Em Taylor Swift:

Haim solta o remix com a Taylor Swift participando. E outro com o Thundercat, para o agito ficar maior

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* Saiu hoje então o remix de “Gasoline”, com participação luxuosa da Taylor Swift engrossando o coro das Haim na música retrabalhada de seu mais recente álbum, “Women in Music Pt. III”, lançado no ano passado. Esse remix virou misterinho de redes sociais nesta semana, como falamos aqui ontem.

Outra música do disco das irmãs californianas a ganhar uma mexida foi “3am”, desta vez com uma forcinha style do músico funk-jazzy Thundercat, amigo e vizinho delas de Los Angeles.

As novas versões foram lançadas nesta meia-noite para dar um movimento extra para o terceiro álbum das Haim, que saiu em junho de 2020 e a pandemia não deixou esse bom disco delas ganhar uma vida ao vivo.

A parceria da Taylor Swift com as Haim é uma retribuição da ex-cantora-country-agora-indie com a banda do familiar trio formado por Este, Daniel e Alana Haim, que colaboraram com a faixa “No Body, No Crime”, do álbum “Evermore”, de Swift.

Abaixo, as novas versões de “Gasoline” e “3am”, das Haim.

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POPNOTAS: Foo Fighters fazendo cover de Bee Gees, as Haim no Tik Tok envolvendo a Taylor Swift, um R.I.P. para o grande U-Roy e o vídeo novo da banda inglesa Kill Moves, de BH

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* Abrir as notícias do dia e encontrar os Foo Fighters. A divulgação de “Medicine at Midnight”, o álbum novo, segue pesada por todos os lugares onde se escute, veja, leia. Desta vez a banda caprichou em um cover de “You Should Be Dancing”, dos Bee Gees, no programa da grande Jo Whiley na BBC Radio 2. Que pode ser ouvido aqui. Vale ouvir o áudio inteiro, pela voz delícia de Whiley, E também até porque o FF tocou “Waiting on a War”, do décimo disco, e o hit antigo “All My Life”. O papo de Whiley com Dave Grohl foi legal também. Grohl disse que quando ele foi visitar uns primos dele em Miami em 1979 a cachorra deles teve filhotes e ele pegou um para criar. O nome do cachorro, que ele criou por 16 anos, chamava Beegee. Era a atmosfera da época: final dos anos 70, Miami. Só dava Bee Gees.

* A banda californiana de irmãs Haim (foto na home) acabou com o mistério fazendo mais mistério. Elas meio que confirmaram que vão lançar um remix da faixa “Gasoline”, com participação da Taylor Swift, boato que correu a semana, principalmente por parte das fãs da Taylor. Depois de um certo silêncio, as Haims acabaram tocando um trechinho desse remix num vídeo de Tik Tok despretensioso, sem maiores avisos, a não ser um “uh oh”. No vídeo, uma delas estava em um carro num… posto de gasolina e quando aumentou o volume do som do veículo tocou a “Gasoline” tayloriana. Para chamar a atenção para o vídeo no Tik Tok, elas tuitaram “tik tok tik tok tik tok”.

* U-Roy, lenda do reggae e considerado um precursores do hip-hop, morreu aos 78 anos na Jamaica. Ele ficou famoso por seu toasting, que é basicamente falar em cima de um beat de dancehall, que inspirou, por exemplo, Kool Herc, um dos pais do hip-hop, a fazer o mesmo em suas festas. Embora U-Roy não seja o criador do toasting, que até ali era uma prática ao vivo nas apresentação dos soundsystems, ele é considerado o pioneiro do registro da técnica em uma gravação. Ano passado, um pouco antes de a pandemia acabar com as apresentações ao vivo, U-Roy tocou pelo Brasil ao lado de BNegão no lançamento do braço brasileiro da gravadora Trojan Jamaica, fundada pela cantora australiana Shhh e Zak Starkey, baterista com passagens pelo The Who e Oasis, filho de um certo Ringo Starr.

* CENA – A banda mineira de dream pop Kill Moves lançou hoje seu mais novo EP, “Colorful Noises”. O disco, que chega às plataformas digitais com a estampa da Balaclava Records, marca uma espécie de novo colorido na barulheira do grupo, que agora é um trio. E que por acaso é de Belo Horizonte, mas podia bem ser de Slough, Inglaterra, se estivéssemos nos anos 90. A banda já havia soltado, em setembro do ano passado, single/vídeo de uma música de “Colorful Noises”, a “Timeless Visions”. Agora, no dia de seu lançamento, o EP chega com um vídeo, para a faixa “Perfect Pitch”, este abaixo.

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Popnotas: Taylor Swift encara Michael Jackson na “Billboard”, Sex Pistols via Danny Boyle, Ariel Pink demitido e um vídeo de dEUS

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– A gente comentou por aqui quando a Taylor Swift perdeu seu post de número 1 na lista de álbuns da revista americana “Billboard”, que dita as paradas por lá. Mas ela retomou o posto nesta semana e ainda alcançou uma marca e tanto. Agora Taylor e Michael Jackson têm o mesmo tanto de semanas no posto máximo da lista: 51. A ex-diva-country-pop-hoje-indie precisa daqui para a frente brigar com outros gigantes: The Beatles, 132 semanas, Elvis Presley, 67, e Garth Brooks, 52. Este último parece molezinha. Go, Taylor.

– Promete ser interessante essa “Pistol”, a série dirigida pelo Danny Boyle sobre os Sex Pistols, mais precisamente do ponto de vista de Steve Jones, já que o texto vai ser baseado nas memórias do ex-guitarrista da banda.
“Lonely Boy – Tales from a Sex Pistol”, de 2016, lançada dentro das comemorações de 40 anos do punk, foi considerado à época um dos livros do ano. Na lista de atores, talvez a mais conhecida é Maise Williams, a Ayra de “Game of Thrones”. Ela fará o papel da famosíssima e loucaça Jordan, uma das personagens fascinantes da época que ajudou a moldar o visual do punk. Jordan trabalhou na butique da estilista Vivienne Westwood, a SEX, onde tuuuuuuuuuuuuudo começou.

– Aquele rolê zoado, para dizer o mínimo, que o Ariel Pink deu no Capitólio americano na semana passada trouxe suas devidas consequências para a música indie. A Mexican Summer, sua gravadora atual, resolveu encerrar seus trabalhos com o artista. Ariel Pink devidamente foi cancelado geral.

– O grupo galês Manic Street Preachers deu um sinal de trabalho no Instagram, postando parte do que já desenvolveram no estúdio. Disco novo em breve.

– Você anda chamando tanto Deus que ele apareceu, mas na forma de dEUS, a banda. O canal de TV alemão Rockpalast subiu em seu Youtube nesta semana um show da cultuadíssima banda belga de 2015, no Haldern Pop Festival, que acontece desde 1984 em linda região perto do rio Reno, no lado ocidental da Alemanha. O vídeo tem deliciosa 1 hora e 15 min, com 14 músicas de uma das bandas mais interessantes fora-do-eixo UK-US.

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O Melhor do Twitter: Jacaré edition

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Olha. Vamos te dizer, viu? Esse governo é o melhor amigo do Melhor do Twitter, disparado. Não é você, leitor, sorry. Se um dia a história destes últimos anos for contada por meio desta seção e de seus memes, vamos ter como personagens principais, ENTRE OUTROS vocês-sabem-quem, o Zé Gotinha amordaçado e de olhar triste e o jacaré. Fora isso temos a Anira Pistolaça, a Taylor corintiana, o Paul <3 Ringo e o Thom Yorke pra tudo acabar bem.
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SEMILOAD – A grande virada de Taylor Swift

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* Agora que você já está superenturmado com a Dora Guerra, autora da incrível newsletter “Semibreve”, vamos deixar de fazer loooooongas introduções aqui para economizar seu tempo e deixar logo a pensadora indie mineira falar. Ou escrever. Mas ela escreve como fala. E fala como escreve. Essa é a beleza da coisa.

Porque vamos, sempre que precisar, lembrar nosso mantra aqui. “A newsletter da Dora tem 1 ano de vida, ela tem 22 e a Popload tem 20”.

A Dora, que já traçou o futuro das guitarras e desconstruiu construtivamente a série de vídeos lindos Tiny Desk Concerts, hoje vai esmiuçar que porra é essa da Taylor Swift lançar 31 músicas em 2020. O que tá acontecendo, Taylor? Quer dizer, Dora!

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Quando Taylor Swift – uma artista pop que nunca me convenceu muito – anunciou um disco-surpresa em julho deste ano, com produções e participações dos indie-melancólicos que sempre gostei, eu soube que estava ferrada. E, para felicidade dos meus amigos swifties, eu tive que dar meu braço a torcer mesmo. Duas vezes, ainda.

Desde o primeiro anúncio, era claro que algo tinha mudado. Ao longo de sua carreira, Swift foi crescendo de forma bastante expressiva, se tornando uma personalidade para além de sua música.
E, quanto mais Taylor explodia, mais gigante se tornava sua estética.

Daí, ela se acostumou a acrescentar, acrescentar, aumentar, tocar em estádios, estar em todos os lugares. Foi criando uma sonoridade mais comercial e melodias insistentes. Sempre com um sorrisinho de lado – de quem sente que está do lado certo das brigas.

Com o tempo, ela travou brigas até consigo mesma. Era natural que, como qualquer outro grande popstar, ela sumisse por um tempo para colocar as coisas em ordem. Mas, quando seu comeback veio, com “Lover” (2019), parecia fora de lugar: pop ao extremo na estética, perdido na sonoridade. Apostando ainda nos cenários megalomaníacos de quem tem tudo a seu dispor.

Por isso, um ano depois, ninguém esperava o oposto. De repente, ela correu para a antítese do que vinha construindo para sua carreira: fugindo dos efeitos e da grandiosidade. Acreditando que – à la Eilish – nada vence a cara de quem fez tudo em casa; em 2020, especialmente. E assim, Taylor saiu de uma estética saturadíssima para a minimalista – em todos os sentidos. Se tornando cantora-compositora… e nada mais.

2020 foi seu verdadeiro comeback.

E é isso que Taylor é, quando você tira os enfeites: uma eterna cantora-compositora, desabafando com seu violão no colo (ou o piano na sala). Uma mulher que sofre por amor, que conta casos, que olha pela janela e reflete. Em “Folklore” e “Evermore”, os dois discos deste ano, quase um colado no outro, essa Taylor brilha: a voz ficou suave, acompanhada das fotos em preto-e-branco. É assim – e com a ajudinha do Antonoff, do National e do Bon Iver – que, em uma nova década, Taylor Swift se torna indie/folk. Ou pelo menos uma versão dela disso tudo.

Com timing perfeito: aproveitando a onda de músicas quietinhas, em um ano em que estamos quietinhos. Desenvolvendo uma identidade e um caminho próprios, sem fazer pastiche de uma moda (talvez só ao adotar as minúsculas de repente). E com um olhar atento de quem percebe que tem o cacife para sumir e lançar álbuns de surpresa, como só Beyoncé soube fazer com sucesso.

Mas vale lembrar que ela não é boba. Nunca foi. As escolhas artísticas de Taylor – sonoras, de álbum etc. – jamais são meramente artísticas; ela sempre soube se vender (e o visual de quem faz tudo espontaneamente, da casinha super humilde na beira da praia, é só fachada). Botou a equipe de marketing para trabalhar pra caramba e entendeu, inclusive, que mais um álbum caberia no ano sem necessariamente levar todos à exaustão. Quem pensa nisso?!

Não um deluxe, não um álbum de remixes – um novo álbum. De inéditas. Mas não novo demais. Com “Evermore”, veio a tacada de mestre: um disco que não nos exige encará-lo como uma tela branca, e sim como uma extensão de uma história já apresentada. Com o sabor de frescor suficiente para que você não tenha coragem de ignorá-lo; criando um combo grande o suficiente para que você não tenha coragem de ignorar Taylor Swift. E fazendo até Paul McCartney, nosso senhorzinho preferido, mudar a data de seu disco para não competir com um fandom fervoroso.

Em “Folklore”/”Evermore”, veio uma percepção mercadológica que entende o nosso presente e sabe que, pra digerir um universo, precisamos ir com calma. Só engolimos o “The Gift” quando assistimos “Black Is King”. Só nos demos conta do “AmarElo” totalmente com esse documentário recém-lançado na Netflix. Em uma rotina tão maluca e solitária feito a de 2020, vale adotar o “Folklore” primeiro. E, com calma, abrir as portas para o “Evermore”.

E aí ganhamos Swift com bateria eletrônica; com vocais de Berninger; revisitando Emily Dickinson; e contando seu drama como sua narradora, não mais como sua protagonista. Vai dizer que não foi uma virada e tanto?

É que algo muito interessante acontece quando o pop deixa a pirotecnia de lado. Pela primeira vez na vida, eu estou curiosa para saber aonde vai Taylor Swift depois disso.

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