Em the baggios:

Top 50 da CENA – Adivinha o primeiro lugar? Juçara Marçal de novo. Marina Sena cola em segundo. Criolo não sai mais do pódio. Nunca mais

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* Parece que a turma da música brasileira respeitou o feriadão e pouca coisa apareceu por aí. Ou é a gente que quis um pouco de folga e relaxou? Fica a dúvida. Em todo caso, seria difícil alguém tirar o pódio dela, Juçara Marçal. Outra história que a gente conta nesta edição é das volta dos shows presenciais. Você já voltou a ver show por aí?

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1 – Juçara Marçal – “Ladra” (Estreia)
Mais uma vez Juçara no topo desta nossa listinha semanal. É que o disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

2 – Marina Sena – “Pelejei” (Estreia)
“Pelejei” não é uma novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

3 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. E pela segunda vez não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

4 – Felipe S – “Violento Monumento” (Estreia)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

5 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (Estreia)
Das mais bonitas do repertório do Skank, a letra que Nando Reis fez após o término com Marisa Monte coube bem no jeitão do Terno Rei de conduzir música. Ou melhor: aquele “rock pra dormir”, como a gente descobriu no papo da banda como Samuel na live especial promovida pela Balaclava. Durma com uma “Resposta” dessa.

6 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (3)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

7 – Taxidermia – “Lava” (4)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

8 – The Baggios – “Barra Pesada” (5)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

9 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (6)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

10 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (7)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

11 – Pedro Sá – “Maior” (8)
12 – Tagore – “Maya” (9)
13 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (10)
14 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (11)
15 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (12)
16 – Marissol Mwaba – “Marte” (13)
17 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (14)
18 – Liniker – “Mel” (15)
19 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (16)
20 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (17)
21 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (19)
22 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (21)
23 – Coruja BC1 – “Tarot” (22)
24 – Nelson D – “Toy Boy” (23)
25 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (24)
26 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (25)
27 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (26)
28 – Majur – Ogunté (28)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (31)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Juçara Marçal não larga o topo. Criolo não larga o pódio. Francisco, el Hombre descola uma vaga com ajuda da Dona Onete

1 - cenatopo19

* Bom, incontestável nosso primeiro lugar desta semana. A gente já dedicou uma resenha a Juçara Marçal e agora ela alcança de novo o topo do nosso top 50. E temos outras boas novidades na CENA. Tem mais Francisco, El Hombre, tem a Jadsa com o Taxidermia, tem os Baggios preparando novo álbum e tem também o Felipe Cordeiro com um belo single. E tem ela, Rita Lee, que saiu da aposentadoria para uma faixa para lá de dançante.

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1 – Juçara Marçal – “Corpus Christi” (Estreia)
A gente fez um textinho todo só para exaltar o novo álbum da Juçara. Mas cabe mais algumas palavrinhas, especialmente para elogiar este som onde Juçara, Douglas Germano e Kiko Dinucci constroem das mais delicadas músicas sobre aproveitar um feriado. Mais especificamente um no litoral sul de São Paulo com macarrão, Uno e trânsito no caminho, lógico. A riqueza de detalhes de cada cena somada àquela tristezinha que bate na hora de voltar ao batente são de emocionar.

2 – Criolo – “Cleane” (1)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. Não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

3 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (Estreia)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

4 – Taxidermia – “Lava” (Estreia)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

5 – The Baggios – “Barra Pesada” (Estreia)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

6 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (Estreia)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

7 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (Estreia)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

8 – Pedro Sá – “Maior” (Estreia)
Bonita a primeira amostra solo de Pedro Sá. “Maior” estará em seu primeiro álbum despregado das estrelas. Ele, que já acompanhou tantas (Caetano, Bethânia, Gal, para ficar em três nomes apenas), conduz aqui sozinho na guitarra e na voz uma declaração de amor daquelas – repare que a música abre só com “Você é/ O grande amor da minha vida”). A canção lembra muito alguns momentos da trilogia “Cê” do Caetano, o que talvez ajude a entender o papel de Pedro na banda.

9 – Tagore – “Maya” (3)
É impossível não pensar na psicodelia australiana, mas, conhecendo também a psicodelia brasileira, ambas estão bem representadas neste terceiro álbum de Tagore Suassuna, que capricha em letras rasgadas. Aquelas que se entregam ao sentimento, sabe? Embora ele verse que dá trabalho disfarçar a saudade da amada, nas letras ele faz questão zero de camuflar qualquer vergonha.

10 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (5)
Bonito o encontro de Bemti com Fernanda Takai e a sutil participação de Hélio Flanders, do Vanguart, no trompete. Uma história de amor que resista ao fim do mundo é uma grande história de amor, não? A letra é uma parceria de Bemti com Roberta Campos.

11 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (Estreia)
12 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (6)
13 – Marissol Mwaba – “Marte” (7)
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (8)
15 – Liniker – “Mel” (9)
16 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (10)
17 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (11)
18 – brvnks – “happy together” (12)
19 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (15)
20 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (13)
21 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (16)
22 – Coruja BC1 – “Tarot” (20)
23 – Nelson D – “Toy Boy” (22)
24 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (23)
25 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (24)
26 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (25)
27 – Marina Sena – “Me Toca” (26)
28 – Majur – Ogunté (27)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (28)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (29)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (30)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (31)
33 – GIO – “Sangue Negro” (32)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (33)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (34)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (35)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (36)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (37)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (38)
40 – Jadsa – “Mergulho” (39)
41 – FEBEM – “Crime” (40)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (41)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (42)
44 – Boogarins – “Supernova” (43)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popnotas – Radiohead no Peru. A volta do sergipano The Baggios. Nick Cave cantando o além. E os novos beats do Master San

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– Nessa coisa de subir shows antigos seus como se fosse now, o Radiohead botou para rodar com capricho restaurador e na íntegra, em seu canal de Youtube, a apresentação que fez em abril de 2018 aqui “pertinho”: em Lima, no Peru. A performance peruana, que começa com “Daydreaming” e termina com a trinta explosiva “Creep”, “Paranoid Android” e “Karma Police” no último bis, faz parte da turnê do disco “A Moon Shaped Pool”, lançado em 2016. Ela veio a SP (Allianz Parque) e Rio (Parque Olímpico) em forma de festival “Soundhearts”, que teve ainda o DJ e produtor Flying Lotus e as bandas Junun, do guitarrista Jonny Greenwood, e os paulistanos Aldo the Band. O show de Lima, abaixo, teve 25 músicas no setlist, que está informada com o tempo na legenda do vídeo. Curta.

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CENA – A tradicionalíssima banda indie sergipana The Baggios (foto na home) anunciou hoje que vai lançar seu quinto álbum em algum momento do segundo semestre, para terminar a brecha que existia desde o último disco do power-trio veterano, “Vulcão”, de 2019, que chegou até a ser indicado ao Grammy latino. O “recheio” deste anúncio veio em forma de um excelente single, que também é uma homenagem. Eles revelaram nesta segunda-feira a música “Baggios encontra Siba”, em referência à parceria com o importante músico pernambucano, nome forte do movimento manguebeat entre outras coisas por fazer parte da banda Mestre Ambrósio. A “segunda-feira de lançamento” do Baggios, em vez da tradicional e universal sexta-feira, tem uma razão. Hoje é aniversário de seu cantor e guitarrista, o grande Julio Andrade. E ele quis se dar um presente. Para nós também. Segundo Andrade, o rock enérgico desta “Baggios encontra Siba” versa sobre o imaginário e o palavreado do Nordeste. Com tudo envolvido, não teria como a música não ser boa.

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– Lá em abril a gente fez um post para contar uma história emocionante envolvendo o querido músico australiano Nick Cave. Ele tinha recebido uma carta de uma fã contando sobre como ela lidou com a morte de familiares, conversando com eles por sonhos, e perguntou se isso ocorria com Nick e sua esposa por conta do filho de 15 anos que eles perderam. Tocado pela pergunta, Cave escreveu uma longa resposta comentando o assunto. “Crie seus espíritos. Ligue para eles. Eles estarão vivos. Fale com eles”, Cave respondeu, considerando que ainda que a comunicação dele com o filho seja uma mera obra da mente, das ideias, ela é forte o bastante para o guiar e proteger. Essa carta ganhou uma versão musicada, um spoken word que só tinha saído em single em vinil até agora, mas que apareceu finalmente no mundo digital.

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CENA – Grande caçador das batidas perfeitas, o beatmaker, DJ, instrumentista e engenheiro de som Master San acaba de lançar seu mais novo trabalho, o envolvente “Soul Quantize”, álbum que chega às plataformas com 34 faixas inéditas trabalhadas em cima de bases de hip hop. Essa nova fornada de beats bons da fabriquinha de Master San é marcada pela alquimia do músico (que entre outros projetos toca na banda Liquidus Ambiento) em juntar loops, ecos, colagens, scratchs, timbres marcados acompanhados de riffs de guitarra, baixos eletroacústicos e valvulados, além de sintetizadores analógicos. Tudo isso forma este “Soul Quantize”, do qual revelamos aqui embaixo a orientalizada faixa “Confronto de Titãs”, que já traz um vídeo entregando exatamente isso: e se umas batidas fossem criadas para servir de trilha sonora para uma luta de samurais? Master San já a produziu, aqui.

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CENA – The Baggios bota imagem em sua psicodelia, com o vídeo de “Mantrayam”

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* Está tudo pronto para o lançamento do quinto álbum da banda sergipana The Baggios, velhos conhecidos da CENA brasileira. Só falta mesmo ele… sair. O novo disco, já considerado o álbum “mais solar” do veterano grupo indie do Nordeste, trio capitaneado pelo guitarrista Julio Andrade, ainda não nome divulgado nem tem data para sua chegada aos streamings. Mas os bastidores da música independente apontam que vídeos já estão sendo produzidos e que o álbum seria o mais solar deles.

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Ok, então enquanto o Baggios nº 5 não vem para suceder o grande “Vulcão”, de 2018, o trio resolver dar imagens ao interessantíssimo último single deles, o da “transição”, lançado em dezembro. É de “Mantrayam”, a música que um site por aí definiu bem como “se Aracaju fosse na Índia e o George Harrison estivesse fazendo companhia guitarrística ao Júlio no instrumento, com experimentações, pirações.

Logicamente, uma música assim merecia um vídeo carregada na psicodelia. Mais ainda.

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* A foto do Baggios usada neste post é de Ellen Andrade.

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TOP 50 da CENA: Edgar toca um funk bem alto e vai para o primeiro lugar. E chama toda a galera do funk. Por exemplo: o Marabu

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* Nosso primeiro lugar ordena: toca um funk bem alto. O segundo lugar respeita e manda uma ideia e tanto: um álbum de funk conceitual brilhante. E estamos comentando só o inicio de mais um Top 50 caprichado. Esta semana, especialmente, com muito rap de várias épocas e lugares. Que lindo isso!

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1 – Edgar – “Também Quero Diversão” (Estreia)
Lá vem o melhor disco do ano que vem. Edgar. “Miga. Cansei de explicar que este país tá uma guerra e não uma festa, que entre um mundo e outro somos um portal…”. Repare. Edgar parece falar de um futuro distópico, uma ficção científica absurda inventada. Mas nada pode ser tão real como seu discurso musical. Cada linha de suas letras é de uma riqueza simples natural e absurda. E um tapa na cara. Na cara de quem tem que ser. “Toco um funk bem altoooo!”
2 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (Estreia)
Se o assunto é um funk bem alto, solte aí o som do Marabu. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”, um álbum conceitual. Um disco que passeia por misturas do funk com outros ritmos durante uma longa noite lá no Jardim Ângela, quebrada de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.
3 – Black Alien – “Chuck Berry” (1)
Ah, a força das rimas de Black Alien. Ou conhece alguém que aproveita mais os sons das palavras que esse homem? “Mais que o covid, foi o que eu vi de covarde.” A construção engenhosa de Gustavo se faz mais uma vez aqui. Um rap sobre o rock. Era só o que nos faltava. Não falta mais. Incrível.
4 – Hot e Oreia – “Domingo/Presença” (2)
Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Abdias do Nascimento, Leonardo da Vinci, Caetano Veloso, Nelson Ned, “Bacurau”. Tudo solto assim parecem pontos desconexos demais? Então, dá uma olhada no novo vídeo do Hot e Oreia e tudo fará sentido. Daquele jeitão Hot e Oreia de fazer sentido, lógico. Incrível 2.
5 – Sabotage e MC Hariel  – “Monstro Invisível” (Inédita)
Tudo bem que os versos de Sabotagem não são inéditos no som produzido por DJ Kalfani com participação especial de MC Hariel, em mais um passo na reconexão firme do rap com o funk. Vale o resgate e o lembrete do poder imortal do poeta do Canão. Se o mundo segue igual, voltemos ao começo.
6 – Luedji Luna – “Chororô” (4)
Resolvemos mudar de música mas não tirar a cantora baiana do nosso top 10 dentro do Top 50, porque este disco dela… A gente diz aqui, um álbum que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Escolhemos “Choroô” como poderíamos ter pego qualquer outra. Aqui, repare, as coisas mais simples, como esta música, ficam lindas no jeito Luedji de ser. Que rica essa menina.
7 – The Baggios – “Mantrayam” (Estreia)
The Baggios em uma brisa mais psicodélica? Música longa, três partes, mudanças. Curtimos bem, hein. Mais um nome que já entra na categoria “vem álbum novo bom em 2021”.
8 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (3)
O fã de quadrinhos Emicida replicou a Marvel e mandou uma inédita nos pós-créditos de seu documentário “É Tudo Pra Ontem”, lançado pela Netflix. A faixa é uma reflexão a partir dos tempos de pandemia com Gil lendo um texto presente no livro de Aílton Krenak, “A Vida Não É Útil”, sobre o retorno do Criador à Terra em um passeio um tanto quando frustrante. Não saia antes de o filme acabar. Incrível.
9 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (Estreia)
Um dos homens que mais sabe tirar um som de guitarra neste país ataca de novo. Alguém já mandou este som para o Lulu Santos? Acho que ele vai curtir. Odair José?
10 – WillsBife, Don L – “Por Minha Conta” (Estreia)
Inédita do Don L. é inédita do Don L. Beat do Nave, é beat do Nave. E a produção do WillsBife é das boas. Vale reparar no álbum completo, que acabou de ganhar uma versão deluxe com todas as instrumentais e inéditas, esta inclusa.
11 – Chuck Hipolitho – “Tem Cheiro de Espírito Adolescente” (5)
12 – Vovô Bebê – “Bolha” (6)
13 – Adriano Cintra – “Grow Apart” (7)
14 – Zé Manoel – “História Antiga” (8)
15 – Luana Flores – “Reza” (9)
16 – Anne Jezini – “Faz Escuro Mas Eu Canto” (10)
17 – Liniker – “Psiu” (11)
18 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (12)
19 – Tuyo – “Sonho da Lay” (13)
20 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Pra Dois” (14)
21 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (15)
22 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (17)
23 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (18)
24 – Luna França – “Minha Cabeça” (20)
25 – Silva – “Passou Passou” (22)
26 – Carabobina – “Pra Variar” (24)
27 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (25)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (28)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
30 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (30)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do duo mineiro de rap Hot e Oreia.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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