Em sophia chablau e uma enorme perda de tempo:

Nevermind 30 Anos – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo faz cover de “Lithium”, do Nirvana

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* Banda em que os integrantes têm em média 22 anos de idade, o quarteto paulistano Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo é, portanto, muito mais nova que o álbum “Nevermind”, do Nirvana, que hoje completa 30 anos e ganha especial na Popload. O mundo musical tinha virado, Cobain já tinha se matado e Sophia e seus amigos não eram nem projeto de vida de seus pais, provavelmente.

Então se torna maravilhoso que uma banda assim faça, com todo esse distanciamento temporal, aceite e se entregue ao máximo para fazer sua leitura em cover de uma banda daquela. Captando a essência, a energia, a fúria do “teen spirit” de forma tão pura até na feitura do vídeo, que tem umas partes congeladas em conceito.

Dá até uma emoção a Popload publicar essa cover especial do “hino dentre os hinos” que é “Lithium”, faixa do “Nevermind”, por parte de Sophia, Téo, Theo e Vicente. Daria no Kurt Cobain, certeza.

Na sequência, os quatro SCUEPDT dão seu depoimento sobre como o Nirvana entrou na vida deles e a relação atual de fã de cada um dos membros da banda novinha com a lendária banda antiga.

Lembrando que o ótimo “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, o disco de estréia do quarteto, saiu em abril.

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Top 50 da CENA – Liniker vai ao topo até improvisando (ou por isso mesmo). Luana Flores traz suas conexões ao pódio. Sophia Chablau não perde tempo e fica em terceiro

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* Que semana quente, não só na temperatura. Quase que a gente troca todos os dez primeiros do nosso top, mas resolvemos ser conversadores. Mantivemos alguns sons, mas a maioria é novidade. Complicado mesmo foi decidir quem ficava em primeiro, parecia um grande empate técnico. E meio que é assim mesmo. Como a gente gosta de contar, o Top 50 é só uma desculpa para a gente falar das músicas que nos agradam. E fazer a nossa playlist, para escutar (e entender) “o todo”. Do primeiro ao 50ª lugar, para nós, não tem erro.

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1 – Liniker – “Mel” (Estreia)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar em primeiro lugar, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

2 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (Estreia)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

3 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (Estreia)
Entre Pavement e Ana Frango Elétrico, Sophia e sua turma fazem tudo certo aqui. A cadência, depois a intensidade, a voz, a letra, o clima e o clímax. A música já tem um tempo e talvez até a gente já tenha falado dela aqui, mas retomamos porque a banda acabou de lançar um vídeo maravilhoso deste som que coloca os sentidos visuais para dialogar com a poesia da letra. Que galera nova boa.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (1)
Uau. Que pancada quase literal é este novo single da Juçara Marçal. Com letra do rapper Rodrigo Ogi e produção de seu superparceiro Kiko Dinucci, Juçara chega estraçalhando com aqueles que querem com ferro ferir. Além da letra certeira e sua interpretação para lá de inspirada, sonoramente este single aponta que o álbum “Delta Estácio Blues” vai trazer novos elementos para sua rica discografia, onde o experimentalismo mais de banda embarca em uma experimentação eletrônica. Na ansiedade, falamos em disco do ano. Vamos ver.

5 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (Estreia)
Conhecido das batalhas de rimas há alguns anos, Cesar MC estreia em álbum com feats poderosos de Djonga e Emicida, que chegam em versos que facilmente caberiam em discos seus, pesadões. Com boas linhas e mirando na farsa da meritocracia e o peso do racismo estrutural, o rapper faz bem a difícil transição das batalhas de improviso para as linhas que viram canções.

6 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
Chega forte o novo single da Alice Caymmi, que tem produção dela e da talentosíssima Vivian Kuczynski. A parceria dessa dupla é um porradão em termos de som. Na letra, mais pancada, com Alice reivindicando contar a história de um amor que não andava dando muito certo. “Se eu amei um dia é problema meu/ A verdadeira história/ Quem conta sou eu.”

7 – Coruja BC1 – “Tarot” (Estreia)
Single novo do rapper Coruja BC1 deixa todo mundo bem ansioso para o álbum que ele prepara. Dizem por aí que está pesado. Dos muitos bons versos, chama atenção a autocrítica que ele faz a uma visão antiga de mundo que tinha: “Já quis tá cinco anos à frente, desculpa o que eu vou dizer/ Hoje eu quero só viver o presente sem pressa de envelhecer”.

8 – Curumin – “Púrpuras” (Estreia)
Que saudade que estávamos do Curumin. Bom saber que ele está de volta com este super-single, que chega totalmente apaixonado. Aquele clima sabe? Aquela ansiedade de dar uma ligadinha ou receber aquela ligação. A composição é parceria braba dele com Vitor Hugo (do Bloco Lua Vai), Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção e a rapper Nellê.

9 – Nelson D – “Toy Boy” (2)
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

10 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (3)
Rei Lacoste é dos nomes mais inventivos da CENA de Salvador. Artista que estudou cinema antes de embarcar na música, ele escolhe o trap como elemento de sua exploração artística. Um pé no pop e outro pé em Glauber Rocha, sacou? Já no título deste som você já vê a brincadeira. Tutorial vem dos tutoriais da internet. E aprender a ser amado é uma bela inversão já que é mais fácil imaginar por aí um tutorial de como amar ou conquistar alguém e tal. Lacoste aprontou aqui.

11 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (14)
12 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (11)
13 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (4)
14 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (5)
15 – Marina Sena – “Me Toca” (6)
16 – Majur – Ogunté (7)
17 – Fresno – “6h43 (Nem Liga Guria)” (8)
18 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (9)
19 – Papangu – “Ave-Bala” (10)
20 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (11)
21 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (12)
22 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (13)
23 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (20)
24 – GIO – “Sangue Negro” (21)
25 – Tuyo – “Turvo” (22)
26 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (23)
27 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
28 – Criolo – “Fellini” (28)
29 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
30 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
31 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (31)
32 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
33 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
34 – Jonathan Ferr – “Amor” (34)
35 – Jadsa – “Mergulho” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
38 – Yung Buda – “Digimon” (40)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Liniker.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Perto da perfeição, Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo vai bem longe com o vídeo novo. Mesmo

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* Dona de um dos discos do ano da nossa CENA, a banda paulistana Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo lança agora, via Popload, um dos vídeos do ano. Simples assim, como simples é sofisticação sonora da banda formada por Sophia e sua gang: Téo Serso, contrabaixo, Theo Ceccato na bateria e Vicente Tassara, guitarrista e tecladista. Entende o que queremos dizer?

“Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, o disco de estréia do quarteto que em média tem 21 anos, agora talvez 22, saiu em abril carregando, entre um bem bom punhado de canções boas, a faixa “Fora do Meu Quarto”, absurda de bonita, com absolutamente tudo no lugar: a cadência, depois a intensidade, a voz, a letra, o clima e o clímax. Basicamente, a música começa na Ana Frango Elétrico e acaba Pavement.

Então, “Fora do Meu Quarto”, que tem o verso inicial “Fora do meu quarto você está em qualquer lugar do mundo/ Longe do meu peito qualquer canto pode ser melhor”, que reflete a linda e às vezes cruel complexidade das coisas simples, seja qual for a acepção de “canto” que você use ali na estrofe, ganhou um vídeo, dirigido por Catharina Bergo. Ele mostra a banda longe, em qualquer lugar do mundo, e acaba perto, até dentro, como Sophia diz querer. Poesia artsy bem resolvida da rapaziada da Sophia Chablau. Fazendo jus à beleza da música.

Que banda!!!

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CENA – Sophia Chablau: a live com direção de Daniela Thomas e a parte 2 da história da carioquice paulistana dela

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* Dona de um dos discos mais interessantes da CENA nacional recente, a banda paulistana Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo faz show de lançamento desse seu álbum homônimo de estreia nesta noite, às 20h, dentro da plataforma Palco Virtual, do Itaú Cultural.

A apresentação é gratuita, via Zoom, mas precisa reservar o ingresso, através da plataforma Sympla. O esquema está aqui.

Conforme muito bem colocado aqui neste espaço virtual (cóf. cóf), “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, o disco, é o melhor álbum carioca que uma banda indie paulistana poderia fazer hoje.

Isso equivale a dizer que boa parte da excelente cena indie do Rio atual bebe referências na vanguarda paulistana dos anos 80. E Sophia Chablau, daqui de SP, chamou a artifice artística carioca Ana Frango Elétrico para ajudá-la a registrar tudo isso em disco.

Tirando as músicas bem legais e o fato de hoje ser a primeira vez que Sophia e sua turma (Téo Serso, no contrabaixo; Theo Ceccato, na bateria; e Vicente Tassara, na guitarra e teclados) as tocam ao vivo, o show terá direção da famosa cineasta, teatróloga, cenógrafa e figurinista Daniela Thomas. No caso, mãe do guitarrista Vicente Tassara, que vai “vestir” um galpão na Vila Leopoldina.

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* A carioquice paulistana de Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo (Parte 2)

Quando falamos do lançamento do disco, por aqui, publicamos um profundo estudo de onde se cruzam todas essas referências e correlações entre a cena paulistana de outrora e a CENA carioca atual. A viagem de Sophia e amigos de banda para o Rio de Janeiro para ver “o que estava rolando na cena de lá”, em 2018, foi a parte 1 deste documentário escrito. Tem uma prometida segunda parte dessa história, que a gente conta agora, através de depoimentos da Sophia Chablau, do contrabaixista Téo Serso.

– Sophia Chablau:
“…Eu sinto que depois de ler o que escrevi sobre nossa ida ao Rio, talvez fosse óbvio que algo estivesse prestes a acontecer, eram muitas coincidências, encontros e gargalhadas coletivas entre nós quatro, da banda. Mas é estranho como a vida se apresenta de forma diferente quando se está vivendo.
O Santiago Perlingeiro, o Vovô Bebê, o Gui Lírio, o Antonio Neves e a Ana Frango estavam na minha casa numa das vindas deles para São Paulo. Eles ficavam muito em casa em 2018, e eu ficava em êxtase de ter tantas pessoas que eu admirava tão perto de mim. Num desses dias mostrei “Pop Cabecinha” [a música que abre o disco] para o Santiago. E ele me falou do cep 20.000 e das casas que já conhecia lá no Rio: Aparelho, Audio Bebel, Escritório etc. E daí falou para mim: “Vou marcar um show seu lá no Rio de Janeiro”. Eu disse: “Mas com que banda?”.
Ele: “Vai sem banda, vai com banda, o que você quiser, só que eu vou marcar um show seu no Rio”. Nesse momento, eu não sabia muito bem o que dizer, muito menos o que fazer. Em algum dos dias próximos deste, eu liguei para o Theo e contei a história do Santiago, e que eu tinha umas músicas para mostrar para ele, mas não tinha banda. O Theo, o Vicente e o Téo já tinham começado com a Uma Enorme Perda de Tempo, a banda, e então o Theo cogitou fazermos nós quatro o show do Rio.
Isso já era final do ano de 2018, eu sempre tô perdida em relação a Réveillons e datas comemorativas. No dia às vezes eu descubro o que vou fazer. mas naquele ano foi diferente. O Theo logo me falou que eu estava convidada a passar o Réveillon na casa da namorada dele, a alice rocha, lá em Caraguatatuba. Iria eu, ele, o Vicente, o Téo, a Alice, a Helena Ramos, a Gabilu, a Ana Paula e o Chico Bernardes.
fiquei grudada no Theo desde o dia 25 de dezembro depois da última comemoração de Natal que participei da minha família espírita. Nos vimos todos os dias, depois viajamos para Caraguá e lá começamos a pensar nos arranjos.
Um detalhe: o show ainda não havia sido confirmado pelo Santiago [rs].

– Teo Serson:
“O Santiago descolou para a Sô um show no Rio, na casa Aparelho (hoje infelizmente de portas fechadas). Ela então propôs para a gente ser a banda de apoio do show, em que ela pretendia cantar as suas mais novas, e até então inéditas, canções. A gig ficou marcada para o dia 10 de janeiro de 2019. Nesses dez primeiros dias de janeiro todas as músicas foram arranjadas para o show em um ritmo frenético e alucinado, em ensaios de mais de quatro horas por dia. Essas músicas (a maioria delas) viriam a ser o disco que lançamos”.

– Sophia:
“Lá em Caraguá tínhamos quatro violões e mil ideias. Eles me mostraram muita música. o Chico Bernardes foi essencial também. Ele foi incentivador da loucura, sempre. Bebemos feito o Marea 2001 da minha mãe> A Alice e a Ana Paula são duas cozinheiras de mão cheia e eu não estava acostumada a viajar com amigos. Foi a primeira viagem que fiz para a casa de praia de amigos. No dia do Réveillon eu acabei dormindo na varanda. E, como as portas dos quartos estavam fechadas, tive que acordar a galera quase destruindo umas das portas. No dia em que fomos voltar da praia, não havia passagem para SP.
Ficamos horas na rodoviária tentando passagem num calor de rachar. Precisávamos voltar para Aão Paulo para começarmos a ensaiar. Acabou que conseguimos chegar só no dia 3 de janeiro. Ensaiamos loucamente.
O Santiago confirmou o show do dia 10. O Caio Paiva que fez a arte do nosso cartaz, que era basicamente uma propaganda negativa do nosso show: “Eu não vou ver esses paulistas”. Fomos para o rio de janeiro dia 8, ensaiamos lá também. Levantamos um repertório inédito em seis dias de ensaio. Era um êxtase total tocar em outro estado. A gente apresentava o Theo como baterista dos Titãs e enganamos algumas pessoas [rs]. Descobrimos alguns bares, muitas pessoas. No dia do show, a gente não sabia o que poderia acontecer: se ia uma pessoa ou duas [rs].
Por algum motivo insano e pelos esforços do Santiago, o show foi um sucesso”.

– Téo:
“O show foi maravilhoso. Energia lá na alto, a casa lotada, todo mundo doido espremido passando calor e se divertindo muito. Descolamos outro show no Rio no mesmo período. Foi incrível, de novo. E decidimos que precisávamos ser uma banda e gravar esse disco.
Foi assim que surgiu ‘Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo'”.

(Fim…)

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Top 50 da CENA – FEBEM lidera o ranking (de novo), Aquino e a Orquestra Invisível devolve a leveza ao top 3 e o Boogarins não larga de ser lindo. E podia ser Moons, NoPorn e Jair Naves que estaria tudo bem

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* No episódio desta semana do TOP 50 da CENA, a gente ainda mostra uma certa obsessão pelo disco novo do rapper FEBEM e volta a premiá-lo com o topo usando mais uma faixa do seu grande álbum “Jovem OG”. Voltamos também a se espantar com as conexões indies que andam deixando paulistas com cara de carioca e vice-versa. Voltamos novamente a nos derreter pelo Boogarins e seu trabalho de sobras onde sobram tesouros a serem garimpados. Mas, olha só, também desbravamos novos territórios, já que não gostamos de ficar na mesma, não.

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1 – FEBEM – “Crime” (Estreia)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

2 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (Estreia)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

3 – Boogarins – “Supernova” (4)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

4 – Moons – “Love Hurts” (Estreia)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

5 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (Estreia)
O mítico electrosexy duo NoPorn adaptado aos novos tempos. Instituição das melhores festas paulistanas, a dupla hoje formada por Liana Padilha e Lucas Freire leva a pista para outro lugar, um mais íntimo, seu quarto, nosso quarto, de quem estiver disposto a aceitar o convite charmoso do duo enquanto pandemias e lockdowns ou meio-lockdowns perdurar. Sabe a onda de cantar falando, Florence Shaw? Dá uma ligada na Liana.

6 – Jair Naves – “Vai” (Estreia)
Na dolorida e talvez de amplos sentidos “Vai”, Jair consegue reunir um som que soa quase “estragado” – tanto que faz a gente checar se o computador não está travando – com talvez o que seja uma de suas canções mais “certinhas”, com a melodia vocal e instrumental se encaixando docemente. Bonito. E a gente fica na dúvida, aqui. Será que ele está mesmo comentando um relacionamento aí?

7 – FEBEM – “México” (1)
Se na música lá de cima FEBEM comenta a dualidade da palavra “crime” no Brasil, “México” tem a esperta sacada em inverter um lugar comum do rap – em linhas gerais, não temos um rapper versando sobre o crime, mas o inverso. Ou quase, já que o final da música adiciona um mistério sobre o narrador e nubla as ideias. Para pegar o filme completo, só escutando o disco todo. O que não é nenhum trabalho, acredite.

8 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (2)
Mais algumas conexões da CENA carioca atual com a CENA paulistana de outrora, tudo junto e misturado e fazendo o maior sentido. Mas aqui no sentido contrário da coisa, já que temos uma banda de paulistas, herdeiros do grupo Rumo, soando muito como os novos cariocas que soam como paulistas do grupo Rumo, para completar o interessante rolê geográfico-temporal. Entende?

9 – Carmem Red Light – “Faith No More” (Estreia)
Carmem Red Light, artista trans brasileira radicada na Europa há mais de 20 anos, mexe com muitas coisas em seu neste single. Ela, que nasceu em Cajazeiras, no interior da Paraíba, e hoje é cidadã londrina, assume um lado “Marilyn Manson encontra David Bowie” e ainda mexe com religião e sexualidade. O som é soturno? Sim, mas por que não seria, dadas as circunstâncias todas?

10 – Jadsa – “Olho de Vidro” (3)
Quantas semanas de Jadsa já no Top 10?

11 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (8)
12 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (5)
13 – Yannick Hara – “Raça Humana” (6)
14 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (7)
15 – Uana – “Mapa Astral” (9)
16 – Mayí – “Sedenta” (10)
17 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (11)
18 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (12)
19 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
20 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (14)
21 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (15)
22 – FBC – “Gameleira” (16)
23 – Rico Dalasam – “Última Vez” (17)
24 – YMA – “White Peacock” (18)
25 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (19)
26 – Mbé – “Aos Meus” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (21)
28 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (22)
29 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (23)
30 – Jadsa – “Lian” (24)
31 – Djonga – “Eu” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (26)
33 – LEALL – “Pedro Bala” (27)
34 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (29)
35 – Filipe Ret – “F* F* M*” (30)
36 – Jadsa – “Raio de Sol” (31)
37 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (32)
38 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (33)
39 – Ale Sater – “Peu” (34)
40 – Jupiter Apple – “AJ1” (35)
41 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (36)
42 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (37)
43 – Rohmanelli – “Viúvo” (38)
44 – Boogarins -“Far and Safe” (39)
45 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (40)
46 – Monna Brutal – “Neurose” (41)
47 – Luna França – “Terapia” (42)
48 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (44)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda carioca Aquino e a Orquestra Invisível.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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