Em strokes:

Coronavírus move o Lollapalooza Brasil para 4, 5 e 6 de dezembro. Guns, Strokes e Travis Scott confirmados

>>

Foto: Fabricio Vianna / Popload

Foto: Fabricio Vianna / Popload

Depois de afetar a programação de praticamente todos os eventos com grandes aglomerações públicas no exterior, o coronavírus “derrubou” hoje, de modo oficial agora, o nosso Lollapalooza (o argentino e o chileno já tinham se manifestado).

Foi anunciado que o festival, antes previsto para acontecer no primeiro final de semana de abril no Autódromo de Interlagos, foi adiado para os dias 4, 5 e 6 de dezembro, devido ao surto que está se alastrando cada vez mais mundo afora.

Os headliners Guns N’ Roses, The Strokes e Travis Scott estão confirmados. Agora, a organização do festival trabalha para a atualização total do line-up.

Os ingressos já adquiridos valerão para as novas datas.

Na gringa, nos últimos dias, o South by Southwest foi cancelado, o Coachella foi jogado para outubro, o Ultra Music Festival de Miami só vai rolar em 2021, e diversos artistas e bandas incluindo Pearl Jam, Madonna, Green Day, KISS, Tame Impala e Liam Gallagher tiveram shows adiados/cancelados nas próximas semanas em diferentes partes do mundo. A cidade de Nova York proibiu os shows para platéia acima de 500 pessoas, para dar uma ideia.

Na contramão de tudo, o gigantesco e tradicionalíssimo Glastonbury, que acontece em junho, não só diz manter sua realização (por enquanto) como anunciou um monte de bandas de seu line-up ontem, numa primeira lista. Outras virão até maio, segundo Emily Eavis, organizadora e a “filha do dono”.

Voltando ao Lollapalooza Brasil, as edições chilena e argentina também foram remanejadas para o segundo semestre. A organização do festival brasileiro dará mais detalhes a respeito deste novo rearranjo do evento nos próximos dias.

** Ainda sob o efeito do adiamento do Lolla BR, o show promo do Idles, que aconteceria dia 2 de abril, não mais será realizado na data, uma vez que a banda não vem mais ao Brasil por ora. A ideia será retomada perto das novas datas do Lolla.

>>

Strokes lançam o segundo single como primeiro single: ouça a agora-sim-boa “Bad Decisions”, do novo disco de inéditas

>>

* Já estava dito subliminarmente no Popcast, o podcast da Popload. Mas enfim:

A nossa polêeeeeeeeeeemica banda americana Strokes, adorada no mesmo tanto, foi muito notícia nos últimos dias por anunciar novo disco, tocar músicas novas num showmício político nos EUA e soltar um novo single, no caso a música “At the Door”, esquisitinha para o lado ruim, incompatível com o trabalho inicial da banda e ao mesmo tempo muito a ver com a produção chata do grupo do Julian nos últimos tempos. Até aqui beleza.

Strokes_by_Roger_Woolman

Agora sim as coisas parecem ter voltado a seu lugar com o lançamento deste segundo single, que a gente bota para rolar aqui embaixo. Anunciado como “primeiro” pelo guitarrista Albert Hammond Jr., “Bad Decisions” nos devolve os Strokes que a gente gosta.

A música já foi outra das novas que a banda mostrou no show engajado para os democratas na semana passada, em New Hampshire. “Bad Decisions”, para resumir, é a vibe Strokes em seu melhor momento. Guitarrinhas nervosas, Julian cantando em tom de desespero o refrão, bateria rápida.

** “The New Abnormal” estará nas lojas dia 10 de abril e foi produzido pelo bamba Rick Rubin. Este será o primeiro disco cheio dos norte-americanos em sete anos. O último até então é “Comedown Machine”, de 2013.
A capa do álbum foi extraída da obra “Bird on Money”, de Jean-Michel Basquiat.

>>

Fontaines DC vs. Pabllo Vittar. Tem até um Pavement ali. Vazou o estupendo line-up do Primavera Sound, de Barcelona

>>

* Horas antes de ser divulgado oficialmente, por motivos de “descuido” do Pavement, saiu a escalação aguardadíssima do segundo principal festival indie do mundo, o enorme Primavera Sound, em Barcelona.

O “versus” do título, sobre o grupo punk irlandês Fontaines DC e a musa pop brasileira Pabllo Vittar, é só um sugestionado efeito absurdo, uma vez que os dois têm posições bem próximas nas linhas de escalação e podem estar no mesmo horário, na sexta dia 5 de junho. O Primavera Sound vai acontecer na Espanha entre os dias 3 e 7 de junho.

A grande volta do grupo americano herói do indie Pavement, só para o Primavera espanhol e português, é um dos grandes atrativos do festival, dos muitos. A banda de Stephen Malkmus divide o holofote principal com especialíssimo Massive Attack no dia de abertura “para valer” do Primavera Sound 2020, a quinta dia 4.

Nos outros dias temos no topo: Strokes e Lana Del Rey na sexta 5; Tyler the Creator, Bad Bunny, Disclosure, Bauhaus e Iggy Pop no sábado 6.

Vai ter a algazarra dance punk do Teto Preto e o veterano maestro cool de jazz samba Arthur Verocai no line-up, também representando o Brasil. E uma espécie de melhores momentos de atração do nosso Lolla BR está embutida na programação do Primavera Sound.

Metronomy tocando fora da programação oficial pela cidade. Jesus & Mary Chain tocando o álum “Darklands”. Mavis Staples e Black Midi. King Krule tocando o álbum novo. Floating Points, Fatima Yamaha e Honey Dijon representando a eletrônica massa.

É tanto nome para dissecar que ainda vai levar um tempo nosso debruçado nesse line-up. Vamos voltar a ele certeza. Mas pode você ir fazendo esse serviço aí que beleza, também.

Confira o pôster “grosso” e o diário do Primavera Sound 2020. Vamos, será?

prima1

Captura de Tela 2020-01-15 às 8.14.32 PM

>>

Feliz 2020. The Strokes se descongelam, mostram música nova e anunciam o próximo disco para “breve” neste ano

>>

* OK, Julian. Ano novo, década nova, chance nova.

Captura de Tela 2020-01-02 às 10.55.10 AM

There we go. Atração do próximo Lollapalooza-BR em abril como um dos grandes headliners, o grupo nova-iorquino The Strokes, você-sabe-bem-quem, mostrou música nova em show quase na virada para 2020 em show na casa deles, Nova York. A apresentação especial aconteceu no Barclays Center, no Brooklyn.

Na hora de uma de suas conversas nonsenses de sempre, já no bis e depois de mandar o velho petardo “Last Nite” e uma canção rara com participação do Mac DeMarco (já falamos mais), o vocalista Julian Casablancas soltou um “E aí, que tal uma música nova?”, emendando o papo sobre o novo disco, prometido para este 2020. “Coming out soon.”

Julia falou ainda sobre a década (os 2010s) que acabou e na qual eles estiveram “off”. Mas que agora eles descongelaram e estão de volta.

A música nova se chama “Ode to the Mets” e ali, ao vivo, saiu meio como se fosse uma demo, inacabada ainda. Mas saiu. E parecendo bem bonita. Meio dramática, meio cadenciada. Talvez tenha a ver algo mais profundo na letra, mas Mets é o time de beisebol de Nova York.

A música nova o fez, o disco novo o fará, os Strokes sairão do gelo em estúdio desde o esquecível” disco “Comedown Machine”, de 2013. Teve o EP de quatro músicas “Future Present Past” em 2016, mas também ninguém ligou.

No show do dia 31, no Brooklyn, os Strokes ainda desencavaram uma rara, “Modern Girls & Old Fashion Men”, que é da época do segundo disco e não era tocada desde 2003. A canção foi lado B do single da poderosa “Reptilia”, uma das melhores do lindo álbum “Room on Fire”. A original era um dueto da banda com a cantora Regina Spektor. No concerto da virada, quem fez o papel dela foi o malucão Mac DeMarco, herói indie moderno e novo “brother” do Julian.

Na turnê de 2019, quando dava uma brecha, os Strokes tocavam uma outra nova, “The Adults Are Talking”, que também estava no setlist do show do Barclays Center. Mas não teve uma pista se essa música vai entrar no novo álbum.

Bem, aí vão as duas principais do último show dos Strokes da última década, a década do gelo. A nova “Ode to the Mets” e a desencavada “Modern Girls & Old Fashion Men”. Para sua avaliação e inevitáveis expectativas gerais.

Feliz ano novo com a gente, Julian.

>>

Strokes ainda é headliner de megafestival. E na Inglaterra ainda por cima. Mas o que isso implica para a “cena”?

>>

* Sei lá, seria a resposta mais adequada. Mas vamos nessa.
Aqui e ali, muito tem se discutido sobre festivais, suas escalações e suas atrações principais nestes tempos, digamos, pitorescos. Tame Impala maravilhoso içado à condição de headliner do Coachella (e o Kevin Parker esquecendo de avisar a banda do fato), o genial Stormzy envergando na cabeça um dia inteiro do majestoso Glastonbury, Tribalistas estreando a categoria de ex-headliner do nosso Lolla, todas as tretas e mutretas do famooooooso festival americano de playba Fyre Festival, que acompanhamos sedentos em 2017 e agora volta forte ao assunto porque virou tema de dois documentários recentes avassaladores.

E, agora, em anúncio grande de ontem, vemos nossa banda querida-forever, mas atuais arremedos de si mesmos, os Strokes, virar o headliner do mais novo grande festival do planeta por tudo que embarca em seu conceito, o delicinha All Points East, que acontece no meu aniversário no final de maio em Londres.

strokes1

Aqui não tem uma crítica ferina, necessariamente. Nem sobre a banda de Nova York, nem sobre o festival de Londres. Até eu queria os Strokes como headliner do Popload Festival 2020, já que o de 2019 já está (praticamente) certo que vai ser um outro grupo. Pode vir muito, Julian!!!!

Mas o negócio é que, com o anúncio do All Points East, um festival bem maior que o “modesto” porém lindo Popload Festival, onde os Strokes cabem mais de uma forma, digamos, apropriada, temos a oportunidade de pensar sobre o tema “headliners e o estado da música em 2019”.

E dado que o festival londrino gigante de três dias (na verdade são seis, dois finais de semana, mas isso é uma outra história) é o que é, ou quer ser o que quer ser, botar como atração principal de um de seus nobres dias os Strokes, nossa banda indie mais linda dos últimos 20 anos _mas cuja fama ficou lá atrás mas ainda tem “o nome”_, nos convida a pensar na cena inteira.

Sem fazer disso uma análise acadêmica, apenas umas pinceladas, a gente aqui que:

1. O All Points East vai para a sua segunda edição em Londres. Foi montado no ano passado “meio que às pressas” pela galera americana que produz o Coachella, transformado em um “festival business” mais que um “festival de música” em seu entorno. O ponto aqui é: produtores americanos, que até poucos anos (uns 20, a idade dos Strokes) atrás não tinham tradição nenhuma em festivais (tirando uns lendários e pontuais), invadiram a verdadeira “terra dos festivais”, desalojando dois eventos britânicos tradicionais de música de um parque no leste de Londres, e se apossando assim do lado mais cool da capital inglesa nos dias atuais. Fincaram a bandeira americana em UK e montaram um festival seu, que até iria se chamar Coachella London, na ideia inicial. Até que alguém se mostrou sensato e não deixou isso acontecer.

2. Os Strokes, de inesquecíveis dois ou três discos (o último destes de 2006, 13 anos atrás), e esquecíveis dois últimos álbuns e no ameaço de lançar o sexto há tempos, se arrasta há mais tempo ainda em irregulares shows de hits. A magia das músicas antigas está lá até, quando saem sujas, bem tocadas. Mas o tempo claramente vai apagando o apego entre público grande e banda. Bom, até aí, deixa eles e tal. Cada um na sua. Entenda o ponto aqui: eu iria em show pequeno e/ou médio dos Strokes todos os dias, se eles acontecessem hoje perto de mim. Tocando no Z, no Fabrique, no Breve, até no Popload Festival. Mas virar (ainda) headliner de grande festival em Londres é confiar muito nos laços que a banda criou com o importantíssimo e algo “revolucionário” disco debut “Is This It”. E lá se vão 18 anos. Muito mal comparando, os Rolling Stones tocam há 50 anos e beleza, mas aí vai uma enorme diferença de importância para sua era, número de discos bons e clássicos e turnês marcantes. Fora que o setentão Jagger parece ter a disposição de um trintão. E, os Strokes, muito ao contrário disso.

3. Há de se pensar no modo atual de “fazer festival”, nesta era do celular e das selfies, da nova geração e do barulho de redes sociais, pensando em música como entretenimento e negócio. Atualmente, é difícil mensurar esse “barulho” de redes sociais, quando transposto para a vida real. Está obviamente tudo muito esquisito. Veja o Coachella escalando banda de kpop em alto de line-up (e não é de hoje). Explica-se pelo alto número de público oriental frequentando o deserto da Califórnia, em ascensão anual. E o de público americano mesmo consumindo o gênero (aqui no Brasil é uma febre louca, por exemplo). Inclusive o Rock in Rio deste ano tentou muito trazer uma das principais bandas de pop coreano como HEADLINER de um de seus dias. Banda esta superdisputada em leilão brasileiro, por pelo menos três produtoras num primeiro momento. Duas no fim. E a conversa foi encerrada (para este ano) quando a banda não quis/pode vir. Decidiu por outros planos.
Falando tudo isso acima assim, a discussão fica até superficial, mas não pretendo escrever um tratado aqui. Só pincelar à luz de Strokes headliner de megafestival inglês em 2019. O que é um nó de contrasenso temporal.

4. Não falo isso com juízo de valor, mas muitos dos festivais enormes, como o Coachella, para citar um luminar, viraram outra coisa além de serem eventos de música para amantes de música. Um dos muitos exemplos disso são marcas de cosméticos bancando as selfies californianas de “influencers” brasileiros de instagram diante da roda gigante do festival de Indio, a três horas de Los Angeles. Se em seus seis palcos estão tocando na mesma hora da foto nomes como The Kills, Metronomy, Billie Eilish, ASAP Rocky, James Blake e Idles, isso pode ser um mero detalhe.

5. O All Points East pensa assim e sabe disso, obviamente. Escalar Strokes no topo de um line-up não deixa de ser estratégico para não perder o “street cred” entre os “fãs de música”. A tal da credibilidade. Ao mesmo tempo, garantem os novinhos com DJs, bandas “da onda” e uma bonita estrutura para fotos. Torram o orçamento com “grandes nomes” disponíveis (embora sua trajetória capengue desde 2006, 2007, os Strokes são um grande nome), que levam público mais velho (muitos já pais nos mesmos festivais que os filhos), e assim garante o bar e o consumo de álcool, hoje um negócio nada terceirizado para quem também pensa em quais bandas colocar no palco como atração.

Enfim, a variável é grande e latente. Uma coisa é você atravessar uma lama em 1991, depois de longa caminhada, para ver o “algo desconhecido” Nirvana tocar cedinho num Reading Festival de pouco patrocínio, mas com fieis de música comprando seus 80 mil ingressos. Outra coisa é em 2019, às vezes 30% dos ingressos (até mais) de um festival serem destinados para marcas fazerem “relacionamento” com uma galera considerada vip, convidada para um evento que talvez não fossem.

Tudo certo, é assim mesmo, “sign o’ the times” como diria o Prince, joguemos o jogo, a vida é segue. Mas vamos lá: que demais os Strokes ainda serem headliner de festival grande em 2019. Como há chances de eu ir vê-los no All Points East, não vejo a hora de eles tocarem “IS THIS IT” e “THE MODERN AGE”. Elas fariam o maior sentido para tudo.

Se você tiver umas opiniões farois sobre isso, manda para mim, no lucio@uol.com.br. Daí eu reúno um “melhores momentos” de opiniões e coloco de volta a discussão por aqui em breve, com outros pareceres. Me ajuda!

>>