Em qotsa:

Me abraça, Josh Homme. Queens of the Stone Age aparece incrível e intimista na BBC

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Certamente um dos melhores programas da TV inglesa, o tradicional “Later… With Jools Holland” recebeu na edição desta semana, que foi ao ar na noite passada, convidados especialíssimos incluindo Morrissey, National (ambos assuntos para outro post), além do incrível Queens of the Stone Age, que fez mais uma performance fora do comum, em versão intimista.

Sem guitarras, com apenas Josh Homme acompanhado do colega Dean Fertita ao piano e um quarteto de cordas, pintou uma belíssima versão de “Villains Of Circumstance”. Apresentação quase dramática e com ares de James Bond. dá para dizer.

A canção faz parte de “Villains”, sétimo disco da banda norte-americana, que vai fazer o QOTSA rodar o mundo, com uma parada inclusive no Brasil em fevereiro do ano que vem, junto com o Foo Fighters, para cinco shows, papo adiantado neste site.

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Popload Entrevista: Nick Oliveri, o incontrolável

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* Nick Oliveri, Queens of the Stone Age, stoner, Kyuss, demissão, Uncontrollable, Kyuss Lives, Vista Chino, Mondo Generator, peladaço no Rio em 2001. Tudo isso está contemplado na entrevista que o poploader Fernando Scoczynski Filho fez com o famoso roqueiro careca e barbudo e algumas vezes praticante do nudismo nos palcos. Oliveri lança disco com seu mais novo projeto, Nick Oliveri’s Uncontrollable, agora no dia 28 de outubro, terça da semana que vem, nos EUA. E faz show de abertura no Halloween para o Queens of the Stone Age, para o qual deve ser convidado para subir ao palco e cantar com o amigo ex-amigo Josh Homme. E tudo o que Oliveri tem para falar sobre isso é o seguinte:

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Por Fernando Scoczynski Filho
(esta entrevista saiu também, em inglês, no site Antiquiet)

Nick Oliveri, ex-baixista do Queens of the Stone Age, está na melhor fase de sua carreira desde que saiu da banda. Demitido do QOTSA em 2004, ele passou quase uma década sem passar perto do grupo liderado por Josh Homme, até que, no ano passado, foi convidado a participar do mais recente disco deles, “…Like Clockwork”, onde fez backing vocal em uma faixa.

Além disso, Josh Homme apareceu numa canção da banda principal de Nick Oliveri hoje, o Mondo Generator, também ano passado.

Para não deixar dúvida de que os dois fizeram as pazes, Nick foi convidado a cantar uma música com o QOTSA ao vivo, em Portland, e vai participar do show de encerramento da turnê deles, no Halloween, agora no fim do mês.

Prestes a lançar o disco “Leave Me Alone”, que será lançado semana que vem nos EUA, com seu novo projeto Nick Oliveri’s Uncontrollable, conversamos com o baixista/vocalista sobre seus trabalhos atuais, o tempo no QOTSA, e que fim levou a lendária banda Kyuss, que voltou com o nome Kyuss Lives (e depois virou Vista Chino).

Popload – Como você está? Está num intervalo entre turnês agora?
Nick Oliveri –
Sim, estou num intervalo curto. Logo vou sair em turnê com o BL’AST de novo, onde toco com o [ex-baterista do QOTSA] Joey Castillo. Também tenho minha nova banda, o Uncontrollable, e nosso primeiro disco, “Leave Me Alone”, sai no fim do mês. Vamos abrir para o Queens of the Stone Age no último show da turnê deles, no Halloween, vai ser ótimo.

Popload – Eu me surpreendi com o “Leave Me Alone”. É pesado, mas diferente do que você faz com sua outra banda, o Mondo Generator. Por que você escolheu fazer uma banda nova?
Oliveri –
Obrigado, eu trabalhei duro nele. Foi a primeira vez que toquei bateria num disco, e meio que escrevi as músicas na bateria, para depois adicionar as partes de guitarra. Acabou soando exatamente como eu queria. O motivo de eu usar uma banda diferente é que um dos membros do Mondo Generator recentemente teve um filho, e estava indisponível por um tempo. Eu quis manter minha lealdade à banda, seria injusto lançar um disco do Mondo sem os integrantes dela. Mas também vou tocar músicas das duas bandas ao vivo, especialmente porque o último disco do Mondo [“Hell Comes to Your Heart”], eu lancei ele por conta própria, então muita gente nem chegou a ouvir aquelas músicas.

Popload – E quanto aos discos antigos do Mondo Generator que já estão fora de tiragem, há algum plano de relançá-los?
Oliveri –
Alguém na Europa me sugeriu lançar um box set com os discos antigos do Mondo, eu fiquei lisonjeado com a ideia. A maioria daqueles discos é bem difícil de achar, especialmente Dead Planet (2006), que ficou disponível por cerca de um mês até eu ter uma briga com a gravadora. Então o disco nunca viu a luz do dia tanto quanto deveria. “Cocaine Rodeo” (2000) e “A Drug Problem That Never Existed” (2003) também estão fora de catálogo há muito tempo. Ainda tenho alguns discos de vinil lacrados em casa, provavelmente vou disponibilizá-los no site da banda. Gostaria que esses discos chegassem às pessoas. Nunca imaginei Mondo Generator como o tipo de banda que lança box sets, mas a ideia parece ser legal, seria bom ter algo assim. Seria melhor ainda sair em turnê com um trabalho novo para acompanhar o box set.

Popload – Se você procurar por alguns desses discos no eBay, vai encontrá-los por valores bem elevados.
Oliveri –
Sim, eu já vi isso algumas vezes, e Wow! É legal, mas também não é. Às vezes eu gasto um pouco demais com algum vinil, mas nunca imaginei o Mondo Generator como o tipo de banda onde você tem que pagar $100 por um disco. É uma coisa colecionável, legal, mas eu preferiria ter isso disponível a um preço decente. Ao mesmo tempo, eu sou colecionador, então gosto e não gosto desse tipo de coisa acontecendo.

Popload – Tem uma faixa no seu disco com o Uncontrollable chamada “Robot Man”. Ela trata do seu incidente com a polícia alguns anos atrás?
Oliveri –
Sim, eu fiz essa música para o Departamento de Polícia de Hollywood, e pretendo entregá-la para os policiais lá. Um robô da SWAT arrombou minha casa, então eu escrevi “Robot Man”. [risos] Na verdade, quando eu fui preso, os policiais foram legais comigos, realmente preocupados com o meu bem-estar lá. Espero que eles escutem a música. Ela é meio esquisita, mas Phil Campbell [guitarrista do Motörhead] toca nela, e isso faz da música algo muito especial, especialmente durante o solo.

Popload – A sua opinião sobre a polícia mudou depois desse incidente?
Oliveri –
Não necessariamente. Eu ainda acredito que a minha casa não é um lugar para a polícia estar. Já tive casos onde policiais me paravam para me multar. Às vezes eram completos idiotas, outras não. Não posso falar algo tipo “Todos os policiais são babacas”. Eu sou contra coisas que eles representam, mas não posso dizer que são pessoas ruins. Não vou tomar café com donuts com eles, se é isso que você quer dizer [risos].

Popload – Já que sou brasileiro, sinto que é necessário mencionar algo sobre aquela vez que você tocou nu no Rock In Rio, em 2001, e foi preso logo em seguida.
Oliveri –
Eu imaginava que o Brasil seria o único lugar no mundo que iria receber aquela atitude bem. Eu não estava fazendo algo sexual, era mais uma celebração, tinha a ver com liberdade. Quando aconteceu, claro que eu fiquei assustado. Eu não quero aprender português de um cara atrás de mim na prisão, sabe? [risos] Eu achava que estava ferrado, mas tive a chance falar com um juiz que estava lá, e ele foi simpático. Ele disse que ficou ofendido pela filha adolescente dele que estava no festival, e eu nem tinha pensado por esse lado na época. Queens of the Stone Age era uma banda que queria que as pessoas se divertissem, fazendo o que bem entendessem, desde que ninguém se machucasse. Nos Estados Unidos, a nudez é um tabu enorme; no Brasil, um auxiliar de produção nos disse: “Claro que você pode tocar nu, vai dar tudo certo!” E é óbvio que não deu! Mas mesmo assim, foi um show interessante. A plateia não queria o QOTSA naquele palco, porque era o dia do metal, e não éramos uma banda de metal. Tocamos no mesmo dia que Rob Halford, Sepultura e Iron Maiden. E, não me leve a mal, era um lineup incrível de se estar, eu não mudaria nada nele. Mas a galera na grade queria nos matar. Eu passei uma semana no Rio de Janeiro, e foi uma das coisas mais incríveis que já fiz.

Popload – Meu vídeo favorito de você com o QOTSA é do Hurricane Festival, na Alemanha, em 2001. Na música “Tension Head”, tem tanta nudez aparente que o vídeo nunca fica no YouTube por muito tempo. [Assista ao vídeo aqui.]
Oliveri –
É mesmo? Bem, desculpa [risos]. Quando eu era mais jovem, eu podia fazer aquilo, mas agora que estou mais velho, arrisca de eu parecer um velho exibindo minhas… ferramentas. Com 20 e poucos, 30 e poucos anos, tudo bem, vamos lá tocar nus. Mas, depois dos 40, eu só quero me divertir no palco. Não planejo jamais tocar nu de novo, mas sei que haverá algum momento em que serei burro o suficiente pra tentar de novo.

Popload – E como foi cantar na música “If I Had a Tail”, do último disco do QOTSA, “…Like Clockwork”?
Oliveri –
Aquilo foi um pouco estranho. Eu fui no estúdio para cantar na faixa, a convite do Josh, e achei que teria alguma parte específica, algo facilmente identificável para quem ouvisse. Estou orgulhoso de ter participado do disco, e fico feliz de trabalhar novamente com o Josh, mas ele foi bem cuidadoso com a produção, sem influências externas. É diferente do que eu fiz com o Josh no meu disco, na faixa “The Last Train”, onde ele ouviu uma parte diferente na cabeça dele, e convidei-o para gravar o que ouviu. Eu gosto das sugestões de outras pessoas em músicas, elas se tornam melhores com isso, adicionando interpretações diferentes. Eu gosto de ter um convidado num disco quando você realmente sabe o que ele está cantando. Mas o Josh evoluiu muito como produtor, e eu não estou acima de ser produzido. E, afinal de contas, o disco é dele.

Popload – Você ouviu os últimos três discos do Queens?
Oliveri –
Eu tenho todos eles. O primeiro, “Lullabies to Paralyze” (2005), eu ouvi mas não encostei nele de novo, porque estava um pouco amargo quanto a minha saída da banda. Você não quer que uma banda de que fazia parte fracasse, mas também dói ver eles prosseguindo sem você. Mas também não escuto os discos antigos que eu gravei com o Queens, porque isso traz muitos sentimentos, bons e ruins. Alguma hora ainda preciso ouvir os últimos três discos direito.

Popload – Recentemente, você cantou “You Think I Ain’t Worth a Dollar, But I Feel Like a Millionaire” com o QOTSA, em Portland. Isso foi algo que vocês ensaiaram, ou só algo que rolou no momento?
Oliveri –
Nós só fomos lá e tocamos, sem ensaio. Josh queria que o Moistboyz [banda de Dean Ween, com Nick Oliveri no baixo] abrisse para o Queens, então fizemos isso, e ele me convidou para cantar “Millionaire”. E foi incrível, fantástico, eu fiquei muito feliz de cantar. Acho que ainda faremos um ensaio antes do show especial de Halloween, no Forum [em Los Angeles], mas naquele em Portland eu só cantei uma música.

Popload – Isso significa que você cantará mais do que uma música com o QOTSA, no show de Halloween?
Oliveri –
É… eu não posso dizer [risos]. Eu tenho… eu não posso dizer.

Popload – Você mencionou em outras entrevistas que talvez cantasse umas quatro músicas com eles. Presumo que você cantaria “Millionaire”, claro, depois “Auto Pilot”, “Tension Head”, e talvez mais alguma outra.
Oliveri –
[Risos] Bem, sabe, se eu fosse tocar lá, imagino que algumas dessas músicas seriam tocadas, só vou dizer isso. Eu não sei o quanto eu posso falar agora. Independente do que acontecer, será divertido.

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Popload – Dois anos atrás você mencionou que estava saindo da banda Kyuss Lives [reunião do grupo clássico Kyuss, que retornou sem Josh Homme na guitarra]. Ao mesmo tempo, Josh estava processando a banda pelo controle do nome dela…
Oliveri –
Aquilo foi uma situação horrível. Quando um processo acontece, na maioria dos casos, é uma garantia de que uma banda nunca vai consertar seus problemas, ou tocar de novo. Eu acho que é uma pena, porque o Kyuss, uma coisa lendária, passa a ser algo que você só pode ouvir em disco. Eu amo aqueles álbuns, e me sinto orgulhoso de ter participado deles, mas eu acho que é uma banda dos fãs agora – e se os fãs queriam a banda tocando, deveríamos estar tocando. Mas mesmo assim vejo os dois lados do processo, porque sou amigo das duas partes. Eu saí ileso daquela situação, de alguma forma. Escolhi me retirar da banda, porque eu não faço música para entrar em processos. Mas entendo o ponto de vista do Josh; cada vez que eu ia em turnê com o Kyuss Lives, eu ligava pra ele e perguntava: “Nós vamos fazer mais que só uma turnê, não há problema com isso?” E ele sempre nos apoiou, enquanto John Garcia [vocalista] estava gerenciando a banda. Depois, algumas coisas mudaram no gerenciamento, outra pessoa começou a tomar decisões por nós, e o Josh pôs um fim a isso tudo.

Popload – Então, mesmo depois de a banda mudar de nome para Vista Chino, e você sair dela, continua amigo dos integrantes?
Oliveri –
Sim.

Popload – E você está certamente fora da banda, ou ainda voltaria a tocar com eles?
Oliveri –
Bem, eu toquei no único disco do Vista Chino [“Peace”, 2012]. Eles já tinham gravado tudo quando o guitarrista, Bruno Fevery, me chamou para gravar baixo. O disco é legal, tem alguns bons momentos nele, mas eu nunca cheguei a tocar com o Vista Chino ao vivo. E, até onde eu sei, a banda acabou. O John Garcia saiu dela.

Popload – Como assim?
Oliveri –
Sim, o Vista Chino acabou, eles tiveram alguma briga, não sei sobre o quê. John Garcia gravou o disco solo dele e saiu em turnê agora.

Popload – É esquisito pensar no que aconteceu com o legado do Kyuss nesses últimos anos.
Oliveri –
É, a situação inteira é uma droga, e é uma pena. Kyuss Lives era uma banda boa, mas outras pessoas tomaram controle dela, e agora ela simplesmente desapareceu. Eu queria que ainda existisse, com ou sem mim. Fico imaginando como tudo poderia ter acontecido de forma diferente. Além disso, não sei por que nunca convidaram o Josh para tocar. Ele deveria ter sido convidado, mesmo que só por respeito. Não dá para fazer uma reunião sem o principal compositor, especialmente se você quer usar o mesmo nome, e o Josh certamente era o principal compositor do Kyuss. Talvez a banda original não teria sido algo tão relevante, se não acabasse em 1995. Talvez se tivesse feito oito discos, as pessoas não falariam tanto dela 15 anos depois. Também, se o Kyuss nunca terminasse, várias outras bandas não existiriam.

Popload – O último disco que o Kyuss lançou antes de terminar, “…And the Circus Leaves Town” (1995), já mostrava alguns sinais de que a banda não estava mais tão boa assim.
Oliveri –
Eu não tinha dado muita atenção àquele disco até eu ter que tocar músicas dele com o Kyuss Lives, e aprender as linhas de baixo dele. Dissecando cada música, cada linha de baixo, você acha coisas que são bem interessantes e legais, e comecei a entender o que eles queriam fazer. Mesmo assim meus discos favoritos da banda são “Blues for the Red Sun” (1992) e “Welcome to Sky Valley” (1994). Provavelmente eu prefira o “Sky Valley”, mas é fácil falar isso só porque não toquei nele [risos].

Popload – Uma última pergunta sobre o QOTSA: há muitos fãs que pararam de ouvir a banda quando descobriram que você saiu dela. Ainda se vê pessoas dizendo “Vou ouvir um disco novo só quando o Nick voltar”. O que você diria para esse tipo de fã?
Oliveri –
Às vezes eu escuto várias pessoas dizendo isso, em turnê, e eu não sei se devo sorrir ou não. Me sinto lisonjeado quando dizem isso, mas são só opiniões. Eu acho que tínhamos uma coisa ótima, com três cantores diferentes, eu, o Josh e o Mark Lanegan, trazendo estilos diferentes ao som. Talvez algumas pessoas sintam falta desses ingredientes, onde nunca existia algo em excesso na música, e um elemento complementava o outro. Talvez seja por isso que as pessoas falem essas coisas, mas eu posso estar errado.

Popload – Acho que pode ser porque as pessoas amam reclamar, só isso.
Oliveri –
É exatamente isso, cara [risos]. As pessoas sentem a necessidade de reclamar, elas têm que estar irritadas com algo, precisam de alguma forma de drama ou conflito em suas vidas. A zona de conforto delas some quando não há conflito.

Popload – Agora, há vários projetos bons em vez de um só. Você, Mark Lanegan e Josh Homme, cada um tem seus próprios projetos, com identidades próprias, e isso é ótimo.
Oliveri –
Tenho que dizer que concordo, essa é uma ótima forma de ver a situação.

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Nick Oliveri soltão no Rio, no show do Queens of the Stone Age em 2001

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Josh Homme faz versão emocionante de clássico do QOTSA para o Zane Lowe

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De recente e já inesquecível passagem pelo Brasil, o Queens of the Stone Age foi atração da mais recente edição do programa “Soundchain”, da MTV inglesa, apresentado pelo bamba Zane Lowe, DJ e radialista da BBC 1.

Além da entrevista, Josh Homme reeditou em versão acústica a clássica “Long Slow Goodbye”, faixa do discão “Lullabies To Paralyze”, lançado há quase 10 anos.

Josh ali, só no violão, cantando com o coração. E o Zane ficou envolvido. Haha.

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Queens of the Stone Age hoje em São Paulo. Você acha que eles não valem um dólar, mas eles se sentem como milionários

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* Por um momento a gente quase precisou lançar uma campanha #PrepareOsÓculos para o aguardado primeiro show solo da banda norte-americana Queens of the Stone Age no Brasil. No caso, hoje em São Paulo, no Espaço das Américas com ingressos esgotados. Nos bastidores, a turma do Josh Homme por pouco não liberou a utilização de telões mostrando o show para a galera do fundão. No fim das contas, depois de muitas argumentações, acabaram cedendo e liberaram. A galera da chamada “pista comum” vai poder curtir melhor um dos mais vigorosos shows de rock hoje em dia em todo o planeta. De perto ou de longe. Enxergando tudo.

A banda americana, que passou a quarta-feira descansando no Rio de Janeiro, vem ao país para mostrar a turnê de seu bom álbum “…Like Clockwork”, lançado ano passado. Só em 2014, o grupo já tocou com o Nine Inch Nails pela Austrália, fez shows em diversos cantos do mundo e se apresentou em inúmeros festivais importantes tipo Coachella, Sasquatch, Rock In Rio Lisboa e Primavera Sound.

Está é a primeira turnê solo da turma de Josh Homme pelo país, um sonho antigo dos fãs. Nas três visitas anteriores, eles tocaram em festivais – Rock In Rio (2001), SWU (2010) e Lollapalooza (2013) – sempre saindo deles como um dos melhores shows. Além do show de hoje na capital paulista, eles se apresentam no sábado agora, 27, no Pepsi On Stage em Porto Alegre, também esgotado.

* Domingo passado, no México, o setlist foi esta pedrada abaixo. Faixas como “I’m Designer”, “I Sat by the Ocean” e “Keep Your Eyes Peeled” podem aparecer nos shows daqui.

You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire
No One Knows
My God Is the Sun
Smooth Sailing
In My Head
Kalopsia
Feel Good Hit of the Summer
The Lost Art of Keeping a Secret
The Vampyre of Time and Memory
If I Had a Tail
Little Sister
Fairweather Friends
Make It Wit Chu
I Appear Missing
Sick, Sick, Sick
Go With the Flow
Do It Again
A Song for the Dead

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QOTSA no Primavera Sound: cabelos ao vento (sonoro)

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Popload em Barcelona. Eu e o Josh.

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Talvez a principal “banda de macho” do planeta, me entenda o que quero dizer, o grupo californiano Queens of the Stone Age fez um show avassalador e sem dó de ninguém no primeiro “grande dia” da programação oficial do Primavera Sound, aqui em Barcelona.

Ver o show de perto das caixas dá a dimensão do que é uma apresentação do Queens of the Stone Age hoje: com dois guitarristas fenomenais, a banda deixa o baixo muito estourado para funcionar como uma terceira guitarra, para marcar o pulso da apresentação, ditar o ritmo do concerto. O resultado é uma potência entre a sublime e a ensurdecedora. Não importa se é tocando música pesada ou “chu chu”. O corpo do público mais perto do palco treme por dentro, parece taquicardia. E mesmo quem não tem a cabeleira grande sente os cabelos dançarem ao vento provocado pelo som que sai do palco.

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Se prepare para os shows solo da banda no Brasil, em setembro. Se ajustarem o som decentemente no Espaço das Américas, em SP, vai dar medo.

Josh Homme, entre tragadas de cigarro e goladas do que parecia ser uísque, conversava muito com a galera, falou da noite bonita de Barcelona, elogiou o line-up do dia ressaltando St.Vincent, Warpaint e Metronomy. Tocou 13 músicas.

A banda que já tem todo meu respeito ganhou ainda mais por começar o espetáculo de ontem com You “Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire”. Caramba.

Acabaram, “apenas”, com “Go With The Flow” e “A Song For The Dead”. Pow!

Aqui embaixo tem o vídeo do hino velho deles, “Feel Good Hit of the Summer”. Não repare o som, porque o coitado do iPhone também sofre com a descarga sonora, debaixo das caixas. Judia, Josh.

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