Em punk:

(Quase) Ninguém Conhece (Ainda) – parte #5. Banda de hoje: BIG JOANIE

>>

Big-Joanie

BIG JOANIE em foto de Ellie Smith

Vá ouvir agora: Big Joanie

Em um mundo onde todo mundo opina e faz sua própria curadoria é bom termos alguns curadores de conteúdo de confiança. Se o assunto é música, você deve confiar no Iggy Pop e no que ele toca em seu programa de rádio para a BBC Radio 6.

Então, foi muito legal quando descobrimos uma paixão em comum com o (nosso) mestre! Estamos falando da banda inglesa Big Joanie, que há um tempo já rola na nossa playlist “(Quase) ninguém conhece (ainda)” e que rola direto no programa do Iggy.

Como toda banda esperta, é delas a melhor definição do próprio som: “The Ronettes filtrado através do DIY dos anos 80 e do riot grrrl com uma pitada de dashikis”, a camiseta colorida do oeste africano que virou símbolo de resistência para os afro americanos. Em suas influências também citam Nirvana, Breeders e um tal de Jesus and Mary Chain, já ouviram falar?

Big-Joanie-3

Apesar de Stephanie Phillips, Estella Adeyeri e Chardine Taylor-Stone estarem por aí desde 2013, foi no ano passado que elas começaram a chamar mais atenção com seu primeiro disco, ‘Sistahs’, que saiu pelo selo independente The Daydream Library Series, que tem entre os donos Thurston Moore, eterno Sonic Youth.

Vale muito ouvir o álbum e dar uma olhada nos vídeos delas ao vivo. São apresentações que ganham intensidade por as três tocarem próximas uma das outras, já que a bateria não fica atrás do palco, mas na linha de frente junto com o baixo e bateria. Escolhemos este pocket show para a rádio KEXP para ilustrar (atenção especial à música “Used to Be Friends”, uma das nossas preferidas, que entra no 05:55):

Também vale prestar atenção ao que elas falam e fazem foram do palco. A baterista Chardine Taylor Stone, por exemplo, tem projetos sociais de inclusão para mulheres negras e de combate ao racismo dentro da comunidade LGBTQ+, além de sempre compartilhar reflexões importantes sobre suas experiências, como o machismo que encontram do próprio público ou sobre a dificuldade de serem reconhecidas como artistas com influência punk. “Eles vêem três mulheres negras no palco e acham que estamos fazendo R&B”, contou em uma entrevista para a Notion.

Em abril, Big Joanie abriu para a banda clássica americana Bikini Kill, representante do punk-rock anos 90 e liderada por Kathleen Hanna. Neste mês, vão sair em turnê pela Europa com a Beth Ditto e seu Gossip! Go Girrrls!

Abaixo, o disco Sistahs, lançado em dezembro:

Quer ouvir outras bandas que (quase) ninguém conhece (ainda)? Acompanhe a nossa playlist!

>>

Incrível, mas o punk não só não morreu como está de volta: as novas do Distillers e do Slaves. Bônus: Vampire Weekend recente e ao vivo tocando “A-Punk”

>>

* Há pouco tempo, tipo duas semanas atrás, aconteceu na Inglaterra o novo festival queridinho britânico, o End of the Road, que costuma ser um evento indie-folk. Ou costumava. Empolgados com a “volta suja” do Fat White Family e a volta não-tão suja mas empolgante (acredite) do Vampire Weekend, todos os lugares que eu li sobre o festival comemoravam que… o PUNK NÃO ESTÁ MORTO, inclusive endossados pela “NME” (sempre ela, ainda ela).

Olha, acho que não está mesmo, dado que a incrível banda americana Distillers, banda da não menos incrível Brody Dalle, a senhora Josh QOTSA Homme, lançou uma música nova, com um vídeo de “remembers”, dando pinta de que de repente vai sair álbum novo, depois de 15 anos.

No começo do ano, Dalle cansou um pouco dos serviços domésticos e avisou que a banda ia voltar. Em abril, fizeram na Califórnia o primeiro show em mais de 13 anos.

No simbólico 11 de setembro, anteontem, ela revelou essa “Man Vs Magnet”, primeiro single inédito em blablablá. A música vem acompanhada de um vídeo oficial, já citado.

Captura de Tela 2018-09-13 às 12.45.33 PM

No paralelo, o lindo duo punk bizarro Slaves, ainda colhendo os louros do lançamento do terceiro disco, o bonzão “Acts of Fear and Love”, que saiu não tem um mês, anda fazendo barulho com a aparição, também nesta semana, nos estúdios da BBC londrina, para uma session.

Tocaram “Chokehold”, segundo single do novo álbum, e uma cover de “Everybody Wants to Be Famous”, da (ainda) bandinha hype Superorganism, bem mais nova que o próprio Slaves.

Bom, já que o punk não morreu, vamos a ele. Distillers novo e Slaves novo e além. E um bônus do Vampire Weekend tocando uma certa música no festival australiano Splendour in the Grass, na Austrália, há um mês: “A-Punk”

>>

Popload na França – Parquet Courts velvetiza Strasbourg e Paris está punk

>>

POPLOADEMPARIS1

* Para manter minha tradição, toda vez que chego em outro pais eu corro para comprar jornais e revistas locais. No caso de uma boa banca francesa, as revistas de música são várias. Catei três. Duas delas, traz PUNK como tema.

IMG_3355

A “Rolling Stone” francesa soltou uma edição para colecionador com um especial dos 40 anos do movimento que botou umas tachinhas e alfinetes e rasgou a roupa colorida do rock. Tem uma história densa e gostosa sobre o Clash, uma das maiores bandas punks de todos os tempos, uma das cinco melhores da minha vida e que vai estar por todos os filmogramas de “London Town”, em cartaz em NYC, LA e Londres desde o começo deste mês.

A “RS” botou o disco do grupo americano Ramones, homônimo, como o maior disco de todos os tempos. O do Clash, homônimo, vem em segundo. O álbum que quebrou tudo, “Never Mind the Bollocks”, dos Sex Pistols, chegou em terceiro na “Rolling Stone”. A música mais importante do punk, para a revista? “New Rose/Help”, do grupo britânico The Damned.

Já a Rock & Folk nova fecha no punk feito na França mesmo. De 1976 até hoje. Reuniu uns caras e fez uma matéria “oral”, sobre o que aconteceu no país e o que acontece agora em termos punks. Acaba de sair um disco também, aqui na França, sobre o tema: “Les Punks: The French Connection”. Acho que vou comprar.

** A melhor revista musical francesa, talvez uma das duas melhores do planeta, a francesa “Les Inrockuptibles” vem com capa dupla para homenagear dois baluartes do rock: Dylan com seu Nobel de Liberatura e Leonard Cohen com sua única entrevista e sobre seu último (mesmo) disco. Comprei a do senhor Leo. Vou dar uma sapeada na entrevista e retorno ao assunto, porque ele deve ter muito a dizer.

IMG_3443

** PARQUET COURTS EM STRASBOURG – Levei um susto enorme ontem, na chegada a Strasbourg, duas horinhas de TGV de Paris. Assim que me instalei num hotel e recebia as instruções certinhas sobre qual vinho tomar na região, de qual uva etc., fui ao site do La Laiterie (mais tarde, o motorista do Uber soltou uma pronúncia dessa casa de shows que nem em cinco anos estudando na Sorbonne me faria repetir igual). Queria saber exatamente qual era o horário de entrada no palco da banda indie-punk do Brooklyn com cheirinho de Austin Parquet Courts, um dos grupos “novos” de que mais gosto neste planeta.

Assim que acessei o site, veio a info do show do… New Model Army no lugar. Glup! Não que eu já não tenha gostado bastante destes ingleses post-punk, que fizeram tanto sucesso nos anos 80 que até hoje “rádios rock” do Brasil tocam uma de suas músicas.

É que o Laiterie é um espaço de shows com dois palcos distintos: o Clube, e a Grande Sala. O Parquet Courts tocou no primeiro, para tipo 400 pessoas. No mesmo horário, para públicos diferentes, no outro salão maior (800) estava se apresentando a veteraníssima banda inglesa New Model Army. Tentei até ver se eu conseguia ver uma parte do NMA, mas não rolou.

PC, folha

Definitivamente, no Clube, escurão e com excelente som, o Parquet Courts mostrou que caminha fora da curva dentro da música independente. Isso fica muito claro ao ouvir a banda, seja em disco ou mesmo na performance ao vivo, como foi a de ontem à noite no La Laiterie.

“Queria avisar, para quem pode ter se confundido, que nós somos o Parquet Courts. O New Model Army está tocando aqui ao lado. Ainda há tempo para ir até lá”, avisou, com tom de brincadeira, o guitarrista Austin Brown. “Somos de épocas diferentes, embora sejamos parecidos fisicamente.”
A piada de Brown pode ter lá sua graça, mas entrega também uma verdade. Com cinco anos de estrada, o Parquet Courts parece veteranos em ação. Principalmente ao vivo.

Se o grupo fosse dos anos 60, por exemplo, certamente seria tido como “transgressor”, numa linha Velvet Underground de ser. Com cinco discos lançados, dois EPs, às vezes com um nome diferente e outros projetos, às vezes dois álbuns no mesmo ano, o Parquet Courts tem a premissa, parece, de botar barulho onde não cabe barulho. De acalmar tudo quando o que sua audiência mais quer é pular e gritar junto. Mas hoje não é tão fácil ser, exatamente, um “transgressor”…

Seu outro guitarrista, Andrew Savage, faz um excelente duelo de guitarras com Brown, que desde os Strokes, no começo da década passada (e uma vez que a figura de Alex Turner como coronel sublimou totalmente o outro guitarrista do Arctic Monkeys).

O duelo se dá também na voz, porque tanto Andrew quanto Austin cantam, cada qual sua parte do show, ambos também ótimos no vocal. Parecem bandas diferentes, quando um ou outro assume o microfone. São dois grandes shows ao preço de um.

A abertura que a internet causou, no caso particular da música independente, possibilita que uma banda nova e alternativa americana da “altura” do Parquet Courts, com divulgação bem relativa em rádios e nada em televisão, tenha fieis seguidores até no interior da França. A gritaria para a banda voltar para o bis foi empolgante. Mas eles não voltaram.

Talvez o Parquet Courts tivesse que descansar para viajar a Paris e tocar no fim de tarde desta quinta-feira no Pitchfork Festival, festival mais voltado para a vanguarda eletrônica sem jamais deixar as novas tendências do indie rock de fora.

E, neste papel vanguarda/novas tendências, nada mais apropriado hoje do que escalar o Parquet Courts.

Veja três vídeos lindos da performance do Parquet Courts ontem, em Strasburgo. E o setlist do show.

IMG_3408

**** A Popload viaja a Europa a convite da companhia aérea Air France.

>>

O Nirvana, os Ramones e a morte do punk

>>

* Não é bem isso, mas é mais ou menos isso.

Pegando carona nessa “polêmica” atual que agitou a semana, sobre as camisetas dos Ramones no dia do rock do Rock in Rio 2013 (* ver a internet brasileira…), e tendo em vista ainda a história BI-ZA-RR-A da senhora que comprou três camisetas do Nirvana pra ela, pra irmã e pra MÃE porque achou que o smiley zoado que é símbolo da banda passava uma “mensagem positiva” (publicada aqui na Popload anteontem), vou de encontro a um post muito ilustrativo do genial Buzzfeed também de ontem, cujo título é “23 evidências de que o punk está morto hoje”.

Você sabe, o Nirvana liderou uma movimentação no final dos 80, começo dos 90 que juntou uma horda suja de bandas barulhentas de punk, hardcore, heavy metal e a mistura de tudo e botou nos lares das famílias americanas, britânicas, brasileiras, mundial. Era a gritaria de Cobain arrebentando com o muro que separava o som alternativo do mainstream. A tal última grande revolução do rock, na qual foram lá o Nirvana e companhia bela aparecer na TV normal, nas rádios normais, nos jornais normais, nas revistas normais. 1991, quando o disco “Nevermind” foi lançado, e por outros motivos conjuntos, ficou conhecido como “The Year That Punk Broke”.

Mas, desde então, por conta disso, a concepção do que era alternativo, independente, ficou meio atrapalhada.

Eis que chegamos a 2013, às camisetas do Ramones no Rock in Rio e à senhora com camisetas do “alto astral” do Nirvana. E ao post do Buzzfeed sobre as evidências de o punk estar mortinho. Através de fotos, algumas destacadas abaixo, tipo…

1. A almofada à la Ramones do One Direction:

2. O treta John Lydon, do Sex Pistols, fazendo comercial de… margarina

3. O lendário CBGB virando loja do John Varvatos, onde uma jaqueta de couro custa até 2.500 dólares

4. Camiseta do Ramones tendência, combinando com outras peças de roupa no corpinho da Fergie

5. A queridinha pop coxinha da meninada com visual punk

6. O One Direction é o novo punk, pelo visto

7. Camiseta do Minor Threat (do Minor Threat!!!!) vendendo na Urban Outfitters

8. Punk tendência na sofisticada e luxuosa Bloomingdale, pensa

9. A camisa que indica o Mickey Mouse como substituto do Ian Curtis no Joy Division. Ou mais ou menos isso

>>