Em the linda lindas:

Top 10 Gringo – Beabadoobee pede licença e senta no topo. Kamasi Washington não se importa. Mas James Blake parece incomodado (inclusive com o Finneas). Que “top”este Top!

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* Não olhamos as datas de aniversário da galera que a faz a música que a gente gosta, mas daqui parece um listão só de artistas novos – uns bem novatos, com um single, outros jovens ainda mesmo que não seja no papel, como James Blake ou Kamasi Washington. Ou alguns que já se sentem mais velhos ainda que não sejam, como a Lorde. Mas, em resumo, uma semana de boas músicas com essa feliz coincidência. A base vem forte. Dá uma olhada na nossa playlist, para ver. E rumo às 300 músicas listadas.

beabadoobeetopquadrada

1 – Beabadoobee – “Cologne”
A bateria lembra um tanto “Song 2”, do Blur, no começo, numa pegada mais desacelerada porque não estamos mais nos anos 90. Mas talvez seja só impressão nossa. A sequência entrega um pop feminino sueco tipo Cardigans no vocal, indie pôs-grunge americano de mulheres em uns barulhinhos no meio e algo de britpop temperando. Além de ser da turma que está devolvendo a guitarra ao pop, Beabadoobee escreve bem demais. Em uma música sobre sexo e se sentir bonita, ela abre espaço para uma metalinguagem esperta: “Odeio o tema dessa música”, canta em certo momento, entregando um pouco da sua timidez apesar da escrita sincera.

2 – Kamasi Washington – “Sun Kissed Child”
Parte de um EP criado pelo site The Undefeated com vários artistas, Kamasi entrega esta bela track de deliciosos oito minutos. Ainda que seja nosso trabalho escrever umas linhas sobre a música, Kamasi é daqueles que gosta de tornar nosso trabalho totalmente dispensável. Seu som transborda por linhas criativas em cada instrumento, pelo vocais incríveis de Dwight Trible e Patrice Quinn. E não é que até conseguimos escrever algo? Vale uma atenção na bateria, tocada pelo irmão do Thundercat, Ronald Bruner Jr.

3 – James Blake – “Say What You Will”
Em uma música sobre se aceitar e não ficar se comparando com os outros, Blake ainda cria um vídeo já com ares de clássico – onde seu personagem, um James Blake fracassado, sofre com inveja do Finneas, sim, ele mesmo, aquele irmão da Billie Eilish. Começa a ansiedade pelo novo disco inglês, uma das participações especiais é da SZA. Dificilmente Blake erra em algo.

4 – Wet Leg – “Chaise Lounge”
Considere os fatores: duo feminino britânico + Domino Records + uma única música lançada que já é hit + mixagem de um cara que já lidou com os Arctic Monkeys + postura cool + letra bem humorada + vídeo incrível. Believe the hype.

5 – Lorde – “Stoned at the Nail Salon”
Acredite. Aos 24 anos, Lorde escreve sobre estar envelhecendo e ter que pegar – seja lá o que isso signifique. Esse papo de CRINGE a atingiu em cheio mesmo, não é? Brincadeiras à parte, este som, que ainda tem Clairo e Phoebe Bridgers nos backings para ser o momento reflexivo do novo e aguardado álbum da neozelandesa, é, digamos, profundo.

6 – Tops – “Party Again”
Alerta de gatilho. A música das canadenses do Tops lança a pergunta: quando vamos festejar de novo? Ainda que não seja sobre pandemia, mas sim sobre ter saudade de uma pessoa que só vemos em festas, fica esse duplo sentido para nós. E fica a música boa também.

7 – She Drew the Gun – “Class War”
Na sua bio no Twitter, Louisa Roach, a dona do She Drew the Gun, se define como trabalhadora, socialista, feminista e mãe. Natural que um de seus sons denuncie a luta de classes, aquele motor da história, segundo um famoso escritor barbudo. Manja? Enquanto rycos surfam para fora do planeta, uns milhões não têm o que comer. Como definiu outro velhinho, a guerra de classes não só existe como está sendo promovida por bilionários. E eles estão vencendo.

8 – Lil Nas X – “Industry Baby”
Sabe aquela música para exprimir uma vitória pessoal? Emendando hit atrás de hit, Lil Nas X tira uma para celebrar e dar cacetada em boomers, haters e vacilões em geral. Ele é a indústria. E o Baby.

9 – Alexis Marshall – “Open Mouth”
Trampo experimental nota dez do líder da banda de metal industrial Daughters. Vamos expressar melhor: trampo experimental que está dentro de um trampão experimental bem maior, lançado em forma de álbum. Experimental por experimental, aqui a coisa é um tanto quanto mais abstrata, aparentemente. É o exato contraponto do pop pelo pop. Escolha suas armas. E ouse ouvir o novo disco solo do nosso daughters.

10 – The Linda Lindas – “Oh”
Se no skate na Olímpiada as meninas de 13 anos deram um show na turma mais velha, dá para dizer que as Linda Lindas são o equivalente dessa jovem galera na música. Esse quarteto de punk latino-asiático dá um show em muita banda de rock por aí. Som 1-2-3-4 na cara e uma letra esperta sobre aquela nossa paranoia em falar besteira e se arrepender. Ou ficar quieto (e se arrepender também).

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* A imagem que ilustra este post é da cantora filipina-britânica Beabadoobee.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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The Linda Lindas solta outro punk viral. A divertida “Oh” já está nas rádios, na Netflix, no TikTok…

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Captura de Tela 2021-07-26 às 8.23.10 AM

* Se você ainda não está botando uma fé nessa onda feminina de guitarra das novinhas, toma então a nova música das Linda Lindas, quarteto de punk latino-asiático de Los Angeles cujas idades variam de 10 a 16 anos.

“Oh”, de espertíssimo vídeo colorido das polaroides, é cantado pela latinx da banda, a única “ocidental”, Bela Salazar, com as companheiras perseguindo o som com gritinhos de “Oh” como se fosse uma música do Le Tigre, não coincidentemente, claro.

E não coincidentemente também “Oh” está no trailer de uma nova série badalada da Netflix, “The Chair”, que acaba de ser lançada e também já choacoalha o TikTok servindo de trilha para dancinhas.

Está acompanhando o movimento?

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As Linda Lindas estreiam na TV americana lembrando o garoto sexista/racista

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Captura de Tela 2021-06-07 às 5.03.07 PM

* A gente já relatou por aqui o fenômeno das meninas da banda The Linda Lindas, de Los Angeles. Primeiro em algumas notas quando elas estrelaram o filme “Moxie!” e em um post sobre o viral de uma apresentação delas em uma livraria de Los Angeles.

O grupo punk latino-asiático formado por Lucia (14 anos), Eloise (13), Mila (10) e Bela (16), que agora assinou com a Epitaph e deu entrevistas extensas para publicações como a super indie Pitchfork e o jornalão inglês Guardian, chegou à televisão norte-americana.

Foi a estreia delas na TV, mais especificamente via late show do Jimmy Kimmel, um dos maiores do gênero “programa de entrevistas de fim de noite” por lá. Como você já deve saber, um ótimo trampolim para um estouro real. Logo mais elas vão estar no “Saturday Night Live”. Talvez não porque é ao vivo muito tarde, então não pela idade deve ser proibido.

Enfim, de olho no sucesso viral das meninas, Jimmy pediu que elas contassem mais uma vez a história de racismo que a baterista da banda, a Mila, sofreu e que foi a inspiração para o petardo “Racist, Sexist Boy”, a música da apresentação da livraria que correu mundo.

A ascensão das meninas já gera até polêmicas vazias, por conta do pai de Mila e Lucia ser Carlos de la Garza, um engenheiro de som de diversas bandas, como Paramore, Best Coast e Bad Religion. Qual seria o problema? Até parece que as pessoas se criam e fazem música em ambientes isolados do resto do mundo. Se elas apressaram o reconhecimento por conta do pai, massa. Já o talento delas nada tem a ver com isso. Esse tipo de desconfiança com certeza não seria problema em um grupo de meninos. Acho que dá até assunto para mais uma música nervosa delas essa conversa.

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A incrível banda punk feminina The Linda Lindas viralizou forte. Tadinhos dos boys

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Captura de Tela 2021-05-24 às 11.09.45 AM

* Agora foi. O maravilhoso quarteto punk roots The Linda Lindas, formado só por meninas (lindas) asiáticas e latinas que moram em Los Angeles, cuja mais velha tem 16 anos e a mais nova, 10, resvalou nos últimos dias num sucesso absurdo que deve impulsionar a carreira da banda para outros níveis. De notas na Popload, acho que agora elas vão forçadamente ganhar posts únicos, só delas.

Vamos organizar a parada. No começo deste mês, a gente deu por aqui (em notas…), elas lançaram o vídeo de uma música nova, “Racist Sexist Boys”, especialmente para um amiguinho escroto da baterista, que falou coisas ruins racistas, xenófobas para ela, que é chinesa, um pouquinho antes da pandemia se instaurar (calculamos que eles deviam ter 8 anos haha). Aí nasceu “Racist Sexist Boys”, vídeo maravilhoso por onde quer que se olhe.

Acontece que o vídeo, mostrado ao vivo em show que elas fizeram numa biblioteca em Los Angeles, viralizou por tudo quanto é rede e chamou a atenção comentadas de gente importante na música, como Tom Morello (Rage against the Machine) e Thurston Moore (Sonic Youth). Uma coisa levou a outra e as Linda Lindas anunciaram sexta-feira que foram convidadas a assinar com a importante gravadora indie Epitaph Records.

Não custa lembrar, as Linda Lindas são destaques da trilha sonora do filme girlie “Moxie”, sucesso teen de empoderamento feminino voltado ao punk que está dando sopa na plataforma Netflix. Uma coisa leva a outra e tanto o filme como as Linda Lindas têm ligação umbilical com a famosa banda punk famosaça dos anos 90, liderada pela riiiiiot Kathleen Hanna, amiga e conterrânea de Kurt Cobain, dos lados de Seattle e tal.

Óbvio, Hanna, quando soube das garotas, as chamou para abrir um show da volta do Bikini Kill em 2019, no Hollywood Palladium. A conexão é tanta que no vídeo de “Racist Sexist Boys” a baterista Mila, 10, usa uma camiseta das Bikini Kill. E o que o menininho disse para Mila na escola foi que o pai dele tinha avisado para ele ficar longe de pessoas chinesas. Para quêêêê??

Quem segura as Linda Lindas, que a esta hora já devem estar preparando o disco de estreia. A banda de Lucia (14 anos), Eloise (13), Mila e Bela (16) tem um EP apenas, lançado no ano passado no bafo do filme.

Essa apresentação na Biblioteca de Los Angeles de onde o vídeo de “Racist Sexist Boys” foi tirado tem um show inteiro de oito musiquinhas linda lindas, incluindo uma cover de Bikini Kill (claro!!!) e da banda The Muffs, punk anos 90 igual a de Kathleen Hanna, só que da Los Angeles dela. E pode ser visto inteiro aqui embaixo.

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