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POPLOAD CINEMA CLUB: Filme “Chef” é, digamos, saboroso

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* A POPLOAD abre espaço aos fins de semana para algumas colaborações pontuais e selecionadas! Temos o Felipe Evangelista escrevendo sobre o rico mundo do hip hop na seção especial Popload Beats, temos a Flavia Durante dando importantes pitacos latinos na Arepas Sonoras. E desde a semana passada contamos com textos sobre cinema do jornalista e blogueiro Tom Leão, um dos caras mais importantes na informação da cultura indie do Rio desde os tempos do importantíssimo e hoje saudoso Rio Fanzine, do jornal O Globo. Tom já aparece aqui novamente para darmos andamento com a Popload Cinema Club. Desligue o page e o celular e leia.

Popload Cinema Club — por Tom Leão

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Nada me dá mais prazer do que ir ver um filme sem a menor expectativa e sair da sala satisfeito. Foi o que aconteceu ao ver “Chef”, do Jon Favreau, numa sessão da tarde dominical (a chamada matinê) com ma babe. Fui assistir, sabendo apenas que era um pequeno filme do Favreau, que começou indie, com “Swingers” (um dos melhores filmes sobre caras detonando em Las Vegas), e depois virou nome top em Hollywood, por ter estourado com o primeiro filme do Homem de Ferro, onde fez também o papel do assistente de Tony Stark, Happy Hogan. Favreau também assinou “Homem de Ferro 2” (que não suplantou o primeiro) e co-dirigiu o semifracasso “Cowboys & Aliens”.

Daí que “Chef” é, tipo, a folga do cara dos grandes projetos (é o produtor-executivo do novo “Avengers” e vai dirigir a versão live-action de “Mogli”). Ele escreveu, dirigiu e atuou, fazendo as três coisas com gosto.

A história de Carl Casper, um prestigiado chef de cuisine, que se sente aprisionado na rotina de um restaurante, onde não pode dar asas à imaginação, porque o patrão (Dustin Hoffman) não deixa, e a clientela prefere mais do mesmo, é quase uma analogia com o que acontece com uma banda de rock depois da fama: escolher entre tocar apenas os hits de sempre ou arriscar num álbum conceitual?

Eventualmente, Casper joga tudo para o alto e se reinventa, como um chef de trailer de comida cubana alternativa, criando maravilhosos medianoches, um sanduba misto que, quem já foi a Miami e não experimentou, deu um tremendo mole.

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E, sem parecer estar me repetindo, mas já o fazendo, além de uma tremenda larica, após acabar de ver o filme, fui correndo pra casa descolar a trilha-sonora (como rolou após “Guardiões da Galáxia”), que traz um mix de grooves dos anos 1960/70.

Como a versão original do ska “A Message to You, Rudy” (gravada nos 80s pelos Specials), a track de onde o Big Audio Dynamite tirou a linha de baixo usada em “The Bottom Line” (vem de “Cavern”, do Liquid Liquid), além de uma cover phodástica, com metais, de “Bustin´ Loose”, do Chuck Brown, a cargo da Rebirth Brass Band; outra, na mesma linha, para “Sexual Healing”, de Marvin Gaye, com a Hot 8 Brass Band.

E ainda uma rendição da salerosa ‘Oye, Como Va’, do Santana, com Perico Hernandez, que aparece no filme como o pai da ex-mulher do chef (a caliente Sofia Vergara). O amigão de Favreau, Robert Downey Jr, também faz uma rápida aparição, assim como Scarlett Johansson.

E assim é “Chef”: um filme bem temperado, que começa na Costa Oeste dos Estados Unidos (Los Angeles), cruza o país e vai até Miami, na Costa Leste. E, depois, volta calmamente para L.A., passando por Nova Orleans e pelo Texas, onde estão alguns dos melhores mistos culturais dos EUA, tanto em termos étnicos e de sabores, quanto de música (da salsa ao blues; aliás, outro que aparece tocando ao vivo no filme é o bluesman Gary Clark Jr.).

Um filme americano atípico, onde os latinos (entre os quais o divertido John Leguizamo) não são imbecis, o sexo nao é culpado, o dinheiro não é o mais importante e, principalmente, onde niguém porta uma arma. Aqui, o lance é ser feliz fazendo o que dá prazer. E comendo, claro. Sem ligar para glúten.

Tom Leão assina o blog Na Cova do Leão e é colunista de cultura da Globo News

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Festival e Copa – Isle of Wight tem cerca de 20 palcos para bandas e um para o futebol

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* Neste final de semana, na Inglaterra, aconteceu o gigantesco Isle of Wight festival, no norte do país. Havia um telão em meio aos seus quase VINTE palcos para shows passando jogos da Copa do Mundo, sempre cheio. Mas no sábado, quando estava passando o jogo de estreia da Inglaterra no Mundial, contra a Itália, o telão gigante passando a Copa no Brasil arrastou boa parte das 60 mil pessoas que frequentam o festival, por dia. Abaixo, a reação da galera ao gol do Sturridge, quando o English Team empatou o jogo. No final, o Mario Balotelli estragou a balada boleira dos ingleses.

* Li em algum lugar que no momento do jogo a lendária banda The Specials, de ska, estava tocando. Não tenho certeza. Mas abaixo tem o Specials tocando a conhecidíssima “Ghost Town”.

Entre as tantas atrações, o Isle of Wight teve também Suede, Biffy Clyro, Kings of Leon e Chili Peppers. E Waterboys, tocando “The Whole of the Moon”, que em algum momento do começo dos anos 80 era a principal música do mundo.

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