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TOP 50 DA CENA – O que está acontecendo? Outro índio entra em primeiro. Agora temos dois músicos indígenas, um compositor fantasma e um mascarado no topo. E a Karen Jonz

1 - cenatopo19

* Que coisa mais incrível é a CENA brasileira atual. Na semana passada, um rapper indígena saindo de uma tribo da periferia de São Paulo chapou o primeiro lugar do nosso ranking com um hip hop emocionante versado em tupi-guarani.
Nesta semana, um outro índio brasileiro com uma trajetória bem diferente pega para ele o topo deste Top 50, com um admirável som de base eletrônica em direção a uma redescoberta de sua origem. Ou do que fazer de bom com a musicalidade dela.
Quem me avisou desse disco peculiar de um tribal de Manaus que foi adotado por italianos, teve educação artística europeia e volta ao Brasil para trabalhar nos últimos anos suas ancestralidades sonoras foi ninguém menos que Iggor Cavalera, lá de Londres, que em áureos tempos de Sepultura já se envolveu com indígenas para fazer o melhor disco de sua famosa ex-banda.
Olha as voltas que esta CENA dá.
E, veja, a semana está especialmente incrível e temática por aqui, se jogarmos uma luz apenas nos dez primeiros deste ranking. Tem dois índios, tem compositor fantasma, tem cantor mascarado, tem um músico que de perdido só tem o nome, tem a estreia da Karen Jonz no nosso Top 10.
E, claro, tem ela, a razão de tudo. Uma linda playlist com as 50 músicas da semana escolhidas por nós, na humildade. E na diversidade.

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1 – Nelson D. – “A Grande Revolta” (Estreia)
Nelson D é DJ e produtor de certa rodagem já, mas de pouco tempo para cá quis assumir um protagonismo musical como cantor. A base sonora é o que aprendeu na Europa, onde viveu e estudou. A alma sonora é a que nasceu: a de índio. Soltou agora em maio seu primeiro álbum, “Em Sua Própria Terra”, disco que propõe o que ele chama de Futurismo Indígena. David Bowie ficaria feliz ouvindo “A Grande Revolta”.
2 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Forest Warrior)” – (1)
Kunumi MC é o nome artístico de Werá Jeguaka Mirim, índio de uma aldeia em Parelheiros, zona sul de São Paulo, a Krukutu. Ele é o primeiro rapper solo indígena do Brasil. Sua nova música fala sobre um guerreiro que nascerá das águas e “levará o seu povo a uma nova existência” após os anos de tanta exploração dos homens brancos. E, para além dos conceitos oportunos, que música emocionante!
3 – Compositor Fantasma – “Não Sabendo Que Era Impossível” (Estreia)
O alter-ego do produtor musical Gabriel Serapicos revive as músicas de “um compositor que desapareceu deixando para trás incontáveis letras e partituras”. Tem poucos dias que ele lançou a ótima “Não Sabendo Que Era Impossível”. Vale reparar no trecho: “Você se convenceu das melhores intenções de um canibal”.
4 – ABC Love – “Flertes” (Re-estreia)
A deliciosa “Flertes” retorna a nossa parada por ser um dos destaques do EP “Back to Love”, lançado na semana passada. É a fase de Gevard du Love que agora quer recriar o lance de joguinhos amorosos de verão carioca dos anos 80, aqui com vocais emprestados de Gab Ferreira e Yma. Bom ter você de volta, Flertes.
5 – Marcelo Perdido – “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” (Estreia)
Perdido e seu single “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” adiantam o primeiro lançamento de um tal de selo CENA. Será que é isso que você pensou? Leia mais a Popload, se estiver em dúvida. Por enquanto, olho nessa canção bem bonita com um vídeo “premonitório” idem. Na playlist, ela entra sexta-feira, quando será lançada.
6 – Karen Jonz – “O Grande Excesso” (Estreia)
O EP solo de Karen Jonz que sai na sexta-feira é uma mixtape e tanto. Quase dez minutos de músicas bem conectadas, escritas durante sua quarentena. Fiquemos com “O Grande Excesso”. Na playlist, entra sexta-feira, quando será lançada.
7 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (24)
Olha quem também voltou às dez mais, à luz do lançamento do álbum cheio. Uma das nossas favoritas, é a união de Jup do Bairro, Rico Dalasam e Linn Da Quebrada, que vem a ser o tipo de feat que queríamos que fosse mais de uma música. E os versos “Vou colocar uma música/ espero que não se importe/Vamo ouvir Sampa Crew/ talvez Bjork?” já estão na história.
8 – Don L – “Kelefeeling” (2)
Don L não quer só mudança. Esqueça o abstrato. Ele propõe a mudança. É a mudança. A vida é a obra, certo? Em um verso livre, opta em não repetir vícios até na forma de organizar a letra no Rap Genius, na escolha dos produtores, de quem faz o vídeo. O novo jogo não pode contar com as velhas regras, talvez nem ser chamado de jogo. No limite da contradição, ele deve estar certo. Kelefeeling de volta.
9 – Thunderbird – “A Obra” (3)
Parece Morphine cantado por um adolescente louco. E talvez esssa afirmação seja mais literal do que parece. Afinal, estamos falando do querido Luiz Thunderbird, eterno ex-VJ, já eterno agitador das várias mídias novas. Das almas mais apaixonadas por música. seja falando sobre ou aqui, em plena ação. Sabedoria e punk rock em doses corretas faz muito bem. E um disco inteiro ainda está por sair. Oba!
10 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (4)
Em seu mais recente disco, Marcela Mahmundi encontra em velhos timbres um som que é totalmente novo. Seja para ela, seja para o mundo. Novo mundo. O que é o violão dessa faixa? Gravado em fita, ele transporta a gente aos anos 60, 70, enquanto todo o resto nos deixa em 2020. E bem acompanhados por Mahmundi, arrepiando em termos de voz e letra. Uau!
11 – Sessa – “Sereia Sentimental” (22)
12 – Mulungu – “No Ar” (5)
13 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (6)
14 – Jair Naves – “Irrompe” (7)
15 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (8)
16 – Black Pantera – “I Can’t Breath” (9)
17 – Paulo Nazareth e Nic Medeiros – “A Volta Que o Mundo Deu” (Estreia)
18 – TARDA – “Breath” (10)
19 – ÀIYÉ – “Pulmão” (11)
20 – Silva – “Aquele Frevo Axé” (ao vivo) (12)
21 – Vanguart – “Encontro Adiado” (13)
22 – As Bahias e a Cozinha Mineira – “Forasteira” (14)
23 – Wado – “Nina” (15)
24 – The Raulis – “Distante Desejo” (16)
25 – Lila – “Lunação” (17)
26 – Arthur Melo – “Tempo Após um Contratempo” (20)
27 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (23)
28 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (25)
29 – Carne Doce – “A Caçada” (26)
30 – Tagua Tagua – “Inteiro Metade” (27)
31 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (29)
32 – Tagore feat. Boogarins – “Drama” (30)
33 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (31)
34 – Edgar – “Carro de Boy” (32)
35 – Douglas Germano – “Valhacouto” (33)
36 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (37)
37 – Kiko Dinucci – “Veneno” (38)
38 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (39)
39 – Duda Brack – “Pedalada” (40)
40 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (35)
41 – Rohmanelli – “Toneaí” (41)
42 – Jhony MC – F.A.B. (42)
43 – Cícero – “Às Luzes” (43)
44 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (44)
45 – Djonga – “Procuro Alguém (45)
46 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (46)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
48 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (48)
49 – Troá! – “Bicho” (49)
50 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico e produtor indígena Nelson D.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Choque de psicodelias faz Tagore produzir vídeo para deslizar no tempo. Tipo isso

1 - cenatopo19

* Tenho notado uma intervenção musical dos Boogarins na CENA brasileira. É o Benke produzindo outra galera, o Dinho tocando por aí, a banda assinando colaboração acolá.

Desta vez temos o talentoso músico pernambucano Tagore (foto abaixo) utilizando os serviços guitarrísticos e vocais de Dinho Almeida em faixa que prepara a chegada de seu novo álbum, “Maya”, já pronto e com previsão de lançamento para algum momento mais tranquilo do segundo semestre, se é que teremos (o momento, não o disco).

Tagore - crédito Bruna Valença 1

A música em questão é “Drama”, que já rola bem em Top 50s por aí faz um mês, já chegando ao segundo lugar até. Mas agora ganhou um vídeo lyric animado. Sim, de animação. E futurística ainda por cima.

“Drama”, a música, tem além de Tagore (na voz, violão e guitarra) e Dinho as presenças musicais de João Cavalcanti (baixo e synth) e Pupillo (bateria e percussão). Inclusive Pupillo é o produtor de “Maya”.

“No vídeo, o viajante cósmico desliza sobre o tempo em sua bolha etérea”, diz Tagore, tentando explicar a viagem.

O que a gente vem dizendo sobre a música é que a parceria do Tagore com o Dinho, num encontro de psicodelia geográfica, deu jogo. A canção pega de cara de tão boa. Tem uma clima meio jovem guarda encontra ela, a psicodelia. Carregada no som, mas a mensagem soa clara como música pop das mais limpinhas. Até numa animação futurística desta:

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* As fotos de Tagore usadas para este post são de Bruna Valença.

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Top 50 da CENA – Olha o Rico Dalasam mudando nosso Top. Mudando como? E o incrível caso da música nova do Carne Doce que não foi parar no 1º lugar. Tá “só” nas “dez +”

1 - cenatopo19

* Um rapper em nova fase. Um supergrupo mineiro. Um brasileiro que está arrebentando lá fora. E pensar que quase começamos este texto com um “A semana foi fraca…”.

Que nada. Foi é pesadona. Sempre é. Sempre tem sido.

Toda vez que um artista brasileiro põe algo na rua, nos nossos ouvidos, aos nossos olhos, e principalmente em tempos como estes (juramos não estar citando aqui o Foo Fighters), é algo que acontece. ALGO, com maiúsculas. Essa é a dimensão.

E o peso dos dias que esbarram em censura, descrédito à arte e cenários gerais à deriva nos lembra de que às vezes somos mimados demais em coisas pequenas.

E aqui, na nossa gigantesca coisa pequena, não é para gostar de tudo, nem validar tudo, longe disso. Mas só aplaudir, dar vazão, dar espaço aos verdadeiros criativos, que se arriscam, que tentam, que diariamente (semanalmente, mensalmente, anualmente) mostram que esta é a CENA brasileira.

Filosofia barata à parte, a playlist é o que interessa. Sempre lá no Spotify e no Deezer. Ouça.

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1 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (Estreia)
“Mudou Como?” pode ser lida como uma música sobre um relacionamento que desandou e que ainda mexe bastante com os personagens. Quando Rico avisa que a música é sobre os “trágicos efeitos da ordem colonial”, os sentido da letra se ampliam para muito além de um relacionamento qualquer. Precisamos ouvir e reouvir a música, uma produção de Mahal Pita pesadíssima. “Mudou Como?” será lançada na quinta-feira e entra direto na nossa playlist.
2 – TARDA – “Breath” (Estreia)
Sara Não Tem Nome, Júlia Baumfeld, Victor Galvão, Paola Rodrigues e Randolpho Lamonier formam este belo supergrupo de poucas canções lançadas, mas de ótimas canções lançadas. “Breath” é pura delicadeza e realmente serve de respiro no aperto em dias complicados. Sabe quais? “Breath”, por enquanto, está só no Youtube.
3 – Sessa – “Sereia Sentimental” (Re-Estreia)
Música resgatada “detected”. Sessa vem conquistando um espaço e tanto. Show para uma rádio em Los Angeles, show no maravilhoso site de shows francês La Blogothèque. Daqui ficamos orgulhosos e levantamos a plaquinha “Nós Já Sabíamos”.
4 – ABC Love – “Flertes” (1)
A deliciosa “Flertes” vai estar em “Back to Love”, o disco em forma de EP a ser lançado ainda neste ano. Se em 2017 a ABC Love retratava musicalmente uma fogosa atmosfera de pegação paulistana, “Flerte” recria o lance de joguinhos amorosos de verão carioca dos anos 80.
5 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (2)
A união de Jup do Bairro, Rico Dalasam e Linn Da Quebrada é o tipo de feat que queríamos que fosse mais de uma música. Faz um álbum aí, turma. Os versos “Vou colocar uma música/ espero que não se importe/Vamo ouvir Sampa Crew/ talvez Bjork?” já estão na história.
6 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (3)
Vivian comanda a produção e a mixagem de um som solo do líder da Scalene que a dupla escreveu junto. E mais uma vez ela deixa a gente de cara com o talento na produção e na voz. Aliás, alguém viu os covers que ela vem fazendo nesta quarentena? Seria demais pedir um EP?
7 – Carne Doce – “A Caçada” (Estreia)
Carne Doce lança single. Carne Doce entra no top 50. Não tem muita discussão. “A Caçada” segue o padrão de qualidade dos singles anteriores e tem uma letra de Salma Jô inspirada em conto homônimo da notável escritora paulistana Lygia Fagundes Telles, hoje com 97 anos. Ouça. E leia, lógico.
8 – Tagua Tagua – “Inteiro Metade” (Estreia)
Eu falo por aqui. A gente de vez em quando deixa passar altas músicas boas. É o caso desse belo single do Tagua Tagua. Saiu em março, mas chega em maio no nosso Top 50. Som imperdível e deixa a ansiedade ligada pelo disco inteiro do projeto do produtor Felipe Puperi.
9 – Meu Nome Não É Portugas e Apeles – “Eterno Azul” (Estreia)
Que som que o projeto de Rubens Adati tira no estúdio. Os instrumentos soam todos presentes na sala do ouvinte. E aqui um belo encontro com o Apeles. Conteúdo e forma em boa conjunção.
10 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (11)
O disco solo de Tatá Aeroplano exige tempo. Tempo de atenção. E aos poucos vamos sacando a obra.
11 – Tagore – Drama (6)
12 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (7)
13 – CESRV – “Cry Baby” (8)
14 – Douglas Germano – “Valhacouto” (9)
15 -Rachel Reis – “Sossego” (10)
16 – Emicida – “Who Has a Friend Has Everthing” (4)
17 – Rincon Sapiência – Quarentena (5)
18 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (12)
19 – Clarice Falcão – “Só + 6” (13)
20 – YMA – “No Aquário” (14)
21 – Database – “Mandrake (Nesta onda)” (15)
22 – Mariana Degani – “Horda Mulheril” (16)
23 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (18)
24 – Vir GO – “Lunes” (19)
25 – Gui Hargreaves – “Praia do Futuro” (20)
26 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (21)
27 – Duda Brack – “Pedalada” (22)
28 – Oblomov – “Noites Longe de Você” (23)
29 – Francisco – “Traumas” (25)
30 – Aldo – “Restless Animal” (26)
31 – Obinrin Trio – “Medo” (27)
32 – Ozorio Trio – “Get Up” (28)
33 – Cícero – “Às Luzes” (29)
34 – Leo Fazio – “Se Pá” (30)
35 – Djonga – “Procuro Alguém (31)
36 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (32)
37 – ÀIYÉ – “Isadora” (33)
38 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (34)
39 – Troá! – “Bicho” (35)
40 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (36)
41 – Papisa – “Homem Mulher” (38)
42 – Valciãn Calixto – “3R1K0N4” (39)
43 – Marietta – “Analógica” (41)
44 – Rohmanelli – “Toneaí” (43)
45 – Jhony MC – F.A.B. (45)
46 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (46)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
48 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (48)
49 – Edgar – “Carro de Boy” (49)
50 – Kiko Dinucci – “Veneno” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** A música de Rico Dalasam, nosso primeiro lugar, só entra na playlist na quinta-feira, quando será oficialmente lançada.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.
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Top 50 da CENA – Tudo o que precisamos é amor (Jup do Bairro). E flerte (ABC Love). E o Emicida rimando em inglês. E a Vivian com o Bertoni

1 - cenatopo19

* Olha. Anda difícil substituir as músicas no Top 50, viu? Na medida em que os lançamentos não param, temos um apego pelas músicas que estão na lista há semanas e decidir o que e o que saí, o que sobe e o que desce, é complicado.

Por isso, até acho bom que, quem discordar de alguma saída, argumente aí nos comentários. Porque nem a gente anda concordando com certas escolhas nossas, haha. Mas o nome é Top 50, a gente respeita o que inventou, hahaha.

E que semaninha boa de música. Se o mundo lá fora está pesado, as mentes criativas cantam sobre amor, flerte e amizade em músicas que merecem ser ouvidas repetidas vezes.

Então, por isso mesmo, toma aí no primeiro lugar uma inocente musiquinha gostosa falando sobre flerte, vinda de uma banda misteriosa com um cantor mascarado.

E a nossa playlist, ela sim firmona e bonita e segura de si, está organizada no Spotify e Deezer. Ouça tudo, comente com a gente.

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1 – ABC Love – “Flertes” (Estreia)
A deliciosa “Flertes” vai estar em “Back to Love”, o disco a ser lançado ainda neste ano. Se em 2017 a ABC Love retratava musicalmente uma fogosa atmosfera de pegação paulistana, “Flerte” recria o lance de joguinhos amorosos de verão carioca dos anos 80.
2 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (Estreia)
A união de Jup do Bairro, Rico Dalasam e Linn Da Quebrada é o tipo de feat que queríamos que fosse mais de uma música. Faz um álbum aí, turma. Os versos “Vou colocar uma música/ espero que não se importe/Vamo ouvir Sampa Crew/ talvez Bjork?” já estão na história.
3 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (Estreia)
Vivian comanda a produção e a mixagem de um som solo do líder da Scalene que a dupla escreveu junto. E mais uma vez ela deixa a gente de cara com o talento na produção e na voz. Aliás, alguém viu os covers que ela vem fazendo nesta quarentena? Seria demais pedir um EP?
4 – Emicida – “Who Has a Friend Has Everthing” (Estreia)
Emicida rimando em inglês e dando uma nova letra a “Quem Tem Um Amigo Tem Tudo”. Funciona de um jeito interessante ao repensar as rimas todas. Oito horas de live na gringa em breve pelo visto. O cara não cansa de levar o hip hop brasileiro para “outros lugares”.
5 – Rincon Sapiência – Quarentena (1)
Rincon Sapiência é dos velhos adeptos do home-office. Não faria sentido a quarentena não ter um som dele. E ele vai e faz justamente a música que leva o nome “Quarentena”. Bem ao seu modo, afiado, lotado de referências ao presente. Ouça várias vezes até captar tudo que ele joga aqui. É o mundo que em vivemos hoje milimetricamente musicado. Ou rappeado. Para ser estudada nos livros de história daqui uns anos. Perfeita.
6 – Tagore – Drama (2)
A parceria da Tagore com o Boogarins deu jogo. A canção pega de cara de tão boa. Tem uma clima meio jovem guarda encontra a psicodelia. Carregada no som, mas a mensagem soa clara como música pop das mais limpinhas.
7 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (3)
Um dos destaque do novo EP do Coruja é a romântica “Baby Girl”, que tem um beat daqueles, mas também tem um riff delicioso de guitarra. Romântica no clima, mas um tanto quanto reflexiva sobre aprender amar, entender o amor.
8 – CESRV – “Cry Baby” (4)
“Cry Baby” encontra um toque brasileiro em um sample que reconhecemos de uma música estrangeira que rolava nas rádios nos anos 80, tipo “flashback de FM”. É que o tal sample veio de um disco da banda carioca standard Cry Babies, um grupo que daria origem a Banda Black Rio e que regravou sons gringos em versões instrumentais em um disco de 1969. A música faz caminhos inusitados, não é? Quão rico é isso? Quão necessário são esses caminhos do CESRV?
9 – Douglas Germano – “Valhacouto” (5)
Aldir Blanc é das grandes perdas do ano. Relembramos o compositor versátil e afiado nesta letra incrível para um nome da CENA, que é Douglas Germano. “Valhacouto” é uma crônica sobre a violência nazista que acaba resvalando em cenas da atualidade. Passado e presente juntos em um alerta sobre o perigo que nos ronda. Prova de que Aldir seguia atento, forte e necessário.
10 – Rachel Reis – “Sossego” (Estreia)
Rachel Reis já esteve por aqui com o single “Ventilador” e volta com este hino à quarentena. Não sei se foi feito exatamente para este período, mas que se encaixa, encaixa. “Quase dá sossego / lembrar o seu abraço”.
11 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (50)
12 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (6)
13 – Clarice Falcão – “Só + 6” (7)
14 – YMA – “No Aquário” (8)
15 – Database – “Mandrake (Nesta onda)” (9)
16 – Mariana Degani – “Horda Mulheril” (10)
17 – Sara Não Tem Nome – “Agora” (12)
18 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (13)
19 – Vir GO – “Lunes” (14)
20 – Gui Hargreaves – “Praia do Futuro” (Estreia)
21 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (16)
22 – Duda Brack – “Pedalada” (17)
23 – Oblomov – “Noites Longe de Você” (Estreia)
24 – Carne Doce – “Saudade” (19)
25 – Francisco – “Traumas” (20)
26 – Aldo – “Restless Animal” (21)
27 – Obinrin Trio – “Medo” (22)
28 – Ozorio Trio – “Get Up” (23)
29 – Cícero – “Às Luzes” (24)
30 – Leo Fazio – “Se Pá” (49)
31 – Djonga – “Procuro Alguém (26)
32 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (27)
33 – ÀIYÉ – “Isadora” (28)
34 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (29)
35 – Troá! – “Bicho” (30)
36 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (31)
37 – Apeles – “Deságua” (32)
38 – Papisa – “Homem Mulher” (33)
39 – Valciãn Calixto – “3R1K0N4” (34)
40 – FingerFingerrr – “Tô Vivo” (35)
41 – Marietta – “Analógica” (36)
42 – Manaié – “Tira a Mão” (37)
43 – Rohmanelli – “Toneaí” (38)
44 – Ana Preta e Thaíde – “Não Me Leve a Mal” (39)
45 – Jhony MC – F.A.B. (40)
46 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (41)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (42)
48 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (43)
49 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
50 – Kiko Dinucci – “Veneno” (48)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o cantor mascarado da misteriosa banda ABC Love.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.
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Top 50 da CENA – E se o primeiro lugar desta semana fosse uma música chamada “Quarentena”? Mais: Tagore e Coruja BC1 voam alto nas paradas

1 - cenatopo19

* Uma música chamada “Quarentena” lidera o Top 50 na quarentena. Este dia ia chegar. O que mais podemos dizer?

Semana foi beeeeem movimentada. Muitos lançamentos de uma vez só e tentamos incluir tudo de bom a gente ouviu. Até ficou coisa de fora, inclusive umas inéditas que só nós ouvimos, porque só vão ser lançadas nos próximos dias e resolvemos não ser ansiosos e “forçar a entrada” já neste Top 50. Sim, jornalista de música tem lá seus privilégios, que merecemos, às vezes. Mas, como manda a quarentena, um dia de cada vez.

E, como manda a “Quarentena” do rapper Rincon Sapiência, é primeiro lugar.

Bem, outro problema, começa a ficar difícil tirar músicas da lista. Tem umas que queremos deixar o ano todo ali como se nada tivesse acontecido.

Bom, já sabem o resto, né? Playlist firmeza no Spotify e Deezer e os nossos espaços de comunicação todos abertos para suas sugestões. O que perdemos nesta semana? Avisa aí, por favor.

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1 – Rincon Sapiência – Quarentena (Estreia)
Rinco Sapiência é dos velhos adeptos do home-office. Não faria sentido a quarentena não ter um som dele. E ele fez justamente a música que leva o nome “Quarentena”. Bem ao seu modo, afiado, lotado de referências ao presente. Ouça várias vezes até captar tudo que ele joga aqui. É o mundo que em vivemos milimetricamente musicado. Ou rappeado. Para ser estudada nos livros de história. Perfeita.
2 – Tagore – Drama (Estreia)
A parceria da Tagore com o Boogarins deu jogo. A canção pega de cara de tão boa. Tem uma clima meio jovem guarda encontra a psicodelia. Carregada no som, mas a mensagem soa clara como música pop das mais limpinhas.
3 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (Estreia)
Coruja prevê um EP e um álbum neste ano de 2020. O EP sai nesta quarta-feira e um dos destaque é a romântica “Baby Girl”, que tem um beat daqueles, mas também tem um riff delicioso de guitarra. Romântica no clima, mas um tanto quanto reflexiva sobre aprender amar, entender o amor.
4 – CESRV – “Cry Baby” (1)
“Cry Baby” encontra um toque brasileiro em um sample que reconhecemos de uma música estrangeira que rolava nas rádios nos anos 80, tipo “flashback de FM”. É que o tal sample veio de um disco da banda carioca standard Cry Babies, um grupo que daria origem a Banda Black Rio e que regravou sons gringos em versões instrumentais em um disco de 1969. A música faz caminhos inusitados, não é? Quão rico é isso? Quão necessário são esses caminhos do CESRV?
5 – Douglas Germano – “Valhacouto” (2)
Aldir Blanc é das grandes perdas do ano. Relembramos o compositor versátil e afiado nesta letra incrível para um nome da CENA, que é Douglas Germano. “Valhacouto” é uma crônica sobre a violência nazista que acaba resvalando em cenas da atualidade. Passado e presente juntos em um alerta sobre o perigo que nos ronda. Prova de que Aldir seguia atento, forte e necessário.
6 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (3)
A parceria da Ava Rocha com a banda colombiana é daquelas combinações que ficam tão boas e naturais que deixam a gente desejando por horas aquele som. São só duas músicas lançadas, mas queremos mais e mais disso.
7 – Clarice Falcão – “Só + 6” (4)
Clarice lançou um belo vídeo para uma música que está lá no seu disco de 2019. Que visual esse vídeo tem. Encantou a gente e voltamos ao disco e à faixa. Uma belezinha de sua fase eletrônica.
8 – YMA – “No Aquário” (5)
Que bom ouvir um novo single da YMA. A letra parece prever os tempos de pandemia, sendo uma letra feita antes da atual situação. A voz, o andamento, a letra (do Lau, do Lau e Eu), a guitarrinha à lá Chris Isaac. Tudo em harmonia perfeita. E a música nem é de disco (achamos). Pertence a uma coletânea de site.
9 – Database – “Mandrake (Nesta onda)”
Quase 5 anos sem lançar nada, aos poucos o Database volta à rotina com a dupla reestabelecida de novo em São Paulo. “A ‘Mandrake’ surgiu como uma brincadeira após uma viagem para Portugal”, conta a banda, que foi atrás de fazer um som “das antigas” que estão chamando de “nu disco rap”, cantada em português. Galera da eletrônica sabe a importância, a música está entre as 100 mais vendidas do Beatport. Só vai.
10 – Mariana Degani – “Horda Mulheril”
Primeiro single do novo álbum, o segundo da carreira de Mariana Degan. Aqui ela fala sobre a conexão e a solidariedade entre as mulheres que vêm sendo construídas nos últimos anos. Nas palavras da cantora, o ambiente escuro em que se via no passado agora se apresenta como um ambiente de acolhimento, força e poder.
11 – CESRV – “Onda” (6)
12 – Sara Não Tem Nome – “Agora” (7)
13 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (8)
14 – Vir GO – “Lunes” (9)
15 – Sessa – “Sereia Sentimental” (10)
16 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (11)
17 – Duda Brack – “Pedalada” (12)
18 – YMA – “Evaporar – Ao Vivo” (13)
19 – Carne Doce – “Saudade” (14)
20 – Francisco – “Traumas” (15)
21 – Aldo – “Restless Animal” (16)
22 – Obinrin Trio – “Medo” (17)
23 – Ozorio Trio – “Get Up” (18)
24 – Cícero – “Às Luzes” (19)
25 – Boogarins – “Inocência” (21)
26 – Djonga – “Procuro Alguém (22)
27 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (23)
28 – ÀIYÉ – “Isadora” (24)
29 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (25)
30 – Troá! – “Bicho” (26)
31 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (27)
32 – Apeles – “Deságua” (28)
33 – Papisa – “Homem Mulher” (29)
34 – Valciãn Calixto – “3R1K0N4”
35 – FingerFingerrr – “Tô Vivo” (32)
36 – Marietta – “Analógica” (34)
37 – Manaié – “Tira a Mão” (35)
38 – Rohmanelli – “Toneaí” (36)
39 – Ana Preta e Thaíde – “Não Me Leve a Mal” (41)
40 – Jhony MC – F.A.B. (42)
41 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (43)
42 – Vovô Bebê – “Êxodo” (44)
43 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (45)
44 – Edgar – “Carro de Boy” (46)
45 – ANNÁ e Ilú Obá de Min – “Sobre Rosa” (47)
46 – Victorino – “Roque” (48)
47 – Valuá – “Veneno” (49)
48 – Kiko Dinucci – “Veneno” (50)
49 – Leo Fazio – “Se Pá”
50 – Tatá Aeroplano – “Alucinações”

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper paulistano Rincon Sapiência.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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