Em rico dalasam:

Top 50 da CENA – A semana (ou 30 semanas) é de Rico Dalasam. Criolo chama Ogum no segundão. Jamelão dialoga em terceiro

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* Se a semana na gringa deixou difícil escolher um primeiro lugar, as coisas foram bem parecidas por aqui na confecção deste ranking nacional. Bom, como a gente não cansa de afirmar, isto aqui não é disputa: é “só” a nossa vitrine para exaltar este momento belíssimo da música brasileira. Tem rap, tem MPB, tem forró de vaquejada e tem metal também. OK?

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1 – Rico Dalasam – “30 Semanas” (Estreia)
Rico Dalasam começa a apresentar seu novo trabalho. “Fim das Tentativas” será o sucessor do espetacular “Dolores Dala Guardião do Alívio”. O primeiro single do novo álbum é uma canção sobre a superação de uma separação dolorida. Afinal, 30 semanas de chororô. Nas palavras de Rico, a música feita em 2018 retoma sua aproximação da canção popular. Nas nossas palavras, parece uma ponte muito interessante que Rico encontrou entre seu material mais recente e sua fase mais pop, ali em 2017, com “Balanga Raba”. Com um detalhe novo que é o refrão, que tem um punch que poderia ser de um pagode estourado em todas as rádios e rodas de samba. Passado apontando para o futuro. Seja na proposta da música, seja na temática da letra. Interessante. E chegou com um vídeo lindíssimo.

2 – Criolo – “Ogum Ogum” (com Mayra Andrade) (Estreia)
Em “Sobre Viver”, seu quinto disco de inéditas, Criolo faz não só um preciso diagnóstico da situação brasileira, mas também encontra a cura para o momento difícil: amor, educação e arte. Parece pouco e parece simples, mas Criolo confia que cada palavra dessas resolve problemas gigantescos. Primeiro que não é pouco. Essas três chaves são capazes de acabar com tanta desesperança, fome, violência e racismo. Simples não é. Porque o mundão está aí combatendo justamente o amor, a educação e arte. Em alguma medida, parece que a experiência pessoal de Criolo prova um pouco de sua tese. Sua música ao oferecer tudo isso foi ao mundo e seu mundo mudou um tanto. “Ogum Ogum” traz essa fé em uma saudação a Ogum que confia no povo brasileiro essa esperança, aqui contra a intolerância religiosa. É um passo que mudaria tudo. Criolo é profundo.     

3 – Thiago Jamelão – “Diálogo sobre Vivência” (Estreia)
Thiago Jamelão é um dos principais parceiros de Emicida em “Amarelo”, álbum que apresentou uma nova perspectiva musical na carreira do rapper. Um tanto dessa parceria de sucesso reaparece agora em algumas canções do primeiro EP solo de Thiago, que ainda dá espaço para que ele se apresente sozinho e com outras junções musicais. Esse bonito encontro da dupla ressoa melhor ainda nesse som que conta um pouco da trajetória de Thiago, que começou na igreja no Centro-Oeste do país, passa por Brasília em bandas de rock e chega até São Paulo, onde encontra com Emicida. Uma música que nasceu em um almoço de dia dos pais.

4 – João Gomes – “Me Adora” (Estreia)
“Tem música que fica marcada no coração”, anuncia João Gomes antes de entregar uma versão daquele que é o maior sucesso da carreira de Pitty, uma das muitas surpresas de seu novo álbum. “Digo ou Não Digo” é o trabalho que aproxima o rei da vaquejada de diversas outras vertentes estouradas da música brasileira, seja o trap, pop ou MPB. Tudo isso sem perder sua essência, que pode ser encontrada em detalhes muito sutis, como os constantes agradecimentos e falas que João faz ao longo do álbum, como se estivessem em um show. Construção, conceito, tudo muito cuidadoso. 

5 – Black Pantera – “Estandarte” (com Tuyo) (Estreia)
“Antes que os beats e as batidas cessem, dance!/ Antes que calem sua voz, questione, cante!/ Antes que o amor se acabe, beije, cuide, transe!”. É nessa ideia que chegam os mineiros do Black Pantera, uma das bandas de heavy metal mais responsas do Brasil hoje. Seu novo álbum, “Ascensão”, é uma pancada sonora na ideia certa e no som, que abre um inusitado espaço para a sempre tranquila turma da banda paranaense Tuyo em um disco de metal. E ficou lindo.

6 – Ratos de Porão – “Necropolítica”(Estreia)
E, por falar em metal, o Ratos retoma a produção de inéditas após quase dez anos sem novidades em sua tradicional mistura de punk, harcore e metal que já rendeu mais tretas em tempos mais puristas. Na ideia, bater na ascensão fascista recente que colocou o Brasil nessa dança que canta “Foda-se a vida”. É um pouco do que o Gordo comentou em entrevista aos nossos parças do Scream&Yell: “É o que acontece aqui no Brasil: o governo escolhe quem deve morrer e quem deve viver. Segundo esse camaronês aí, isso é necropolítica. Aquele Witzel (Wilson, governador do Rio de Janeiro) ou no país inteiro. Os ricos vivem, e os pobres morrem. O que aconteceu, realmente, foi um genocídio programado para matar os pobres, os negros, os gordos e os velhos. Isso está explícito. Não sei como as pessoas não percebem isso”.

7 – Elza Soares – “Meu Guri” (1)
Elza Soares se encontrou muitas vezes com “Meu Guri”, canção de Chico Buarque, ao longo de sua carreira. O “match” mais recente foi pouco antes do dia 20 de janeiro. Ela interpretou “Meu Guri” no Teatro Municipal de São Paulo para um DVD ao vivo. Elza não estava sozinha. Ao seu lado, o pianista Fábio Leandro. Entrega intensa em cada nota, em cada olhar dividido pelos dois. Sem ar de despedida. Afinal, seu tempo é agora.

8 – N.I.N.A. – “Anna” (2)
Muito massa ver o sucesso do álbum de estreia da N.I.N.A. Artista do Rio de Janeiro, Cidade Alta, N.I.N.A. chamou atenção pelo singles, por sua pesquisa musical e sua história. Em 2020, ela contou para a “Rolling Stone” um pouco desse processo: “Deixei de ser a Nina que eu sou para virar a Nina acadêmica, que sempre tinha que estar dando o melhor para ser aceita. Eu meio que tinha me perdido em toda aquela fantasia”. Esse reencontro está presente em “Pele”, seu primeiro álbum, onde ela se apropria sem medo do drill, gênero mais atrelado aos caras e à temática da violência. Da faixa “Anna”, seu nome, até “N.I.N.A.”, seu nome artístico, ela abre uma papo sem firula sobre sua história, sexo, rolê e outras “cositas más”. Se os fãs estavam ansiosos pelo lançamento, imagina ela e sua espera bem mais longa: “24 anos para ser eu sem medo”, escreveu no Instagram.

9 – Tim Bernardes – “Nascer, Viver, Morrer” (3)
Tim Bernardes, um terço da banda O Terno, dá o primeiro passo em direção ao seu segundo álbum solo, enquanto se apronta para passar um tempo pelos Estados Unidos em turnê abrindo para o famoso grupo indie Fleet Foxes. Ele vai ser a atração inicial nada mais nada menos que 17 shows da banda americana pela Costa Oeste. Na primeira amostra do novo trabalho, Tim segue com seu jeito bem particular de optar por uma confecção sonora que respeita muito uma certa descompressão. É sua recusa em participar da guerra por mais volume. Interessante que isso dialogue um tanto com a letra, que vai por um rumo mais filosófico sobre a vida.

10 – Saskia – “Quarta Obra” (4)
“Quarta é um martelo nas paredes, é as cinzas do reprocesso e realocação da criatividade. Uma mistura das dimensões, salpicada de ironia, marinada no conforto. Para desentupir todos os desejos afogados, hackear o deboche do grito isolado”. Bem que a gente queria ter essa habilidade para descrever o som da Saskia, mas a belíssima descrição é da própria Saskia, que chega arrebentando no conceitual EP surpresa “Quarta”.

11 – Rashid – “Pílula Vermelha, Pílula Azul” (5)
12 – Otto – “Tinta” (6)
13 – Assucena – “Ela (Citação a Menina Dança)” (7)
14 – Emicida – “Gueto” (8)
15 – Dieguito Reis – “Decolagem” (9)
16 – Amen Jr. – “Mysterio” (10)
17 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Netuno” (14)
18 – Gorduratrans – “Enterro dos Ossos” (15)
19 – Gabriel Ventura – “Nada pra Ensinar, Muito pra Aprender” (16)
20 – AIYE – “Isadora” (17)
21 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (18)
22 – Holger – “Beaver” (19)
23 – Glue Trip – “Lazy Days” (com Arthur Verocai) (20)
24 – Sérgio Wong – “Filme” (21)
25 – Radio Diaspora – “Ori” (22)
26 – Anitta – “Maria Elegante” (com Afro B) (23)
27 – Devotos – “Periferia Fria” (com Criolo) (24)
28 – UANA – “Vidro Fumê” (25)
29 – Cícero – “Sem Distância” (26)
30 – Karol Conká – “Fuzuê” (28)
31 – Florais da Terra Quente – “Suco de Umbu” (com Chapéu de Palha) (29)
32 – Narcoliricista – “Bem Pertin” (30)
33 – Marina Sena – “Temporal” (31)
34 – LAZÚLI – “Pomba Gira” (32)
35 – Maglore – “A Vida É uma Aventura” (33)
36 – Valciãn Calixto – “Aquele Frejo” (34)
37 – Helo Cleaver – “Café com Leite” (35)
38 – Messias – “Avenida Contorno” (36)
39 – Labaq – “Dóidóidói” (37)
40 – Pabllo Vittar e Rina Sawayama – “Follow Me” (38)
41 – Jota.pê – “Preta Rainha” com Kabé Pinheiro e Marcelo Mariano (39)
42 – Dududa – “Vou Seu” (40)
43 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (41)
44 – Vanguart – “Amor” (42)
45 – HENRI – “Coração de Plástico” (43)
46 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (44)
47 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (45)
48 – Zudizilla – “Oya” (46)
49 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (47)
50 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (48)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper-cantor Rico Dalasam, sob foto de Larissa Zaidan.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Glue Trip vai ao primeiro, com uma “pequena ajuda”. Sérgio Wong emplaca em segundo. Gorduratrans se enterra em terceiro

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* Ah, a música brasileira. Que coisa gigante. Arthur Verocai colando com uma banda independente. Anitta colando pelo mundo. Enquanto isso, um jovem paulistano coloca o rock em cheque com uma criatividade absurda. Tudo isso ao mesmo tempo. Na era do streaming, separados por um clique de distância que é uma trajetória curta, mas quase in. A gente tenta aqui juntar tudo e contar essa história.

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1 – Glue Trip – “Lazy Days” (com Arthur Verocai) (Estreia)
Não tem muito tempo que saiu supermatéria no jornal inglês “Guardian” com o maestro Arthur Verocai. No perfil do autor do clássico “Arthur Verocai”, lançado em 1972 e redescoberto (e sampleado) ano depois, são mencionados algos do seus trabalhos em colaborações luxuosas que vem por aí. Mas esqueceram uma muito chique. Arthur é o convidado de “Lazy Days”, primeiro single que antecipa o novo álbum dos paraibanos da Glue Trip. “Eu estava vivendo um sonho lúcido”, escreve Lucas Moura, guitarra e voz da banda, quando descreve a sessão de estúdio. Sonho mesmo. Tanto que quando a música supostamente acaba, vem uma segunda parte, como quem tentar voltar a dormir para sonhar mais um pouquinho e encontrar aquele sonho de novo. Bom que dá para dar um replay no som. Fique atento, “Nada Tropical”, terceiro disco da banda de João Pessoa, sai ainda neste semestre.

2 – Sérgio Wong – “Filme” (Estreia)
A coleção de frases que o jovem paulistano Sérgio Wong espalha pelo álbum “Mídia” já justificariam seu trabalho. Algumas que a gente foi captando: “Quer me cancelar? Então, cancela aí”, “O rock brasileiro é uma farsa e eu posso provar”. Acontece que musicalmente a coisa também anda muito bem, com Sérgio utilizando o rock para provocar o gênero e seus limites. Em “Alô”, por exemplo, “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana é mencionada de uma maneira que é até difícil nomear – não é paródia, não é versão, seria uma desconstrução? É bonito como ele pesca pequenos elementos de uma música conhecida para criar algo novo. É um aviso que está lá e não está. E essa é uma boa metáfora para o disco. Cara talentoso.

3 – Gorduratrans – “Enterro dos Ossos” (Estreia)
E olha quem está de volta. A dupla Felipe Aguiar (voz e guitarra) e Luiz Felipe Marinho (voz e bateria), que não lançava nada desde 2017, prepara a chegada do terceiro álbum. A banda de noise/shoegaze do Rio não perdeu em nada sua essência, mas parece que eles voltaram ligeiramente mais pop ou com uma produção mais refinada. Calma, não é uma mudança radical, mas tem um colorido novo neste single aí. Repara para ver se não é viagem nossa. Tá bem massa e viciante. Tipo para tocar em rádios legais, se a gente tivesse rádios comerciais legais.

4 – Radio Diaspora – “Ori” (Estreia)
A gente estava dando uma passeada pelo excelente “Floga-se”, do amigo Fernando Augusto Lopes, e caiu neste texto que chamou nossa atenção, sente só: “Escute sua cabeça. Questione sua cabeça. Exploda sua cabeça. Depois de encostar a testa no chão, encha o copo e acenda o cigarro de Padilha. Deixe o caos governar a ordem até que as coisas façam sentido novamente”. É um trecho que Fernando sacou do texto de apresentação de “Ori”, disco da dupla Radio Diaspora, formada por Romulo Alexis (trompete, flautas, percussões, voz, eletrônicos) e Wagner Ramos (bateria, eletrônicos, samples). Até agora só encontramos o disco no Bandcamp dele, mas não vacile: é aquele tipo de som que te tira do lugar mesmo.

5 – Anitta – “Maria Elegante” (com Afro B)
É injusto julgar “Version of Me” pelo que a gente gostaria que ele fosse. A gente queria uma Anitta que escancarasse para o mundo a “Anira” que nós já conhecemos, essa que aparece na capa do álbum. Mas o disco não faz isso. Não abala, tanto quanto gostaríamos, as certezas do mundo pop norte-americano. E como isso não era o objetivo, nossos sonhos que fiquem de lado, não se pensa música assim. “Versions of Me” é um bom resultado da intensa pesquisa de Anitta sobre o mercado dos Estados Unidos, de olho nas tendências que já circulam por lá. A estratégia anda funcionando, vide seu bombástico show no Coachella. É fato: em nossos tempos, nenhum artista brasileiro foi tão longe quando o assunto é música. Se o play no streaming é de brasileiro ou não, importa pouco. Aliás, a gente deveria era aplaudir a estratégia de hackear a cultura dominante em vez de tentar menosprezar essa conquista, uma obsessão boba do nosso jornalismo cultural. Ainda que fique esse amargo gosto do sonho, imaginando coisas, fica a realização concreta e muito bem feita do álbum e da performance no Coachella. E, lógico, são passos a serem dados. E Larissa é estratégica, não duvidamos que ela fique matutando a hora certa de soltar a braba, aquela que americano talvez nem saiba que é possível fazer. O interessante é que mesmo em alguns passos em falso ela sabe muito bem o que está fazendo. E quando dá certo dá muito certo. Pode apostar: Anitta vai ter seu número 1 na Billboard dia destes. Talvez não seja com esse disco, talvez sim. Nosso ponto é: se ela mirou lá, é questão de tempo.

6 – Devotos – “Periferia Fria” (com Criolo) (Estreia)
Das bandas mais importante do punk, Devotos chegou firme em uma ideia muito interessante de um disco que pode surpreender quem só conhece seus sons mais porradas: um álbum dedicado ao reggae – um gênero que sempre atravessou a banda, mas que agora está no centro de suas atenções. Está sensacional. E a gente recomenda muito também o single anterior, que demos bobeira e não jogamos aqui: “Dança da Alma”, com Chico César.

7 – UANA – “Vidro Fumê”
Talvez você se lembre da UANA quando a gente escreveu sobre ela lá em 2021, quando a cantora pernambucana soltou seu single “Mapa Astral”, um super R&B. Ou talvez, se você anda mais desatento, só foi saber dela no sucesso “Quando o DJ Toca”, ótima música do discaço do funkeiro mineiro FBC, que tem participação vocal dela. A exploração sonora da cantora agora avança pelo bregafunk romântico, dando uma forte liga entre influências gringas e brasileiras.

8 – Cícero – “Sem Distância”
Está aí uma música de coração, de peito aberto. Um single lançado sem maiores pretensões no dia de seu aniversário. É como se Cícero encontrasse a solução de nossa eterna ansiedade nestes tempos. Te acalma, vive o agora. Se tem tempestade, você sabe que ela passa.

9 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah (Ao Vivo no Encontro DDGA)” (1)
“Foda, né”, alguém da plateia comenta em um intervalo entre os versos. Essa cena conta um pouco do clima intimista que está presente no EP ao vivo “Encontro DDGA”, registro de uma apresentação de Rico Dalasam em São Paulo. No disco todo a plateia canta tão alto quanto Rico em parte do repertório de seu disco mais recente “Dolores Dala Guardião do Alívio”. A mensagem está nessa recepção do público. É mais forte que um hit, sem dúvida. Outra conexão. Muito interessante que o disco seja tão curtinho… Sabe aqueles ao vivo antigos quando duas horas não cabiam em um LP?

10 – Karol Conká – “Fuzuê” (2)
Massa ver que após o barulho do BBB e todas as tretas que rolaram por lá a música de Karol volte a falar mais alto. Ela manda bem demais para ser menos conhecida pela música do que por um programa de TV chato a beça. Ela voltou. Deixa a música falar.

11 – Saskia – “Quartas de Final aos 45 do Segundo Tempo” (3)
12 – Florais da Terra Quente – “Suco de Umbu” (com Chapéu de Palha) (4)
13 – Narcoliricista – “Bem Pertin” (5)
14 – Marina Sena – “Temporal” (6)
15 – LAZÚLI – “Pomba Gira” (7)
16 – Maglore – “A Vida É uma Aventura” (8)
17 – Valciãn Calixto – “Aquele Frejo” (9)
18 – Helo Cleaver – “Café com Leite” (10)
19 – Messias – “Avenida Contorno” (11)
20 – Labaq – “Dóidóidói” (12)
21 – Pabllo Vittar e Rina Sawayama – “Follow Me” (13)
22 – Jota.pê – “Preta Rainha” com Kabé Pinheiro e Marcelo Mariano (14)
23 – Dududa – “Vou Seu” (15)
24 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (16)
25 – Vanguart – “Amor” (17)
26 – HENRI – “Coração de Plástico” (18)
27 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (19)
28 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (20)
29 – Zudizilla – “Oya” (21)
30 – Terno Rei – “Aviões” (22)
31 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (23)
32 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (24)
33 – Larissa Luz – “Brinco Só” (25)
34 – Monna Brutal – “Hashtag (com Mu540)” (26)
35 – Afrocidade – “Toma” (27)
36 – B.art – “Mamba Negra” (com Zilladxg) (28)
37 – Urias – “Foi Mal” (29)
38 – Wado – “Aquele Frevo Axé (com Patrícia Marx)” (30)
39 – Gab Ferreira – “faking it” (31)
40 – Luedji Luna – “Banho de Folhas” (Raze Mix) (32)
41 – Febem – “Champions” (33)
42 – Jambu – “Sem Rumo” (34)
43 – Otto – “Peraí Seu Moço” (35)
44 – Ava Rocha – “Papais Panacas” (com Iara Rennó e Saskia) (36)
45 – Bruno Morais – “Onironauta” (37)
46 – Black Alien – “Pique Peaky Blinders” (38)
47 – Supervão – “Primeiro Date” (39)
48 – Julia Mestre – “Meu Paraíso” (com Lux & Tróia) (40)
49 – FBC – “Se Tá Solteira Breaking Beattz remix” (com Mac Júlia) (41)
50 – Bala Desejo – “Lambe Lambe” (42)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda Glue Trip, em foto de Bel Gandolfo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Rico Dalasam volta ao topão. Karol Conká emplaca o segundo. Saskia se classifica para o terceiro lugar

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* Rico Dalasam no topo de novo. Agora com seu miniálbum ao vivo, a gente se certificou de que estávamos certos em dar novo destaque para músicas que já tivemos uma megaatenção no ano passado. Renovadas ao vivo com o canto da plateia (lembre-se de que estamos falando de um álbum que saiu na pandemia), “DDGA” tem sua força e sentidos multiplicados pela multidão. Primeiro lugar sem mais conversa em uma semana que ainda tem o retorno da Karol Conká aos álbuns, mais um aquecimento da Saskia em direção ao seu novo disco e um início da nossa pesquisa sobre a música do Piauí a partir de uma playlist muito especial que encontramos. Chega junto que a música brasileira não para de soltar as brabas.

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1 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah (Ao Vivo no Encontro DDGA)” (Estreia)
“Foda, né”, alguém da plateia comenta em um intervalo entre os versos. Essa cena conta um pouco do clima intimista que está presente no EP ao vivo “Encontro DDGA”, registro de uma apresentação de Rico Dalasam em São Paulo. No disco todo a plateia canta tão alto quanto Rico em parte do repertório de seu disco mais recente “Dolores Dala Guardião do Alívio”. A mensagem está nessa recepção do público. É mais forte que um hit, sem dúvida. Outra conexão. Muito interessante que o disco seja tão curtinho… Sabe aqueles ao vivo antigos quando duas horas não cabiam em um LP?

2 – Karol Conká – “Fuzuê” (Estreia)
Massa ver que após o barulho do BBB e todas as tretas que rolaram por lá a música de Karol volte a falar mais alto. Ela manda bem demais para ser menos conhecida pela música do que por um programa de TV chato a beça. Ela voltou. Deixa a música falar.

3 – Saskia – “Quartas de Final aos 45 do Segundo Tempo” (Estreia)
A Saskia escreveu no seu Instagram: “Esta musica é sobre o amor e o fim/ É sobre estar impedida no campo e ter que voltar para reverter o placar”. No Bandcamp, abriu mais ainda o jogo: “O amor acaba quando o arbitro apita? Rolou um empate e ninguém decidiu nada nos pênaltis. Todos somos campeões e perdedores de corações”. Falar em metáforas futebolísticas é ganhar uns pontos com a gente, sem dúvida. Estamos ansiosos pelo disco dela que chega logo mais pela Balaclava, ainda que o jogo já esteve ganho, sem dúvidas.

4 – Florais da Terra Quente – “Suco de Umbu” (com Chapéu de Palha) (Estreia)
5 – Narcoliricista – “Bem Pertin” (Estreia)

Coisas que acontecem no Spotify. Semana passada a gente deu o quinto lugar para o Valciãn Calixto (número 9) e foi dar uma fuçada em outras playlists que tinham relacionamento com ele. Caímos em uma montada por Noé Filho, só com músicas do Piauí. É uma seleção com nove horas de bandas e artistas incríveis, vários com lançamentos recentes, tudo muito interessante. A gente resolveu trazer estes dois sons só para começar esse ensaio de um mergulho mais profundo na música do Piauí. Procure saber, viu?

6 – Marina Sena – “Temporal” (Estreia)
No Lollapalooza, a Marina Sena deu um papo de que ama “Temporal”, mas tem poucas chances de apresentar ela por aí porque é uma das músicas menos conhecidas de “De Primeira”, sua estreia solo. Bom, a gente vai tentar dar uma força, tá? Vem hit.

7 – LAZÚLI – “Pomba Gira” (1)
Ju Strassacapa, uma das integrantes do Francisco, El Hombre, adotou um novo nome para sua experiência solo, que casa com seu processo de encontro de um novo nome artístico não binário. A mudança também é sonora, a brisa aqui é bem outra da que Ju despenha na banda, ainda que não tão distante a ponto de causar estranhamento aos fãs. No belo álbum de estreia, “Da Lua”, a música de LAZÚLI cumpre um papel de cura que tem a ver com o processo que inspirou Ju em sua criação. Escute o álbum completo, mas se tiver com presa, escuta também “Me Aconteci”.

8 – Maglore – “A Vida É uma Aventura” (2)
Dá para dizer que os baianos da Maglore encerram um ciclo em quando em 2019 lançaram um álbum ao vivo após quatro de estúdio. Veio a pandemia, alguns singles, teve também o disco solo do vocalista Teago Olivera e agora a banda ensaia o início de uma nova fase, que pelo visto vai investigar muitas das possibilidades dentro da música brasileiras, experimentando como elementos que estão fora do arranjo instrumental básico de uma banda de rock, como esse single já entrega ao remeter muito a coisas dos anos 70.

9 – Valciãn Calixto – “Aquele Frejo” (5)
O incrível músico romântico e macumbeiro piauiense vai lançar em agosto seu novo álbum, que está sendo produzido em Minas Gerais, dada as conexões ricas que se dá na música brasileira atual. Nessas, para preparar nossos corações, Valciãn remexe seu caldeirão de saborosas influências para trazer agora este single de um reggae quase-brega, sempre-gingado, boa para tocar nas rádios que prestem e se prestem à urgência da música nova da CENA. “Aquele Frejo” fala de um relacionamento que nunca existiu, mas deixou marcas. “Eu acho ótimo esse termo e me remete a algo da infância. As mães e as tias da gente quando reclamavam, sempre falavam alguma coisa como: ‘Parem com esse fole, deixem de frejo aí, se não vão tudin apanhar’”, segundo o cantor. “Aquela confusão” seria uma das traduções, mas com o maravilhoso molho nordestino.

10 – Helo Cleaver – “Café com Leite” (4)
Olha a Helo aí. A gente que conhece (e você também, imagino) conhece ela desde sua participação no podcast Vamos Falar Sobre Música e do período que tocou na banda da BRVNKS, fora todo seu rolê no mundo da música independente, fica muito feliz em ver ela assumindo essa posição de colocar para jogo as suas próprias músicas, seu rolê que ela conta que ficou por muito tempo só em rascunhos, culpa da “Priguis”, que dá título ao EP. Ainda bem que ela reagiu e colocou esses sons na rua. Tudo super bonito, a gente merecia escutar.

11 – Messias – “Avenida Contorno” (3)
12 – Labaq – “Dóidóidói” (6)
13 – Pabllo Vittar e Rina Sawayama – “Follow Me” (7)
14 – Jota.pê – “Preta Rainha” com Kabé Pinheiro e Marcelo Mariano (8a)
15 – Dududa – “Vou Seu” (9)
16 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (10)
17 – Vanguart – “Amor” (21)
18 – HENRI – “Coração de Plástico” (13)
19 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (14)
20 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (15)
21 – Zudizilla – “Oya” (16)
22 – Terno Rei – “Aviões” (17)
23 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (19)
24 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (20)
25 – Larissa Luz – “Brinco Só” (21)
26 – Monna Brutal – “Hashtag (com Mu540)” (22)
27 – Afrocidade – “Toma” (23)
28 – B.art – “Mamba Negra” (com Zilladxg) (24)
29 – Urias – “Foi Mal” (25)
30 – Wado – “Aquele Frevo Axé (com Patrícia Marx)” (26)
31 – Gab Ferreira – “faking it” (27)
32 – Luedji Luna – “Banho de Folhas” (Raze Mix) (28)
33 – Febem – “Champions” (29)
34 – Jambu – “Sem Rumo” (30)
35 – Otto – “Peraí Seu Moço” (31)
36 – Ava Rocha – “Papais Panacas” (com Iara Rennó e Saskia) (32)
37 – Bruno Morais – “Onironauta” (33)
38 – Black Alien – “Pique Peaky Blinders” (34)
39 – Supervão – “Primeiro Date” (35)
40 – Julia Mestre – “Meu Paraíso” (com Lux & Tróia) (36)
41 – FBC – “Se Tá Solteira Breaking Beattz remix” (com Mac Júlia) (37)
42 – Bala Desejo – “Lambe Lambe” (38)
43 – brvnks – “holy motors” (39)
44 – China – “Carnaval Infinito” (40)
45 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Traumas de Estimação” (41)
46 – Mc Hariel – “Pirâmide Social” (42)
47 – Gloria Groove – “BONEKINHA” (43)
48 – Do Amor – “A Morte do Amor” (44)
49 – Francisco, el Hombre e Sebastianismos – “Um Dia por Vez” (45)
50 – Gabriel Ventura – “O Teste” (46)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Rico cria o “ao vivo no topo” aqui no Ranking. Luneta Mágica crava a Amazônia em segundo. Vanguart crava o “amor do Tom Zé” no terceiro

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*** Popload em fase inconstante e de teste, por causa deu um “acidente técnico” que abalou o site nesta semana. Estamos trabalhando para normalizar tudo. Então vamos low aqui até o fim do Lollapalooza. Depois a gente volta no gás. Esperamos.
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* Se a semana gringa foi mais complicada, a semana brasileira pareceu um pouco mais tranquila de lançamentos – até porque a gente já tinha abordado muita coisa que saiu oficialmente na sexta passada. Mas isso está longe de signficar que a semana foi fraca. A banda amazonense experimental Luneta Mágica lançou um baita disco, singles interessantes apareceram em várias regiões e o grande Rico Dalasam fez a gente abrir a rara exceção de dar espaço para uma música “antiga” em nova versão. Ainda mais botando logo no primeiro lugar. É que, ao vivo, “Braille” é de arrepiar.

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1 – Rico Dalasam – “Braille” (Ao Vivo no Encontro DDGA) (Estreia)
Existem versões ao vivo que levam a música para outro lugar, não é? E esse é o caso aqui nessa versão live da já emocionante “Braille”. Gravada em São Paulo em um show que Dalasam já chama de encontro, trocando aí muito do sentido que pode ser uma apresentação ao vivo ao instaurar outro tipo de conexão com o público, ela começa com o rapper comentando emocionado o peso que esta canção teve em sua vida. Pelo visto, mudou a da plateia também, que entra com tudo cantando junto. Não dá para soltar a íntegra do show, Dala?

2 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (Estreia)
Muito especial a abordagem que esta banda de Manaus escolhe em seu terceiro e conceitual álbum, “No Paiz das Amazonas”. O instrumental de banda de rock clássico (baixo, bateria e guitarra) é preenchido por outras paisagens sonoras. Como eles próprios argumentam, há um avanço de olho no krautrock alemão do final da década de 60 e na percussão experimental brasileira, além de referências à música popular do Amazonas, como o Gambá de Maués e o Boi Bumbá de Parintins. Inspiração do disco, é como se o grupo refizesse o caminho proposto pelo cineasta Silvino Santos em seu filme “No Paiz das Amazonas”, lançado há 100 anos e que exibiu a floresta e suas relações para o mundo de maneira inédita.

3 – Vanguart – “Amor” (Estreia)
A série Brazil Classics da Luaka Bop começou com as descobertas brasileiras que David Byrne ia fazendo. Até o volume 3, cada coletânea reunia diversos artistas. Aí Byrne esbarrou em Tom Zé e dedicou o volume 4 todo a sua obra. Tamanho gesto recolocou Tom Zé no mundo, ele que estava prestes a abandonar a carreira musical. Naturalmente, o volume 5, editado em 1992, se tornou nada mais, nada menos que seu primeiro trabalho de inéditas desde 1984. E é nesse disco que está a belíssima “Amor”, agora revisitada pelo Vanguart para a coletânea “Uma Onda para Tom Zé”, que está sendo tocada por Patricia Palumbo. A Popload não existia em 1992 para celebrar ela, então agora está resolvido.

4 – HENRI – “Coração de Plástico” (Estreia)
Henri é o alter ego de Thiago Henrique Vasques, que talvez você conheça de outros projetos, como o duo de indie pop Carpechill e a banda Corte Aberto. Nessa configuração solo trabalha no modo “bedroom pop”, muito por conta de ter começado durante a pandemia. Dá uma sacada, refrão viciante demais – dá até vontade de se meter na produção da música e sugerir que em vez de acabar em um instrumental ela abraçasse de vez sua raiz oitentista e se entregasse em um longo fade-out.

5 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (Estreia)
A gente já destacou por aqui o primeiro álbum da Agnes (“Menina Mulher”), baiana que coleciona já alguns hits e feats. famosos. Sua nova e boa música faz parte da safra brasileira que anda colando no sensacional, superestiloso e minimalista canal “Colors”, que a gente sempre menciona aqui como referência para encontrar novos (e bons) artistas.

6 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (Estreia)
Entre Paris e São Paulo, Diogo Strausz, que também é produtor de mão-cheia, está no preparativos de um segundo disco solo. O primeiro, “Spectrum Vol.1”, é do distante 2015. Nessa trajetória para o novo trabalho ele recupera um clássico d’Os Tincoãs, “Deixa a Gira Girar”. Regravar a música em 2022 tem um sentido político para Diogo. “Quando nós, como comunidade que acredita na liberdade e na tolerância religiosa, cantamos ‘Deixa a Gira Girar’, em 2022, não podemos ficar tranquilos. Tem que ser uma demanda”, escreveu o artista. É bem por aí mesmo, Diogo.

7 – Zudizilla – “Oya” (1)
No seu excelente novo álbum, “Zulu: De César a Cristo (Vol.2)”, o rapper gaúcho Zudizilla faz uma porção de convites, oferece ideias e possibilidades, afinal há um mundo a se resolver. E também há uma escapatória possível para os vícios do mercado. Do muito que acontece ao longo do disco, em músicas que modulam e soam como duas dentro de uma, é em “Oya” que Zudizilla radicaliza a proposta, desde os versos que parecem não caber no espaço da música até a generosidade expressa em metade do espaço da canção a outro artista. No caso, é o violão de Eduardo Freda que faz um casamento perfeito com a emoção de Zudizilla. Bonito.

8 – Terno Rei – “Aviões” (2)
O que dizer deste disco que a gente tanto esperou e tanto entrega em beleza? Talvez o único erro do Terno Rei tenha sido dar de bandeja, pouco antes do lançamento do álbum, sua música mais bonita até aqui – a gente escutou as outras, testando nossa afirmação, mas não teve jeito: “Aviões” é absurda. Absurda na delicadeza, na mensagem que atinge todos que sofreram com a distância na pandemia e agora se reencontram (consigo e com os outros, em alguma medida) e notam o quanto o nosso redor está alterado para sempre. Um futuro que não aconteceu ainda está na presente na mente, mas na janela o mundo é outro. Como lidar com isso?

9 – Saskia – “Quarta Trave” (3)
A Saskia, autora do excelente “Pq”, álbum de 2019 com produção da Ava Rocha e do Negro Léo, prepara a sequência desse trabalho. Agora uma artista da Balaclava, ela afirma que “Quarta Trave”, primeiro single da nova fase, é parte de seu “novo relacionamento sério com a música”. Pelo pique da canção, a coisa é séria.

10 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (4)
Se no álbum “Brasil Futurista”, Coruja BC1 mostrou uma nova amplitude do seu trabalho dentro do hip hop, o single “Auxílio Emergencial do Rap” relembra uma parte da sua obra muito querida pelos fãs mais atentos, sua capacidade assombrosa de enfileirar linhas de soco em seus versos. A pancada vem forte nessa “primeira parcela” do auxílio, e não escapa ninguém – presidente, publicitários e até a ala da Sonserina ganham um “recado”.

11 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (5)
12 – Larissa Luz – “Brinco Só” (6)
13 – Monna Brutal – “Hashtag (com Mu540)” (7)
14 – Afrocidade – “Toma” (8)
15 – B.art – “Mamba Negra” (com Zilladxg) (9)
16 – Urias – “Foi Mal” (10)
17 – Wado – “Aquele Frevo Axé (com Patrícia Marx)” (11)
18 – Gab Ferreira – “faking it” (12)
19 – Luedji Luna – “Banho de Folhas” (Raze Mix) (13)
20 – Febem – “Champions” (14)
21 – Jambu – “Sem Rumo” (15)
22 – Otto – “Peraí Seu Moço” (16)
23 – Ava Rocha – “Papais Panacas” (com Iara Rennó e Saskia) (18)
24 – Bruno Morais – “Onironauta” (19)
25 – Black Alien – “Pique Peaky Blinders” (20)
26 – Supervão – “Primeiro Date” (21)
27 – Julia Mestre – “Meu Paraíso” (com Lux & Tróia) (22)
28 – FBC – “Se Tá Solteira Breaking Beattz remix” (com Mac Júlia) (23)
29 – Bala Desejo – “Lambe Lambe” (24)
30 – brvnks – “holy motors” (25)
31 – Vandal – “TIROH IH KEDAH” (26)
32 – China – “Carnaval Infinito” (27)
33 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Traumas de Estimação” (28)
34 – Mc Hariel – “Pirâmide Social” (29)
35 – Gloria Groove – “BONEKINHA” (30)
36 – Do Amor – “A Morte do Amor” (31)
37 – Francisco, el Hombre e Sebastianismos – “Um Dia por Vez” (32)
38 – Gabriel Ventura – “O Teste” (33)
39 – Baco Exu do Blues – “Lágrimas” (34)
40 – Autoramas – “Nóias Normais” (35)
41 – Tuyo – Pra Curar (versão “Fragmentos 2”) (36)
42 – Anitta – “Boys Don’t Cry” (37)
43 – Fernando Catatau – “Nada Acontece” (38)
44 – Assucena – “Parti do Alto” (39)
45 – N.I.N.A. – “Stephen King (Jotaerre Remix)” (40)
46 – Sargaço Nightclub – “A Dança do Caos” (41)
47 – Juçara Marçal – “Crash” (39)
48 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)” (40)
49 – Jadsa – “Sem Edição” (42)
50 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (43)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA: um resumo de 2021. Também conhecido como: As 50 Melhores Músicas do Ano no Brasil

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* Como a gente já repetiu algumas vezes: listar as nossas favoritas da CENA brasileira, durante todo o ano, é mais um jeito de contar tudo de bom do que a gente anda ouvindo a cada semana. A gente deixa de lado qualquer pretensão de dizer o que é melhor ou pior. No fim de ano, a missão segue a mesma. Nossa ideia aqui é apresentar este resumo do que foi 2021. Faltou música, lógico, a ordem talvez desagrade, mas é só voltar semana a semana para achar outras centenas de músicas incríveis destacadas aqui para de um modo modesto jogar luz nesta CENA brasileira nada modesta. A CENA nunca foi tão produtiva e boa.

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1 – Juçara Marçal – “Crash”
Rap. Samba. Juçara entrega em “Crash”, letra de Rodrigo Ogi, uma música que arrebenta com qualquer fronteira que se queira criar entre os gêneros musicais. É impossível determinar onde começa o que aqui. Uma certeza é que a letra tem um recado mais claro: é hora de ver a derrota de quem com ferro feriu.

2 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)”
Nas revoluções do passado e nas que virão, que aparecem por todo o novo roteiro de Don L, há o dia da vitória. Dia das conquistas e celebrações. Em tempos amargos, é bom lembrar em uma canção que a festa é parte da transformação. Ela não precisa ser só uma resposta para a tristeza da realidade, mas sim a constante nessa nova trilha.

3 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah”
E, no ano em que a música brasileiro sonhou perigosamente, Rico versa: “Sem poder saber o passado/ sem poder ganhar o presente/ E ter a culpa de ser o futuro/ Meus sonhos são gigantes”. Sonhos que acontecem aqui, na América do Sul, detalhe que Rico faz questão de lembrar ao ouvinte, que é puxado para dentro da canção em uma singela quebra da quarta parede: “Alô, parceiro, passageiro”.

4 – Jadsa – “Sem Edição”
Se a distopia onde vivemos a vida dos outros através de milhares de filtros sociais e virtuais é aqui e agora, Jadsa clama por um pouco de vida real sem aquecer, esfriar, esmaecer, ajustar e outras coisas. Que discaço que ela fez.

5 – Alessandra Leão – “Borda da Pele”
Nas palavras da própria Alessandra, “Borda da Pele” é “A escolha subversiva pelo sim”. E ela continua: “Pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Quando a descrição vem pronta assim a gente só reproduz. Não é preciso dizer mais nada.

6 – LEALL – “Pedro Bala”
Em uma letra que abre diálogos com Jorge Amado (Pedro Bala de “Capitães de Areia”) e Chico Buarque (que tem seu “Pedro Pedreiro”), Leall descreve com exatidão a realidade, sonhos e motivações de um personagem condenado pela estrutura racista do Brasil a violência, miséria e fome. E transforma tudo isso em música de primeira.

7 – Marina Sena – “Por Supuesto” e FBC – “Se Tá Solteira”
Talvez as duas principais músicas produzidas pela cena independente brasileira que furaram a bolha e alcançaram plays incontáveis por Tik Toks e pelas festas do país. Merecem a celebração conjunta.

8 – Caetano Veloso – “Pardo”
Ao lado de Letieres Leite, mestre que a música brasileira perdeu em 2021, Caetano faz sua autodeclaração, que já havia sido cantada por Céu: é pardo. Termo que Caetano reconhece que é mais usado hoje do que na sua juventude. Ainda que não seja exatamente sobre o assunto, a canção coincide com a defesa de Caetano que a discussão racial no Brasil passe a ser mais informada pelo próprio Brasil do que pelos Estados Unidos.

9 – Amaro Freitas – “Baquaqua”
A impressionante trajetória de Baquaqua, africano que foi escravo no Brasil e após fugir do país escreveu sua autobiografia nos Estados Unidos, um raro documento histórico de um escravo sobre sua realidade, vira uma música instrumental absurda no piano de Amaro, que traduz nota a nota essa jornada.

10 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem”
Ao trazer brega, forró e calypso para informar o ultrapop, invertendo o processo onde geralmente é a gente que é contaminado pelo pop estrangeiro, Pabllo Vittar segue inventiva ditando o pop na música brasileira.

11 – Anitta – “Girl from Rio”
12 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista”
13 – Tuyo – “Sonho de Lay”
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro”
15 – Marina Sena – “Pelejei”
16 – Liniker – “Mel”
17 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
18 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)”
19 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne”
20 – Edgar – “A Procissão dos Clones”
21 – Rodrigo Amarante – “Maré”
22 – Tasha e Tracie – “Lui Lui”
23 – GIO – “Sangue Negro”
24 – Linn Da Quebrada – “I míssil”
25 – Jonathan Ferr – “Amor”
26 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto”
27 – MC Carol – “Levanta Mina”
28 – Criolo – “Cleane”
29 – Fresno – “Casa Assombrada”
30 – Gab Ferreira – “Karma”
31 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente”
32 – TARDA – “Futuro”
33 – Rabo de Galo, Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija”
34 – Céu – “Chega Mais”
35 – brvnks – “sei la”
36 – Vandal, Djonga e BaianaSystem – “BALAH IH FOGOH”
37 – FEBEM – “Crime”
38 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa”
39 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel”
40 – BADSISTA – “Chora Na Minha Frente”
41 – BK – “Cidade do Pecado”
42 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo”
43 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras”
44 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz”
45 – Nelson D – “Algo Em Processo”
46 – Duda Beat – “Meu Pisêro”
47 – Yung Buda – “Digimon”
48 – Boogarins – “Supernova”
49 – Jota Ghetto – “Vagabounce”
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo”

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Juçara Marçal.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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