Em Seattle:

Ao som de White Stripes, Pearl Jam presta linda homenagem aos professores em Seattle

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Na noite de ontem, o Pearl Jam tocou em casa, na cidade de Seattle, e fez um show pra lá de especial, claro. E foi no meio das covers costumeiras que eles fazem que veio talvez o principal momento do show.

Eddie Vedder evocou Jack e Meg White para prestar uma homenagem aos professores das escolas da cidade. Primeiro, ele agradeceu aos profissionais que “mudaram as vidas das crianças do Pearl Jam”, se referindo aos 10 filhos somando os integrantes.

Em seguida, ele estendeu o tributo a todos os professores da cidade e tocou a linda “We’re Going To Be Friends”, lançada originalmente no disco “White Blood Cells”, em 2002. O registro pode ser visto abaixo, com suas filhas levando duas professoras ao palco.

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Temple of the Dog, banda ícone de 1990, vai sair em turnê. Pela primeira vez na história

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* Em 2016, um ano que “Arquivo X” voltou à TV, Pokémon ficou popular de novo e até o Slash devolveu dignidade para o Guns N’ Roses, parecia que o estoque de reuniões e revivals do mundo pop, principalmente dos anos 90, já havia acabado. Eis que, do nada, é anunciada uma turnê do “supergrupo” Temple of the Dog, de Seattle, formação que misturou lá atrás e mistura ainda hoje integrantes do Pearl Jam e Soundgarden. O acontecimento é notável por ser, ao mesmo tempo, uma reunião e algo completamente inédito.

Explicamos: em 1990, falecia Andrew Wood, vocalista da banda Mother Love Bone, considerada por muitos a que deu o pontapé inicial no movimento grunge de Seattle. Na época, Chris Cornell (vocalista do Soundgarden), morava com Wood, e decidiu fazer um disco em homenagem ao amigo. Chamou dois integrantes do Mother Love Bone (Stone Gossard, guitarrista, e Jeff Ament, baixista) e também Matt Cameron (baterista do Soundgarden) e o até-então pouco conhecido guitarrista Mike McCready. E aí surgiu o Temple of the Dog, culto imediato na cena roqueira americana na época.

Detalhe: Gossard, Ament e McCready viriam a formar o Pearl Jam pouco tempo depois, da qual Cameron também faria parte futuramente. Lançaram um disco homônimo, com participação de Eddie Vedder (sim, ele mesmo) no principal single da banda, “Hunger Strike”, tocaram pouquíssimos (e curtos) shows promocionais, e logo Pearl Jam e Soundgarden seguiram seus caminhos distintos.

Cornell fez algumas poucas aparições em shows do Pearl Jam, anos depois, tocando com exatamente a mesma formação do disco “Temple of the Dog”, mas nunca houve uma reunião oficial, apesar do status clássico que o disco adquiriu com o passar dos anos, com a explosão do Nirvana e com todo mundo interessado em saber da onde vinha a coisa grunge.

Hoje, em um vídeo postado nas redes sociais das bandas relacionadas, foi anunciada uma turnê da banda – ironicamente, a sua primeira na história. Por enquanto, só cinco datas:

– dia 4 de novembro, Philadelphia, Tower Theatre
– dia 7, New York, Madison Square Garden
– dia 11, San Francisco, Bill Graham Civic Center
– dia 14, Los Angeles, CA, The Forum
– dia 20, Seattle, Paramount Theater

* A turnê marca o aniversário de 25 anos do disco “Temple of the Dog”, uma reedição para colecionador do marcante disco, a sair em vários formatos e configurações: 4 vinis, LP duplo, CD simples etc.

** Para ver bem do que a banda é capaz, destacamos o vídeo a seguinte, do festival PJ20, que celebrou vinte anos de carreira do Pearl Jam. Nele, Cornell cantou cinco músicas do Temple of the Dog, e uma do Mother Love Bone. Destaque para Eddie Vedder comportado, no fundo, fazendo backing vocal:

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Sirvana está de volta: Paul McCartney recebe Krist Novoselic no palco, em Seattle

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Na noite de ontem, Sir Paul McCartney fez concorrido show da sua novíssima “One On One Tour” na icônica Seattle. Entre os milhares de admiradores estava nada menos que Krist Novoselic, filho bastardo da terra, ex-baixista do Nirvana.

Krist foi convidado pelo ex-beatle ao palco e juntos mandaram “Helter Skelter” já na parte final do show. Vale lembrar que há quatro anos Macca assinou parceria com os ex-integrantes do Nirvana com a canção “Cut Me Some Slack”.

Um registro amador do encontro em Seattle, na noite de ontem, pode ser conferido a seguir.

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A vida é f*da. Superbanda fazendo homenagem para o Iggy Pop no telhado do mercado de Seattle

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* Seattle, uma das cidades mais históricas para o rock mundial, e para os seriados de TV, haha, tem um dos mercados públicos de peixe mais famosos do mundo, centenas de espécies de bichos do mar em cores e formas variadas catados ali naquele lado do Pacífico gelado e colocados em barracas por peixeiros malabaristas. É o Pike Place Market, que desde 1900 e bolinha opera ali onde Seattle despenca para o mar.

Daí que a rádio cool de Seattle, a KEXP, pegou um monte de cara cool da cena roqueira da cidade e meteu todo mundo no topo do Pike Place Market em agosto para fazer um tributo à velha iguana do punk indie garagem, mister Iggy Pop, não por acaso a grande e clássica atração do Popload Festival, em São Paulo, dia 16 de outubro, show único para “poucos” na América Latina.

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Mark Arm (Mudhoney), Mike McCready (Pearl Jam), Duff McKagan (Guns N’ Roses e Jane’s Addiction) e Barrett Martin (Screaming Trees) tocaram na íntegra o álbum “Raw Power”, um dos discos clássicos de Iggy & The Stooges, de 1973.

Em um certo momento do show, Mark Arm explica ao público como o projeto nasceu. “Eu não tenho certeza se vocês estão entendendo o que está acontecendo aqui. Não tenho certeza nem se eu estou entendendo. Mas até onde eu sei o presidente do Pike Place Market e o CEO da rádio KEXP estavam almoçando um dia destes e perceberam na conversa que tinham dois amores em comum: shows de música em rooftops e os fucking Stooges.”

O tributo, em vídeo, com imagens ótimas do telhado do mercado de peixes de Seattle, apareceu agora em vídeo. Iggy Pop deve ter ficado orgulhoso. E, detalhe, devia ter mais gente aí para o show-homenagem ao Iggy Pop do que os que vão ver o original em ação no Popload Festival, em show “íntimo”. o/

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O visual, os cheiros, o astral, a cor do céu, a trip toda. Ah, e as bandas. Considere ir ao Sasquatch Festival

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* Galera brasileira curte um festival gringo faz tempo. Desde os anos 90 eu me deparo com “patrícios” em todo lugar do mundo a que fui atrás de uma reunião de bandas boas num mesmo evento. Mas talvez não tenha festival mais prazeiroso e “bem acabado” que o Sasquatch, hoje em dia, desde que você não se importe de ir longe e montar uma logística minimamente decente.

O Sasquatch, pode ser que já você tenha tido a oportunidade de ter lido por aqui, é um evento com umas 130 bandas que acontece por quatro dias no Memorial Day, o feriado americano que inaugura o verão de shows por aqui (não exatamente a estação, veja bem). A data, em lembrança aos mortes das guerras em que o EUA se meteu, é sempre na última segunda-feira de maio. E o Sasquatch, de uns anos para cá, já é armado forte desde a sexta anterior ao Memorial Day.

O festival fica a três horas de carro de Seattle e cinco de Portland, duas das cidades indies mais delícia dos EUA, com tradição de cena, casas de shows, rádios boas, lojas de discos infernais, galera atuante, as bandas todas. As estradas para o festival, tanto de um lado como de outro, são lindas de morrer, tranquilas, cheia de paisagem típica deste canto americano.

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Entre o Sasquatch e Seattle, por exemplo, você passa pela cidade de Snoqualmie, um lugarejo no meio de uma floresta de montes com neve no pico mesmo quando está calor e árvores altas. É onde tem a Snoqualmie Falls, queda d’água famosa que aparece na vinheta de abertura do histórico seriado Twin Peaks, que leva ao riacho onde foi encontrado o corpo envolto num plástico da deusa Laura Palmer. Lembra, né? Fiz umas fotinhos da região. Só não comi o famoso donut.

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O Sasquatch acontece num anfiteatro natural chamado Gorge, uma ribanceira linda que serve de arquibancada para o gigantesco palco principal, colocado aos pés da colina, com um cenário atrás típico de aquarelas de paisagem de eras renascentistas: o rio, as montanhas, o vale todo, as nuvens, o sol e depois a lua. No alto do vale, para trás do anfiteatro, mais três palcos e uma grande tenda eletrônica são montados.

A não ser que você acampe, é muito difícil ficar perto do Gorge Amphitheatre, o local onde rola o Sasquatch. Já me hospedei em Quincy, a meia hora de carro, e desta vez descolei um hotel em Ellensburg, cidade no meio do nada onde tem uma universidade importante porém pequena do Estado de Washington, uns rodeios às vezes, umas cachoeiras e é isso. Ellensburg está a 50 minutos do Sasquatch, dirigindo. Mas o que poderia ser um saco para ir e principalmente voltar, na hora do cansaço na madrugada, é também uma atração, pelo espetáculo visual de pontes incríveis, lagos e o rio Columbia, o que passa atrás do palco do festival, colinas, plantações de uva e as hélices gigantes dos geradores eólicos, que ornam qualquer estrada dessas, já bonitas.

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Diferentemente do Coachella e do Lollapalooza de Chicago, para pegar dois exemplos famosos e cada qual com sua beleza estonteante e praticidade ou perrengues particulares, o Sasquatch é um festival “manejável”. Não porque você consiga beber sem estar num cercadinho e fumar maconha (se for a fim, claro) sem culpas e perseguições (a erva é liberada para uso recreativo no Estado de Washington, o que evoca uma outra discussão no caso do Sasquatch). Mas sim porque nele você lida com 35 mil pessoas, quando está absurdamente lotado, espalhadas em um formato irregular de festival. Não é com 80 mil, 90 mil num retângulo gigante, como no Lolla e no Coachella. Isso implica, obviamente, no ir e vir, nos banheiros, na caça ao que comer e beber.

E fora as bandas escolhidas. Cada um com seu gosto, claro. Mas, tirando o Pitchfork Festival, de Chicago, sempre considero o Sasquatch o festival com melhor curadoria desses médio-grandes dos EUA. Vai ao pop, ao hip hop, ao eletrônico, ao punk, ao velho e ao novo com uma esperteza de seleção que só quem está numa região perto de Seattle e Portland pode fazer.

Sasquatch 2016? Desde que tempo e $$$ permitam, acho que sim.

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