Em sydney:

A Austrália é indie: The National e seu show lindão em Sydney

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A prestigiada banda norte-americana The National atualmente está em turnê pela Austrália, belo pedaço do mundo onde a Popload passou suas últimas semanas. No último sábado, a trupe do responsa Matt Berninger fez um showzaço na área externa da famosa Opera House, em Sydney.

A apresentação, que durou mais de duas horas, foi transmitida ao vivo e agora pode ser conferida na integra, com cover do Perfume Genius ainda por cima. O National trabalha a divulgação do ótimo “Trouble Will Find Me”, disco de cortar o coração que eles lançaram ano passado.

* Setlist
Don’t Swallow The Cap
I Should Live In Salt
Mistaken For Strangers
Bloodbuzz Ohio
Demons
Sea Of Love
Hard To Find
Afraid Of Everyone
Conversation 16″
Squalor Victoria
I Need My Girl
This Is The Last Time
Lean
Abel
Slow Show
Apartment Story
Pink Rabbits
England
Graceless
About Today
Fake Empire
Learning (Perfume Genius cover)
Humiliation
Mr. November
Terrible Love
Vanderlyle Crybaby Geeks (acoustic)

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Popload na Austrália. E o incrível Laneway Festival de Sydney foi assim…

* Popload em Sydney. Força, Ian Thorpe.

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* Bom, tinha me esquecido de contar por aqui que, se você passa por lugares muito turísticos na maior cidade australiana, a trilha sonora é um som electro-aborígene. Assim.
Aborígene é o povo nativo original da Austrália, tipo o índio no Brasil, que sofreu na mão dos colonizadores-exploradores. Marginalizado e com população cada vez mais decrescente, o aborígene tenta hoje sobreviver ou isolado em suas terras ou, nas grandes cidades, fazendo showzinhos na rua para turistas.
Nessas entra em ação o didgeridoo, que é como se fosse um trumpete gigante feito de madeira, um tronco oco, que amplia sons vocais. Sua música é característica e com a garganta e a respiração os aborígenes imprimem sua variedade, tipo um berrante com mais alcances sonoros.
Hoje em dia, os aborígenes modernos soltam uma base eletrônica nas caixas e botam o som do didgeridoo por cima. Em algumas regiões, é o que se mais ouve em Sydney.

* A Triple J, rádio indie daqui da Austrália que eu já citei umas 1000 vezes nesta viagem, uma das mais cool do mundo, não para de tocar a banda Temples, da Inglaterra. Muitas das músicas do disco de estreia da banda, que nem saiu. Toca-se o disco todo, acho. O que me ajudou a escolher a minha predileta. Acho que é “Keep in the Dark”, mesmo.

***** LANEWAY FESTIVAL ***** SYDNEY ******

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Você chega ao Laneway Festival, que fica 15 minutos de ônibus do centro de Sydney, e é recebido na entrada com garrafas de água grátis, o programa do evento com os horários dos quatro palcos e protetor solar. O sol está de rachar.
Protetor passado, água tomada e o programa indica que a dupla whitestripiana de irmãos Drenge, guitarra e bateria, muito boa banda nova inglesa, está em ação naquele instante, naquele calor. Mais para Nirvana que para Jack & Meg, o Drenge mostra um entrosamento absurdo. E parece muito que os irmãos estão se divertindo em família. Não conversam com o público quase nunca, sob qualquer reação, trocam olhares e risadas entre si, o baterista fica jogando coisas no irmão no intervalo da música. Até que uma garrafa de água acerta a cabeça do guitarrista, que em vez de olhar puto dá um sorriso e ameaça jogar a guitarra. E o sol rachando e a porrada comendo. As letras são as de sempre. Garoto de cidade do interior inglês entediado com a vida e se metendo em problemas para ter alguma emoção. Letras essas esmagadas com uma bateria violenta e o guitarrista mais barulhento desde… o Jack White do começo. Tudo fazendo sentido naquela insolação.
O festival é montado dentro do campus de uma universidade de arte de Sydney, que fica tipo num morro no meio de um parque. Tem os prédios em cima e um gramadão que desce. Os dois palcos grandes são montados quase lado a lado bem embaixo, para que o gramado vire uma arena e dê para ver legal de qualquer lugar.

Os outros dois ficam na “parte de cima”, no cimentão: um palco “indie” (dentro do festival indie, haha) e um palco da Red Bull para atrações eletrônicas, experimentais, bandas com até três integrantes (Jamie XX, Jagwar Ma por exemplo).

Enfim, depois do Drenge fui para o palco indie lá de cima para ver algo do show do Cass McCombs, tocando sua “americana”, que dava para ouvir à distância. Botei o olho no cara a tempo de ele falar “Thank you, Sydney” e deixar o palco. Fui direto para o Autre Ne Veut, cantor americano de R&B indie de voz realmente impressionante. Pulei o Youth Lagoon para ir direto para o estranhíssimo King Krule, ruivo de voz cavernosa e som meio free jazz, meio guiado por guitarras, vocal mais para hip hop do que para cantorias. A banda é boa demais e Krule rege tudo com uma experiência que ele não tem idade para ter. Esse menino é coisa séria, não só pelo lindo álbum. Ao vivo segura a onda. Uma espiada no Vance Joy, um indie-folk linha Mumford & Sons às vezes ou um jovem Bob Dylan em outras. O cara já tem carreira firme na Austrália. Galera enlouquecida, numerosa e cantando tudo. Mas em um certo momento fui ver a traquinagem eletrônica do XXYYXX, moleque de 18 anos da Flórida que também faz transpirar jazz e hip hop em seu som. Intenso.

Algum infeliz do festival programou para o mesmo horário Kurt Vile, Parquet Courts e Jagwar Ma. O primeiro descartei de cara, porque não tinha jeito. E fui ver meio Parquet Courts para depois pegar meio Jagwar Ma.
O Parquet Courts é maravilhoso da música um que tocam até a última. Energia pura de rock college americano que lembra Pavement e Pixies com uma contemporaneidade deles e só deles, de moleque que frequenta o circuito Austin-Brooklyn. Melodias espertas, baixista rock star, guitarras que dialogam perfeitas, vocais alternados, às vezes juntos.
Misturaram músicas do EP novo e do primeiro disco campeão, do começo do ano passado. E o Jagwar Ma ia sendo esquecido.
Mas, como os americanos tocaram no meio do show (em vez do fim) o hit longo “Stoned & Starving”, fui ver a banda australiana.
Cheguei ao palco eletrônico e o bicho estava pegando. Nunca consegui chegar perto do palco, de tão entupido. E galera dançando como se não houvesse amanhã. O Jagwar Ma é uma espécie de atualização anos 2010 para o Happy Mondays, de Manchester. Com o frontman que parece o Ian Brown, do Stone Roses. Delícia de show. Está fraco de vendagem de ingressos para os shows do Brasil em março, parece. Como assim?

Fui passar um tempo nos palcos maiores do gramado porque iam tocar Haim e Lorde. As californianas, pelo que eu tinha visto em internet, têm um tradicional show insosso. Gatas, tal, mas… As Haim têm três músicas muito boas e para compensar várias chatinhas. Ou quase isso. Mais pose que performance era a fama. Mas, talvez pela conjuntura astral de Sydney, fim de tarde bonito, público muito animado, o show decolou. Acabou bem agradável. As irmãs parecem estar melhorando muito com a estrada. Já não sei se aqui na Austrália foi um show de “exceção” ou se já se pode botar bastante fé nelas ao vivo.

Lorde é realmente uma estrela que brilha. Antes de seu show, o prefeito de Sydney entrou para saldar o público, falar o quanto esse festival é importante na “cidade dos festivais e dos shows em qualquer canto”e saldar a estrela neozelandesa que não tem uns seis meses só tocava em rádio indie americana e agora tem até Grammy e vende absurdo (“It’s not a big deal, is it?”, disse ela para Triple J).
Seu belo disco, “Pure Heroine”, recém-lançado, é uma beleza e funciona muito ao vivo. Com Lorde no palco acompanham um baterista cool, dividido entre a orgânica e a eletrônica conforme rege o vocal da sensação teen, e um faz tudo que hora toca teclados, ora guitarra, ora baixo.
Som quase minimalista, mas intenso e sem brechas. Lorde e sua dança Crepúsculo-macumba, gótico-candomblé é hipnótica de um jeito que a dondoca cool Lana Del Rey não consegue ser no palco. Fala demais entre as músicas: comenta sobre tudo, sobre política e clima. É adolescente, enfim.
Lorde, apesar da popularidade em progressão geométrica, tem o teen spirit. Ou o indie spirit. Está na cara que, quando o festival foi montado, tipo setembro do ano passado, ela cabia no line-up como foi lhe oferecido. Mas em poucos meses ela viraria fácil uma atração grande do Big Day Out, festival de dimensões bem mais longo-alcance. Mas ela não deixou o Laneway Festival na mão. E nem exigiu tocar no “melhor horário”, como uma headliner.
O delicioso live do electro-viajante Mount Kimbie, de Londres, e o também britânico Jamie XX, menino-prodígio que arquiteta o XX sonoramente, foram momentos clube delicioso para o começo de noite na faculdade de arte de Sydney.

Um showzinho de novidades das meninas do Warpaint, de Los Angeles, disco novo debaixo do braço, comigo deitado no gramadão do Laneway Festival, foi um bom jeito de acabar um dia bacana de shows. Acho que comecei a ir embora do Laneway quase às 23h. Perto das 23h30 estava comendo em um restaurante tailandês no centro de Sydney, depois de pegar ônibus de graça oferecido pelo festival.

Assim é fácil ser feliz em um evento assim.


** A Popload viaja pela Australia a convite do Tourism Australia.

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Popload na Austrália. Com a Lorde e as Haim. E Parque Courts e Jagwar Ma

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* Popload em Sydney.

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Acabei de saber que nesta semana vou ter duas terças-feiras, uma aqui, outra em Los Angeles. Para compensar a sexta-feira que eu perdi vindo para cá, que eu não registrei a passagem. Você está entendendo? Eu também não.

Me contaram aqui, eu ri e tal, mas tive que ver com os próprios olhos para botar uma fé. Sydney é uma cidade tipo Rio de Janeiro, com praias bonitas, relação cidade-natureza forte e uma galera que curte o culto ao corpo. Malha, corre, faz exercícios. Nos parques, à beira-mar. Daí que…
Nem sei se é tão novidade assim, mas a moda aqui entre as mulheres, nessa onda saúde, é ir para a academia vestida de… Flashdance. O filme dos anos 80. Moletom dois ou três números maior, recortado. E as polainas, claro. Mas não usadas em cima. Colocadas mais para baixo, amassadas, quase como um meião. Quando me contaram achei que isso era uma coisa na linha indoor, dentro de academia e tudo mais. Mas boa parte da “academia” dos australianos é em meio a parque público mesmo. Maniac. No próximo rolê em parque vou tentar uma foto.

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* LANEWAY FESTIVAL – O line-up chega a ser espetacular de tão indie. Pelo que eu estou entendendo, quando o festival foi armado e divulgado, no ano passado, a atração principal era a banda Warpaint. Hoje em dia, é Lorde e Haim, fácil.
O festival também é itinerante, tipo o Big Day Out. Tem quatro palcos. As edições de Melbourne (foi sexta) e Sydney (é agora, no domingo) estão esgotadíssimas faz tempo.
Além de Lorde, Haim e Warpaint, o festival traz QUATRO coisas lindas de se ver:
1. minha banda nova predileta, o Parquet Courts, de Nova York;
2. o incrível rapper inglês ruivo King Krule, que escreve tipo como o Morrissey, canta como se o Joe Strummer (Clash) fosse do hip hop e em sua música há ainda algo de jazz e dubstep. ninguém é tão futuro na música jovem e urbana hoje como o King Krule.
3. o delicioso Jagwar Ma, aqui mesmo de Sydney, mas acha que é de Manchester começo dos 90, amiga dos Happy Mondays e tal. Indie dance viciante, eles vão a SP e Rio em março. Lançaram o disco de estreia no ano passado, sem nenhuma música ruim e sem nenhum remix ruim para cada música não ruim que eles têm.
4. o Jamie XX, a cabeça sonora do The XX, quase tão importante atuando solo produzindo e discotecando do que sua banda principal.
Tirando tudo isso o Laneway Festival tem Chvrches, Kurt Vile, Autre Ne Veut, Drenge, Mount Kimbie, Savages, Cass McCombs, Four Tet, Youth Lagoon e outros.
A parte “down-under” das atrações, muito bem encabeçada por Lorde (neozelandesa) e Jagwar Ma, tem também Vince Joy (da ótima canção “sing-a-long” e pra cima “Riptide”, a música número 1 do Top 100 de 2013 da rádio Triple J), Cloud Control e Jezabels, para citar os mais bombados por aqui.

A única coisa MUITO CHATA a respeito do Laneway Festival é ter feito o crime de botar o Parquet Courts e o Jagwar Ma para o mesmo horário. O MESMO HORÁRIO. Ainda não sei como proceder.

A rádio Triple J transmitiu ontem ao vivo o Laneway Festival de Melbourne. E postaram um vídeo que reproduz um pouco o clima desse evento indie daqui. Com a música do Vince Joy como personagem principal. Olha que demais.

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Galera no show da Lorde ontem, sábado, no Laneway Festival de Melbourne

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E a própria…

* Duas musiquinhas da galera local que vai estar no Laneway Festival aqui de Sydney: a primeira é um remix incrível para a bela “The Love Club”, que está no primeiro EP que ela lançou, no ano passado, e ficou de fora do álbum de estreia, também do ano passado, haha. A menina é mesmo um estouro. A segunda música é do Jagwar Ma, um remix que eles fizeram deles mesmo para “Let Her Go”, single do álbum “Howlin'”, a estreia da banda, lançado no fim de 2013.

E amanhã um descanso na região da Bondi Beach…

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*** A Popload está em Sydney a convite do Tourism Australia

Austrália: Laneway Festival, os "bares" dos "hotéis", Jagwar Ma e Yoko Ono

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* Popload em Sydney, Austrália.

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* Mal acabou de receber o gigante festival Big Day Out, com algumas bandas ainda na cidade fazendo shows solo ou sessions em rádios daqui (viu o Arcade Fire na Triple J?), a cidade de Sydney abriga no domingo o incrível Laneway Festival, evento com Lorde, Haim, Parquet Courts, Chvrches, Jamie XX, Jagwar Ma, King Krule e uma renca boa a mais. Vamos tentar ver lá, no domingo, o que acontece.

* Falando em Jagwar Ma, a ótima banda indie-dance psicodélico aqui de Sydney, que vai a SP e Rio para shows em março, lançou um vídeo oficial hoje para a malemolentemente incrível música “Uncertainty”, outro single de seu primeiro álbum, “Howlin'”, lançado no meio do ano passado. Vídeo style, música boa, banda esperta. Tudo certo para os lados do Jagwar Ma.

* Alguém tinha me dito que em Melbourne a galera vai bastante aos “bares de hotéis” e eu achei que era uma das muitas tendências da cidade, que tem a “cena do café”, “a cena do vinho”, “a cena da cerveja local” e outras cenas bem fortes acontecendo na energizada cidade “rival” de Sydney. Tipo em São Paulo ir ao bar do Fasano ou ao bar do Emiliano, mas num sentido, ou alcance, mais indie, digamos.
Daí que na frente do meu hotel aqui em Sydney tem um tal de Crown Hotel com um bar bombando todo dia. Sempre que eu passo, está cheio de gente. Nunca entrei nele, mas acho que vi que rola música ao vivo.
Dia destes saí com um amigo local e fui levado a um bar “de hotel” do tipo, numa outra região. Não me lembro o nome, mas me pareceu um pub puro e simples. E perguntei sobre onde era o hotel ali dentro daquele bar.
As leis da Austrália que envolvem comercialização de álcool são bastante rigorosas, aprendi. E que uma licença para abrir um bar custa uma fábula. Mas de uns anos para cá descobriram que abrir um hotel no país (que pode ter um espaço legalizado que venda álcool) é tipo um terço do preço de montar um bar.
Então quem quer abrir um bar abre um hotel. Com tipo dois quartos em algum canto, só para justificar a nomenclatura. E um bar gigante ocupando a grande parte do imóvel. Os quartos acabam fazendo sentido como “de hotel” porque algumas pessoas acabam exagerando na bebida e preferindo ficar por lá mesmo, reservando um aposento pós-álcool.
Pensa…
Se você quiser vir à Austrália, uma opção é se hospedar num bar. Parece que não é tão caro quanto um hotel “verdadeiro”.

* Tem uma música que toca direto por aqui que se chama “Big Love”, de uma cantora de Melbourne conhecida como Gossling. Ela parece que é rodada pelo indie australiano, mas soltou seu disco de estreia, “Harvest of Gold”, no fim do ano passado. Ouça esta “Big Love”, a canção bastante executada, e repare na voz de criança tipo Bjork do começo, tipo Feist, que a moça tem. “What are we made of, big or little love?”, pergunta a garota.

*** YOKO ONO NA AUSTRÁLIA – Como diria John Lennon, a senhora Yoko Ono, artista de vanguarda, cantora, pacifista e viúva do ex-beatle morto em 1980, é a mais famosa artista desconhecida do mundo. “Todo mundo sabe seu nome, mas ninguém sabe exatamente o que ela faz”, disse Lennon. Os australianos agora sabem bem.

Yoko Ono at her exhibition at the Museum of Contemporary Art

Ono, 80 anos e dançando Daft Punk por aí, exerce uma presença espiritual forte em Sydney, Austrália, porque ganhou uma grande exposição dos 50 anos de seu trabalho com arte de vanguarda no Museu de Arte Contemporânea local, que fica na bela baía onde está a imponente Opera House. Por boa parte da bonita região central de Sydney você vê bandeiras em postes anunciando a mostra “War Is Over! (If You Want It)”, grande exibição “participativa” que tem seu nome inspirado no famoso pôster que ela e John Lennon criaram e espalharam por Nova York em 1969 em uma ação artístico-publicitária, contra a guerra do Vietnã.

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O tom participativo da exposição de Yoko Ono na Austrália se dá porque o público é convidado a interagir ou experimentar boa parte das obras da artista, escrevendo cartazes, passando a mão num corpo recortado, achando um telefone num labirinto de espelhos. Você só é autorizado a pegar no telefone se ele tocar. Yoko Ono é a única pessoa que tem o número e às vezes liga para conversar com quem atender do outro lado. Não sou nada entendido em conceitos profundos de arte contemporânea, mas a exposição de Yoko Ono impressiona com sua capacidade de fazer pensar mesmo quando se está diante de uma obra tão simples, feita por exemplo com pratos quebrados. “War Is Over! (If You Want It)”, claro, tem algumas salas com filmes, pequenos documentários ou filmetes de arte em si, em que Lennon aparece bastante.

“War Is Over! (If You Want It)”, que faz muito barulho por aqui, deve ir na sequência para Londres e depois Nova York, pelo que eu li.

* Nesta sexta aqui em Sydney o grupo indie californiano Grouplove participou de um programa na rádio Triple J (sempre ela) chamado “Like a Version”, uma espécie de Popload Session (haha) em que a banda toca uma música própria e uma cover de alguém que quer. A canção própria que o Grouplove tocou foi da ótima “Waits to Go”, nova praga indie de rádios daqui e nos EUA. A cover escolhida pela banda foi, veja só, de uma música do Cage the Elephant: “Spiderhead”. Ficou bom. Ouça as duas músicas abaixo, com todo o papo que rolou na rádio, incluindo estrevistinha.


*** A Popload viaja pela Austrália a convite do Tourism Australia (Sydney) e Tourism Victoria (Melbourne)

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Austrália urgente: Lana Del Rey hardcore, Vance Joy e tubarões que twittam

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* Popload em Sydney, Austrália. Bom dia, boa noite.

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* A gente mencionou aqui em post recente, a rádio australiana Triple J, que a gente gosta bastante, e que fez um especial domingo passado mostrando o Triple J Hottest 100, o ranking das 100 músicas mais importantes de 2013 votadas por 1,5 milhão de pessoas, incluindo povo da música, ouvintes e jornalistas. Transformaram isso num megaevento, fazendo 100 festas da rádio em diferentes lugares na Austrália, onde se ouvia a transmissão do Top 100 da emissora em clubes, pubs, praças, parques. E, claro, foi criado um suspense gigante em torno dos dez primeiros lugares. Foi o evento do ano promovido por uma rádio da região, falam. No fim, o que deu foi o seguinte:

1. Vance Joy — “Riptide”
2. Lorde – “Royals”
3. Daft Punk – “Get Lucky (Ft. Pharrell Williams & Nile Rodgers)”
4. Arctic Monkeys – “Do I Wanna Know?”
5. Flume & Chet Faker – “Drop The Game”
6. Arctic Monkeys – “Why’d You Only Call Me When You’re High?”
7. Lana Del Rey – “Young And Beautiful”
8. Matt Corby – “Resolution”
9. The Preatures – “Is This How You Feel?”
10. London Grammar – “Strong”

Em partes: a cantora vizinha Lorde, da Nova Zelândia, tem três músicas no Top 20. O grupo inglês Arctic Monkeys também. Em primeiro lugar está um artista local, Vance Joy, músico de 25 anos de Melbourne, que surpreendeu a lista, embora sua música tenha mesmo tocado sem parar em 2013. “Riptide” é canção romântica e Vance Joy toca ukelele como instrumento principal. Ela é bem bonita, mesmo. Outra coisa que surpreendeu pelo seu primeiro lugar é que a música nem é de álbum. Joy só tem um EP. O que ajudou foi que a canção foi tema de um famoso (aqui) comercial de um banco. E o cara desde agosto já ganhou um contrato com uma major nos EUA, a que tem como “clientes” o Bruno Mars e o Skrillex, por exemplo. Ouça (e veja) “Riptide” no vídeo oficial e ao vivo, com Vance Joy.


* BICHOS –
Que a Austrália é o lugar com os bichos mais bizarros e perversos do planeta, todo mundo sabe. Está aí abaixo o Diabo da Tasmânia que não me deixa mentir, a famosa fofurinha carniceira que é um urso de um tamanho de um cãozinho e tem a mordida mais forte entre os mamíferos (pelo que li) e não pode nem viver com outro de sua espécie pois acabam lutando até a morte por um pedaço de carniça. Enfim.

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Mas o negócio é que aqui na Austrália a coisa animal não fica restrita às matas, ao interior, às florestas do país. O país é um Animal Planet 24 horas por dia mesmo dentro das cidades. O convívio urbano das pessoas com os animais estranhésimos e “corriqueiros”, o equivalente para nós de cães, gatos, pombas, é assustadoramente bonito. Haha.
Você está sentado num banco qualquer dos lindos parques de Sydney e pousa do seu lado uns pássaros com os bicos mais esquisitos da espécie. Daí você resolve ir embora e, ao passar por uma árvore, fica se perguntando que frutos pretos enormes são aqueles. Aí percebe que são morcegos, aqui chamados de “Flying Foxes”. O nome, “raposas que voam”, diz muita coisa do tamanho deles. Esses morcegos de asas abertas são capazes de nos abraçar, acho. Mesmo pelas ruas, à noite, dá para ver uns vultos voadores passando. São eles.

O simples fato de você ter um jardim em casa pede para você nunca andar descalço nele ou o faz criar um hábito muito comum por aqui. Bater o sapato de manhã todos os dias antes de calçá-lo. Porque pode ter um aranhinha preta de costas vermelhas, bem comum por aqui e que, dizem, pode matar em um dia. Ela é tão normal mesmo em grandes cidades como Sydney ou Melbourne que seu antídoto vende comercialmente em farmácia. Dizem que em supermercado também, mas acho que é exagero. Ou não.
Então sem sustos. Se você começar a passar mal forte e se contorcer de dor, foi só uma picada da aranha. E você tem um dia inteiro para tomar o antídoto, que daí sobrevive. Tranquilo.
Só sei que até o carpete do meu quarto no hotel me deixa cismado. O Brasil, parece, tem as aranhas mais perigosas do mundo. Mas tipo lááá no meio da Floresta Amazônica ou coisa do tipo. Uma dessas assim frequentando o quintal de casa é meio demais.
Não vou nem entrar no mérito da existência aqui dos coalas. Coisas mais lindas, mas que dormem até 18 horas por dia. Nas que estão acordados, comem e fazem cocô. E depois dormem.

* Bom. Aqui na Austrália os tubarões twittam. A guarda-costeira botou em 338 tubarões um sensor que, quando eles estão a um quilômetro de distância, dispara uma onda de rádio que automaticamente twitta sua localização na conta da SLSWA (Surf Life Saving Western Australia), avisando os surfistas. (Ainda) É proibido na Austrália sair matando tubarão, então os cientistas foram atrás dos “sujeitos” que mais se aproximam da costa, para identificá-los com esse sensor. A briga com ambientalistas é ferrenha. Dizem que isso do Twitter não funciona, ou não é efetivo. Porque um número muito maior de tubarões brancos chega perto da costa. De 2012 para cá foram registrados 14 ataques de tubarões brancos a banhistas/surfistas. Seis mortes. Um tubarão, usando a conta da SLSWA, twitta assim:

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* LANA DEL REY DO METALCORE –
Toca até que bastante por aqui aqui uma cover de “Born to Die”, da boneca Lana Del Rey, executada pela banda de metalcore australiana Amity Affliction. É muito boa de tão bizarra. Tem duas vozes substituindo a Lana. Uma gutural dos infernos e uma calma, mas masculina. Não sei nem como descrever. Só ouvindo. Pensando na “estética metal”, ficou bem resolvida. Haha.

* Ontem, no clube Hi-Fi, aqui em Sydney, a deliciosa banda americana Toro y Moi fez um showzinho solo. Abertura do Portugal The Man. As duas bandas estão percorrendo a região como atrações do festival Big Day Out e deram uma “escapada” para um clube, que estava lotado (calculo tipo um Joia cheio). Peguei em vídeo o Toro y Moi mandando a “Rose Quartz”, faixa do disco fofo deles do ano passado, o “Anything em Return”.

** A Popload está em Sydney a convite do Tourism Australia.

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