Em Teenage Fanclub:

Top 10 Gringo – Ranking robusto desta semana reúne no topo Billie Eilish, Royal Blood, Girl in Red e grande elenco. Mas… Anitta??

>>

* Têm semanas que montar o nosso top 10 é dar atenção a artistas que a gente acabou de conhecer e nem sabe ainda muito qual é a deles. Porque tudo que seguimos mais de perto às vezes anda devagar. Nestes dias essa situação não rolou. Uma galera que a gente já acompanha, segue e presta atenção parece ter combinado de soltar novidades excelentes de uma só vez. Uma fato que deixou nossa missão bem complicada aqui, com vários potenciais números 1 na mão. Se o que a gente sempre fala aqui, que o importante é a playlist gostosa que essas músicas reunidas gera, isso não chega a ser complicaaaaaado exatamente, né? Charminho nosso.

billietopquadrado

1 – Billie Eilish – “Your Power”
A missão do segundo disco é um trabalho árduo mesmo quando o primeiro não bombou, digamos. Imagina então quando esse seu álbum de estreia é um múltiplo vencedor do Grammy que te levou a conquistar o mundo inteiro até mesmo antes de ser lançado? É daí que Billie Eilish assume essa complicada missão, que tudo indica que será bem-sucedida, incluindo até algumas transformações de personalidade, sinal de crescimento, de querer sair do lugar onde sempre esteve. Até agora os três singles de “Happier than Ever” são excelentes e o mais recente, “Your Power”, além de revelar mais a fundo novo visual e postura, relevam uma Billie ainda mais afiada e sutil em seu recados na letra corajosa que expõe uma questão tão pessoal – um retrato sobre abuso de poder em um relacionamento, talvez inspirado em seu próprio namoro com um cara mais velho. Cada um com suas cobras, ela mostrando a dela.

2 – Royal Blood – “Trouble’s Coming”
Ao se reinventar mais “dançante”, e aqui as aspas são importantes, o duo do Royal Blood conseguiu dar um novo gás para o seu som e garantir a sua volta às principais arenas do rock mundial – quando elas tiverem funcionando a toda, lógico. Proporção é uma questão aqui. Em uma banda com a fama do duo Royal Blood movimentos bruscos são sempre sentidos por fãs e não fãs. Um erro e acabou. Mas não é o caso da vez. Aqui eles entregam vários prováveis hits que podem tocar sem medo em rádios pelo mundo. Talvez ele percam algum fã mais radical no processo, mas é do jogo.

3 – Black Midi – “Slow (Loud)
A versão loud de “Slow”, novo single do Black Midi lançado nas plataformas, é a mesma música que estará no disco novo que vem aí, só que ligeiramente mais alta, como descreveu a banda. Lógico que gostamos da versão mais barulhenta e pegada. Sendo o conteúdo o mesmo, vale notar que o Black Midi deve aperfeiçoar sua lógica complicada de nos fazer perdidos em tentar rotulá-los (jazz? indie? experimental?), proposta em seu primeiro álbum, repetindo a tarefa agora em “Cavalcade”, a segunda aventura de estúdio da banda prevista para o fim do mês. A gente já ouviu por aqui e entrega um spoiler rápido: está menos jam, mais melodioso. Mas do jeito Black Midi, claro.

4 – Girl in Red – “Did You Come?”
A gente sabia que ia amar o disco de estreia da norueguesa Girl in Red, que saiu sexta passada. Além dos singles que já curtíamos todos, um petardo desses em direção a um namorado que traiu a narradora da música. Não é lamento, não. É um chega para lá daqueles. Dolorosamente divertido.

5 – Kings of Convenience – “Rock Trail”
Foram 12 anos sem música nova, mas a dupla norueguesa do altão Erlend “Shhhh” Øye com o parça das antigas Eirik Glambek Bøe não perdeu a forma que consagrou seu trabalho lá atrás. Uma afiada dupla de violões e vozes que se encontram harmoniosamente em belas melodias e climas deliciosos, arriscamos a dizer um parente de uma MPB bem feita, cancioneira. No caso do KoC, sabe aquele som que pede uma tarde de sol, um vinho, um parque, alguns amigos? Tem quem ache caído, pode ser, mas nem tudo é ruído nesta vida barulhenta.

6 – Beach Bunny – “Cloud 9”
Quem acha que no TikTok não tem espaço para hits com guitarras tem que escutar “Cloud 9”, megafenômeno do pequenininho grupo americano Beach Bunny, de Chicago, quarteto indie liderado pela fofa Lili Trifilio. São 78 MILHÕES de streams na plataforma jovem-dancinha. Pensa. Esse sucesso alavancou a música em ambientes mais tradicionais, como o Spotify e até programas de TV nos EUA, que a banda até já frequentava antes de ser tornar fenômeno. É que agora o status dessa molecada é/está outro.

7 – Teenage Fanclub – “Silent Song”
Teenage Fanclub não tem erro. Em seu novo álbum, “Endless Arcade” a sempre linda banda escocesa não só se mostra que está firme em sua “velhice indie” (aqui tem um conceito que talvez seja desnecessário explicar) como segue produzindo, talvezzzzzz, um de seus melhores repertórios, se você praticar o desapego ao passado. “Silent Song” é sobre uma poderosa música que não precisa de palavras: a mensagem está no olhos, na alma. Uma conexão dessa dispensa palavras.

8 – Burna Boy – “Kilometre”
Burna Boy conquistou um Grammy ano passado na categoria meio controversa da polêmica premiação da indústria americana que é a de world music – mas é o Grammy, né? Outro papo. Com boa entrada nessa indústria citada, na imprensa pop dos EUA e bombando Billboard, o artista nigeriano soltou um single que comemora esse sucesso todo e ao mesmo tempo avisa aos novatos, nesta sua música, que sua trajetória de sucesso não começou ontem, com esse tardio reconhecimento do “primeiro mundo”. Ele já tem sua estrada. Estrada quilométrica. Respeita o cara.

9 – Violet Grohl e Dave Grohl
Que voz tem a filha do Dave, Violet, 15 anos. É um barato ver a dupla aqui no primeiro single dela, com protagonismo realçado ainda que numa música de outro, um cover esperto da sensacional banda punk X. E ainda mais a versão ao vivo que rolou em um programa de televisão nos EUA, que contou com o ex-Nirvana Krist Novoselic no baixo e o ex-Slayer Dave Lombardo na bateria. Se o pai liberar o zap para mais convites desse porte, Violet já tem algumas superbandas para imaginar.

10 – Anitta – “Girl from Rio”
Anitta é brasileira, mas achamos que vale a brincadeira de jogar ela aqui entre os gringos. Até porque (1) a música é de exportação, cantada em inglês, e (2) a meta dela nesta canção e ultimamente na vida é começar a rivalizar de vez com os grandes nomes do pop mundial. E talvez role. É um acerto a maneira como ela pega uma das canções mais populares e brilhantes da história, que é “Garota de Ipanema”, e dá seu toque moderno nos novos versos. Quer forma melhor de tocar corações do mundo todo com uma melodia que já está lá, mas para uma nova geração? A gente comenta melhor na CENA. Apropriação cultura? Our asses.

*****

*****

* A imagem que ilustra este post é da nova Billie Eilish nova.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

Popnotas – As covers do Black Keys. Outra nova do Teenage Fanclub. A “reestreia” da banda The Shins. Disco da Lucy Dacus vem aí. E o festival feminista de Mossoró

>>

– “Endeless Arcade”, o 11º álbum do grupo escocês fofurinha Teenage Fanclub, sai dia 30 de abril. Já conhecemos quatro singles deste disco, e hoje recebemos mais um. Chama “In Our Dreams” e como muitas músicas do Teenage Fanclub em sua carreira, desde 1990, parece que vai começar um indie rock bem energético aí a magia do lirismo romântico da banda quebra a expectativa. O single de “In Our Dreams” foi apresentado com um vídeo da banda tocando ao vivo num galpãozão com luz incrível.

– A outrora adorada banda indie americana The Shins lançou seu aclamado disco de estreia, “Oh, Inverted World”, em junho de 2001, no vapor do novo rock blablablá. E, como tudo naquele bendito ano para a cena alternativa dos EUA e mundial, a efeméride de 20 anos vai resgatar esse debut do grupo do Novo México para um relançamento luxuoso, em junho. No dia 11/6, com a estampa da Sub Pop, “Oh, Inverted World” vai sair com livreto recheado de material histórico, tipo fotos da época, as letras manuscritas etc.

– Com a chegada dos discos mais recentes da Phoebe Bridgers e da Julien Baker, a gente estava ansiosa para o lançamento do novo disco da Lucy Dacus, o que faltava das meninas que formam o trio boygenius. Agora a ansiedade tem data para acabar. Já sabemos que ela chega de disco novo no dia 25 de junho. O álbum se chamará “Home Video” e está gravado, veja só, desde agosto de 2019, antes de a palavra pandemia ser uma realidade mundial. Nem é preciso dizer que tanto Phoebe quanto Julien vão participar do álbum. Com o anúncio, ela soltou um single, que é a faixa que abre o disco, a bonita “Hot & Heavy”.

– O The Black Keys vai lançar um disco de covers com músicas que influenciaram a banda. “Delta Kream” ganha streamings e lojas no dia 14 de maio. A ideia é honrar sons do blues e country norte-americanos, nomes como Ranie Burnette, Fred McDowell e Joseph Lee Williams – sim, coisas das antigaças mesmo. O primeiro som deste novo álbum disponível é a versão para “Crawling Kingsnake”, um do John Lee Hooker de 1941. Mas nem adianta procurar por aí, você só encontra ela se cadastrando no fã-clube da banda, um lance que rola fazer de graça. Faz lá. A gente ouviu e a cover ficou bem boa.

CENA – No dia 24 de abril, sábado da outra semana, acontece a segunda edição do festival Desérticos, com transmissão gratuita por duas vias: na conta de Youtube do evento e pela emissora TCM, uma TV a cabo local de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A história só melhora: o Desérticos é um festival feminista, buscando dar visibilidade parar as mulheres da CENA brasileira. Esta segunda edição tem como estrela a conhecida capixaba Gabriela Terra, dona do My Magical Glowing Lens (foto na home). Outras bandas forasteiras do festival potiguar são Corja (CE) e Dark Valley (RS). A lista local traz Hell Lotus, Lasting Maze, Potato Head, Arianne Oly, Black Witch e BOATS. O Youtube do Desérticas está aqui.

>>

Top 10 Gringo – O peso da doce Lucy Dacus vai ao topo. Mas não é esse peso que você está pensando. É mais pesado! E tem Horrors, a zoeira da Cardi B, Marielle na Imelda May e muito mais. Que semana!

>>

* Tivemos uma semana interessante na música gringa, de poucos e bons lançamentos, ainda que nada grandão. Mas que também deu oportunidade de fazermos o que curtimos bem: recuperar sons legais não necessariamente muito novos ou até bem velhos e que de alguma forma formaram a trilha sonora dos últimos sete dias. Nos dois primeiros lugares, temos duas das músicas mais pesadas do ano, cada uma com seu tipo de peso. E uma série de bandas “antigas” que ainda estão por aí ressurgiram com novidades. Fora o “polêmico” caso da Cardi B no Grammy, que impactou nosso ranking. A playlist mais importante para entender o que aconteceu lá fora na semana está no ar.

lucyquadrada

1 – Lucy Dacus – “Thumbs”
Talvez uma das narrativas mais pesadas do ano. Sem pensar na letra, “Thumbs” já tem uma história interessante. Era tocada em shows e proibida pela própria Lucy de ser registrada pelos fãs, que pedia para não botar a música na internet. Que era para aguardar por seu lançamento oficial, mas que no momento Lucy não se sentia preparada para lançá-la. Na letra, a narradora seria capaz de matar o pai da amiga, se ela permitisse. A razão? Não é contada, mas algo nada bom aconteceu nessa relação pai e filha. Agora entendemos a solidariedade e expectativa dos fãs para a música, que então agora saiu.
2 – The Horrors – “Lout”
O Horrors não dava as caras na música desde 2017, quando lançaram o álbum “V”, ainda que sem a repercussão dos bons tempos da banda na década retrasada já. Mas aí temos que Faris e os Horrors estão de volta com uma música nova de… metal industrial. Tipo horror mesmo, mas o gênero, não que ela seja ruim. Muito pelo contrário. É perfeita naquilo que se compromete.
3 – Cardi B – “WAP” (feat. Megan Thee Stallion)
Música mais falada do último Grammy, Cardi B apresentou “WAP” com um trecho do remix em ritmo de do brasileiro Pedro Sampaio. Acabou sendo a deixa para uma daquelas polêmicas xaropes de Twitter: “Mas o funk brasileiro não produz boa música?”. De novo isso? Se a Cardi B soube celebrar, ainda mais com a Megah Thee Stallion, a gente celebra junto.
4 – Imelda May – “Made to Love”
Este som da cantora irlandesa vizinha do Bono e amiga do Noel é um upbeat com participação do Ronnie Wood, dos Stones, sobre “lutar por amor”. E a horas tantas da letra, junto a nomes como Martin Luther King, John Lennon e Buddha, cita a brasileira Marielle Franco, vereadora do Rio que foi assassinada há três anos, junto com seu motorista, Anderson Gomes, em um atentado político. Aproveitando, a gente repete uma pergunta que está por aí nestes três anos: Quem mandou matar Marielle?
5 – Dry Cleaning – “Strong Feelings”
Novíssima banda inglesa de pós-punk tipo 1979, 1980 com sinais de influência de Siouxsie & The Banshees, perto de lançar seu primeiro álbum. Essa guitarra Magazine/Gang of Four é de matar. O vocal falado da bonitona Florence Shaw também.
6 – Lake Street Dive – “Hypotheticals”
Quer escutar um som bem alto astral? Aposta neste. A introdução climática engana até a chegada de um bom suingue. De gringo, mas está valendo. A Lake Street Dive é uma banda de Boston com longa estrada, mas até agora nem um disco deles parece ter tido o sucesso com a crítica que o mais recente, “Obviously”, recém-lançado. Vale dar uma atenção.
7 – Grouplove – “Deadline”
Os californianos do Grouplove frequentam há anos a Popload. Sempre queridos, desde o seu primeiro álbum. Se a banda não virou tão popular quanto a gente esperava, não importa. Ele seguem firmes e “Deadline” é um musicão que agitaria muita pista indie que está fora do ar nessa pandemia. Baixo na cara, um pique e tanto. Nosso amor grupal pelo Grouplove.
8 – Everything Everything – “Supernormal”
A banda Everything Everything, de Manchester, entrou nessa nova linha de artistas que lançam um single inédito pouco tempo depois de soltar um álbum lotado de possíveis singles. A novidade é “Supernormal”, música escrita durante a produção do álbum “Re-Animator”, de 2020. Vale assistir o vídeo da música, dirigido e animado pelo vocalista Jonathan Higgs, que aprendeu um monte de funções para dar conta de criar sozinho uma das obras audiovisuais mais bizarras do ano.
9 – Teenage Fanclub – “The Sun Won’t Shine on Me”
A música de sempre, da adorada banda de sempre. Desde o comecinho dos 90, como é bom ouvir Teenage Fanclub. Já contamos como conhecemos esse quinteto inglês lá em 1990? Pergunta que a gente fala. Este é um doce novo single o próximo álbum, “Endless Arcade”, que sai agora em abril. Só bota para tocar.
10 – Bernardo – “Almost a Mother”
Bernardo é Sonia Bernardo, algo como uma portuguesa que nasceu em Londres e foi e voltou de suas duas pátrias até se achar na música. Dentro da enorme cena londrina de soul alternativo com pegadas jazzísticas, Bernardo fez essa “Almost a Mother” para armar um bullying musical em garotos estúpidos sendo estúpidos com uma menina, pelo que eu entendi da letra. A música em si é ótima e tem na produção o Dave Maclean, do Django Django. Olho em Bernardo.

****

****

* A imagem que ilustra este post é da cantora e guitarrista Lucy Dacus.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

POPNOTAS – A atrasadinha do Teenage Fanclub, Gwen Stefani se reintroduzindo, as notonas do Weezer novo e a lojinha da Sub Pop

Continue reading

Ai, meu indiezão das antigas! Teenage Fanclub anuncia novo disco para o início de 2021, o primeiro sem o Gerard Love

>>

111120_teenagefanclub2

Instituição histórica e sagrada da música alternativa, o Teenage Fanclub anunciou para daqui alguns meses o lançamento de seu primeiro disco em cinco anos.

“Endless Arcade” estará entre nós, de forma oficial, no dia 5 de março. O projeto será o sucessor do bom “Here” e chega cercado de curiosidade de como o grupo escocês soará sem seu fundador Gerard Love, que saiu do TF em 2018.

Junto com o anúncio, a banda liberou o primeiro single, “Home”. Além desta, a faixa “Everything Is Falling Apart”, lançada ano passado, também está na tracklist, que tem 12 canções no total.

Endless Arcade – Tracklist
01 Home
02 Endless Arcade
03 Warm Embrace
04 Everything Is Falling Apart
05 The Sun Won’t Shine on Me
06 Come With Me
07 In Our Dreams
08 I’m More Inclined
09 Back in the Day
10 The Future
11 Living With You
12 Silent Song

>>