Em racionais mcs:

POPNOTAS: O documentário dos Racionais e o da Billie Eilish. A caixa do Gang of Four e os tufões do Royal Blood

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– A turma do site Bicho Solto, centro de pesquisa e divulgação de informação sobre cultura e internet no Brasil, soltou seu primeiro documentário no YouTube. O vídeo de pouco mais de meia hora é uma análise pesada sobre a história do veterano grupo paulistano de rap Racionais MC’s (foto na home da Popload). Como o maior grupo musical recente da música brasileira sempre soube interpretar o Brasil, mas o Brasil talvez não tenha os interpretado tão bem assim? É o que tentam desvendar Felipe Adão, João Brizzi e João da Mata, autores do trabalho. A gente assistiu e acredita que eles responderam bem a pergunta. Tome tento. Assiste lá.

– Vem aí uma senhora caixa do histórico grupo inglês Gang of Four. Chamada “77-81”, sai pelo selo Matador em março e reúne em vinil os dois primeiros álbuns da banda (“Entertainment!” e “Solid Gold”), singles e um show ao vivo inédito. Ainda no pacote, um cassete com 26 sons que incluem outtakes, raridades e demos inéditas, entre outros mimos. Praticamente inviável com o dólar atual? Sim, mas vai saber, né? Do material inédito, está disponível no YouTube o som “Elevator”, uma canção que ficou perdida entre os ensaios da banda e a gravação do primeiro disco.

Ricky Powell, fotógrafo nova-iorquino superpróximo dos Beastie Boys, morreu aos 59 anos, com problemas no coração. Do Brooklyn, ele fotografou um turma e tanto em sua carreira, músicos e artistas. Do naipe de Run-DMC, Madonna, Eric B. e Rakim, Flavor Flav., LL Cool J, Andy Warhol, Basquiat, entre outros. Sua relação com os Beastie Boys começou em uma turnê de 1986, quando a banda abria os shows do Run-DMC, e seguiu pelos anos seguintes. Era considerado o “quarto beastie” e seu nome foi parar até em um verso de música do trio. Ricky fez exposições, livros e até tocou em um programa de televisão chamado “Rappin’ with the Rickster”.

– Vale prestar atenção no retorno do duo britânico baixo-bateria Royal Blood. Parte de um repertório mais dançante, “Typhoons”, segundo single dessa retomada da dupla formada por Mike Kerr e Ben Thatcher, acabou de ganhar um vídeo onde o tufão do título da canção é traduzido pela força da pegada da própria música da banda ao vivo da banda, um furacão por si só, para seus fãs. Vale assistir para entender mellhor.

– Saiu mais um trailer do aguardado documentário da cantora Billie Eilish, que chega aos cinemas (americanos) e ao serviço da Apple TV+ no dia 26 de fevereiro. “Billie Eilish: The World Is a Little Blurry” mostra a trajetória da menininha esquisita ao estrelato pop mundial. Como Eilish tem ainda 19 anos e apenas um álbum, “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?”, não é que o doc vai cobrir um graaaaande período da vida de um artista, mas já deve explicar muito os bastidores que leva uma menina que cria aranhas a representar tanto uma geração nova de meninas. Abaixo, o trailer 2 de “Billie Eilish: The World Is a Little Blurry”.

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CENA – Racionais, mil tretas, novas fitas – Banda mitológica do rap brasileiro inicia turnê 3D em Florianópolis, com duas guitarras

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* 3D de Três Décadas, veja bem, veja bem!

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* Começou sábado passado em Florianópolis, na Arena Petry, a turnê nacional comemorativa dos 30 anos dos Racionais MC’s, ícones veteranos do hip hop nacional para alguns, uma das mais impressionantes formações musicais brasileiras de qualquer gênero envolvido para outros (estou aqui!). Até mais que uma banda, um bando de ativistas sociais, liderado por um contundente porta-voz da favela com discurso bombástico e incômodo em cima de bem manejados samplers que contam por si só a história do hip hop internacional.

Mano Brown, KL Jay, Edi Rock e Ice Blue se apresentam ainda em mais sete capitais, sendo duas vezes em São Paulo (um esgotadão, o outro quase), no final da espaçada turnê, em outubro. O próximo show do grupo que lançou o fundamental “Sobrevivendo no Inferno” (1997) e outros oito álbuns vai ser dia 3 de agosto, em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson.

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Nesta tour dos 30 anos, os Racionais sobem ao palco com uma megaestrutura de seu tamanho. O show tem banda: duas guitarras, teclados, baixo, percussão. Por mais que isso possa parecer esquisito vindo de quem vem, indo para onde vai.

A Popload selecionou uma passagem desse concerto inicial dos Racionais em Floripa, desempenhando a sensacional “Capítulo 4, Versículo 3”, atualizada nos números da violência contra os negros e no discurso de Mano Brown.

“1998. Disco ‘Sobrevivendo no Inferno”. O clima era este mesmo. Era outro Brasil. Nem o Lula já tinha sido eleito ainda. Presta atenção na mudança. Presta atenção na metamorfose. Presta atenção na mutação”, foi o recado direto e reto.

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* Como bônus, seque a mesma “Capítulo 4, Versículo 3”, mas na famosa apresentação da banda para playboys em 1998, no calor do lançamento do “Sobrevivendo no Inferno” e numa das clássicas festanças de premiação VMB, da MTV Brasil. Os Racionais vendo branquinhos aplaudirem. Ice Blue falando “Filha da Puta” com gosto a música inteira. Histórico.

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* As imagens deste post, incluindo a da chamada da home da Popload, são de Jef Delgado.

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Apavorou. Racionais manda “Preto Zica” via Noisey

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* “Finado Neguin” está nesse rolê, também. Pá!

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* Recentemente o fundamental Racionais MC’s fez show no Audio Club, em São Paulo, filmado para um especial pelo projeto Live do Noisey, canal de vídeo do conglomerado Vice. A apresentação foi na noite da visita do duo de hip hop americano Das EFX, no finalzinho de julho, tipo um mês atrás. Mas quem brilhou, para variar, foi o coletivo de rap mais famoso do Brasil, thankyouverymuch. O show dos Racionais fez parte da turnê de 25 anos da banda.

O Noisey soltou no final de semana a turma de Mano Brown mandando duas faixas de seu mais recente disco, o sexto deles, “Cores e Valores”, lançado no ano passado. Músicas responsa, vídeo idem. Noisey não

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Racionais 25 anos e o novo Mano Brown do amor. Boogie Naipe mostra o rapper com novo discurso

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* Mil trutas, mil tretas.

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* Hoje à noite, assim como foi durante a semana toda e como será manhã, a TV Cultura bota no ar às 23h a reprise do programa Metrópolis, originalmente no ar domingo passado, em especial a edição que trouxe uma entrevista interessantíssima com o extrafamoso rapper paulistano Mano Brown, voz principal do incrível Racionais MC’s, a maior entidade do hip hop de qualquer quebrada do Brasil. E inclusive as de lá do Vaticano.

No hip hop brasileiro é assim, sempre foi. Você tem os Racionais e você tem todos os outros. E sem desmerecimento aos outros, alguns bem bons, mas a química de Brown, KL Jay, Ice Blue e Edi Rock, letras absurdamente perfeitas e cadenciadas em cima de bases bem construídas e cortantes, são imbatíveis na música brasileira, agora até extrapolando o hip hop.

Mas isso não é novidade e já faz 25 anos. São as bodas-de-prata que o coletivo dos Racionais comemora agora, uma vez que o primeiro disco, “Holocausto Urbano”, foi lançado em 1990 e começaria a preparar as periferias e além para a obra-prima “Sobrevivendo no Inferno”, o quarto álbum, de 1997, um dos mais perfeitos discos construído em português da história, mesmo que no “português próprio” dos Racionais, excelentes para contar as histórias que os cercam desde a infância.

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Racionais 25 anos. Mano Brown falou ao Metrópolis que o Racionais continua firme e forte. “Racionais é o que é e é aquilo lá. Racionais não me pertence mais. Todo mundo sabe que roupa usar, o que falar. Racionais consagrou”, afirmou na entrevista, justificando que chegou a hora de ele dar uma mudada na carreira, aos 45 anos.

Boogie Naipe é o novo projeto solo de Mano Brown. Novo em termos, já vem em experimentação há algum tempo, levando o nome da produtora do grupo “consagrado”. Mas agora é parece não mais um experimento. À partir de dois shows em São Paulo, no final de julho, com bastidores gravados pelo “Metrópolis”, a coisa virou para valer. Quando o encantado primeiro álbum, esperado desde o ano passado, for lançado oficialmente, então…

E no Boogie Naipe a parada é outra, outra letra. É funk e soul-funk, do disco soul, do hip hop soul, do R&B soul, para falar de amor, com outra banda. “Sou movido a desafios. A gente não tem uma plateia formada. Não faz a música das rádios, não é a música do momento. Não tem nada a nosso favor”, diz, sem se importar com papinhos de “traidor da causa”. “É o Brown de sempre, o Brown do Jorge Ben, do Marvin Gaye, o Brown dos Racionais dos anos 90, que já usava essas músicas no fundo.”

“Não existe uma traição, não tá acontecendo uma mudança de direção que possa fazer as pessoas terem receio de a gente ter virado uma outra coisa ou ter ficado mais pop, mais comercial, mais isso e aquilo. É soul music. Música pro gueto.”

O Mano Brown tenso, dos Racionais, se apresenta amanhã com o grupo consagrado em Florianópolis, SC, dentro da turnê do novo álbum, “Cores e Valores”, lançado no ano passado. Semana passada a banda fez show no Audio Club, da Barra Funda paulistana, lotaaaaado. Temos o vídeo da performance para “Negro Drama”, exclusivo da Popload.

Logo abaixo, a entrevista de Brown para o “Metrópolis”, da Cultura, com cenas de seu show com o paralelo Boogie Naipe, grupo novo “com nada a favor”, a não ser o funk e o soul.

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Mano Brown e o Papa

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* O prefeito roqueiro, o papa pop e os Racionais, morô.

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A notícia pura e simples é essa: convidado pelo Vaticano para conferência sobre desenvolvimento sustentável, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, presenteia o pontífice com disco cláááássico dos Racionais MC’s, que retrata cotidiano da periferia. De qualquer periferia, mas, no caso, as quebradas paulistanas. O disco em questão é o inacreditável “Sobrevivendo no Inferno”, quarto do grupo, de 1997, um dos melhores álbuns já feitos em território brasileiro em todos os tempos desde uns discos do Roberto e o “Futuro É Vortex”, dos Replicantes.

O rolê do Vaticano é um seminário com prefeitos do mundo todo para falar de desenvolvimento sustentável. E lá foi o o petista Haddad, o prefeito rockstar dos paranauês de São Paulo, com o disco dos Racionais na bagagem.


Substitua a cara de Eduardo Suplicy neste gif maravilhoso pela carinha do Papa Chico

Mano Brown, um sobrevivente do inferno, e o disco na sucursal de Deus na Terra. Ou Deus lá e a tal “falta de Deus” na periferia daqui.

A arte da capa do poderoso disco dos Racionais mostra uma cruz junto ao capítulo 3 do Salmo bíblico 23, que diz “Refrigere minha alma e guia-me pelo caminho da Justiça” e traz composições como “Diário de um Detento”, “Fórmula Mágica da Paz” e “Mágico de Oz” – músicas que abordam questões relacionadas à desigualdade social e racismo.

“Às vezes eu fico pensando
Se Deus existe mesmo, morô?
Porque meu povo já sofreu demais
E continua sofrendo até hoje
Só que ai eu vejo os moleque nos farol, na rua
Muito louco de cola, de pedra
E eu penso que poderia ser um filho meu, morô?
Mas aí, eu tenho fé
Eu tenho fé… em Deus”
Mágico De Oz, Racionais

O agrado de Haddad ao Papa foi escolhido por um grupo de jovens da periferia, que sugeriu a ideia ao coordenador de Políticas para Juventude, Cláudio Aparecido da Silva.

Segundo a assessoria da prefeitura, não houve oportunidade para o prefeito entregar o presente ao ~líder humildão~ da Igreja Católica em mãos, pois não ocorreu um encontro a sós entre os dois. Mas o secretário de Relações Internacionais da Prefeitura, Vicente Travas, garantiu que vai entregar o disco clássico do rap nacional ao cardeal que assessora o Papa ainda hoje.


Segura essa ginga do Haddad

O encontro foi organizado pelo Vaticano e reuniu prefeitos de Nova York a Paris, de São Paulo a Buenos Aires, para falar sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. Foi entregue uma carta assinada por prefeitos brasileiros que reforçou a necessidade do reconhecimento, pela ONU, “dos governos locais como atores fundamentais na promoção da sustentabilidade global e do desenvolvimento humano”.

E se Fernando Haddad atrai atenção da imprensa por seus presentes inusitados, tuitadas sobre coxinhas paulistanos e aparições jogando capoeira ou tocando Beatles, o Papa argentino é proporcionalmente mais polêmico e divertido. Já fizeram até uma lista com as falas mais incríveis do pontífice, que entre outras coisas pediu para que as pessoas “escutem mais as mulheres. Não sejam machistas”.

E então? Você acha que o Papa vai curtir o presente?

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