Em selo cena:

Luna França lança seu primeiro single, “Minha Cabeça”, e entra para o selo CENA, da Popload

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* A cantora, tecladista, compositora e produtora Luna França é a mais nova integrante do selo CENA, outro dos braços da Popload, que tem site, festival, selo de shows, rádio e agora penetra com sua chancela numa certa estampa curatória da nova música brasileira, a CENA. O primeiro a ter o selo CENA foi o músico carioca Marcelo Perdido, com seu mais recente álbum, o ótimo (OK, somos suspeitos) “Não Tô Aqui para Te Influenciar”, lançado em junho.

Luna França ganha frente de seu projeto depois de ser bem conhecida por trás da CENA. Explico: ela por anos tem tocado com artistas do quilate de Tiê, Rafael Castro e Papisa. Agora está no holofote. E, como primeiro ato no selo CENA, ela lança o single “Minha Cabeça”, que tem produção musical assinada por ela e por André Whoong.

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Apesar de não ter sido composta em tempos de quarentena, ​”Minha Cabeça” ​ganha novo significado que muito tem a ver com o momento atípico que estamos vivenciando em 2020. A composição fala sobre estar preso dentro dos próprios pensamentos, a sensação de claustrofobia, ansiedade e busca por si. ​”Socorro, alguém me escuta! Será que tem alguém lá fora da minha cabeça?”​, diz a canção.

“Minha Cabeça” foi uma das primeiras composições da artista, feita em um momento em que ela estava apenas começando a tatear o universo da composição.

“Era uma época cheia de dúvidas, inseguranças e medo do novo. Sentia a necessidade de me libertar e me expressar de alguma forma, mas não sabia como. Em um momento de ansiedade e angústia, no meu quarto, escrevi essa letra de uma só vez. Fui entendê-la mais profundamente anos depois”, revela.

Este trabalho também foi a porta de entrada da artista no mundo da produção musical. No caso de ​”Minha Cabeça”, os synths, vozes e beats foram criados por Luna em sua própria casa e lapidados junto a Whoong no Estúdio Rosa Flamingo, dele e da cantora Tiê. A bateria foi gravada por Arthur Kunz.

O single contou ainda com a mixagem de Tó Brandileone (5 a Seco, Anavitória) e masterização de Carlinhos Freitas (Caetano Veloso, Marina Lima, Céu, entre outros).

Complementando a atmosfera de ​”Minha Cabeça”, as fotografias analógicas para capa e material de divulgação foram realizadas em Cabo Polônio (Uruguai) pela fotógrafa e artista visual Thany Sanches, que assina a direção criativa de toda a parte estética do projeto.

A faixa ganhará também um video que será lançado muito em breve, produzido em parceria entre Salga Filmes (BIKE, Neptunea) e Panamá Filmes (Tulipa Ruiz, O Terno).

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CENA vira selo e lança “Não Tô Aqui para Te Influenciar”, novo disco de Marcelo Perdido

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* Mais um braço de articulação musical da Popload, o CENA, espaço que há anos vem jogando luz na grande movimentação do cenário independente brasileiro, inaugura uma nova fase e vira um selo virtual, que pretende ser uma curadoria de discos nacionais que merecem sua atenção.

E o primeiro fruto dessa nova empreitada é “Não Tô Aqui para Te Influenciar”, novo disco do músico Marcelo Perdido, o quinto de sua carreira nada linear dentro da linear música brasileira, que chega hoje às plataformas.

“Não Tô Aqui para Te Influenciar” é um disco direto (têm apenas 18 minutos). São oito histórias curtas de pessoas diferentes se procurando por uma cidade que talvez não exista mais. No caso desse trabalho, o Rio de Janeiro, lugar em que nasceu e está forte em suas memórias afetivas por questões familiares, ainda que esteja vivendo em São Paulo há 20 anos, com algumas fugidas para Portugal.

Ou seja, depois dos álbuns inspirados nas quatros estações, uma cidade é o fio de narrativa escolhido por Marcelo Perdido. Sonoramente ambientado por guitarras, pianos elétricos, sons de cidade e falas de pessoas, o artista busca referências em bandas de rock nacionais que deixaram de existir (como Gram, Moptop, Pullovers), clássicos brasileiros setecentistas (como Di Melo, Erasmo Carlos, Tim Maia) e coisas gringas mais atuais (como girl in red e Clairo), que têm a ver com sua música. Alicerces sonoros para ajudar a contar a história desse Rio de Janeiro que só existe em suas lembranças.

Marcelo Perdido diz:

“Quando minha vó morrer vai acabar o Rio… Foi o que eu pensei naquela noite em que soube de sua doença. Após o final da infância fui viver em outras cidades, porém o apartamento de minha vó sempre foi o Rio de Janeiro para mim. Estive lá milhares de vezes, sozinho, com amigos, bandas, naquele lar que foi comprado meio século antes por um casal de portugueses que nem imaginava que a Rua Sorocaba e seus entornos seria um epicentro cultural da minha bolha musical (salve Comuna, Matriz, Audio Rebel). As músicas do disco vieram praticamente todas de uma vez… nesse sentimento de que uma cidade ia deixar de existir junto com aquela pessoa que ia se apagando.

Foi produzido por meu amigo Habacuque Lima (Ludov, Pullovers), no estúdio Trampolim do qual ele é sócio. Queríamos um disco imagético e urbano, de micronarrativas sobre esses desencontros. Gosto de dizer que neste disco eu canto e desenho o som, pois o desenho de som (termo audiovisual) é fundamental nas canções para representar a cidade e pessoas que vão surgindo ou desaparecendo nela.”

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“Não Tô Aqui para Te Influenciar” conta com pianos elétricos de Danilo Andrade (Gilberto Gil/Jorge Ben), bateria por Matheus Souza (Tiê), com exceção de “Santa Clara de Tróia” tocada pelo Matheus Marinho, e ainda participações especiais de João Erbetta (Los Pirata, Jeneci, Clarice Falcão) e sua guitarra envenenada (“Bastante” e “Meia Noite”) e do português Silas Ferreira (Pontos Negros, Samuel Úria) no oboé de “Você Não Está Aqui para Me Influenciar”.

Escute o álbum, inteiro, veja os single-vídeos e baixe fotos aqui.

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* As fotos de Marcelo Perdido usadas para este post são de Ana Alexandrino.

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