Em popload gig:

Se (não) juntas já causam, imagina juntas: gigante do entretenimento T4F se associa à Popload

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Quando tudo isso aqui era mato, a Popload, que já se chamou “Download” e era uma tripa em página de lançamento de discos na Folha de S.Paulo, foi parar no mundo virtual dentro de uma seção de articulistas chamada “Pensata”, dentro da Folha Online (igualmente da “Folha”). Isso lá por 2000. A coisa tomou proporções “ousadas”, o “Pensata” ficou pequeno demais para a Popload, ganhou espaço nobre no caderno “de papel” Ilustrada e logo encaramos o desafio de se tornar um site. As popices semanais passaram a ser publicadas por aqui diariamente, tipo em 2006.

Depois, veio o próximo passo. Não apenas o de falar sobre bandas para o nosso público, mas, também, trazê-las ao Brasil, para perto desse “nosso” público. Nascia em 2009 o Popload Gig, selo de shows que se tornou referência no Brasil da “nova música”, tanto internacional quanto da CENA brasileira, abrindo as portas para grupos iniciantes da cena rock e eletrônica. E até com um Nick Cave, um LCD Soundsystem, um Tame Impala e uma Courtney Barnett no meio de mais de 50 atrações.

Já que o negócio aqui é se arriscar, surgiu a bela e bem louca (e estúpida também, haha) ideia de se fazer um festival. Um festival “diferente” dos festivais. Um festival que a gente iria. Sem reclamar como se reclama de festivais. E lá em 2013 o cultuado trio inglês The XX apareceu por aqui para dar sua benção. Ano após ano, a Cat Power veio nos ver, o incrível Iggy Pop também. A PJ Harvey botou seu nome em nosso humilde mural de atrações. O Wilco acabou com um período de longo espera e saciou seus fãs. A Lorde, menina que a gente viu crescer, pisou em nosso palco já na sua fase “Que mulher!”, e o Blondie, só o Blondie, fez sua estreia em terras brasileiras. Popload corrigindo o erro histórico da história dos shows legais no Brasil. Quanta honra, Debbie Harry.

Em meio a todas essas fases, mudanças, erros, acertos, ideias e muito suor, a Popload dá um novo passo, talvez o maior de sua curta e tão intensa história, e firma a partir desta quinta-feira, 28 de fevereiro, uma parceria com a Time For Fun (T4F), a maior empresa de mercado de entretenimento ao vivo da América Latina.

Fazem parte, a partir de agora, do pacote da T4F, a plataforma 360º da Popload, que inclui: Popload News, Popload Festival, Popload Gig, Popload Social, Popload Radio e Ticketload.

As duas passam, então, a produzir os shows e festivais de forma conjunta, com o compromisso de continuar levando um conteúdo e atrações de qualidade para um público cada vez maior. E melhor. Porque o nosso compromisso é fazer as coisas bem-feitas.

Depois a gente fala mais disso, porque o trabalho continua, apesar de estar só começando. Afinal, o Popload Festival 2019 está logo ali.

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* Obrigado pela parceria de sempre. A gente aqui deixa uma musiquinha para ilustrar este momento.

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#SpoilerAlert: o que esperar do Popload Gig com Courtney Barnett!

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A contagem regressiva começa HOJE: faltam DEZ dias para Courtney Barnett no Brasil! Ok, onze dias se você vai ver o show de Porto Alegre, no dia 22. O último show dela por aqui foi em 2016, em um Popload Gig turbinado com Edward Sharpe & The Magnetic Zeros.

De lá para cá, Courtney deu algumas outras voltas ao mundo, frequentou outros (todos?) grandes festivais, fez história* no ARIA Music Awards (*a primeira mulher – artista solo – a receber o prêmio de Melhor Álbum de Rock em mais de 30 anos de evento), entrou mais uma vez na playlist do (ex-presidente americano) Obama e lançou um dos melhores discos de 2018!

Não conhece, mas sente que este é um show imperdível e que você pre-ci-sa ir? É fã, mas ainda não comprou ingresso? Colocamos aqui o que você pode esperar deste PGig na semana que vem. Lembrando que, tanto em São Paulo como em Porto Alegre, as apresentações acontecem em lugares pequenos: todo mundo vai ver a Courtney destruindo sua guitarra de pertinho. Sério…

Este post contém spoilers!

BREVE HISTÓRIA

De A a Z, TUDO o que você precisa saber sobre a Courtney. Praticamente um intensivão em menos de quatro minutos:

A BANDA & A TURNÊ

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Courtney está no meio de uma turnê pela sua terra natal Austrália e, antes de passar por aqui, faz um pit stop nos EUA para dois shows no Texas. Após os shows no Brasil, ela ainda passa por Argentina, Peru, Chile e México. Calma que ainda não acabou: do México ela parte para três shows no Japão e de lá direto para os festivais europeus (maio). Folga mesmo só por alguns semanas em abril.

Agora um quarteto, além de Courtney (guitarra) a banda é formada por: Bones Sloane (baixo), Dave Mudie (bateria) e a nova integrante Katie Harkin no teclado (Harkin também toca com Sleater-Kinney).

SETLIST RECENTES

Com variações entre shows em festivais e solo, o setlist tem ficado mais ou menos assim:

Hopefulessness
City Looks Pretty
Avant Gardener
Need a Little Time
Nameless, Faceless
I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch
Small Poppies
Small Talk
Depreston
Are You Looking After Yourself?
Elevator Operator
Charity
Don’t Apply Compression Gently
Pedestrian at Best

Encore:
Anonymous Club
Nobody Really Cares If You Don’t Go to the Party

TOP 5

Separamos as cinco músicas mais tocadas nesta turnê (mega spoiler?):

PLAYLIST

Colocamos o provável setlist (mais algumas das nossas preferidas porque não custa sonhar, não é?) em uma playlist! É só seguir, ouvir todos os dias, ensaiar, decorar e se jogar no show:

SHOW DE ABERTURA

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Em São Paulo, a noite começa com show do BRVNKS, banda que faz parte da rica e plural cena indie goiana. BRVNKS fincou seu nome na cena independente brasileira graças ao incrível EP “Lanches”, lançado em 2016. Em breve lançam o álbum de estreia, “Morri de Raiva”, já com a estampa da Sony Music! Na semana passada, lançamos aqui a deliciosa “Tristinha”, segundo exemplar do aguardado disco:

Bruna Guimarães, a Brvnks, é a talentosa vocalista e guitarrista de 23 anos que empresta o seu apelido à banda. Suas músicas poderosas e urgentes remetem ao lo-fi americano dos anos 90, passando pelo garage rock e pelo pop. A pedido da Popload, ela gravou “Need a Little Time”, da Courtney Barnett, para o POPLOAD SESSION e o resultado foi este:

Além de Bruna, BRVNKS é formado por Edimar Filho, Rodrigo Gianesi, Ian Alves e Helô Cleaver.

A banda sobe ao palco do Fabrique às 20h30.

#TB PARA COURTNEY BARNETT EM SP, EM 2016

Que vibe! Um pouco do que foi o Popload Gig com a Courtney há quase três anos. É um lyric video, então dá para você (tentar) acompanhar. PARTIU:

COURTNEY BARNETT AO VIVO

É spoiler que você quer? ENTÃO TOMA: o show completo no Pitchfork Festival, no ano passado!

INGRESSOS

Vamos reforçar: Courtney volta ao Brasil no melhor momento da sua carreira.

Corra, porque enquanto você lia este post, os ingressos estavam quase se esgotando! Popload Gig com Courtney Barnett acontece no dia 21 de fevereiro no Fabrique, em São Paulo, e no dia 22 de fevereiro no Opinião, em Porto Alegre.

ÚLTIMOS INGRESSOS: www.ticketload.com

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Unknown Mortal Orchestra adia sua apresentação em São Paulo para abril de 2019

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O POPLOAD GIG informa que a banda Unknown Mortal Orchestra cancelou a sua apresentação em São Paulo no dia 26 de janeiro de 2019. O grupo deve voltar à América Latina em abril de 2019 e assim que a data for reagendada o Popload Gig fará um outro anúncio no site e redes sociais oficiais.

O ingresso do dia 26/01/19 será válido para o show remarcado.

Já os clientes que adquiriram ingressos unicamente para este show e que gostariam de obter reembolso devem solicitar o mesmo entre os dias 3 e 14 de dezembro através do suporte@ticketload.com.

Aos clientes que adquiriram o combo promocional “Courtney Barnett + UMO”, o mesmo continuará válido para a nova data! Os que optarem pelo cancelamento do combo devem solicitar o reembolso entre os dias 3 e 14 de dezembro.

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Feliz 2019! Unknown Mortal Orchestra em janeiro e Courtney Barnett em fevereiro começam o ano dos shows da Popload. Ingressos à venda!

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* Depois de um arrebatador Popload Festival, já eterno em nossos corações, a Popload tem o orgulho de apresentar suas duas primeiras atrações de 2019. Quem circulou pelo Memorial da América Latina, semana passada, foi impactado por pôsteres entregando que a ótima Unknown Mortal Orchestra e a fofura Courtney Barnett estrelarão os primeiros Popload Gig do ano que vem.

De volta ao Brasil após dois shows esgotados em SP e Curitiba em 2016, a Unknown Mortal Orchestra vem ao país mostrar o show de seu novo e mais eclético disco, “Sex & Food”, lançado este ano. Um dos grupos mais sonoramente ricos no pop hoje, o quarteto é liderado pelo compositor, cantor e guitarrista neozelandês Ruban Nielson, atuante na cena musical de Portland, EUA, onde a banda reside.

Mês passado, o grupo surpreendeu todo mundo e lançou um segundo álbum, “IC-01 Hanoi”, inspirado na capital do Vietnã, apenas com faixas instrumentais e viajadas.

O Popload Gig com Unknown Mortal Orchestra acontece no dia 26 de janeiro no Fabrique, na Barra Funda, em São Paulo. Os ingressos custam de R$70 a R$240.

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Courtney Barnett volta ao Brasil com o status de nova princesinha do indie. Ela, um dos maiores fenômenos da música alternativa nesta década, chega ao país para mostrar canções do seu lindo álbum “Tell Me How You Really Feel”, o segundo de sua carreira.

A australiana despontou para o mundo com um EP lançado de forma independente e foi logo considerada, aos 25 anos, lá em 2013, como a principal revelação daquele ano por publicações importantes como Rolling Stone e The New York Times, sendo indicada até para o Grammy anos depois.

Em novembro de 2016, já “grande”, ela esteve no Brasil em uma edição inesquecível e lotada do Popload Gig ao lado de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros. Volta ainda maior, para duas apresentações em 21 de fevereiro no Fabrique, em São Paulo, e no dia 22 de fevereiro no Opinião, em Porto Alegre.

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SERVIÇO: Popload Gig com Unknown Mortal Orchestra
Data: 26 de janeiro (sábado)
Local: Fabrique
Endereço: R. Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo – SP | CEP: 01152-000
Horários: Portas: 19h || Show: 21h
Ingressos:
PISTA 1º LOTE/PROMOCIONAL: ESGOTADO
PISTA 2º LOTE: R$ 90 (meia-entrada) e R$ 180 (inteira)
PISTA 3º LOTE: R$ 120 (meia-entrada) e R$ 240 (inteira)
Vendas online: www.ticketload.com
Ponto de venda: Cine Joia @ Praça Carlos Gomes, 82 (próximo ao Metrô Sé e Liberdade).
Funcionamento de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 14h e das 15h às 18h.
Capacidade: 1.000 pessoas
Classificação etária: 18 anos

SERVIÇO: Popload Gig com Courtney Barnett em SÃO PAULO
Data: 21 de fevereiro (quinta-feira)
Local: Fabrique
Endereço: R. Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo – SP | CEP: 01152-000
Horários: Portas: 19h || Show: 21h
Ingressos:
PISTA 1º LOTE/PROMOCIONAL: ESGOTADO
PISTA 2º LOTE: R$ 90 (meia-entrada) || R$ 180 (inteira)
PISTA 3º LOTE: R$ 120 (meia-entrada) || R$ 240 (inteira)
Vendas online: www.ticketload.com
Ponto de venda: Cine Joia @ Praça Carlos Gomes, 82 (próximo ao Metrô Sé e Liberdade).
Funcionamento de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 14h e das 15h às 18h.
Capacidade: 1.000 pessoas
Classificação etária: 18 anos

SERVIÇO: Popload Gig com Courtney Barnett em PORTO ALEGRE
Data: 22 de fevereiro (sexta-feira)
Local: Opinião
Endereço: Rua José do Patrocínio, 834 – Cidade Baixa, Porto Alegre – RS | CEP: 90050-002
Horários: Portas: 19h30 || Show: 21h
Ingressos:
PISTA 1º LOTE/PROMOCIONAL: ESGOTADO
PISTA 2º LOTE: R$ 80 (meia-entrada) || R$ 160 (inteira)
PISTA 3º LOTE: R$ 100 (meia-entrada) || R$ 200 (inteira
Vendas online: www.ticketload.com
Pontos de venda: Loja Multisom – Rua dos Andradas, 1001 – Centro Histórico / Loja Multisom – Shopping Bourbon Wallig
Capacidade: 1.100 pessoas
Classificação etária: 18 anos

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A menos que seja o Nick Cave. O show do ano, domingo passado, por um olhar assim, meio gonzo

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* JP Cardoso é um jovem promissor, um músico bom e latente para se autodescobrir, com aquelas inquietudes que o levam a se enfiar em tudo, vasculhar tudo, viver, experimentar. Daí o cara me pede para escrever “um texto livre” sobre o show do Nick Cave em São Paulo, domingo passado, pelo Popload Gig. Um artista sobre o qual ele era mais curioso do que conhecedor.
Ok, escreve aí. Resolvi deixar, porque sabia que eu mesmo não teria condições de escrever. Talvez porque foi um Popload Gig, talvez porque era sobre o Nick Cave.

E ele foi e escreveu mesmo!
Está aqui embaixo.
E é exatamente assim:

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O músico australiano celebra sua missa no lotadaço Espaço das Américas, em São Paulo. Foto de cima, de Rodolfo Yuzo. A de baixo, de Fabrício Vianna.

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Meio Osho, meio Lúcifer

por JP Cardoso

É engraçado como estes dias estão com um gosto latente de que o Brasil está prestes a pegar fogo (se é que já não está pegando). E, nestes momentos, as coisas sempre acabam ficando um pouco mais extremas, não? Dá uma vontade de viver um pouco mais, de empurrar o limite um pouco mais longe, enquanto ainda pode. Enquanto dá.

Domingo foi um dia muito único em São Paulo. Já começou de um jeito especial, pelo menos para mim e para todo um público jovem, animado, dançante, sendo feliz, se permitindo superar uma infinitude de medos, cada um com os seus (alguns mais corriqueiros, tipo ‘será que vai chover hoje’; outros mais preocupantes, tipo ‘será que eu vou poder ser eu mesmo no taxi?’). Domingo amanheceu bonito, com o DJ e produtor l_cio tocando um remix incrível de Chico Buarque às 5 e tanto da manhã no Vale do Anhangabaú, no último show do SP na Rua.

Tanta coisa precisa dar certo para isso poder acontecer! Tantos privilégios que a gente nem percebe. E eu não vou nem entrar no mérito de ter algum apoio de algum governo para fazer uma festa na rua com um mínimo de organização (obrigado, Karen!). Eu estou falando de coisas mais básicas, tipo poder beber em público. Tipo poder reunir pessoas na rua para fazer uma festa. Tipo poder sair na rua vestido como quiser. Tipo poder fazer qualquer tipo de música sobre qualquer tipo de assunto e tocar isso em qualquer lugar. Não sei você, mas eu dancei naquela vez como se fosse a última.

E nem foi. A gente pediu mais uma e ele tocou “Estrelar”. Verão chegando, quem não se endireitar não tem lugar ao sol.

Domingo é dia de um ti-ti-ti a mais, olha que profecia. Vai ter um show incrível mais tarde. Vem comigo?

Corta para a Barra Funda, 13 horas depois. Um cigarro de palha suspeito da banca da esquina enquanto uma fila enorme de gente tentava entrar no Espaço das Américas, todos muito ansiosos. Não reconheço nenhum dos companheiros da pista do amanhecer. Quem são essas pessoas? Onde bebem, de que se alimentam? Não tenho visto elas nos shows, e olha que eu vou em bastante show?

Entro só. Cheio, hein? Logo encontro um amigo e reconheço nele o mesmo olhar dessas pessoas que eu ainda não conhecia – os olhos de um fã, desesperado para ver um dos seus maiores ídolos ao vivo. Pega outro drink, vamos mergulhar. Mal sabia eu que tava prestes a ser convertido para essa religião também.

Não é fácil colocar mais de 7 mil pessoas em transe no segundo em que você pisa no palco. A menos que você seja um guru indiano. Ou um ditador coreano. Ou..

A menos que você seja o Nick Cave.

Aquilo não foi um show. Foi uma missa. Foi um ritual.

Foi um culto pagão a um deus vivo, obscuro, pulsante, misterioso, que já morou em São Paulo, que entende a doideira e a correria e a realidade da galera que estava ali para ver ele, e, por isso, sofre, grita, chora, canta junto. Encosta. Chega na beira do palco. Segura na mão, olha no olho. Traz para perto, desce do palco, sobe na galera, puxa o coro, mete um #elenão, bate palma, volta ao palco, puxa para o palco, puxa palma, dirige, ensina a letra, assina o disco, reza, bate, assopra, queima, beija, abraça, reza, benze, arrebata. Meio Osho, meio Lúcifer.

De vez em quando eu me pergunto se a gente sabe que está vendo um dos melhores shows da nossa vida enquanto ele acontece. Isso aconteceu mais de uma vez, entre a hora em que ele tocou “Into My Arms” dizendo com calma que ia cantar uma prece para o Brasil e a hora em que ele falou que ia tocar uma música que a gente estava precisando ouvir e meteu “Jubilee Street” (“All those good people down on Jubilee Street, they ought to practice what they preach”) e começou outra viagem em direção a uma catarse visceral.

I’m transforming. I’m vibrating. Look at me now.

Estou vendo, Nick. Estou vendo você e os Bad Seeds tocando o terror com gosto enquanto todo mundo a minha volta grita e pula e chora de emoção. Estou vendo Warren Ellis debulhando aquela mustanguinha de quatro cordas (que, diga-se, ele que inventou), depois chacoalhando um violino distorcidíssimo com menos cerimônia com que o Sonic Youth esfregava as guitarras no chão.

Estou vendo uma das melhores bandas do mundo quase quebrando todos os seus instrumentos de tanta intensidade no final de cada música, uma erupção depois da outra, desenhando o seu próprio microuniverso paralelo em cada compasso, uma realidade alternativa em que as coisas são um pouco mais tortas e um pouco mais certas, em que ser intenso é legal, ninguém tem medo do escuro e tudo bem se a gente sofrer e chorar um pouco mais porque isso tudo vale a pena.

Nessa realidade, as crianças aprendem a tocar guitarra na escola, o submundo é a superfície, este show é o acontecimento do ano, você aceitou o meu convite, o Nick Cave é o Roberto Carlos.

Não sei você, mas eu moraria nesse lugar.

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