Em rico dalasam:

Top 50 da CENA – Jadsa segue 100%. Ou seria 10%? Hierofante Púrpura vem na cola com sua complexidade simples. E o BaianaSystem belisca o 3º lugar com um frevo

1 - cenatopo19

* Nesta semana tem história no Top 50 da CENA. Só que se a gente contar aqui o que é, logo de cara, vai ser um spoiler tão grande que vai dar uma estragada no andamento, então leia as novidades todas para decifrar esse mistério – um tanto dele está no título, é verdade. Mas vai descendo para entender melhor.

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1 – Jadsa – “Olho de Vidro” (Estreia)
A gente gostou desse hábito de repetir os vencedores de uma semana na outra. E, sejamos honestos, o disco da Jadsa merece mesmo essa celebração. Com essa citação aqui, ela se torna talvez a artista com mais menções no top 50 ao mesmo tempo. São cinco, ou seja, dez por cento da lista é Jadsa. Brinca com esta baiana, brinca.

2 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (Estreia)
O Hierofante Púrpura, digamos adepto de uma certa psicodelia indie rural, não é e nunca foi uma banda simples, embora essa “Tbm Sou Hipster” até pareça enganosamente uma música “normal”. É tipo uma trombada de Beastie Boys com MF Doom aprontando algazarras em cima de um sample em loop de um disco da Tropicália. Brinca com estes paulistas, brinca.

3 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (Estreia)
Que bonita jornada o BaianaSystem inventou neste quarto disco. A obra em três atos se encerra com uma versão frevo da música que abriu o rolê lá no primeiro ato, a excelente “Reza Forte”. Aqui com a participação de Thiago França, a banda retoma o tema em uma citação instrumental que deixa o viajante mergulhado em memórias do disco que acabou de escutar.

4 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (2)
Outro disco de camadas, umas claras de primeira ouvida e outras que vêm de encontro a você conforme o tempo de saboreá-lo vai se intensificando, é “III”, lançamento recente da multiartista paulistana Giovanna Moraes. Aqui, uma sagacidade sua foi premiada. Os Boogarins deram a sopa de largar um instrumental em seu álbum de sobras e a Giovanna foi lá e meteu uma letra sua. Agora a música é bem dela.

5 – Jadsa – “Sem Edição” (1)
“Sem Edição” é um som que mostra a capacidade de Jadsa de colocar muitas perspectivas na mesma conversa. Por aqui, Gal e Tulipa Ruiz interagem de igual para igual enquanto a música vem em forma de um mantra que cresce e acelera, uma brincadeira em um jazz que orgulharia João Gilberto e Itamar Assumpção, o grande homenageado do álbum.

6 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (3)
Potente o encontro da banda indie paulistana com a produção da carioca Ana Frango Elétrico. Nada a ver, mas tuuuudo a ver. É especial o quanto no momento mais pop da música o instrumental fica ainda ainda mais doido. Talvez seja isso que estamos precisando. E logo mais tem o disco cheio, esse sim estamos precisando.

7 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (Estreia)
Que sacada do Thiago em colocar a bela voz do Zé Manoel para cantar um refrão destes: “Quando a gente sair daqui/ Eu não quero ter que lembrar/ Dos dias que as lágrimas regaram dores/Que o tempo não vai conseguir apagar”. No rap, uma ideia forte sobre suas potências tão invisibilizada pelo racismo.

8 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (Estreia)
Este trabalho da pernambucana Luna Vitrolira é um bom capítulo de um gênero às vezes deixado de lado por aqui, que é o spoken word. Vale dar uma sacada pela qualidade do texto de Luna e pela experiência em aplicar muito bem suas escritas em diversos gêneros musicais.

9 – FBC – “Gameleira” (4)
O rapper mineiro Fabiano Soares, o FBC, impressiona com sua consciência fora dos padrões sobre o rolê todo. Consciência do hip hop em si, do cotidiano (seu e nosso), da política e da comunicação nas redes. Deste seu novo EP, produzido pelo VHOOR, a gente destaca, entre tantos bons momentos, esse hip hop atabacado de reflexão sobre tradições, tanto na letra quanto no beat.

10 – Rico Dalasam – “Última Vez” (5)
Este é o terceiro som do novo álbum do Rico Dalasam que a gente coloca aqui no top 50. Já abordamos uma das canções mais políticas do disco, a mais radiofônica e agora uma mais sobre relacionamento interracial, onde um lado não assume o outro, em um dos desdobramentos que seguem sendo abordados em outras músicas, como “Brailler” e “Mudou Como?”.

11 – YMA – “White Peacock” (6)
12 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (7)
13 – Mbé – “Aos Meus” (8)
14 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (9)
15 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (10)
16 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (11)
17 – Jadsa – “Lian” (12)
18 – Djonga – “Eu” (13)
19 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (14)
20 – LEALL – “Pedro Bala” (15)
21 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (16)
22 – Felipe Ret – “F* F* M*” (17)
23 – Jadsa – “Raio de Sol” (18)
24 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (19)
25 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (20)
26 – Ale Sater – “Peu” (21)
27 – Jupiter Apple – “AJ1” (22)
28 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (23)
29 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (24)
30 – Rohmanelli – “Viúvo” (25)
31 – Boogarins -“Far and Safe” (26)
32 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (27)
33 – Monna Brutal – “Neurose” (28)
34 – Luna França – “Terapia” (29)
35 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (30)
36 – Ale Sater – “Nós” (31)
37 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (32)
38 – Sessa – “Grandeza” (33)
39 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (34)
40 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (35)
41 – Winter – “Violet Blue” (36)
42 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (37)
43 – Tagore – “Tatu” (38)
44 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (39)
45 – DJ Grace Kelly – “PPK” (40)
46 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (41)
47 – Edgar – “Prêmio Nobel” (42)
48 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (43)
49 – BK – “Mudando o Jogo” (44)
50 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e guitarrista baiana Jadsa.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Em ranking total 2021, o domínio é delas: Jadsa, Giovanna Moraes e Sophia Chablau assumem o top e devem ficar ali por algum tempo, parece

1 - cenatopo19

* A gente tem trabalhado muito escavando esta CENA, andamos reparando por aqui. Estamos no final das águas de março ainda (ainda?) e em nossa busca semanal por música nova já encontramos mais de 50 músicas de 2021 que merecem sua atenção. Sim, se a gente não está equivocado, pela primeira vez em 2021 temos um TOP 50 com 100% das músicas feitas neste ano. Quando a gente fala que a CENA brasileira não está de brincadeira, é fato. Não é opinião, não.

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1 – Jadsa – “Sem Edição” (Estreia)
A gente escreveu um tanto sobre o novo álbum da guitarrista baiana Jadsa, “Olho de Vidro”. Por aqui, desta vez, deste disco rico a gente destaca “Sem Edição”, um som que troca ideia com muito do que a gente comenta no texto, especialmente a capacidade de Jadsa de colocar muitas perspectivas na mesma conversa. Por aqui, Gal e Tulipa Ruiz interagem de igual para igual enquanto a música vem em forma de um mantra que cresce e acelera, uma brincadeira em um jazz que orgulharia João Gilberto e Itamar Assumpção, o grande homenageado do álbum.

2 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (Estreia)
Outro disco de camadas, umas claras de primeira ouvida e outras que vêm de encontro a você conforme o tempo de saboreá-lo vai se intensificando, é “III”, lançamento recente da multiartista paulistana Giovanna Moraes. Aqui, uma sagacidade sua foi premiada aqui. Os Boogarins deram a sopa de largar um instrumental em seu álbum de sobras e a Giovanna foi lá e meteu uma letra sua. Agora a música é bem dela.

3 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (Estreia)
Potente o encontro da banda indie paulistana com a produção da carioca Ana Frango Elétrico. Nada a ver, mas tuuuudo a ver. É especial o quanto no momento mais pop da música o instrumental fica ainda ainda mais doido. Talvez seja isso que estamos precisando.

4 – FBC – “Gameleira” (Estreia)
O rapper mineiro Fabiano Soares, o FBC, impressiona com sua consciência fora dos padrões sobre o rolê todo. Consciência do hip hop em si, do cotidiano (seu e nosso), da política e da comunicação nas redes. Desse seu novo EP, produzido pelo VHOOR, a gente destaca, entre tantos bons momentos, esse hip hop atabacado de reflexão sobre tradições, tanto na letra quanto no beat.

5 – Rico Dalasam – “Última Vez” (Estreia)
Este é o terceiro som do novo álbum do Rico Dalasam que a gente coloca aqui no top 50. Já abordamos uma das canções mais políticas do disco, a mais radiofônica e agora uma mais sobre relacionamento interracial, onde um lado não assume o outro, em um dos desdobramentos que seguem sendo abordados em outras músicas, como “Brailler” e “Mudou Como?”.

6 – YMA – “White Peacock” (Estreia)
Agora “White Peacock”, lançada como single no final de 2020, não é só aquele som da YMA com um solo de sax fora de série, mas é também um single dela com um dos vídeos mais bem produzidos do ano. Uma história circular meio amalucada e muito bem filmada, produção lindona mesmo. Yma is back. Será?

7 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (Estreia)
Professor do indie brasileiro, a lenda gaúcha Frank Jorge aparece aqui em companhia do produtor carioca Kassin. Um encontro que deu jogo. “Nunca Fomos Tão Lindos” concentra o balanço pop de Frank entre sua marcada jovem-guarda e sua guinada forte ao tecnobrega com as invencionices sonoras de Kassin.

8 – Mbé – “Aos Meus” (1)
A gente ficou chapado ao entrar em contato com o trabalho de Luan Correia, o produtor, pesquisador e engenheiro de som carioca, da Rocinha, que funciona aqui como Mbé, palavra que em yorubá significa “ser” e “existir”. Seu experimentalismo, como ele diz, surge da necessidade de significações para a vida negra, mas deixando de lado o sentimento da marginalização e subalternidade social. Ou seja, o experimentalismo aqui é por uma vida, muito além das limitações da música experimental. Entre recortes, samples, Mbé busca novos horizontes no experimentalismo. Na faixa de abertura, repare no quanto é dito em tão pouco espaço. Os recortes, as falas repetidas que são silenciadas, seguidas de uma Antônio Abujamra que dão devido contexto. Tudo está dito e em apenas 46 segundos. Que convite ao álbum. Vai nessa.

9 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (2)
Olha ela de novo. Um amigo gringo nosso, ao ouvir “III”, o novo disco de Giovanna Moraes, comentou que este som específico, “Tudo Bem?”, o lembrava uma pegada Portishead, sons meio enigmáticos embalando voz que alterna momentos de (des)controle emocional. A gente primeiro soltou um “whaaaat?”, mas depois foi escutar mais uma vez com essa referência bonita em mente e não é que tem algum sentido? Podemos estar enganados, mas à medida que a canção cresce Giovanna vai cantando mais entorpecida, um pouco bêbada, e acaba a música repetindo, já total entregue, as mesmas coisas que disse no começo. Como se ela fosse dormir daí, esgotada, depois de a canção encerrada. Nessas, esse (des)controle de emoções dentro de uma música, típico de Giovanna, não só o ato de estar cantando uma letra, remete a Fiona Apple. Que especial, tudo.

10 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (3)
Olha ele de novo. Este disco do Rico… A gente emplacou um terceiro som dele ali em cima, porque merece. A predileta da semana passada era a radiofônica “Estrangeiro”, uma das favoritas dos fãs e um dos hits do disco. Que se mantém aqui, gloriosa, nas “dez mais”. Mas olha o 11º lugar?

11 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (4)
12 – Jadsa – “Lian” (5)
13 – Djonga – “Eu” (6)
14 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (7)
15 – LEALL – “Pedro Bala” (8)
16 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (9)
17 – Felipe Ret – “F* F* M*” (10)
18 – Jadsa – “Raio de Sol” (11)
19 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (12)
20 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (13)
21 – Ale Sater – “Peu” (14)
22 – Jupiter Apple – “AJ1” (15)
23 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (16)
24 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (17)
25 – Rohmanelli – “Viúvo” (18)
26 – Boogarins -“Far and Safe” (19)
27 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (20)
28 – Monna Brutal – “Neurose” (21)
29 – Luna França – “Terapia” (22)
30 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (23)
31 – Ale Sater – “Nós” (24)
32 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (25)
33 – Sessa – “Grandeza” (26)
34 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (27)
35 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (29)
36 – Winter – “Violet Blue” (30)
37 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (31)
38 – Tagore – “Tatu” (32)
39 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (33)
40 – DJ Grace Kelly – “PPK” (34)
41 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (35)
42 – Edgar – “Prêmio Nobel” (39)
43 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (40)
44 – BK – “Mudando o Jogo” (41)
45 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (42)
46 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (43)
47 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (45)
48 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (46)
49 – Kamau – “Nada… De novo” (48)
50 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e guitarrista baiana Jadsa.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – O ser e existir do impressionante Mbé vencem a prova do líder. Mas o ser e existir da também impressionante Giovanna Moraes vêm perto, em segundo. E Rico Dalasam, o dominador, ainda manda nas “dez mais”

1 - cenatopo19

* Semaninha de poucos mas bem bons lançamentos. Ou de descobertas recentes. Ou de melhores entendimentos. Ou de solavancos necessários em audições vacilantes. A CENA brasileira está um organismo vivo incontrolável e imparável. Que bom!!! Leia os textinhos (e “ões”), bota a playlist para rodar e seja esticado e puxado para todos os lados pela transformadora música independente brasileira atual.

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1 – Mbé – “Aos Meus” (Estreia)
Não repara na nossa emoção, é que a gente ficou chapado ao entrar em contato com o trabalho de Luan Correia, o produtor, pesquisador e engenheiro de som carioca, da Rocinha, que funciona aqui como Mbé, palavra que em yorubá significa “ser” e “existir”. Seu experimentalismo é muito bem explicado por ele próprio, anota essa ideia: “O experimentalismo surge da necessidade de significações para a vida negra, mas deixando de lado o sentimento da marginalização e subalternidade social. Desde que os nossos primeiros ancestrais chegaram aqui, grandes líderes e intelectuais negras e negros guerreiam para criar um novo olhar para as nossas experiências e a nossa amefricanidade. Ou seja, o experimentalismo aqui é por uma vida, muito além das limitações da música experimental”. Pegou a ideia? Entre recortes, samples, Mbé busca esses novos horizontes. Na faixa de abertura, repare no quanto é dito em tão pouco espaço. Os recortes, as falas repetidas que são silenciadas, seguidas de uma fala de Antônio Abujamra que dão devido contexto. Tudo está dito e em apenas 46 segundos. Que convite ao álbum. Vem nessa.

2 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (Estreia)
Um amigo gringo nosso, ao ouvir “III”, o novo disco da cantora e faz-tudo paulistana Giovanna Moraes, comentou que este som específico, “Tudo Bem?”, o lembrava uma pegada Portishead, sons meio enigmáticos embalando voz que alterna momentos de controle emocional. A gente primeiro soltou um “whaaaat?”, mas depois foi escutar mais uma vez com essa referência bonita em mente e não é que tem algum sentido? Caramba. Este som é um indie-downtempo que logo derruba a interrogação da pergunta do título. Mas que pode estar mentindo na troca do “?” pelo “!”. Podemos estar enganados, mas à medida que a canção cresce Giovanna vai cantando mais entorpecida, um pouco bêbada. São as coisas fazendo um efeito. Gênia. A missão do segundo disco, que aqui é o terceiro, mas o segundo em português, foi concluída com méritos.

3 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (Estreia)
Não precisamos repetir o textão de semana passada, que você ainda pode ler no 4° lugar aí embaixo, mas o disco do Rico Dalasam segue mexendo com a gente. A predileta da vez é a radiofônica “Estrangeiro”, uma das favoritas dos fãs e um dos hits do disco.

4 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (1)
Dez anos atrás, artistas do universo LGBTQI+ sofriam muito mais com a invisibilidade do que ainda sofrem hoje. Rico Dalasam com certeza viu de perto parte da atitude de mudança no mercado. Nas TVs e festivais, de repente, todo o jogo estava mais receptivo a artistas antes ignorados. Talvez esse movimento tenha moldado positivamente muitas cabeças, derrubado muitos de nossos preconceitos, mas qual a efetividade dele no todo? Quantas empresas abraçaram essas mudanças de imagem sem abraçarem políticas efetivas de combate a nossa estrutura que marginaliza a população LGBTQI+, por exemplo? Por que passamos a comprar melhor, mas não passamos a votar melhor, para ficar em um só exemplo? Se no público a sensação desse processo já é nauseante – dada a óbvia falta de resultados práticos a partir de um mero “consumismo consciente” -, nos artistas LGBTQI+ a pancada é ainda maior: como pensar em arte nessa lógica que parece muito afeita a vender suas ideias, mas ao mesmo tempo pouco interessada nas consequências delas na transformação da sociedade e na defesa real de seus corpos? Ser artista ou um carreirista? Na briga com essa lógica, Rico, por exemplo, comprou tretas que com certeza não deixaram sua trajetória mais suave. Em 2019, escreveu com preocupação um texto na revista “Carta Capital” sobre algumas de suas aflições quanto a isso: “Nunca esteve tão próxima, e por que não dizer homogênea, a produção cultural que emancipa o povo da produção cultural comprometida em deter o povo”. Seu segundo álbum, esse “Dolores Dala Guardião do Alívio”, o primeiro em quase cinco anos, é um tanto sobre as consequências de passar por esse moedor de almas. Dá para sair mais forte na outra ponta da máquina? Em “Expresso Sudamericah”, por exemplo, Rico versa sobre ter quebrado “a régua que mede” seu talento, que soa como um recado a uma tentativa de moldá-lo em algo mais palatável para o grande consumo, e comenta sobre como seus sonhos gigantes vão muito além de ter hit. “Tô desenhando um coração/ Onde todo dia apagam um monte”, ele escreve antes de se jogar no belo refrão onde localiza sua luta não só no Brasil mas neste “Expresso Sudamericah”, o continente que muitas vezes esquecemos que é o nosso também. E, em um exercício de quebra da quarta parede, ainda no refrão, ele parece olhar para o ouvinte e dizer: “Alô, parceiro passageiro”. Estamos juntos, Rico.

5 – Jadsa – “Lian” (2)
Um dos discos mais importante da CENA brasileira neste ano, que foi tomando forma do colosso que é a partir de seus três singles sequenciais lançados, sai na próxima sexta-feira. Este é o terceiro deles. E, dele também, desse disco “Olho de Vidro”, a cantora e guitarrista baiana Jadsa emplaca sua terceira música no nosso Top 50. A incrível “Lian” tem a participação E É SOBRE Luiza Lian, cantora de SP, de um jeito que Jadsa dá uma espécie de continuação em seu projeto de fazer música boa e ao mesmo tempo referencial à música independente brasileira que, já tínhamos observado em “Raio de Sol”, que agora está na 11ª posição deste ranking.

6 – Djonga – “Eu” (3)
Após ter feito um show durante a pandemia, Djonga teve que lidar com uma campanha de cancelamento brutal. Se por um lado dá para entender bem a decepção dos fãs, de outro é evidente que o revide que ele recebeu por seu erro é desproporcional em relação a sua luta. A perseguição intensa sofrida por Djonga parece casar mais com uma cobrança desnivelada causada em parte por nosso racismo estrutural, que obriga que a população negra precise ser dez, mil vezes melhor. Seu novo álbum, “Nu”, não versa só sobre esse assunto, mas é um tópico que parece estar pelas músicas todas e que foi mais bem resolvida em “Eu”, que tem no refrão o verso: “Humano demais pra ser tão bom pra você”. Como se o rapper mineiro quisesse dizer “Quem te fez tão bom assim?”, parafraseando Mano Brown numa certa música chamada “Negro Drama”.

7 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (4)
Segundo single da banda mineira, tirado do álbum “Trator”, previsto para sair em maio deste ano pela Balaclava, a faixa “Cabo Frio” não é tão polêmica quanto “Goiânia”, mas nem por isso é mais fácil ou simples. É um relato de dores complicadas de se encarar enquanto crescemos, aquela sensação de desconexão com o resto do mundo que todo mundo parece carregar um pouco em diferentes intensidades. Desta vez quem canta e ilustra a capa do single é Renan Benini.

8 – LEALL – “Pedro Bala” (5)
“Escupido a Machado” é o nome do primeiro álbum do rapper carioca LEALL, uma referência a uma fala do Mano Brown sobre sua história de vida, onde os ensinamentos constroem, mas os erros custam caro. “Pedro Bala”, segundo som do disco, é um pouco sobre isso, mas também sobre o cerco que se apresenta na vida dos jovens negros do Brasil. Um cerco material, mas também do imaginário – aspecto perverso do racismo estrutural brasileiro que consegue culpar suas vítimas na ida e na volta. Embora a referência do título seja do personagem criado por Jorge Amado em “Capitães de Areia”, a gente relembrou aqui do “Pedro Pedreiro” de Chico Buarque, outro personagem da música brasileira que sofre com as questões do imaginário.

9 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (Estreia)
Um som otimista. A gente precisa deles de vez em quando, né? Ainda que o papo da música seja de um casal, a canção acaba sendo sobre nosso desejo de retorno, não de um relacionamento, mas de rua, de festa, de um pouco de alegria em condições que a pandemia tirou da gente.

10 – Felipe Ret – “F* F* M*” (Estreia)
Quer saber mais deste título? Vale escutar a música toda, não cabe aqui. Mas Ret tem esse mérito de reunir recado e diversão ao mesmo tempo. Até porque o direito de uma vida melhor incluí aproveitar ela do jeito que você bem entende, não? Exaltar isso é uma forma de lutar.

11 – Jadsa – “Raio de Sol” (6)
12 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (7)
13 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (8)
14 – Ale Sater – “Peu” (9)
15 – Jupiter Apple – “AJ1” (10)
16 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (11)
17 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (12)
18 – Rohmanelli – “Viúvo” (13)
19 – Boogarins -“Far and Safe” (14)
20 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (15)
21 – Monna Brutal – “Neurose” (16)
22 – Luna França – “Terapia” (17)
23 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (18)
24 – Ale Sater – “Nós” (19)
25 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (20)
26 – Sessa – “Grandeza” (21)
27 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (22)
28 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (23)
29 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (24)
30 – Winter – “Violet Blue” (25)
31 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (26)
32 – Tagore – “Tatu” (27)
33 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (28)
34 – DJ Grace Kelly – “PPK” (29)
35 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (30)
36 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (31)
37 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (32)
38 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (33)
39 – Edgar – “Prêmio Nobel” (34)
40 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (35)
41 – BK – “Mudando o Jogo” (36)
42 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (37)
43 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (38)
44 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (39)
45 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (40)
46 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (41)
47 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (42)
48 – Kamau – “Nada… De novo” (43)
49 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (44)
50 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora paulistana Giovanna Moraes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – No ranking do textão, Rico Dalasam vai expresso ao primeiro lugar. Djonga traz o disco novo e o questionamento. Jadsa não para com as músicas incríveis. E muito mais

1 - cenatopo19

* Vamos sem enrolação ao Top 50 da CENA desta semana, porque, olha, escrevemos bastante desta vez. Nos empolgamos. Ao mesmo tempo que estamos muito sensíveis a tudo que nos acontece à volta. Tem textão para o primeiro lugar, além de outros bem maiores que os nossos tradicionais “recados” nas outras posições. É que os lançamentos da semana pediram. Várias músicas tocando em assuntos delicados em um passo de amadurecimento importante de muitos dos nossos artistas da CENA.

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1 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (Estreia)
Dez anos atrás, artistas do universo LGBTQI+ sofriam muito mais com a invisibilidade do que ainda sofrem hoje. Rico Dalasam com certeza viu de perto parte da atitude de mudança no mercado. Nas TVs e festivais, de repente, todo o jogo estava mais receptivo a artistas antes ignorados. Talvez esse movimento tenha moldado positivamente muitas cabeças, derrubado muitos de nossos preconceitos, mas qual a efetividade dele no todo? Quantas empresas abraçaram essas mudanças de imagem sem abraçarem políticas efetivas de combate a nossa estrutura que marginaliza a população LGBTQI+, por exemplo? Por que passamos a comprar melhor, mas não passamos a votar melhor, para ficar em um só exemplo? Se no público a sensação desse processo já é nauseante – dada a óbvia falta de resultados práticos a partir de um mero “consumismo consciente” -, nos artistas LGBTQI+ a pancada é ainda maior: como pensar em arte nessa lógica que parece muito afeita a vender suas ideias, mas ao mesmo tempo pouco interessada nas consequências delas na transformação da sociedade e na defesa real de seus corpos? Ser artista ou um carreirista? Na briga com essa lógica, Rico, por exemplo, comprou tretas que com certeza não deixaram sua trajetória mais suave. Em 2019, escreveu com preocupação um texto na revista “Carta Capital” sobre algumas de suas aflições quanto a isso: “Nunca esteve tão próxima, e por que não dizer homogênea, a produção cultural que emancipa o povo da produção cultural comprometida em deter o povo”. Seu segundo álbum, esse “Dolores Dala Guardião do Alívio”, o primeiro em quase cinco anos, é um tanto sobre as consequências de passar por esse moedor de almas. Dá para sair mais forte na outra ponta da máquina? Em “Expresso Sudamericah”, por exemplo, Rico versa sobre ter quebrado “a régua que mede” seu talento, que soa como um recado a uma tentativa de moldá-lo em algo mais palatável para o grande consumo, e comenta sobre como seus sonhos gigantes vão muito além de ter hit. “Tô desenhando um coração/ Onde todo dia apagam um monte”, ele escreve antes de se jogar no belo refrão onde localiza sua luta não só no Brasil mas neste “Expresso Sudamericah”, o continente que muitas vezes esquecemos que é o nosso também. E, em um exercício de quebra da quarta parede, ainda no refrão, ele parece olhar para o ouvinte e dizer: “Alô, parceiro passageiro”. Estamos juntos, Rico.

2 – Jadsa – “Lian” (Estreia)
Parece que o disco mais importante da CENA brasileira no ano, aparentemente, está se formando aos poucos na nossa cara, para nossos ouvidos. Até o dia 26, quando “Olho de Vidro” finalmente sai. Dele, a cantora e guitarrista baiana Jadsa emplaca sua terceira música no nosso Top 50. “Lian”, o incrível novo single, tem a participação E É SOBRE Luiza Lian, cantora de SP, de um jeito que Jadsa dá uma espécie de continuação em seu projeto de fazer música boa e ao mesmo tempo referencial à música independente brasileira que já tínhamos observado em “Raio de Sol”, na sexta posição deste ranking.

3 – Djonga – “Eu” (Estreia)
Após ter feito um show durante a pandemia, Djonga teve que lidar com uma campanha de cancelamento brutal. Se por um lado dá para entender bem a decepção dos fãs, de outro é evidente que o revide que ele recebeu por seu erro é desproporcional em relação a sua luta. A perseguição intensa sofrida por Djonga parece casar mais com uma cobrança desnivelada causada em parte por nosso racismo estrutural, que obriga que a população negra precise ser dez, mil vezes melhor. Seu novo álbum, “Nu”, não versa só sobre esse assunto, mas é um tópico que parece estar pelas músicas todas e que foi mais bem resolvida em “Eu”, que tem no refrão o verso: “Humano demais pra ser tão bom pra você”. Como se o rapper mineiro quisesse dizer “Quem te fez tão bom assim?”, parafraseando Mano Brown numa certa música chamada “Negro Drama”.

4 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (Estreia)
Segundo single da banda mineira, tirado do álbum “Trator”, previsto para sair em maio deste ano pela Balaclava, a faixa “Cabo Frio” não é tão polêmica quanto “Goiânia”, mas nem por isso é mais fácil ou simples. É um relato de dores complicadas de se encarar enquanto crescemos, aquela sensação de desconexão com o resto do mundo que todo mundo parece carregar um pouco em diferentes intensidades. Desta vez quem canta e ilustra a capa do single é Renan Benini.

5 – LEALL – “Pedro Bala” (1)
“Escupido a Machado” é o nome do primeiro álbum do rapper carioca LEALL, uma referência a uma fala do Mano Brown sobre sua história de vida, onde os ensinamentos constroem, mas os erros custam caro. “Pedro Bala”, segundo som do disco, é um pouco sobre isso, mas também sobre o cerco que se apresenta na vida dos jovens negros do Brasil. Um cerco material, mas também do imaginário – aspecto perverso do racismo estrutural brasileiro que consegue culpar suas vítimas na ida e na volta. Embora a referência do título seja do personagem criado por Jorge Amado em “Capitães de Areia”, a gente relembrou aqui do “Pedro Pedreiro” de Chico Buarque, outro personagem da música brasileira que sofre com as questões do imaginário.

6 – Jadsa – “Raio de Sol” (2)
O congraçamento da CENA brasileira em seu momento fértil dos últimos anos se dá à perfeição em “Raio de Sol”, o novo single da guitarrista baiana Jadsa com participações de Ana Frango Elétrico e Kiko Dinucci. Segunda música a ser apresentada de “Olho de Vidro”, o álbum a ser lançado, “Raio de Sol” é tão boa quanto o single anterior, a “A Ginga do Nego”, que você encontra mais abaixo, na sexta posição. E mais cheia de significados. A canção une a musicalidade da Bahia (Jadsa), Rio (Frango) e São Paulo (Kiko). Tem o samba, a MPB de vanguarda, o rock, psicodelia, “lá-lá-lás”, pausa, mudança de andamento. Vem disco do ano – sim, a gente trabalha nesse pique. Sai dia 26.

7 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (Estreia)
Vem por aí o primeiro disco solo, solo mesmo, do BNegão. Aliás, discos solos. O primeiro deles, que chega no final do primeiro semestre, será um álbum que revisita músicas suas e de outras bandas, como Moleque de Rua, Guará e Ratos de Porão. No final do ano, vem um de inéditas. Marcando o inicio desta nova fase do rapper, sem o apoio dos Seletores de Frequência, ele lançou hoje o single “Salve 2 (Ribuliço Riddim)”, que registra seu mantra mais recente de abertura de shows e lives em um som – e que talvez você reconheça de outro lugar, no caso, “Salve”, que está no disco “O Futuro Não Demora”, do BaianaSystem.

8 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (Estreia)
Além da bela música do álbum solo da Vanessa, que por quase 20 anos frequentou bandas indies paulistanas como Maybees e Ludov, vale ver o vídeo dela sobre empoderamento do desejo feminino. E que traz cenas de shibari em um olhar contemporâneo para a arte milenar japonesa sobre dominação e submissão em uma possível metáfora mais ampla sobre como lidamos com nossos relacionamentos. Como aqui o lance é mais música que vídeo, recomendamos bem também o som, puro e simples.

9 – Ale Sater – “Peu” (Estreia)
Parte do EP solo que Ale prepara para o dia 19 de março, “Peu” é uma balada levada por um violão delicado que cita oceanos e ilhas. Na música, ele recomenda a esse alguém chamado Peu, mais novo, que o certo a fazer, entre outras coisas, é “compreender a marcha e seguir o jogo”. Peu talvez seja um filho fictício recebendo conselhos de um tutor. Ou será uma conversa consigo mesmo?

10 – Jupiter Apple – “AJ1” (Estreia)
Gravado em 1999, “The Apartament Jazz” é um disco instrumental perdido de Flávio Basso, aka Júpiter Maçã, aka Júpiter Apple. Parte do material se tornou a trilha sonora de um pequeno filme de Júpiter que leva o mesmo nome. Aqui, nesta “AJ1”, ele demonstra sua competência e domínio completo de conceitos do jazz, música eletrônica e sua especialidade, a psicodelia.

11 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (3)
12 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (4)
13 – Rohmanelli – “Viúvo” (5)
14 – Boogarins -“Far and Safe” (6)
15 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (7)
16 – Monna Brutal – “Neurose” (8)
17 – Luna França – “Terapia” (9)
18 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (10)
19 – Ale Sater – “Nós” (11)
20 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (12)
21 – Sessa – “Grandeza” (13)
22 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (14)
23 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (15)
24 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (16)
25 – Winter – “Violet Blue” (17)
26 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (18)
27 – Tagore – “Tatu” (19)
28 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (20)
29 – DJ Grace Kelly – “PPK” (21)
30 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (22)
31 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (23)
32 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (24)
33 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (25)
34 – Edgar – “Prêmio Nobel” (26)
35 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (27)
36 – BK – “Mudando o Jogo” (28)
37 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (29)
38 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (30)
39 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (31)
40 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (32)
41 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (33)
42 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (34)
43 – Kamau – “Nada… De novo” (35)
44 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (36)
45 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (37)
46 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (38)
47 – MC Carol – “Levanta Mina” (39)
48 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (40)
49 – Criolo – “Fellini” (41)
50 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (42)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: E a liderança do ranking é do primeiro grande hino de 2021. Que na real é de 2017. Sabe qual?

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* Um som de 2017 na liderança de um ranking que puxa as novidades da semana (de 2021, no caso)? Talvez essa seja a pergunta que está na sua cabeça neste momento. Está na nossa também, haha. Mas fazer o quê?

Alguém não acredita que “Bum Bum Tam Tam” é a música do ano até aqui? Além do mais, o Top 50 não existia naquela época. Então a gente pode agora dar uma reajeitada na linha do tempo e oferecer um primeiro lugar justo e merecido ao MC Fioti e seu “Melô da Vacina”.

Mas, sim, temos espaço para as novidades costumeiras também no nosso ranking semanal. Mas só algumas. É que o ano ainda segue devagar.

Cadê as músicas novas, pessoal?

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1 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (Estreia)
“Bum Bum Tam Tam” é a trilha sonora da vacina, é questão do ENEM, é o funk brasileiro mais popular no YouTube – 1,5 bilhão de plays. É um som histórico. Leandro Aparecido Ferreira, o MC Fioti, representa exatamente o que é “do it yourself” do funk brasileiro. A voz da música foi gravada no celular. A produção e um sample de Bach foram construídos em seu notebook “cheio de vírus”. Gênio é uma palavra que cabe aqui, ainda que numa concepção nada tradicional.

2 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (Estreia)
Integrantes da banda da Letrux andam revendo o repertório do álbum “Aos Prantos”, no que deve formar um EP chamado “Aos Prantos Pandêmicos”. Nas mão de Martha V, “Dorme Com Essa” ganhou ares acústicos e vozes adicionais. Outro clima mesmo. Tão bom quanto o original.

3 – MC Carol –  “Levanta Mina” (Estreia)
Reclamar que o funk, ou só o funk, é um gênero machista é uma imprecisão. Todos os outros gêneros musicais do país sofrem do problema. E, no funk, a luta por canções feministas está bem ativa. “Levanta Mina” é um som para levantar, mesmo, a autoestima de todas as minas. Petardado da sempre excelente MC Carol.

4 – Marrakesh – “To Comprehend” (Estreia)
Aqui um som do Marrakesh que já circulou nessa listinha quando saiu em single. É que a banda reuniu três singles do ano passado em um EP, “Knots”, lançado semana passada por selo gringo e que traz duas inéditas – que são bem boas também. Esta “To Comprehend” tem um clima irresistível demais. Dá uma chance, se não conhece ainda.

5 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (1)
Nosso disco favorito de funk em 2020. Sim, disco. E conceitual. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”. Um álbum que passeia por misturas do funk com outros ritmos apresentando diversos pontos de vistas de uma noite pelas quebradas de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.

6 – Criolo – “Fellini” (2)
30 anos de rap não é para qualquer um. E a experiência parece só fazer bem a Criolo. “Fellini” é em parte isso. Uma intersecção interessante de experiência e experimentação. Como em um filme de Fellini, Criolo consegue dar sentido a diversas pontas soltas, narrativas e ideias. Aparentemente, não há um sentido claro na letra. E, ainda que os ouvintes tirem mil conclusões diferentes, todas parecem friamente calculadas pelo compositor. Trabalho nível grande mestre.

7 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (3)
“quem soul eu” é um som conhecido do pessoal que viu a Linn no palco durante os shows de Trava Línguas, sua experimentação no palco ao lado de BadSista que vai dar em álbum neste ano. BadSista escreveu que criar uma versão definitiva de som que mudava cada vez que rolava ao vivo foi um desafio. A gente devolve que esse desafio foi cumprido com sucesso.

8 – Cambriana – “Induction Bread” (Estreia)
Vacilamos em não dar atenção no ano passado ao novo disco da Cambriana, banda esperta de Goiânia. Também eles não ajudaram – soltaram a novidade no final de dezembro. Mas já estamos apaixonados por essa canção cheia de diferentes climas, momentos, ritmos. Ezra Koenig do Vampire Weekend ligou com invejinha.

9 – Kamau – “Pensei” (4)
Por falar em experiência no rap, parece que “Pensei”, do Kamau, é uma boa reflexão sobre seu trabalho. Sempre calculando, refletindo. Na calma e seriedade de quem não transforma a obra em um mero produto, que nasce pronto para ser consumido e esquecido.

10 – IVYSON – “Trilho” (5)
Bem bonito e delicado o trabalho desse jovem compositor de Recife. No caso desta “Trilho”, do EP “Retalhos”, é uma mera canção cotidiana sobre a morte. Mas, delicadíssima, não cita a “maldita” uma vez sequer.

11 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (6)
12 – Wry – “Absoluta Incerteza” (7)
13 – Silva e Criolo – “Soprou” (8)
14 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (9)!
15 – YMA – “White Peacock” (10)
16 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (11)
17 – Edgar – “Também Quero Diversão” (12)
18 – Luedji Luna – “Chororô” (13)
19 – Black Alien – “Chuck Berry” (14)
20 – Vovô Bebê – “Bolha” (15)
21 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (16)
22 – The Baggios – “Mantrayam” (17)
23 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (18)
24 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (19)
25 – Zé Manoel – “História Antiga” (21)
26 – Liniker – “Psiu” (22)
27 – Ítallo – “O Time da Mooca” (23)
28 – Tuyo – “Sonho da Lay” (24)
29 – Carabobina – “Pra Variar” (26)
30 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (27)
31 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
32 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
33 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
34 – BK – “Movimento” (33)
35 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
36 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
37 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
39 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
40 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
41 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
42 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
43 – Don L – “Kelefeeling” (42)
44 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
45 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
46 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
47 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
48 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
49 – Jhony MC – F.A.B. (48)
50 – Djonga – “Procuro Alguém (16)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Letrux.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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