Em sigur ros:

Sigur Rós, The Smiths, Black Mirror e o Tinder futurista

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Este não é um post daqueles “meu, isso é muito Black Mirror”. Estamos longe de querer analisar os efeitos colaterais das modernidades tecnológicas e as coincidências malucas entre a série e a vida real (*mentira, adoramos fazer isso, mas vamos deixar essa parte de lado). Viemos pela música mesmo. 😉

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Pode conter spoilers. Se você ainda não viu Black Mirror S04E04, leia com moderação!
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No quarto e melhor episódio desta quarta temporada, aquele que empresta o título de um trecho de uma música dos Smiths, “Hang the DJ”, um casal passa por todos os percalços possíveis em busca de um “match”. Com a diferença de que nesse futuro não tão distante, os envolvidos já dão o pontapé na relação sabendo quando ela vai acabar. Entre encontros e desencontros e depois de muitos “dates ruins”(aproveitando aquela hashtag do Twitter que resume muita coisa), ele e ela decidem burlar o sistema deste Tinder profético e, quem sabe, serem felizes para sempre.

Como todo episódio da série inglesa, agora nas mãos da Netflix, você fica esperando pela parte em tudo dá ruim. Mas neste, as cenas passam de fofas a (mezzo) engraçadas a aflitivas, e ele tem até um final feliz — até onde um final feliz de Black Mirror consegue ir, claro. E dando o tom para essa montanha russa está a trilha linda de Alex Somers, talentoso compositor, produtor e artista visual americano. Parceiro musical e de vida de Jónsi, vocalista e líder do Sigur Rós, Somers foi responsável pela arte das capas de vários discos da banda islandesa e colaborou (mixando e produzindo) nos álbuns ‘Valtari’ e ‘Kveikur’. O casal tem ainda o projeto musical e visual Jónsi & Alex, além de colaborarem um no projeto solo do outro e de fazerem diversas trilhas juntos, como para os filmes “Capitão Fantástico” e “Compramos um Zoológico” (e alguns vídeos de receitas veganas, sério).

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Para “Hang the DJ” (estamos falando de UM episódio, veja bem), Somers fez um set completo de 18 (!) músicas, entre canções e vinhetas curtas, duas delas em conjunto com o Sigur Rós. Você pode ouvir essa obra-prima toda abaixo. Para escolher o seu serviço de streaming de preferência, clique aqui.

*** MAIS SPOILERS ***

E se você está se perguntando sobre o título, “Panic” toca sim, bem no final. No trecho abaixo, dá para ouvir as inserções de Alex Somers, do Sigur Rós e dos Smiths, mas ATENÇÃO, esta é a cena FINAL do episódio. Não me xinga depois:

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Sigur Rós no Popload Gig: mais registros do show do ano

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Sem querer advogar em causa própria, muita gente tem dito que, quase aos 45 do segundo tempo, 2017 viu seu melhor show (não?) no Espaço das Américas, semana passada, quando o transcendental Sigur Rós aterrissou neste nosso planeta para causar uma comoção geral pouco antes vista na história do Popload Gig. E olha que foram muitos os momentos marcantes na nossa humilde trajetória.

Para relembrar um pouco mais do show, deixamos aqui mais um vídeo da apresentação, registrado pelos parças Rodolfo Yuzo e Rafael Andres, com as incríveis “EKKI MÚKK” e “Glósóli”. E, ainda, fotos tão incríveis quanto do pessoal do I Hate Flash!

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Sigur Rós fecha o ano Popload com magia

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São Paulo, 29 de novembro de 2017. Uma noite que fica para a história, quando a Islândia invadiu o Espaço das Américas através do som transcendental do Sigur Rós, indiscutivelmente uma das melhores e mais intensas bandas da música moderna.

O show encerrou com magia e chave de ouro o ano da Popload, neste Popload Gig debutante na casa de shows da Barra Funda, lotadaça. A banda, por exemplo, pediu para que a temperatura do ambiente ficasse em 21º, “para preservar a voz do Jonsi”, por causa da sequência de shows de uma turnê que já dura quase dois anos.

O mais interessante foi ver a intensidade do público, em transe e… em silêncio, acompanhado cada batida, cada palavra e cada minúcia de uma apresentação irretocável.

Abaixo, uma pequena amostra da noite mágica vivida por milhares no Espaço das Américas, em fotos de Fabrício Vianna e vídeos diversos. Obrigado pelo 2017 e um Feliz 2018 de show para todos nós!

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Popload encontra o maior fã brasileiro de Sigur Rós. E ele estará no show desta quarta, em São Paulo

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** No calor do show do ano, que acontece na noite desta quarta-feira, no Espaço das Américas, em São Paulo, a Popload abre espaço para o jornalista Luciano Vianna, do Rio de Janeiro, que viu a banda pela primeira vez em Londres, há um bom tempo atrás, em apresentação acompanhada por ele e mais ou menos outras 70 pessoas. Luciano fala de todo seu histórico com a banda islandesa, que será atração do Popload Gig, com uma passagem melhor que a outra.

Abaixo, o texto do Luciano Vianna, especial para a Popload.

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A primeira vez que assisti o Sigur Rós foi no salão de catequese da Union Chapel, em Londres. A banda, que nunca tinha se apresentado fora da Islândia, tinha sido contratada para lançar seu segundo disco na Inglaterra pelo selo Fat Cat e o pessoal da gravadora resolveu convidar alguns jornalistas para apresentar o grupo num show privado no norte de Londres. Bem, éramos umas 70 pessoas e todos ficamos em estado de choque, ninguém poderia esperar o que vinha naquela uma hora de show em que as músicas do Ágætis byrjun seriam tocadas na sequencia do disco.

Daí em diante o Sigur Rós se tornou uma das minhas 3 bandas preferidas e assisti eles em lugares como a própria Union Chapel (dessa vez dentro da igreja numa noite que estava ainda ao lado do mestre Fabio Massari e cuja foto aparece ate no seu livro sobre a história da música pop islandesa), no Royal Albert Hall, no Astoria (se não me engano ao lado do titular daqui, meu amigo Lucio Ribeiro, num NME Awards com abertura do Bonnie Prince Billy, não foi Lucio?) , no México, na França, até mesmo na Islândia, no lendário show de retorno da banda ao seu país natal depois de 4 anos sem se apresentar por lá.

Foram 14 shows com diferentes formações, diferentes palcos, diferentes estados de espírito. Até essa série de 3 shows em 5 dias que eu tive a sorte de assistir na Califórnia esse mês. Essa turnê foi criada para ser uma espécie de warm up para as apresentações que a banda marcou no Walt Disney Music Hall, em Los Angeles, onde, foram a atração principal de um festival dedicado à cultura islandesa. É lógico que os ingressos para os três shows acompanhados pela LA Philarmonica esgotaram em questão de minutos. Nesse mundo globalizado, pessoas do mundo inteiro correram atrás dos ingressos para essa ocasião inédita.
Mas vamos ao início. Alguns dias antes, a banda havia feito 2 shows no norte da Califórnia, em cidades grudadas, no Greek Theater em Berkley, dentro da famosa Universidade e no Fox Theater em Oakland, lar dos galáticos do basquete Golden State Warriors.

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Como os 2 shows tiveram o mesmo repertório, pouca coisa mudou entre eles. Esses são alguns dos primeiros shows da banda como um trio. No palco os três se revezam entre seus intrumentos de origem, teclados e sintetizadores. Quem mais sofre com isso e parece ainda não estar a vontade é o baterista Orri Páll Dýrason, que, nas músicas onde se divide entre bateria com uma mão e pés e teclado com a outra mão, ainda se enrola um pouco e as vezes erra notas ou algum tempo de caixa. Nada que não vá ser corrigido com o tempo de turnê, que ainda tem dezenas de shows por todo o mundo, inclusive um entre nós, em outubro, na Popload Gig.
O show, que não tem banda de abertura, é dividido em 2 partes. Na primeira, mais intimista, a banda arrisca no repertório com músicas novas e raramente tocadas como Á, Nidur e Smáskifa, numa espécie de warm up para o que vem por aí.

E é na segunda parte que o bicho pega. Com o telão de alta definição a pleno vapor e toda iluminação do palco a mil, a banda volta para atacar alguns dos seus maiores hits (Hoppipolla está ficando de fora dessa turnê, infelizmente) como Starálfur, Ný Batterí, Festival e encerrando apoteoticamente com uma versão de quase 10 minutos de Popplagið. O público, extasiado, aplaudiu de pé por minutos a banda que teve que voltar duas vezes para agradecer.

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Três dias depois, foi a vez de rumar para Los Angeles para ver os islandeses se apresentarem, dessa vez com toda uma orquestra de fundo, em novas versões de suas músicas. O lugar, o Walt Disney Music Hall, é conhecido por ter a melhor acústica do mundo. Eu já tinha ido lá alguns dias atrás, para a abertura do Reykjavík Festival e assistido Amina, Olofur Arnalds, Múm, entre outros e pude constatar in loco a perfeição do som do local.

Era a primeira das três noites do Sigur Rós no festival e o clima de tensão estava no ar. Pessoas do mundo inteiro (do meu lado tinham 2 peruanos que vieram apenas para ver os três shows, na frente asiáticos falando alguma língua que não entendi, pude ver 2 camisas de times brasileiros na platéia, etc…) aguardavam pela apresentação, que começou com a Filarmônica de Los Angeles no palco tocando peças islandesas até que o trio Sigur Rós foi chamado. Daí em diante o que se viu foi pura magia. Músicas como Tákk, Glosoli, Staraful, Festival, ficaram, como posso dizer, celestiais, com os arranjos do maestro Esa-Pekka Salonen, arrancando lágrimas de muitos presentes.

Após um breve intervalo, a banda volta apenas como trio e desfila 6 hits seguidos para o delírio dos fãs. De Sæglópur, Ný Batterí e Vaka até E-Bow, Kveikur e Popplagið. No final, visivelmente emocionados (Jonsi deixou até cair algumas lágrimas), a banda parecia aliviada por tudo ter dado certo e ter proporcionado essa noite inesquecível para os 800 felizardos que puderam acompanhar ao vivo.

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** O Popload Gig com o Sigur Rós é nesta quarta, com pouquíssimos e últimos ingressos à venda na Ticketload. À Folha de São Paulo, a banda informou que não sabe se voltará a fazer longas turnês pelo mundo em um futuro próximo. Então, se eu fosse você…

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