Em teach me tiger:

TOP 50 DA CENA – O nome da banda é Carabobina. E tá em 1º lugar. Acostume-se a ela. Nelson D traz o contundente indie-indígena de volta à conversa. E mais: Supervão, Luedji, Tagua Tagua, Gabrre e Pessoas Estranhas no top 10

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* Um Boogarins torto, de som torto como não é o do Boogarins, emplaca o primeiro lugar no Top 50 desta semana. Que música é esta, “Pra Variar”, que vem não sei de onde e nos leva não sei para onde. Gostamos dessa sensação na música. Nos leva para a desafiante zona de desconforto. Fora que o álbum inteiro do Fefel mais sua escudeira Alejandra, os Carabobina, está chegando. Logo falaremos mais, inevitavelmente.
Nosso indie-indígena, tão celebrado na Popload, neste Top 50 e até no jornal inglês “The Guardian’, bota na vice-liderança uma grande liderança deste Futurismo Indígena da música brasileira, o ítalo-amazonense Nelson D.
Os discos do Tagua Tagua e da Liedji Luna continua nos maravilhando, então deixa eles ainda mais perto do topo, para o impacto da playlist (que é o que importa) seja imediato.
Porque daí chegam os meninos da Supervão e nos bagunçam todo. Que semana!!!

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1 – Carabobina – “Pra Variar” (Estreia)
Bem boa a brisa do casal Alejandra Luciani, engenheira de som de primeira, e Raphael Vaz, mais conhecido por Fefel do Boogarins. Um pop torto, eletrônico, ruídos lá e cá, que pega na produção acertada da Alejandra. Para fãs e não-fãs de Boogarins _ mas quem não é fã do Boogarins, hein?
2 – Nelson D – “Xenofunk” (Estreia)
Nelson D coloca seu Futurismo Indígena para dialogar com o funk em uma música com diferentes climas e momentos. Parece até um filme. Na letra, um papo sobre xenofobia e a força das diferenças. Afinal, o que temos em comum? As diferenças.
3 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (2)
Toques psicodélicos combinados com um charme pop. Um riff daqueles na guitarra e no baixo. Tagua Tagua prontinho para o sucesso, hein? Hit grudento a furar a bolha da música independente brasileira, talvez. Talvez!
4 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (4)
O disco novo da Luedji saiu e isso é um evento, porque já deu para notar que temos várias músicas nota 10 por aqui. “Ain’t I a Woman”, que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
5 – Supervão – “Fim de Nós/Fim do Sol” (Estreia)
Já falamos de brisa nesta edição, mas vale repetir. Que brisa é esta do Supervão? A banda electro-indie (cada vez mais electro e menos indie) segue bebendo uma água diferenciada, para dizer o mínimo. Parece que o trio está vendo alguma coisa que ninguém está vendo. São Leopoldo, RS, cada vez mais perto de Manchester. A gente curte bem. E os cinco minutos dela são muito pouco. Extended mix pra já.
6 – Gabrre – “Elephants” (Estreia)
Com seu indie cantalorável com toques eletrônicos que nos lembra Caribou e Unknown Mortal Orchestra, o gaúcho novinho Gabrre apresenta seu bom álbum de estreia cheio de altas referências para sua idade e com nome um tanto quanto inusitado mas que ele jura fazer sentido: “Tocar Em Flores Pelado”.
7 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (1)
Grande guitarrista da CENA, era de se esperar que em seu primeiro álbum solo Held colocasse seu instrumento para falar (gritar) mais alto. Ela até está lá em vários momentos, mas trabalha mais em função do que é melhor para as composições dele em diversas colaborações. “Corpo Nós” é exemplo disso, onde Held quase não aparece para brilhar a interpretação única de Juçara Marçal na letra de Alice Coutinho e um esperta bateria dupla feita por Sérgio Machado e Décio do Bixiga 70. E olha que ainda estamos no início de degustação desse disco, já discaço para nós.
8 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (Estreia)
Classificada pela própria banda como uma música sem vergonha, aprovamos a nova aventura da dupla Guilherme Silva e Stephan Feitsma, da nova porém veterana geração do indie paulistano de música boa. Várias canções em uma só: divertida (é inspirada em um cão de um deles) e bem séria para abrir um disco e apontar todo o caminho de suingue que o duo escolheu para trilhar. Fora, que, às vezes, uma música assim é tudo o que precisamos.
9 – Autoramas – “Carinha Triste” (Estreia)
Ah, o amadurecimento. O Autoramas em releitura de uma velha canção deixa seu som mais solto. Saí a guitarra abafada e entra uma vibe mais divertida. E uma produção mais caprichada, lógico.
10 – KL Jay – “Território Inimigo” (3)
Kl Jay sempre acerta. Aqui ele oferece seu balanço único para as vozes de Jota Ghetto, Amiri e Anarka. Na letra, a denúncia sobre o racismo brasileiro que se evidencia em assassinatos brutais e políticas públicas desastrosas que criminalizam a existências da população negra no país. Um basta daqueles em uma questão urgente.
11 – Marrakesh – “Tripin’” (5)
12 – Yannick Hara – “Necropolítica” (Estreia)
13 – Teach Me Tiger – “Wasted” (6)
14 – Compositor Fantasma – “Banjos e Demônios” (7)
15 – Giovanna Moraes – “Futuros do Passado” (8)
16 – RRocha – “Rua” (9)
17 – Mulungu – “A Boiar” (10)
18 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (11)
19 – Chuck Hipolitho – “Mais Ou Menos Bem” (12)
20 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (13)
21 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (15)
22 – Carne Doce – “Hater” (16)
23 – Rohmanelli – “Toneaí” (18)
24 – JP – “Eu Quero Perder Você” (21)
25 – PLUMA – “Leve” (23)
26 – Luiza Lian – “Geladeira” (24)
27 – BK – “Movimento” (25)
28 – Vivian Kuczynski – “Pele” (27)
29 – Boogarins – “Cães do Ódio” (28)
30 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (29)
31 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (30)
32 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (31)
33 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (32)
34 – Letrux – “Vai Brotar” (33)
35 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (34)
36 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (35)
37 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (36)
38 – Rincon Sapiência – “Malícia” (37)
39 – Marcelo Perdido – “Bastante” (38)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do Carabobina, a banda do Fefel e da Alejandra, top do nosso Top.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Tem e-m-p-a-t-e na décima posição do nosso Ranking. Procure entender. Mais: Guilherme Held inverte a ordem e chega ao topo. E alguém leva o Tagua Tagua para tocar no rádio, pfv?

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* Se você olhar bem, tem um EMPATE na décima posição do nosso ranking na semana. Empate de duas músicas que ainda não existem, mas existem. É o que pode esta CENA. Os malucos do Mel Azul lançaram seu single só no Whatsapp, por enquanto. Vai chegar, calma. Mas, veja bem, já chegou. O Mulungu, de conexões do Nordeste, lançou seu single via Zoom, com direito à meditação, relaxamento, respiração diferente. Vai chegar, calma. Mas, veja bem, já chegou. Em outra dimensão, mas chegou. Que lindo tudo isso.
Falando na música campeã da semana, palmas para Guilherme Held, famoso guitarrista “dos outros”, mas que brilha em seu primeiro trabalho solo, invertendo a coisa e fazendo “os outros” colaborarem para ele. Destaque ainda para a charmosíssima psicodelia do Tagua Tagua. Fechamos os olhos e pegamos uma música qualquer de seu delicioso novo álbum. E só não botamos em primeiro porque o Guilherme Held não deixou.
Que linda esta CENA!

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1 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (Estreia)
Grande guitarrista da CENA, era de se esperar que em seu primeiro álbum solo Held colocasse sua guitarra pra falar mais alto. Ela até está lá em vários momentos, mas trabalha mais em função do que é melhor pras composições dele em diversas colaborações. “Corpo Nós” é exemplo disso, onde Held quase não aparece para brilhar a interpretação única de Juçara Marçal na letra de Alice Coutinho e um esperta bateria dupla feita por Sérgio Machado e Décio do Bixiga 70. E ainda mal começamos a ouvir e ouvir esse disco, já discaço para nós.
2 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (Estreia)
Toques psicodélicos combinados com um charme pop. Um riff daqueles na guitarra e no baixo. Tagua Tagua prontinho pro sucesso, hein? Hit grudento prontinho pra furar a bolha da música independente brasileira, talvez. Talvez!
3 – KL Jay – “Território Inimigo” (1)
Kl Jay sempre acerta. Aqui ele oferece seu balanço único para as vozes de Jota Ghetto, Amiri e Anarka. Na letra, a denúncia sobre o racismo brasileiro que se evidencia em assassinatos brutais e políticas públicas desastrosas que criminalizam a existências da população negra no país. Um basta daqueles em uma questão urgente.
4 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (2)
O disco novo da Luedji saiu e isso é um evento, porque já deu para notar que temos várias músicas nota 10 por aqui. “Ain’t I a Woman”, que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
5 – Marrakesh – “Tripin'” (Estreia)
Pense global, aja local. O Marrakesh tem feito as coisas certinhas na sua trajetória. Ajudaram a tirar a música independente de Curitiba de uma ressaca pós-Bonde do Rolê e agora, com um pé no Paraná e outro em SP, focam numa conexão mais apropriada para seus shows, suas roupas, sua postura psicodélica que roça no pop. É o Marrakesh ressurgindo em nova fase, pós-pandemia.
6 – Teach Me Tiger – “Wasted” (Estreia)
Essa dupla belga-paulistana da cena mineira andava meio sumida, mas ressurgiu tão afiada quanto antes. Esse single novo antecipa um novo disco, “Copy of Myself”, que chega em novembro. Para prestar atenção. Porque, yes, nós temos post-punk!
7 – Compositor Fantasma – “Banjos e Demônios” (Estreia)
Segue a saga do compositor desconhecido, mais ou menos. Nesse som, uma porrada em líderes charlatões. Apesar do tema pesado, ele não abre do refrão pegajoso. Potente.
8 – Giovanna Moraes – “Futuros do Passado” (6)
Aqui a talentosa e inquieta Giovanna encontra uma forte conexão entre música e texto. Entre voz e ritmo. Se a ideia da letra é refletir sobre mudanças e transições, o som acompanha bem isso indo para diferentes rumos, inclusive alguns sem saída – quando a música até para. E retoma. Giovanna parece saber fazer o que quer com seu som. Até criar uma perguntinha boa a partir dele. Como criar um futuro que não esteja amarrado ao passado? Já pensou nisso?
9 – RRocha – “Rua” (Estreia)
Rocha tocou guitarra e baixo, além de cantar, na Wannabe Jalva. Agora solo, o cantor se repagina em um som menos “space”, mais MPB distorcida, a caminho do primeiro álbum. Interessante demais esse rolê que ele encontrou.
10 – Mel Azul, “Mimo” – Mulungu – “A Boiar” (Estreias)
Olha… A primeira música, da banda paulistana Mel Azul, foi lançada nesta semana. Pelo Whatsapp somente. Ainda não foi para as plataformas. A segunda, do grupo nordestino (Recife/Natal) Mulungu, foi lançada no Zoom. Ainda não está nas plataformas. Essa décima posição é para guardar um lugar no top 10 do Top 50 para as duas, entende? A gente ouviu e ambas merecem.
11 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (3)
12 – Chuck Hipolitho – “Mais Ou Menos Bem” (4)
13 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (5)
14 – Plutão Já Foi Planeta – “Risco de Sol” (7)
15 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (8)
16 – Carne Doce – “Hater” (9)
17 – WRY – “Tumulto, Barulho e Confusão” (10)
18 – Rohmanelli – “Toneaí” (16)
19 – Matuê – “Máquina do Tempo” (18)
20 – The Baggios – “Hendrixiano” (20)
21 – JP – “Eu Quero Perder Você” (21)
22 – Gabrre – “De Noite Eh Dia de Sair” (22)
23 – PLUMA – “Leve” (23)
24 – Luiza Lian – “Geladeira” (24)
25 – BK – “Movimento” (25)
26 – Nana – “Independência ou Morte” (26)
27 – Vivian Kuczynski – “Pele” (27)
28 – Boogarins – “Cães do Ódio” (28)
29 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (29)
30 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (30)
31 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (31)
32 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (32)
33 – Letrux – “Vai Brotar” (33)
34 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (34)
35 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (35)
36 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (36)
37 – Rincon Sapiência – “Malícia” (37)
38 – Marcelo Perdido – “Bastante” (38)
39 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (39)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do guitarrista Guilherme Held, em foto de José de Holanda.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Três garotas, a coisa do alce, surrealismos. Apenas o vídeo novo da banda mineira Teach Me Tiger

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* Grande banda belga-paulistana da cena mineira (!?), a dupla-trio (?!) Teach Me Tiger solta aqui, via Popload, seu mais novo single visual, mais conhecido como vídeo. “Drive”, a música, faz parte ainda do disco de estreia do grupo liderado pelo guitarrista Yannick Falassi (o belga) e a vocalista e tecladista Chris Martins (a paulistana), ambos radicados e fomentadores da onda musical de BH. Tanto que eles pilotam o esperto selo La Femme Qui Roule.

“Drive”está no álbum “Two Sides”, de 2016.

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Algo entre o dream pop, o Ladytron e o pós-pós-punk, o Teach Me Tiger trabalha o onirismo no vídeo de “Drive”, que cabe tão bem no som que produz. Algo que é belo aos olhos mas que também incomoda, como garotas bonitas e um chifre de alce permeando uma história noturna sem linearidade. Monte você mesmo, na sua cabeça, seu vídeo de Drive.

Conforme o informativo informe da banda, “na calada da noite preta, esqueça os vampiros. A jornada aqui é feminina e traz a simbologia do alce, ou seja, algo a ver com vida, morte, liberdade e renascimento. Um acidente, uma, duas, três mulheres”.

A direção é do videomaker Pedro Furtado e o argumento é da Marcela Dantés. “São dois provocadores, fizeram uma leitura da nossa música que tem a ver com o que nos inspirou originalmente, sobre a dificuldade de dirigir a si”, afirma Chris Martins, a vocalista do TMT.

Atuam no vídeo três personalidades da cena mineira: a artista e pesquisadora Dora Bellavinha, a modelo e estilista Luciana Lobato e a atriz, diretora e ex vj MTV Mariana Castelo Branco. A realização é do Coletivo Imaginário.

E a parada é esta:

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CENA – Picnik Festival, sábado, com Ava Rocha, Congo Congo, Teach Me Tiger e a falta de um Jeremy Corbyn. Ou homenagens ao nosso Corbyn-às-avessas

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* Num final de semana em que o maior festival do mundo, o inglês Glastonbury, consagrou um político-esperança (Jeremy Corbyn) como atração no meio de mil bandas, na Brasília de tantos políticos daqueles um dos menores grandes festivais indies levou o rock alternativo ao meio do poder. Alguns gritos de “Fora Temer” foram o contraponto brasileiro, a “resposta” do Picnik ao Glastonbury. Whatever.

No primeiro dia do Picnik Festival, o sábado, atrações locais (Brancunian e Transquarto) misturadas ao bom levante mineiro (Teach Me Tiger e Congo Congo) abriram o caminho dos grandes Bixiga 70, de SP, e da impressionante Ava Rocha, do Rio. O Firefriend, trio paulistano com pé em Brasília, mais a tradicionalíssima Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, candanga, completaram o bom primeiro dia de shows.

Antes, necessário dizer, uma cerimônia xamânica com pessoas dando as mãos em frente ao palco principal abriu o festival. Foi um agradecimento ao solo em que o festival estava sendo realizado. Picnik é destes.

O visual do Picnik é espetacular, de tão bizarro. Porque o visual de Brasília é espetacular de tão bizarro. Nesta edição realizada no parque que compreende a Fonte da Torre da TV, o festival instalou sua tenda de circo e a maior área gastronômica dos festivais brasileiros no Eixo Monumental, o corpo do avião, a avenidona que desemboca no suntuoso Palácio do Congresso Nacional. De um lado do Picnik fica a Asa Norte, do outro, a Sul. Ali na Norte, na paisagem de prédios está o famoso Hotel Eron, abandonado e pixado, invadido no ano passado por desabrigados, que foram expulsos em uma manobra militar cinematográfica. A três edifícios de distância, e em fase de acabamento, está um dos hotéis da cadeia Fasano, projetado pelo arquiteto paulista Isay Weinfeld. Brasila é muito loka.

Um pouco dos shows, em fotos e vídeos, do sabadão do Picnik.

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Acima, no fim da estrada, o Palácio do Congresso Nacional. O Picnik Festival é à esq. da foto. Abaixo, a tenda circense onde fica o palco principal

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Acima, arranjos de oferenda à Mãe Terra para cerimônia xamânica que inaugurou o Picnik Festival. Abaixo, a banda paulista Bixiga 70, uma das atrações principais, passando o som durante a tarde

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A banda Brancunians, da nova geração de Brasília, do vocalista e guitarrista Gap Gap, se apresenta no Picnik Festival

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Acima, Breno Brites, guitarrista, e o irmão Bruno se apresentam na Kombi da Lombra Records, que era o palco dois do Picnik, como Bilis Negra; abaixo, o grupo carioca Beach Combers, de surf music

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CENA – Ao vivo, Teach Me Tiger tinge BH de arte vermelha. E lança performático vídeo novo

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* Em visita a BH na semana passada, vimos alguns recortes do grande momento que vive a cena indie mineira. Um deles foi o show da banda belgo-paulistana de pós-pós-pós-punk Teach Me Tiger, do bacanaço selo mineiro La Femme Qui Roule, na casa algo nova A Autêntica, o palco médio (400 pessoas a capacidade) que faltava para abrigar com mais espaço o volume interessante produzido pela nova música local.

O ótimo show do Teach Me Tiger, que antes era a dupla-casal Yannick Falassi, guitarrista, e Chris Martins, synth e vocal, ambos radicadíssimos em Belo Horizonte, agora é acrescido do excelente baterista Felipe Continentino. Continentino, porém, não é o baterista que contribuiu com as batidas de “Two Sides”, o álbum de estreia do TMT lançado no final do ano passado. No disco, que senta na bateria é Victor Magalhães, o Vitinho, do Congo Congo.

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Da apresentação da Autêntica, temos o vídeo de “Frozen Days”, com uma pitada de pós-punk soturno na versão ao vivo, em comparação ao disco.

Ainda na semana passada, o Teach Me Tiger lançou o bonito vídeo para a faixa “Here We Are”, a que abre o disco “Two Sides”. O vídeo, todo artsy, tem o conceito e a participação do conceituado artista e performer mineiro Rezm Orah. Outra performer, Taís Daher, também está no vídeo.

** As imagens deste post e da home da Popload são da fotógrafa mineira Bruna Brandão.

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