Em rina sawayama:

Top 10 Gringo – O rock domina o Top 10: um oferecimento de Halsey (!), Indigo de Souza (!!), Rina Sawayama (!!!) e… Kanye West (!!!!)

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* Já que tem textão ali no nosso décimo lugar, vamos direto ao ponto. Semana cheia de bons lançamentos, incluindo o polêmico “Donda”, do Kanye West, que a gente discute mais lá embaixo. Será que ele merece estar no topo da lista semana que vem? As músicas prestam? As participações especiais danificam seu trabalho? A conversa está aberta.

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1 – Halsey – “Easier than Lying”
É o ano do rock. E talvez um discos mais interessantes de rock do ano seja essa investida da californiana Halsey. Com produção de Trent NIN Reznor and Atticus Ross, ela escreve um disco todo sobre, em suas palavras, “as alegrias e horrores da gravidez e do parto”. E que momento é “Easier than Lying”, um som provavelmente sobre um homem bem péssimo. Que baixo é esse?

2 – Baby Keem, Kendrick Lamar – “Family Ties”
Daqui a pouco a gente fala do Kanye West, mas outro que gosta de mistério é o Kendrick Lamar, que faz suspense sobre seus próximos passos, talvez esteja até criando um altergo, mas aparece bem nesta faixa do seu primo Baby Keem, que por acaso, também está presente no polêmico Donda.

3 – Gorillaz – “Jimmy Jimmy”
Em um EP surpresa, “Meanwhile EP”, o Gorillaz oficializa três bons sons que já andavam rolando ao vivo. Nossa predileta é a dançante “Jimmy Jimmy”. Este pequeno álbum é uma homenagem ao carnaval cancelado de Nothing Hill por conta da pandemia. No Spotify, a banda fez até uma “mixtape” com outros sons dançantes, procurem por Gorillaz Carnival.

4 – Indigo de Souza – “Way Out”
E por falar em volta do rock… Atenção nessa garota da Carolina do Norte que também fez um superdisco inventivo dentro do gênero, bem escrito, bem tocado e barulhento e meio lo-fi – do jeito que gostamos.

5 – Big Red Machine – “Hoping Then”
A parceria de Aaron Dessner (National) e Justin Vernon (Bon Iver) é brilhante. Além das participações especiais que estrelam este segundo álbum da dupla, entre elas Taylor Swift e Sharon van Etten, eles também brilham sozinhos, como nesta bela “Hoping Then”.

6 – Turnstile – “Alien Love Call”
Semana passada a gente já tinha falado do caso da banda de metal que vai se lançar pelo shoegaze. Dessa vez a história é o grupo de hardcore que se arrisca por gêneros mais delicados – ainda que pese a mão quando ache necessário. Essa com participação do Blood Orange é uma daquelas que quem nunca escutou o Turnstile vai pensar: banda de hardcore?

7 – Feng Suave – “Tomb for Rockets”
A leve psicodelia minimalista dos holandeses do Feng Suave é daquelas de passar boas tardes curtindo uma brisa. É um Tame Impala bem menos (bem menos mesmo) aditivado, saca, e que escutou mais soul music.

8 – Chvrches – “How Not to Drown (feat. Robert Smith)”
Uau. Robert Smith colou no rolê dos escoceses do Chvrches. E a gente teve a moral de escutar a vocalista Lauren Mayberry sobre isso. Se liga que história incrível. “Acho que para o meu eu adolescente ainda não caiu a ficha, porque todos nós sempre fomos grandes fãs, nossa música é muito inspirada no Cure, sempre tivemos camisetas e tal… Meu manager soube que ele estaria gravando um novo album e decidiu entrar em contato com seu representante, para que, sei lá, de repente, se ele fosse estar em turnê, poder abrir algum show do Cure, ou algo assim. Mas acontece que Robert não tem um manager e aí um dia ele simplesmente apareceu e disse ‘Hey, vi que vocês estavam me procurando’”. Ouve o resultado.

9 – Rina Sawayama – “Enter Sandman”
Uau de novo. Segue a leva de covers do álbum preto do Metallica. E Rina chega com talvez a mais inventiva versão até aqui. Um misto de rock modernoso com direito a samples e um toque dance que respeita o clássico original. E a risada malvada do James vira um riso bem-humorado da Rina.

10 – Kanye West – “Jail”
Que treta resenhar esse cara. Seja lá o que pense politicamente em termos de Trump/Biden ou ele mesmo para presidente, dá para dizer fácil que Kayne construiu até aqui uma obra que celebra a criatividade e liberdade. Ele talvez seja um dos grandes compositores e produtores de sua geração. Só que a arte do polemista pode dar ruim às vezes. Em uma primeira escutada, no longo “Donda”, a coisa soa confusa pela primeira vez em sua discografia. Aliás, seria esse mesmo a versão aprovada por West? Ou é a gente que não está alcançando sua genialidade? Ele escreveu que a gravadora soltou o álbum sem sua autorização. Ainda que várias músicas soem incríveis, avançadas, com seu tino musical em alta, algo parece fora de compasso. Especialmente a participação especial sem qualquer contexto de Marilyn Manson. Qual sua razão? Não fica explicado e só soa ofensivo com as mulheres que denunciaram seus abusos. Mesmo DaBaby, que pediu desculpas pelas bobagens que disse e alega ter aprendido a lição, também pode ser contestado. Ao mesmo tempo, é um disco que termina com um pedido de liberdade para alguém em prisão perpétua. Algo que não se vê todo dia. Uma ideia nada conversadora. Confuso? Complexo? Temos um disco para ser discutido por meses. Eu disse que era um treta. E nem conseguimos elogiar a ótima “Jail”, que tem Jay Z arrebentando e tudo mais. Fora que também é um… rock!

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* A imagem que ilustra este post é da Halsey.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Mais Metallica. A lista de quem toca o que das bandas indies (ou nem tanto) que vão recriar o “Black Album”

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* Ainda sobre o barulhento anúncio do Metallica de hoje, em torno da movimentação de aniversário do marcante “Black Album”, de 1991, que vai render o projeto de recriação dele por 53 artistas em disco especial chamado “The Blacklist Album”.

Só para lembrar, tanto esse “The Blacklist Album” quanto o original “Metallica” remasterizado vão ser vendidos separados e ainda numa luxuosa caixa com os dois em vinil, um picture disc, três vinis ao vivo, 14 CDs, seis DVDs e um livro. Tudo saindo no dia 10 de setembro.

Vamos esmiuçar mais, aqui, quais as bandas “da nossa turma” vão estar no projeto e tocando e cantando qual dos hinos do Metallica:

– Phoebe Bridgers fazendo “Nothing Else Matters”
– Idles, “The God That Failed”
– St. Vincent, “Sad But True”.
– Weezer, “Enter Sandman”
– Mac DeMarco, “Enter Sandman”
– Royal Blood, “Sad But True”
– Moses Sumney, “The Unforgiven”.
– Kamasi Washington, “My Friend of Misery”
– Rina Sawayama, “Enter Sandman”
– Pup, “Holier Than Thou”
– J Balvin, “Wherever I May Roam”
– My Morning Jacket, “Nothing Else Matters”
– Miley Cyrus, “Nothing Else Matters”
– Sam Fender, “Sad But True” (ao vivo)
– Biffy Clyro, “Holier than Thou”
– Cage the Elephant, “The Unforgiven”
– Dave Gahan, “Nothing Else Matters”
– Imelda May, “The God That Failed”
– Rodrigo Y Gabriela, “The Struggle Within”

Achamos que é isso. Abaixo, ouça a roqueira pop Miley Cyrus fazendo “Nothing Else Matters”, com participações de Elton John no piano, o baixista Robert Trujillo, do Metallica, Chad Smith dos Chili Peppers na bateria, Watt e Yo-Yo Ma. Com um vídeo paisagístico aleatório.

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Top 10 Gringo – girl in red roqueira vai para as cabeças. Jorja Smith dolorida cola no topo. E o Black Keys fecha a trinca com uma novinha dos anos 20

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* A gente é meio tradicional das ideias às vezes, gostamos de álbum. Daí a estranheza de uma semana onde nenhum álbum nos impactou. Por isso, o Top 10 desta vez está com muitos singles – que prometem, já que é para botar sob essa perspectiva, grandes álbuns para logo mais. Ou grandes EPs, vá lá. Tudo bem, tem material do disco de releituras do Paul McCartney – que saiu talvez até melhor que o “McCartney III” original, na nossa modesta opinião. Mas, em single ou em disco, a gente garante uma boa seleção semanal. E, principalmente, uma boa e significativa playlist para o momento.

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1 – girl in red – “You Stupid Beach”
E seguimos amando o som da norueguesa Marie Ulven, a garota de vermelho. “if i could make it go quiet”, seu álbum de estreia agendando para o próximo dia 30, apresenta mais um single nota 10. “You Stupid Beach”, assim como o último single, a ótima “Serotonin”, vem no embalo indie-rock que parece até som inglês. Longe de ser melosa, lamuriosa. Traz o gás que parece ser a real de girl in red, para além do que projetam em sua música “de menininha”, principalmente pelo séquito especial de fãs que a perseguem. Jogando isso tudo para o alto, “You Stupid Bitch” vai ao rock “puro” mais do que costuma ir Lorde e Billie Eilish, a quem com certa razão gostam de associar sua existência.

2 – Jorja Smith – “Gone”
Saudade do sotaque britânico da Jorja. Aqui ela se derrete em uma música dolorida de perda. Aquele fim de relacionamento que deixa a pessoa sem chão, sabe? Mas tudo isso naquele flow dela que quase chega ao rap, mas ainda é muito cantado, muito interessante, novo e fresco. O que nos empolga é que este é só o segundo single de um EP que ela está preparando para maio.

3 – Black Keys – “Crawling Kingsnake”
“Crawling Kingsnake” é daqueles blues que datam dos anos 20 e que a primeira gravação conhecida é dos anos 40. É nesse pique de ir atrás de relíquias que o Black Keys prepara um disco de covers. Mas tudo tocado daquele jeitão deles, que quem não manja pode até confundir com inédita. E tudo bem também.

4 – Jarv Is… – “Swanky Modes” (Dennis Bovell Remix)
O dândi Jarvis Coker tem esse projeto dele chamado Jarv Is…. Com ele lançou um álbum, “Beyond the Pale”. “Swanky Modes”, um dos sons deste disco, reapareceu em single com três versões: um remix do pioneiro do reggae Dennis Bovell e mais duas encharcadas em dub. Dennis deu um show aqui com seu leve toque que tira a coisa mais reta e caretinha da versão original. Uma provocação leve que dá um outro sabor a música.

5 – Liz Phair – “Spanish Doors”
Sem lançar um álbum novo há 11 anos, a veterana cantora e multiinstrumentista Liz Phair mostra que manteve o fôlego. Em um caldo que mistura, segundo a própria, The Specials, Madness, R.E.M., Yazoo, the Psychedelic Furs, Talking Heads, Velvet Underground, Laurie Anderson e The Cars, temos um bom saldo de seus dias de roqueira e de dias mais pop. Lá atrás Liz ajudou a formar esse rock feminino de posicionamento. Depois observou tudo o que veio. E agora ainda quer dizer, e bem, uma coisa e outra sobre isso.

6 – Chvrches – “He Said She Said”
Os escoceses do Chvrches estão de volta com a primeira inédita desde 2018. “He Said She Said” mantém os parâmetros iniciais da banda quando surgiu, a começar pela voz inconfundível da vocalista Lauren Mayberry. Em outras palavras, um indie feito para as pistas de dança. Aliás, é escutar a música e já imaginar um remix que dê uma acelerada ali ou torne a canção ainda mais chiclete, ainda que o assunto, aqui, seja misoginia daquelas bem pesadas.

7 – Rina Sawayama – “Chosen Family”
Rina encontrou um par perfeito em Elton John para esta letra sobre a família que construímos pela vida em encontros que não são de sangue, mas de algo ainda mais profundo – uma experiência que Elton tem. Além de emprestar sua voz com conhecimento de causa, o veterano Sir britânico ainda adiciona seu piano na música, dando um brilho extra e clássico onde na versão original tínhamos um instrumental mais sintético, digamos. Fino.

8 – Bomba Estéreo – “Deja”
A conhecidíssima e sempre bacana banda colombiana Bomba Estéreo, na real um duo formado por Li Saumet e Simon Mejia que é inchado quando a dupla sai em suas bombásticas turnês dance estereofônicas, está preparando sua volta e soltaram mais um single do álbum que vem por aí. “Deja”, a faixa-título, é um estouro daqueles. Sabe quando os graves tremem? Pois é.

9 – Paul McCartney – “When Winter Comes (Anderson .Paak Remix)”
A versão original da música é um típico McCartney ao violão em uma história do campo. Anderson .Paak chega no rolê com piano e bateria, joga o refrão para o começo da música e está lá: é outra canção quase. E tão boa quanto – sim, acho que comentamos isso em outras versões desse disco de releituras do “McCartney III” aqui, mas é a realidade. Será que o Paul topa dar seus outros discos para o mesmo experimento? É uma ideia. Lembra de creditar a gente, Sir Paul.

10 – White Stripes – “Fell In Love With A Girl (Alternate Take)”
O White Stripes celebra os 20 anos de “White Blood Cells”, seu terceiro disco, e solta um take alternativo da música que colocou eles no mundo – se bem que alguns anos depois outra música ia colocar eles no universo, mas essa é outra história. Uma delícia ver a dupla ainda tateando o clássico, deixando brechas nos versos, passagens instrumentais em dúvida. É como ver um hit no berço ainda. Esta versão ainda não está nos streamings, só no Youtube. Enquanto não chega, vamos com a original na playlist. Depois trocamos.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora norueguesa girl in red.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – Só as minas e as músicas lindas, estrelando Jorja Smith, Chvrches, Rina Sawayama e Dua Lipa fazendo Arlo Parks

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– Deu uma saudade aqui do show da Jorja Smith no Lollapalooza 2019. Aquele clima bom, cair da noite. Um show tão foda que ela conseguiu ressignificar a tão-malhada camiseta da seleção brasileira quando apareceu com o uniforme – a banda inteira, aliás, estava uniformizada. Que bom saber que ela voltou com “Be Right Back”, um EP de oito músicas, que dá sequência ao excelente “Lost & Found”, seu álbum de 2018. Deste projeto, já temos dois singles na manga: “Gone” e “Addicted”. As outras seis músicas saem no dia 14 de maio.

A gente por aqui amou a versão que a Rina Sawayama fez com o Elton John de sua “Chosen Family”. Mais alegria em saber que ela tocou uma versão da música em sua recente participação no “Tiny Desk (Home) Concert”. Só que a apresentação não teve nada de pequena. Foi é com banda completa e até uma seção de cordas. No setlist ainda rolaram “Dynasty” e “XS”. Luxo.

– Que maravilha a cover que a musa pop Dua Lipa (foto na home) fez da delicadeza indie Arlo Parks, para o programa “Live Lounge”, da Radio One, da BBC inglesa. A música que Dua Lipa fez performance foi “Eugene”, do álbum de estreia de Parks, o intensamente belo “Collapsed in Sunbeams”, lançado no final de janeiro. Em seu Stories, Arlo Parks afirmou estar “levitando” enquanto ouve a versão da amiga famosa. “Que momento para uma canção tão calma e pessoal que foi feita na sala da minha casa”, falou Parks.

– Olha quem apareceu. A banda escocesa Chvrches, da pequena vocalista enorme Lauren Mayberry. Lançaram hoje “He Said She Said”, primeira música inédita desde o álbum “Love Is Dead”, de 2018. Mataram o amor e sumiram. “Como todo mundo, tive muito tempo para pensar e refletir no ano passado; para examinar experiências que eu havia antes encoberto ou enterrado. Sinto que passei grande parte da minha vida (pessoal e profissional) realizando o ato de equilíbrio desconfortável que é esperado das mulheres, e fica mais confuso e exaustivo quanto mais velha eu fico”, explica o desaparecimento e o novo single a cantora do trio escocês. A música nova é Lauren enfrentando forte a misoginia. “‘He Said She Said’ é minha maneira de avaliar as coisas que aceitei e que sei que não deveria. Coisas que fingi não me prejudicarem. Foi a primeira música que escrevemos quando começamos a voltar, e a linha de abertura (“He said, You bore me to death”) foi a primeira letra que saiu. Todos os versos são versões irônicas ou parafraseadas de coisas que me foram ditas por homens em minha vida. Ser mulher é exaustivo e seria melhor gritar em uma música pop do que gritar no vazio. Depois do ano passado, acho que todos podemos nos relacionar com a sensação de que estamos perdendo a cabeça.” O Chvrches vem com seu quarto álbum neste ano. O projeto já está sendo chamado de “CHV4”, mas não deve ser o título do disco.

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Rina Sawayama quis arrumar o piano de uma de suas músicas e pediu uma ajudinha para o Elton John

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* Ano passado quem viu o post “Rina Sawayama lança versão deluxe de seu disco lindo de estreia”, aqui na Popload, talvez tenha notado na imagem que ilustrava o texto tem uma frase de Elton John sobre Rina: “Melhor disco do ano até agora”.

E aqui estamos alguns meses depois com uma parceria da dupla em questão, em uma canção do tal “melhor disco do ano até agora”, o excelente “SAWAYAMA”.

A música escolhida para essa dobradinha, lançada na sexta-feira, não poderia ser mais significativa. “Chosen Family”, da nipo-britânica, aborda as famílias que escolhemos montar pela vida, aquelas pessoas que são como a gente e acolhem todas as diferenças e semelhanças. Não é nem o sentimento de amizade, propriamente: é outro reconhecimento.

Quem viu o filme do Elton John tem uma leve noção do quanto sua amizade com o letrista Bernie Taupin cumpriu quase um vácuo familiar que ele tinha, especialmente com seu pai. Daí que a gente calcula por que a Rina tenha escrito que essa música “significa muito para os dois”.

A versão original de “Chosen Family” tinha um piano sintetizado que virou um piano acústico na mão do Elton, que também participa cantando alguns versos com seu grave que chegou com a idade.

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