Em sirius xmu:

Pergunta: Ty Segall é o cara mais legal do rock, hoje?

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* Acho que não tem nada que eu goste mais de ouvir em rádio, hoje em dia, do que uma música do Ty Segall. Dessas que começa a tocar de repente e levanta seu moral caído, te tira do marasmo, da indiferença. Isso é o que o indie de garagem desse músico da Califórnia baseado em San Francisco é capaz de fazer.

tysegall

Ty Segall, Mac DeMarco, Connan Mockasin, Parquet Courts, Ariel Pink. Diferentes, alguns nem tão novos, outros de lugares díspares como Nova Zelândia e Canadá, mas algo forte que os une nessa coisa atualíssima de garage-rock com doses de psicodelia mais punk mais glam mais T-Rex e David Bowie fase bagaceira, tudo junto, traduzido e atualizado. Acho que se Kurt Cobain estivesse vivo e estivesse olhando para o rock hoje, era essa cena que ele ia frequentar.

Há um tempinho li outro “enquadramento” certinho para esses caras, dado pela revista de alta-cultura “New Yorker”, por ocasião de um show do Ty Segall com o Mac DeMarco juntos em Nova York: “…buscam melhorar a fórmula de slacker-rock que o Stephen Malkmus perpetuou nos anos 90 com o Pavement, na companhia de grupos como o Superchunk. Mas sem levar isso muito a sério”.

Ty Segall tem uma história que não sei se é verdade, mas que eu adoraria que fosse. Ele originalmente é de Orange County, região que ficou famosa com o seriado teen “The OC”. Segall teria ficado tão puto com uma certa “coxinhização” ou nerdização de seu pedaço, que se mudou definitivamente para San Francisco e lá construiu parte de sua carreira, inclusive participando de várias bandas e lançando sete discos solo. O último deles, “Manipulator”, vinil duplo, 17 músicas, lançado não tem dois meses, é uma das obras-primas toscas deste ano.

Enfim, tudo isso para falar que hoje vai ao ar nesta noite na rádio que eu (mais) escuto, a Sirius XMU, uma session exclusiva de Ty Segall no estúdio da emissora. E eles não param de falar nisso e de tocar na programação a espertíssima “Tall Man, Skinny Lady”, acho que minha faixa predileta do novo álbum dele. Marquei o despertador do app da Sirius para despertar na hora da session. Quando ela aparecer no Youtube, botaremos para rodar aqui na Popload, obviamente.

Daí que, fuçando hoje sessions recentes de Ty Segall, descobri, um pouco atrasado e atrapalhado pelas últimas viagens, que a performance deles na KCRW, de Los Angeles, 40 minutos de música e entrevista, do começo do mês, está inteira disponível pela emissora. Foi para o programa top “Morning Becomes Eclectic”, sempre genial. Boto aqui embaixo.

Ty Segall está agitando por estes dias a Europa. E os informes que caço desses shows por lá é só de entusiasmo. Casas sempre lotadas, sempre uma loucura na plateia.

Abaixo tem a espetacular session da KCRW; um vídeo de “Tall Man, Skinny Lady” tocada neste ano no South By Southwest num buraco de Austin com a galera se esmagando na grade; outro da mesma música no Coachella 2014 filmado da galera e consequentemente todo tremido; e uma amostra do fuzuê que é um show de Ty Segall hoje, em cena tirada de apresentação no Apollo, em Barcelona, tipo quinta-feira passada, mesmo local onde a Popload viu ele em ação numa festa do festival Primavera Sound, em junho. Repare nele tocando guitarra nos braços do povo.

E, quando sair o da Sirius, a gente coloca aqui também.

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Me abraça, Lauren. Chvrches e seu som delicado na SiriusXMU

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Uma das minhas bandas favoritas na minha rádio predileta, simples assim. O sofisticado trio escocês Chvrches, uma das grandes revelações da música em 2013, mistura ótima da esperta dupla Iain Cook e Martin Doherty, que oferecem suas batidas milimétricas para a fofura Lauren Mayberry soltar sua bela voz, fez uma session lindona para a SiriusXMU, provavelmente melhor rádio que se tem notícia por aí.

A apresentação foi gravada em um hotel na cidade de Nova York e acompanhada por fãs. O Chvrches lançou ano passado o bem bom “The Bones of What You Believe”, andou fazendo covers de Whitney Houston e East 17, foi “fichinha” em festivais pelo mundo ano passado e já está confirmado em outros neste 2014, tipo Coachella. Para a XMU mandou os pequenos hits “The Mother We Share” e “We Sink”.

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A melhor rádio de rock do planeta

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* “É como ouvir college radio sem precisar ir para o colégio”.

* Eu já falei aqui uma vez sobre a emissora Sirius XMU, vou falar de novo. A XMU está dentro da SiriusXM, sistema americano de rádio por satélite que tem umas 2465 emissoras. Tem de tudo: uma estação que fala 24 horas sobre culinária húngara até uma outraa só sobre pocker, 24 horas.

Não é de graça. É um serviço pago. Tipo 15 dólares por mês. Mas está cheio de promoções, experimentações de um mês, degustações grátis de uma semana. Fora que, acredite, vale cada centavo de dólar.

Bom, a SiriusXM, o sistema, tem a emissora do Howard Stern, tem emissoras sobre cada um esporte que você possa imaginar, tem canais de stand-up comedy non-stop, tem tudo. Uma sapeada quase agora pelo Howard Stern deu para ver o impagável apresentador debatendo sobre a pronúncia correta de “guacamole” e em outro quadro dele entrevistando um gay que casou recentemente e pedindo para ele explicar como se decide quem é o marido da relação.

E na SiriusXM tem, óbvio, dezenas de rádios de música.
Tem rádio que toca Pearl Jam 24 horas, tem a rádio Elvis, tem uma rádio só para o grupo progressivo yes, tem a espetacular Radio One inglesa, tem a rádio Grateful Dead, tem a Lithium que é só Nirvana, grunge, Seattle, tem tudo.
E tem a que eu quero falar de novo, a Sirius XMU, a do slogan lá em cima, das college radios.

Agora, por exemplo, enquanto escrevo, nela está tocando Tanlines. Tocou Arctic Monkeys, Lower Dens (uma das minhas bandas novas prediletas), Blood Orange, Poliça. Muita banda nova, bandas antigas classe, bandas que interessam. Mudou para Unknown MortaL Orchestra e já está em Jack White ao vivo de Nova York, acho que exclusivo da XMU, se eu entendi.

Banda norte-americana domina, o que é muito bom, porque hoje em dia no quesito “bandas novas” os EUA estão massacrando a Inglaterra. A situação está feia na terra da Rainha. Está virando uma terra deserta de bandas e ideias, porque só alguns mais conhecidos estão com trabalhos interessantes. O resto está devagar. Tanto que festivais médios e pequenos estão todos sendo cancelados, por falta de compradores de ingressos. Enquanto isso, nos EUA…

(Agora está tocando Toro Y Moi, a ótima “Girl Problems”, que veio emendada na nova do Hot Chip)

A música toca e você tem informação no site quem tá tocando, de que álbum é a música. Com o app de iPhone, caprichadíssimo, escuto a rádio no meu carro, fazendo caminhada, tomando banho etc.

Se a XMU só tocasse música, ela já seria espetacular. Mas ela vai além.
* Não é uma rádio mecânica. Tem DJs. E alguns incríveis, que falam bem, são motivadores sem ser “Jovem Pan”, são informativos, sabem do que estão falando. Meus prediletos são o Jake Fogelnest, todo dia de manhã, e a “simplesmente” Julia, toda noite.
* Tem sessions exclusivas, fazem streaming exclusivos de shows, levam artistas para entrevistas e divulgação de músicas novas no calor dos lançamentos.
* E, o mais bizarramente bacana, tem o BLOG RADIO, programas diários entregue a alguns dos principais blogs indies americanos. O sensacional programa do Hipster Runoff, com a locução mais maluca da história do rádio em qualquer formato, rola às segundas. O do My Old Kentucky é na terça. Brooklyn Vegan, quarta. Gorilla Vs. Bear na quinta. Aquarium Drunkard acontece às sextas.

Alguns exemplos “práticos” de belezuras da Sirius XMU.

1. A fofésima banda Best Coast tocando “Last Year” em linda session. Oh, Bethany…

2. Laninha del Rey fazendo versão exclusiva e matadora de “Video Games” ao vivo no estúdio da XMU

3. O ótimo The Drums ao vivo no estúdio da XMU fazendo cover de “Birthday”, impressionante e difícil canção do Sugarcubes, a ex-banda da Bjork, quando ela ainda era legal

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