Em priya ragu:

Top 10 Gringo – A suíça Priya Ragu pede seu espaço e vai ao topo. Nilüfer Yanya vai morar no nosso ranking em 2022. E o grande Stromae completa o nosso pódio diverso

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* Nesta semana temos alguns artistas que são figurinhas sempre presentes por aqui (além das novidades, lógico). Os gringos estão bombando na new music, caramba. Superálbuns lançados, singles fortes, comebacks inesperados. Nem vamos adiantar muito porque desta vez alguns comentários perigaram virar textos. Vamos a eles? Sempre lembrando que o que pega aqui é a nossa playlist, quentíssima.

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1 – Priya Ragu – “Illuminous”
A gente já contou um pouquinho por aqui a história da Priya Ragu. Vale resumir: da Suíça e filha de pais de um casal do Sri Lanka, ela começou a carreira um tanto quanto tardiamente para os padrões, aos 30 anos. Seu disco do ano passado, “damnshestamil”, é um arraso, teve bom alcance, mas merecia bem mais. Quem sabe esta é a hora com este poderoso single. “Illuminous” fala justamente sobre encontrar aquilo que te faz se sentir parte do mundo, a luz que você é capaz de irradiar. Priya conta que encontrou a sua e essa canção vem justamente para motivar todos a fazer o mesmo.

2 – Nilüfer Yanya – “chase me”
A gente escreveu e escreveu e escreveu sobre a expectativa por “Painless”, novo álbum da inglesa Nilüfer Yanya. E, agora que saiu, é só curtição. Se semana passada a gente ficou de cara com “the dealer”, que segue sendo nossa predileta da hora, agora vamos com “chase me” e sua combinação irresistível de batida eletrônica superdistorcida com uma guitarra limpa supernoventista. Música super.

3 – Stromae – “L’enfer”
Sem lançar nada desde 2013 em termos de álbum, a última vez (e talvez a primeira, não temos certeza) que a gente falou do belga Stromae foi em 2015. Daí nossa surpresa em ver que ele voltou à cena com um disco que anda colecionando resenhas elogiosas. “Multitude”, nas palavras do “NME”, dispensa que você manje algo de francês para se emocionar com a música. Real. O papo é que “L’enfer” é uma descrição nada leve sobre lidar com questões de saúde mental que trazem um dor profunda difícil de entender. Se ainda não ligou o nome a pessoa, manja o hit “Alors on Danse”? É dele, pesquisa aí.

4 – Kojey Radical – “Together”
Kojey Radical é um jovem do hip-hop britânico que é um dos muitos casos de artistas que iam bombar em 2020 não fosse a pandemia, avaliou uma matéria do “Guardian” sobre ele. Se em 2020 não rolou, agora é a hora, avaliação nossa, no caso. Após alguns EPs, que já tinham um fôlego de rap, ele chega pesado em seu primeiro álbum, “Reason to Smile”. A produção é multifacetada, entre o R&B e o grime. Boas músicas, flows, arte da capa, refrões espertos, harmonias vocais, interlúdios. É a receita do bom álbum de rap, não?

5 – Wombo – “Below the House”
Esse trio do Kentucky é bem do esquisito. Ainda que seja basicamente guitarra, baixo e bateria, eles fazem uma festa que soa como se uma banda de jazz tentasse tocar punk rock ou pós-punk. Não dá para ser ruim isso. E o vocal é de uma doçura pop. Mistura interessante. Acabamos de descobrir eles por esse single, estamos dando uma sacada mais oficial no álbum mais recente deles, de 2020, e voltaremos com mais informações. É a típica banda que “ninguém” escutou ainda. E a levada Radiohead do Kentucky é uma pura coincidência.

6 – Florence and The Machine – “Heaven Is Here”
A gente comentou por aqui semana passada que “King”, primeiro single do novo álbum da Florence, tinha uma vibe crua nova e muito boa. Essa pegada continua a aparecer na curtíssima “Heaven Is Here”, que tem o jeitão de um interlúdio, talvez. Estamos ficando empolgados para esse próximo disco, Florence…

7 – Charli XCX – “Baby”
Mais um single da Charli para seu disco que sai logo mais. “CRASH”, o álbum, está previsto para o dia 18 deste mês. Em uma entrevista, Charli explicou que esse som é sua música mais sexy, em um papo sobre ter confiança e sentir bem na cama… ou, sendo mais fiel a letra da música, no chão, na cozinha…

8 – Kae Tempest – “No Prizes” (com Lianne La Havas)
No terceiro single de que adianta seu novo álbum, “The Line Is a Curve”, Kae Tempest, rapper e poeta da Inglaterra, chega a la Mano Brown, com a habilidade de reunir três personagens em histórias paralelas na mesma música. Em comum, a habilidade desses personagens em seguir em frente. Kae Tempest é f*da!

9 – Charlotte Adigéry & Bolis Pupul – “Making Sense Stop”
E mais uma vez por território belga, é deliciosa a produção do duo Charlotte Adigéry & Bolis Pupul e sua capacidade de produzir vários cenários em uma mesma música. E só ver o passeio que é “Making Sense Stop”, um aceno bonito a David Byrne. Também consta no cardápio da dupla bom humor, ironia, acidez, crítica e um gostoso inglês afrancesado. Não fogem de temas como racismo e apropriação cultural, pelo contrário. É aquela ideia, ainda que lutem contra, de que a pista de dança é sempre espaço de resistência – festa tem sempre algo de revolução. Se não tiver, é só entretenimento e consumo.

10 – Red Hot Chili Peppers – “Poster Child”
Agora que a presença do Frusciante novamente na guitarra não é mais tão novidade assim, pesou um pouco que esse segundo single do próximo álbum dos Chili Peppers parece ser meio qualquer nota, um filme repetido e coisa e tal. Tudo bem, algumas audições seguidas melhoraram seu status, mas acendeu um alerta aqui de que a chegada do Frusciante não sacudiu tanto as estruturas da banda quanto poderíamos imaginar a partir da primeira mostra dada. Enfirm, esperemos.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora suíça Priya Ragu.
** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 10 Gringo – Em semana com novas e “novas” de Radiohead, Drake, Lady Gaga e Abba, a Little Simz brilha em primeiro

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* Nesta semana podemos falar (repetir!!!) que o Top 10 Gringo traz um forte competidor para melhor álbum do ano. Estamos falando da rapper inglesa Little Simz. Ela não faz o mesmo barulho de um Drake ou Kanye West, mas, senhoras e senhores, ela dá uma aula aqui. E poderia ter fácil levado nas dez colocações, porque seu álbum, “Sometimes I Might Be Introvert”, lançado sexta passada, tem música para tanto – você notou que ao longo do ano a gente foi premiando single a single dela? Seria justo. Mas a semana teve peso pesados na área de lançamento, como os colossais Drake, Radiohead e Abba. Então a gente quis dar chance para eles também, vai. Para dar mais colorido à playlist caprichada que você já conhece, a que acompanha semanalmente este ranking não menos caprichado.

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1 – Little Simz – “Point and Kill (feat. Obongjayar)”
Disco de rap que tem mais de uma hora e só dá ideia certa em 2021? Não é aquele que você está pensando, provavelmente. Nem esse outro aí. O mérito é de Little Simz. Que álbum, gente. Tudo funciona aqui em “Sometimes I Might Be Introvert”, das letras da “pequena” Simz, que citam até uma passagem gastronômica em São Paulo, um oferecimento (cóf.) da Popload que trouxe ela para a cidade, até as produções inventivas sonoramente – com cordas bonitas, batidas de classe e maravilhosos backing vocals. Um disco que merece repetidas audições dada o número de camadas e faixas, são 19. Já viu o vídeo desta “Point and Kill”, novíssimo?

2 – Radiohead – “If You Say the Word”
Vem aí a reedição dos clássicos “Kid A” e “Amnesiac”, irmãos-gêmeos que vão ser relançados juntos com um disco de material inédito. É Radiohead, né? A gente não sabe dizer como eles não tiveram coragem de lançar uma música tão boa por tanto tempo, como esta que a gente destaca aqui. Esses não sofrem com ansiedade mesmo.

3 – Drake – “Way 2 Sexy (feat. Future and Young Thug)”
Esperta a sacada do canadense Drake de reaproveitar o velho hit “I’m Too Sexy”, do Right Said Fred, nessa parceria com Future & Young Thug. Ficou com a melodia e atualizou a letra de um jeito esperto. A música é o hit de cara do polêmico “Certified Lover Boy”.

4 – Amyl and The Sniffers – “Hertz”
É sempre impressionante a energia que esses australianos puxados pela espoleta Amy Taylor conseguem colocar em cada som. “Hertz” é uma música para sair pulando sem nem entender muito bem o que está rolando. Tanto que essa é basicamente a energia de parte do vídeo que ilustra a canção. E, note, a música tem ainda um solo de guitarra que presta em 2021. Não é pouca coisa.

5 – Lady Gaga – “Fun Tonight (Pabllo Vittar Remix)
A gente avisou que a Pabllo ia levar o Brasil para o mundo ao inventar algo nosso dentro do hyperpop. Não deu outra: a diva Lady Gaga quis um pouco de forró no seu álbum de remixes. Arrebentaram, todos os envolvidos.

6 – ABBA – “I Still Have Faith in You”
Muito louca a ideia de que o ABBA vai voltar a fazer shows com avatares. Parece obra de ficção científica, mas é isso. Enxergando a nova ordem mundial para uma banda deste naipe. O quarteto vai voltar, membros originais, shows presenciais, mas eles mesmo vão colar só virtualmente. Bom é que lançaram duas músicas inéditas que provam que eles ainda estão de fato na pista. Dois musicões que animaram até o mestre John Carpenter.

7 – Baby Queen – “Raw Thoughts”
Baby Queen é o nome artístico de Arabella Latham, uma menina da África do Sul que tentou a sorte com música na Inglaterra por anos e ficou a ver navios. Desempregada na pandemia, ela que trabalhava na Rough Trade começou a soltar seu novo material na boa e desta vez parece que está rolando. Single a single ela foi bombando mais e mais. Falam que agora até a Courtney Love é amiga dela. É um pop indie de qualidade que funciona bem. Ainda não sabemos como “Raw Thoughts” não estourou para valer. Mas não vai ser surpresa se ela subir de liga.

8 – Priya Ragu -“Good Love 2.0”
E da Suíça vem Priya Ragu. Filha de pais de um casal do Sri Lanka, a menina também arrepia em um pop extremamente bom. É dos melhores R&B do ano. Justin Timberlake pagaria muitos dólares para este som ser dele. E, tipo, mais uma artista recém-desempregada, já que tem poucos meses que ela largou o trabalho “normal” para se dedicar à música. E, detalhe, ela começa sua carreira já aos 30 e poucos anos. Para perseguir seu sonho. Admiramos.

9 – Johnny Marr – “Spirit Power and Soul”
Aqui o guitarrista lenda-viva do Smiths entra numa onda de fazer um electrosoul. E esta onda é muito boa, como geralmente é onde ele encosta a mão. Fãs do seu lado mais roqueiro não precisam nem ensaiar uma cara feia nesta pegada levemente mais eletrônica do homem. A guitarrinha marcante dele está ali.

10 – Suuns – “Clarity”
Mais um representante do Canadá. No caso, uma banda de art-punk, cabeçuda e que está por aí há um década fazendo seu barulhinho. É bem interessante o trampo novo do trio. Experimentação gostosinha de escutar. É estranho e superpop ao mesmo tempo, pelo menos na nossa cabeça.

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* A imagem que ilustra este post é da rapper inglesa Little Simz.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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