Em #tbt Popload:

Lembra quando…: a Popload entrevistou o Phil Selway, baterista do Radiohead? Era 2003 e eles já prometiam vir ao Brasil.

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radioheadbrasil

Vocês zoam, né? Mas vejam bem…

Se não me engano, quando entrevistei o baterista Phil Selway pela primeira vez, em 1993, o que talvez tenha sido também a minha primeira entrevista de música na vida (para a Revista BIZZ), ele já veio com uns papos no estilo “não vejo a hora de tocar no Brasil”. Ou não, talvez eu esteja delirando ou tenha arrancado essa reposta à força e, desde então, venho iludindo o povo brasileiro anunciando Radiohead-no-Brasil todo dia.

Pensa no Radiohead em 1993. Pós Pablo Honey, disco de estreia, e pré-Bends, ainda na fase Thom-Yorke-loiro, provavelmente. Não consegui achar essa entrevista para a Bizz online, infelizmente, mas achei a minha segunda entrevista com o mesmo Selway, agora para o jornal Folha de São Paulo, em 2003. Era a época do lançamento do disco Hail to the Thief e a conversa virou capa do caderno Ilustrada. Entre outras coisas, discutimos o vazamento do disco na internet e… a vinda da banda ao Brasil. Sim, 15 anos atrás. Também falamos sobre, ATENÇÃO: a “abortada vinda ao país” no ano anterior, 2002.
Não sou eu, gente. São eles!
O Radiohead iria pisar em solo nacional pela primeira vez somente em 2009.
(E, claro, pisa de novo na semana que vem, no Rio (dia 20) e SP (22).

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Como você já sabe, às quintas-feiras, nós publicamos o saudoso #tbt, pegando carona naquela popular hashtag do Instagram e aproveitando para fuçar pautas antigas e matérias que se perderam na nossa versão impressa. Já recuperamos muita coisa boa e você pode ter acesso a todas elas no final deste post.

Fiquem agora com OK COMPUTADOR & Phil Selway, em junho de 2003.
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Ok computador

Com “Hail to the Thief”, Radiohead reencaixa o rock no meio de suas experimentações

Baterista Phil Selway fala sobre o vazamento do CD para a internet, turnê pela América do Sul e mudanças sonoras da banda

LÚCIO RIBEIRO
COLUNISTA DA FOLHA
São Paulo, sexta-feira, 06 de junho de 2003

Seja em Moscou, Tóquio, Londres, Nova York ou nas lojas de discos das Grandes Galerias, em São Paulo, a cena pop pára nos próximos dias para saudar a chegada do novo CD do Radiohead. Este “Hail to the Thief”, que será lançado no Brasil na segunda, o sexto disco do mais cultuado grupo de rock no mundo, nem chega a ser grande novidade para quem tem o mouse do computador direcionado para a revolução da distribuição de música na internet. Tal disco já é consumido em alta velocidade na rede desde que vazou inteiro, há dois meses, fato que pode ter a polêmica e a importância medidas pela quantidade de capas que mereceu em revistas e jornais de todo lugar, inclusive desta Ilustrada.

Para explicar esse encontro do “Hail to the Thief” real e do virtual (“O disco não estava pronto”), falar do inqualificável som da banda dentro dos rótulos convencionais (“Já ouvi dizer que fazemos rock espacial experimental, seja lá o que for isso”) e mostrar desconhecimento quanto à abortada vinda ao Brasil no ano passado, a Folha conversou por telefone, de Londres, com Phil Selway, 36, baterista e fundador do Radiohead.

Lúcio Ribeiro – Vocês acabaram há pouco uma pequena turnê britânica. Como foi a aceitação das músicas novas por parte dos fãs?
Phil Selway – Muito boa. Embora a gente já venha tocando várias das canções do novo álbum desde o final do ano passado [turnês em Portugal e Espanha], as músicas estão ficando mais fortes, mais intensas conforme vamos nos apresentando. Algumas, como “The Gloaming” e “Backdrifts”, estão ficando mais cruas, enquanto outras mais simples, como “Punch Up at a Wedding”, vão indo por um caminho experimental, têm ganhado uma sofisticação natural. Os shows do Radiohead têm sido bem diferentes a cada apresentação. Nós gostamos disso. E acho que os fãs também.

Como você descreveria o novo álbum?
Acho que esse disco é o que mais conseguiu captar no estúdio a energia que o Radiohead leva para o palco. Geralmente cansamos logo do disco de estúdio, mas renovamos nossa alegria de ser uma banda a cada vez que tocamos nossas músicas ao vivo. “Hail to the Thief” carrega elementos do que já fizemos nos outros cinco álbuns, mas é o que melhor captou a felicidade da banda em tocar. Nunca estivemos tão felizes como agora. “Hail to the Thief” consegue, nas letras, ser mais direto, chegar mais nas pessoas, do que “Amnesiac” [2001] e “Kid A” [2000]. E musicalmente considero quase tão bom quanto “OK Computer” [97].

Que tipo de música pop faz o Radiohead? Como você definiria a linha sonora da banda desde o roqueiro “Pablo Honey” (93), passando pela guinada atmosférica de “OK Computer” e chegando a este “Hail to the Thief”?
Bem, nós vivemos juntos como uma banda desde 1985. Inevitavelmente, até como um meio de sobreviver e de nos suportarmos, atravessamos diversas fases distintas. Somos muito felizes em sempre encontrar novos meios de trabalhar, de acordo com o que o pop nos oferece em determinado tempo e espaço. O que não quer dizer que renegamos o barulho que fizemos com “Creep” ou a histeria eletrônica que colocamos em “Paranoid Android” sete anos depois, por exemplo. Nosso desafio é fazer músicas que não fiquem datadas.

O quanto chateou vocês o fato de o CD ter vazado para a internet?
Ficamos bastante desapontados. As músicas nem estavam prontas. O que vazou não era aquilo que queríamos mostrar para o público.

A versão de “Hail to the Thief” que apareceu na rede é muito diferente da que está no disco?
Para a banda, sim. Talvez não para a maioria das pessoas. Se você é músico e ouvir as duas versões, nota a diferença.

Qual a posição da banda a respeito da troca gratuita de arquivos musicais pela rede?
[Pensando muito…] Não somos contra. Não acho que a internet vai matar a música, como a indústria costuma espalhar. É um modo bem eficaz para bandas novas divulgarem seu trabalho. Quando eu era adolescente, diziam que gravar disco em fita cassete ia matar a música. E eu gravei muito disco em fita cassete. E a música não morreu por causa da Basf. Acho que uma revolução como essa dos MP3s sempre força uma mudança das coisas. Mas quando acontece algo como foi com “Hail to the Thief”, que nem estava pronto, não acho bom.

Foi dito aqui no Brasil que o Radiohead tocaria no país no ano passado, estava acertado. Isso não aconteceu devido ao cancelamento do festival (Free Jazz) que traria a banda em outubro. Você confirma?
É sério isso? Não fomos avisados, acho, em nenhum momento. Não sei se pode ser verdade, porque nós da banda sempre sabemos onde [os agentes] estão nos levando. Dificilmente iríamos naquela época, porque ir à América do Sul com uma turnê é complicado e estávamos envolvidos com o novo disco.

Alguma chance de o Radiohead vir à América do Sul?
Sim, temos planos de fazer uma turnê pela América do Sul no próximo ano.

Qual sua música favorita do novo álbum? E qual a que você mais gosta das que a banda fez?
Deste novo álbum a minha preferida é “Sit Down. Stand Up”, porque acho que é a que consegue melhor captar todas as fases anteriores do Radiohead. A canção que eu mais gosto dentre todas as que a banda já fez é “Paranoid Android”.

Até guitarra, quem diria, volta a caber na banda

“Hail to the Thief” nem chegou às lojas ainda e sua história já foi vastamente contada. Só nesta Folha o disco já apareceu em notas, colunas, fotos, capas. E volta aqui hoje. A celebração noticiosa do pré-lançamento evidencia a importância que a banda do esquisito Thom Yorke galgou na cena pop desde que estreou nela no começo dos 90, quando fez um apenas ótimo CD de rock comum, com guitarras estridentes e vocal desesperado.

Em 1997, o Radiohead lançou a obra-prima “OK Computer” e desde então a banda caiu dentro de uma vala de experimentalismos e ruídos eletrônicos para andróide ver, fugindo das guitarras. E a legião de fãs cultuadores da banda só cresceu. Desde “OK Computer” o pop fica ouriçado a cada vez que o grupo vai lançar um disco, na esperança de o rock “voltar” a ter destaque no som do Radiohead. E “Hail to the Thief”, então, pode ser festejado como o CD que promoveu o retorno do rock ao Radiohead. Por causa da excelente “There There”.

A música tem as esquisitices experimentais do Radiohead, mas também solo de guitarra. Dá até para desconfiar que a canção foi tocada por uma banda comum deste planeta, com guitarra, baixo e bateria. Se você pecaminosamente desconsiderar as 13 faixas restantes, “There There” -em que Thom Yorke canta: “O fato de você estar sentindo algo não significa que ele exista”- vale sozinha o preço do álbum. (LÚCIO RIBEIRO)

Hail to the Thief
Artista: Radiohead
Lançamento: EMI
Quanto: R$ 33, em média

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#TBT: LEIA TAMBÉM

** Um bate-papo não muito convencional com o Morrissey, em 2012
** Uma entrevista com a musa Debbie Harry, em 2014
** A primeira entrevista dos Strokes para o Brasil, em 2001
** O dia em que o Liam Gallagher decidiu pegar no meu pé
** A primeira entrevistou da Mallu Magalhães (EVER), em 2008

Lembra quando…: a POPLOAD entrevistou a Mallu Magalhães pela primeira vez? Em 2008?

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Como é legal revirar os nosso arquivos e encontrar este tipo de pérola! Como você já sabe, às quintas-feiras, a Popload se aproveita do #tbt, aquela popular hashtag do Instagram, para fuçar pautas antigas, matérias que se perderam na nossa versão impressa ou em outras casas (literalmente), etc. Nessas, já recuperamos um bate-papo não muito convencional com o Morrissey, em 2012, uma entrevista com a musa Debbie Harry, antes mesmo do anúncio do Blondie no Popload Festival, a primeira entrevista dos Strokes para o Brasil e até aquele dia em que o Liam Gallagher decidiu pegar no meu pé. Memories…

O flashback de hoje também é muito especial porque traz uma outra atração do Popload Festival, em sua primeira capa de jornal da vida. Talvez a sua primeira entrevista da vida. Mallu Magalhães, aos 15 anos de idade e zero músicas lançadas, ainda na fase “Tchubaruba”, entre uma cover de Bob Dylan e um show do Vanguart. Mallu começava a despontar na cena indie-do-indie paulistano, mas no MySpace, ela já era um “hit”. Ao lado dela, também estrelavam a matéria outras promessas da época, como Stephanie Toth e Pop Armada.

O perfil dessa pequena cena indie-teen foi publicado na edição do dia 30 de janeiro de 2008 na na Ilustrada, caderno cultural do jornal Folha de São Paulo.

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Escola de rock

Cantoras como Stephanie Toth, 16, e Mallu Magalhães, 15, movimentam a cena indie teen do país, fazendo músicas e shows mesmo sem ter idade para ir a festas

LÚCIO RIBEIRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A histórica frase roqueira “The Kids Are Alright” (as crianças estão bem), do The Who, nunca fez tanto sentido na música independente brasileira. Um bando de adolescentes de São Paulo, muitos sem idade para ir a shows e festas nem muito tempo para compor e tocar fora do período de aulas, está balançando o indie rock. A maioria deles, à custa de algumas músicas no MySpace e nenhum plano próximo de lançar um disco tradicional.

A cantora paulistana Stephanie Toth tem 16 anos e aprendeu a tocar aos… 15. Ganhou um violão no Natal de 2006, mas não quis ter aulas para aprender o instrumento. “Aprendi lendo partitura na internet. Em escola eles iam ensinar músicas que não me interessam”, diz. Menos de um ano depois, estava na finalíssima de concurso de bandas novas da Cultura Inglesa, tocando música própria (em inglês) e uma cover do difícil compositor americano Elliott Smith, morto há mais de quatro anos, quando Stephanie tinha entre 11 e 12. Onde conheceu Elliott Smith? “Não sei por que, mas gosto de caras de Omaha [cidade de Nebraska, EUA, de onde vem o Bright Eyes, outro herói indie da garota]. Não lembro onde ouvi Elliott Smith pela primeira vez. Deve ter sido na Last FM [rádio da internet] ou em algum blog”, diz ela. Stephanie já estuda convites para tocar na noite paulistana, mesmo só tendo feito duas apresentações diante de um público na vida -ambas no festival da Cultura Inglesa.

Parceria on-line

Stephanie tem um fiel parceiro musical, Pedro F., garoto de Belo Horizonte que toca guitarra e faz backing vocal em duas músicas dela. Stephanie nunca viu Pedro pessoalmente. São amigos da internet: ela manda músicas para ele; ele devolve com a guitarra base; ela envia de volta com alterações; ele bota a segunda voz. E está pronta. Tudo sem que nenhum dos dois saia de seu quarto, cada qual em sua cidade. As (quatro) músicas de Stephanie chamaram a atenção de Eduardo Ramos, produtor da cena independente e ex-empresário do Cansei de Ser Sexy. Ramos levou Stephanie a um estúdio, mas sem pretensões de cooptá-la para seu selo, o Slag Records. “Ofereci o estúdio para possibilitar uma qualidade melhor de gravação para suas músicas. Mas as canções são dela, não sei se quer lançar em disco. Nem se é o caminho a seguir. Acho que ela tem que colocar as músicas no MySpace e ver o que rola”, defende Ramos.

Também de São Paulo e também cantora, Mallu Magalhães é ainda mais nova que Stephanie. Acabou de fazer 15 anos. E, em vez de festa de debutante, pediu seu presente em dinheiro -para pagar um estúdio e gravar músicas para seu MySpace. Com o dinheiro, gravou quatro. Suas músicas são em inglês perfeito e em português. Faz interpretações ainda de bandas como Belle & Sebastian e Fratellis, além de interpretar uma cover nada convencional do músico Johnny Cash. No último final de semana, ela soube que uma de suas músicas tocou numa rádio comercial de São Paulo. Foi “Tchubaruba”, uma espécie de mini-hit que já a levou a ser destaque em não poucos blogs e sites.

Mallu está escalada para participar de um programa da MTV, no próximo dia 6. No dia seguinte, se apresenta em lugar de “gente grande” em São Paulo, o clube Milo. Mais cedo que o normal, às 23h. É que as aulas dela já vão ter começado. Na agenda de Mallu, que em dezembro já tocou no Clash (!) abrindo para o Vanguart (!!), constam ainda shows no Studio SP, nos dias 15 e 22, no horário “mirim” das 22h30. O grupo indie Vanguart, novo por si só, é farol da novíssima geração.

“Juventude pensante”

“Todas as gerações têm sua juventude pensante”, diz o músico e DJ Kid Vinil, pesquisador de bandas novas desde a época do… vinil. “Fico impressionado por já termos uma geração pós-Vanguart e por uma menina como a Mallu buscar referências em um músico tão distante dela quanto o Johnny Cash.” A reinvenção do indie rock também passa pelas mãos de “veteranos”. Raul, 17, Cris, 18, e Gui, 19, formam o Pop Armada, trio punk pop feito há um ano, desde que seus integrantes desencanaram de tocar hardcore. Seus 15 nanossegundos de fama vieram rápido. No fim de 2007, enviaram um MP3 para o site da Motorola e foram escolhidos para tocar no festival Motomix, abrindo para a banda americana Eagles of Death Metal. Como parte do prêmio, a música, “The Apple Anthem”, ainda ganhou remixagem em Nova York. Se vão lançar um CD com a música? “Talvez. Vamos botar no MySpace primeiro”, diz Gui.

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Se vocês me permitem esticar este #tbt um pouco mais, nestes links dá para ver a Mallu em ação em sua primeira session para uma ‘rádio’. ~No caso~, a da própria Popload, que na época, também há dez anos, era um programa semanal chamado POPLOADED que eu apresentava ao lado do reverendo Fabio Massari. Mallu mandou, em vídeo, as já citadas homenagens ao Bob Dylan (“Folsom Prison Blues”) e ao Vanguart. Clica aí!
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Lembra quando…: o Liam Gallagher pegou no meu pé?

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* Quinta-feira com Liam Gallagher. Final de semana com Liam em dose dupla. Quase tripla, não tivesse ele ficado doente. E, enquanto quinta-feira, é chegado aquele momento #tbt. Já relembramos aquela conversa estranha com o Morrissey, em 2012, uma entrevista especialíssima com a musa Debbie Harry, antes mesmo do anúncio do Blondie no Popload Festival, a primeira entrevista EVER dos Strokes para o Brasil e, agora, um flashback especial para 2001 (!), quando consegui uma exclusiva com os… Gallaghers. A ocasião era o gigante Rock In Rio, em edição que teve de REM a Sting, passando por Britney Spears, Oasis, Neil Young, Sandyjunior, Foo Fighters e Queens of the Stone Age (sim, lineup de 2001, galera!). O destaque nas entrevistas, como sempre, era a rivalidade entre os irmãos. Mas a grande estrela do dia, quem diria, foi o meu pé.

O texto abaixo foi publicado na PENSATA, coluna semanal que eu tinha na Folha Online e que veio a ser a Popload um dia. Você ainda pode ler aqui.

Larga do meu pé, Liam

Lúcio Ribeiro
17 de janeiro de 2001
DIRETO DO RIO DE JANEIRO

A coluna, como não poderia deixar de ser, nesta semana está sendo talhada, elaborada, construída, armada diretamente entre as idas e vindas da Cidade do Rock à Cidade Maravilhosa.

Estamos no meio do Rock in Rio e o bicho está pegando. Pegou no final de semana e vai pegar a partir de amanhã. Britney Spears e Joshua Homme, cada um com seus atributos, já estão entre nós. Socorro!

Então tá: vou contar umas histórias, fazer umas fofocas, mostrar uns troços e o escambau.

Como o clima está muuuuuuuuito quente por aqui, não vai dar para eu apurar, contar e conferir o resultado da promoção da semana passada. E muito menos divulgar a lista dos vencedores da enquete, já que parte dos e-mails ficou no computador de São Paulo.

Mas na semana que vem sai tudo em dose dupla. O resultado da enquete e a lista dos ganhadores da coluna passada e desta. Falei?

Então vamos a esse tal de Rock in Rio.

lucio e oasis gallaghers

O TRISTE LIAM GALLAGHER

Essa história é de cortar o coração. Você sabe quem é o Liam, não é? O da banda Oasis, irmão do Noel, desajuizado e problemático, casca grossa e tal. Ao mesmo tempo que agora é rico para c*** (caramba?). Pois então.

Ia rolar a entrevista coletiva com o Noel, em um hotel no Rio, a jornalistada toda esperando os caras, quando eu soube que a banda estava na piscina do tal hotel, pegando um solzinho.

Então eu e um amigo driblamos a segurança e fomos até lá, ver se rolava alguma foto ou papo exclusivo com os meninos. Avistamos os sujeitos, nos aproximamos e os irmãos foram gente fina, nos recebendo bem para um papo.

Só que o Liam encanou com isso aqui.

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O meu tênis encardido. Um tênis Adidas futebol de salão, fuleiro, que eu levei exatamente para ralar no festival. Penso até em jogá-lo fora quando tudo acabar.

Falávamos do show no Rock in Rio e o cara só olhando no meu pé. Aí ele interrompeu o papo e perguntou onde eu descolei o calçado. Disse que aqui, que talvez não tenha na Inglaterra nem nos EUA porque é de futebol de salão, um esporte tipicamente brasileiro e tal.

Continuei tentando arrancar coisas sobre o show, mas quando Noel abriu a boca para falar Liam parou Noel para falar: Você viu o modelo do tênis dele?

Em um primeiro momento achei que ele estava tirando um barato, mas depois percebi que era sério.

Agora pergunto: por que um cara tão milionário como ele, pop star, mulheres, hotéis cinco-estrelas encanou tanto com um modelo diferente de tênis. Será que é a tristeza e a solidão das grandes estrelas? Ou o cara é mais freak do que aparenta?

De qualquer modo, a história rendeu umas fotinhos exclusivas. Pega aí:

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** Ah, cóf cóf, mas esta foto acima, do Liam, feita por mim com uma câmera superpotente de 320k (tô brincando mas deve ser isso mesmo. 2001, né?), foi vendida por algumas boas libras para a “NME” e saiu ainda no “Guardian”. Tsá?

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Lembra quando…: a Popload entrevistou o Strokes? Pela primeira vez, lááá em 2001?

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Ahhh o Strokes de 2001…

Chegou quinta-feira e este é o dia, pelo menos nas redes sociais, de fazer um flashback pessoal. O #tbt, né? Já tiramos a poeira de um bate-papo com o Morrissey de 2012 e, na semana passada, foi a vez de uma entrevista com a musa Debbie Harry que nunca havia sido publicada no site, só na “mídia impressa”.

A memória de hoje é bem especial. Talvez ela até vire algo maior um dia, mas isso é assunto para outro post. Em 2001, um amigo jornalista que morava em Londres deu a letra sobre uma bandinha de Nova York que estava começando a aparecer no circuito alternativo (na época, a gente ainda não usava o termo indie enquanto tribo/CENA) e que ele achava que eu deveria ouvir. A banda era o Strokes e me virando no Napster, consegui entender de cara o “buchicho”. Procurando o que já havia sido publicado sobre eles, não achei grande coisa, mas dei de cara com uma foto do grupo em um bar tomando… cerveja brasileira. Pesquisa aqui e ali e chegamos ao Fabrízio Moretti. Resumindo MUITO, foi assim que em abril de 2001 o Strokes foi parar na capa da Ilustrada, caderno de cultura do jornal Folha de São Paulo. Uma banda que ainda nem tinha um disco gravado. Pensa.

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O Fabrício é o da direita – Reading Festival, 2001

No mesmo ano, fui até a Inglaterra para o Reading Festival (foto acima tirada no backstage e publicada originalmente na proto-Popload, a coluna online Pensata). A banda foi levada do palco secundário para tocar no palco principal na semana do show, mesmo contra a vontade dos organizadores, forçados pela aclamação de fãs (e dos críticos de música, os mais entusiasmados). Vale lembrar que, um ano depois, escalaram os Strokes como headliner do mesmo festival, fato que lembra o ocorrido com o Nirvana dez anos antes (1991-1992).

Enfim, a matéria publicada em abril de 2001 na Ilustrada era acompanhada de uma entrevista que fiz com o Moretti. Na época, ele tinha dois CDs de música brasileira em casa. Nem te conto quais… No mesmo dia que o jornal saiu, fui ao festival Abril Pro Rock e me apresentaram a um jornalista do The New York Times que cobria música. Ele nunca tinha ouvido falar do Strokes.

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QUASE FAMOSOS

Conheça a banda nova-iorquina que é considerada a mais nova “grande esperança do rock’; saiba sobre a trajetória do grupo dos bares até a disputa de dez gravadoras e leia entrevista com o baterista, que é… brasileiro

POR LÚCIO RIBEIRO
SEXTA-FEIRA, 20 DE ABRIL DE 2001.

The Strokes. De início, tudo o que você precisa saber é o nome desse quinteto de garotos de Nova York, todos com idade entre 20 e 22 anos. Nova sensação do rock, “novo Nirvana”, “next big thing”, a salvação da lavoura?

É cedo para afirmar, mas há muito tempo a cena roqueira não ficava tão excitada com um grupo novo como agora, com Strokes.

E, se for levado em conta que é a banda iniciante mais comentada no corredor Nova York-Londres em anos, citada por roqueiros veteranos em entrevista, com shows cuja platéia é recheada de “notáveis” do pop…

Tudo isso é para uma bandinha que tem apenas um (1!!!) single (três músicas) e dez (10!!!) propostas de gravadoras americanas para o primeiro álbum.

O tal único single da banda, o espetacular “The Modern Age”, lançado só no Reino Unido, já tem uma modesta aparição em lojas de importados de SP. Canções da banda também começam a ser ouvidas nas pistas de clubes de música independente.

A intersecção Brasil-Strokes vai além. A Folha descobriu que o baterista do grupo é… brasileiro. Fabrizio Moretti, 21, que está na entrevista ao lado, é carioca, pai italiano/mãe brasileira, mas vive em NY desde os quatro. O Strokes, além de Moretti, tem Julian Casablancas (vocal), Nick Valensi e Albert Hammond Jr. (guitarras) e Nikolai Fraiture (baixo).

E a imprensa musical, inglesa ou americana, não sabe o que fazer com essa banda que nem um álbum cheio tem, nem gravadora nos EUA tem, nem um esquema mínimo de marketing tem.

O rótulo que mais acompanha o Strokes em resenhas é: “a banda é um encontro do melhor de Velvet Underground com Stooges, com Kinks, com Nirvana”.

No site oficial da banda há disponível uma versão em MP3 para “The Modern Age”. As outras canções, “Last Nite” e “Barely Legal”, estão no Napster.

O grupo apareceu ao rock em janeiro de 2001 no semanário inglês “New Musical Express” como “o single da semana”. Uns poucos shows do Strokes na Inglaterra já fizeram com que a revista “The Face”, de novas tendências, dedicasse duas páginas à banda, com uma enorme foto dos rapazes com o Empire State ao fundo.

O “hype” atravessou o Atlântico e atingiu o lar da banda: os EUA. O grupo começou a correr o país abrindo shows em uma curta turnê do grupo inglês Doves. Nisso a “Rolling Stone” já tinha dado uma resenha grande do single “The Modern Age”, que nem havia sido lançado nos EUA, num espaço dedicado para álbuns.

Os ingressos da turnê começaram a se esgotar rapidamente, e os shows do Strokes se tornaram bem mais badalados que os da atração principal. A “NME” deu chamada de capa para uma curtíssima resenha de um show do Strokes no Texas e nem falaram do Doves, prata da casa.

No mês passado, a primeira apresentação do grupo em Los Angeles reuniu na platéia Morrissey e Courtney Love, entre outros.

A “Rolling Stone”, agora em abril, em seu especial “What’s Cool Now” (O Que É Legal Agora), elegeu o Strokes como “a próxima grande banda do rock”.

Esse conto a la “Quase Famosos” (filme de Cameron Crowe) da vida real acaba nesta semana, dentro de um estúdio em NY, onde o Strokes grava a toque de caixa seu desde já esperadíssimo primeiro CD, com um contrato assinado com a “major” RCA-BMG e com uma turnê européia armada para junho e julho, para depois entrar nos concorridos festivais britânicos de verão. E daí para…

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Fabrizio Moretti

Temos medo de tanto interesse, diz brasileiro

DA REPORTAGEM LOCAL

Aquela foto do Strokes na “Rolling Stone” (essa do topo desta página), na mesa de um bar em Nova York, com garrafas da cerveja brasileira Brahma à vista, tinha que ter uma explicação.
“Foi idéia minha, sim. Pedi a cerveja para botar alguma coisa do Brasil na foto do Strokes, uma das primeiras que fizemos”, disse o baterista Fabrizio Moretti à Folha, por telefone de Nova York, em uma entrevista que discorreu bilíngue no intervalo de gravações do primeiro álbum da badalada banda.

Carioca, habitante de Nova York desde os quatro anos (tem 21), Moretti conta que o Strokes nasceu numa sala de aula de colégio, há dois anos, “como muitas e muitas bandas nascem nos EUA todo ano”. Ainda sem assimilar o que tem acontecido com a banda desde o ano passado, o baterista fala que ele e os amigos estão, claro, assustados.”De repente, surgiu muito interesse no Strokes. E isso dá medo. Até pouco tempo nos perguntávamos: “Será que só nós gostamos da banda?'”, diz Moretti. “Mas ao mesmo tempo isso nos dá felicidade. Não temos nada a perder. Esse interesse todo na banda nos dá suporte para fazermos o que mais gostamos, que é música”, afirma o baterista. Os membros do Strokes largaram recentemente seus empregos “ganha-pão” (trabalhos em bares e videolocadoras) para pensar só na banda.

E do que os meninos do Strokes gostam, quais as influências e tal? “Todo mundo gosta de muita coisa diferente. Falando por mim, posso dizer que adoro Beatles, Stooges e Velvet Underground. Não me identifico com nenhuma banda nova”, afirma Moretti, que diz ter em casa CDs brasileiros do Skank e do Djavan, mandados por parentes do Rio.”Olha, eu tenho os CDs, mas isso não quer dizer que goste.”

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Lembra quando…: a Popload entrevistou o BLONDIE?

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Sério. Debbie Harry em foto de Meredith Jenks

Estreamos na semana passada o #tbt Popload, um “flashback” às quintas-feiras (como manda a hashtag) com posts, entrevistas marcantes, vídeos, sessions, matérias que chocaram a Cena e descobertas que você (muito provavelmente) ouviu aqui primeiro. A ideia é resgatar essas pérolas que acabaram esquecidas nas mudanças de uma casa para outra ou então, como no caso deste especial de hoje, podem simplesmente ter virado banheiro de gato.

Sempre falamos de mulheres memoráveis aqui e estava procurando uma entrevista com uma delas para comemorar o dia de hoje, este 8 de março feminino. Lembrei de quando entrevistei a Debbie Harry para a Ilustrada e vi Blondie ao vivo em Nova York, em show comemorativo dos 40 anos da banda. Só então percebi que a entrevista completa acabou nem saindo no site! Na época, chegamos a publicar a resenha do show com fotos e vídeos, destacando uma frase da cantora que prometia vir ao Brasil “em breve”, mas só isso.

Ótimo motivo para relembrar deste bate-papo que aconteceu há quatro anos e aproveitar também para eterniza-lo por aqui. A promessa da Debbie ainda não foi cumprida, mas a gente vai cobrar.

*ATENÇÃO: contém um plot-twist no final. Papito!

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Foto do show em NY, em 2014

Blondie chega aos 40 com disco e turnê

LÚCIO RIBEIRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM NOVA YORK
30 de maio de 2014

Uma garota-propaganda de uma marca de óculos jovem que não é exatamente uma garota —ou, na verdade, é uma “garota” de quase 69 anos— só poderia ser a cantora americana Debbie Harry.

A loira e sua icônica banda Blondie, importante nome do prolífico punk/new wave nova-iorquino do final da década de 1970, completam 40 anos de carreira em 2014 de volta ao noticiário musical.

O grupo acabou de lançar seu décimo disco de inéditas, apresentou-se no grande festival Coachella e tem feito shows pequenos em Nova York como ensaio para sair em uma turnê mundial.

“Não acho que isso que está acontecendo com o Blondie agora seja um recomeço para nós. A banda nunca acabou. Temos uma turnê mundial planejada. Desta vez certamente iremos ao Brasil”, diz Debbie em entrevista à Folha.

“Cantar no Coachella com o Arcade Fire, para 80 mil pessoas, para mim foi apenas diversão. Nada de mais”, diz. “Não faz muito tempo, tocamos em festivais para 80 mil.”

O disco novo da banda, “Ghosts of Download”, foi lançado nos Estados Unidos em 12 de maio. É parte de um pacote com dois álbuns chamado “Blondie 4 Ever”.

A outra metade do pacote inclui as principais músicas da carreira da banda, regravadas nos últimos dois anos.

LATINIDADE

O álbum tem participação especial, entre outros, do grupo colombiano de mistureba musical “afro-hip-hop-eletrônica” Systema Solar. Debbie Harry gravou uma cumbia para o disco do conjunto, que retribuiu emprestando latinidade ao novo single do Blondie, a canção “Sugar on the Side”.

“Nos afundamos em música moderna latina nos últimos anos. Estamos bastante ligados à região. Nos interessa muito esse intercâmbio”, diz o guitarrista Chris Stein.

“Há uma participação acidental brasileira no disco novo”, revela Debbie. “Existe uma canção chamada ‘Mile High’, produzida por um DJ amigo meu, o Hector Fonseca. Ele tocou recentemente numa festa no Rio de Janeiro e gravou o público cantando ‘hey, ow, ow’. Sugeriu botar esse som das pessoas na faixa e colocamos os brasileiros em coro na música.”

O Blondie sai em turnê mundial agora em junho, começando por um giro europeu em Estocolmo, na Suécia, que envolverá o megafestival inglês Glastonbury. Existem conversas para que a banda, que jamais veio ao Brasil, passe pela América do Sul entre o final de julho e começo de agosto.

“Nunca entendi por que nunca fomos aí”, afirma Stein. Ao fim da entrevista, Debbie manda um recado pelo repórter: “Por favor, diga ao Supla que estou mandando um ‘alô’ para ele”.

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