes (“Está indo ver uma lutinha no Troxy?”), o público era recebido logo na entrada por abóboras ocas com velas acesas dentro, iluminando uma lápide onde se lia Judith Meyers.

Como o ingresso estampava o nome John Carpenter, 68 anos, como atração “musical”, a falecida Judith era alguém familiar. Judith Meyers foi a primeira vítima trucidada pelo assassino no cultuado clássico de horror B “Halloween”, de 1978. No caso, pelo seu irmão, Michael Meyers. No caso também, um filme do famoso cineasta trash John Carpenter.

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Mas o que é exatamente um show musical de um diretor de cinema?

No caso de Carpenter, e para seu séquito de fãs de seus filmes, como “Christine – O Carro Assassino”, “Eles Vivem”, “A Coisa” e “Fuga de Nova York”, seu show ao vivo, espetáculo batizado de “Release the Bats”, com o cineasta comandando um sintetizador à frente de uma banda de cinco músicos jovens, um deles seu filho e um outro seu neto, é o principal evento do Halloween do planeta. Desminta-me se eu tiver enganado. Nem o Muse fantasiado de The Cramps é tão legal.

Com uma temporada britânica recente que culminou em Manchester (dia 30) e duas em Londres (segunda e ontem) de ingressos esgotados, sequência de uma turnê que visitou os EUA e grandes festivais europeus de verão tipo o Primavera Sound espanhol, John Carpenter mostrou um lado músico que pode soar diferente, mas não é acidental. Não só ele é o responsável pelas composições de trilha sonora de seus filmes desde os anos 1970 (com exceção de “A Coisa”, de 1982, feita por Ennio Morricone) como nos últimos dois anos tem uma discografia de dois álbuns: “Lost Themes”, do ano passado, e “Lost Themes 2”, um exercício do Carpenter músico que, se não é brilhante e virtuoso, dá o que seu público quer: versões de seus famosos temas, algumas prolongadas para virar uma música cheia.

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A apresentação ao vivo do cineasta enquanto músico carrega na eletrônica por causa dos sintetizadores pilotados por Carpenter e seu filho, mas é seu neto Daniel Davies, guitarrista, que leva o show em direção ao rock algo progressivo. Ninguém canta, é só tocado. Carpenter fala umas frases de efeito nos intervalos de algumas canções, na linha “Enquanto as pessoas sonharem, os filmes de terror vão existir para sempre, para tornar esses sonhos pesadelos”.

Poderia ser um show médio de uma banda regular, não fosse a interação do público com a banda e os bons cortes de imagens dos filmes cults de Carpenter passando no telão atrás, casando com os temas. Isso torna o show de Carpenter imperdível.
Judith Meyers deve ter se revirado feliz em sua tumba e feito seu altar na frente do Troxy mexer quando o tema de “Halloween” foi tocado.

* A foto de John Carpenter da home da Popload é do jornal inglês “The Times”.

*** A Popload viaja à Europa a convite da companhia aérea Air France.