Em Rodrigo Amarante:

CENA – Rodrigo Amarante toca quatro faixas ao vivo de “Drama” em rádio da Filadélfia

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* O músico brasileiro Rodrigo Amarante, que mora há muito tempo nos EUA, levou seu “Drama” para o tradicional “World Cafe”, programa de rádio da Filadélfia na emissora WXPN e distribuído pela NPR. Dá para conferir tanto o papo que Amarante levou no programa, além de escutar sua íntegra, quanto só curtir a session das quatro músicas que ele apresentou ao vivo sozinho com violão em versões relaxadas e deliciosas.

1 – “Maré”
2 – “Tara”
3 – “I Can’t Wait”
4 – “Tao”

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* Lembrando que a gente também trocou ideia com o hermano, recentemente. Papo nota 10, você viu?

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Top 50 da CENA – GIO em primeiro, Tuyo em segundo, Linn em terceiro. Tudo igual numa parada diferente

1 - cenatopo19

* Resolvemos fazer uma semana diferente no nosso Top desta vez. Uma semana sensivelmente menos novidadeira que as outras. São três novidades e repetimos todas as três primeiras posições. “Consumir música não era sobre lançamentos”, escreveu a Dora Guerra na semana passada em uma outra seção da Popload, a “Semiload”, e tem uma conversa interessante aí. Alguns textos ganharam retoques e novas ideias, alguns permanecem. Acalmar a brincadeira é uma ação que pode partir de nós também – vamos escutar tudo de novo com mais calma?

giotopquadrada

1 – GIO – “Sangue Negro” (1)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boa na cabeça. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos.

2 – Tuyo – “Turvo” (2)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

3 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (3)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

4 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (Estreia)
É sempre bom saber o que se passa pela cabeça do sempre excelente Bruno Kayapy e sua Macaco Bong, atualmente formada por ele e Eder Noleto na bateria e Igor Carvalho no baixo. “Hacker de Sol” inspirada em “Bacurau”, filmaço de Kleber Mendonça e Juliano Dorneles, quebra um longo silêncio da banda. Fiquem tão quietos assim não, meninos.

5 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (Estreia)
Rincon abraça a onda do drill e faz um single nessa pegada, uma produção de SubX, Ty Fig. Sobre o sentido do gênero, até Rincon fez uma graça com o significado de drill em seu YouTube, já que as minúcias do estilo, marcado por ser mais sombrio e ter graves poderosos, podem passar quase despercebidas aos fãs mais ocasionais.

6 – Kiko Dinucci – “VHS” (Estreia)
Em seu disco solo “Rastilho”, Dinucci foi atrás de um som de violão bem distante dos limites digitais. Queria repensar as formas de registro do instrumento. “VHS” é uma experiência de 20 minutos de uma única faixa que passa por outro desafio. Aqui a ideia é “estragar” o som pelos limites impostos por um fita VHS, que comia um tanto da qualidade do cinema e aqui “estraga” registros sonoros a partir de um performance de Kiko e Fernando Velasquez para o festival Música Estranha.

7 – Mary Olivetti – “Black Coco” (4)
Filha do mestre Lincoln Olivetti, a DJ e produtora Mary resolveu reler uma joia do pai, no caso este hit dos anos 70. Na versão atualizada, os vocais são da maravilhosa Mahmundi, que só chegam aos 2 minutos da música. Deu para entender um pouquinho da brisa que são esses seis minutos de som?

8 – Rodrigo Amarante – “Maré” (5)
Um outro disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia do hermano sem o Los Hermanos. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

9 – Valciãn Calixto – “Desmistificando Pombagira” (6)
O piauiense registra aqui sua mistura única de funk, axé, swingueira, capoeira, salsa, candomblé e xote, temperada pela capacidade enorme dele em fazer letras simples e diretas. E bacanas. E parte para cima de uma tema urgente no Brasil: desmistificar elementos do candomblé e da umbanda. Não por acaso, seu novo EP que saí em breve vai levar o nome de “Macumbeiro 2.0”. Menino bom.

10 – Tagore – “Capricorniana” (7)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

11 – Zopelar – “Jump” (8)
12 – Bruno Bruni – “A Onda” (9)
13 – Terno Rei – “Medo” (10)
14 – Bonifrate – “Cara de Pano” (11)
15 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix) (12)
16 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (13)
17 – Criolo – “Fellini” (14)
18 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (15)
19 – Fusage – “Fearless Soul” (16)
20 – ATR – “Intro’ (20)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, GIO, ex-Giovani Cidreira.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Top 50 da CENA – O sangue negro de GIO tem poder. Parte 2 da Tuyo mantém trio no topo. E a Linn da Quebrada segue no pódio

1 - cenatopo19

* Pensando aqui se esta semana tem algum marco temático. Parece que não. A gente já estava de olho no GIO, a gente já ama a Tuyo, o alcance sonoro do Valciãn, a Mary chegou na gente via Mahmundi, outro amor nosso. Bruno Bruni e Terno Rei também são outras obsessões da casa. Sem falar nos outros sons que seguem mais uma semana no nosso top 50. Acho que encontramos um tema: nossa playlist semanalmente atualizada é o nosso amor por essa CENA maravilhosa que é a brasileira. Você ainda não se apaixonou, não?

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1 – GIO – “Sangue Negro” (Estreia)
O novo álbum do baiano GIO, anteriormente conhecido como Giovani Cidreira, é uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo. A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, Gio escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos.

2 – Tuyo – “Turvo” (Estreia)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente descontruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

3 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (1)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

4 – Mary Olivetti – “Black Coco” (Estreia)
Filha do mestre Lincoln Olivetti, a DJ e produtora Mary resolveu reler uma joia do pai, no caso este hit dos anos 70. Na versão atualizada, os vocais são da maravilhosa Mahmundi, que só chegam aos 2 minutos da música. Deu para entender um pouquinho da brisa que são esses seis minutos de som?

5 – Rodrigo Amarante – “Maré” (2)
Um outro segundo disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia solo. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

6 – Valciãn Calixto – “Desmitificando Pombagira” (Estreia)
O piauiense registra aqui sua mistura única de funk, axé, swingueira, capoeira, salsa, candomblé e xote, temperada pela sua capacidade enorme para fazer letras simples e bacanas, diretas. E parte para cima de uma tema urgente no Brasil: desmitificar elementos do candomblé e da umbanda. Não por acaso, seu novo EP que saí em breve vai levar o nome de “Macumbeiro 2.0”. Menino bom.

7 – Tagore – “Capricorniana” (3)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

8 – Zopelar – “Jump” (4)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

9 – Bruno Bruni – “A Onda” (Estreia)
Indie de alma jazz ou o contrário, Bruno Bruni começa a dar as pistas de seu novo álbum. Se “Broovin”, sua estreia, era o trabalho de um homem só, “Broovin II” traz muitos músicos em cada som. A festiva “A Onda” é só o primeiro indicio do que essa mudança de temperatura traz para a obra do músico.

10 – Terno Rei – “Medo” (Estreia)
Chapamos na estética anos 80/rádio retrô desse som. Ainda que esteja em “Violeta”, álbum do Terno Rei lançado em 2019, a banda lançou só agora um vídeo para ela e fez a gente relembrar o quanto ali está um puta disco. Dali a gente vai por “Yoko”, “São Paulo”, “Dia Lindo”. É esperar a pandemia acabar para ver um show dos caras.

11 – Bonifrate – “Cara de Pano” (5)
12 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix) (6)
13 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (7)
14 – Criolo – “Fellini” (8)
15 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (9)
16 – Fusage – “Fearless Soul” (10)
17 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (11)
18 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (12)
19 – Lucas Ranke – “Alucina” (13)
20 – ATR – “Intro’ (14)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (16)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (17)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, GIO, ex-Giovani Cidreira.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

CENA – Rodrigo Amarante: “Nossas vozes são ecos de outras vozes, teatros que incorporamos ao fingir sermos adultos”. Teve isso, teve “Drama”, política, Los Hermanos, Caetano, Dylan…

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* A gente imaginou que ia ser 10 nossa conversa com o Rodrigo Amarante, que rolou nesta semana via Popload TV (nosso canal no Youtube). Mas não sabia que ia ser tanto assim. E mais: foi a nossa live que mais colou uma turma para escutar e também tentar fazer suas perguntas para o “ruívo” – aliás, desculpas nossas por não dar conta de ler todas as perguntas: foram muuuitas. E a gente só tinha meia hora de conversa programada, Rodrigo cumpre uma superagenda de compromissos nessa divulgação do seu segundo álbum solo, “Drama”. E não estamos aqui para fazer “drama”. Ele sim.

A conversa toda está na íntegra no YouTube, mas em resumo falamos sobre as questões que cercam seu novo álbum, sua abordagem, sua relação com o coletivo que ajudou Rodrigo na produção e suas músicas – algumas delas velhas conhecidas dos fãs mais atentos e na conversa ele conta os bastidores de “Carta” e “Um Milhão”.

Também falamos de política, um tema que passa longe do disco de maneira literal, mas que está cantado na opção de abordar amores e dores e assumir esse lado mais emocional sem medo – além de se apresentar como alternativa a uma suposta competição que rola entre os homens e o quão falha é a conversa de meritocracia.

E teve tempo de tocar no assunto Los Hermanos. Rodrigo contou dos shows mais recentes da banda e refletiu um pouco sobre a opção pelo longo hiato criativo do grupo – que já dura 14 anos. “Uma sábia decisão”, ele avalia. “Banda é um diálogo, às vezes a conversa morre um pouco.”

Ele declarou até seu voto no ano que vem – Rodrigo vive em Los Angeles, nos EUA (também falamos sobre a diferença de humor entre cariocas e norte-americanos) e de lá pode votar para presidente. Tem que assistir, chega de spoilers da conversa.

Ah, teve um duelo Caetano x Dylan. Pensando agora, durou mesmo só meia hora essa conversa?

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Top 50 da CENA – Parada desta semana é quase temática, entenda! No topo, temos a Linn Da Quebrada quebrando a banca com seu segundo disco. Amarante e Tagore brilhan no pódio

1 - cenatopo19

* Semana quase temática de lançamentos de segundos discos – sem querer, mas rolou. Linn Da Quebrada, Rodrigo Amarante, Rodrigo Brandão, Fusage. Todos esses artistas se aventuram pela complicada segunda missão de apresentar um conjunto de músicas com começo, meio e fim. Lógico, também trabalhamos com singles e outros papos. O que não muda é qualidade da playlist que dá a temperatura atual da CENA brasileira, invariavelmente quente.

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1 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (27)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

2 – Rodrigo Amarante – “Maré” (Estreia)
Um outro segundo disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia solo. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

3 – Tagore – “Capricorniana” (Estreia)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

4 – Zopelar – “Jump” (2)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

5 – Bonifrate – “Cara de Pano” (3)
Voltamos a comentar (pela segunda semana) esse som do músico carioca Bonifrate por aqui. Porque, primeiro, a gente curtiu bem; e, segundo, finalmente e recentemente, chegou o seu novo álbum solo, “Corisco”, que celebramos single a single neste mesmo espaço. Discaço.

6 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix)
Por aqui Nelson D abraça suas raízes brasileiras indígenas e sua posterior cidadania europeia em um som sobre união, empatia e equidade. Vale sempre lembrar, ele nasceu por aqui, mas após ser abandonado em um orfanato foi criado por italianos. Não por acaso, esse retorno ao Brasil nomeia seu álbum, “Em Sua Própria Terra”. A música original é bem boa, mas caiu no nosso gosto meeesmo a segunda versão da canção, um remix de L_cio que ressalta a questão eletrônica na obra de Nelson e sua proposta no futurismo indígena. Música carregada de história. E histórias.

7 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (11)
É sublime a força de Rodrigo de criar de improviso um segundo álbum solo (estamos em uma série de segundas incursões solo, acho que você já percebeu). Por aqui, ele se une a Marshall Allen, líder da Sun Ra Arkestra, com participação de um timaço de músicos nacionais (Tulipa Ruiz e Juçara Marçal, os saxofonistas Thiago França e Thomas Rohrer, o percussionista Paulo Santos, do Uakti, e mais um par de integrantes do Hurtmold, Guilherme Granado e Marcos Gerez), além de três membros da Sun Ra (Knoell Scott, o brasileiro Elson Nascimento, e Danny Ray Thompson). Tudo que está ali no disco é pura improvisação.

8 – Criolo – “Fellini” (4)
A gente já tinha ficado de cara que, em “Fellini”, Criolo usava os recursos narrativos do cineasta italiano para contar uma história múltipla. As mil faces geniais dessa conversa criada pelo rapper cantor ganharam recentemente um supervídeo que novamente dialoga com a obra do famoso diretor de cinema. Era obrigatório que esse som voltasse ao Top 50.

9 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (Estreia)
As bruxas são Virginie Boutaud (Metrô), Érika Martins (Autoramas), Lovefoxxx (Cansei de Ser Sexy) , Apolônia Alexandrina (Anvil FX), Maria Paraguaya (Cigarras, Escambau), Camila Costa e Emilie Ducassé. Esse timaço que se divide pelo mundo se reuniu virtualmente para cantar uma canção composta por Virginie, afim de expressar a revolta de todos com o cenário de terror pelo qual passa o Brasil atualmente. Hora de gritar.

10 – Fusage – “Fearless Soul” (Estreia)
E estamos mesmo em uma semana de segundos álbuns. Os paranenses do Fusage e seu stoner rock também estão de volta após a estreia em 2017. Este é o primeiro single de “Outburst Desert”, elaborada remotamente durante a pandemia. Classe.

11 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (5)
12 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (6)
13 – Lucas Ranke – “Alucina” (7)
14 – ATR – “Intro’ (8)
15 – Rubel – “O Homem da Injeção II” (9)
16 – Amaro Freitas – “Sankofa” (10)
17 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (12)
18 – 2DE1 – “Emersão” (13)
19 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (14)
20 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (15)
21 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (16)
22 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (17)
23 – Nill – “Singular” (18)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (19)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (20)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (21)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (23)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (24)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e atriz Linn Da Quebrada.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.