Em Terno Rei:

Top 50 da CENA – O sangue negro de GIO tem poder. Parte 2 da Tuyo mantém trio no topo. E a Linn da Quebrada segue no pódio

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* Pensando aqui se esta semana tem algum marco temático. Parece que não. A gente já estava de olho no GIO, a gente já ama a Tuyo, o alcance sonoro do Valciãn, a Mary chegou na gente via Mahmundi, outro amor nosso. Bruno Bruni e Terno Rei também são outras obsessões da casa. Sem falar nos outros sons que seguem mais uma semana no nosso top 50. Acho que encontramos um tema: nossa playlist semanalmente atualizada é o nosso amor por essa CENA maravilhosa que é a brasileira. Você ainda não se apaixonou, não?

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1 – GIO – “Sangue Negro” (Estreia)
O novo álbum do baiano GIO, anteriormente conhecido como Giovani Cidreira, é uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo. A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, Gio escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos.

2 – Tuyo – “Turvo” (Estreia)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente descontruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

3 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (1)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

4 – Mary Olivetti – “Black Coco” (Estreia)
Filha do mestre Lincoln Olivetti, a DJ e produtora Mary resolveu reler uma joia do pai, no caso este hit dos anos 70. Na versão atualizada, os vocais são da maravilhosa Mahmundi, que só chegam aos 2 minutos da música. Deu para entender um pouquinho da brisa que são esses seis minutos de som?

5 – Rodrigo Amarante – “Maré” (2)
Um outro segundo disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia solo. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

6 – Valciãn Calixto – “Desmitificando Pombagira” (Estreia)
O piauiense registra aqui sua mistura única de funk, axé, swingueira, capoeira, salsa, candomblé e xote, temperada pela sua capacidade enorme para fazer letras simples e bacanas, diretas. E parte para cima de uma tema urgente no Brasil: desmitificar elementos do candomblé e da umbanda. Não por acaso, seu novo EP que saí em breve vai levar o nome de “Macumbeiro 2.0”. Menino bom.

7 – Tagore – “Capricorniana” (3)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

8 – Zopelar – “Jump” (4)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

9 – Bruno Bruni – “A Onda” (Estreia)
Indie de alma jazz ou o contrário, Bruno Bruni começa a dar as pistas de seu novo álbum. Se “Broovin”, sua estreia, era o trabalho de um homem só, “Broovin II” traz muitos músicos em cada som. A festiva “A Onda” é só o primeiro indicio do que essa mudança de temperatura traz para a obra do músico.

10 – Terno Rei – “Medo” (Estreia)
Chapamos na estética anos 80/rádio retrô desse som. Ainda que esteja em “Violeta”, álbum do Terno Rei lançado em 2019, a banda lançou só agora um vídeo para ela e fez a gente relembrar o quanto ali está um puta disco. Dali a gente vai por “Yoko”, “São Paulo”, “Dia Lindo”. É esperar a pandemia acabar para ver um show dos caras.

11 – Bonifrate – “Cara de Pano” (5)
12 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix) (6)
13 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (7)
14 – Criolo – “Fellini” (8)
15 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (9)
16 – Fusage – “Fearless Soul” (10)
17 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (11)
18 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (12)
19 – Lucas Ranke – “Alucina” (13)
20 – ATR – “Intro’ (14)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (16)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (17)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, GIO, ex-Giovani Cidreira.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Popnotas – Idles distribui ingressos entre médicos e enfermeiros. Festival Amparo começa hoje para ajudar casas culturais de SP. Terno Rei libera o vídeo purgatórico para “Medo”. E o Young Thug grava o “Tiny Desk” no jardim

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– A banda inglesa Idles vai tornar para lá de especial seu show de Bristol, a terra deles, marcado para acontecer na área pública de eventos Clifton Downs no começo de setembro, dia 3. Dos 10 mil ingressos para essa apresentação, 2 mil entradas estão separadas para trabalhadores do serviço de saúde britânico (NHS), médicos/as e enfermeiros/as da cidade e região, que trabalham na linha de frente na pandemia da covid-19. É um “gesto de gratidão”, segundo a banda. “Não é muito, mas é nosso agradecimento por seu inacreditável trabalho e envolvimento nos últimos 18 meses”, diz mais ou menos assim o tweet postado hoje pelo grupo. A banda informou ainda que, se algum profissional da área médica tiver comprado o ingresso para o show de 3 de setembro em Bristol, eles vão ficar felizes em devolver o dinheiro. Esse concerto em Bristol vai ser tipo um
“festival do Idles”. A banda vai revelar o line-up amanhã.

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CENA – Começa hoje às 19h e vai até domingo, na internet, o Festival Amparo, evento online que visa ajudar mais de 100 espaços culturais de São Paulo a se manterem vivos, depois desses 18 meses de inatividade (e contando). A programação, bancada pela Secretaria Municipal de Cultura da cidade, é vasta e terá música, dança, teatro, circo e outras performances. Rincon Sapiência, Francisco el Hombre, galera da festa Batekoo e Anelis Assumpção são algumas das atrações. O evento todo acontece em três canais/”palcos” no site do Festival Amparo, onde você confere também toda a programação. Esses canais são nomeados como CCSP, Galeria Olido e Vila Itororó. Um dos destaques desta noite de abertura é o show do Projeto Unknown e de Tito Martino Jazz Band representando a casa JazzNosFundos, uma das que sofreram a consequência desastrosa para a música nesta época pandêmica e tenta sobreviver. O streaming será das 23h15 à 0h15. Na sexta-feira, no mesmo horário, terá a transmissão do show da banda Francisco, El Hombre (foto na chamada da home da Popload), gravado no mês passado no Cine Joia.

Festival Amparo from Secretaria Municipal de Cultura on Vimeo.

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CENA – Saiu o vídeo da banda paulistana Terno Rei para “Medo”, bela faixa ainda do belo disco “Violeta”, lançado em 2019 sob o selo Balaclava Records. Como prometido, a produção estreou nesta meia-noite, no canal do Youtube da banda. O vídeo, esteticamente todo lindão, é uma tradução sensorial da letra da música. “Certamente nós já ouvimos ‘Medo’ mais de cem vezes e, a cada novo play, somos dragados para dentro desse lugar que não sabemos dizer exatamente o que é. Tanto céu quanto terra; tanto livre quanto detido; tanto exuberante quanto melancólico”, tentou explicar Giordano Maestrelli, um dos co-diretores, ao lado de Duran Sodré, da produtora Vira-Lata. O lado visual de “Medo” foi filmado, em grande parte, em locações como Ilha do Mel, Cânion Guartelá (situado no planalto dos Campos Gerais) e região metropoltana de Curitiba, no Paraná.

– Tudo sem parecer o mínimo com uma “tiny desk”, o rapper americano Young Thug gravou em um jardim de Los Angeles sua “Tiny Desk”, programa online dos nossos prediletos que “aprisiona” bandas e artistas em lugares pequeninos, em tempos pandêmicos, em um escritório com mesa e estante e cadeiras mesmo, quando o mundo permite. Essa session tinydeskiana do rapper da Georgia, de cinco músicas em 13 minutinhos, foi ao ar hoje. O rapper está para lançar a qualquer momento, atenção, “Punk”, seu segundo disco, que vem suceder a estreia, “So Much Fun”, que saiu em agosto de 2019. E esse “Tiny Desk” é um treininho para seu novo momento. As faixas tocadas foram “Die Slow”, “Droppin Jewels”, “Hate the Game”, “Tick Tock” e “Ski”.

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Popnotas – Tributo moderno ao disco da banana do Velvet. A live em sépia da St. Vincent. O vídeo novo do Terno Rei. E o Valciãn Calixto explicando a pombagira em novo single

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– Guitarrista anos 70, a grande St. Vincent levou seu visual regressivo da vez para o programa do Jimmy Fallon, na TV americana. A performance, que rolou na quinta-feira passada, foi para a música “Down”, o novo single a ser trabalhado por Annie Clark ainda na promoção de seu mais recente disco, o conceitual “Daddy’s Home”, seu sexto, lançado no meio de maio. No próximo dia 4 e 5 de agosto, ela realiza sua primeira live de show inteiro para o disco, rolê chamado “Down and Out of Downtown”, que terá uma imagem com tonalidade sépia, bem anos 70. Os dois dias de realização da live é para um show só, que será contemplado nos dois dias para facilitar a transmissão para fãs de todo o mundo. O da América do Sul, por exemplo, será na quarta às 22h. Ingressos aqui. E vídeo no Fallon aqui:

– Vem aí um tributo de responsa para o clássico “The Velvet Underground & Nico”, a estreia do Velvet e da Nico, ou mais conhecido por ser aquele que tem na capa uma banana, obra do Andy Warhol, tal e coisa. Foto de toda a galera ali na home. Entre os autores de versões, estão nomes da velha guarda (Michael Stipe, Iggy Pop, Thurston Moore e Bobby Gillespie) e a nova geração, se ampliarmos bem esse conceito (St. Vincent, Courtney Barnett, Matt “The National” Berninger, Sharon Van Etten e Angel Olsen e nossos queridos Fontaines D.C.). Sai dia 24 de setembro. A primeira versão a dar as caras é do guitarrista Kurt Vile, com a mítica “Run Run Run”, que ganhou até um vídeo.

– CENA – O grande músico piauiense Valciãn Calixto está lançando hoje um novo single, o ótimo e explicativo “Desmistificando Pombagira”. No próximo dia 16, Valciãn lança o EP “Macumbeiro 2.0”, em que sua nova música está inserida. O vindouro EP é o primeiro trabalho do rapaz (que faz parte de um coletivo piauiense chamado Geração TrisTherezina) desde seu último álbum, “Nada Tem Sido Fácil Tampouco Impossível”, lançado há um ano. “Desmistificando Pombagira” é outra canção da linhagem musical única de Valciãn Calixto, que junta funk, axé, swingueira, capoeira, salsa, candomblé e xote. Traz a linha “Pombagira/ Não é rapariga/ Mas tem Pombagira que foi rapariga/ E por que te intriga/ Cuida da tua vida!”. E por que foi lançada numa segunda-feira? Porque os terreiros de matriz afro no Brasil cultuam as entidades Exu e Pombagira na segunda-feira, oras.

– Mais um adepto da divulgação slow-motion de álbuns, o Terno Rei vai soltar hoje, quaaase de surpresa, um vídeo especial para a música “Medo”, uma das boas faixas do disco “Violeta”, de 2019, lançado pela Balaclava Records e um dos nossos queridinhos daquele ano – só de lembrar a gente já pensa que 2020 era o ano em que o Terno Rei ia virar a maior banda de rock brasileiro, só precisávamos da turnê nacional… Mas é questão de organizar tudo direitinho que 2022 está aí. Este novo vídeo vem em grande estilo, com estreia marcada para meia-noite no YouTube, já rola acionar a notificação. Aliás, ainda em pensamentos perdidos – Alpha FM ou aquelas rádios de música brasileira antiga tinham que tocar essa “Medo”, hein? É golpe, mas todos iam cair.

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CENA – Ale Sater vai ao interior lidar com sua nostalgia em novo single solo. Qual interior?

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* O músico Ale Sater deu uma pausa no Terno Rei para uma retomada rápida em sua carreira solo. Em março agora Ale (pronuncia-se “Áli”) solta o segundo EP desse seu exercício solitário, chamado “Fantasmas”. O disco começou a chegar na última sexta-feira, através do single “Nós”. Sob seu nome, é a primeira canção desde o EP “Japão”, sua estreia solo de 2016.

“Nós”, com seus dedilhados grandiosos do violão acústico que conduz a música e a letra mencionando cartas escritas do trem, afasta Ali Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embala “Violeta”, por exemplo, o último e mais bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

Até a imagem que representa o single “Nós” remete ao campo, confira no still do vídeo abaixo.

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* As fotos de Ale Sater e da capa de “Nós” são de Thaís Jacoponi.

** O single, e depois o EP “Fantasmas”, têm chancela da Balaclava Records.

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TOP 50 DA CENA – Dá licença que a Ana Frango Elétrico chegou no ranking revoltado e viajante. Um oferecimento de D2, Iggor e Gordo. Pá!!!

1 - cenatopo19

* A gente quase botou aqui no ranking a música em que o Tim Bernardes canta uma parte, em português, no disco do grupo americano Fleet Foxes. Ficamos pensando se seria forçar demais a amizade, emboooooora fique aqui registrado o maior crossover de CENAs que se tem notícias. Acabamos deixando de fora, mas achamos justo que incluir a música, pelo menos, na playlist, como uma faixa bônus.
Se bem que o caráter “internacional” da globalizada CENA brasileira já esteja representado com a presença da carioca Ana Frango Elétrico no topo do Top, que está concorrendo ao Grammy Latino. Solta a Frango e vem com a gente (sdd, Bonde do Rolê!). E pela Sartør, cantora brasileira fazendo electrotrap maneiro em Los Angeles. Porque a CENA tá tão boa que não cabe mais só aqui no Brasil.
Marcelo D2, João Gordo e Iggor Cavalera em altos postos nos cheira a espírito teen. E tudo bem também. Anos 90 mandando recado aos anos 20.
Tudo isso num top 10 que ainda tem o Matuê, anos 20, mandando Charlie Brown Jr., o recado aos anos 00.
Que viagem (no tempo)!!!

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1 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (Estreia)
Ana vai conquistar o mundo. A gente já sabia e o mundo agora parece que está sendo informado. Indicação ao Grammy, livro e um novo single que deixa a gente com a certeza de que a sua produção segue afiada em um som que ela explica assim: “Pensei numa melodia que pudesse ser cantada para plantas e bebês, trazendo timbres que têm me interessado, como a flauta, órgão e violão, misturando elementos da bossa-nova, chamber-pop e soft-eletro-indie. Quis explorar efeitos, estéreos e repetições trazendo elementos em comum ao ‘Little Electric Chicken Heart’, como dobras, coros, metais, e divergindo em outros aspectos, como forma e timbres”.
2 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (Estreia)
Em um beat inspirado do Kamau, Rodrigo Ogi deixa mais uma letra nota dez em um disco que não é o seu este ano – o outro exemplo é o som que escreveu pra Kiko Diinucci. Marcelo D2 em uma track sua soa quase como participação de luxo, consequência de sua ideia de montar um superálbum gravado e escrito remotamente durante a pandemia por muitas vozes e canetas. Que sacada e que generosidade com os mais novos.
3 – Revolta – “Hecatombe Genocida” (Estreia)
Nosso “We Are the World” do mundo invertido. “Cem mil mortos entupindo o poço da escuridão/ A justiça vai caindo/ Facistas na contramão/ O terror em forma de governo/ Misturado com ódio e veneno/ Extermina toda a razão/ Patriotas de pele mais clara/ Mundo podre da corrupção”, diz a letra da banda que tem em suas fileiras “apenas” João Gordo (Ratos de Porão), Prika Amaral (Nervosa), Guilherme Miranda (Entombed AD e Krow), Moyses Kolesne (Krisiun), Castor (Torture Squad) e Iggor Cavalera (Cavalera Conspiracy e Mixhell).
4 – Carne Doce – “Hater” (1)
Single a single eles foram conquistando espaço em um disco que firma a banda em outros níveis da música brasileira, se é que existem outros níveis além de onde eles já estão. A banda está fazendo grandes músicas. Cada vez maiores. E, veja bem, “Interior”, o álbum, mostra o Carne Doce muito além de “apenas” ser a “banda da Salma”
5 – Leveze – “Aurora” (Estreia)
Ex-Cabana Café e Parati, o Leveze foi por anos a “viagem secreta” de Lanfranchi, que agora toma uma forma mais escancarada e não menos delicada. É só começar a ouvir o delicioso “Aclimação12-20” (Cavaca Records), álbum recém-lançado da melhor chillwave com guitarrinha doce, para entender de primeira.
6 – Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D`água” (Estreia)
Música que vai dar o nome ao disco cheio, seu segundo, que sai em outubro, foi composta por ela em parceria com François Muleka. Um som sobre afeto, sobre respeitar o tempo do outro, o ritmo do outro, segundo a cantora. Vem disco bom por aí.
7 – SARTØR – “NEVER COMING HOME” (Estreia)
Em maiúsculas, como um grito, esse som afasta SARTØR de Isadora Sartor, seu nome pessoa física. O single apruma o caminho que a paulistana radicada em LA escolheu para pautar sua vida e sua música. De ex-guitarrista de um duro death metal a produtora de um pop maleável e moderno.
8 – Rohmanelli – “Toneaí” (Reestreia)
O hit ácido/crítico/carnavalesco de Rohmanelli volta ao top 50. O single está incluindo no bom álbum “Brazil’ejru, Vol 1”, seu primeiro trabalho 100% em português.
9 – Autoramas – “Dinâmica de Bruto” (2)
Repare. A gente ainda precisa de banda como os Autoramas. “Dinâmica de Bruto”, nome ótimo, está no mesmo EP a ser lançado pela banda neste mês, em vinil, pela gravadora espanhola Family Spree Recordings. A música tem um viés político e um vídeo beatlemaníaco, por assim dizer. É ver para entender.
10 – Matuê – “Máquina do Tempo” (3)
Será que agora o trap nacional rompe sua já gigante bolha de popularidade e alcança os números do mainstream brasileiro? Vale acompanhar a esperta pegada do Matuê neste som do seu primeiro álbum. Um trap acelerado e divertido que dá um leve aceno para o pop em um bem sacado sample de uma linha de baixo do Charlie Brown Jr. Este som já irritou youtubers conservadores, algo que sempre é saudável.
11 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (Estreia)
12 – The Baggios – “Hendrixiano” (4)
13 – JP – “Eu Quero Perder Você” (5)
14 – Nobat – “Cárcere” (6)
15 – Gabrre – “De Noite Eh Dia de Sair” (7)
16 – Cat Vids – “Ash Ketchum” (8)
17 – PLUMA – “Leve” (9)
18 – Luiza Lian – “Geladeira” (10)
19 – Bruno Del Rey – “O Amigo Que Esperava” (11)
20 – BK – “Movimento” (12)
21 – Nana – “Independência ou Morte” (13)
22 – O Cientista Perdido – “Não Cabe Em Você” (15)
23 – Terno Rei – “São Paulo (Acústico)” (16)
24 – Vivian Kuczynski – “Pele” (17)
25 – Boogarins – “Cães do Ódio” (19)
26 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (20)
27 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (21)
28 – Luiza Brina – “Oração 12” (22)
29 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (23)
30 – Yannick Hara – “Eu Quero Mais Vida Pai” (24)
31 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (26)
32 – Wry – “Travel” (28)
33 – Letrux – “Vai Brotar” (30)
34 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (31)
35 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (32)
36 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (33)
37 – Rincon Sapiência – “Malícia” (31)
38 – Marcelo Perdido – “Bastante” (34)
39 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
40 – Don L – “Kelefeeling” (38)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é de Ana Frango Elétrica, em foto de Hick Duarte.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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