Em porches:

Top 10 Gringo – Um remix em primeiro lugar? Culpa do Tame Impala. James Blake volta ao pódio, que traz a incrível Arca também

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* Caramba. Semana de peso pesados na lista. Tame Impala, James Blake, Arca, BADBADNOTGOOD, Little Simz. Pensa que a gente teve que deixar lá nas últimas posições coisas de gigantes como Damon Albarn e Nas. Mas a missão está entregue. Qual missão? A playlist mais certeira de novidades da semana que conhecemos.

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1 – Tame Impala – “Breathe Deeper (Lil Yachty Remix)”
Remix em primeiro lugar? Pois é. A gente ficou de cara com a presença e letra que o rapper norte-americano Lil Yachty lançou na música dos australianos do Tame Impala. Já fica a nossa sugestão de que Kevin Parker abra o acervo da banda para que outros rappers explorem a trilha. Porque combina, viu? Virou outra música, sendo a mesma. Para resumir, agora o Tame Impala tem duas “Breathe Deeper” muito boas, em vez de “só uma”.

2 – James Blake – “Life Is Not the Same”
Esse novo álbum do James Blake carrega uma coerência tão boa entre todas as faixas que fica difícil escolher uma só como destaque. Ainda que não seja talvez uma revolução sonora em sua carreira, são todas músicas inspiradas que ficam já perto da gente na primeira audição. Saca?

3 – Arca – “Born Yesterday”
Experimental, a sensasional artista venezuelana Arca tateia seu som mais pop até aqui ao criar em cima de uma demo da Sia. “Born Yesterday” é uma canção que foi recusada por Katy Perry. Perdeu. Se bobear essa versão vira hit daqueles gigantes que a Sia tá acostumada a ter.

4 – BADBADNOTGOOD – “City of Mirrors”
Na emocionante track instrumental é bem provável que o trio canadense BadBadNotGood esteja mais emocionado não com a composição, mas por realizar um sonho – imaginamos que era um sonho, né? No arranjo de cordas está o brasileiro Arthur Verocai, sem dúvida um dos nossos músicos mais amados pelos gringos que tão ligados no cultuado álbum dele de 1972, sampleado já por uma galera forte.

5 – Little Simz – “Venom – Remix”
Esta música tinha uma letra diferente no álbum “Grey Area”. Little Simz reescreveu para encaixá-la na trilha do novo filme do Venom. Digamos que a letra original era um pouco pesada para um filme que deve ser visto por muitos adolescentes. De qualquer maneira, é Little Simz e a gente gosta demais, com filme ou sem filme.

6 – Mitski – “Working for the Knife”
Ainda que tenha lançado algumas coisas para trilha sonora, quer dizer, tendo feita a trilha de uma HQ, Mitski retorna a sua discografia oficial, digamos. Esse single não antecipa um álbum, por enquanto, mas sua turnê do ano que vem. A música é sobre algo que não está certo na percepção do personagem. Ele tinha grandes sonhos, mas agora sente que o mundo não se importa lá muito com ele e ele só vive a trabalhar. “Começo o dia com uma mentira e acabo ele com a verdade”, ela canta em um dos versos. Ideia pesada.

7 – Damon Albarn – “Royal Morning Blue”
Ainda falta um mês para que tenhamos o novo álbum de Damon Albarn completo nas plataformas e a ansiedade está alta. Até aqui os singles tinham sido um tanto quando introspectivos, mas a coisa muda de figura aqui. Ou quase. Ainda há uma melancolia na voz, no clima. É uma música que fala de fim do mundo e tal, mas há um beat dançante que deixa tudo meio fora do lugar.

8 – Porches – “Back3School”
Difícil pensar algo sobre a letra deste som do projeto tocado pelo Aaron Maine. Ele mesmo escreveu sobre o mistério da canção. “Destruição iminente misturada com felicidade total.” Vai entender. O que a gente pode garantir é que é uma boa música que vai crescendo e de fato se desmancha no final. Repara no efeito sonoro.

9 – Nas – “Big Nas”
Manja aquele Masterclass? É uma plataforma que traz uns mestres de suas áreas para dar aulas. Dá para aprender xadrez com o Kasparov, composição com a Alicia Keys, entre outros sábios de seus rolês. Nas vai estrear sua aula sobre hip hop e escreveu uma música dentro do seu curso. Não sabemos se o curso vai te deixar afiado como o Nas, mas o rapper sabe bem o que faz.

10 – Nirvana – “Lithium” (Live in Melbourne, 1992)
A gente não vai se cansar do Nirvana. Especialmente enquanto eles ficarem soltando aos poucos as novidades que vão estar na reedição do comemorado “Nevermind”. Esta versão de “Lithium” é bonita, pois carrega pequenos detalhes que contam um tanto sobre a banda: Kurt pedindo gentilmente que a plateia cante, ele se distraindo a ponto de se esquecer de acionar a distorção da guitarra no refrão e Dave Grohl no apoio dos vocais gritados para tentar repetir a energia da gravação de estúdio.

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* A imagem que ilustra este post é do duo inglês Wet Leg.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Porches lança single de “volta às aulas” indie lo-fi. Ouça e veja “Back3School”

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* Se você ainda não se emociona com a chegada do disco novo do menino todo-errado-mas-todo certo Porches, que sai nesta sexta-feira, ele te dá mais uma nova chance com o single “Back3School”, lançado hoje com um vídeo em que ele está vestido de estudante.

“Back3School” vai estar em “All Day Gentle Hold!”, que surge via Domino Records. É o quinto álbum do projeto-banda de Aaron Maine, de Nova York.

“Essa música é um mistério para mim, destruição iminente misturada com felicidade total. A máxima de ‘voltar às aulas’, mas com uma ansiedade subjacente de que algo pode estar terrivelmente errado, ou talvez tudo esteja bem”, diz Maine sobre o novo single. Para quem acompanha o Porches, é bem isso. Tanto que nada traduz melhor seu som do que a capa do álbum novo. Dá uma olhada.

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Popnotas – Kanye West vai tocar o disco novo em estádio de Chicago. Sem pedir vacina ou teste. Porches manda 16 “baby” seguidas no novo single. E o Metallica lembra show em São Paulo de 1993

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– Dia 8 de outubro sai o esperado álbum novo do Porches, projeto do maluquete-indie Aaron Maine. Esperado pelo menos por nós aqui, que temos o Porches como uma das nossas bandas prediletas. O disco novo vai se chamar “All Day Gentle Hold!”. E hoje ele soltou mais um novo single com vídeo do álbum, a música “Lately”, em que no refrão ele repete a palavra “baby” 16 vezes. Uma combinação maluca de Pavement com Lemonheads se faz necessária no que “Lately” tem de mais lo-fi com o jeitão desmiolado de Aaron. Para nós, está ótimo.

– Num dos seis DVDs ao vivo de uma das versões de luxo da caixa comemorativa dos 30 anos do famooooooso álbum homônimo do supergrupo Metallica, mais conhecido como “The Black Album”, a ser lançado em setembro, se encontra esta pérola aí de baixo, lançada hoje. Um vídeo da banda tocando o hit “Wherever I May Roam” em 1993 em São Paulo, no velho estádio Palestra Itália, que deu lugar à moderna arena do Palmeiras (<3). Foi tirada de show do dia 2 de maio daquele ano. Essa "Wherever I May Roam" em particular vai fazer parte do DVD ""Wherever We May Roam", que vai juntar um monte de vídeos de faixas do disco aniversariante do Metallica tocadas ao vivo em diversas partes do mundo. A parte que nos cabe está aqui:

– Como se já não fosse polêmico por si só, o rapper, herr, polêmico Kanye West vai fazer uma “listening party” para fãs no estádio Soldier Field, em Chicago vendendo ingressos, aos moldes do que ele fez recentemente em Los Angeles, na Califórnia, para botar ouvidos em teste na audição de seu próximo disco, “Donda”, que ele avisa que não está totalmente pronto ainda. Está entendendo? Mas agora é que vem a polêmica mesmo: para os 38 mil pagantes que quiser ir lá no Soldier Field apenas ouvir o disco, dentro do cálculo que fazem, não vai ser pedido prova de vacinação nem atestado negativo para a covid-19. Kanye West, a gente sabe, tem uns posicionamentos políticos esquisitos, mas desta vez ele está respaldado por autoridades de Chicago, que afirmam que esta é praticamente metade da ocupação máxima do estádio, então “tudo bem”. Falam que desde o meio de junho Chicago está mostrando que a situação é controlada, mesmo que eles não afrouxam nos protocolos em todos os lugares de eventos na cidade. E que todo mundo, por lá, coopera com máscaras, higienização e distanciamentos. Há poucas semanas, Chicago abrigou o gigantesco Lollapalooza, festival que levou mais de 100 mil pessoas por dia ao Grant Park, sem máscara e distanciamento nenhum, por quatro dias de evento. Mas com exigência de vacina e teste de 72 horas, senão não entrava. O “resultado sanitário” foi bem bom, dentro do quadro: apenas 203 pessoas apresentaram contaminação para a covid nos dias seguintes ao Lolla. Vamos acompanhar.

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Porches solta linda música nova para lembrarmos do álbum que ele lançou e a pandemia escondeu

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* Eu tenho a impressão que alguns lançamentos em disco do começo da pandemia, principalmente em março, ficaram meio perdidos no ano, por tudo o que aconteceu com a humanidade, e foram rapidamente esquecidos no meio de tanta informação nova que fomos obrigados a assimilar no período da coisa mais doida que aconteceu nas nossas vidas, vamos colocar assim.

As razões são várias e não vamos aqui filosofar mais sobre elas, mas podemos lembrar rapidamente do magnífico disco da Fiona Apple, do finalmente bom álbum dos Strokes e o quarto trabalho do Porches.

Projeto do músico Aaron Maine, de Nova York, o Porches é uma das nossas bandas favoritas, no quesito indie-indie e tals. Mas não sabemos se o disco que ele lançou em março, o “Ricky Music”, é tão bom quanto os outros porque simplesmente ele foi apagado da memória por todos os acontecimentos, embora lembramos que ouvimos o álbum.

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Mas hoje fomos chamados para voltar a frequentar este “Ricky Music” de março novamente, porque o Porches lançou música nova, novo single, no mesmo ano do álbum. É a bela “I Miss That”, indiezinho suingado que traz o melhor que o Porches tem: sua voz única e fofa.

A estratégia é mesmo chamar atenção para o disco, ainda que a música seja inédita. Vamos atendê-lo, claro.

“I Miss That” tem uma letra bem apropriada a arrependimentos vários, então pode doer. “I couldn’t believe what I had / So I threw it away I was bad / Just thinking I liked that, I liked that, I liked that / I miss that, I miss that, now I miss that.”

O vídeo é daquelas obras livres bem alternativas. É o Porches comendo noodles, tocando guitarra em cima da cama, tomando banho numa fonte. O xis é que esse é um lyric vídeo dirigido pelo Dev Hynes, o Blood Orange. Então tudo acaba fazendo sentido.

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** A foto do Porches usada na home da Popload, na chamada para este post, é de Shawna Ferreira.

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Popload na França. Pitchfork Festival Paris, dia 2

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* Um encantamento recíproco marcou o início do segundo dia do Pitchfork Festival Paris, sexta, no Grande Halle de la Villette. Aaron Maine, figuraça alta (e loira, o da direita na foto acima) que lidera a delicada banda-projeto indie eletrônica Porches, de Nova York. O Porches, você que frequenta aqui sabe, é uma das nossas bandas novas prediletas.

“É minha segunda vez em Paris. Como tudo aqui é lindo. Como esse festival é lindo. Como vocês são lindos”, disse Maine no primeiro break de sua apresentação no evento francês, depois da terceira música da noite, de seu segundo álbum “Pool”, lançado neste ano, disco que se o indie americano considera como primeiro, o da “revelação” de uma das mais bonitas vozes atuais da música jovem, quem somos nós para discordar.

O público, em número muito bom dado o início da jornada de shows que iria acabar só sete horas depois, retribuia tal contentamento com aplausos efusivos e “uhus”. O porte e uma certa lembrança física de um Morrissey jovem e vozeirão de um Antony Hegarty (hoje Anohni, ex-Antony & The Johnsons e Hercules and Love Affair), Aaron Maine é uma dessas escolhas novas e bem curadas que definem o Pitchfork Festival Paris. Se nada interromper a trajetória do Porches, a partir de agora vamos vê-lo tocar em todos os outros festivais maiores.

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A delicadeza do Porches, deixada no Grande Halle, sobreviveu até ser completamente devastada pela maçaroca sonora experimental do grupo Explosions in the Sky (acima), veterano grupo de post-rock de Austin, Texas. Do alto de seus sete álbuns lançados, o Explosions in the Sky é cada vez melhor em construir suas narrativas sem vocais, baseadas em barulhos intensos, barulhos contidos, algum barulho e calmaria. A história quem vê o show cria a sua. Hipnótico.

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Conhecida do público indie, Natasha Khan, a moça (acima) que é dona da banda Bat for Lashes, entrou no palco de noiva. Noiva de vermelho. A fase em que ela se encontra é a do recém-lançado (julho) quarto álbum, “The Bride”, disco com história que liga suas canções em torno de amor e melancolia, solidão e tristeza, com o casamento (trágico) como pano de fundo. Já foi bem destacada aqui na Popload.

O som é indie pop mas a história das letras é punk. Vai do sonho do casamento com o amor ideal, o “Eu aceito” da igreja, a morte do noivo a caminho da cerimônia e a fuga da noiva para longe de seu lugar, para se resolver com a perda. Tudo embalado por boas canções pop. O show do P4k Paris não foi só isso, mas foi principalmente isso. E foi bom de ver.

Todd Terje And The Olsens au Pitchfork Festival, la Villette, Paris, le 28 octobre 2016

Todd Terje And The Olsens au Pitchfork Festival, la Villette, Paris, le 28 octobre 2016

Um dos nomes mais cultuados da música eletrônica hoje, o norueguês Todd Terje é outro que montou banda para dar uma certa vida a suas músicas, para além de um set de DJ. O som tropical de suas picapes pede um baterista e um percussionista ao vivo, para batucar em cima de sua eletrônica fina, de alta cultura. E a simbiose com o público que quer dançar ao mesmo tempo que vê uma apresentação de banda é perfeita. Pelo menos sexta-feira, no Pitchfork Festival, foi.

E eu paguei uma dívida pessoal com ele. No ano passado, Todd Terje se apresentou no Popload Festival. Escalação supercomemorada por mim. Mas aconteceu que o Iggy Pop não me deixou ver mais que 15 minutos de sua apresentação. Quites, Terje?

** A foto de Natasha Khan (Bat for Lashes) deste post é de Kimberley Ross. A do Todd Terje, de Lisa Olsen, tirada do Soundofbrit.fr

**** A Popload viaja pela Europa à convite da Air France.

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