Em steve lamacq:

Não basta ser uma das rádios mais legais do planeta. A inglesa 6Music tem ainda um festival incrível. Veja Black Midi, Brittany Howard, Kim Gordon e a rapa, tudo ao vivo

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* Sai pra lá, Corona!

6music

Não sei se você já escutou ou escuta, mas deveria. Tem uma rádio do gigantesco conglomerado inglês de comunicação BBC, só digital, fora do dial britânico, que se chama 6Music. Funciona por satélite, TV digital e… bem… internet.

A BBC 6Music, ou BBC 6, é um dos maiores celeiros de música genuinamente independente do planeta. Foi criada em 2002 como projetinho online da BBC para testar esse negócio de internet, mas desde os meados da década, principalmente quando poperizaram de vez a Radio 1 e botaram o DJ herói Steve Lamacq para ser exclusivo dela, a coisa ficou séria. Lamacq tem um programa diário, toda tarde da Inglaterra, hora do almoço.

((Neste mesmo minuto em que escrevo, Lamacq está tocando um Nick Cave ao vivo.))

Tem outras maravilhas na 6Music: as incríveis DJ Mary Anne Hobbs e Lauren Laverne é da 6Music. Outra do time das mulheres incríveis da emissora é a galesa Cerys Matthews, que um dia cantou na banda Catatonia (sdds!).

O Iggy Pop tem programa lá. O Don Letts também. O Jarvis Cocker vira e mexe apresenta algo na 6Music. O Cillian Murphy, o principal do seriado campeão “Peaky Blinders”, também.

((Lamacq tocou agora Squid (manja Squid!!!!, novinha, de Brighton) e na sequência uma das novas lindas da francesa Christine and the Queens.))

Bom, toda essa divulgada linda e gratuita para a 6Music apenas para falar que eles têm um festival indie pequeno incrível.

((Bom, no Lamacq já entrou agora um Human League antigão e nada óbvio. Para depois vir a nova do Gbostpoet, a absurda “Concrete Pony”.))

O 6Music festival do ano passado, olha o naipe, rolou em Liverpool e teve Fontaines DC, Idles, Anna Calvi, Hot Chip, Little Sims, Slowthai, Charlotte Gainsbourg e uma série de outras atrações.

O deste ano aconteceu agora, neste final de semana, em Londres, ocupando em dois dias a sensacional casa Roundhouse, de Camden Town. A edição 2020 teve no line-up gente como Black Midi (showzinhos aqui logo mais), Kate Tempest, a Brittany Howard, a Jehnny Beth solo (do Savages, na foto lá em cima), a Kim Gordon, o Bombay Bycicle Club e o EOB, o projeto solo do radiohead Ed O’Brien (a imagem da home da Popload), entre outros nomes.

Aqui a gente tem alguns videozinhos, um áudio e um trecho especial de uma discotecagem para mostrar.

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Jack White bate papo com o Steve Lamacq, faz uma session, e relembra a primeira vez com John Peel

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Em meio à guerrinha que está travando com seus próprios fãs por causa do uso de smartphones em seus shows, Jack White deu um pulo na Inglaterra para gravar uma session cool para o mais que cool Steve Lamacq, na BBC 6 Music.

Jack está em pleno ritmo de divulgação de “Boarding House Reach”, seu mais novo e diferente álbum lançado semana passada. Na emissora britânica, ele mostrou ao vivo as faixas “Over and Over and Over”, “Ice Station Zebra” e “Connected By Love”.

Na entrevista, o rockstar norte-americano também comentou com grande ar de nostalgia sobre o antigo estúdio de John Peel, o vizinho ao de onde ele batia o papo com o Lamacq, e no qual ele e Meg se apresentaram por lá pela primeira vez.

Abaixo, o trecho da entrevista em que Jack relembra John Peel, a session antiga com a Meg e a nova, de ontem.

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Tudo muito anos 90: Noel Gallagher faz session para o Steve Lamacq e toca até “Champagne Supernova”

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Nesta sexta-feira, Noel Gallagher lançará seu terceiro disco solo, “Who Built The Moon?”, que já está disponível em alguns países, como o Japão.

Ontem, o irmão do Liam esteve no programa do grande Steve Lamacq para um bate-papo e uma session na BBC 6 Music, como se fosse anos 90. Por lá, Noel tocou os singles “Holy Mountain” e “It’s a Beautiful World”, além de uma versão semi-acústica de “Champagne Supernova”, super hit do álbum “(What’s The Story) Morning Glory?”, de 1995.

Noel vai passar o resto do ano cumprindo apenas agenda promocional. Sua turnê mundial começa em fevereiro, na América do Norte, depois segue para a Europa. O Brasil, segundo o próprio em entrevista para a Rolling Stone daqui, está na rota.

Para ouvir a session no Lamacq, basta apontar o cursor no player da BBC para a hora 1:58:00.

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Saiu e é de chorar. Ouça “Call the Police”, a nova maravilha do LCD Soundsystem

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* Óbvio que é cedo para dizer, mas essa “Call the Police”, nova música da banda novaiorquina LCD Soundsystem, traz aquela energia contagiante e vontade de sair correndo, chorar e abraçar todo mundo tipo “All My Friends”, hino do grupo de James Murphy de maio de 2007, exatamente dez anos atrás.

“Call the Police” e outra música nova, “American Dream”, foram anunciadas hoje de manhã pela banda como novidades a serem lançadas nesta noite apenas, mas a primeira canção nova do LCD foi debutada agora há pouco no maravilhoso “Roundtable First Impression”, programa do graaaaaaaaaande radialista britânico Steve Lamacq, do BBC 6Music. O programa é uma mesa-redonda com convidados diversos e variados (músicos, jornalistas, gente da indústria, atores) para analisar novos lançamentos, sob a tutela de Lamacq. E eles geralmente dão uma nota para a música lançada. E “Call the Police” ganhou, na maioria, uma nota 7. Teve gente que disse que parece The Killers. E parece mesmo. E parece Strokes também. E parece muito U2 (!!!!) do começo. E parece o velho LCD Soundsystem quando mais rock que eletrônico. É nota 9.5, na real. Nota da Popload.

Essa “Call the Police” e a outra nova, “American Dream”, que será lançada na nossa madrugada (meia-noite em Nova York), vão estar no esperadíssimo novo álbum da turma de James Murphy, que não tem nome, não tem data de lançamento, mas o disco está “seriously almost done”, segundo o músico. Ambas as músicas estrearam nos shows que o grupo fez recentemente em residência no novo clubão Brooklyn Steel.

** O LCD Soundsystem vai provavelmente tocar essas duas músicas, ou pelo menos “Call the Police”, no programa “Saturday Night Live”, no próximo sábado.

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Uma session recente de um tal Nirvana. De 1989. E um desabafo 2016

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* A história é velha e já falei ou rocei o assunto algumas centenas de vezes aqui, mas como neste momento eu quero postar um Nirvana e estou sem muito “gancho” para tal, vou dar uma enrolada aqui. Encare como um “Dossiê Popload”. Ou um desabafinho de empolgado, mesmo.

Tem gente que adora Spotify, playlists recomendados, pendrive emprestado, dicas na linha “se você gosta disso, deveria ouvir aquilo”, e tudo streaming e tudo curado e tudo recomendado. Adoro tudo isso também. Todo instrumento que faz uma pessoa escutar uma música já está valendo. Tudo tem seu tempo, seu jeito, seu por quê. Se a música e quem a oferece tem uma contextualização então, me ganha na hora.

No final de semana alguém tava me explicando um negócio de música sertaneja feminina. Me mostrando uma música, me falando por que da letra (ótima), por que daquele ritmo e por que tinha chegado a “vez delas”. Achei bem legal e curioso tudo. Na segunda-feira, o UOL publicou um especial enorme sobre sertanejo feminino. Zeitgeist do sertão. Me empolgo com coisas assim, mesmo se eu não esteja nem aí com essa linha, digamos. Mas só para dizer que até para um gênero tosco e ruim como esse, hahahaha, como a música chega em você e qual história ela conta tem uma função muito importante. Daí chegamos ao que eu quero dizer. Talvez.

Nada como uma boa estação de rádio bacana para fazer você ter uma idade 20 anos menor, 10 anos menor, 5 anos menor, ou se sentir querer ser 10 anos mais velho para sentir-se contemporâneo a ela, fazê-la pertencê-la plena a seu tempo. Fazer você querer pular da cadeira para dançar uma música que de repente passaram a tocar, fazer querer sorrir, querer fazer chorar.

Você desenvolve um carinho pelo DJ, ele vira seu professor, seu irmão, melhor amigo, seu confidente. Usa um “adjetivo” para falar de uma música ou banda que te desmonta, porque você estava pensando a mesma coisa, mas nunca achava que o DJ de uma rádio importante (para você) fosse falar e tal.

Eu passo muito bem, diariamente, em casa, no trabalho e no carro, com algumas rádios prediletas. Tenho várias. Acesso com app no celular, app no iPad ou simplesmente abro o site no computador. Às vezes, quando vou ver, os três “jeitos” estão ativos. Minhas caixinhas de bluetooth devem me achar maluco.

Tenho sensações dessas descritas acima, diárias, e agradeço aos céus direto o fato de que o meu trabalho seja com música. Porque, se não fosse assim, eu ainda seria um devorador de músicas blablablá do mesmo jeito.

Por exemplo, ontem.

Passei o dia ouvindo a BBC 6 Music, a rádio online do grupo gigantesco britânico de várias mídias BBC. Dois momentos do dia (já chego no Nirvana):

** Um dos DJs que eu gosto, já não lembro qual, começou a falar dos 40 anos de punk neste ano, dizer que gosta dos punks ingleses atuais tipo Slaves e Fat White Family (amo os dois) e tocou uma música nova de uma banda x. Sei lá que eram. Amei do primeiro ao último acorde. Na hora me deu uma vontade de chorar de tão legal, hahaha. Já não sabia se era uma banda velha que eles estavam mostrando para aproveitar o gancho “40 anos” ou se era um grupo de hoje, dessa safra maravilhosa nova. Fui pesquisar. A banda se chamava Eat Fast, quatro moleques novinhos de Newcastle, e a música era seu novo single, chamado “Public Display of Affection”. Aprendi mais: o Eat Fast foi incluído recentemente (novembro) num especial do jornalzaço inglês “The Guardian” entitulado apenas “The Most Exciting Independent Artists in the World”. E também que eles tocaram num evento especial do festival The Great Escape (também em novembro) chamado “The Soundtrack to Your Future”.

** Ainda ontem, por nada, do nada, o cara tocou no meio de tantas coisas legais, novidades muitas, uns indies antigos outros, um… Belle & Sebastian. Em session na BBC anos atrás. A canção: a deslumbrante “The Stars of Track and Field”, musiquinha de fases que começa tipo silenciosa. Quando você acha que pode se emocionar ainda, depois de tuuuuuudo, com um Belle & Sebastian aleatório em momento x no meio de um playlist de rádio? Eu, ontem! Isso é rádio. Acabou a música, a seleção de duas ou três, e o DJ disse o que tinha tocado e jogou assim, meio rápido, um “fascinating Belle & Sebastian” na descrição da sequência. E eu ali, fascinado. Como ele sabia? Ele sabia. E olha que eu adoro essa música, mas tem muitas outras mais do B&S que me arrebataria. Sei lá.

** Aí, finalmente, chegamos ao Nirvana. A própria BBC 6 Music, na semana passada, resolveu porque sim que o dia inteiro da programação (acho que sexta-feira) seria dedicado ao ano 1989!!!! Na verdade tudo tem um sentido. A 6 Music criou um especial chamado “My Generation” para tratar de anos importantes para a história da música jovem. E chegou-se a 1989, que assim de cabeça eu nem lembrava o quanto foi importante, quantas coisas relevantes aconteceram, o quanto o período foi “preparatório” para tudo que estava vindo. Daí teve o Nirvana.

O genial Steve Lamacq desenterrou inteira uma session que um noviiiiinho Nirvana, nem como Dave Grohl na bateria ainda, se apresentou em session para o saudoso John Peel, talvez o radialista mais importante de todos os tempos para esse tipo de música que eu e você curtimos.

O Nirvana havia acabado de lançar o seu primeiro álbum, o magnífico “Bleach”, em junho daquele ano. E em outubro já estava de rolê pela Inglaterra, onde foi cooptado pela Radio One para fazer uma das famosíssimas Peel Session. Ainda em status longe de virar o maior fenômeno da indústria mundial em coisa de menos de dois anos para a frente.

O Nirvana, que voltaria depois e em outro desse status para mais duas sessions para o John Peel, naquela de 1989 tocou “Love Buzz”, uma das músicas mais legais jamais feitas haha (NE: na minha humiiiiilde opinião, claro), o romance-metal lindo “About a Girl”, uma “Polly” versão mais crua da música que só entraria em álbum depois, num tal de “Nevermind”, e a esporrenta (não há palavra melhor) “Spanx Thru'”, famoso lado B de single que entrou em coletânea da Sub Pop de 1988.

Ouvindo essas sessions com o tratamento de uma rádio atualíssima como a BBC 6 Music, parece que foi hoje o dia em que o Nirvana tocou lá. Ou foi sexta-passada.

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A rádio é tão incrível que, como eles sabem usar a internet tão maravilhosamente bem, divulgaram no dia, no Instagram, uma foto do contratinho do novíssimo Nirvana para a Session do Peel (imagem acima), botaram uma fotos de 1989 dos DJs Steve Lamacq (na home da Popload) e da fofa Lauren Laverne, resgataram umas capas da “NME” daquele ano e ainda duas páginas de uma agenda 1989 do Lamacq, com shows do Buzzcocks e da Neneh Cherry anotadas. Gênios.

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Então, last but not least, a atualíssima Peel Session de 1989, de uma certa banda pequena americana chamada Nirvana. Me diz se não é de chorar.

E fim.

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