Em popload now:

POPLOAD NOW: 4 singles britânicos novos que vc precisa ouvir agora

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* O NOW estava meio sumidinho, né? Mas sempre que aparece um bom “pack” de novidades damos as caras.

Eis que os últimos dias renderam alguns lançamentos de singles beeeeeeem interessantes. Alguns já contamos, como Franz Ferdinand, Idles, Foals e Shame.

Mas na última sexta-feira de lançamentos teve estes outros singles, direto do Reino Unido, que não podíamos deixar passar.
Vamos atualizar essas playlists aí!

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SINEAD O’BRIEN: Sempre pedindo licença musical-geográfica para meter a Irlanda num pacote “britânico”, a artista de Dublin poeta-pós-punk radicada em Londres ainda não lançou seu aguardado disco de estreia, mas tem dado alguns spoilers do que está por vir com uma série de EPs. Ano passado tivemos “Drowning in Blessings” e mais cedo este ano ouvimos “Kid Stuff”.
Hoje ela lançou “GIRLKIND”, que só confirma que o disco que está por vir promete muito!

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BLACK COUNTRY, NEW ROAD: o septeto que estreou com o experimental EP “For the first time” deve lançar oficialmente o disco de estreia ” Ants from up There” em fevereiro de 2022. Fique com a tristinha canção do pão, a “Bread Song”. Sei lá.

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EGYPTIAN BLUE: mais um para o time dos “ainda sem álbum de estreia”. A turma de Brighton já mostrou alguns bons riffs e está com o primeiro disco, “YALA!”, no forno. Enquanto ele não fica pronto, temos este petisco “Salt” para saborear.

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ALT-J: mais um com lançamento de álbum engatilhado para o começo de 2022. Mês passado meio que nos surpreendemos quando o trio divulgou o single “U&ME” com um vídeo mostrando a cara (os caras) da banda, algo raro, já que estávamos acostumados com umas supreproduções visuais de cinema cabeçudas à altura das letras do grupo.
Para esta “Get Better”, novinha, o Alt-J apresenta uma animação que ilustra uma mensagem positiva, mesmo que trate de uma situação de perda. “Get better, my darling, I know you will”.

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* A foto da chamada é da banda Black Country, New Road, fotografada por Rosie Foster.
** Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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POPLOAD NOW: 3 bandas das letras pequenas do Primavera Sound para prestar bastante atenção

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* Sim, estamos meio obcecados com o assunto Primavera Sound, o festival de Barcelona que acontece no ano que vem e apresentou recentemente um line-up de dar vontade de morar nele para sempre. E que provavelmente ainda vai render muita pauta até 2022, tipo essa de ontem aqui na Popload, quando demos um panorama na escalação master da música eletrônica. Desta vez queremos comentar sobre três nomes em especial que chamaram a nossa atenção no meio daquela pilha de bandas e artistas. Talvez muitos outros ainda chamem, porque parece que a cada olhada no line-up fazemos uma nova descoberta.
Mas, neste caso desta trinca em especial, que andavam perdidos em alguma playlist nossa, achamos que seria legal dar a dica aqui. São elas:

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* MOLCHAT DOMA

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Primeiro surgiu como recomendação do nosso streaming musical. Aí, conversando com um amigo, surgiu o nome também. Em outra roda, mesma coisa: “Já ouviu aquela banda russa?”.
Para ser sinceros, não nos lembramos de nenhuma banda vinda daqueles lados desde, sei lá, t.a.t.u.? Risos à parte, fomos investigar essa tal de Molchat Doma, que ganhou um nominho no valoroso line-up do Primavera, e descobrimos um universo paralelo.
Tivemos até “consultor” sobre assuntos do leste europeu, que resumiu muito bem nossa primeira impressão: “a Joy Division da cortina de ferro”.
Molchat Doma (que também está em foto na home) é na verdade da Bielorrússia, para não nos perdermos na geografia, e explodiu no mundo por causa de um vídeo viral do TikTok (ah, vá…) onde um cara mostra um pouco da sua vida quando ele morava na Rússia.
O que vemos, ao som de “Судно (Sudno)”, são jovens vestidos de preto em lugares industriais, cabelos exóticos, festas numa realidade que parece ter parado nos anos 80. Entre os comentários do vídeo, tem os significantes “Melhor propaganda sobre a Rússia” ou “Me mudando para lá agora mesmo”.

@leonverdinsky

Saint Petersburg #russia #Россия #foryou

♬ Судно (Борис Рижий) – Molchat Doma

De lá para cá, o prédio da capa do disco até virou ponto turístico em Minsk, capital bielorrussa, que chama a atenção por sua arquitetura brutalista, famosa em países da ex-União Soviética. Também foram destaque no Pitchfork, que explicou muito bem a subcultura doomer que cerca os fãs da banda. O “doomer” é grosso modo o niilista de 20 e poucos anos, cujo desespero sobre o mundo o faz se afastar da sociedade tradicional, se “escondendo” na tecnologia e em relações no máximo virtuais.
E, depois de se ligarem da fama que estavam alcançando para além da Bielorússia, a banda até começou a legendar seus vídeos.

E, para falar bem a verdade, não sabemos nem como pronunciar os nomes da músicas (foi mal galera, mas cirílico ainda é um pouco complexo para a gente). Mas, apesar das barreiras todas, confere o Molchat Doma, porque vale muito a pena!

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* PELADA

Tem Pelada no Primavera Sound. Para além dessa piada de quinta-série, esta descoberta veio direto do programa de rádio do Iggy Pop na BBC 6 Music, que escolheu o EP de estreia da banda “Movimiento para Cambio”, como tema do seu programa semanal. A primeira coisa que chamou a atenção foi um vocal em espanhol, declamando de uma forma meio “punk/hardcore”, uma letra anti-machista e uma batida sensacional.

pelada

Em “A Mi Me Juzgan por Ser Mujer” ouvimos “A mí me juzgan por ser mujer, pero no nací en este cuerpo, no lo escogí ni sé que que hay hacer, eso esta fuera de mi control”, algo como “Eu sou julgada por ser mulher, mas eu não nasci neste corpo, não o escolhi e nem sei o que fazer, isso está fora do meu controle”. Em outro trecho genial temos: “Estoy harta y cansada de las reglas de belleza, y diciéndome que sea más delgada”, que quer dizer “Estou cheia disso e cansada das regras de beleza, me dizendo para ser mais magra”.

Pelada é um duo canadense, de Montreal, que chamou a atenção internacional na cena underground de rave. Suas letras expressam temas como poder, identidade e justiça ambiental, e a combinação de letra e música são digníssimas de comparação com a linha de bandas do cultuado selo nova-iorquino DFA, de James Murphy.

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* THE MURDER CAPITAL

Este causa buzz na nossa antena há um tempinho, mas vale muito o destaque ousado de pertencer ao vaaaasto catálogo de bandas pequenas incríveis do Primavera Sound. The Murder Capital é mais uma para a lista de bandas pós-punk da cena britânica (e quase britânica, no caso destes irlandeses da agitada Dublin). Do mesmo movimento que fez surgir o Idles, Fontaines D.C. (vizinhos), Shame, Black Midi… The Murder Capital também veio para dizer algumas verdades pontuais banhadas de som feroz. Digamos que todas traduzem a expressão “urgent music for urgent times”.

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Seu disco de estreia, “When I Have Fears”, é de final de 2019 e veio depois de eles estourarem na internet com o single “More Is Less”, que foi superbem-recebido pela crítica. Ao vivo, eles parecem ter saído de um episódio da maravilhosa série brit “Peaky Blinders”: blazer, camisa esvoaçante, acessórios…

Esta turma de Dublin também carrega em suas letras temas profundos como saúde mental, solidão, luto… Inclusive foi centrado neste assunto, após a perda de um amigo, que a banda compôs seu primeiro álbum.

No ano passado, pouco antes da pandemia, o grupo se apresentou no famoso estúdio da BBC em Maida Vale. Uma das últimas apresentações aliás, porque eles tiveram o azar de lançar seu álbum de estreia poucos meses antes de o mundo fechar. A performance foi para o “Live from BBC Maida Vale”, apresentado pela genial Annie Mac, onde eles fizeram uma ótima cover da música “Cellophane”, da FKA Twigs.

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

POPLOAD NOW – Nesta onda de filmes legais sobre música, 10 longas antigos que você também precisa ver (ou rever)

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* Filme do Dave Grohl, filme dos Bee Gees, filme dos Smiths, ficção musical concorrendo forte ao Oscar, filme dos Sex Pistols e da Pink vindo aí, filme ruim demais da Sia. Temporada cinematográfica sonora anda forte, tanto que a Popload TV, no Youtube, fez um especial disso com o Gliv Rocks, que postamos quinta-feira passada. Mas a pegada ali foi documentário, trazendo sugestões de 12 docs importantes do rock. Resolvemos ir além, então, e fazer um NOW com indicações de filmes cujo personagem principal é a música que a gente curte. Com indicação de onde ver. Porque, se não tem indicação de onde ver, ainda assim você pode ver, you know. Vamos maratonar esses ouvidos?

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1. ALMOST FAMOUS
“Quase Famosos”, aqui. Temos certeza que muito jornalista de música já sonhou em ter um pouquinho da sorte de William Miller, no filme, um garoto de 15 anos que tem a chance de realizar seu sonho acompanhando a turnê da banda Stillwater como jornalista. As matérias do garoto chamam a atenção da revista “Rolling Stone”, que sem imaginar a idade do garoto talentoso o convida a viajar com o grupo, onde faz amizade com os músicos, seus fãs e, obviamente, uma garota em particular (foto acima). De 2000, dirigido por Cameron Crowe.
*Disponível no Amazon Prime Video.

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2. “24 HOUR PARTY PEOPLE”
Traduzido no Brasil como “A Festa Nunca Termina”, o enredo mostra a cena de Manchester do final dos anos 1970 até o início dos 1990, mais especificamente o selo Factory Records, gravadora independente fundada por Tony Wilson e responsável APENAS por nomes como Joy Division, New Order e Happy Mondays (e deles mesmo vem a inspiração para o título do filme). Nessa comédia dramática com jeitão de balada, de 2002, você vai conhecer a história do templo dance Haçienda e entender a transição da cena punk para o eletrônico. Um mix de comédia, realidade e ficção que vale cada minuto.
Dirigido por Michael Winterbottom.
*Disponível no Amazon Prime Video.

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3. “9 SONGS”
Este aqui certamente marcou toda uma geração de jovens indies nos anos 2000. Que atire a primeira pedra quem disser o contrário. Outro filme de Michael Winterbottom, de 2004, que se resume basicamente a: um casal, shows, sexo, shows, sexo e mais shows. Simples.
As bandas? Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, Primal Scream, The Dandy Warhols, Super Furry Animals, Michael Nyman e Franz Ferdinand.
Oito bandas e nove canções que marcam do começo ao fim a relação intensa do casal Matt (Kieran O’Brien) e Lisa (Margo Stilley).
*Não encontramos ele via streaming.

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4. “HIGH FIDELITY”
“Alta Fidelidade”. Este aqui talvez soe familiar, já que acabou de ganhar uma versão novinha americana (em série) e com um olhar feminino na pele da Zoe Kravitz. Mas o rolê todo começou lá nos anos 1990, com um livro do descolado escritor inglês Nick Hornby, que depois virou um filme estrelado pelo John Cusack. Rob Gordon (Cusack) é um cara de 30 anos, obcecado por música e dono de uma loja de discos beirando à falência, que está passando por uma crise de idade. Após ser dispensado pela namorada, ele resolve ligar para suas últimas 5 namoradas para descobrir por que os relacionamentos anteriores dele (com elas) não deram certo. O mais legal do filme/série são as playlists que ele faz ao longo da história. Sempre um top 5 com alguma história legal por trás. A culpa do estilo Buzzfeed de fazer listas é culpa de “Alta Fidelidade”, na nossa tradução.
Dirigido por Stephen Frears.
* Não encontramos o filme via streaming (já a série, bem mais nova, está disponível no Amazon Prime Video e no Starzplay.

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5. “CONTROL”
Um lindo filme preto e branco de 2007 sobre a ascensão e queda do cultuado músico e vocalista do Joy Division, Ian Curtis, nada previsível, longe de parecer mais um filme biográfico babão/bobão. Dirigido por Anton Corbijn, que foi fotógrafo oficial da banda, o longa tem uma trilha inacreditável, que vai de New Order e David Bowie a Velvet Underground e Kraftwerk. Destaque para a cover de “Shadowplay”, do Killers. O filme é o mais puro néctar da geração no-future do pós-punk inglês, baseado no livro “Touching from a Distance”, escrito pela esposa de Ian Curtis, Deborah, que também co-produziu o filme. O ator Sam Riley faz um excelente Ian Curtis (foto na home da Popload).
*Não encontramos o filme via streaming.

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6. “I’M NOT THERE”
Outra biografia fora do comum, “Não Estou Lá” retrata diferentes fases da vida do lendário músico folk Bob Dylan. Ao todo são 7 “Bobs”, interpretados extraordinariamente por Marcus Carl Franklin, Christian Bale, Cate Blanchett (sim!! e talvez nossa personagem favorita aqui), Richard Gere, Heath Ledger e Ben Whishaw. Tem Dylan acústico, Dylan “elétrico”, poeta, cristão, profeta… Há sinopses que digam “inspirado na música e nas muitas vidas de Bob Dylan”.
Dirigido por Todd Haynes, em 2007.
*Não encontramos o filme via streaming.

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7. “SING STREET”
Comédia/drama romântica adolescente, que entrou em cartaz em 2016. Se passa em Dublin, anos 80. Conor (Ferdia Walsh-Peelo) é um garoto que acabou de mudar de escola e, como qualquer outra história teen, tem problemas com os valentões locais. Mas aí ele conhece Raphina (Lucy Boynton), uma garota que está sempre à espera na porta da escola. Disposto a conquistar o crush, ele diz que está montando uma banda de rock e a convida para estrelar um vídeo. Ela aceita, mas daí ele vai precisar montar uma banda de verdade para sustentar o convite. A trilha tem The Cure, Duran Duran, A-Ha, The Clash e vários outros hits oitentísticos.
Dirigido por John Carney.
*Disponível para alugar/comprar no Youtube

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8. “SUBMARINE”
Vamos aos filmes fofinhos! Vale começar dizendo que a trilha toda é do Alex Turner, do Arctic Monkeys. Só por isso, já corre para dar o play. A história deste longa de 2010 mostra Oliver Tate, um adolescente esquisitinho e metódico que se apaixona por uma garota da escola, a Jordana, que curte uma piromania. Eles começam a namorar e até aí tudo certo. Mas ele também tem outro objetivo: reconstruir a destruída vida sexual dos seus pais. Hmmm sim. Para isso dar certo, e com o apoio da namo, ele vai sabotar uma aventura da mãe e apelará para as suas habilidades como autor de cartas de amor. O filme foi produzido pelo Ben Stiller e dirigido por Richard Ayoade.
*Não encontramos o filme via streaming.

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9. ONCE
Prepara os lencinhos. “Apenas Uma Vez” trata sobre um músico de rua (busker) em Dublin (de novo), que conhece uma imigrante tcheca que ganha a vida vendendo flores, mas também é aspirante a compositora. Eles decidem trabalhar juntos e as músicas que compõem refletem o amor que cresce entre eles. Impossível não se emocionar. O filme transmite uma sinceridade singular. Um romance como poucos que mostra o poder da música. Porque sim, “Once” emplacou forte nos EUA. Daí a canção “Falling Slowly” ganhou Oscar de melhor canção original e a trilha levou uma indicação ao Grammy.
Dirigido por John Carney, o mesmo de “Sing Street” (taí Dublin…).
*Não encontramos o filme via streaming.

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10. “MOXIE”
O filme mais “novo” da lista. Deste ano. Trazendo uma nova abordagem para o feminismo dentro das novas gerações, “Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta” retrata uma adolescente que, inspirada pelo passado punk de sua mãe, e após presenciar uma série de absurdos como “um ranking de garotas” na escola (e até uma vista grossa diante de uma situação de assédio), resolve escrever e divulgar anonimamente um zine chamando a escola para uma nova revolução. Feminina. O legal desse pretensamente despretensioso “Moxie” é ver essa abordagem ao sexismo de forma simples e direta. Sem textão complicado, sem frufru. Mostrar que é preciso sim tomar atitudes efetivas diante de acontecimentos abusivos, preconceituosos, machistas e que não se trata de uma raiva generalizada aos homens. Ganhou nosso coração com a trilha: as músicas da banda punk feminista Bikini Kill pautam as atitudes da protagonista. Spoiler? Tem a brasileiríssima e também poploader Cansei de Ser Sexy tocando no filme.
Produzido e dirigido por Amy Pohler.
*Disponível na Netflix.

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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POPLOAD NOW: os (nossos) 5 melhores (!) momentos do Grammy 2021

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* A gente sabe, o Grammy é uma premiação muito zoada. Isso há mais de 60 anos, como analisamos por aqui. Dito isso, ontem, no meio de sua existência controversa, até que a premiação teve seus momentos bons. Num resumão do que realmente valeu a pena conferir, demos a seguinte pincelada no Grammy 2021, que aconteceu ontem, armado de modo pandêmico dentro e fora do Los Angeles Convention Center.

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1 – OS QUE FINALMENTE FORAM PREMIADOS

O bizarro do Grammy é perceber o tanto de artistas absurdos que não levaram prêmio ou nem sequer foram indicados à premiação em toda sua carreira. E ontem tivemos dois exemplos superclaros disso.

Primeiro, a Fiona Apple, que em mais de 25 anos de carreira só foi significantemente reconhecida ontem, pelo seu mais recente e maravilhoso álbum “Fetch the Bolt Cutters”. Tipo, QUÊ?!
Lááá em 1998, ela havia levado um prêmio de performance de rock feminina, naquelas muitas subcategorias de consolação típicas do Grammy, mas desde então nada além disso, nada para seu tamanho.
Antes do evento, a cantora tinha divulgado um vídeo explicando por que não participaria da celebração e fez alguns apelos a causas sociais que são muito mais relevantes.

Agora, outra correção de rota do Grammy na linha “antes tarde do que nunca”. No começo dos anos 2000, foi praticamente unânime o fato de os Strokes “salvarem” o rock, aquelas coisas. E não há dúvidas do quanto o “Is This It” foi um agito relevante para a música, seguido do “Room on Fire” etc. Bom, quase 20 anos depois, a banda-fenômeno de algumas gerações levou um fucking Grammy.

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2 – AS APRESENTAÇÕES

Num esquema meio “Jools Holland”, onde todas as bandas que vão se apresentar ficam num mesmo palco e os focos de luz vão mudando conforme a vez, se deram o que realmente interessa: as performances ao vivo. Começou assim e depois foram ganhando aquele tom mais “megalomaníaco” de apresentação pop mesmo.
Nessas as explosivas Megan Thee Stallion e Cardi B meio que dominaram a noite. Certamente um dos maiores destaques da premiação, as duas rappers apresentaram pela primeira vez juntas e ao vivo o hit “WAP”. E para nós a melhor parte não foi nem o quão bombators as duas juntas são, É que no final da música rolou dentro de “WAP” um recorde da versão funk do DJ brasileiro Pedro Sampaio, que já tinha sido elogiado pela própria Cardi B no Twitter tempos atrás. Vai, Braseeeeel!

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Querem mais? Tivemos!! E numa certa ordem de preferência nossa elencamos o seguinte:

– Black Pumas

– Silk Sonic (Bruno Mars & Anderson .Paak)

– Dua Lipa

– Billie Eilish

– Poppy

– Taylor Swift

– Harry Styles

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3 – OS LOOKS

Premiação, não importa qual, sempre é boa porque tem aqueles looks que a gente ama odiar. Ou zoar. Ou até mesmo gostar, por que não? Bem, aqui destacamos nomes favoritos da casa que tiveram um visual “ousado” ontem à noite.

– Fontaines DC vestindo Alexander McQueen:

fontaines

– Kevin Parker, do Tame Impala, vestindo Versace:

kevin

– Phoebe Bridgers vestindo pijama bordado de caveirinha:

phoebe

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4 – RECORDES

Bom, sem grandes “wow” por aqui. Mas, ontem, oficialmente, a Beyoncé bateu o recorde de artista mulher a levar mais Grammy na história, vale registrar. “Queen B” somou 28 estatuetas embolsadas. Bom, na casa dela tem bastante estatuetas, aliás, porque até a filha dela, Blue Ivy, foi premiada em melhor vídeo. Sem contar os do Jay-Z…

Taylor Swift também foi destaque na seção “recordes”, se tornando ontem a primeira mulher a abocanhar mais vezes o prêmio de “álbum do ano”. Foram três discos seus que deram a estatueta mais importante da premiação para a ainda jovem artista.

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5 – QUEM NÃO LEVOU, MAS PODIA

Fontaines DC. Toda nossa torcida por aqui por um Grammy punk poético marginal, como vocês podem imaginar, masssss ficamos só com a indicação mesmo. O grupo de Dublin perdeu para os Strokes, o que tudo bem também, embora nessa hora ficamos com os sentimentos meio confusos. Primeiro prêmio (??!!) da banda de Julian Casablancas, beleza, mas significando que uma das melhores bandas hoje não levou. Será que vamos ter que esperar uns outros 20 anos pelo Fontaines?

Phoebe Bridgers. Considerada a melhor artista da pandemia, ela também não teve sorte. Indicada em quatro categorias, não levou nenhuma, o que nos faz questionar se a promessa de Elton John será cumprida mesmo e ele vai bater em alguém. Explicando: recentemente Bridgers participou do “Rocket Hour”, programa de Elton John na Apple Music, onde além de ele não poupar elogios, disse que, se ela não levasse pelo menos um prêmio para casa, ia ter que bater em alguém que decide as premiações do Grammy. Zero julgamento quanto a isso por aqui.

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

POPLOAD NOW: Contra-atacamos os Golden Globes com o Popload Globes. Cinco séries de 2020 que você precisa ver, já que estamos em lockdown agaaaain

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* O Popload Now desta semana dá uma variada no tema, mas sem fugir do nosso foco, enquanto POP, enquanto NOW, porque domingo passado teve a cerimonia de premiação do Golden Globes 2021. E a gente detestou, muito por conta do tratamento das séries de TV seja nas indicações, seja nas escolhas de vencedores. Então queríamos aqui, ainda, falar sobre a cerimônia do último final de semana. Talvez de raiva, haha.

Mas, sob a nossa perspectiva, resolvemos bolar os nossos premiados/dicas/sugestões de séries como uma espécie de #Popload Globes, se você nos permite.

A surpresa geral da premiação “oficial” dos Golden Globes, quando saíram os indicados, foi a duvidosa “Emily in Paris”, nomeada em pencas de categorias (mas que depois pelo menos, não levou nenhuma estatueta hihi). E a segunda surpresa foi (pelo menos na redação da Popload): cadê “I May Destroy You”?!

“Emily” foi aquele conteúdo leve que você precisava ver na pandemia: engraçadinho, bobo, a vida é linda, romance em Paris, pain au chocolat, croissants… mas, é isso. É tipo aquela comédia romântica que você assiste para sair da fossa e pensar “Ainn é tudo lindo”. Um ar de positividade. Porque, convenhamos, ATENÇÃO SPOILERS, na vida real é bem difícil que da noite para o dia sua chefe tenha um BO, te transfiram para a França no lugar dela, você vire uma influencer com uns posts de Instagram mequetrefes, teu vizinho seja um gato simpático e a vida seja linda igual a torre Eiffel iluminada à noite. Aham, senta lá, Emily.

Voltando a nossa especialidade, música, a série até que traz umas coisinhas boas e dançantes: Stereo Total, Juniore, Barbagallo (Tame Impala), a supercool La Femme, a nipo-francesa Kumisolo, a fofa Laure Briard (que já é praticamente local – tem até disco em português gravado aqui no Brasil) e clássicos pop sessentistas como Jacqueline Taieb.

Ok, muito bom, 2 estrelas (pela trilha, e talvez pela larica de um pain au chocolat).

Mas seguimos aqui, pistolas, então resolvemos soltar nossos indicados ao Popload Globes 2021, sobre as séries do ano passado. E numa certa ordem de preferência para já mostrar nosso “ganhador”.

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1. I MAY DESTROY YOU
A série fala de assuntos que precisam ser falados, discutidos, problematizados e, por que não, dramatizados, para ver se a galera entende… Um reflexo da sociedade, do que normalizamos errado. Traz também o que faltou ao Golden Globes: representatividade.
O enredo acompanha a vida da escritora Arabella, interpretada pela incrível e britânica Michaela Coel (que está na foto na chamada da home para este post). Enquanto escreve o seu mais novo livro, ela recebe o convite de amigos para curtir a noite de Londres. Mas o que era para ser uma saída tranquila acaba criando um pesadelo em sua vida depois que alguém faz com que ela tome uma dose de “Boa Noite, Cinderela”. A moça se vê obrigada a reconstruir a própria vida sem descansar em entender o que lhe aconteceu na tal night.

A trilha sonora não desaponta: The Prodigy, Burna Boy, FKA Twigs, Arlo Parks.

Por aqui então já levou o ouro, 5 estrelinhas, purpurina, confete, nosso coração.

(“I May Destroy You” você encontra na HBO)

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2. NORMAL PEOPLE
Esta foi uma queridinha do começo da pandemia, em 2020. Total gatilho. Naquela primeira trancafiada dentro de casa, parece que sentimos cada beijo e abraço desta série britânica linda e sincera, baseada no livro homônimo, da escritora irlandesa Sally Rooney. Acompanhamos aqui os encontros e desencontros do casal Marianne e Connell, durante diferentes fases de suas vidas.

A trilha é mais variada, mas tem seus pontos altos com London Grammar, CHVRCHES, Frank Ocean e um destaque de 2019, Anna Calvi.

(“Normal People” você encontra na Starzplay)

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3. UNORTHODOX (Nada Ortodoxa)
Boa para sair do lugar comum (literalmente) e conhecer mais sobre a cultura judaica. A minissérie de quatro episódios é baseada na biografia de Deborah Feldman, que conta a história de uma jovem nascida e criada numa comunidade ultraortodoxa no Brooklyn, NY, que decide fugir para Berlim depois de ter problemas em seu casamento arranjado.

O hit de Santigold, “Disparate Youth”, já te pega no trailer.

(“Unorthodox” você encontra na Netflix)

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4. THE FLIGHT ATTENDANT
Drama e suspense na vida de uma aeromoça “rockstar” interpretada pela Kaley Cuoco, ex-“Big Bang Theory”. O primeiro episódio te fisga antes que você perceba que está rolando uma Karen O ao fundo. Ou “Toxic” da Britney Spears. Por que, convenhamos, se você vai falar de aeromoças e tals, e ainda quer por um pingo de graça, sem “Toxic” você perde uma baita oportunidade.

A história de uma noite errada de Kaley aeromoça com um passageiro rico bonitão vai ser contada, desculpa o seriado acima, de uma maneira pouco ortodoxa.

(“The Flight Attendant” você encontra na HBO Max)

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5. Small Axe
De toda a lista, esta série maravilhosa foi a única premiada da noite do Golden Globes. Inclusive, mais do que merecido para o John Boyega o prêmio de ator coadjuvante. Aqui na redação, já dávamos o prêmio para ele só de lembrar do discurso que ele fez durante os protestos do Black Lives Matter.

Mas, voltando à série, são cinco filminhos, uns independentes dos outros, porém todos ambientados na periferia de Londres, entre os anos 1969 e 1982. As histórias giram em torno de uma comunidade de imigrantes afrocaribenhos, que vivem à margem da sociedade britânica, sofrendo preconceito e maus-tratos.

“Small Axe” é criada e dirigida por Steve McQueen, primeiro cineasta negro a levar o Oscar de Melhor Filme por “12 Anos de Escravidão”. Segundo o próprio, a ideia de fazer a série surgiu há 11 anos, com o intuito de abordar a luta contra o racismo no Reino Unido. Mas nada mais atual e necessário como mostrar isso hoje.

É magistral o segundo filme da série, “Lovers Rock”, que mostra uma “house party” de reggae numa comunidade jamaicana, sem que a música pare em quase toda a sua totalidade. Se puder assistir apenas um, vá nesse.

(“Small Axe” você encontra no Amazon Prime)

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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