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#SIMSP dia 2 – Os caras do Sxsw, as rádios e o Bike

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* A São Paulo indie segue chacoalhada com a programação oficial diurna e noturna da Semana Internacional da Música, que tem coração no Centro Cultural SP, mas se espalha por toda a cidade em shows e puxa ainda uma programação não-oficial de apresentações.

Ontem, na parte de palestras, demos uma olhada na que trouxe a galera do megauberhiperfestival indie South by Southwest, do Texas, a mais importante vitrine de música nova do planeta. O nome da mesa era “O SXSW e a porta de entrada para o mercado americano””. Teve Tracy Mann e Stacey Wilhelm, que trabalham para o SXSW, assim como Mark Gartenberg, que além de seu papel no festival de Austin é co-fundador da MG Limited, que trabalha com consultoria musical, e presidente da Adesso, uma boutique administrativa e editora/gravadora. O cara.

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O painel gastou seus primeiros 20 minutos basicamente apresentar o SXSW para quem ainda não conhecia, explicar o formato do festival que é mais uma feira que conecta gente do mundo inteiro, que está buscando, mais do que qualquer outra coisa, novidades de várias esferas, em modelos de negócios, mercado de filmes, atuações publicitárias modernas e diferenciadas e, claro, música.

Wilhelm (foto acima), que cuida basicamente da programação do festival, afirmou que chegam até ela e o pequeno grupo de oito pessoas que montam as edições do Sxsw cerca de 10.000 artistas interessados, e que no fim só 2.000 desses são selecionados. Falaram sobre a dificuldade de deslocamento e gastos que um artista novo selecionado precisa encarar para se deslocar até Austin e passar a semana por lá para se apresentar no festival.

Foi falado na conversa que o Brasil é o quinto país dentro do South by Southwest em representatividade, ficando atrás só de países tipo Alemanha, Inglaterra e Canadá, além dos próprios EUA. Muitos perguntaram “Mas, e aí, como faz para tocar no SXSW?” A resposta dos palestrantes foi que não existe uma fórmula, e que eles estão sempre atrás de coisas novas que supõem sejam interessantes ao público que lota Austin todo ano. E que, para o festival, não importa números de streaming, curtidas em Facebook ou número de followers no insta para um artista ou banda integrar uma edição do Sxsw. Todo mundo tem chance e começa no mesmo patamar.

** “Espaço na Rádio. Qual teu dial ou link?” trouxe à tona, na sequência, uma conversa sobre rádios, com a participação de Meggie Collins (Triple J Austrália), Patricia Palumbo (Rádio Vozes), Roberta Martinelli (Som a Pino, Rádio Eldorado), Patrickor4 (Frei Caneca FM), Paulo Proença (Rádio Inconfidência), Veronica Pessoa (Faro MPB, MPB FM), Julianna Sá (Programa Radar, Roquette-Pinto) e Alberto Benitez (Radio Ibero 90,9, México).

Foi o painel mais “fervido” que vimos, com a sala lotada. Talvez por serem radialistas e adorarem falar, ainda mais sobre música, a discussão com a plateia foi das mais saudáveis e divertidas. Todos os palestrantes falaram um pouco sobre a carreira e sobre os projetos que estão trabalhando, e o fator comum foi levar música de artistas pequenos, independentes, ou da MPB, até o ouvido dos ouvintes mais diversos. E instigar ao máximo que essa música seja dissipada dentro de um país continental que não conhece a música do estado vizinho, mas sabe o que toca fora do país.

A grande e articuladíssima Triple J australiana deixa claro que o que falta no Brasil é investimento do governo em rádios que tenham um pouco mais de, digamos, curadoria, e que permita que novos sons, novas bandas e artistas sejam descobertos. A BBC britânica e a Triple J tem algo em comum: são totalmente financiadas pelo governo, o que possibilita, no feliz caso delas, a liberdade cultural florescer. Não por acaso a Triple J vem crescendo bastante no “gosto comum” na Australia e toca um tipo de música tida como “alternativa”.

A noite ferveu novamente nos shows pela cidade. Conseguimos chegar à Casa do Mancha novamente para ver o paulistano Bike tingir a casinha com cores psicodélicas, na dobradinha com a doçura do Carne Doce goiano em versão acústico-amorosa, dentro do showcase do Festival Bananada. No Z Carniceria, em noite gaúcha lotada, o Wannabe Jalva, o Catavento e o Cartola fizeram o povo cantar letras de forma impressionante.

Abaixo, temos vídeo da música que encerrou o show do Bike no Mancha.

* Na foto da hom, as cores do Wannabe Jalva em show no Z Carniceria ontem, dentro da programação da SIM.

** A cobertura POPLOAD do SIM – SEMANA INTERNACIONAL DA MÚSICA é de Lúcio Ribeiro e Isadora Almeida.

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SIM – Semana da música transforma São Paulo num Sxsw mirim, com discussões e mil shows. Veja performance de FingerFingerrr e BRVNKS

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* A SIM – Semana Internacional da Música, convenção anual que pretende juntar todas as pontas da música como business, tendo o crescimento da CENA brasileira como foco e promovendo intercâmbios com a cena latina e americana em diversos níveis da produção sonora. Começou em festas na quarta-feira, mas ontem teve seu primeiro dia de programação séria, no Centro Cultural SP, com nível gringo de organização e espalhando shows bons pela cidade, que viveu desde 12h um clima de Austin, Texas.

A Popload percorreu a programação da SIMSP durante o dia e esteve em shows da noite. Num apanhado geral do que vimos podemos recortar o seguinte:

DIA – Painéis e showcases no CCSP
O primeiro painel do dia foi “A Música na TV Brasileira”. E o pessoal que estava debatendo falou um pouco sobre adequação dos artistas quanto aos vídeos que passam nos canais dedicados à música seja na TV aberta ou fechada. Foi importante ver chefes de programação da MTV, PLAY TV e a diretora do programa “Altas Horas”, pelas bandeiras que defendem, discutindo os novos rumos dos videoclipes e qual o caminho do artista até chegar às televisões. Hoje em dia o caminho é muito mais curto, por causa da internet. Agora o caminho é Youtube -> TV, foi o consenso.

Outro painel, “Crítica Cultural x Curadoria de Conteúdo”, com gente da Vice, Noize, Sofar e Bravo! Nessa conversa muito se discutiu, também à luz da independência virtual vs. canais estabelecidos, sobre a relevância de se escrever uma crítica musical, se ela ainda se faz necessária e qual o cenário da crítica no Brasil. Os canais de Youtube que hoje são importantes “formadores de opinião” (cada um com seu peso) para a juventude que acredita no que ouve de pessoas (que às vezes não têm esse conteúdo e conhecimento todo necessário para fazerem uma critica musical) que admiram. A falta de incentivo financeiro para esse tipo de trabalho foi um dos pontos que pegaram durante a conversa. O raciocínio é fácil: se não tem incentivo o pessoal que sabe/quer escrever sobre críticas mais embasadas vai murchando.

“Minha Música na Novela” foi um painel até surpreendente para o público presente, pelo rumo que tomou. Serviu para, de acordo com a mesa, entender que música em trilha de novela (pelo menos da Globo) aparece lá porque faz sentido na trama, ou faz sentido a uma certa personagem. Não tem jabá e é mais questão de feeling, mesmo. Artistas independentes, grandes nomes, nomes que estão bombando no momento…cabe de tudo nas trilhas, segundo disseram.

Flora Gil entrevistada por Roberta Martinelli. Vimos pouco da conversa, mas pelo entendemos ela foi pautada um pouco na “eterna luta” entre grandes empresas tipo o Youtube e os artistas, se a distribuição e o retorno financeiro é justo, a coisa dos direitos autorais e um pouco sobre a cena dos novos artistas. Fico pensando o que o Chance The Rapper poderia falar nessa conversa, já que ele é um dos maiores nomes da música mundial, indicado a (vá lá) Grammy e nunca colocou música para vender, sempre distribuiu tudo de graça e só a última mixtape dele está em programas de streaming. Já a Taylor Swift escreveu carta para Apple pedindo mais “retorno financeiro” para os artistas… Essa conversa não tem fim.

“Minha Carreira no Exterior” teve do produtor e agitador Marcos Boffa, herói indie desde os 90, como mediador, e gente tipo Adriano Cintra e Andreas Kisser batendo aquele papo de bandas brasileiras que fizeram fama lá fora. É meio um papo que a gente já sabe: a banda tem que ser foda AND estar no lugar e na hora certa, para aproveitar oportunidades que surjam. Misto de sorte e talento.

Na parte de shows, os do dia, no Centro Cultural, rápidas apresentações de enxutos 20 minutos, tiveram coisas bem legais, como a pauleira garagem do FingerFingerrr até o hip hop style de Tássia Reis e Ogi, entre outros.

Na movimentada noite paulistana de ontem, fomos à Casa do Mancha ver o showcase do Bananada, que apresentou espetaculares shows do goiano BRVNKS e do carioca Ventre.

Abaixo, temos vídeos do FingerFingerrr (o vocal estava tecnicamente prejudicado na performance deles e reflete no vídeo, mas tudo bem porque a energia sonora do duo transborda) e da belezura que é o BRVNKS.

** As imagens deste post, a de cima e a que está na home da Popload, são da performance da cantora Tássia Reis.

** A cobertura POPLOAD do SIM – SEMANA INTERNACIONAL DA MÚSICA é de Lúcio Ribeiro e Isadora Almeida.

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