Em Popload entrevista:

POPLOAD ENTREVISTA – Hoje tem papo com Cadu Tenório, 19h, na Popload TV

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* Quando a gente escreve nossas resenhas sobre as músicas da semana, muitos artistas se manifestam compartilhando nas suas redes sociais e até comentando algo. Mas, que a gente saiba, nem sempre vem um comentário crítico seja lá positivo ou negativo sobre o que é escrito. Até porque o debate entre crítica e artistas no Brasil não está lá em um bom momento.

O carioca Cadu Tenório resolveu escrever um pouco mais quando falamos sobre um som dele ser sobre mais sentir do que entender. E a ideia dele chamou nossa atenção: “Gostei. Curto esse take/ideia, de que é mais importante SENTIR, haha. Acredito que aproveita-se mais assim, inclusive: Deixar que te atravesse e tal, sem tentar levantar (sustentar?) muros… Agora, claro, diria também que existe mutio a ser entendido/compreendido”.

Ideia massa, né? Por isso a gente resolveu convidar ele justamente para conversar sobre isso e sobre sua carreira na cena eletrônica e experimental carioca. Cadu desde 2010 atua solo e em projetos como Sobre a Máquina, Ceticências, VICTIM!, Vaso e Gruta. Se você não conhecer ele ainda, provavelmente já escutou seus sintetizadores e loops em seus trabalhos conjuntos com Paal Nilssen-Love, Juçara Marçal, Thomas Rohrer, Alice Caymmi, Marcio Bulk, Lívia Nestrovski, Rogério Skylab, Romulo Fróes, entre outros.

19h cola com a gente lá na Popload TV, nosso canal no YouTube? Para facilitar, tá aqui embaixo.

POPLOAD TV: “Quis criar esse lugar novo, seguro, na minha música, para uma mulher, nordestina e lésbica”, diz Luana Flores em entrevista

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* De acordo com sua biografia no YouTube, Luana Flores é artista da Paraíba. Certo. Também é beatmaker, percussionista, cantora e compositora. Certo. No texto, ela explica também sua proposta artística: fundir ritmos da cultura popular nordestina com a música eletrônica universal com foco no empodeiramento feminino. Será?

Querer nem sempre é poder. Muito da nossa intenção se perde no desafio de produzir um texto, escrever uma música, fazer um filme e por aí vai. Mas não é o caso aqui, não.

Dá para dizer com segurança que Luana consegue realizar sua proposta com muito sucesso, MAS MUITO MESMO, no EP “Nordeste Futurista”.

Por isso que a gente quis sentar com ela para um bom papo na Popload TV. Na conversa, ela conta o que motivou a criação desse nordeste futurista e detalha toda a construção do material sonoro, visual e discursivo. Sua intenção de mostrar um nordeste que se afasta dos estereótipos. “Passamos anos de silenciamento, mas nossa história está aqui viva, é o momento de olhar para ela e potencializar isso no presente, projetando ela no futuro. Pensando em transformar a nossa sociedade”, conta Luana.

A artista lança a pergunta fundamental dos nossos tempos. “Que universos queremos? Porque fico pensando: eu nunca encontrei lugar de existência no sistema enquanto mulher, nordestina, lésbica. Quis criar esse lugar novo e seguro.” Afinal, se está ruim, o que vamos colocar no lugar?

Ainda no papo, Luana conta de outros artistas da Paraíba que inspiraram seu trabalho. Falamos ainda, detalhadamente, de sua pesquisa sobre ritmos como o repente e a sua experiência de vida em um quilombo, além de detalhar cada participação especial que está no EP.

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POPLOAD ENTREVISTA – “Meu HD tem 13 anos de músicas começadas. Acabamos terminando todas elas”, diz Lucas Fresno, dando pista sobre o projeto secreto da banda

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* Ainda que sem nosso integrante favorito, o baterista Thiago Guerra (esta brincadeira tem que ver a live para entender), a Fresno colou na Popload TV, nosso canal no Youtube, para trocar uma ideia sobre o INVentário, a nova invenção da banda, uma ideia cheia de segredos e que a gente tentou desvendar ao longo da conversa.

Como todo bom papo, nós, Vavo e Lucas passeamos por diversos assuntos antes de chegar na pauta principal. Tem lembranças da MTV, da reunião deles com Chitãozinho e Xororó… Até a parede de grafite do Vavo foi uma questão, além de amizades de Twitter, a criação do sertanejo universitário e mais.

Também discutimos a fase streamer da banda, que se reinventou enquanto canal na Twitch, onde eles se aventuram em mostrar bastidores, jogar e trocar uma ideia direto com os fãs.

Ah, eles pediram para tocar no próximo Popload Festival. Chamamos?

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POPLOAD ENTREVISTA: Tem live com o músico electroindígena NELSON D hoje, 17h

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* Nelson D acaba de lançar “Anga”, seu segundo álbum. Anga significa “Alma” em nheengatú e apresenta um passo de Nelson em direção às novas explorações sonoras. Como a gente levantou no Top 50 desta semana, é absurda e linda sua proposta de liberdade no disco.

E é sobre esse álbum novo que vamos trocar uma ideia daqui a pouco na Popload TV, às 5 da tarde, contando sempre com sua participação. Vamos falar com o produtor e DJ de longa estrada sobre sua carreira, sobre seu modo de pensar música e sobre sua história: um indígena órfão de Manaus que cresceu na Itália e estudou em escola de arte europeia por circunstâncias da vida e retorna ao Brasil para ser artista.

Você vai colar? Só chegar junto:

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POPLOAD ENTREVISTA: CHVRCHES. Falamos com Lauren Mayberry sobre o disco novo, “Screen Violence”, que saiu nesta sexta-feira

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* Enquanto seguimos tentando entender e nos adaptar ao momento que estamos vivendo, muitos sentimentos e percepções passados voltam para reforçar seu significado. No caso da banda escocesa Chvrches, uma ideia do começo do grupo veio à tona na hora de escolher o nome do novo álbum: “Screen Violence” (capa abaixo), o quarto do trio de Glasgow, que está sendo lançado hoje.

CHVRCHES - Screen Violence (ARTWORK)2

O título foi originalmente concebido como um nome para a banda, formada em setembro de 2011, mas exatamente uma década depois caiu como uma luva para expressar o que eles estavam sentindo no momento de agora. Apesar de elas terem sido essenciais em muitos aspectos, a “violência das telas” no último ano afetou todos nós, numa luta contra a solidão, pertencimento, angústia, desilusão… e são assuntos como estes que criam a narrativa do novo álbum.

Mas, ironicamente, as telas foram fundamentais para que o álbum fosse possível. O processo de gravação foi todo a distância, com membros da banda em Los Angeles e Glasgow. Lauren Mayberry, vocalista do Chvrches, contou para a Popload, em entrevista por Zoom, que só foi possível fazer isso porque eles já tinham algumas demos prontas, assim como os conceitos. Então a questão passou a ser como fazer essa dinâmica da feitura do disco funcionar remotamente. Via… telas.

Até o momento, só conhecíamos três faixas por meio de uma trilogia de vídeos que conversam entre si: “He Said She Said”, “How Not to Drawn” e “Good Girls”, este último destacamos aqui embaixo.

Sobre o visual dos vídeos, que têm uma pegada “ficção científica artsy” e são inspirados em filmes de terror que a banda adora assistir, Lauren diz:

“Tivemos muita sorte que para este projeto conseguimos trabalhar com um artista visual chamado Scott Kiernan, que trabalha com instalações e plataformas multimídia. Acabamos descobrindo o cara depois de assistir a alguns dos seus vídeos e ficamos com muita vontade que ele colaborasse. No fim ele trabalhou nos vídeos, cuidou da capa do álbum, todo o conceito visual. Fora que é muito difícil gravar um vídeo quando um membro da banda está em outro país. Como fazer um vídeo com chroma-key que não pareça horrível? Então meio que o conceito acabou casando com a ideia de uma realidade alternativa.”

Ao longo dos 10 anos da banda, muitas narrativas foram criadas em torno do Chvrches. E uma delas, particularmente, sempre perseguiu Mayberry por ser uma vocalista mulher. Ela já foi alvo de trolls da internet, e muito questionada a cada passo, sobre coisas como questionamentos sobre roupa e maquiagens dela, algo que a levou finalmente a expor isso em letras neste último trabalho.

“Eu sinto que durante muito tempo as conversas em torno do Chvrches eram sempre sobre meu gênero, sobre feminismo. E parte da letra de ‘He Said She Said’ fala de quando me defendi em 2013 de vários ataques que sofri online. A emoção também é uma narrativa, e me sinto feliz em poder fazer parte dessa conversa, mas eu não quero ser só isso. As pessoas nunca me perguntam nada sobre a música, jamais”, reclamou Lauren.

“A galera que comparece aos shows definitivamente se engajam com as letras e os sentimentos contindos nelas, e claro que as encorajam a falar sobre aquelas coisas. E elas vêm e cantam as músicas, mas não por causa dos problemas e sim pela música, o som. E nunca sequer escrevi nada sobre feminismo. Daí falam ‘Chvrches, banda feminista e blablabla’. Então pareceu inevitável que em algum momento eu parasse para realmente falar disso. E claro, quando você escreve algo você fala sobre alguma experiência pessoal. Mas posso dizer que me custou dez anos para amadurecer e construir algo que me levasse a falar disso. Vocês querem que eu fale sobre minhas experiências pessoais? Ok, está aqui. Mas vocês não vão gostar.”

Definitivamente ser mulher numa indústria que sempre foi majoritariamente masculina ainda é uma questão, mas que aos poucos vem aumentando seu lugar de fala.

“É muito legal ter visto como as pessoas têm respondido às músicas até agora. Mesmo que hoje existam muitas mulheres no pop, bem mais do que dez anos atrás quando começamos, ainda sinto que são mulheres suficientes ocupando esses espaços. Não quisemos escrever nada que parecesse como uma ‘música mensagem’ ou algo do tipo, mas sim algo que expressasse o que estávamos sentindo. E finalmente pareceu o casamento certo entre música, letra, o momento certo para abordar esse tema. O título ‘Screen Violence’ também me pareceu apropriado. No começo pensei que “He Said She Said” fosse uma ideia terrível, mas no fundo acho que, pensando bem, nunca nenhum homem parou para falar sobre esse tipo de sentimento, sobre alguma fã mulher, cometendo algum abuso, por exemplo”, ela continua.

Nesse momento de reflexão e amadurecimento, o Chvrches acredita ter evoluído sonoramente, pessoalmente e se sente confiante para encarar novos desafios. Um deles foi a colaboração com um ícone e ídolo pessoal dos integrantes da banda, o Robert Smith, do Cure. Lauren conta que inicialmente a ideia era outra.

“Acho que para o meu eu adolescente ainda não caiu a ficha, porque todos nós sempre fomos grandes fãs, nossa música é muito inspirada no Cure, sempre tivemos camisetas e tal… Meu manager soube que ele estaria gravando um novo album e decidiu entrar em contato com seu representante, para que, sei lá, de repente, se ele fosse estar em turnê, poder abrir algum show do Cure, ou algo assim. Mas acontece que Robert não tem um manager e aí um dia ele simplesmente apareceu e disse ‘Hey, vi que vocês estavam me procurando’. Então começamos a mandar algumas demos para que ele pudesse ouvir. O papo começou com participar de uma turnê e de repente estávamos compondo e gravando juntos. É muito bizarro pensar que ele assinou letras comigo! Às vezes você imagina uma pessoa e na vida real ela é completamente diferente. Aqui não foi o caso, ele ainda é muito apaixonado pelo que faz, é uma pessoa ótima, generosa.”

E, para encerrar nosso papo, não poderíamos deixar de perguntar sobre os planos da banda para o Brasil. Afinal, Chvrches nunca esteve em solo brasileiro para shows.

“Agradeço demais aos fãs do Brasil e sinto muito que ainda não tenhamos tocado aí. Estamos cientes que devemos essa visita, mas prometo que isso está em mente. Já tivemos conflito de agendas e acabou não rolando, mas mal podemos esperar, quando o mundo estiver um pouquinho mais normal, estar aí com vocês.”

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A foto da chamada na home da Popload é de Sebastian Mlynarski & Kevin J. Thomson

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* A entrevista com Lauren Mayberry, da Chvrches, foi conduzida por Daniela Swidrak (com a presença felina de Meg, dona da humana).

Chvrches - Dani + Meg

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