Em real estate:

Popnotas – Wallflowers no James Corden. O AC/DC contra a praga da bruxa. Uma session do indie Real Estate. E outra do Royal Blood

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– Nesta semana apareceu no James Corden para um papo e um som o músico Jacob Dylan, filho do Bob e dono do Wallflowers. Entre um papo sobre manias em karaokê e sobre o disco novo da banda de indie-folk americana, “Exit Wounds”, que sai em 9 de julho, Jacob e seu grande grupo tocaram ao vivo o single novo, “Roots and Wings”. “Exit Wounds”, para se ter uma ideia, é o primeiro álbum do Wallflowers desde 2012. Lá se vão nove anos. E a performance para o Corden foi assim:

– O honorável grupo de hard metal australiano AC/DC lançou nestes dias mais um single de seu mais recente disco, “Power Up”, lançado em novembro do ano passado. A música é “Witch’s Spell”, que vem com um vídeo, digamos, místico. Para se livrar do feitiço da bruxa que grudou na veterana banda, eles fizeram umas cartas diferentes de tarot. Mais ou menos isso, pelo que entendemos.

– Indie num tanto que até dói, a Real Estate, banda que transita entre o Brooklyn e Nova Jersey, foi nesta semana tocar umas musiquinhas na rádio The Current, a emissora underground de Minneapolis que a gente gosta. Foi naquele modo de dizer. Bateram um papo à distância e mandaram uma session de três músicas, cada um tocando de sua casa. A session virtual contou com músicas do último EP do Real Estate, o pandêmico “Half a Human”, lançado em abril, completado pelo pequeno hit “Stained Glass”, de 2017. Vamos ver?
00:00 Half a Human
06:17 Stained Glass
10:47 Ribbon

– O barulhento duo inglês Royal Blood, prediletos da casa, participou de session da Absolute Radio, emissora (ou emissoras) britânica que tem no dial mas é fortíssima e variadíssima online. Para a Absolute Radio live, a dupla Mike Kerr (foto na home) e Ben Thatcher, com agregados, tocou duas de seu mais recente álbum, “Typhoons”, lançado em abril. Fizeram performance azul para a faixa-título e amarela para “Limbo”, dois de seus poderosos singles. Confira.

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Top 10 Gringo: Nick Cave pega o primeiro lugar. Óbvio. Julien Baker, Wolf Alice e Tigercub são destaques também. Tem até Notorious B.I.G. e Billie Eilish no ranking

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* Em semana de lançamentos parrudos, temos pelo menos dois álbuns que vão estar em qualquer lista de melhores do ano de respeito. E alguns outros álbuns que vão estar certamente em listas mais alternativas. Teve ainda alguns singles bem interessantes saindo.
Também aproveitamos que semana passada a gente abriu espaço para homenagear o Daft Punk e fazemos aqui, desta vez, uma saudação ao grande (dscp!) B.I.G., por conta de seu documentário, lançado nesta terça na Netflix.
Com o tempo vamos entendendo a missão do Top 10. Começou só com as novidades, agora se torna algo mais voltado às músicas que importaram na semana. De um jeito ou de outro: nossa playlist segue excelente.

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1 – Nick Cave – “Carnage”
Vamos admitir. A gente ainda não consegue desenvolver em palavras os efeitos de um disco novo do Nick Cave. Não tem uma semana o lançamento, e a construção dele pede um outro ritmo de entrega à escuta. Pense. Um trabalho escrito e gravado durante a pandemia, com o parceiro de tantas Warren Ellis, que começa com os versos: “There are some people trying to find out who/There are some people trying to find out why/There are some people who aren’t trying to find anything/But that kingdom in the sky”. Nick Cave trabalha em outro patamar, como a gente gosta de dizer aqui no Brasil. Botar ele em qual lugar deste ranking que não o primeiro?
2 – Julien Baker – “Faith Healer”
A expectativa boa que tínhamos quanto ao álbum de banda da Julien Baker se cumpriu. Que discão da cantora e multiinstrumentista . Nossa favorita segue, no entanto, uma que já conhecíamos enquanto single. “Fath Healer” é um tratado sobre vícios que vai além da questão do vício em drogas e avança sobre a questão do escapismo, que alguns encontram na política, na religião. Formas de lidar com a dor que talvez evitem a cura da própria dor quando confiamos em pessoas não muito bem intencionadas. Um musicão que prima na dinâmica, uma habilidade que já existia na obra de guitarra e voz de Julien, mas que está amplificada agora que ela é acompanhada por uma banda que pode dar mais corpo a suas ideias.
3 – Wolf Alice – “The Last Man on Earth”
Que bom é termos de volta o Wolf Alice. A banda inglesa da Ellie Rowsell chegou ainda quieta, quase, com este single para anunciar que vem aí o terceiro álbum. “Blue Weekend” vai ser lançado no dia 11 de junho e já estamos reservando alguns lugares para suas canções, aqui neste humilde ranking. “The Last Man on Earth”, a música, tem sequência dramática até entrar numa sinfonia à lá Beatles no final. E vale sacar o vídeo da música, simples na ideia e execução, mas ainda assim maravilhoso.
4 – Tigercub – “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)”
Banda inglesa de Brighton que sempre parece que vai “acontecer” mas não deslancha, a Tigercub tem a chance de decolar agora com seu segundo álbum. Para puxar “As Blue as Indigo”, o disco, a ótima “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)” até começa meio Alt-J brincando com os silêncios, mas depois descamba num Muse heavy metal bem bom.
5 – King Gizzard & The Lizzard Wizard -“If Not Now, Then When?”
Quem já leu sobre os australianos do King Gizzard & The Lizzard Wizard por aqui já viu a gente comentando o quanto eles gostam de lançar álbuns. 2021 já tem um disco deles para chamar de seu (e pode esperar outro). “L.W.” é como uma continuação de “K.G.”, lançado ano passado – ambos fazem parte de uma trilogia chamada “Explorations into Microtonal Tuning” que começou no disco “Flying Microtonal Banana”, de 2017. Confuso? Quer entender melhor o que é microtonalidade? Recomendamos que você de um google em “microtonalidade e Tom Zé”. É sério. Esta “If Not Now, Then When?”, que abre o álbum, parece um ensaio antes de a gravação começar. Mas na verdade o disco já tinha começado sim.
6 – Cloud Nothings – “Oslo”
Há dez anos dando uma surra de guitarras sem concessões, o quarteto de Ohio que já atingiu status de cult balanceia entre ser fiel a seu som vibrante ao mesmo tempo que não oferece nada de novo. Gosta? Beleza. Não curte? Saia da frente. Porque eles vão passar. Com Steve Albini e tudo na produção de seu oitavo disco.
7 – Maximo Park – “Why Must a Building Burn?”
Maximo Park mostrou que não perdeu (totalmente) o fôlego dos seus bons tempos lááá de 2006 e soltou um disco caprichado, “Nature Always Win” é bem bom. Na canção que destacamos, espaço para uma homenagem dupla. Primeiro às vítimas do incêndio na torre Grenfell, em Londres, em 2017, uma tragédia que custou a vida de 72 pessoas. A segunda é a um colega da banda que foi assassinado no ataque terrorista à casa de shows francesa Bataclan, dois anos antes.
8 – Real Estate – “Half a Human”
Tem uma coisa especial em “Half a Human” que vai além da canção em si. Quando a música dá sinais de que está acabando, sendo ali “apenas” uma doce canção do Real Estate, a banda entra em um transe que vai esticando o instrumental dela até um fade out meio fake que logo é resolvido em mais música em um longo crescendo. O que nos devolve ao tema inicial da música. Aula de narrativa indie.
9 – Notorious B.I.G. – “Mo Money Mo Problems”
Que documentário é “Biggie: I Got a Story to Tell”, um regaste ao que interessa do artista, sem tanta atenção às polêmicas de sempre, no filme bem mais humano. Uma coletânea lançada junto ao doc, que resgata seu principais hits, lembrou a gente da maravilha que é “Mo Money Mo Problems”. Talvez um dos grandes exemplos do poder de um sample. Ou você ainda consegue canta “I’m Coming Out”, da Diana Ross, sem pensar em Notorious B.I.G.?
10 – Billie Eilish – “ilomilo”
Ainda sobre documentários, tem que ver o filme sobre a Billie Eilish. A versão ao vivo de “ilomilo” é um convite e tanto. Mas a gente escreveu um texto também para te convencer sobre o filme. Que peso para cima desta menina, que contraataca a pressão absurda do estrelato com músicas viscerais boas. Falamos aqui das vísceras dela mesmo.

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* A imagem que ilustra este post é de Nick Cave e seu parça eterno, Warren Ellis.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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POPNOTAS: As letras do Paul McCartney, o single da Julien Baker, o EP do Real Estate e… Daft Punk e os 500 mil fãs novos

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* O algo repentino fim do duo francês Daft Punk depois de 28 anos de músicas luminares está deixando marcas profundas de saudade no mundo musical, a começar por botar suas canções em altas execuções e vendas nas plataformas. No dia em que eles anunciaram o fim, o hit “Get Lucky”, do último disco deles, o “Ramdom Access Memories” (2013) teve um aumento de 180% na procura nas plataformas de streamings. “One More Time”, de 2000, talvez o maior sucesso “popular” da dupla, foi ouvida 368% mais que o normal. Já a loucura “Around the World”, 381%. “Harder Better Faster Stronger” (2001), 418%. Até Julian Casablancas ganhou um “up” na carona do Daft Punk. Sua colaboração com os robôs franceses em “Instant Crush” foi buscada para compra ou audição em mais de 392% do que o normal. Entre os discos do Daft Punk procurados, o segundo álbum, “Discovery”, foi o mais nesta semana do epílogo. Na segunda-feira, o disco foi “streamed” 1.5 milhão de vezes, um aumento de 429%. Sua venda digital subiu 8.000%. Um número interessante vem do Spotify: perto de 460 mil pessoas procuraram músicas do Daft Punk na plataforma pela primeira vez.

* Está chegando a hora. O novo álbum da Julien Baker, “Little Oblivions”, sai nesta sexta-feira, mais conhecida como amanhã. O álbum vai ter uma listening party promovida pela NPR Music, já ganhou artigo na revistaça “New Yorker” e revelou agora mais um single, “Heatwave”. Ansiedade quase aplacada de tantos singles dele que já temos, mas, ainda assim, estamos aqui na espera desse lançamento. Vem um discão, apostamos.

* Aliás, a Julien participa no dia 2 de março de uma mesa sobre saúde mental ao lado de Gerard Way, do My Chemical Romance, e da cantora DeathbyRomy. O papo rola nos canais da @soundmindlive.org às 22h. Quando a gente comenta que o indie-mental health é uma realidade…

* Amanhã também será lançado o novo EP da banda indie Real Estate. O grupo de New Jersey vem com seis músicas construídas de maneira curiosa. O material já existia antes da pandemia, pensado durante a produção do álbum “The Main Thing”, lançado em 2020, mas foi finalizado já com a banda trabalhando em esquema de isolamento social. “Half a Human”, um som que já rolava em shows deles e que está no EP, está disponível nas plataformas.

* Vem aí um livro de letras do Paul McCartney. Mas “THE LYRICS: 1956 to the Present” não será só uma coletânea das composições de Paul. A obra seleciona 154 canções de todos os estágios de sua carreira com textos inéditos do ex-beatle sobre “as circunstâncias em que foram escritas, as pessoas e os lugares que as inspiraram e o que ele pensa delas agora”. Junto com esses textos, um extenso material de arquivo raro – entre rascunhos, cartas e fotografias. No material de divulgação, Paul comenta: “A única coisa que sempre consegui fazer, seja em casa ou na estrada, é escrever novas músicas”. Em outras palavras, “The Lyrcs” deve ser o mais perto que teremos de uma autobiografia dele. Imperdível. O livro só saí em novembro, mas já está em pré-venda, uma edição brasileira ainda não foi anunciada.

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Nostalgia pura: Real Estate libera vídeo com apresentações em antigos endereços de lojas de discos que não existem mais

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Pouco antes desta explosão toda do coronavírus, o Real Estate fez uma ação legal de divulgação de seu mais recente disco, “The Main Thing”.

A banda fez algumas apresentações acústicas em ruas onde funcionavam antigamente lojas de venda de discos em Nova York, mas que foram fechadas graças à “modernidade”.

Alguns pontos escolhidos foram os antigos endereços de lojas como a Other Music (15 E 4th St), Rocks In Your Head (157 Prince St), e Kim’s Video (124 1st Ave). Além das sessions públicas e gratuitas, o Real Estate levou para cada ponto uma caixinha com versões “piratas” do disco novo, com capinha e tudo, para distribuir aos presentes.

O rolê terminou em uma loja que ainda existe, a linda Rough Trade do Brooklyn, e virou um pequeno documentário de 4 minutos, que pode ser conferido abaixo.

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Real Estate renova seu indie triste e bonito em “The Main Thing”, novo disco lançado hoje

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Banda indie dos indies, que faz parte das bandas cool que fincaram bandeira na cena do Brooklyn, o Real Estate lançou nesta sexta-feira mais um disco cheio.

“The Main Thing”, o quinto do grupo e o primeiro em três anos, é puxado pela ótima “Paper Cup”, canção que tem até a participação de Amelia Meath, do Sylvan Esso.

O último disco de estúdio dos norte-americanos era (até hoje) “In Mind”, que saiu em 2017. Neste meio tempo, o grupo perdeu um integrante, Matt Mondanile, acusado de assédio sexual.

Com a poeira sacudida pelo grupo, “The Main Thing” pode ser ouvido abaixo.

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