Em popload festival:

SEMILOAD – Parece que os shows reais vêm aí. Primeira pergunta: será? Segunda pergunta, mais filosófica: o que faz um grande show ser isso… um grande show?

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* Você deve se lembrar de shows, não? Aquela coisa de ir ver uma banda ou artista se apresentarem num palco e tal. Faz tempo, sabemos. Mas pareeeeeeeeece que eles podem voltar em breve (toc toc toc). Nos erre, delta.

Já que pelo menos estão nos deixando sonhar com eles novamente, nossa intrépida newsletteira Dora Guerra, da parceira brilhante Semibreve, vasculha suas memórias afetivas para lembrar de grandes shows que ela viu. Mas não um mero “dropping names” de grupos e cantoras/cantores.

Como Dorinha vai sempre por caminhos que não são os óbvios, ela vai buscar se entender sobre o que faz um grande show ser isso mesmo… um grande show.

O resultado é esse cursinho rápido preparatório para o que vem por aí em forma de “long read”.

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Com todo o otimismo e saudosismo de um país em vacinação, venho pensando em shows do futuro e do passado. Mas, precisamente, o que faz um grande show?

Um grande show não tem nada a ver com tamanho de espaço, tampouco é perfeitamente previsível: ao entregar seu ingresso, você nunca sabe se está prestes a ver um. Mesmo que você espere – tem alguns artistas que, por definição, fazem excelentes apresentações –, o grande show consegue te deixar de queixo caído.

É, ele pode ser esperado, mas jamais previsível.

Um grande show te convence de uma série de coisas: primeiro, que a banda ali em cima é absurdamente atraente, todos os seus membros (frequentemente você muda de ideia depois de vê-los fora do palco); segundo, que a música é realmente boa, mesmo que você a tenha ouvido pela primeira vez; e, por último, que se sua vida existia antes dessa banda em questão, agora não deveria mais – este último pode passar com a euforia, mas os bons nunca passam.

O grande show tem alma, sangue, suor. Convida e abraça o erro e o improviso, porque são eles que ligam o palco à plateia e afirmam: “Isto aqui, só vocês viveram”. Uma cumplicidade mútua, mesmo que fingida. E, afinal, sob os holofotes e a aglomeração, ninguém percebe notas erradas: celebramos tudo que sai do script, desde que não seja desagradável aos ouvidos.

O grande show, afinal, não é sobre ouvidos, é sobre corpo. O Queen entendeu esse recado perfeitamente com a famosa ideia de “We Will Rock You”. Os blocos de Carnaval não ficam atrás. Afinal, em um grande show, a banda não é só músicos no palco; aqueles são só os maestros, mas músicos somos todos. E aí temos um coro de vozes, palmas e pés a nossa disposição, atentos e aguardando comando.

O grande show te faz esquecer do que acontece lá fora, como se o único acontecimento no mundo fosse aquela arena ou aquela pequena casa de shows. E te torna unido a um coletivo, alinhado cosmicamente de forma complicada até para o mais cético – o tipo de energia alinhada que as motociatas do presidente sonham, só sonham em ter. Naquele senso de unidade, no grande show, você topa pular, empurrar, gritar, chorar. E se pega encarando o palco – ou o telão – com uma expressão atônita, em uma experiência que é ao mesmo tempo só sua, mas também de todos a sua volta (principalmente do fulano que você empurrou durante o mosh). Na sua cabeça, um pensamento prevalece: “Não quero esquecer esta sensação ou este momento jamais”.

É que o grande show te tira toda e qualquer barreira, te deixa à flor da pele. Quando você vê, já é tarde demais: você está à mercê da música, entregue ao que os músicos querem fazer de você. Os maestros – os bons maestros – sabem te conduzir entre euforia, tristeza, tesão, raiva e puro caos.

Do grande show, não resta nada. Quase literalmente, porque você sai dele tonto, exaurido, adrenalinado. Confio que o grande artista sai da mesma forma, depois de deixar tudo no palco. Em luto, você acaba se segurando a cada grande momento do que viveu, numa espécie de barganha com seu cérebro: vou repassar essas cenas pra você não esquecê-las. Os grandes, grandes mesmo, até te dão uma falsa sensação de que você finalmente compreendeu algo importante e imprescindível para a sua vida (“Preciso me tornar guitarrista”, “Tenho que me mudar para esta cidade”, “Nunca mais perco nenhum show deles”). Com o tempo, claro, você percebe que eram conclusões ainda embriagadas.

Pouco a pouco, você perde uma ou outra cena na sua cabeça, esquece que músicas foram cantadas. Do grande show, a única coisa que resta a longo prazo é aquela certeza infalível que você tem todas as vezes: “Este aqui é o melhor show da minha vida”. Eu mesma já tive uns 13 melhores-shows-da-vida; mas o bom é que ninguém está contando.

É que o grande show te lembra: a música é poderosíssima, infalível, transcendental. E você, perto dela, é nada.

P.S.: com timing curioso, este texto foi parcialmente inspirado por um dos grandes shows a que fui – Lorde no Popload Festival de 2018 (foto lá em cima). Aquela Dora não fazia ideia que um dia escreveria aqui.

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* Dora Guerra “atua” também no Twitter, como @goraduerra. Já foi lá?

Rapper inglesa Little Simz lembra quando comeu palmito em São Paulo em novo single. Ouça a ótima “Rollin Stone”

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* De repente estabeleceu-se uma conexão engraçada entre o Popload Festival e a Inglaterra hoje. Primeiro, acabamos de postar aqui, a Lovefoxxx, da nossa CSS, contou para a “NME” detalhes do show dela no festival deste site, em 2019, que marcou a volta pontual da banda que agora quer voltar de vez messsmo.

Agora a relação Popload-UK vem na forma do single novo da rapper britânica incrível Little Simz. Ela lançou agora há pouco o single “Rollin Stone”, faixa que vai estar em seu novo álbum, “Sometimes I Might Be Introvert”, a sair em setembro.

Abrindo as letras de “Rollin Stone”, Little Simz solta o rap: “I was in São Paulo/ Eating palm hearts and I couldn’t believe my surroundings”.

Little Simz foi atração do mesmo Popload Festival, o de 2019, que o CSS, na última edição do evento. Ela veio com a turnê de seu terceiro álbum, o primeiro de bastante reconhecimento, o ótimo “Grey Area”.

Na ocasião, nos bastidores ela já tinha elogiado São Paulo. Inclusive saiu na noite paulistana, indo dançar na Tokyo, prédio de baladas do centro de São Paulo.

Abaixo, o lyric video de “Rollin Stone”, a nova música “paulistana” da britânica Little Simz. Depois, uma performance dela ao vivo para o single novo, de hoje, em especial para a rádio linda 6 Music, da BBC.

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A segunda volta do CSS. Desta vez com disco novo e turnê grande, “para se divertir”

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* Agora vai total. Em entrevista para o site/revista britânico “NME”, a cantora Lovefoxxx anunciou que a banda CSS vai lançar em breve um novo álbum, oito anos depois de ter soltado seu último, “Planta”, em 2013.

“Nós estamos com as músicas prontas”, disse a cantora fashionista do grupo paulistano, hoje uma formação de quarteto feminino com baterista contratado. O multiinstrumentista e um dos fundadores da banda, Adriano Cintra, deixou a banda em 2011 e portato não fez parte do quarto disco do CSS.

Lovefoxx - CSS

O CSS voltou a se reunir em 2019, para um incrível show “sentimental” de hits no Popload Festival, no Memorial da América Latina, em SP. E agora as meninas pretendem se organizar para uma turnê de muitos shows. Cada uma mora em um lugar diferente no mundo.

“Nós fizemos um maravilhoso show de volta à ativa em São Paulo. Tocamos só hits e ali descobrimos que temos toda uma geração nova de fãs linda e gay”, disse Lovefoxxx à “NME”, se referindo à emocionante apresentação no Popload Festival.

“Queremos voltar agora para uma tour em nossos termos. Fazer isso por prazer, para nos divertir, que faça sentido para nós. Estamos mais velhas e sossegadas que anos atrás. Mas com canções novas prontinhas.”

A diferença entre sua vida nos anos 2000 e agora foi pontuada por Lovefoxxx aos ingleses assim: “Eu aprendi a dirigir, vendi tudo o que eu tinha, comprei um pedaço de terra, construí um barraco de madeira e agora moro no meio de uma floresta perto da praia, enquanto faço video art, pinto e surfo”.

Abaixo, relembre a apresentação do CSS no Popload Festival em 2019, que marcou o primeiro “comeback” da banda. A pandemia atrapalhou a volta imediata, que estava planejada para 2020, mas teve que esperar.

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POPLOAD NOW: No 8M, listamos 5 mulheres espetaculares que já passaram por nossos palcos

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* Uma mulher não se define pela amplitude de suas curvas ou pelo tamanho de seus seios. Não é definida tampouco pelo comprimento do seu cabelo ou pelo conteúdo entre as pernas. Ser mulher neste mundo é saber que as probabilidades estão muito contra você, mas ainda assim avançar sem medo. É sabido que você só será culpada por ser mulher, e que cada vitória será por usar muito mais capacidade e coragem, e forçar o seu reconhecimento numa sociedade que só te culpa e julga.

Este dia de hoje, o Dia Internacional da Mulher, não é sobre dar flores e presentes. É sobre lembrar que a mulher merece respeito, igualdade. Sobre apoiar aquela mina que você achou legal, sobre ser inspiração umas para as outras. Lembrar que elas são mais, que podem sim ocupar todos os cargos que quiser, e que a vida é uma batalha diária sobre isso.

Muitas minas fizeram e fazem a Popload possível. Nos shows em cima ou por trás dos palcos, na redação. A nossa homenagem, hoje, é relembrar neste dia em especial algumas dessas mulherzaças que já nos inspiraram muito e que felizmente tivemos a honra de ver em nossos palcos. Apenas cinco aqui, mas representando um infinito delas, que nos ajudam a sermos o que somos.

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1. PATTI SMITH
(Popload Festival 2019, Memorial da América Latina, SP)

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2. LORDE
(Popload Festival 2018, Memorial da América Latina, SP)

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3. COURTNEY BARNETT
(Popload Gig em 2016, Audio Club & Popload Gig em 2019, Fabrique, ambos em SP, e o de 2009 também em Porto Alegre)

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4. CAT POWER
(No Metrô Paraíso & no Popload Festival 2014, Audio Club, ambos em SP)

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5. SOLANGE KNOWLES

(Popload Gig em 2013, Cine Joia, SP)

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Daniela Swidrak e Lúcio Ribeiro.
** A foto de Patti Smith do show no Popload Festival, que ilustra a chamada para este post na home da Popload, é de Filipe Aurélio.

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Longe dos discos há três anos, cantora Lorde vai voltar ao assunto primeiro com um livro. Sobre a Antártida. Veja fotos

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* A cantora neozelandesa Lorde, que uma vez já foi headliner de um Popload Festival thankyouverymuch, saiu em matéria especial no site da “Rolling Stone” americana por causa de uma viagem que fez em janeiro de 2019 à gelada Antártida, algo que segundo ela era necessário fazer para ver com os próprios olhos o estrago que as mudanças climáticas estão fazendo por lá e já está afetando outras partes do planeta.

“Sendo da Nova Zelândia, você cresce com um entendimento bem substancial da importância de proteger o clima”, ela disse à revista. “Nós passamos boa parte do tempo fora de lá”, concluiu.

Essa viagem da Lorde, em um vôo de sete hora da Nova Zelândia rumo ao sul, vai virar um livro, chamado “Going South” e com previsão de lançamento para o começo de 2021. Um livro desse sobre uma viagem dessa, claro, vai ter muitas imagens, que ficaram a cargo do companheiro de trip de Lorde a essa fria, o fotógrafo Harriet Were. O que “Going South” arrecadar vai direto para um fundo de pós-graduação escolar de uma agência governamental da Nova Zelândia, especialmente para o tema Antártida. Pensa.

Lorde viajou ao continente gelado poucas semanas depois de se apresentar ao vivo em São Paulo, no Popload Festival, a turnê mundial do seu último álbum, “Melodrama”, de 2017. Foi o show aqui, um no México na sequência e nunca mais a cantora apareceu ao vivo depois disso.

A “RS” postou algumas das fotos que vão estar com as memórias de viagem de Lorde em “Going South”. A gente reproduz algumas dessas algumas da revista americana. Envolve muito gelo, baleia orca, focas…

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