Em Red Hot Chili Peppers:

Top 10 Gringo – Banda canadense Pup chega às alturas. Wet Leg emplaca outra na semana do disco. Ibibio Sound Machine bota Londres no afro

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* Na moral, esta semana foi trabalhosa de fazer a seleção e os textos sobre cada música, porque todas as músicas tinham boas histórias para serem contadas. Até uma que a gente não gostou tantoooo assim, mas achou justo colocá-la. Essa história inclusive valia mais linhas do que é de nosso habitual colocar. Interessante. Fica a impressão de que muitos artistas desta edição vão reaparecer quando vier o saldo de melhores ano. Sério, semana acima da média. Só escuta música chata quem quiser, viu.

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1 – PUP – “Matilda”
É do Canadá, e não é o Arcade Fire, que por enquanto traz um dos discos de rock mais interessantes do ano vindo daqueles lados – pelo menos um dos mais bem-humorados, vale dizer. Ou, como a turma da revista “Clash” escreveu, tudo que o punk tem que ser em 2022. Exagero à parte, é bem divertido a construção da turma no recém-lançado álbum “The Unraveling of PUPTheBand”. “Matilda” é o tipo de música que gostaríamos de escutar em uma tarde ensolarada do Lollapalooza 2023.

2 – Wet Leg – “Ur Mum”
Está chegando a hora em que o mundo terá acesso a um dos melhores discos do ano – a gente já escutou e tal, sem querer se gabar. Mas a espera está tranquila: as meninas do Wet Leg soltaram meio disco em singles e este mais recente, destacado aqui, é divertidíssimo. A gente está de cara ainda com os versos iniciais, uma das melhores frases do rock dos últimos tempos, que sai linda da voz de Rhian Teasdale, é um recado para um ex-namorado e pode ser assim traduzida: “Quando eu penso na pessoa que você se tornou, eu sinto muito pela sua mãe”. É daí para cima.

3 – Ibibio Sound Machine – “All That You Want”
Com a produção do Hot Chip, a turma do Ibibio Sound Machine, banda londrina com interesse no afrobeat, drum’n’bass e post-punk chega com um dos discos mais deliciosamente dançantes do ano: “Eletricity”. Poderoso em todos os seus 48 e poucos minutos, a gente destaca “All That You Want”, capaz de ressuscitar qualquer pistinha que estiver ensaiando deixar a festa acabar.

4 – Orville Peck – “The Curse of the Blackened Eye”
Os lançamentos de álbum andam cada vez mais inusitados. Mas a opção por “Bronco”, novo disco do mascarado Orville Peck, chegar em capítulos responde a uma questão conceitual, de contar pequenas histórias. Oito músicas das 15 já estão por aí, lançadas em dois capítulos. E que linda é “The Curse of the Blackened Eye”, que abre esse segundo capítulo. Uma canção sobre relacionamentos absusivos, nas palavras de Orville, ainda que a letra seja muito cifrada. De qualquer maneira, o som diz tudo. O refrão é emocionante, se pegue cantando as harmonias vocais ainda na primeira vez que escutar a música.

5 – Sports Team – “R Entertainment”
Essa é pelo legado do Gang Of Four, que já cutucava a relação da arte com entretenimento e suas implicações problemáticas. A cutucada dos ingleses do Sports Team neste novo single é por aí. Que o mundo acabe, mas que role uma dose de entretenimento para compensar, comenta de modo bem crítico a música. Pensa que a banda anunciou esse lançamento com uma fina ironia: “Entering our U2 Vertigo phase” (“entrando na nossa fase U2 ‘Vertigo'”, em tradução livre).

6 – Angel Olsen – “All the Good Times”
“Big Time”, novo álbum da Angel Olsen previsto para junho, carrega começos e fins de ciclos para a compositora. É seu primeiro disco de inéditas após contar ao mundo que é gay, uma notícia que seus pais receberam poucos antes de partirem. Angel perdeu os dois com uma diferença de dias e o impacto desses dois eventos precedem o início das gravações do álbum. Já no primeiro single a carga emocional de um relacionamento agora acabado emerge no arranjo que vai crescendo aos poucos, indo de um delicado toque country até uma entrega vocal e instrumental quase rasgada.

7 – Foals – “Looking High”
Também com disco novo previsto para junho, o Foals soltou mais um single da nova empreitada, a dançante “Looking High”. De acordo com Yannis Philippakis, vocalista da banda, a música olha um pouco para tempos mais inocentes de sua vida, antes da pandemia e da cabeça esquentar com todas as crises globais, ele retorna há um tempo onde tudo era aproveitar as festas e a cidade. Como algo se perdeu no caminho, esta música volta àquela cena para ver se encontra algo. É bonita a conexão dessa canção com o single anterior, “2am”. Recomendamos escutar em sequência.

8 – Harry Styles – “As It Was”
Harry Styles vem construindo uma carreira solo muito respeitável, até para detratores do One Direction, sua antiga boy band que tem bons momentos, caso você não saiba ainda. “As It Was”, primeiro single do que virá a ser seu terceiro trabalho (“Harry’s House”), mantém as coisas no eixo, soa atual e levemente retrô, como muita coisa do pop, ao ponto de quase incomodar no sentido de “Eu acho que já escutei isso antes”. Ainda assim funciona.

9 – Joyce Manor – “Gotta Let It Go”
Com pouco mais de dez anos de estrada, a banda californiana liderada por Barry Johnson pensou em dar uma pausa no seu pop punk com toques de emo e indie rock. Mas a pandemia levou o autor a escrever um disco todinho e a banda deixou a pausa de lado. Seu sexto álbum levará o nome de “40 oz. to Fresno”, um título que veio do autocorretor, quando alguém da banda na real queria escrever “40oz. to Freedom”, álbum do Sublime. Som massa. Rápido. Certeiro.

10 – Red Hot Chili Peppers – “She’s A Lover”
As opiniões sobre o novo do Red Hot estão bem divididas, a gente se incomodou com todos os singles até aqui e a impressão se repete pelo álbum: uma tentativa de volta a bons momentos da banda, em especial aos tempos de dois álbuns, “Californication” e “By The Way”. E isso acaba tornando o retorno do Frusciante levemente frustrante, sem trocadilhos… Ainda que os discos sem ele estivessem abaixo da média da banda, tinham mais coisas em risco ali, soando mais interessantes. Isso dito, “She’s A Lover” é bem boa, especialmente na primeira metade, sério.

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* A imagem que ilustra este post é do vocalista e guitarrista Stefan Babcock, da banda canadense Pup.
** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Chili Peppers toca em “clubinho” de LA para esquentar o álbum novo ao vivo. Temos!

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* A banda americana famooooooosa Red Hot Chili Peppers vem se exercitando para a turnê mundial com shows pequenos e John Frusciante na guitarra, depois que lançou seu 12º álbum na última segunda-feira, dia primeiro de abril. Na mesma data, eles fizeram um belo show no Fonda Theatre, em Los Angeles, um dos principais lugares indies para se tocar na Califórnia, mas palco beeeeeem modesto para um grupo como os Chili Peppers.

Isso torna, claro, um show especial, mais coeso. Com setlist misturado entre clássicos como “Suck My Kiss” e “Give It Away” e as novas deste disco que saiu agora, na linha “These Are the Ways”, “Aquatic Mouth Dance” e “Here Ever After”, do “Unlimited Love”.

O rolê todo, enquanto deixarem no ar, está aqui embaixo, com qualidade decentíssima e minutagem.

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* O setlist:

0:00 – These Are the Ways – https://youtu.be/HOi2AsW5_Q8
5:40 – Snow ((Hey Oh)) – https://youtu.be/EcwNrMJxk30
12:49 – Here Ever After – https://youtu.be/TYAyC8CdZl0
17:20 – Suck My Kiss – https://youtu.be/sGNi1AsmzbA
21:34 – Aquatic Mouth Dance – https://youtu.be/Lm9JV0doMt0
28:18 – Hey – https://youtu.be/RrVpKro2Rko
34:40 – Can’t Stop – https://youtu.be/QmDtAq1C_Uo
39:40 – Your Song – https://youtu.be/jbSgtuTV-Go
41:50 – Not the One – https://youtu.be/VFLllLBADMs
46:37 – Black Summer – https://youtu.be/I8CKmRBr20k
52:00 – By the Way – https://youtu.be/FonvSML6wyg

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58:08 – Give It Away – https://youtu.be/OFnj_OkyKpk

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Top 10 Gringo – Taylor Hawkins em primeiro, em silêncio. Porque sim. Soul Glo traz o barulho para o segundo. As deep tan agarram o terceiro

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* Nosso Top 10 da semana é dedicado ao grande Taylor Hawkins. Por isso separamos uma canção especial do Foo Fighters para iluminar as novidades destes últimos dias na música gringa, como uma bênção. Se ligue na playlist, que reflete linda este período carregada de lançamentos muito especiais. Recupere o fôlego do Lollapalooza e vem com a gente. O nosso número 10 é uma música que ainda não existe necessariamente, mas já é maravilhosa. Entende?

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1 – Foo Fighters – “Aurora”
Nosso primeiro lugar da semana é um tritubo ao baterista Taylor Hawkins. Uma forma de dar um abraço enorme na família Foo Fighters – que vai da própria banda até seus fãs, passando por empresários, familiares, produtores e amigos (se você notar, no encarte de “There Is Nothing Left to Lose”, até o Queen é creditado como parte do Foo Fighters). Escolhemos “Aurora” inicialmente só por ser um dos sons mais bonitos da banda, não só a favorita do Taylor como também a primeira música em que ele se sentiu confortável em gravar pelo FF – Taylor conta que apenas metade de “There Is Nothing Left to Lose”, o disco em que entrou para o Foo Fighters, tem bateria dele por conta de não saber, à época, como trabalhar em estúdio. De acordo com ele, a experiência era tão diferente de tocar ao vivo que Grohl assumiu metade do disco. O que mostra muito da camaradagem que deve ter firmado a relação de irmão que ele construiu com Dave – William Goldsmith, baterista anterior, se sentiu traído, e com alguma razão, quando Grohl resolveu refazer seu trabalho na surdina na feitura do segundo álbum do FF. Desse mal feito, Grohl encontrou Taylor, que soube lidar com muita tranquilidade com a pressão de ser o baterista do melhor baterista do mundo e, sem dúvida, ser ainda uma peça fundamental na migração do FF de uma pequena banda tocada por um ex-Nirvana para um das maiores bandas contemporâneas do rock.

2 – Soul Glo – “Jump!! (Or Get Jumped!!!)((by the future))”
Bande de hardcore incrível da Filadélfia, o Soul Glo dá em seu novo disco aquele passo ousado, ainda que já conhecido, de colocar as barreiras do gênero a prova: o que mais pode caber em uma banda de baixo, guitarra e bateria que toca muito (e fala muito) rápido? Toques de hip hop e soul entram na conta. E quem sabe lá na frente a gente enxergue a aventura de “Diaspora Problems” mais ou menos como enxerga “London Calling”, até pela semelhança na postura política dos grupos, de olho na ação e mudança.

3 – deep tan – “rudy ya ya ya”
Do renovado pós-punk inglês, vem de Londres esse trio de garotas que já é uma forte promessa, que começa a rolar cada vez mais forte single a single. Se não confia só na nossa opinião, o que é um forte vacilo da sua parte, saiba que elas são amigas da turma do IDLES (quem viu o show do Lolla? Uau, né?) e do Yard Act. Então, só confia.

4 – Bree Runway – “Somebody Like You”
Manja o trabalho da inglesa Bree Runway? Ela já tem alguns EPS e uma mixtape e sua bio no Spotify é muito boa: como se a Lady Gaga e a Lil Kim tivessem uma filha. Falta ainda um megahit para chamar de seu, mas é questão de tempo. E esta “Somebody Like You”, uma carta de amor para um amor futuro, é uma forte candidata. Se depender dos nossos plays, vai rolar.

5 – Charli XCX – “Selfish Girl”
Que mundo veloz. Mal foi lançado o “Crash” e a Charli XCX já colocou na rua uma versão deluxe com quatro sons a mais. “Selfish Girl”, um deles, mantém bem a pegada do disco, que a gente já elogiou por aqui – e talvez até seja um pouquinho mais esquisita do que o material da tracklist original, o que pode agradar uma ala dos fãs que ficou meio chateado com a linha mais convencional de “Crash”.

6 – Chance the Rapper – “Child of God”
Ainda que em 2021 Chance the Rapper tenha feito um feat. com Justin Bieber que talvez lhe rendeu seu maior hit até aqui, a canção “Holy”. É fato que seu álbum mais recente, “The Big Day” (2019), foi tão mal que ele até se meteu em uma treta jurídica com o ex-empresário. Este novo single parece reorganizar um pouco a casa.

7 – Let’s Eat Grandma – “Levitation”
A gente já tinha comentado sobre a nova fase desse duo inglês e seu experimental sludge pop. Elas lançaram uma das primeiras músicas legais de 2022, “Happy New Year”, e mantém essa vibe com “Levitation”. “Two Ribbons”, terceiro disco delas previsto para breve, é outro trabalho que merece um pouquinho da sua ansiedade.

8 – Fontaines D.C. – “Skinty Fia”
“Skinty Fia” é o nome do terceiro álbum dos irlandeses do Fontaines D.C., que vem por aí em abril. É uma expressão irlandesa que em inglês fica superdiferente e adquire novos sentidos. E é justamente essa metáfora de deslocamento que a banda parecer querer puxar neste disco, que por todos os singles até aqui promete ser o trabalho mais politizado da banda, falando muito sobre imigração e preconceito, entre as outras questões que circulam esses dois tópicos.

9 – Red Hot Chili Peppers – “Not The One”
Mais um single do álbum novo do Red Hot Chili Peppers, o com a volta do guitarrista John Frusciante. Cai um pouco nos problemas dos singles anteriores. É uma música interessante? Sim. Parece uma reprise de velhos momentos com pouquíssimo a acrescentar? Um tanto, pelo menos assim à primeira vista. Ouça a antiga “Warm Tape”, do “By the Way”, por exemplo.

10 – Pete Doherty e Supla – “In Your Tropical’s Snow Dream”
Ok, a gente não tem ideia de como essa música é ainda, mas vale esta menção especial ao encontro inusitado – já previsto por quem reparou no Supla ali no cantinho do palco vibrando no show do Libertines – e pelo furo conquistado pela Popload de que a parceria Supla e Pete rendeu uma música. Tem mais detalhes na matéria.

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* A imagem que ilustra este post é do baterista Taylor Hawkins.
** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 10 Gringo – A suíça Priya Ragu pede seu espaço e vai ao topo. Nilüfer Yanya vai morar no nosso ranking em 2022. E o grande Stromae completa o nosso pódio diverso

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* Nesta semana temos alguns artistas que são figurinhas sempre presentes por aqui (além das novidades, lógico). Os gringos estão bombando na new music, caramba. Superálbuns lançados, singles fortes, comebacks inesperados. Nem vamos adiantar muito porque desta vez alguns comentários perigaram virar textos. Vamos a eles? Sempre lembrando que o que pega aqui é a nossa playlist, quentíssima.

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1 – Priya Ragu – “Illuminous”
A gente já contou um pouquinho por aqui a história da Priya Ragu. Vale resumir: da Suíça e filha de pais de um casal do Sri Lanka, ela começou a carreira um tanto quanto tardiamente para os padrões, aos 30 anos. Seu disco do ano passado, “damnshestamil”, é um arraso, teve bom alcance, mas merecia bem mais. Quem sabe esta é a hora com este poderoso single. “Illuminous” fala justamente sobre encontrar aquilo que te faz se sentir parte do mundo, a luz que você é capaz de irradiar. Priya conta que encontrou a sua e essa canção vem justamente para motivar todos a fazer o mesmo.

2 – Nilüfer Yanya – “chase me”
A gente escreveu e escreveu e escreveu sobre a expectativa por “Painless”, novo álbum da inglesa Nilüfer Yanya. E, agora que saiu, é só curtição. Se semana passada a gente ficou de cara com “the dealer”, que segue sendo nossa predileta da hora, agora vamos com “chase me” e sua combinação irresistível de batida eletrônica superdistorcida com uma guitarra limpa supernoventista. Música super.

3 – Stromae – “L’enfer”
Sem lançar nada desde 2013 em termos de álbum, a última vez (e talvez a primeira, não temos certeza) que a gente falou do belga Stromae foi em 2015. Daí nossa surpresa em ver que ele voltou à cena com um disco que anda colecionando resenhas elogiosas. “Multitude”, nas palavras do “NME”, dispensa que você manje algo de francês para se emocionar com a música. Real. O papo é que “L’enfer” é uma descrição nada leve sobre lidar com questões de saúde mental que trazem um dor profunda difícil de entender. Se ainda não ligou o nome a pessoa, manja o hit “Alors on Danse”? É dele, pesquisa aí.

4 – Kojey Radical – “Together”
Kojey Radical é um jovem do hip-hop britânico que é um dos muitos casos de artistas que iam bombar em 2020 não fosse a pandemia, avaliou uma matéria do “Guardian” sobre ele. Se em 2020 não rolou, agora é a hora, avaliação nossa, no caso. Após alguns EPs, que já tinham um fôlego de rap, ele chega pesado em seu primeiro álbum, “Reason to Smile”. A produção é multifacetada, entre o R&B e o grime. Boas músicas, flows, arte da capa, refrões espertos, harmonias vocais, interlúdios. É a receita do bom álbum de rap, não?

5 – Wombo – “Below the House”
Esse trio do Kentucky é bem do esquisito. Ainda que seja basicamente guitarra, baixo e bateria, eles fazem uma festa que soa como se uma banda de jazz tentasse tocar punk rock ou pós-punk. Não dá para ser ruim isso. E o vocal é de uma doçura pop. Mistura interessante. Acabamos de descobrir eles por esse single, estamos dando uma sacada mais oficial no álbum mais recente deles, de 2020, e voltaremos com mais informações. É a típica banda que “ninguém” escutou ainda. E a levada Radiohead do Kentucky é uma pura coincidência.

6 – Florence and The Machine – “Heaven Is Here”
A gente comentou por aqui semana passada que “King”, primeiro single do novo álbum da Florence, tinha uma vibe crua nova e muito boa. Essa pegada continua a aparecer na curtíssima “Heaven Is Here”, que tem o jeitão de um interlúdio, talvez. Estamos ficando empolgados para esse próximo disco, Florence…

7 – Charli XCX – “Baby”
Mais um single da Charli para seu disco que sai logo mais. “CRASH”, o álbum, está previsto para o dia 18 deste mês. Em uma entrevista, Charli explicou que esse som é sua música mais sexy, em um papo sobre ter confiança e sentir bem na cama… ou, sendo mais fiel a letra da música, no chão, na cozinha…

8 – Kae Tempest – “No Prizes” (com Lianne La Havas)
No terceiro single de que adianta seu novo álbum, “The Line Is a Curve”, Kae Tempest, rapper e poeta da Inglaterra, chega a la Mano Brown, com a habilidade de reunir três personagens em histórias paralelas na mesma música. Em comum, a habilidade desses personagens em seguir em frente. Kae Tempest é f*da!

9 – Charlotte Adigéry & Bolis Pupul – “Making Sense Stop”
E mais uma vez por território belga, é deliciosa a produção do duo Charlotte Adigéry & Bolis Pupul e sua capacidade de produzir vários cenários em uma mesma música. E só ver o passeio que é “Making Sense Stop”, um aceno bonito a David Byrne. Também consta no cardápio da dupla bom humor, ironia, acidez, crítica e um gostoso inglês afrancesado. Não fogem de temas como racismo e apropriação cultural, pelo contrário. É aquela ideia, ainda que lutem contra, de que a pista de dança é sempre espaço de resistência – festa tem sempre algo de revolução. Se não tiver, é só entretenimento e consumo.

10 – Red Hot Chili Peppers – “Poster Child”
Agora que a presença do Frusciante novamente na guitarra não é mais tão novidade assim, pesou um pouco que esse segundo single do próximo álbum dos Chili Peppers parece ser meio qualquer nota, um filme repetido e coisa e tal. Tudo bem, algumas audições seguidas melhoraram seu status, mas acendeu um alerta aqui de que a chegada do Frusciante não sacudiu tanto as estruturas da banda quanto poderíamos imaginar a partir da primeira mostra dada. Enfirm, esperemos.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora suíça Priya Ragu.
** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 10 Gringo – Mitski brilha na escuridão e pega o primeirão. Alt-J chapa no segundo lugar. E o novo-velho Chili Peppers chega chegando no pódio

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* Se o ano ainda não tinha começado direito, agora ficou sério. Artistas gigantes e queridos passam a apresentar seus álbuns incríveis e singles que dão as dicas de álbuns incríveis a caminho. A Mitski voltou arrebentando com seu disquinho novo. Já os Chili Peppers, o Alt-J e a Rosalía estão quase entregando seus álbuns. Ainda dá tempo de a gente recuperar uma preciosidade de 2021 que vai ficar maior em 2022: o incrível Mdou Moctar.

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1 – Mitski – “Stay Soft”
Mitski voltou de seu relativo sumiço de alguns anos (ela não lança álbum desde 2018 e sumiu ao final da última turnê) com um discão. “Laurel Hell”, seu sexto álbum, dominou nossos fones nesta semana. Ainda que ela esteja de volta à cena, o disco traz uma reflexão sobre a incerteza, a insegurança de abandonar a carreira. Será que dá para voltar tudo ao normal? Acaba sendo uma metáfora para nossos tempos pós-pandemia. Aqui Mitski também nos leva um pouco para conhecer melhor a sua escuridão ou a escuridão em todos nós, como é muito comum em um trabalho que adentre uma cabeça cheia de ideias e sentimentos como é a dela (e como é a de todos nós). A diferença é que uns sabem transformar isso em grande arte. E ainda que seja imersivo e carregado, “Lauren Hell” não é necessariamente triste. Chega a ser dançante, veja só, inspirando fortemente no synth-pop oitentista em vários momentos. Muito interessante para escutar centenas de vezes o disco inteiro. Mas, aqui, vá de “Stay Soft” com a gente

2 – Alt-J – “The Actor”
Nossos queridos meninos de Leeds vêm com o quarto single de seu quarto e aguardado álbum, “The Dream”, que saí nesta semana. Este som, uma viagenzinha a moda que o Alt-J sabe produzir bem, é uma homenagem a Los Angeles, a Cidade dos Sonhos – seria daí o título do disco? Vem, sexta-feira!

3 – Red Hot Chili Peppers – “Black Summer”
Ele voltou. John Frusciante, mago da guitarra, segundo melhor guitarrista da história do Red Hot Chili Peppers e parte fundamental de discos importantes da banda (“Blood Sugar Sex Magik”, “Californication”, “By The Way”) retornou ao grupo, após alguns anos e discos ausente. E já se impõe no centro do novo single, “Black Summer”. Não tem jeito. Sua guitarra canta de maneira diferente – ainda que não sejamos da turma que rechaça o trabalho de Josh Klinghoffer, que teve bons momentos. Fora da “questão Frusciante”, a banda segue quase no mesmo lugar. Flea, Chad Smith e especialmente Anthony Kiedis, que chega com uma de suas indecifráveis letras. Ainda que dê para imaginar que o refrão (“Esperando que outro verão sombrio termine”) seja dedicado à pandemia. Chega deste longo verão sombrio.

4 – Animal Collective – “Dragon Slayer”
Já que falamos de uma sumida, hora de falar dos sumidos do Animal Collective. Nada mais nada menos que seis anos sem um álbum para valer da importante banda electroindie cabeça – ou dez anos, se a gente contar a última vez que o quarteto esteve completo em um disco (falamos aqui de Avey Tare, Panda Bear, Geologist, Deakin). Nas palavras da revista de alta-cultura “New Yorker”, é bonito ver a banda se aventurar de novo após ter influenciado tanto na música pop. “A estranha mágica da banda está em todo canto”, escreve Amanda Petrusich. São quase 20 anos de estrada e muitas idas e vindas, mas a energia dos melhores trabalhos está aqui. “Dragon Slayer” pode te levar longe de tão nostálgica e good vibe. Ali no sexto lugar a gente vai falar mais de uma pessoa que bagunça as fronteiras do pop e do indie – essa bagunça está em parte na conta desses caras.

5 – Shamir – “Caught Up”
Alerta de provável disco do ano na área. Pelo singles que Shamir, artista de Las Vegas de muitos lançamentos recentes, soltou até aqui, parece que seu novo disco, “Heterosexuality”, pode colocar seu trabalho em outro patamar, saca? As músicas são fortes, um pop com diálogo aberto com as pistas de dança – não estranhe se começarem a aparecer altos remixes; as músicas são cheia de ganchos para isso. Ele perdeu um pouco o teor mais caseiro de algumas canções suas. Repara, hoje ele tem 100 mil ouvintes mensais no Spotify. Vamos guardar essa referência.

6 – Rosalía – “SAOKO”
Pega sua motinho e vem curtir com a Rosalía e seu novo hit. “Motomami” chega em março e parece avançar na capacidade meio única da Rosalía em conseguir entregar ao mesmo tempo um som que vai agradar o fã do pop top 1 da “Billboard” e o indie que faz tipo e diz que não curte música pop, sabe? De algum jeito ela resolve tudo nesses dois universos que se amam enquanto fingem que se odeiam.

7 – Black Country, New Road – “Good Will Hunting”
Um dos discos mais esperados do ano, o segundo trabalho do Black Country, New Road chegou com uma notícia que acabou tirando muito do foco que o trabalho poderia receber: o vocalista do grupo, Isaac Wood, está fora da banda por questões de saúde mental, provavelmente – ele não forneceu muitos detalhes na carta que escreveu no Instagram deles. A decisão fez com que a banda cancelasse shows e tomasse a difícil atitude de seguir juntos ainda que sem tocar mais o material dos seus dois primeiros trabalhos em respeito a Wood. Ou seja, temos agora um novo disco deles para desbravar – e o trabalho é tão interessante quanto o primeiro -, mas eles já burilam algo totalmente novo. O Black Country, New Road que conhecíamos até aqui, provavelmente, acabou. Viva o novo Black Country, New Road.

8 – Mdou Moctar – “Afrique Victime”
Já falamos de um mago da guitarra hoje, precisamos falar de outro: Mdou Moctar, músico da Nigéria, que esbanja criatividade com o instrumento. Onde muitos entendem que tudo já foi feito, Moctar mostra que ainda há universos a serem explorados. Com seu álbum lançado ano passado, “Afrique Victime”, ele e sua banda conquistou a crítica e outros artistas, como o Wilco. Vale vê-los em ação numa session registrada pela Fender.

9 – Liam Gallagher – “Everything’s Electric”
Inicialmente a carreira solo do Liam parecia desinteressante em relação à de seu irmão. Engraçado que faz um tempo que esse jogo virou. Até seus shows recentes parecem melhores, especialmente quando Liam abraça o melhor do repertório do Oasis. E a coisa parece que segue assim neste potente single que apresenta “C’Mon You Know”, álbum que será lançado dia 27 de maio. Detalhe: é uma parceria de Liam com Dave Grohl e o superprodutor Greg Kurstin. Além de ajudar na composição, é do Grohl essa bateria que lembra muito os melhores momentos dos bateristas da antiga banda de Liam – um superpoder do ex-Nirvana, que além de saber tocar muito sabe dar um tom de diferentes estilos quando a canção pede. Só reparar suas gravações com o John Paul Jones ou com artistas de metal (Probot), por exemplo.

10 – Boy Pablo – “Feeling Lonely”
Tá massa essa onda de toda semana ter um showzinho gringo nota dez para celebrar aqui, hein? Desta vez o anúncio é do cantor e multiinstrumentista de 23 anos Boy Pablo, que sobe ao palco do Fabrique, clube da Barra Funda, em São Paulo no dia 20 de abril. Quem colou no Popload Festival de 2019 para seu show sabe do que estamos falando. Menino bom.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora nipo-americana Mitski.
** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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