Em sleater kinney:

Popnotas – O Tiny Desk das Sleater-Kinney, o bailinho da Olivia Rodrigo, o single novo do Pond e o Jeff Tweedy pegando o elevador para o 13º andar da psicodelia

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– Agora há pouco o incrível duo feminino veterano Sleater-Kinney estreou seu “Tiny Desk”. O famoso programa online trouxe Corin Tucker e Carrie Brownstein à frente de uma banda (foto na home), mostrando três músicas de seu novo disco, “Path of Wellness”, o décimo delas, lançado não tem um mês. A session toda teve quatro canções. “One Beat”, do disco homônimo de 2002, fechou o setlist do “Tiny Desk” delas, que foi gravado em Portland, inclusive no complexo cultural da cidade onde elas gravaram o disco novo. Agora em agosto, mais precisamente no dia 5, a dupla começa uma boa turnê americano com o sempre maravilhoso Wilco. Ai, ai. Abaixo, as Sleater-Kinney em ação. As músicas tocadas foram “Path of Wellness”, “High in the Grass”, “One Beat” e “Worry with You”.

– A Olivia Rodrigo, ex-Disney atual-fenômeno meio-roqueirinha meio-pop linha Taylor Swift, realizou ontem sua primeira livestream em formato de… filme da Disney… chamada “Sour Prom Concert Film”. A transmissão foi no YouTube dela. Tem quase meia hora de duração e mostra Olivia Rodrigo cantando músicas de seu recém-lançado disco de estreia “Sour” no cansativo formato de baile de formatura. Enfim, coisas da idade. Antes do streaming, rolou uma festinha de esquenta para a transmissão, com a cantora respondendo perguntas dos fãs. “Sour”, o disco, estreou em primeiro lugar na parada de álbuns da “Billboard” e obteve o maior número de streams de áudio dos EUA de um álbum de estreia feminino de todos os tempos. Fora que quebrou o recorde de álbum com maior número de streams em uma semana por uma artista feminina na história do Spotify, com mais de 385 milhões de streams globais. Isso é que foi um “baile de debutante”, embora Olivia há quatro já não tem mais 15 anos.

– Banda australiana com fortes conexões com o Tame Impala, a ótima Pond vai lançar em outubro, com produção de Kevin Parker, o álbum “9”, previsto para chegar logo no dia 1º/10. Hoje no Brasil (ontem na Austrália) eles lançaram um single deste álbum, a faixa “Toast”, com um vídeo que custou 300 dólares, eles disseram. O preço de quatro garrafas de champanhe, usadas na filmagem. Champanhe está barata na Austrália, hein? “Toast”, segundo o vocalista Nick Allbrook, tem a ver com os incêndios florestais que castigaram feio a Austrália no ano passado, num recado direto aos “líderes gordos velhos e brancos” do país. Treta direta em forma de música boa.

– Agora em julho sai uma compilação em homenagem à marcante banda psicodélica (psicodélica meeeeesmo) 13th Floor Elevators, formada no Texas nos anos 60 pelo grande vocalista e guitarrista Roky Erickson, morto há dois anos. Na verdade é mais pro Erickson do que para a banda em si, a homenagem. Chama “May The Circle Remain Unbroken: A Tribute to Roky Erickson”. No próximos dias vão aparecer uns singles dessa coletânea da adorada banda de Austin (de onde mais…?). Começamos com esta aqui embaixo, do nosso amigo Jeff Tweedy, do Wilco, fazendo em tributo uma cover minimal da maravilhosa “For You (I’d Do Anything)”.

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Top 10 Gringo – Little Simz lançou música nova? Difícil não estar no topo. Falando de São Paulo ainda? E mais: Tyler, the Creator, Banks, Torres e Idles… e a Lorde de novo

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* Após algumas semanas tão movimentadas, dá para dizer que tivemos poucos lançamentos surpreendentes nesta última leva. Tanto que até mantivemos algumas coisas da semana passada no ranking por falta de novidades. E porque mereciam uma vinda mais longa no nosso ranking, talvez. O que será que anda acontecendo? Ainda assim o que separamos é ouro, lógico. Pode colar na gente para renovar sua playlist de descobertas.

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1 – Little Simz – “Rollin Stone”
Acho que a gente combinou que todos os singles da Little Simz seriam número 1 por aqui, né? E anda dando muito certo, porque todos até aqui são impecáveis. E o que dizer de uma música que começa com os versos “Eu estava em São Paulo”? Essa primeira linha de “Rollin Stone” foi por nossa causa, porque ela veio para tocar no nosso festival. Logo temos já uma parte dentro da obra da nossa rapper britânica predileta. Se naturalmente daríamos o primeiro lugar para ela, imagina com essa motivação…

2 – Tyler, The Creator – “Lumberjack”
Após dois discos radiantes de tão pop, será que vamos ter novamente um Tyler, The Creator mais sombrio em seu próximo disco? É o que indica este single irritado com os haters de plantão e tirando uma onda com todo o reconhecimento e sucesso e grana que ele merecidamente conquistou neste ano. Bem Tyler, pois. Vamos ver o que vem nos próximos singles.

3 – Banks – “The Devil”
A californiana Banks retoma os trabalhos após o encerramento do ciclo do seu disco “III”, lançado em 2019, e começa dar as pistas do que pode ser seu novo trabalho em um single incendiário. Pelo título, pode ficar a impressão que o assunto envolve questões mais polêmicas, mas é Banks tratando sobre sua depressão e dores que sentiu após problemas no corpo e crises de ansiedade terríveis.

4 – Torres – “Hug from a Dinosaur”
Ainda neste mês teremos disco novo da TORRES, nome artístico em maiúsculas da Mackenzie Scott. Sim, ela lançou álbum no ano passado, mas já vem com o próximo. “Hug from a Dinosaur” saiu de um sonho dela e tem um clima de orgulhar Courtney Love. Ainda que seja bem mais leve que as coisas do Hole, tem uma onda ali que lembra um pouco – apesar de contar com um som doidinho de um instrumento não identificado por nós que corta a vibe roqueira da música sem deixar de fazer sentido.

5 – Idles – “Sodium”
Um barato ver o Idles um tanto quanto fora da zona de conforto, tendo que escrever baseado em uma obra de ficção de terceiros, no caso, um quadrinho, cuja música faz parte da trilha sonora – sim, parece que é uma tendência esse lance de trilhar quadrinhos _ não é a primeira vez que damos uma trilha de HQ aqui. A música é arrastada, climática, nem dá para imaginar eles tocando ela nos shows. Outro rolê mesmo. Mas bem interessante. Porque Idles.

6 – Tigercub – “Sleepwalker”
Caramba, Josh Homme se escutar isso aqui vai ficar enciumado ou bravo de tanto que lembra o Queens of the Stone Age. Para inglês ver, claro. E ouvir. Mas não é descarado a ponto de ser sacana, pela menos na nossa avaliação. Referências estão aí para serem usadas. E, para ser justo com Jamie Stephen Hall, a voz do Tigercub carrega mais no sentimento que o cínico Homme, um diferencial e tanto. Até porque o álbum todo ainda traz outros climas.

7 – Modest Mouse – “The Sun Hasn’t Left”
Dá para dizer que o Modest Mouse entrou na onda do indie mental health. A reflexão aqui é um daqueles chamados para todos tomarem um ar e observar as coisas ao redor. Sim, “o mundo anda tão complicado”, reflete a letra, mas o sol está por aí, o mar também e nossos amigos e amores não precisam se reduzir a uma tela – sim, tem a pandemia que eles se esqueceram de mencionar, mas eu sei que antes você já andava relapso quanto a isso, né? Ansiosos para esse novo álbum do Modest Mouse? Saí nesta semana.

8 – Lorde – “Solar Power”
Seguimos sem saber o que pensar da nova onda da Lorde. Aquela tese de que este single é mais um teaser do que está por vir. Uma semana de repetidas audições mantiveram a música bem cotada, em todo caso. Massa que ela resolveu dispensar CDs e vinis em nome do meio ambiente – seu novo álbum será totalmente digital, ainda que role adquirir uma versão com o download em uma embalagem caprichada, como se fosse um disco mesmo. Imaginação ecofriendly necessária, pode ser.

9/10 – Sleater-Kinney – “Complex Female Characters”. José González – “Head On”
E, já que é para repetir música da semana passada, vamos com duas logo, essas belezinhas da Sleater-Kinney e do José Gonzáles, né? Merecem uma vida mais longa por aqui. Você já sacou estes sons? São daquelas canções que ficam na cabeça por uns dias. As SK por tocar na questão de um machismo pouco debatido, que é aquele feminismo de conveniência que alguns homens adotam. E González e suas questões contra essas pessoas perto de você que atrapalha um andamento digno da humanidade. Você sabe de quem falamos. Contra todos esses, segundo o sueco, cabeça erguida.

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* A imagem que ilustra este post é da rapper e cantora britânica Little Simz.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 10 Gringo – Lorde cava seu primeiro lugar no papo. Pastel chama a atenção para a neopsicodelia inglesa. E o Migos começa sua avalanche de hits. Mais ou menos isso no nosso ranking

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* Temos um primeiro lugar para lá de polêmico. A gente acha, né? Porque nem a gente concordou muito com a própria escolha. Mas tem um papo nessa opção que vale levantar. E tudo isso em uma semana de boas músicas, a maioria provocativa com homens. Merecido tamanha incompetência masculina. Da veterana dupla americana Sleater-Kinney, de olho em homens que se fazem de feministas, até a Marina, a britânica, que está cansada de viver no mundo dos homens. E, se for mesmo a fundo, até nosso 10º lugar “diferente” trata desse tema. Ficamos satisfeitos com o ranking. Mais ainda com a playlist que o acompanha e sonoriza perfeitamente nossos pensamentos imperfeitos.

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1 – Lorde – “Solar Power”
Será que a gente gostou mesmo deste som? Parece uma música um tanto aquém das coisas que Lorde fez até aqui. A pergunta segue no ar, mas vale ir além da música e dizer que “Solar Power” nos fisgou também como um movimento da Lorde. A gente acompanha ela desde o começo e é notável que a neozelandesa assuma o risco de virar até meme ao colocar novas tonalidades em sua música, nos vídeos e na capa que causou agitos nas redes na hora – e nessa hora, no caso, os brasileiros capricharam, para variar. Se daqui a pouco a gente esquecer essa música, fica o meme. Mas nõa deixamos de saudar a volta da Lorde. E, se você pensar bem, é cultura pop, não?

2 – Pastel – “Blu”
Será a volta de Madchester? Estamos de olho nessa ainda pequena banda inglesa que revive os tempos do britpop mais doidão, indie psicodélico, que seria demolido pelo grunge e na sequência, em alguma medida, pelo estouro do Oasis, que eles mesmos foram precursores. Uma cena para se acompanhar. E nossa “ajuda” para esta boa música é dar um lugar alto no nosso ranking.

3 – Migos – “Avalanche”
Por aqui, o trio americano Migos segue sua toada certeira de construir hits gigantescos. Em “Culture III”, adiado por conta da pandemia, mas que está sendo retomado agora com lançamento recente, a música não peca em ser enorme, como todo o álbum novo do Migos, cheio de hits e participações especiais, que vão de Cardi B, a Bieber e a Drake. Já vemos alguns bilhões de streams por aí. No caso desta “Avalanche”, a brincadeira começa com referências ao hino “Papa Was a Rolling Stone”. Eita!

4 – Sleater-Kinney – “Complex Female Characters”
A gente saltou direto nessa faixa do novo álbum da Sleater-Kinney pelo título curioso. E não deu outra. É uma musicão que bate em cheio nos homens que amam um discurso de que curtem mulheres complexas na ficcão, enquanto sonham com um mulher real que pegue (bem) leve com eles – sempre regulando o quanto uma mulher pode ser ou deixar de ser. E as Kinney botam as coisas em seu lugar, por meio de uma boa música.

5 – Garbage – “Starman”
A gente ainda vai dar uma atenção para o disco do Garbage, “No Gods No Masters”, que acabou de sair. Acontece que ele vem acompanhado de um segundo disco, de covers, maravilhosos, que incluí só uma das melhores músicas de todos os tempos. Sim, “Starman”, do Bowie.

6 – Marina – “Man’s World”
Em uma estrofe, Marina (ex-with the Diamonds) dá o recado mais direto sobre o que a luta feminista busca, neste single de maio que puxa seu disco novo, lançado sexta passada. Coisa do tipo “Se você não entender agora, não entende mais”. Assim:
“Se você tem uma mãe, filha ou amiga
Talvez seja a hora, hora de compreender
Que o mundo em que você vive não é o mesmo que o delas
Então não me puna por não ser um homem.”
Precisa de mais?

7 – Pom Pom Squad – “Crying”
“Crying” traz a espertíssima Mia Berrin, vocalista e guitarrista do Pom Pom Squad, enfrentando sua própria escuridão em um banho de distorção guitarrística. Em contraste com o vídeo, que lembra filmes do anos 40 e 50, a coisa fica ainda mais divertida. Talvez “divertida”, para alguém que está chorando, não seja a palavra certa. Mas você entendeu.

9 – José González – “Head On”
Nosso sueco favorito fez uma das músicas mais antidepressivas do ano. “Head On” é um chamada para encararmos qualquer questão de frente, com a cabeça erguida, como diz o título. É até engraçado que a música começa quase bobinha, listando coisas tranquilas, até que de repente o grande sueco de nome latino nos chama a encarar de cabeça erguida desde um inquilino abusivo, corruptos e o nepotismo. É sensacional. E que violão hipnotizante. Grande volta, señior González.

9 – Manic Street Preachers – “Orwellian”
Tem um verso polêmico aqui nesta música do velho Manics. “We live in Orwellian times/ It feels impossible to pick a side”. Em tradução livre, “Vivemos em tempos orwellianos/ Parece impossível escolher um lado”. Se não for um papo do tipo “tomar ou não vacina e outras dúvidas que não deveriam existir”, esse tema universal atual, a gente entende que a música é um belo recado para a confusão geral que virou este mundo hiperconectado, onde nada parece ter validade. Mas pareceu um pouco dúbio. Será mesmo impossível decidir bem algumas coisas? Vamos acompanhar. Ao som do Manic Street Preachers.

10 – Bo Burnham – “How the World Works”
Em seu especial de comédia do Netflix, o americano Bo Burnham tira sarro de si e de muitos privilégios brancos em forma de música, em diversas canções. Nesta aqui, direcionada às crianças, ele tenta contar a história do mundo, que é impecável até que um personagem criado por ele resolve dar a real sobre genocídio, exploração do homem pelo homem e outros abusos. Vale escutar para ver como a história termina. Uma música diferente no ranking, ok. Mas ainda assim uma música.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora neozelandesa Lorde.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 10 Gringo – Black Midi no topo com “baladinha”. As Bachelor na segundona. Girl in Red cata o terceiro posto. Tem para todo mundo

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* Semana com músicas para todos os gostos aqui no nosso Top 10. Tem aquele indie rock que é a preferência da casa, mas também trazemos lances experimentais, rap, R&B introspectivo… Até uma faixa de spoken word a gente incluiu, galera. E tem provocação para os Gallaghers, uma prática que a gente mantém sempre que temos a chance. Mas é amor. Ah, e como tudo fica lindo na nossa playlist. Leia a ouvindo. Ou ouça nos lendo. Você manda.

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1 – Black Midi – “Marlene Dietrich”
De tantas músicas intensas do novo álbum do Black Midi, vamos com a que começa com um violãozinho inesperado, ainda mais após a barulheira da faixa de abertura. Quem leu a nossa entrevista com Geordie Greep, o vocalista banda, aqui na Popload, descobriu que eles manjam de Egberto Gismonti e João Bosco. Repertório, gente.

2 – Bachelor – “Stay in the Car”
Ellen Kempner (Palehound) e Melina Mae Duterte (Jay Som) são duas garotas com uma boa estrada no mundo indie, com suas respectivas bandas. No Bachelor a dupla se reúne para um poderoso mix. É até complicado categorizar o som da dupla: tem guitarra, tem momentos mais climáticos, quase lo-fi, mas nem tanto assim. Sem dúvida uns dos discos mais interessantes da semana.

3 – Girl in Red – “Midnight Love”
Voltamos a este bom momento do álbum de estreia da norueguesa Girl In Red por conta de uma session dela na emissora americana Sirius XM, ao piano, que dá uma outra cara a essa música. Já era uma balada (ainda que com um certo groove) na versão do disco, mas que ainda mais em uma versão seca, só piano e voz.

4 – Sleater-Kinney – “High in the Grass”
Uma música que, se entendemos bem, é uma grande ode à curtição, aproveitar os momentos mesmo. E mais uma prova de que esse disco da dupla americana Sleater-Kinney que vem por aí, “Path of Wellness”, já é um sério concorrente na sua lista de favoritos do ano.

5 – Cola Boyy – “Don’t Forget Your Neighborhood”
A gente costuma olhar meio feio para o algoritmo do Spotify, mas temos que confessar que eles nos deram um presente nesst semana. Por seguirmos os australianos do Avalanches, a plataforma recomendou a participação deles neste som deste jovem multiinstrumentista californiano. E que vibe esse Cola Boyy é capaz de criar. Atenção nele. Já colamos no Cola.

6 – Nayana Iz – “Breaking Point”
Ouvidos no som dessa indiana que cresceu em Londres. Presença constante em lista de nomes que prometem, ela lançou ano passado um bom EP e chega a 2021 com um single bem interessante alternando seu talento para rimar em um flow irresistível e conduzir um refrão com sua voz doce. Do clubinho lindo da Little Simz e da Arlo Parks.

7 – Smino – “Rice & Gravy”
A gente deixou passar este bom single do rapper americano Smino, mas a bela session dele no COLOURS fez a gente se tocar que estava perdendo um musicão. Talvez seja um primeiro sinal do seu terceiro álbum, que ia rolar em 2020, mas ficou no ar para este ano.

8 – The Wombats – “Method to the Madness”
Queridinho grupo indie da década passada e relativamente sumidos mesmo quando andaram lançando disco (você nos entende…), o trio de Liberpool retomou bem os trabalhos com uma bela balada que anuncia a chegada de seu quinto álbum, o primeiro em três anos, ainda sem mais detalhes.

9 – Nick Cave – “Letter to Cynthia”
Spoken word pode? Do Nick Cave pode. De um carta que ele escreveu para um fã, a faixa traz uma ambiência musical para um texto poderoso do músico sobre conversarmos com as pessoas que perdemos. No pensamento de Cave, que admite conversar com seu filho, ele ressalta que ainda que seu filho não esteja lá, a ideia de sua presença é uma força humana que todos têm de cuidar. Ele aconselha: “Crie seus espíritos. Ligue para eles. Eles estarão vivos. Fale com eles”. Por enquanto só no Youtube. Mas está lá, profunda.

10 – Blur – “Out oF Time”
Na disputa futeboleira entre Chelsea e City, que remete ao duelo clássico do britpop Blur x Oasis, deu Chelsea. E por isso homenageamos aqui o ilustre torcedor da equipe de Londres com uma música do Blur que Damon Albarn resgatou em sua apresentação no Glastonbury virtual de uns dias atrás. Uma belezinha do álbum “Think Tank”, lá de 2003, que envelheceu magistralmente.

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* A imagem que ilustra este post é do agora trio inglês Black Midi.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – St. Vincent levando os anos 70 ao Fallon. A grande volta do Wombats. O Wry eletrônico. As cabeçadas das Sleater-Kinney

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* No rolê de mostrar músicas de seu novo disco, o já famoso “Daddy’s Home”, a poderosa St Vincent, agora na versão loira anos 70, foi ontem ao programa do Jimmy Fallon para uma performance ao vivo de “Down”, faixa do álbum. Ela foi armada de umas backing vocals classudas e tudo. Toma aí essa belezura toda.

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* Teve uma vez, num desses South by Southwest da vida, tipo 2007/2008, o grupo inglês The Wombats, que na época experimentava dias melhores na cena britânica, anunciou de surpresa que ia fazer uns três shows rápidos seguidos em bares da famosa rua 6, em Austin, a principal rua do Sxsw, que tem mais bares e clubinhos e restaurantes com palcos do que São Paulo inteira. Era tocar, pegar as coisas e ir para o outro bar. Repeat. Eu fui nessas atrás deles e vi os três shows do grupo de Liverpool. Dito tudo isso, sem que nada tenha a ver com nada, o Wombats, que até tem uns discos perdidos nos anos 2010, está armando uma grande volta, com disco novo, turnê grande etc. Esse retorno começou hoje, com o lançamento deste single “Method to the Madness”, que marca a primeira música inédita da banda desde o disco “Beautiful People Will Ruin Your Life”, de 2018. E vem com um vídeo climão, meio nonsense, mas até achei que acabou bem, dadas as circunstâncias. Detalhe para uma das frases que marcam os momentos forte da música, em que o vocalista Matthew Murph grita “Fuck my sadness”. Estaríamos diante de mais uma desses contra-ataques novos ao indie-mental health que se apoderou do som jovem dos últimos anos? Mais outro detalhe. A lindeza que vaga pelo vídeo de “Method to the Madness” é a influencer e cantora mexicana Reno Rojas.

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* CENA – Uma das bandas mais “guítar” e longevas da cena indie brasileira, os sorocabanos do Wry estão buscando espichar sua música para tudo quanto é lado, num interessante caminho de experimentações. Primeiro, recentemente, passaram a fazer canções cantadas também em português. Outra que acabaram de lançar um EP de cinco faixas mexendo com músicas suas nova e mais antigas num caminho mais eletrônico. O capo da banda, Mario Bros, explica melhor: “Em síntese essas cinco faixas expandem o som a um horizonte elétrico, com linhas de baixo marcantes do deep house brasileiro, sintetizadores sequenciados de estética synth-pop moderna (e que também remetem aos anos 80) e influências de Björk dos anos 90 e drum’n’bass clássico. OK? Amanhã tem um vídeo de uma delas, que a gente cola aqui. Fica o convite a voltar a esta nota. Confira o naipe do EP:

01 Weapon in My Hand
02 Weapon in My Hand (Geztalt Remix)
03 Weapon in My Hand (Yuro Remix)
04 Don’t You Ever Call on My Name Again (Langley Remix)
05 Cancer (Ecstasy Remix)

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* Estamos grudados nas andanças novas do ótimo duo americano Sleater-Kinney, duo formado por Corin Tucker e a grande Carrie Brownstein (foto na home) e que surgiu lá nos anos 90 nas brumas e pelos lados do grunge da região ponta-esquerda norte dos EUA. Dia 11 de junho elas lançam seu décimo disco de estúdio, chamado “Path of Wellness”, que já teve o belo single “Worry with You” e hoje revela mais um novo single. “High in the Grass”, a música, boa também, tem um vídeo bizarrinho, de dança das cabeças. Quando há cabeças. As Sleater-Kinney partem em agosto para uma turnê do disco novo acompanhando o Wilco. Pensa.

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