Em Taylor Swift:

Popnotas: Taylor Swift encara Michael Jackson na “Billboard”, Sex Pistols via Danny Boyle, Ariel Pink demitido e um vídeo de dEUS

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– A gente comentou por aqui quando a Taylor Swift perdeu seu post de número 1 na lista de álbuns da revista americana “Billboard”, que dita as paradas por lá. Mas ela retomou o posto nesta semana e ainda alcançou uma marca e tanto. Agora Taylor e Michael Jackson têm o mesmo tanto de semanas no posto máximo da lista: 51. A ex-diva-country-pop-hoje-indie precisa daqui para a frente brigar com outros gigantes: The Beatles, 132 semanas, Elvis Presley, 67, e Garth Brooks, 52. Este último parece molezinha. Go, Taylor.

– Promete ser interessante essa “Pistol”, a série dirigida pelo Danny Boyle sobre os Sex Pistols, mais precisamente do ponto de vista de Steve Jones, já que o texto vai ser baseado nas memórias do ex-guitarrista da banda.
“Lonely Boy – Tales from a Sex Pistol”, de 2016, lançada dentro das comemorações de 40 anos do punk, foi considerado à época um dos livros do ano. Na lista de atores, talvez a mais conhecida é Maise Williams, a Ayra de “Game of Thrones”. Ela fará o papel da famosíssima e loucaça Jordan, uma das personagens fascinantes da época que ajudou a moldar o visual do punk. Jordan trabalhou na butique da estilista Vivienne Westwood, a SEX, onde tuuuuuuuuuuuuudo começou.

– Aquele rolê zoado, para dizer o mínimo, que o Ariel Pink deu no Capitólio americano na semana passada trouxe suas devidas consequências para a música indie. A Mexican Summer, sua gravadora atual, resolveu encerrar seus trabalhos com o artista. Ariel Pink devidamente foi cancelado geral.

– O grupo galês Manic Street Preachers deu um sinal de trabalho no Instagram, postando parte do que já desenvolveram no estúdio. Disco novo em breve.

– Você anda chamando tanto Deus que ele apareceu, mas na forma de dEUS, a banda. O canal de TV alemão Rockpalast subiu em seu Youtube nesta semana um show da cultuadíssima banda belga de 2015, no Haldern Pop Festival, que acontece desde 1984 em linda região perto do rio Reno, no lado ocidental da Alemanha. O vídeo tem deliciosa 1 hora e 15 min, com 14 músicas de uma das bandas mais interessantes fora-do-eixo UK-US.

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O Melhor do Twitter: Jacaré edition

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Olha. Vamos te dizer, viu? Esse governo é o melhor amigo do Melhor do Twitter, disparado. Não é você, leitor, sorry. Se um dia a história destes últimos anos for contada por meio desta seção e de seus memes, vamos ter como personagens principais, ENTRE OUTROS vocês-sabem-quem, o Zé Gotinha amordaçado e de olhar triste e o jacaré. Fora isso temos a Anira Pistolaça, a Taylor corintiana, o Paul <3 Ringo e o Thom Yorke pra tudo acabar bem.
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SEMILOAD – A grande virada de Taylor Swift

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* Agora que você já está superenturmado com a Dora Guerra, autora da incrível newsletter “Semibreve”, vamos deixar de fazer loooooongas introduções aqui para economizar seu tempo e deixar logo a pensadora indie mineira falar. Ou escrever. Mas ela escreve como fala. E fala como escreve. Essa é a beleza da coisa.

Porque vamos, sempre que precisar, lembrar nosso mantra aqui. “A newsletter da Dora tem 1 ano de vida, ela tem 22 e a Popload tem 20”.

A Dora, que já traçou o futuro das guitarras e desconstruiu construtivamente a série de vídeos lindos Tiny Desk Concerts, hoje vai esmiuçar que porra é essa da Taylor Swift lançar 31 músicas em 2020. O que tá acontecendo, Taylor? Quer dizer, Dora!

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Quando Taylor Swift – uma artista pop que nunca me convenceu muito – anunciou um disco-surpresa em julho deste ano, com produções e participações dos indie-melancólicos que sempre gostei, eu soube que estava ferrada. E, para felicidade dos meus amigos swifties, eu tive que dar meu braço a torcer mesmo. Duas vezes, ainda.

Desde o primeiro anúncio, era claro que algo tinha mudado. Ao longo de sua carreira, Swift foi crescendo de forma bastante expressiva, se tornando uma personalidade para além de sua música.
E, quanto mais Taylor explodia, mais gigante se tornava sua estética.

Daí, ela se acostumou a acrescentar, acrescentar, aumentar, tocar em estádios, estar em todos os lugares. Foi criando uma sonoridade mais comercial e melodias insistentes. Sempre com um sorrisinho de lado – de quem sente que está do lado certo das brigas.

Com o tempo, ela travou brigas até consigo mesma. Era natural que, como qualquer outro grande popstar, ela sumisse por um tempo para colocar as coisas em ordem. Mas, quando seu comeback veio, com “Lover” (2019), parecia fora de lugar: pop ao extremo na estética, perdido na sonoridade. Apostando ainda nos cenários megalomaníacos de quem tem tudo a seu dispor.

Por isso, um ano depois, ninguém esperava o oposto. De repente, ela correu para a antítese do que vinha construindo para sua carreira: fugindo dos efeitos e da grandiosidade. Acreditando que – à la Eilish – nada vence a cara de quem fez tudo em casa; em 2020, especialmente. E assim, Taylor saiu de uma estética saturadíssima para a minimalista – em todos os sentidos. Se tornando cantora-compositora… e nada mais.

2020 foi seu verdadeiro comeback.

E é isso que Taylor é, quando você tira os enfeites: uma eterna cantora-compositora, desabafando com seu violão no colo (ou o piano na sala). Uma mulher que sofre por amor, que conta casos, que olha pela janela e reflete. Em “Folklore” e “Evermore”, os dois discos deste ano, quase um colado no outro, essa Taylor brilha: a voz ficou suave, acompanhada das fotos em preto-e-branco. É assim – e com a ajudinha do Antonoff, do National e do Bon Iver – que, em uma nova década, Taylor Swift se torna indie/folk. Ou pelo menos uma versão dela disso tudo.

Com timing perfeito: aproveitando a onda de músicas quietinhas, em um ano em que estamos quietinhos. Desenvolvendo uma identidade e um caminho próprios, sem fazer pastiche de uma moda (talvez só ao adotar as minúsculas de repente). E com um olhar atento de quem percebe que tem o cacife para sumir e lançar álbuns de surpresa, como só Beyoncé soube fazer com sucesso.

Mas vale lembrar que ela não é boba. Nunca foi. As escolhas artísticas de Taylor – sonoras, de álbum etc. – jamais são meramente artísticas; ela sempre soube se vender (e o visual de quem faz tudo espontaneamente, da casinha super humilde na beira da praia, é só fachada). Botou a equipe de marketing para trabalhar pra caramba e entendeu, inclusive, que mais um álbum caberia no ano sem necessariamente levar todos à exaustão. Quem pensa nisso?!

Não um deluxe, não um álbum de remixes – um novo álbum. De inéditas. Mas não novo demais. Com “Evermore”, veio a tacada de mestre: um disco que não nos exige encará-lo como uma tela branca, e sim como uma extensão de uma história já apresentada. Com o sabor de frescor suficiente para que você não tenha coragem de ignorá-lo; criando um combo grande o suficiente para que você não tenha coragem de ignorar Taylor Swift. E fazendo até Paul McCartney, nosso senhorzinho preferido, mudar a data de seu disco para não competir com um fandom fervoroso.

Em “Folklore”/”Evermore”, veio uma percepção mercadológica que entende o nosso presente e sabe que, pra digerir um universo, precisamos ir com calma. Só engolimos o “The Gift” quando assistimos “Black Is King”. Só nos demos conta do “AmarElo” totalmente com esse documentário recém-lançado na Netflix. Em uma rotina tão maluca e solitária feito a de 2020, vale adotar o “Folklore” primeiro. E, com calma, abrir as portas para o “Evermore”.

E aí ganhamos Swift com bateria eletrônica; com vocais de Berninger; revisitando Emily Dickinson; e contando seu drama como sua narradora, não mais como sua protagonista. Vai dizer que não foi uma virada e tanto?

É que algo muito interessante acontece quando o pop deixa a pirotecnia de lado. Pela primeira vez na vida, eu estou curiosa para saber aonde vai Taylor Swift depois disso.

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Melhores discos do ano: olha ela aí!!!! A lista da “NME”. Viu quem tá em quarto lugar???

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* Por muitos anos a “bíblia” máxima da música independente, hoje apenas uma das “biblinhas” que a gente ainda adora odiar ou odeia adorar, o site “NME”, que já foi revista de sucesso e ditou tendências para nós, soltou sua lista de melhores álbuns de 2020.

Impossível não simpatizar com o ranking do “NME”, concordando ou não. Principalmente comparando com as mil listas já publicadas, né?

Alguém tinha que lembrar que os Strokes lançaram um disco (bom!!!) em 2020, por mais esquisito que este ano foi. Alguém, como o “NME”, tinha que meter o “Folklore”, o disco “sério” da Taylor Swift, em segundo lugar, para deixar a geral bem puta.

Alguém tinha que olhar para este ano bem louco de turbilhões sociais dentro de uma pandemia absurda e falar: “Como não dar o primeiro lugar para o incrível disco do duo americano Run the Jewels?” Mesmo tendo o SAULT brincando de vanguarda necessária em seu quintal.

Alguém tinha que pegar a nova galera, a Kelly Lee Owens, a Rina Sawayama, a Beabadoobee, e botar no top 10 do ano.

Alguém tinha que me dar um tapa na cara por ter tirado o J Hus da minha lista final. E meter o cara na dele e é isso aí.

Esse alguém, discuta-se ou não com fervor, sempre acaba sendo o “NME”.

Te amo. Te odeio. Verdade. Mentira.

1. Run the Jewels – ‘RTJ4’
2. Taylor Swift – ‘folklore’
3. Dua Lipa – ‘Future Nostalgia’
4. The Strokes – ‘The New Abnormal’
5. Phoebe Bridgers – ‘Punisher’
6. Kelly Lee Owens – ‘Inner Song’
7. Rina Sawayama – ‘SAWAYAMA’
8. Haim – ‘Women in Music Pt III’
9. Beabadoobee – ‘Fake It Flowers’
10. J Hus – ‘Big Conspiracy’

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Melhores discos do ano: Revista “Time” mete a Taylor Swift em primeiro. Estamos Ok com isso?

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** A partir deste post, vamos acompanhar as listas de melhores do ano de lugares que a gente considera legais e/ou significativos. Até publicarmos a nossa. Começamos com a “Time”.

* Ficamos com uma certa raivinha da lista de melhores discos de 2020 que não bota a obra da Fiona Apple em primeiro lugar. Ou, vá lá, segundo. Mas a conceituada revista “Time” foi lá e botou a Taylor Swift e seu “Folklore” em primeiro lugar, deixando o fantástico “Fetch the Bolt Cutters”.
Não desgostamos aqui do disco da Swift, veja bem. Mas primeirão é difícil.
Enfim, é a escolha da “Time”. A revista justifica que “Folklore” é mais legal se for ouvido sozinho, numa longa caminhada durante um pôr-do-sol, com um vento na cara e as memórias e os sentimentos tomando conta da cabeça.
Isso, a despeito de um ano muito louco como está sendo 2020, sendo dito de um disco da até-então popíssima Taylor Swift, e não do The National ou da Patti Smith, sei lá, chega a ser revolucionário, se você imaginar a carreira da loirinha na última década.
De novo, achamos o disco bem decente. Mas pera.
Sobre o álbum da Fiona Apple, para ficar nessa comparação em particular, foi falado o seguinte na “Time”: “A primeira faixa do disco tem o nome de “I Want You to Love Me”. Mas Fiona Apple, a gente vai perceber, não tem o mínimo desejo de aprovação pública com seu álbum”.
Pô, só isso, tendo em vista o que é “Fetch the Bolt Cutters”, quando você o escuta por inteiro, com orgasmos e latidos incluídos, já é motivo para botá-lo em primeiro lugar da lista sem pensar muito.
Mas isso somos nós que achamos.
A lista da “Time” não tem o direcionamento de estilo que estreita as escolhas, como a Popload ou a “NME” ou o “Consequence of Sound”, por exemplo. É mais geral. Mas curtimos que botaram o disco do Perfume Genius no top 10.
Mas vamos lá. Toma o resultado da “Time” para o melhores álbuns do ano, do 1 ao 10.

1. “Folklore”, Taylor Swift
2. “Ungodly Hour”, Chloe x Halle
3. “Fetch the Bolt Cutters”, Fiona Apple
4. “Gaslighter”, The Chicks
5. “Eternal Atake”, Lil Uzi Vert
6. “Set My Heart on Fire Immediately”, Perfume Genius
7. “Agüita”, Gabriel Garzón-Montano
8. “We’re New Again – A Reimagining”, Makaya McCraven
9. “Miss Anthropocene”, Grimes
10. “Celia”, Tiwa Savage

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