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POPCAST – As 1001 histórias do Rock in Rio de 2001 – 20 anos. A melhor edição da história?

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* 2001 já ia ser um ano por si só espetacular, com a chacoalhada de garagem que bandas como Strokes e White Stripes ia dar na cena musical do planeta. Mas naquele ano, antes da explosão, no final de janeiro, teve a terceira edição do Rock in Rio 2001.

Muita gente, talvez como a gente, considera essa a melhor edição de um festival por tudo o que ocorreu nele. Em cima do palco e fora dele.

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E, na edição do Popcast, o podcast da Popload, eu, @lucioribeiro, e minha parceira Isadora Almeida (@almeidadora) lembramos as aaaaaaltas histórias do acidental e acidentado festival carioca neste ano em particular. O RiR 2001 comemorou 20 anos agora em janeiro.

Sem querer dar muito spoiler, ajudou o fato de eu estar imerso no festival e fora dele naquelas duas semanas de janeiro, trabalhando na cobertura do evento pela Folha de S.Paulo.

Causos de Oasis, Neil Young, Silvinho Blau Blau, Queens of the Stone Age, Britney Spears, Carlinhos Brown, Cássia Eller, REM, Chili Peppers (e não Head Rót) foram destaque no Popcast, que ainda teve o famoso pódio das principais músicas da semana, minhas e da Isa, fora o pitaco sobre a CENA nacional.

E fora, claro, a playlist que este podcast gera.

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* O Popcast desta semana foi uma homenagem à grande Sophie. R.i.p.
** A foto que ilustra a chamada para este post na home da Popload é de Nick Oliveri, o baixista da banda Queens of the Stone Age, que tocou pelado no Rock in Rio 2001. E foi preso ainda no palco. E alegou, na delegacia: “Mas no Carnaval, aqui no Rio, todo mundo não fica pelado?”.

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TOP 10 Gringo: que ranking é este? Arlo Parks, FKA Twigs, Madlib, Tune-Yards, Idles e ela: Sophie. 2021 agora começou

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* Uma semana de alegrias e tristezas no mundo musical. É um prazer ver a Arlo Parks brilhar em sua estreia e uma dor saber que não teremos mais o brilhantismo da SOPHIE por aí. Nessa enxurrada de emoções, muitas boas músicas foram lançadas. Um dos TOP 10 mais simples de se pensar desde que começamos nossa missão semanal de toda terça-feira trazer aquela playlist do que anda rolando lá fora para facilitar sua vida. O mais complicado foi conferir certa ordem a tantas canções boas.

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1 – Arlo Parks – “Hurt”
Complicado mesmo foi decidir qual a nossa melhor música do reluzente álbum de estreia de inglesa Arlo Parks. “Collapse in Sunbeams” é maravilhoso e fez valer o hype. Sim, acredite nele. Uma vez com essa dúvida, vamos destacar “Hurt”. Bela na composição, no toque, nos timbres – que som de bateria é esse? – e na letra. Não dá para saber exatamente o que aflige o personagem da canção – Depressão? Vício? -, mas Arlo avisa: essa dor não dura para sempre.
2 – Madlib – “One For Quartabê/Right Now”
Arquiteto. Mago. Mestre. Produtor, DJ, rapper, Madlib é dos grandes. Seu novo álbum “Sound Ancestors” respeita essa história. É um disco de beatmaker com começo, meio e fim. A ideia veio do produtor Four Tet, que sugeriu a Madlib um disco onde seus beats fossem o centro de tudo, sem participações especiais. A voz do álbum é a voz que Madlib consegue colocar em suas construções sofisticadas. Nessa bela festa, um som é dedicado ao Quartabê, conjunto brasileiro formado por Maria Beraldo, Joana Queiroz, Chicão e Mariá Portugal. E nesta que vamos!
3 – FKA Twigs – “Don’t Judge Me”
“Don’t Judge Me” tem tudo o que a FKA Twigs pode oferecer de bom: sua voz angelical absurda, hip hop, trip hop, participações importantes, como a do rapper Headie One e o produtor Fred Again, conexões da mais moderna música black e tudo mais. Estamos superansiosos pelo seu novo álbum. Twigs andou falando que seu terceiro disco vem aí com o maior número de colaborações que ela já teve.
4 – Tune-Yards – “Hold Yourself”
Vem aí disco novo da californiana Tune Yards, a parceria musical do casal Merrill Garbus e Nate Brenner. Além do som bom e vibrante deste single, vale dar um destaque à letra que toca no ponto da dificuldade de todos em superar suas questões a partir de uma reflexão que muitos não se dão conta: “Seus pais também são filhos”.
5 – Idles – “Carcinogenic”
Falar da classe trabalhadora, defender os direitos básicos, criticar a desigualdade social. “Carcinogenic” é um dos protestos mais diretos do Idles, aquele papo reto que não deixa dúvidas. No vídeo desse som, a militância da banda vai as ruas para defender as casas independentes de show, que tanto sofreram com a pandemia, são responsáveis pela existência do Idles e que precisam sobreviver a esta complicada crise.
6 – Weezer – “Screens”
“OK Human” é o álbum de piano e cordas do Weezer. Embora a proposta soe rebuscada, as canções ainda carregam a essência de sempre da banda para o bem e para o mal. Felizmente o saldo aqui parece mais positivo em um punhado de canções. “Screens” capta a obsessão de todos por telas e as implicações sofridas deste mal do século. Musicalmente lembra a clássica “Hash Pipe”. Repara.
7 – Jade Bird – “Headstar”
Enquanto prepara o sucessor de seu primeiro álbum, lançado em 2019, a inglesa Jade Bird resolveu sacudir um pouco as coisas com uma música direta ao ponto sobre relacionamentos e aquela falta de comunicação que impede que eles simplesmente comecem. Uma música leve com aquele refrão para berrar junto, sabe?
8 – Bartees Strange – “Boomer”
Bartees Strange é um músico inglês que cresceu no Oklahoma mas é radicado em Washington DC. A mistura geográfica é também musical. Seu som reúne elementos do rap e do indie rock com toques emo e um perfume de jazz de um jeito que nunca vimos antes. Sério. Ouça o primeiro álbum do garoto, “Live Forever”.
9 – Goat Girl – “Badibaba”
“Badibaba” é a música indie mais torta deste ano. Parece uma coisa, mas termina outra. Urgente você dar uma olhada no que esse quarteto de garotas inglesas andam aprontando em seu segundo álbum.
10 – SOPHIE – “Immaterial”
A perda de SOPHIE foi um baque. Ela tinha apenas 34 anos. Por isso a gente relembra aqui, como homenagem, um de seus grandes sons, a penúltima faixa de seu único álbum, “Oil of Every Pearl’s Un-Insides”. Esta faixa é uma pequena mostra de sua capacidade de aglutinar, em uma música experimental, uma enxurrada de elementos pop. Uma mistura para embaralhar a cabeça e trazer questões. Como é possível que tantas melodias reconhecíveis de outros lugares soem tão originais ao mesmo tempo? É uma pergunta que cabe dentro da canção de SOPHIE, mas que pensando bem também faz sentindo no universo das canções pop. Trabalho genial.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora inglesa Arlo Parks.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, mas sempre deixa todas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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POPNOTAS TRETAS E TRISTEZAS – A morte da enorme Sophie e os “cancelamentos” de Karol Conká e Marilyn Manson

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– Fim de semana triste para a música. A cantora, produtora, compositora e DJ escocesa SOPHIE (foto abaixo) morreu após um lamentável acidente na Grécia. Ela tinha 34 anos. Segunda nota publicada pela gravadora Future Cassic no sábado, SOPHIE caiu de um local alto enquanto tentava ver melhor a lua cheia, na noite anterior. Primeira artista trans a ser indicada ao Grammy com seu álbum de estreia, “Oil of Every Pearl’s Un-Insides” (2018), além de trabalhos com artistas como Charlie XCX e Madonna, SOPHIE mexeu com as estruturas da música pop e da música eletrônica em criações que questionavam os limites do que é muito avançado para ser popular e vice-versa. “Poucos artistas traduziram tão bem a sobrecarga de estímulos sensoriais, a deformação da imagem virtual e nosso déficit de atenção generalizado”, escreveu o jornalista e crítico musical GG Albuquerque⁣⁣. Outra análise sensível da obra de SOPHIE vem no comentário da escritora Vrinda Jagota quando resenhou o álbum de SOPHIE na lista dos 200 melhores dos anos 10 pelo site indie americano “Pitchfork”. “SOPHIE construiu um mundo totalmente novo, onde nosso eu mais autêntico é aquele que construímos, reinventamos e lançamos ao mundo todos os dias.” R.I.P, Sophie.

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Hilton Valentine, guitarrista da formação original do The Animals, importante banda inglesa dos anos 60 liderada por Eric Burdon, morreu aos 77 anos. É dele o dedilhado de guitarra que deu à versão de “House of the Rising Sun”, do Animals, um toque único – em suas palavras, apenas um adicional que ele quis dar à sequência de acordes que Bob Dylan usava para a música. Dona de muitas versões e arranjos, a tradicional canção do folclore norte-americano tem na versão roqueira dos ingleses talvez seu registro mais conhecido. A causa da morte de Valentine não foi revelada. A notícia foi dada a amigos no sábado pela esposa do guitarrista, Germaine Valentine.

– Situação complicada aqui fora vive a rapper curitibana Karol Conká que está lá dentro da casa do programa global “Big Brother Brasil”. O festival pernambucano Rec-Beat pensa em suspender a exibição de uma performance que Conká gravou como atração da edição 2021 virtual do evento, por conta de declarações dela no programa da Globo. As falas de Karol Conká no BBB21 repercutiram bem mal nas redes sociais por serem consideradas xenófobas. A curitibana fez críticas ao jeito de como outra participante do programa, a paraibana Juliette, se expressa. “Eu sou de Curitiba. Eu tenho muita educação com as pessoas”, disse Conká, sexta-feira passada no programa. A participação da rapper no tradicional festival independente brasileiro dentro do Carnaval pernambucano está marcada para acontecer no dia 14 de fevereiro, na data única de realização do Rec-Beat e o que seria o “domingo do Carnaval”. O evento, nordestino, soltou uma nota dizendo que não com compactua com o posicionamento da curitibana e que avalia a suspensão da exibição de seu show gravado no festival. Que não chegou à decisão final ainda porque Karol Conká está confinada na casa da Globo, sem comunicação, e o contrato dela com o festival envolve vários agentes.

– Outra polêmica de cancelamento, envolvendo gente da música (e cinema). Agora internacional e sobre abusos psicológicos, sexuais e de violência. A atriz Evan Rachel Wood desabafou hoje em suas redes sociais revelando que foi abusada por anos pelo astro Marilyn Manson com quem teve um longo e famoso relacionamento, entre 2006 e 2010. Wood usou seus Stories no Instagram para fazer a acusação dizendo que estava cansada de medo de retaliações, difamações e chantagem: “O nome do meu abusador é Brian Warner, também conhecido mundialmente como Marilyn Manson. Ele começou a me assediar quando eu ainda era uma adolescente e abusou terrivelmente de mim por anos. Eu sofria lavagem cerebral e fui manipulada à submissão”. E pediu para que outras supostas vítimas de Manson se manifestassem, o que gerou vários depoimentos nesse sentido. Os abusos, segundo os relatos, incluíam ameaças físicas e psicológicas, que chegavam a níveis absurdos como: matar animais de estimação de amigos que ele tinha proibido de entrar em contato, punir a vítima se ela dormisse antes das 3 da manhã e acordá-la com música altíssima. E ainda pedir para a namorada, judia, comprar memorabilia nazista. A lista segue de forma assustadora e tem pelo menos outras quatro mulheres acusando o músico de abusos vários, além de Evan Rachel Wood. Marilyn Manson até agora não se manifestou sobre o assunto. Em 2016, em uma entrevista à revista “Rolling Stone”, a atriz disse que havia sido estuprada duas vezes “alguns anos atrás”, uma por um namorado e outra por um dono de bar, sem citar nomes. Em fevereiro de 2018, ela foi à polícia para relatar uma violência doméstica e uma tentativa de estupro. Sobre esses depoimentos, ela teria negado que teria sido Marilyn Manson, com quem havia se relacionado de 2006 a 2010, o autor da violência. Na época desses depoimentos de Evan Rachel Wood, um representante de Marilyn Manson soltou uma nota afirmando que “Infelizmente vivemos numa época em que as pessoas acreditam que o que elas lêem na Internet seja verdade e se sente à vontade de falar o que quiserem ser terem nenhuma evidência do que ocorreu. Os eventos disso podem ser catastróficos e gerar essas fake news é completamente irresponsável”. Daí, hoje, Wood resolveu dar o nome de Manson como seu abusador. Treta feia.

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