Em queen:

Impensável? The National primeiro lugar na Inglaterra e fazendo cover de… Queen (e New Order também)

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* Uma das bandas “mais para dentro” do indie mundial, a delicadíssima e cult The National está talvez vivendo seu momento mais bombado. De um lado contrastante e feliz. Tudo bem que “vendagem de album” é hoje em dia um assunto relativo, mas de todo modo o disco novo do National, seu sétimo, de nome pesado “Sleep Well Beast”, chegou ao primeiro lugar tanto nas paradas americanas (Billboard) e na britânica (número 1 na Inglaterra, Escócia e Irlanda), o que já é de causar certa comoção. A performance de vendas do álbum, lançado no começo de setembro, também alcançou o topo em Portugal e Canadá.

O grupo de Matt Berninger, do Ohio mas radicado no Brooklyn, acabou de terminar um giro de shows no Reino Unido, que teve um monte de covers “anos 80”, em seu bis, de New Order a Talking Heads. Na última quinta-feira, no Eventim Apollo, eles fizeram performance da ~alegre~ “I Want to Break Free”, clássico maravilha do grupo Queen. Ficou muito bom.

De quebra, temos também eles tocando New Order, a belíssima e que talvez combine mais com eles “Love Vigilantes”

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* A foto da home da Popload também é de Matthew Baker, da Getty Images.

** O National começa nesta semana, quinta em Boston, uma pequena turnê americana, e depois volta para fazer shows na Europa.

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Sequência do importantíssimo “Trainspotting” estreia hoje nos cinemas. Vá ver e principalmente ouvir o filme

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* O texto abaixo saiu publicado na edição desta quinta-feira do caderno Ilustrada, da “Folha de S.Paulo”. A página toda merece destaque, com a crítica do filme e a análise da “era perdida” que o filme brilhantemente abordou sobre aquela galera britânica de meados dos anos 90. Mas reproduzo abaixo apenas minha colaboração com o jornal, sobre a trilha sonora tanto do filme de 1996 quanto deste “T2 Trainspotting”, a continuação 20 anos depois. A música abordada nas duas produções é um assunto muito sério. Porque, em ambas, a música é como um dos personagens principais da trama.

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Na última cena, quando “T2 Trainspottting” parece ter sua trama resolvida (à medida que um filme desses com uma história dessas pode estar “resolvido”), a agulha da vitrola cai num vinil, para o ato final. Num volume bem alto, começa a ser tocada “Lust for Life”, hino punk de Iggy Pop feito em parceria com David Bowie, quando os dois viviam a vida louca em Berlim nos anos 70.
A música, um dos clássicos do rock, é a mesma que está na inesquecível abertura do “Trainspotting” de 1996, quando dois dos atores principais do filme saem em desabalada carreira pelas ruas de Edimburgo, com um deles proclamando o famoso texto “Choose life, choose a job, choose a career, choose a family…”, espécie de mantra da vida louca da juventude britânica dos anos 90.
Mas em T2 “Lust for Life” vem diferente, mexida, em remix do grupo Prodigy. Assim como a explosiva “Born Slippy. NUXX”, da icônica banda eletrônica Underworld, outro hino do primeiro filme que aparece na trilha desta sequência que estreia agora como “Slow Slippy”. A música do Underworld, 20 anos depois, foi desconstruída e reconstruída em ritmo lento, devagar, como que refletindo o envelhecimento do filme.
“T2” modifica, portanto, dois clássicos da obra de 1996 que não deveriam nunca serem modificados, porque, enfim, clássicos. Mas ficou tudo muito bom.
A trilha sonora de “Trainspotting” de 1996 é tão importante quanto o filme em si e o livro que o gerou. A música fez parte da trama quase como um personagem. Não é um mero enfeite musical. Misturou figurões como Iggy Pop, Blondie, New Order, Lou Reed com novidades fundamentais de seu tempo.
Refletiu o espírito da época da “cool Britannia” dos meados dos 90 e botou Pulp e Blur representando o fenômeno britpop e lançou a citada música do citado Underworld, o que ajudou a fazer a música eletrônica sair dos clubinhos e chegar ao mainstream.
Talvez com menos impacto, mas tão boa quanto, a trilha de “T2” vai pela mesma… trilha do original. Refez Iggy Pop e o hoje clássico Underworld, convocou The Clash, Queen, Run DMC e jogou luz em excelentes nomes novos como Young Fathers, Wolf Alice e Fat White Family.
Este último, maravilhoso grupo de Londres de um certo pós-punk indie de sonoridade quase própria, apenas dois álbuns e muito barulho no underground britânico, prolífico em seus shows doidos e experimentais tanto quanto nos eventos que promove em torno da banda, já entrou em um hiato para “acalmar” um pouco, alegando que a vida louca anos 2010 que estavam levando poderia matar algum deles.
Enfim, uma banda totalmente “Trainspotting”.

Trainspotting 2 mexe em hinos que não podia mexer. E ficou bem bom

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* Estreou na Inglaterra no último final de semana “T2: Trainspotting”, a sequência do filme que virou os anos 90 de ponta-cabeça com sexo, drogas, ritmos alucinantes gerais, personagens bizarros, frases inesquecíveis e a melhor trilha sonora de cinema de todos os tempos. A música do “Trainspotting” de 1996 construiu hinos, resgatou velhos ídolos, mostrou música nova que interessava e chacoalhou ao mesmo tempo a música independente e a eletrônica.

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O novo “T2: Trainspotting”, ainda baseado em história criada pelo escritor Irvine Welsh e dirigido por Dany Boyle, estreia no Brasil no dia 16 de fevereiro, é o que parece.

A trilha deste novo pode não causar o mesmo impacto que a de seu antecessor, mas é de uma responsa linda. Tem o maravilhoso Fat White Family e “Radio Ga Ga”, do Queen. Tem Wolf Alice e “Relax”, do Frankie Goes to Hollywood. Tem Young Fathers e Clash!!!!! Tem mais coisas incríveis. E tem, óbvio, os obrigatórios Iggy Pop e Underworld, com músicas do primeiro filme, mas aqui mexidas. É “Lust for Life” em remix do Prodigy e o hino master “Born Slippy”, num ritmo lento, aqui chamada “Slow Slippy”, desconfigurada mas ainda boa.

Esse “T2: Trainspotting Motion Picture Original Soundtrack” já está por aí, à venda ou não. Aqui, fazemos uma elegia das novas versões para os hits máximos de mister Iggy Pop e o absurdo Underworld. Just because.

Iggy Pop – Lust for Life (The Prodigy Remix)

Underworld – Slow Slippy

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Perfume Genius e o vídeo genius para a música genius

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* E o que essa música é linda? Tanto que eu não resisto no título aos meeeesmos trocadilhos de sempre.

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Nesta semana soltamos um post aqui para saudar a nova música do rapaz Mike Hadreas, mais conhecido como Perfume Genius, seu nome de guerra na cena indie. O carinha de Seattle tem disco novo na praça em setembro, “Too Bright”, mas já mostrou anteontem a devastadora “Queen”, primeiro single do álbum e que marca uma revigorada em sua sonoridade delicada, antes pianinho e voz, agora um potente rock com guitarras e baterias, ainda que isso não tenha afetado sua delicadeza marcante.

Pois hoje o Genius solta o vídeo de seu single “Queen”.

Mike Hadreas traz para sua arte desde o primeiro disco o forte confronto de sexualidade que claramente marca sua vida. Ele é a própria “queen” de sua canção, isso não é difícil de identificar. E o vídeo, de uma beleza incrível dentro de sua opção surreal de enxergar as coisas, mostra Genius contracenando com sua versão drag por um mundo que tem porcos, Elvis gay de uma perna só fazendo xixi e cheerleaders incentivando quem quer se suicidar, vibrando alegres quando alguém se atira de prédio.

Mais ou menos simples assim:

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Wow!! O pânico gay do Perfume Genius

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* Música linda para um novo álbum. No dia 23 de setembro sai nos EUA o terceiro disco do rapaz de Seattle chamado Mike Hadreas, mas que tem como nome artístico, ou “de palco”, a alcunha de Perfume Genius. O menino é demais. Sonzinho de uma delicadeza assombrosa, que parece que vai quebrar a cada final de música. Mesmo em um alcance pequeno, mesmo tocando pra pouca gente em São Paulo e Recife em 2013, foi uma das melhores coisas a chegar ao pop em 2011/2012.

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Antes o Perfume Genius era voz e piano, basicamente. Agora ele “cresceu”. Perfume Genius acaba de lançar a arrasadora “Queen”, canção cheia de instrumentação guitarrística tipo REM, bateria marcante, efeitos de vocal que vai puxar seu disco de setembro, batizado apropriadamente para o nível de sua música: “Too Bright”. A foto acima ilustra a capa do álbum.

Parece que Hadreas está trocando, com seu novo trabalho, uma certa fragilidade que marcou seus primeiros discos por uma raiva de quem não suporta mais ser tímido, história que ele ou sua gravadora (Matador) está vendendo para divulgar o terceiro álbum. Pode bem ser, de acordo com essa “Queen”.

Sobre a música em particular, diz-se que ela tem a ver com um certo “pânico gay” que ele percebe quando as pessoas ficam incomodadas com sua presença. Entenda como “pânico gay”, dele com as pessoas, e “pânico de gay”, das pessoas com ele.

Prepare-se para ser devastado, com essa “Queen”. Coisa de Genius.

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