Em sepultura:

Rock in Rio domingo: o sunday black sunday do metal dos infernos

* Até que enfim o Rock in Rio teve seu dia de rock. E ainda por cima no Rio. O domingo do monumental (em vários sentidos) festival brasileiro foi o dia do “rockão pesado”, como diz a Globo. Dia em que “as bandas do rock pauleira incendiaram os palcos do festival e fizeram a Cidade do Rock tremer”, como falou o Multishow. No Rock in Rio 2011, the black is the new black.

* Vamos de fotos, todas do Fabricio Vianna, o enviado especial da Popload ao Rock in Rio. Vamos de vídeos. Vamos de texto, do enviado especial da Popload ao rockón pessado, Fernando Scoczynski Filho, que achou que a surpresa do dia do metal foi o… Slipknot!!

*** AS FOTOS DO DOMINGO


Moleque nos braços da galera no show do Sepultura. Banda brasileira tocou com banda de percussão francesa, fez cover de Prodigy e contou com Mike Patton em participação especial


No único dia do evento que fez jus a sua primeira e histórica edição, de 1985, o Rock in Rio conseguiu fazer um dia de rock, no Rio, e levar à loucura a metal nation


Jimmy, do veloz grupo brasileiro de punk metal Matanza e potencial astro do incrível “Death Valley”, seriado de lobisomen da MTV, teve o palco secundário Sunset abarrotado para vê-lo logo no meio da tarde


Fashion in Rio. Garota exibe modelito metal-couro na Cidade do Rock, terrível para o clima Saara do lugar durante o dia, razoável para o clima Patagônia à noite


Ops… Em clima de muita amizade metal, rapazes brincam entre si entre um show e outro no Rock in Rio 2011


Talvez representantes de alguma entidade de preservação ambiental, metaleiros verdes destoam do mar preto que foi o dia do “rock pauleira” no domingo


Você tem três chances para acertar quem ele foi ver no Rock in Rio 2011, no final de semana: ( ) Katy Perry, ( ) Claudia Leitte, ( ) Slipknot

*** O TEXTO DO DOMINGO

No terceiro dia do festival, o palco secundário (Sunset) começou com um som horrível. O palco, que focava em misturar atrações nacionais (e, em alguns casos, internacionais), teve Matanza + B Negão, Korzus + The Punk Allstars e Angra + Tarja Turunen, até o som finalmente melhorar no fim deste último.

Enquanto o show seguinte, do Sepultura, com o grupo francês de percussão Les Tambours du Bronx, teve quase uma hora de atraso, foi divertido saber o que aconteceu com o Glória no começo das atividades do palco principal. Por que eles estavam lá, em vez de tocar no secundário, é inexplicável. Um clássico da mal resolvida programação do Rock in Rio, a platéia (que estava lá para guardar lugar pros shows seguintes) vaiou a apresentação inteira do Glória, dando uma pequena trégua apenas quando os caras tocaram alguns covers do Pantera.

Quando o Sepultura finalmente subiu ao palco (atrasado sob a fácil desculpa de “dificuldades técnicas”), recompensou a platéia paciente com um show excelente. O grupo de percussão francês combinou muito bem com os brasileiros (tirando o Derrick) e foi, para muitos, o primeiro show de “rock de verdade” do festival inteiro que tem “rock” no nome. Para fechar o setlist, Mike Patton (que já tinha se apresentado com o ótimo Mondo Cane no dia anterior) juntou-se aos grupos para cantar o hit “Roots Bloody Roots”. Ele não acrescentou muito ao som, mas só a presença dele já valeu.

No palco principal, rolaram as apresentações competentes (mas sem surpresas) do Coheed & Cambria e, em seguida, Motorhead. Claro que o segundo agradou bem mais que o primeiro.

A GRANDE surpresa mesmo foi o Slipknot. Enquanto o som deles pode não agradar a todos, foram a banda mais energética do dia. A história de usarem máscaras e uniforme pode incomodar alguns, mas não tem como negar a carisma e presença de palco deles. Perto do fim do show, enquanto alguns membros da banda subiam em torres de som pra fazer stage dive na platéia, o vocalista Corey Taylor pediu ao público para que se abaixassem, para pular ao comando dele. E as, sei lá, 70 mil pessoas OBEDECERAM. Na última música, a bateria levantou, girou e ficou de ponta-cabeça, em meio a labaredas de fogo. Tem no vídeo abaixo. Parece farofa, mas é a síntese da celebração metal que move festivais bizarros como o Rock in Rio.

Até no Twitter, o comentário geral era na linha “nem curto Slipknot, mas esse show foi absurdo”. Ficou questionável se o Metallica conseguiria superar. Claro que superou. Com o seu contundente repertório, o Metallica teria que tocar muito mal para não se sobrepor ao Slipknot, se é que seja mesmo o caso de comparar. Enquanto usaram o setlist “normal” deles (quase igual ao que SP viu no ano passado), tocaram tão bem quanto uma banda desse porte deve tocar. Obviamente, a resposta da platéia foi incrível. Alguns deslizes da transmissão da Globo: o guitarrista Kirk Hammet (que faz quase todos os solos) só era audível em um sistema de som surround, deixando o Metallica parecer um power trio em televisões comuns. Também foi vergonhoso que pegaram o setlist fornecido pela banda (cheio de abreviações), e colocaram os nomes de músicas daquele jeito mesmo na transmissão. O maior (ou segundo maior) clássico deles, Master of Puppets, apareceu como PUPPETZ na Globo. Nothing Else Matters? Só NOTHING. Também, por algum motivo que talvez nunca entenderemos, decidiram cortar a transmissão antes do bis pra mostrar reprise do Motorhead. Quer dizer: entendemos sim.

*** OS VÍDEOS DO DOMINGO