Em taco de golfe:

Top 50 da CENA – Um piano tira a Pabllo do nosso topo. Amaro Freitas lidera, seguido pelo MC Rodrigo Brandão. Mas o terceirão é dela, sim

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* Na semana passada nosso primeiro lugar foi talvez um dos trabalhos mais pop da nossa história, né, Pabllo? Nesta semana aqui, jazz e música de improviso fazem um dobradinha no topo da nossa lista. É o universo reequilibrando as coisas. Pode reclamar, a gente esquece muita coisa, não dá conta de outras, mas não damos margem para dizerem que nós não tentamos escutar um pouco de tudo de lindo que é feito neste país hoje em dia na música, para criar nossa radiografia do que acontece de melhor por aí, hein? Dito isso, toma esta!

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1 – Amaro Freitas – “Sankofa” (Estreia)
Quem lê sempre nosso Top 50 já reparou que a gente ama quando o próprio músico traz palavras inspiradas sobre o que pensou para a canção em destaque. Parece um passo lógico, mas não é todo mundo que se arrisca a pelo menos traçar uma linha sobre o que acabou de entregar. O Amaro Freitas, pianista de Recife, por sua vez, escreveu bastante e bem sobre sua proposta no álbum “Sankofa” e a gente pirou na ideia: “Trabalhei para tentar entender meus ancestrais, meu lugar, minha história, como homem negro. O Brasil não nos disse a verdade sobre o Brasil”. A expressão “sankofa” é justamente sobre esse tipo de processo, visitar o passado para possibilitar novas compreensões e futuros. Uma busca, que como revela Amaro, apresenta as inconsistências do que temos em nossas mãos atualmente. Muita coisa foi contada errado, muita coisa foi apagada e isso é um dos motivos de termos problemas de imaginar futuros novos. Sem dúvida, um mundo trilhado por esse álbum de Amaro não dá chance para fascistas, por exemplo. Essa é a energia aqui.

2 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (Estreia)
Quem já viu uma sessão de improviso do Rodrigo Brandão sabe a força que reside ali. Força de inspiração e criação afiada de um dos principais MCs da música brasileira faz tempo. Seu segundo trabalho solo é mais uma experimentação nesse sentido de composição em tempo real tocada por Marshall Allen, líder da Sun Ra Arkestra, com participação de um timaço de músicos nacionais (Tulipa Ruiz e Juçara Marçal, os saxofonistas Thiago França e Thomas Rohrer, o percussionista Paulo Santos (Uakti) e mais um par de integrantes do Hurtmold, Guilherme Granado e Marcos Gerez), além de três membros da Sun Ra (Knoell Scott, o brasileiro Elson Nascimento, e Danny Ray Thompson). Este álbum foi gravado em 2019, mas chega agora em 2021. Aguardemos.

3 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (1)
Ao optar em reler clássicos do tecnobrega e do forró que foram a trilha de sua adolescência em um contexto que respeita os gêneros e ainda absorve elementos da música pop atual, Pabllo enriquece sua já boa mistura e aproxima seu trabalho das experiências de hyperpop tocadas por artistas como Sophie e Charlie XCX. É uma inversão inteligente do senso comum que ronda o pop nacional. Em vez de deixar o pop mundial informar a música brasileira, aqui a música brasileira informa o pop do planeta. Não é um movimento simples, não. O Primavera Sound vai ver só.

4 – 2DE1 – “Emersão” (2)
Emersão, segundo um dicionário online, é tanto o movimento de um corpo que sai de um fluido no qual estava mergulhado quanto a reaparição de um astro que eclipsara. Significativo que esse seja o som de uma retomada após um relativo silêncio. E, bom, basta reparar na letra para sacar que a intenção dos gêmeos Fernando e Felipe Soares passa por uma aceitação de si mesmo e de assumir uma luta para alterar os aspectos que estão danificando o universo ao redor.

5 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (Estreia)
Em seu belo novo trabalho, Marisa escolheu uma coleção de velhas e novas parcerias. Ao lado de figuras batidas, como Nando Reis e Arnaldo Antunes, aparecem agora nomes como Chico Brown, Marcelo Camelo e os irmãos Silva, Lucas e Lúcio. Conectado com a obra de Marisa em uma esfera bem próxima (Silva dedicou um disco às canções dela), parece lógico que a parceria Silva/Marisa soe tão bem e seja a música que mais chame a atenção em uma primeira edição. “Totalmente Seu” é nível hit da Marisa que pode tocar por um ano, fácil fácil, em rádios e novelas.

6 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (Estreia)
Vício é foda. Bebida, cigarro, um relacionamento. Letrux acerta um monte em resgatar essa letra escrita em 2013 e que seguiu tão boa ao longo destes anos. Como ela bem escreveu, ali foi o começo do fim do mundo. Não? Pela promessa, esse single é a abertura de uma série de mais três lançamentos individuais.

7 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (Estreia)
Parte do seu álbum mais recente, “III”, Giovanna resolveu expandir a música “Rosalía” em um single que reapresenta sua bela música acompanhada de uma versão demo e outra que é descontrução da própria canção, indo atingir com ela um outro gênero. Se entendemos bem, isso é o que costumávamos ter com um bom lançamento de single.

8 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (Estreia)
A dupla sergipana Gabriel Galvão e Alexandre Damasceno segue a apresentação da piração que veremos em seu álbum “Memorandos”. Que a gente, não sei se eles repararam, adivinhou o nome por aqui quando achou uma mensagem cifrada em morse no Bandcamp da banda. Ninguém valoriza nossos momentos de Sherlock?

9 – Nill – “Singular” (3)
Participação da Ana Frango Elétrico, sample do Paramore. Que som que o Nill lançou aqui para abordar as questões e inseguranças de dentro da sua mente. E a faixa é tão curtinha que pede por uns três replays a cada escutada.

10 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (4)
E, por falar na Ana, um elogio a ela aqui por soltar um vídeo para um som seu do “distante” 2019. Esse jeito de trabalhar um álbum em slow motion é um ajuda e tanto para nós, jornalista, sobrecarregados por tanta coisa a escutar. Mirem-se no exemplo.

11 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (5)
12 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (6)
13 – Bonifrate – “Cara de Pano” (7)
14 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (8)
15 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (9)
16 – Nelson D – “Algo Em Processo” (10)
17 – Ella from the Sea – “Lonely” (11)
18 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (12)
19 – GIO – “Joias” (13)
20 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (14)
21 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (15)
22 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (16)
23 – Bonifrate – “Casiopeia” (17)
24 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (18)
25 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (19)
26 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (21)
28 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (22)
29 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (23)
30 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (24)
31 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (25)
32 – Supervão – “Amiga Online” (26)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (28)
34 – Jadsa – “Mergulho” (29)
35 – Mulungu – “A Boiar” (30)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (31)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (32)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (33)
39 – Zé Manoel – “Como?” (35)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o pianista pernambucano Amaro Freitas.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Edgar troca o topo com a Tuyo. Giovanna Moraes segue no baile. Supervão deixa tudo ácido

1 - cenatopo19

* A gente avisou que isso ia rolar. Semana passada a dobradinha do topo foi Tuyo e Edgar, que lançaram dois álbuns grandiosos da nossa CENA. Desta vez é Edgar e Tuyo. Simplesmente porque não paramos de escutar essa dupla – de discos tão diferentes e com uma mesma energia e recado, é só buscar que acha. Mas lógico que a semana teve outros lançamentos e a gente mais uma vez conseguiu reunir as novidades que mais nos interessaram – em uma semana bem experimental da nossa parte, digamos.

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1 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (Estreia)
Semana passada ele ficou em segundo e agora é hora de celebrar o topo do pódio. Resolvemos destacar um outro som desta vez, a excelente “A Procissão dos Clones”, que é interessante pelo ritmo que Edgar opta em jogar os versos, sem grandes variações melódicas, como um mantra só que sem a repetição de palavras – seria um antimantra? Por aqui Edgar despeja seu pedido para que resolvemos tomar alguma atitude frente a destruição de tudo que nos cerca. Vamos escolher uma cela maior ou destruir essa prisão?

“Um desastre ecológico
É a última opção
Pro ser humano perceber quão metódico
Virou a obsessão de expandir a sua jaula
Ao invés de fugir do zoológico
Não troque a sua cela
Por outra cela mais bonita”

2 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (Estreia)
Ainda estamos apaixonados pelo disco da Tuyo e resolvemos destacar outra música. Semana passada foi “O Jeito É Ir Embora”. Nesta semana é a experimental “Toda Vez Que Eu Chego em Casa”, uma colaboração com o ótimo Jonathan Ferr que constrói uma longa e deliciosa track que passeia por simples dois versos. Sentimentos de aconchego e de um certo desnorteamento se encontram por aqui. Sabe aquele papo de “me perdi tentando me encontrar”?

3 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (3)
“Baile de Máscaras” é uma das ótimas músicas do disco “III”, algo entre um EP e um álbum (miniálbum?) que a cantora e multiinstrumentista e atriz de vídeo e editora de vídeo lançou em março. Agora a canção surge em versão single com direito a uma música inédita e a versão instrumental, um jeito de oferecer um novo olhar complementar para a gravação. Retomada de proposta interessante para single, perdida nos tempos de streaming. Fora o vídeo, lindaço.

4 – Supervão – “Amiga Online” (Estreia)
A excelentíssima banda gaúcha Supervão, que derivou da psicodelia para a eletrônica nervosa atual, outras viagens, segue nessa toada neste delicioso acid house pendendo muito ao techno às vezes. Eles juram que a música tem uma estrutura indie ali, nos vocais e nas guitarras. A gente está procurando há uma semana esses traços. Vamos escutar mais uma vez para ver se rola.

5 – Djonga – “Easy Money” (Estreia)
Ainda que tenha recém-lançado um disco, Djonga acerta neste single de uma inédita que parece uma boa tiração de onda com o sucesso que não cabia no conceito do álbum – lançar singles logo após um álbum todo parece ser uma tendência no rap nacional, não sabemos o motivo. Uma música divertida para tempos complicados, aqui Djonga celebra consciente de que essa vitória é só um capítulo de um plano maior em sua cabeça, até porque o sucesso não é um bom medidor dessas conquistas, dado que é passageiro.

6 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (Estreia)
Grande caçador das batidas perfeitas, o beatmaker, DJ, instrumentista e engenheiro de som Master San reúne em “Soul Quantize” 34 faixas inéditas trabalhadas em cima de bases de hip hop. As construções em cima de pedaços reconhecíveis de outros sons pede uma imersão. É um prazer tentar adivinhar de onde vem cada elemento. Que de vez em quando tem algumas pistas bem curiosas. Ou precisamos contar de onde ele pega alguns sons de “Intergalatica”?

7 – CESRV – “Soundbwoy Champion” (Estreia)
E, por falar em caçadores das batida perfeita, temos nosso querido Cesinha em sua contínua busca. Neste EP, um dos nossos beatmakers mais presentes no Top 50 da CENA investiga um pouco do UK Garage, uma de suas linhas de pesquisa. Em quase meia hora, CESRV arquiteta quase um doutorado no assunto.

8 – Taco de Golfe – “Pessoa Que Fala” (Estreia)
Por aqui o trio instrumental formado por Alexandre Damasceno e Gabriel Galvão segue sua loucuragem instrumental. No Bandcamp a música veio acompanhada de um código misterioso. A gente colocou a mensagem cifrada em um site que lê código morse e veio a palavra “Memorando”. Será que é alguma dica?

9 – Jonathan Ferr – “Amor” (4)
Chamou nossa atenção a participação do Jonathan no disco da Tuyo e fomos ver o que ele andava fazendo. E não é que ele lançou um disco ao mesmo tempo que a banda parceira? Um senhor álbum, diga-se, quase todo instrumental e ao piano, chamado “Cura”. Uma obra belíssima para escutar de ponta a ponta, dada a profunda conexão entre cada faixa. Pode ser um pouco desafiante se dedicar a um disco mais experimental assim, mas acredite na gente. Vale cada segundo.

10 – Jadsa – “Mergulho” (5)
A gente já celebrou tanto o álbum “Olho de Vidro” da Jadsa por aqui, mas sempre é bom reforçar nosso gosto por esse trabalho da guitarrista baiana. Agora que ela lançou um vídeo para este som que abre o disco, a gente achou a desculpa perfeita para trazer ela de volta às primeiras colocações do nosso Top 50.

11 – Mulungu – “A Boiar” (6)
12 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (7)
13 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (8)
14 – GIO – “Nebulosa” (9)
15 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (10)
16 – BK – “Dinheiro, Poder, Respeito” (11)
17 – Jomoro e Karina Buhr – “Saudades de Lá” (12)
18 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (13)
19 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (14)
20 – Zé Manoel – “Como?” (15)
21 – Os Amantes – “Linda” (16)
22 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (17)
23 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (18)
24 – Rodrigo Amarante – “Maré” (19)
25 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (20)
26 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (21)
27 – Anitta – “Girl from Rio” (22)
28 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (23)
29 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (24)
30 – Salma e Mac – “Amiga” (25)
31 – Yung Buda – “Digimon” (26)
32 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (27)
33 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (28)
34 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (29)
35 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (30)
36 – FEBEM – “Crime” (31)
37 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (32)
38 – Boogarins – “Supernova” (33)
39 – Moons – “Love Hurts” (34)
40 – BaianaSystem – “Brasiliana” (35)
41 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (36)
42 – Jair Naves – “Vai” (37)
43 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (38)
44 – Yannick Hara – “Raça Humana” (40)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (41)
46 – FBC – “Gameleira” (42)
47 – Mbé – “Aos Meus” (43)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (44)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (46)
50 – Ale Sater – “Peu” (47)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do rapper paulista Edgar.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Taco de Golfe faz “lyric video” para música instrumental. Veja e ouça “Pessoa Que Fala”

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Captura de Tela 2021-06-09 às 9.16.33 AM

* Um dos grandes nomes do indie instrumental brasileiro, a banda sergipana Taco de Golfe acaba de lançar a inédita “Pessoa Que Fala”, que já aponta um caminho para seu próximo álbum, “Memorandos”, o terceiro deles e o primeiro pelo selo de qualidade indie Balaclava Records.

Um título desse para uma banda de tal gênero causa espécie. “Pessoa Que Fala”, o single, vem até com um “lyric video”, para essa canção instrumental que já mostra a variação musical que o hoje duo quer trilhar. Fora o “discurso” sem dizer uma palavra.

“Na minha cabeça o álbum será bastante ‘eclético’, explorando esse universo expandido que pode ser o jazz/math/post rock”, fala Alexandre Damasceno, o baterista, que toca o Taco agora com Gabriel Galvão, o guitarrista.

“Eu e Gabriel passamos a morar juntos. Aí veio a entrada na Balaclava e a posterior saída de Filipe [Williams, baixista]. Nos vimos em um momento completamente inédito com relação a quase tudo que envolve a banda. Tudo parece tão à flor da pele, automático, instantâneo tanto externamente como internamente, passamos o dia com a sensação de fazer tudo e fazer nada ao mesmo tempo. E tudo fica mais complicado quando moramos em um lugar que, atualmente, não nos dá perspectiva nenhuma de outros caminhos. Isso não é um fatalismo desesperançoso, porém. É até o contrário: tá, e agora? A partir disso, o que podemos fazer? O certo é que devemos fazer algo”, diz Alexandre, a pessoa que fala pelo Taco de Golfe, que eu si não diz nada, mas diz muita coisa.

Bom, hora de parar as divagações e mostrar o vídeo. Mas, antes, a última graça: o “vocalista” de “Pessoa Que Fala”, do vídeo do Taco de Golfe, é o Jonta Oliveira, cineasta/escritor artista transgressor de Aracaju.

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Melhores discos do ano da POPLOAD, nacional: praticamente um empate triplo, mas a baiana Luedji Luna ficou em primeiro

1 - cenatopo19

* A primeira coisa que me chamou a atenção na hora de decidir quais discos nacionais iam entrar no meu top 10 em particular, quando o comparei com o de álbuns internacionais, foi que eu ia ter que sacrificar mais discos da CENA brasileira em razão de escolher dez do que os álbuns gringos que eu deixei de fora.

Disse isso na edição que foi ao ar hoje do Popcast, o Podcast da Popload, apresentado por mim e pela minha fiel escudeira indie Isadora Almeida.

Nunca tinha me ocorrido isso em mil anos de Popload e rankings e escolhas. A CENA brasileira, claramente, e tendo meu humilde exemplo como… exemplo, está num tamanho gigantesco invejável para qualquer cena do planeta. Apesar de 2020 ter sido um ano tão desgraçado em vários níveis desta mesma CENA.

Doeu bastante em mim fazer este top 10, doeu também na Isadora, soube que doeu também para a semiload Dora Guerra. Deve ter doído bastante para o Vinicius “Top 50” Felix, que demorou demaaaaais para largar suas dez escolhas. Só o poploader Fernando Scoczynski estava tranquilão com a lista dele, que era “Bebel Gilberto mais 9”.

Seguindo o exemplo da nossa postagem de ontem sobre os discos internacionais, se a gente pegar as cinco listas de melhores álbuns de 2020 aqui, chacolhar, misturar, jogar para cima e ver o que bate, o que coincide ou o que maaaais coincide, no posto de álbum do ano segundo as contas da Popload quase deu um empate triplo.

Mas a cantora baiana Luedji Luna, com seu “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”, acompanhou as tendências e foi eleito por aqui o melhor disco do ano da CENA. Muito perto, empatados, os discos da paulistana Jup do Bairro e do pernambucano Zé Manoel acabaram em segundo. O álbum carioca do Thiago Nassif ficou em quarto. O “disco de ideias” dos goianos do Boogarins pegou o quinto lugar. Repara na riqueza geográfica desta CENA.

Captura de Tela 2020-12-18 às 5.17.52 PM

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** Lúcio Ribeiro

1. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
2. Boogarins – “Manchaca Vol. 1”
3. Thiago Nassif – “Mente”
4. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
5. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
6. Vivian Kuczynski – “N Entendi ND”
7. Chuck Hipólitho – “Mais ou Menos Bem”
8. Giovanna Moraes – “Rockin’ Gringa”
9. Carne Doce – “Interior”
10. Supervão – “Depois do Fim do Mundo”

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** Isadora Almeida

1. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
2. Fleezus, Febem e CESRV – “Brime”
3. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
4. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
5. Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II”
6. BK – “O Líder em Movimento”
7. Thiago Nassif – “Mente”
8. Carabobina – “Carabobina”
9. Fabiano do Nascimento – “Prelúdio”
10. Boogarins – “Manchaca”

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** Vinicius Felix

1. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
2. Marabu – “Fundamento”
3. Kiko Dinucci – “Rastilho”
4. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
5. Mateus Aleluia – “Olorum”
6. Mahmundi – “Mundo Novo”
7. Rico Dalasam – “Dolores Dala Guardião do Alívio”
8. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
9. Pabllo Vittar – “111”
10. Vovô Bebê – “Briga de Família”

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** Dora Guerra

1. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
2. Thiago Nassif – “Mente”
3. Kiko Dinucci – “Rastilho”
4. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
5. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
6. Marcelo D2 – “Assim Tocam os Meus Tambores”
7. Boogarins – “Manchaca Vol. 1”
8. Letrux – “Letrux aos Prantos”
9. Iza Sabino e FBC – “Best Duo”
10. Carabobina – “Carabobina”

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** Fernando Scoczynski Filho

1. Bebel Gilberto – “Agora”
2. Sepultura – “Quadra”
3. Carne Doce – “Interior”
4. Giovanna Moraes – “Direto da Gringa”
5. Mahmudi – “Mundo Novo”
6. Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II”
7. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
8. Deafkids & Petbrick – “Deafbrick”
9. Letrux – “Letrux aos Prantos”
10. Chuck Hipólitho – “Mais ou Menos Bem”

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** Tallita Alves

1. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
2. Letrux – “Letrux aos Prantos”
3. Pabllo Vittar – “111”
4. Mahmundi – “Mundo Novo”
5. Linn Da Quebrada – “Pajubá Remix II”
6. Giovanna Moraes – “Rockn’ Gringa”
7. Marcelo D2 – “Assim Tocam os Meus Tambores”
8. Silva – “Cinco”
9. Vivian Kuczynski – “N Entendi ND”
10. Boogarins – “Manchaca Vol. 1”

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TOP 50 DA CENA – Calma, nada. O jeito é ser estranho. Negro Leo, Thiago Nassif, Jup do Bairro, Tuyo… Que cena legal e fora da curva a gente tem

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* Na nossa mutante CENA independente musical brasileira, nesta semana sai a calmaria e entra a esquisitice, a estranheza. Ou, vai, o experimentalismo.
E, óbvio, isso vem da cena carioca. Ou dos agregados ao Rio de Janeiro musical. Que momento!
E essa representatividade toda de Negro Leo e Thiago Nassif, no caso, quando junta variações incríveis e diferentes entre si como Jup do Bairro, Gustavo Bertoni, Tuyo, Nevilton, Francisco, entre outros, dá um preciso recorte do que pode esta CENA.
Faz todo o sentido ler sobre isso abaixo. Mas faz mais ainda ESCUTAR tudo isso, na nossa playlist. Porque, não cansamos de repetir, no fim, este “ranking” é só e somente só sobre essa playlist.

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1 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (Estreia)
Destacar uma música do novo álbum do Negro Leo é só uma formalidade para avisar: ouça este disco todo. Uma obra experimental que versa sobre o lacre, uma espécie de praga dos nossos tempos com enormes consequências políticas, sociais, sentimentais. Como essa forma de lidarmos com nós mesmos e com o mundo se conecta com as coisas mais zoadas que estão por aí? E achamos um barato que as músicas mais pop do disco são as instrumentais… Não que isso signifique algo – ou será que significa? Essa cena do Rio…
2 – Thiago Nassif – “Voz Única Foto Sem Calcinha” (Estreia)
Thiago Nassif é mais Rio de Janeiro na lista. Mais Negro Leo, que participa do disco, ao lado de nomes como Ana Frango Elétrico, Arto Lindsay, Vinicius Cantuária. Essa que escolhemos lembra os discos do Caetano com a banda Cê? Thiago parece pegar aquela vibe onde Caetano deixou. E aproveitamos e matamos a saudade da voz da Ana Frango em uma inédita. Essa cena do Rio…
3 – Jup do Bairro – Pelo Amor de Deize (3)
Aí vem a Jup e joga a CENA para o alto. Esta roqueira parceria de Jup do Bairro e Deize Tigrona, que descobrimos ser (também) uma grande roqueira, estremece. Além da pancada sonora, ela pega firme em mostrar a profunda amizade de Jup e Deize, que ultrapassa os momentos complicados, como o da depressão de Deize. Ou da propria Jup. Vai, levanta!
4 – Tuyo – “Sem Mentir” (Estreia)
Quem associa o Tuyo ao fofo folk neo pop brasileiro ou algo assim vai se surpreender com essa balada pop eletrônica apocalíptica. O velho mundo acabou, vida longa ao novo mundo.
5 – Francisco – “Vitória-Rege” (Estreia)
Produção pop e acertadíssima da young Vivian Kuczynski, aqui em um dos som mais legais do álbum do Francisco, um de seus melhores amigos. O refrão “Você me fodeu/ Mas se esqueceu/ Que eu queimei as rosas/ Que você nunca me deu” é bom demais e a quebra de expectativa que rola no final da música é coisa de quem sabe muito bem o que quer do próprio som. Demais.
6 – Nevilton – “Irradiar” (1)
Uma delicada canção sobre amor e sobre o agora. Nevilton pega os sentimentos da quarentena e lança essas sensações e mensagens em uma fineza de música. Esse sabe o melhor caminho de criar belezas com seis cordas.
7 – Gustavo Bertoni – “Sit Down, Let’s Talk” (2)
Doeu tirar do ranking a música anterior do scaleno Gustavo, a bela “Waves”, para botar outra mais bela ainda, essa que propõe dar uma sentadinha, respirar, para então conversar. Os tempos estão tão loucos que esse sussurrado pedido de auto-reflexão, acompanhado por um violão bem dedilhado e um sotaque (inglês) bonito vem bem a calhar.
8 – Wado – “Arcos” (Estreia)
Quais são suas lembranças da infância? O que muda nessas lembranças ao longo do tempo? Wado aborda essa questão das memórias e nossa relação com elas ao longo do tempo em uma faixa ao violão. Bonito demais. Esta aqui entra na nossa playlist massa na quinta-feira, quando a música sair às plataformas.
9 – Amen Jr. – “Ladeira Abaixo” (Estreia)
Para variar, puro suco de anos 80 esse single do sempre bom Amen Jr., quarteto de Brasília. Mais que anos 80: soa São Paulo vanguarda da época esse som. Embarque na nostalgia, às vezes do que nem viveu, que acho que é o caso do Amen Jr. Que idade eles têm?
10 – Vella – “Delírio Besta” (Estreia)
Interessante o novo projeto de Felipe Vellozo, ser indie onipresente por trabalhos no Bilhão, Século Apaixonado, Duda Beat, Mahmundi. E agora, enfim, só. Assumindo suas decisões, como diz. “Delírio Besta” tem a letra valorizada pelo arranjo delicado, mas cheio de pequenos detalhes. Ela é tão curtinha e boa que pede uma repetição. E a cada audição novos detalhes aparecem. Coisa de quem sabe fazer, hein.
11 – Jay Horsth – “Você” (Estreia)
12 – Karol Conka – “Tempos Insanos” (4)
13 – Jadsa – “Quietacalada” (5)
14 – Hiran – “Gosto de Quero Mais” (6)
15 – Vitreaux – “Meia Luz” (7)
16 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (13)
17 – Fresno – “Broken Dreams” (9)
18 – 1LUM3 – “Extremo” (10)
19 – The Baggios – “Quareterna Serigy” (11)
20 – ATR e Luedji Luna – “Batom” (12)
21 – JP – “Chorei Dendê” (8)
22 – Antiprisma – “Lunação” (14)
23 – Nelson D. – “A Grande Revolta” (15)
24 – Tássia Reis – “Me Diga” (16)
25 – Supervão – “Depois do Fim do Mundo” (17)
26 – Rohmanelli – “Do Jeito Que o Mundo Está” (18)
27 – Marcelo Perdido – “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” (19)
28 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” – (20)
29 – Duda Brack – “Contragolpe” (21)
30 – Compositor Fantasma – “Não Sabendo Que Era Impossível” (22)
31 – Don L – “Kelefeeling” (25)
32 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (28)
33 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (30)
34 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (31)
35 – TARDA – “Breath” (33)
36 – ÀIYÉ – “Pulmão” (34)
37 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (36)
38 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (37)
39 – Edgar – “Carro de Boy” (38)
40 – Douglas Germano – “Valhacouto” (39)
41 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (40)
42 – Kiko Dinucci – “Veneno” (41)
43 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (42)
44 – Jhony MC – F.A.B. (43)
45 – Cícero – “Às Luzes” (44)
46 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (45)
47 – Djonga – “Procuro Alguém (46)
48 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (47)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (48)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o cantor e compositor maranho-carioca Negro Leo.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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