Em seven nation army:

Após a Copa, “Seven Nation Army” volta para a Bélgica. Hein?

>>

* Futebol é pop. E o hino indie “Seven Nation Army”, a gente sabe, é a maior música da história do futebol mundial.

Dito isso, temos a seguinte situação.

Captura de Tela 2018-07-16 às 4.36.31 PM

Ontem, em Bruxelas, um mar de gente (dizem 80 mil pessoas, aproximadamente) foi para praça em frente à prefeitura da cidade para homenagear o belíssimo time da Bélgica, que deixou a Copa do Mundo em terceiro lugar. Os carrascos do time do Neymar e do Tite foram recebidos em casa em uma festa absurda, em que o craque Eden Hazard foi uma espécie de mestre-de-cerimônias, puxando cânticos para a galera entoar.

Um deles, obviamente, foi “a música da Copa”, a onipresente (e aparentemente imortal) “Seven Nation Army”, hit master do saudoooooso grupo americano White Stripes, lançada em 2003, que foi das rádios para as pistas para os festivais para as arquibancadas para virar música oficial da FIFA, botando assim o sucesso de Jack White, já em domínio público, para servir de trilha sonora da entrada das seleções em campo em todos os jogos do Mundial da Rússia 2018, que se encerrou neste final de semana.

“Seven Nation Army” para o mar de gente belga fez todo sentido do mundo e coroou a “campanha” da música no Mundial russo. Vale relembrar pela terceira vez neste espaço que o hino do White Stripes começou a ser cantado no mesmo ano em que foi lançado pela torcida do time belga Brugge. Para depois ir fazer fama entre os italianos futeboleiros e depois ganhar as arquibancadas do mundo todo.

Então praticamente dá para dizer que, neste final de semana e com o fim da Copa, “Seven Nation Army” voltou para seu lugar.

Que história tem essa música.

Veja “Seven Nation Army” voltando para a Bélgica no link abaixo.

Aqui:

video7NationArmynaBelgica

e aqui:

https://youtu.be/-Ji3mFidMt0

>>

Popload na Copa. Como a “nossa” Seven Nation Army virou a música mais importante da história do futebol

>>

* Até já escrevi sobre isso por aqui uma vez, mas acho que incrivelmente ficou mais sério. Aproveitando um texto meu para a Folha de S.Paulo, ontem, reproduzo aqui o caminho que o hino indie “Seven Nation Army”, do White Stripes, percorreu para virar, de “apenas um hino indie”, como acabei de falar, a música mais importante do futebol de todos os tempos. Ou estou exagerando?

* Ô-ooooo-ô. Ô-ooooo-ô.

060718_ws

Talvez a Fifa, organizadora da Copa, nem saiba de onde venha ao certo, com exceção do responsável por pagar direito autoral na entidade. Grande parte da audiência do Mundial em todo o planeta, de TV aberta, a cabo ou via internet, não deve ter conhecimento preciso de que canção é esta, para além dos ô-ôs e como ela foi parar ali, embalando a entrada das seleções em campo para os jogos da Rússia 2018, antes de os hinos dos países serem entoados e a partida começar. Quem acompanha bem futebol até pode conhecer sua história. Ou parte dela.

Direto ao ponto, o som é a corruptela de um hit improvável da música independente, criação de uma banda peculiar de Detroit, EUA, chamada White Stripes, que já não existe há alguns anos. E não que o coro seja parte de um refrão. É uma melodia cantada.

A bizarrice é ainda maior porque tal canção, “Seven Nation Army”, ganhou primeiro as arquibancadas do futebol com as torcidas reproduzindo com a boca seu som de baixo do começo da música. Um baixo feito em guitarra e com efeitos de pedais, porque o White Stripes era na verdade um duo constituído apenas de um guitarrista (Jack White) e uma baterista (Meg White). Sem baixo.

O que a Fifa oficializou este ano já existe em Copa desde a Alemanha 2006, quando “Seven Nation Army” virou o tema da vitória da campeã Itália, mas segundo estudos (meus) começou três anos antes, na Champions League, com uma torcida belga.

A música foi lançada pelo White Stripes em março de 2003, no meio de uma pequena revolução da música alternativa liderada por eles mesmos e pelos nova-iorquinos do The Strokes. “Seven Nation Army” foi o primeiro single a sair de “Elephant”, o quarto álbum da banda e seu mais bem-sucedido, tanto nas paradas britânica como na americana.

O sucesso da canção entre os indies foi imediato, em shows, rádios, pistas. Rock que dava para dançar, mais ou menos. E logo alcançou um território mais expandido de ouvintes. Daí para a música ser cantarolada por galera em festivais de verão na Europa, porque o White Stripes passou a aparecer em tudo quanto é escalação, foi rapidinho.

Aí ganhou as arquibancadas. Os primeiros registros dão conta que torcedores do Brugge passaram a cantar a música durante uma visita a Milão, em jogo da Liga dos Campeões no final do mesmo 2003, zebramente vencida pelos belgas. “Seven Nation Army” teria tocado no sistema de som de um bar nas cercanias do estádio San Siro pré-jogo, cheio de torcedores visitantes, que cantarolaram tal qual público dos festivais daquele ano, não pararam de cantar inclusive no pós-jogo, e assim adotaram o “Ô-ooooo-ô” para o time deles.

O próprio White Stripes se assustou com as proporções que a música tinha tomado na carreira da banda quando justamente na Bélgica, em 2004, um show no megafestival importante de lá chamado Pukkelpop, desses para mais de 100 mil pessoas, o público esperou o grupo americano entrar em cena com um ensurdecedor “Ô-ooooo-ô” do hit.

Com “Seven Nation Army” se espalhando por plateias de música e de futebol como uma praga nos anos seguintes, chegamos a um jogo da Copa da UEFA no começo de 2006 em Brugge, quando o time local recebeu a Roma, da Itália. Nessa época a música já era ouvida em arquibancadas da NFL e NBA, principalmente nas categorias universitárias desses esportes americanos. Mas nesse jogo específico da Bélgica a associação “Seven Nation Army”-futebol ficou séria: torcida do Brugge cantando a música, torcida da Roma admirando a cantoria rival. Diz a lenda que o craque italiano Francesco Totti saiu do jogo querendo comprar o disco do White Stripes que continha “Seven Nation Army”.

Corta para alguns meses depois, quando a Itália triunfou no Mundial da Alemanha, com o “Ô-ooooo-ô” do White Stripes virando uma espécie de hino não-oficial dos italianos, ganhando até uma letra nova. “Seven Nation Army” então virou de domínio público. Ou domínio futebolístico público, para muito além da música. No Brasil, ela ainda é cantada pela torcida do Internacional de Porto Alegre.

O autor da música, Jack White, nunca deu muita trela ao fato de “Seven Nation Army” virar, de repente, a música mais famosa do futebol (ou do esporte) mundial em todos os tempos, dado primeiro o seu alcance orgânico para agora ter virado oficial pela Fifa, 15 anos depois de ser composta.

Em uma rara entrevista sobre o assunto, em 2016, ele afirmou para um jornal de Detroit, sobre “Seven Nation Army” ter conquistado outros mundos além da música independente, ou mesmo além da música em si: “Quanto menos as pessoas souberem de onde a música veio e ainda assim seguirem cantando ela, mais está de acordo com a tradição da música folk. E quanto mais ela seguir anônima e seu alcance só aumentar, mais eu fico orgulhoso de ser o autor”.

>>

Vem, Lolla. Jack White estrag… tocando “Seven Nation Army” no Chile, sábado

>>

* Vem, Lolla. Volta, White Stripes. Ressurge, Meg.

Screen Shot 2015-03-16 at 8.10.37

Mr. Jack White, que pela primeira vez solo visita o Brasil na semana que vem, com shows em São Paulo e Porto Alegre, tocou no Lolla Chile sábado como o grande headliner do dia, talvez do festival. Sua apresentação em Santiago foi encerrada com a colossal “Seven Nation Army”, mas na versão… “adulta”. Tem quem goste.

>>

A música mais importante dos últimos dez anos

>>

* Já escrevi coisas semelhantes em relação a “Seven Nation Army” desde que ela apareceu, em 2002. A música do White Stripes nasceu como um pequeno hino revolucionário indie americano e virou um grande hino do futebol mundial. Trouxe uma contundente e improvável linha de baixo inicial, reconhecida tipo riffs de guitarra do Deep Purple, em uma banda famosa por não ter baixo. A canção fez o White Stripes, uma dupla formada por uma baterista “simplista” e um guitarrista de blues com cara de personagem do Tim Burton, virar megabanda, ser headline de festival gigante, vender milhões.

Eu desconfiei que “Seven Nation Army” iria transcender seus limites indies num tumulto em um Reading Festival de 2000 e pouco, em que a banda iria tocar. Uma confusão qualquer de verificação de ingressos e barreiras de seguranças e muita gente chegando ao mesmo tempo, naquele ano formou-se um vagaroso e enorme congestionamento humano para entrar no festival. E o povo, do nada, em vez de estressar, começou espontaneamente a cantar em coro “Ôôôô-ô-ô-ô-ô-ô-ôôôô”, imitando com a voz o baixo do começo da música.

No futebol, “Seven Nation Army” começou a ganhar as arquibancadas em jogos da Champions League. Dizem que foi ouvida pela primeira vez em torcedores belgas, mas ficou algo famosa com a torcida da Roma. Até virar o “tema da vitória” da Itália na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. De lá para cá, até a torcida do Inter de Porto Alegre canta “Seven Nation Army”.

Enfim, história mais que conhecida e tal, “Seven Nation Army” completa 10 anos neste ano ainda com uma força incrível. Quem assiste a atual Eurocopa, torneio de seleções só não tão importante quanto a Copa em si, viu que a música “velha” do White Stripes é seu principal tema. É ouvida nos intervalos, quando as seleções entram em campo, na hora do gol, em propagandas de cerveja etc.

Daí que, ufa, chegamos onde eu quero chegar. Vai o Jack White, em sua versão solo com duas bandas, uma feminina e outra masculina, tocar no final de semana passada em um festival da BBC Radio One, em Hackney, bairro de Londres. No Hackney Weekend. E, óbvio, com a banda de homens, chegou a hora de mr. White ainda sentir a força de sua criação. E “Seven Nation Army” chegou assim, espetacular:

>>

Sxsw 2012 – Vendo o Jack White da janelinha

>>

* Popload de volta a São Paulo. Messing with Texas, agora, só no ano que vem. Várias coisas para falar, ainda, do fantástico festival South by Southwest 2012, que vamos botar em ordem aqui durante esta semana.

Jack White, da janela, em ação no Sxsw

* O Jack White estava zoando com a minha cara, no South by Southwest. Assim:
1. No Sxsw, tinha um passe “mágico” chamado Sxxpress Pass. Com um desse nas mãos, você podia furar a fila que fosse no clube que fosse e entrar em qualquer dos lugares de shows do festival. Para tê-lo, tinha que ir buscá-lo logo de manhã para os shows mais concorridos, no QG do Sxsw. Com seu crachá, você tinha direito a um por dia, para o show/clube do dia. Eu, que estava hospedado colado ao Centro de Convenções, pensei: “vou catar um pro show do Jack, óbvio”. Às 10h da manhã do dia do show do Jack White no Stage at Sixth, os Sxxpress para o local já estavam esgotados. Desde 9h30.
2. Beleza, me viro na hora de entrar, pego fila e tal. Daí soube que o ônibus da Third Man Record, a gravadora do Jack White, estaria vendendo em seu ônibus-loja, que rodava o Sxsw e ia parar na frente do clube que ele ia tocar, o single em vinil de “Sixteen Saltines”, com exclusividade para o festival. Eu na filinha de compras da loja móvel e o single esgota, com o último vendido exatamente para o cara da minha frente.
3. Na fila para o show, bem longe da porta (cheguei uma hora e meia antes de começar), vem o aviso. Seria difícil entrar no clube, naquele ponto da fila. Fui embora.
4. Voltei mais tarde, na hora do show, só para ver a muvuca da porta. Daí o que vi foi uma multidão do lado de fora, olhando pela janela. O palco era colado à janela, ela estava aberta e dava para ver Jack White e banda tocando. O som era bom mesmo do lado de fora. Deu para ver o show, não tão bem como para quem tava dentro. Mas deu.
5. O show, dividido em dois por gênero sexual, durou quase duas horas e teve sete músicas de sua banda mais famosa, o White Stripes. Foi um “White Stripes diferente”, agora com arranjos cheios, não só o minimalismo de guitarra-bateria que marcou a banda.
6. Jack White tocou músicas de seu disco que vai sair, o “Blunderbuss”. Algumas do Dead Weather e do Raconteurs. E muitas do White Stripes. “Hotel Yorba”, “Dead Leaves and the Dirty Ground”, “Hello Operator”, “Hardest Button to Button”, “My Doorbell”, “Ball and Biscuit”, pelo que me lembro. E, óbvio, “Seven Nation Army”, seu maior hit, que foi cantado efusivamente pelo público, dentro e fora do bar. De vez em quando o Jack vinha e dava tchauzinho para nós.
7. O John C. Reilly estava pertinho de mim. Pena que eu não vi o BILL MURRAY. Haha, sério, o cara estava lá, soube depois.

>>