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Arlo Parks, Black Country New Road, SAULT… Saiu a nobre lista do Mercury Prize 2021, decentíssimo prêmio inglês que elege o disco mais relevante do ano

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* Por aqui não somos muuuuito fãs de prêmios de música, não, tirando obviamente as performances que rolam e tal. Sabe como é, metade é fachada/politicagem, o resto é só um grande auê. Mas sempre abrimos uma exceçãozinha ao Mercury Prize, a principal premiação da música britânica, que hoje anunciou os indicados aos troféus de 2021.

A premiação, que acontece desde 1992 e só tem uma categoria, a de “DISCO MAIS RELEVANTE DO ANO”, não só é escolhida por gente interessante da música (sem ser executivo de gravadora essas coisas) como já deu estatuetas para uns álbuns bem basiquinhos: Primal Scream com o “Screamadelica” foi o primeiro deles, a PJ Harvey levou duas vezes, Arctic Monkeys com “Whatever People Say…” também ganhou, e mais recentemente tivemos Wolf Alice e, no ano passado, Michael Kiwanuka (o mano abaixo em seu momento de glória).

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* Pois bem, quem está no páreo este ano? Um moooonte de gente boa.

Arlo Parks – ‘Collapsed in Sunbeams’
BERWYN – ‘DEMOTAPE/VEGA’
Black Country, New Road – ‘For The First Time’
Celeste – ‘Not Your Muse’
Floating Points, Pharoah Sanders & The London Symphony Orchestra – ‘Promises’
Ghetts – ‘Conflict of Interest’
Hannah Peel – ‘Fir Wave’
Laura Mvula – ‘Pink Noise’
Mogwai – ‘As the Love Continues’
Nubya Garcia – ‘SOURCE’
SAULT – ‘Untitled (Rise)’
Wolf Alice – ‘Blue Weekend’

Já te falamos de vários deles aqui. Aliás, isso rendeu até episódio recente do nosso Popcast com “Os Melhores do Ano (Até Agora) Internacional”, sobre nossos destaques da primeira metade deste 2021.

O Mercury Prize 2021 vai ter seu anúncio via BBC, na TV, rádio 6 Music, radio 1 e redes sociais, no dia 9 de setembro. Enquanto este Mercury 2021 não chega, assista abaixo um pouco sobre cada um dos artistas e relembre a incrível apresentação do IDLES em 2019, just because.

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Top 10 Gringo – Tyler, the Bombator é o líder. Parquet Courts volta sem voltar. Pom Pom Squad pega o pódio e não larga

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* Uau. Semana braba nos lançamentos, hein? Vários nomes grandões e/ou legais chegaram juntos desta vez – e até uma estreia daquelas, muito aguardada. Nem é uma novidade, mas vamos contar esse segredo: não conseguimos escutar tudo que queríamos entre sexta e segunda. Vamos ter que seguir trabalhando ao longo da semana para apurar certinho as coisas que nos pareceram interessantes. Complicado ranquear desse jeito, mas bolamos algo aqui. Por ora, ficamos assim:

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1 – Tyler, The Creator – “Wusyaname”
Este novo álbum do Tyler, The Creator, “Call Me If You Get Lost”, tem vários potenciais números 1 para o nosso top 10. Escolhemos este hit que parece ter sido a primeira que caiu no gosto do povo. Um Tyler apaixonado por uma garota que ele ainda nem sabe o nome, mas parece que ela já tem namorado, maior confusão. Lembra um texto manjado, mas Tyler capricha nos versos e no todo da música, acertada demais na produção. Daquelas que vai para o repeat sem nem a gente pensar.

2 – Parquet Courts – “Plant Life”
Essa não tem no Spotify (ainda), a gente arrumou para vocês, hein? É o primeiro sinal de vida do Parquet Courts desde 2018 e a banda chega com uma pegada dance. Ou mais dance que as dance anteriores. Um som que nasceu de um recorte de uma improvisação de 40 minutos. Imagina a viagem.

3 – Pom Pom Squad – “Drunk Voicemail”
Não tem como não gostar da vibe Hole que percorre todas as músicas do Pom Pom Squad, ainda que não seja só a banda de Courtney Love que escoe por ali, até porque talvez Courtney nunca tenha escrito um romance adolescente em suas letras, como é o caso de “Drunk Voicemail”. Mas é por aí. Aliás, já fica uma sugestão. Procura no Spotify pela playlist Squad Songs da vocalista da banda, a Mia Berrin. Por acaso, tem duas do Hole na playlist.

4 – Sault – “London Gags”
Segue o mistério. Quem será que está por trás do Sault? Para adicionar mais mistério nessa questão, a banda resolve lançar um disco que vai ficar disponível para streaming e download por 99 dias. Então, corre aí, porque, para variar, o álbum está cheio de músicas incríveis.

5 – Unknown Mortal Orchestra – “Weekend Run”
Uma música toda sobre fins de semana e o quanto eles passam rápido. Repara na letra e na estrutura musical elaborada aqui por Ruban Nielson. As partes mais tortuosas da música são as descrições dos dias da semana comuns, da vida comum, lentas e tediosas com trabalho. Progressivamente a música vai se animando com a chegada da sexta e do sábado até um refrão delicioso que é todo um domingo de curtição. Que no fim passa rápido demais.

6 – Lucy Dacus – “Brando”
A caneta da Lucy Dacus é boa de lembrar histórias doloridas da adolescência, especialmente as que envolvem personagens masculinos, dos quais ela sabe tirar um bela onda hoje em dia. Em “Brando”, ela se recorda de um colega até que legal, que lhe apresentou muita coisa em termos de filmes e músicas, mas que depois parecia só usar ela como figurante de seu próprio filme, em suas palavras. Ele contava por aí que conhecia muito ela, mas ela sacou que na real não era bem assim. Enfim…

7 – Faye Webster – “Overslept”
A querida Faye consegue traduzir bem seus sentimentos em suas músicas. Nesse papo sobre dormir mais do que veria dá para sentir uma preguiça em cada verso, no vocal. São tão bem transmitidos os sentimentos que o trecho em japonês cantado pela cantora e guitarrista Mei Ehara parece dispensar tradução.

8 – Modest Mouse – “Back to Middle”
É massa o jeito que essa música nos engana. Ela vem toda bonita no começo, melódica, leve. Com paradinhas nos versos dando um clima e tudo. Até que a banda pesa mão logo após cada verso. De estourar os fones de ouvido. Modest Mouse em boa forma.

9 – Foo Fighters – “Making a Fire (Mark Ronson Re-Version)”
Quando o Foo Fighters prometeu um disco dançante foi um pouco decepcionante ver que “Medicine at Midnight” era bem pouco radical em sua proposta. Não entregou. Nessa releitura, Mark Ronson ajuda a banda a honrar um pouco o combinado e deixa “Making a Fire” bem mais suingada. Sem dúvidas, Ronson abraçou uma cópia do “Screamadelica”, do Primal Scream, por horas e encontrou um jeito de dar um “Movin Up” nesse som do Foo Fighters. Ficou bem bom.

10 – Little Simz – “Rollin Stone”
E o que dizer de uma música que começa com os versos “Eu estava em São Paulo”? Essa primeira linha de “Rollin Stone” foi por nossa causa, porque ela veio para tocar no nosso festival. Logo temos já uma parte dentro da obra da nossa rapper britânica predileta. Primeiro lugar semana passada e mais uma semana no nosso top 10, lógico.

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* A imagem que ilustra este post é do rapper americano Tyler, The Creator.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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O misterioso SAULT lança um disco do nada, chamado “NINE”. Se é bom? Óbvio que é. Mas ele só vai existir por 99 dias

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* A incrível e misteriosa banda inglesa SAULT, responsável por dois dos melhores discos de 2020, “Untitled (Rise)” e “Untitled (Black Is)”, acaba de soltar mais um álbum de surpresa, para variar. O disco se chama “NINE”. O curioso, como se não bastasse, é que a banda informou que o novo trabalho estará disponível para compra, download e stream por apenas 99 dias.

O grupo, que é um coletivo que mistura disco music, eletrônico e R&B, permanece uma grande incógnita, já que ninguém sabe quem é nem de onde exatamente são seus integrantes. O SAULT não distribui fotos, não posta nada na internet, e, bom, shows ainda está meio complicado para qualquer um então ninguém nunca os viu ao vivo.

O lance é, que entre mensagens na linha Black Live Matters, naturais bem pontuadas, e uma sonoridade absurda, SAULT pode continuar nos surpreendendo porque não desaponta. É sempre muito bom.

Confira abaixo “NINE” enquanto dá!

TRACKLIST:
1. Haha
2. London Gangs
3. Trap Life
4. Fear
5. Mikes Story
6. Bitter Streets
7. Alcohol
8. You From London
9. 9
10. Light in Your Hands

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Melhores discos do ano: BBC 6 Music, nossa rádio predileta, colocou SAULT e Fontaines DC no topo

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* Depois da nossa análise sincerona e profunda da esquisitona “Vice”, vamos para a lista dos escolhidos pela turma exigente da rádio inglesa BBC 6 Music, que por aqui muito nos agrada e sempre traz descobertas bacanas, sendo novidades ou não.

Os favoritos passam pelo crivo dos apresentadores da rádio, uma galera “pouco” legal e relevante da música, tipo Steve Lamacq, Lauren Laverne e inclusive Iggy Pop, que tem um programa superlegal na 6.

Aos escolhidos, então. Finalmente um queridinho nosso aparece no top 10! A banda novinha Sports Team e sua estreia “Deep Down Happy”, praticamente esquecida por boa parte das listas, marcam presença com esse discaço absurdamente delicioso que trouxe um frescor inie-punk-pós-revival-o-que-for neste ano.

Outro grupo darling por aqui, o veterano Doves também dá as caras, assim como o Fontaines DC, que recebe uma colocação bem digna. Repeteco de outras listas, vemos Run the Jewels e Fleet Foxes. A medalha de ouro não é surpresa: o misterioso SAULT leva merecidamente mais uma vez.

1. SAULT – Untitled (Black Is)
2. Fontaines DC – A Hero’s Death
3. Fleet Foxes – Shore
4. BC Camplight – Shortly after Takeoff
5. Bob Dylan – Rough and Rowdy Ways
6. Nadine Shah – Kitchen Sink
7. Cornershop – England Is a Garden
8. Run the Jewels – RTJ4
9. Doves – The Universal Want
10. Sports Team – Deep Down Happy

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Melhores discos do ano: uma análise profunda do top 100 da “Vice”, que botou dois discos da mesma banda em primeiro lugar

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* Mais um dia de listas por aqui. E hoje é a vez da cool-esquisitona “Vice”.

O curioso desta lista, na verdade, é que nem a gente faz ideia de quem sejam uns 60% dela, massssssss estamos aqui pela música e toda sua diversidade, então bora lá. A gente te conta o ranking de acordo com a nossa percepção, ok?

Nós aqui estamos focando nos dez primeiros das listas mundo afora. Mas, da “Vice”, vale analisarmos o top 100 mesmo.

E ele é assim:

100 – 95: Temos a Taylor Swift com seu “Folklore” não tão querido por aqui, e a Lianne La Havas que neste ano lançou um disco autointitulado sobre um coração partido.

95 – 87: X

86: Olha o Fantastic Negrito!

85 – 80: vários artistas de hip-hop e só uma mulher

79: as irmãs Haim!!!

78 – 70: legal, seja o que for.

69: era óbvio que ia ter Grimes aqui! Ou não?

68 – 65: X

64: Mothermonster, quer dizer, Lady Gaga

63: X

62: ahhh, Porridge Radio

61 – 57: turma que a galera da Mamba Negra deve curtir

56 – 51: tem uma cota latina aqui

50 – essa não era a moça do Paramore, aquela banda emo?

49 – 35: só conheço um

34: opa, opa. Dua Lipa

33 – 32: ???

31: Soccer Mommy!!!

30: Perfume Genius fofo

29 – 24: alguns nomes que a gente viu em outras listas

23 e 22: Rina Sawayama e Phoebe Bridgers (elas entram numa cota exótica/cool da lista também)

18: Charli XCX não ia faltar nesta também

17: Fleet Foxes, com uma pequena ajuda de nosso Tim Bernardes

15: Pa Salieu, que, se você não ouviu, apenas uma palavra: necessário.

13: uma banda que chama Shame mas não é o mesmo shame que você e eu conhecemos.

9: Waxahatchee: mais nomes familiares, uhuuu!

8: Yves Tumor, nice

5: Fiona Apple o álbum conceito do ano

3: Thundercat

2: Why is you here, Flo Milli? Ah, é a Vice!

1: SAULT e seus dois discos de 2020, realmente indiscutível e maravilhoso.

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