Em Popload entrevista:

POPLOAD ENTREVISTA: Courtney Barnett. “Meu disco é sobre parar e repensar tudo”

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* Captar a essência da simplicidade do cotidiano não é tarefa para qualquer um. Vai além de “acordar, tomar banho, escovar os dentes, dar comida para o pet, sair, trabalhar etc.”. É ter a sensibilidade de se inspirar nas pequenas nuances ao nosso redor e transformar em música boa.

Bom, todos sabemos a doideira que foi 2020. Mas para a guitarrista australiana Courtnet Barnett, que tinha acabado uma turnê e finalmente estava voltando para sua terra natal em Melbourne, as coisas foram bem intensas. Altos incêndios, fim de um longo relacionamento e aí veio você-sabe-quê e um pesaaaado confinamento.

Sem sair de casa, morando sozinha e com muito tempo livre, a cantora ocupou seus dias observando seu redor e escrevendo. E, agora, com o disco novo lançado na última sexta-feira, ela se ocupou também dando uma entrevista à Popload, desde Melbourne, para falar um pouco de seu álbum.

“Eu realmente gosto de usar tudo que está ao meu redor para me inspirar. Não tenho uma barreira quanto ao que vou usar. As vezes é sobre meu dia ou também algo que eu sonho. Acabo colocando tudo no papel. Nem sempre precisa ser sobre uma história de amor”, disse ela, numa conversa que rolou via Zoom.

Em “Rae Street”, primeiro single de “Things Take Time, Take Time”, seu terceiro álbum, fica fácil de se identificar num daqueles dias de confinamento em que, além de assistir TV, a distração era olhar pela janela para saber se estava acontecendo algo do lado de fora.

“In the morning I’m slow / I drag a chair over to the window / And I watch what’s going on / The garbage truck tiptoes along the road”, o que traduzindo dá alguma coisa tipo “De manhã eu fico devagar/ Eu puxo uma cadeira até a janela/ E vejo o que está acontecendo / O caminhão de lixo vai descendo a rua devagar”.

Sobre o processo de criação de “Things Take Time, Take Time”, a artista diz que parar e refletir a ajudou a superar momentos difíceis, até de depressão, assim como dar mais valor às amizades. “Ele é sobre relacionamentos, mas também sobre amizades. E não se apegar ao arrependimento”, afirma.

De fato, este disco não é exatamente triste. Se ouvir direitinho, nos ensina justamente a sermos mais gratos por muita coisa.

Em “Before You Gotta Go”, Courtney canta: “Before you gotta go, go, go, go/ I wanted you to know, know, know, know/ You’re always on my mind” (“Antes que você precise ir/ Eu queria que você soubesse/ Que você sempre está na minha cabeça”). Seja para uma ex ou um amigo, a mensagem sincerona é bonita e gentil.

Durante a última turnê, do álbum “Tell Me How You Really Feel”, que deu um pulinho por aqui, seu amigo Danny Cohen acompanhou a australiana nessa jornada registrando tudo, o que resultou num documentário chamado “Anonymous Club”.

A amiga da Popload, que é muito reservada e tímida, fica vulnerável para expor em primeira pessoa parte do seu processo criativo, a vida artística na estrada.

“Claro que era bem esquisito ter uma pessoa do lado filmando tudo, mas Danny é um amigo bem próximo, o que facilitou um pouco as coisas”, revela.

O nome do doc vem de um projeto que a cantora incorporou em seu site. Lá existe uma seção que diz “Me diga como você realmente se sente” (nome do disco de 2018), em que as pessoas anonimamente escrevem seus sentimentos. É tipo desabafar num limbo. Fica lá, ninguém vê, nem responde. Um clube de pessoas anônimas.

Entre os projetos paralelos que aconteceram neste ano (lembra que rolou aquele lance da homenagem ao Velvet Underground & Nico?), teve o convite para fazer a música de abertura de um desenho da AppleTV+ chamado “Harriet the Spy”.

“Quando me chamaram para fazer parte disto, fiquei surpresa, mas também superanimada, porque nunca tinha feito algo do tipo. Eu realmente curti o convite.”
E a vibe é bem girl power!

Courtney Barnett, que já está em turnê, faz uma última reflexão sobre a motivação deste novo disco, que vem mais calminho, mais folk, que seus álbuns anteriores. Explicando bem, inclusive, o nome do disco, “Things Take Time, Take Time”.

“Ele reflete essa desacelerada que vivemos. E também o momento em que eu estava. É sobre parar para repensar as coisas.”

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* A foto que ilustra a chamada para este post na home da Popload é de Pooneh Ghana.

** A entrevista com Courtney Barnett foi conduzida e escrita por Daniela Swidrak.

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Popload Entrevista: Tássia Reis conversa com a gente nesta quinta-feira, sobre o disco “D+”

1 - cenatopo19

* Em 2019, Tássia Reis lançou “Próspera”, seu terceiro álbum de estúdio. Durante a divulgação do trabalho, veio a pandemia e a sensação de que aquelas músicas ficariam pela metade do caminho, sem a chance de existirem em shows. Para resolver essa treta, um pedido do fãs foi acolhido por Tássia: criar uma sequência para aquele álbum, uma parte 2.

“Foi aí que decidi divulgar versões novas de alguns sons, juntar com inéditas e outras faixas de ‘Próspera’ que não pude trabalhar como gostaria”, ela explica.

E é daí que vem “Próspera D+”, seu álbum recém-lançado com participações especiais de Tulipa Ruiz, Urias, Preta Ary, Monna Brutal e Melvin Santhana.

Por conta disso, nesta quinta-feira (21), tipo hoje, Tássia cola com a gente no nosso canal no YouTube, a Popload TV, para uma conversa a partir das 19h, sobre as novidades e tudo mais.

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POPLOAD ENTREVISTA – Hoje tem papo com Cadu Tenório, 19h, na Popload TV

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* Quando a gente escreve nossas resenhas sobre as músicas da semana, muitos artistas se manifestam compartilhando nas suas redes sociais e até comentando algo. Mas, que a gente saiba, nem sempre vem um comentário crítico seja lá positivo ou negativo sobre o que é escrito. Até porque o debate entre crítica e artistas no Brasil não está lá em um bom momento.

O carioca Cadu Tenório resolveu escrever um pouco mais quando falamos sobre um som dele ser sobre mais sentir do que entender. E a ideia dele chamou nossa atenção: “Gostei. Curto esse take/ideia, de que é mais importante SENTIR, haha. Acredito que aproveita-se mais assim, inclusive: Deixar que te atravesse e tal, sem tentar levantar (sustentar?) muros… Agora, claro, diria também que existe mutio a ser entendido/compreendido”.

Ideia massa, né? Por isso a gente resolveu convidar ele justamente para conversar sobre isso e sobre sua carreira na cena eletrônica e experimental carioca. Cadu desde 2010 atua solo e em projetos como Sobre a Máquina, Ceticências, VICTIM!, Vaso e Gruta. Se você não conhecer ele ainda, provavelmente já escutou seus sintetizadores e loops em seus trabalhos conjuntos com Paal Nilssen-Love, Juçara Marçal, Thomas Rohrer, Alice Caymmi, Marcio Bulk, Lívia Nestrovski, Rogério Skylab, Romulo Fróes, entre outros.

19h cola com a gente lá na Popload TV, nosso canal no YouTube? Para facilitar, tá aqui embaixo.

POPLOAD TV: “Quis criar esse lugar novo, seguro, na minha música, para uma mulher, nordestina e lésbica”, diz Luana Flores em entrevista

1 - cenatopo19

* De acordo com sua biografia no YouTube, Luana Flores é artista da Paraíba. Certo. Também é beatmaker, percussionista, cantora e compositora. Certo. No texto, ela explica também sua proposta artística: fundir ritmos da cultura popular nordestina com a música eletrônica universal com foco no empodeiramento feminino. Será?

Querer nem sempre é poder. Muito da nossa intenção se perde no desafio de produzir um texto, escrever uma música, fazer um filme e por aí vai. Mas não é o caso aqui, não.

Dá para dizer com segurança que Luana consegue realizar sua proposta com muito sucesso, MAS MUITO MESMO, no EP “Nordeste Futurista”.

Por isso que a gente quis sentar com ela para um bom papo na Popload TV. Na conversa, ela conta o que motivou a criação desse nordeste futurista e detalha toda a construção do material sonoro, visual e discursivo. Sua intenção de mostrar um nordeste que se afasta dos estereótipos. “Passamos anos de silenciamento, mas nossa história está aqui viva, é o momento de olhar para ela e potencializar isso no presente, projetando ela no futuro. Pensando em transformar a nossa sociedade”, conta Luana.

A artista lança a pergunta fundamental dos nossos tempos. “Que universos queremos? Porque fico pensando: eu nunca encontrei lugar de existência no sistema enquanto mulher, nordestina, lésbica. Quis criar esse lugar novo e seguro.” Afinal, se está ruim, o que vamos colocar no lugar?

Ainda no papo, Luana conta de outros artistas da Paraíba que inspiraram seu trabalho. Falamos ainda, detalhadamente, de sua pesquisa sobre ritmos como o repente e a sua experiência de vida em um quilombo, além de detalhar cada participação especial que está no EP.

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POPLOAD ENTREVISTA – “Meu HD tem 13 anos de músicas começadas. Acabamos terminando todas elas”, diz Lucas Fresno, dando pista sobre o projeto secreto da banda

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* Ainda que sem nosso integrante favorito, o baterista Thiago Guerra (esta brincadeira tem que ver a live para entender), a Fresno colou na Popload TV, nosso canal no Youtube, para trocar uma ideia sobre o INVentário, a nova invenção da banda, uma ideia cheia de segredos e que a gente tentou desvendar ao longo da conversa.

Como todo bom papo, nós, Vavo e Lucas passeamos por diversos assuntos antes de chegar na pauta principal. Tem lembranças da MTV, da reunião deles com Chitãozinho e Xororó… Até a parede de grafite do Vavo foi uma questão, além de amizades de Twitter, a criação do sertanejo universitário e mais.

Também discutimos a fase streamer da banda, que se reinventou enquanto canal na Twitch, onde eles se aventuram em mostrar bastidores, jogar e trocar uma ideia direto com os fãs.

Ah, eles pediram para tocar no próximo Popload Festival. Chamamos?

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