Em taxidermia:

Top 50 da CENA – Que disco é esse, Fresno? Que disco é esse, Duda Brack? E aí chega o Vuto e pá!

1 - cenatopo19

* Aqui na nosso querido ranking brazuca a gente teve semanas de olhar para artistas mais velhos. E tem semanas como esta, que está recheada de jovens artistas – Vuto, Primitivo, Gab Ferreira. E, mesmo que Fresno e Duda Beat não sejam exatamente novatos da CENA, brilha em seus trabalhos recentes um frescor e pique de quem está começando. Já se ligaram nas novidades da melhor CENA do mundo? Chega na nossa playlist.

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1 – Fresno – “Casa Assombrada” (Estreia)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

2 – Duda Brack – “Oura Lata” (Estreia)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

3 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (Estreia)
Vuto é um rapper de Salvador que a gente acabou de descobrir e já está de cara. Habilidoso na escrita, na batida e no flow. Tudo é bem original e marcante. Fiquem espertos com o som dele.

4 – Primitivo part. THC das Ruas e Camarada Janderson – “Pretos de Classe como Marighella” (Estreia)
Repara, as menções a Marighella no rap nacional explodem a partir do momento em que Mano Brown resolve dar sua versão da história do baiano. Da citações posteriores a do Brown é difícil encontra outra que honre tanto seu legado quanto a menção dessa turma, que realmente propõe uma revolução brasileira na letra. Música só no Youtube.

5 – Gab Ferreira – “Karma” (Estreia)
A vibe é quase Top 10 Gringo, mas Gab é de Santa Catarina (ou atualmente quase paulistana). “Karma” é o primeiro single de sua nova mixtape, três anos após sua estreia em “Lemon Squeeze”. Agora parte da Balaclava, um dos selos mais responsas do país, é ver o que ela vai aprontar no futuro próximo. Pelo pacote inteiro, música e vídeo, promete.

6 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (Estreia)
É muito especial o olhar bem-humorado que Serapicos traz em suas canções. Você vai se pegar sorrindo em alguns momentos tamanho acerto e verve. Aqui ele apresenta uma visão nada convencional do que seria o céu – um ambiente com péssimas condições de trabalho, uma suposta “liberdade” de imprensa e altos níveis de depressão. E o arremate é outra piada, lógico: “Só imagina como o inferno deve ser”.

7 – FBC e VHOOR – “Delírios (feat. Djair Voz Cristalina)” (1)
A sacada de usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô, que inspiraram o mineiro FBC na sua adolescência, funciona bem demais por aqui, lembrando que funk e rap tem um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos. É uma mudança na carreira do rapper e tem cara de hit daqueles que furam a bolha do gênero. A gente aposta nisso.

8 – Luiza Brina e Ana Frango Elétrico – “Somos Só” (2)
E Luiza Brina continua convidando colegas para relerem canções de sua estreia solo, “A Toada Vem É pelo Vento”, que completa 10 anos. E que parceria é esta, com a Ana Frango! Pela semelhança das vozes, até parecem que elas não são sós, mas são uma só.

9 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (3)
A grande jornalista e radialista Debora Pill escreveu sobre esse novo single de Alessandra, que antecipa seu próximo álbum, “Acesa”. “É escolha subversiva pelo sim. E pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Uau. Fica até difícil escrever algo depois disso, A potência poética de Alessandra está nessa opção por valorizar o corpo pulsante como estratégia de sobrevivência, como ela escreveu em seu Instagram. Aliás, Instagram onde encontramos outra bela frase dela: “Nesse meu corpo/ Sou quem fui e quem serei”

10 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (4)
Projeto de Jadsa e João Milet, o Taxidermia avisou que logo vem o “Outro Volume”, sequência do trabalho lançado pela dupla no ano passado. Nesse próximo disco vai ter uma faixa que chama Taxidermia e que tem uma letra em diálogo direto com este single. Seria a versão punk dela? Se a gente entendeu alguma coisa errada, João e Jadsa, avisem a gente. Em todo caso, gostamos do que ouvimos.

11 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (5)
12 – brvnks – “as coisas mudam” (6)
13 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (7)
14 – Jadsa – “Run, Baby” (8)
15 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (9)
16 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (10)
17 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (11)
18 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (15)
19 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (16)
20 – Céu – “Chega Mais” (17)
21 – Alice Caymmi – “Serpente” (18)
22 – Juçara Marçal – “Ladra” (19)
23 – Criolo – “Cleane” (20)
24 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (21)
25 – Sant – “Prantos” (22)
26 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (23)
27 – Marina Sena – “Pelejei” (24)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
29 – Liniker – “Mel” (29)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o trio Fresno.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – FBC leva o topo para o rap e para Minas Gerais. Luiza Brina “duela” com Ana Frango Elétrico. Alessandra Leão acende o novo álbum

1 - cenatopo19

* Semana de boa renovação no nosso Top 50. Ou pelo menos do top 10 dentro do Top 50. Minas, Pernambuco, Bahia, Goiás/São Paulo. Vamos passeando pelo Brasil atrás das melhores coisas que a nossa CENA anda fazendo nestes dias. E fica até a pergunta: estamos esquecendo de algum estado neste panorama semanal? Tem alguém ficando de lado? Reclamem nos comentários que vamos corrigir qualquer problema desse tipo. O país é grande e o trabalho em dupla tem suas limitações, ainda que os amigos estejam sempre escrevendo. Vamos garantir a manutenção da melhor playlist para acompanhar a CENA. Bora então para a destes últimos dias

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1 – FBC e VHOOR – “Delírios (feat. Djair Voz Cristalina)” (Estreia)
A sacada de usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô, que inspiraram o mineiro FBC na sua adolescência, funciona bem demais por aqui, lembrando que funk e rap tem um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos. É uma mudança na carreira do rapper e tem cara de hit daqueles que furam a bolha do gênero. A gente aposta nisso. Tanto que olha onde ele veio parar.

2 – Luiza Brina e Ana Frango Elétrico – “Somos Só” (Estreia)
E Luiza Brina continua convidado colegas para relerem canções de sua estreia solo, “A Toada Vem É Pelo Vento”, que completa 10 anos. E que parceria é esta, com a Ana Frango! Pela semelhança das vozes, até parecem que elas não são sós, mas são uma só.

3 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (Estreia)
A grande jornalista e radialista Debora Pill escreveu sobre esse novo single de Alessandra, que antecipa seu próximo álbum, “Acesa”. “É escolha subversiva pelo sim. E pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Uau. Fica até difícil escrever algo depois disso, A potência poética de Alessandra está nessa opção por valorizar o corpo pulsante como estratégia de sobrevivência, como ela escreveu em seu Instagram. Aliás, Instagram onde encontramos outra bela frase dela: “Nesse meu corpo/ Sou quem fui e quem serei”

4 – Taxidermia – “Taxidermia Punk”
Projeto de Jadsa e João Milet, o Taxidermia avisou que logo vem o Outro Volume, sequência do trabalho lançado pela dupla no ano passado. Nesse próximo disco vai ter uma faixa que chama Taxidermia e que tem uma letra em diálogo direto com este single. Seria a versão punk dela? Se a gente entendeu alguma coisa errada, João e Jadsa, avisem a gente. Em todo caso, gostamos do que ouvimos.

5 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (Estreia)
“Sorte eu te encontrar” é um verso que se repete na bonita e climática canção da mineira Jennifer Souza, que talvez você conheça da carreira solo ou das bandas Tranmissor ou Moons. Quem ainda não teve a sorte de escutar a delicada voz da Jennifer tem sua chance, enfim. Dos mais belos trabalhos que escutamos neste ano, sem dúvida.

6 – brvnks – “as coisas mudam” (Estreia)
E a brvnks segue apresentando sua nova fase, cheia de mudanças. A mais perceptível é que temos Bruna agora em português nos vocais – ela já tinha escrito um título de música em português, mas a letra não era. As coisas mudam, e como a própria Bruna escreveu no Instagram, “ainda bem”.

7 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (1)
Nus já na capa. E que capa. Jards e João. João e Jards. Juntos. Pela primeira vez. Em músicas inéditas, essa parceria de homens de diferentes gerações parece que sempre existiu. É uma sensação que bate de cara: “Jards e João? Escutei tudo”, como se já existissem vários álbuns da dupla. Tudo soa natural, belo e pronto por aqui. É a habilidade dos dois mestres. “Côco Táxi”, por exemplo, é um veículo cubano que ambos usaram em diferentes momentos da vida em visitas a Cuba. É a metáfora perfeita para o álbum.

8 – Jadsa – “Run, Baby” (Estreia)
Uma das crítica mais fortes e diretas de “Olho de Vidro” está em “Run, Baby”, onde Jadsa (olha ela de novo aqui no Top 50, hoje!) aborda a apropriação das religiões de matriz africana por brancos que se apegam à cultura sem profundidade e comprometimento. Ainda que crítica, a música é da doçura de um conselho. Resgatamos ela aqui, porque acabou de sair um belo vídeo dela com roteiro de Jadsa em parceria com Rei Lacoste, que já esteve por aqui em um Popload Entrevista. Procure saber. É só riqueza, por todo lado.

9 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (3)
O duo Rabo de Galo (formado por Peu Araujo e Bruno Komodo) e o DJ Ubunto vai regrar o álbum “Atrás do Pôr do Sol” (1988) de Lazzo Matumbi, artista de Salvador e uma das vozes mais importantes da cidade. O primeiro single deste trabalho traz duas regravações de oito, tem a clássica “Me Abraça e Me Beija”, com participação de Luedji Luna no voz. A ideia de retrabalhar um álbum quase perdido na história da música brasileira, ausente no Spotify, por exemplo, tem essa missão de resolver essa injustiça. Vamos escutar “Atrás do Por do Sol”?

10 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (4)
Rapper de longa estrada, ainda que com trabalho solo recente, Stefanie chega muito bem ao lado do companheiro em uma homenagem as vítimas da Covid. Ambos tiveram perdas pessoais na pandemia e a música fala disso, mas também fala das perdas de todos. Na segunda metade, quando o beat fica mais pesado, o recado passa a ser aos que ainda estão por aqui e que estão dando bobeira, um alerta sobre.

11 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (5)
12 – Pluma – “Transbordar” (6)
13 – Chapéu de Palha – “Domingo” (7)
14 – Francisco, El Hombre – “Loucura” (8)
15 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (9)
16 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (10)
17 – Céu – “Chega Mais” (11)
18 – Alice Caymmi – “Serpente” (12)
19 – Juçara Marçal – “Ladra” (13)
20 – Criolo – “Cleane” (14)
21 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (15)
22 – Sant – “Prantos” (16)
23 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (2)
24 – Marina Sena – “Pelejei” (18)
25 – Felipe S – “Violento Monumento” (19)
26 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (20)
27 – The Baggios – “Barra Pesada” (22)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (26)
29 – Liniker – “Mel” (27)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper mineiro Fabricio Soares, o FBC.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Adivinha o primeiro lugar? Juçara Marçal de novo. Marina Sena cola em segundo. Criolo não sai mais do pódio. Nunca mais

1 - cenatopo19

* Parece que a turma da música brasileira respeitou o feriadão e pouca coisa apareceu por aí. Ou é a gente que quis um pouco de folga e relaxou? Fica a dúvida. Em todo caso, seria difícil alguém tirar o pódio dela, Juçara Marçal. Outra história que a gente conta nesta edição é das volta dos shows presenciais. Você já voltou a ver show por aí?

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1 – Juçara Marçal – “Ladra” (Estreia)
Mais uma vez Juçara no topo desta nossa listinha semanal. É que o disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

2 – Marina Sena – “Pelejei” (Estreia)
“Pelejei” não é uma novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

3 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. E pela segunda vez não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

4 – Felipe S – “Violento Monumento” (Estreia)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

5 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (Estreia)
Das mais bonitas do repertório do Skank, a letra que Nando Reis fez após o término com Marisa Monte coube bem no jeitão do Terno Rei de conduzir música. Ou melhor: aquele “rock pra dormir”, como a gente descobriu no papo da banda como Samuel na live especial promovida pela Balaclava. Durma com uma “Resposta” dessa.

6 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (3)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

7 – Taxidermia – “Lava” (4)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

8 – The Baggios – “Barra Pesada” (5)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

9 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (6)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

10 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (7)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

11 – Pedro Sá – “Maior” (8)
12 – Tagore – “Maya” (9)
13 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (10)
14 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (11)
15 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (12)
16 – Marissol Mwaba – “Marte” (13)
17 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (14)
18 – Liniker – “Mel” (15)
19 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (16)
20 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (17)
21 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (19)
22 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (21)
23 – Coruja BC1 – “Tarot” (22)
24 – Nelson D – “Toy Boy” (23)
25 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (24)
26 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (25)
27 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (26)
28 – Majur – Ogunté (28)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (31)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Juçara Marçal não larga o topo. Criolo não larga o pódio. Francisco, el Hombre descola uma vaga com ajuda da Dona Onete

1 - cenatopo19

* Bom, incontestável nosso primeiro lugar desta semana. A gente já dedicou uma resenha a Juçara Marçal e agora ela alcança de novo o topo do nosso top 50. E temos outras boas novidades na CENA. Tem mais Francisco, El Hombre, tem a Jadsa com o Taxidermia, tem os Baggios preparando novo álbum e tem também o Felipe Cordeiro com um belo single. E tem ela, Rita Lee, que saiu da aposentadoria para uma faixa para lá de dançante.

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1 – Juçara Marçal – “Corpus Christi” (Estreia)
A gente fez um textinho todo só para exaltar o novo álbum da Juçara. Mas cabe mais algumas palavrinhas, especialmente para elogiar este som onde Juçara, Douglas Germano e Kiko Dinucci constroem das mais delicadas músicas sobre aproveitar um feriado. Mais especificamente um no litoral sul de São Paulo com macarrão, Uno e trânsito no caminho, lógico. A riqueza de detalhes de cada cena somada àquela tristezinha que bate na hora de voltar ao batente são de emocionar.

2 – Criolo – “Cleane” (1)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. Não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

3 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (Estreia)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

4 – Taxidermia – “Lava” (Estreia)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

5 – The Baggios – “Barra Pesada” (Estreia)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

6 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (Estreia)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

7 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (Estreia)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

8 – Pedro Sá – “Maior” (Estreia)
Bonita a primeira amostra solo de Pedro Sá. “Maior” estará em seu primeiro álbum despregado das estrelas. Ele, que já acompanhou tantas (Caetano, Bethânia, Gal, para ficar em três nomes apenas), conduz aqui sozinho na guitarra e na voz uma declaração de amor daquelas – repare que a música abre só com “Você é/ O grande amor da minha vida”). A canção lembra muito alguns momentos da trilogia “Cê” do Caetano, o que talvez ajude a entender o papel de Pedro na banda.

9 – Tagore – “Maya” (3)
É impossível não pensar na psicodelia australiana, mas, conhecendo também a psicodelia brasileira, ambas estão bem representadas neste terceiro álbum de Tagore Suassuna, que capricha em letras rasgadas. Aquelas que se entregam ao sentimento, sabe? Embora ele verse que dá trabalho disfarçar a saudade da amada, nas letras ele faz questão zero de camuflar qualquer vergonha.

10 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (5)
Bonito o encontro de Bemti com Fernanda Takai e a sutil participação de Hélio Flanders, do Vanguart, no trompete. Uma história de amor que resista ao fim do mundo é uma grande história de amor, não? A letra é uma parceria de Bemti com Roberta Campos.

11 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (Estreia)
12 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (6)
13 – Marissol Mwaba – “Marte” (7)
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (8)
15 – Liniker – “Mel” (9)
16 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (10)
17 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (11)
18 – brvnks – “happy together” (12)
19 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (15)
20 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (13)
21 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (16)
22 – Coruja BC1 – “Tarot” (20)
23 – Nelson D – “Toy Boy” (22)
24 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (23)
25 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (24)
26 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (25)
27 – Marina Sena – “Me Toca” (26)
28 – Majur – Ogunté (27)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (28)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (29)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (30)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (31)
33 – GIO – “Sangue Negro” (32)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (33)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (34)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (35)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (36)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (37)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (38)
40 – Jadsa – “Mergulho” (39)
41 – FEBEM – “Crime” (40)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (41)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (42)
44 – Boogarins – “Supernova” (43)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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