Em Thom Yorke:

Radiohead em Glasgow: Thom Yorke full pistola com manifestantes pró-Palestina. E uma “Paranoid Android” insana

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O show que o Radiohead fez no último sábado, em Glasgow, foi rodeado por polêmicas. A banda inglesa, que tem show marcado em Israel dia 19 de julho, tem enfrentado bastante resistência por parte de artistas e manifestantes pró-Palestina.

Nesta apresentação dentro do festival TRNSMT, manifestantes hastearam bandeiras da Palestina e Thom Yorke demonstrou irritação em algumas oportunidades. A mais tensa foi na introdução da faixa “Myxomatosis”, quando o vocalista disse, repetidas vezes, “Some fucked people”, enquanto as bandeiras eram levantadas.

O previsto show do Radiohead em Tel Aviv já recebeu carta em forma de protesto assinada por mais de 50 artistas, entre eles Roger Waters e Thurston Moore, solicitando que a banda cancele a apresentação no país que “impõe um apartheid aos palestinos”.

Em entrevista recente para a Rolling Stone, Yorke disse que não concorda com o bloqueio que um bom número de artistas está fazendo contra Israel e que se sente constrangido em ver as constantes ofensas que Jonny Greenwood, seu companheiro de banda, tem sofrido por ser casado com uma judia.

Mas em Glasgow também teve música e a BBC soltou um registro profissional da clássica “Paranoid Android”.

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Popload Política – Como Jeremy Corbyn, líder do partido trabalhista britânico, virou a esperança da música inglesa e a principal atração do festival Glastonbury

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Jeremy Corbyn: A esperança do grime, do indie, do rock, dos hipsters e do baile todo…

Never Mind the Politics!

Em tempos de Brexit, Trump, Temer e outras mazelas políticas, foi interessante observar a reviravolta “popular” (beeem entre aspas) das últimas eleições legislativas britânicas, quando o Reino Unido escolheu seus representantes no Parlamento. Com o resultado da eleição pró-Brexit embaixo do braço e certa de que conseguiria mais poder e assentos na casa, a primeira-ministra Theresa May antecipou a eleição geral em três anos. Apenas. Ela só não contava com a sua queda de popularidade (e com dois ataques terroristas durante a campanha) e muito menos com o status inesperado de pop star do oponente Jeremy Corbyn.

E o que a gente tem a ver com isso?

Bem, primeiramente, é sempre bom saber o que rola pelo mundo. E, ao mesmo tempo, deu um certo alívio saber que em algum lugar as coisas começam a voltar aos eixos, ou quase. Assim como aconteceu em São Paulo, durante as eleições Haddad x Doria, e nos EUA, entre Hillary x Trump, houve no Reino Unido uma campanha em massa de artistas, músicos, bandas e universitários em todas as redes sociais possíveis a favor de um governo, digamos, “de esquerda”, ou, mais “liberal”. Mas a “bolha”, como vocês gostam de dizer, não reverberou nas urnas daqui nem das americanas e o resultado já sabemos bem. NÉ?!?!?!

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UK e seu Obama

No Reino Unido, depois de uma campanha quase que totalmente feita no boca-a-boca também pela veia artística local de bandas, atores e millennials em geral, a dúvida se essa militância online serviria para alguma coisa voltou à tona. E, por lá, ela surtiu efeito: a durona May venceu, mas seu partido perdeu a maioria parlamentar, enquanto a popularidade de Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico, só faz aumentar. Corbyn virou, do dia para a noite, um ídolo pop. Sem exagero. De capa da NME a hino com “Seven Nation Army”, passando pelo Glastonbury deste ano, que acontece nesta semana, só dá ele.

Com uma campanha low profile em redes sociais (mais ou menos oito mil reais contra os mais de quatro milhões gastos pelo Partido Conservador nas redes), seus vídeos relativamente baratos impactaram mais de dez milhões de usuários únicos no Facebook. Mas foi com a ajuda da parte artística inglesa que seu nome entrou na boca dos jovens entre 18 e 24 anos que, sem a obrigação de votar, nem pensavam em sair de casa para isso. Mas saíram e fizeram a sua parte, em participação inédita. Além do resultado surpreendente (as pesquisas indicavam maioria esmagadora conservadora), as eleições tiveram um recorde de mulheres eleitas para o parlamento (32%!). Nós acompanhamos de perto e reunimos alguns trechos interessantes da ascensão desse “novo” personagem que, como tudo na Inglaterra, envolve muita música. E Blur e Oasis, claro.

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Corbyn, ídolo da cena Grime | Crédito: Jordan Basset

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Thom Yorke, Adele, MIA, James Blake e mais uma quantidade absurda de bandas imploraram para os jovens levantarem a bunda do sofá e irem lá apoiar quem merecia. Até uma hashtag foi criada pela cena grime local: #Grime4Corbyn
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Lilly Allen chegou a prometer uma demo inédita se os eleitores mandassem algum tipo de prova de que ao menos se registraram para votar:
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Matt Healy, do 1975, prometeu NUDES:
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JME, um dos maiores representantes do grime inglês ao lado do irmão Skepta, propagou a tal hasthag e entrevistou Corbyn para a revista iD:
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Corbyn retribuiu o apoio, prometeu ajudar a #CENA e as casas de shows e ganhou ainda mais popularidade, além de arrastar Kate Nash e Ellie, do Wolf Alice, para a campanha:
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Mentirosa, Mentirosa! A música “Liar Liar GE2017”, feita pela banda de ska Captain SKA para desmascarar a Primeira Ministra, já tem quase três milhões de views no YouTube (e contando…). A faixa, cujo refrão pegajoso diz “She’s a liar liar!”, traz trechos de discursos de Theresa May e chegou ao quarto lugar das paradas britânicas na semana da eleição, além de ter sido a música mais vendida na loja do iTunes e da Amazon Music. A sensação-do-verão:
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Enquanto isso, um dia antes das eleições, Corbyn estrelava a capa da NME e da revista Kerrang!:
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Como tudo na Inglaterra, seja o assunto comida, política, meio-ambiente ou religião, uma das perguntas feitas pela NME na matéria de capa envolvia, claro, Oasis x Blur. Corbyn chegou a cogitar que se respondesse perderia eleitores, mas, mesmo assim, escolheu… OASIS. Pena que o Liam, sendo Liam, disse que certamente votaria no Partido Trabalhista, mas que não se envolve muito com política e não sabia muita coisa sobre o Corbyn (“nem sobre a outra lá”). Sério. No 03:09:
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Time for Heroes: para completar, Corbyn-star participou de um show do Libertines durante o Wirral Festival se “apresentando” para mais de 20 mil pessoas que lotavam o estádio de Prenton Park. E a recepção foi assim, você vai reconhecer esse ~hino~:
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Aconteceu. Claro que o grito de guerra entoado a cada aparição do político-hype só podia ser… “Seven Nation Army”, do White Stripes. Oooooh Jeremy Cooooorbyn. Não sei nem o que dizer, mas o (jornal inglês) The Guardian conseguiu resumir bem:
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Para encerrar, Corbyn será atração do festival Glastonbury deste ano, neste sábado, no palco prin-ci-pal, abrindo para o duo de rap (politizado) Run the Jewels. S I M. Ele já estava no lineup (hehe) do ano passado, mas cancelou a participação após o resultado da votação do Brexit. Neste ano, promovido ao palco principal, e com toda essa legião estrelada de fãs acima, Corbyn conseguiu ‘ticar’ todas as caixinhas do status: celebridade cool da música. Ele não precisa de mais nada (só de mais votos, na próxima). O fundador do Glasto, o dono-da-p•rra-toda Michael Eavis, no alto de seus 81 anos, levará Corbyn pessoalmente até o palco.

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Radiohead toca em show a “nova” música, “I Promise”, mais de 20 anos depois (!?!)

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* Conhecida dos fãs da velha-guarda que iam em show do Radiohead nos anos 90, a música “I Promise”, foi tocada ontem ao vivo pela primeira vez em 21 anos. Foi na Noruega, na capital Oslo, ontem à noite. A canção, que ficou de fora do marcante álbum “OK Computer” (1997), é uma das cerejas da edição especial em comemoração ao aniversário do clássico disco, que ganhou o nome de “OKNOTOK” e sai no dia 23 agora com mais duas sobras que ganham pela primeira vez um tratamento de estúdio.

“I Promise” não era tocada ao vivo desde 1996. E foi lançada há duas semanas pela primeira vez, para aquecer a chegada do disco de aniversário.

No concerto norueguês de ontem, antes de começar a música, Thom Yorke disse: “Normalmente nós não somos o tipo de gente que fica remoendo o passado, mas desta vez foi interessante quando o fizemos. Que turma de doido que éramos nos anos 90 e provavelmente somos até hoje. Uma das coisas mais loucas que fizemos foi nunca ter lançado esta música”. E daí…

De lambuja, do mesmo show, segue o Radiohead tocando a maravilhosa “There There”. De nada. :)

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Com “I Promise”, Radiohead cumpre o que prometeu. E uma notícia do show deles no Brasil, no ano que vem

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* Duas coisas a gente precisa saber aqui sobre o Radiohead. A primeira é que a banda decidiu NÃO ser headliner do Lollapalooza Brasil do ano que vem. Então espere shows solo, mesmo (melhor!!!). E depois, que, sim, chega ao mundo online hoje a música nova deles, uma das inéditas que estufarão o lançamento comemorativo “OKNOTOK”, disco que sai no dia 23 de junho para comemorar os 20 anos do maravilhoso álbum “OK Computer”, de 1997.

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O Radiohead em 1996, em imagem usada pelo The Guardian para ilustrar texto sobre a faixa inédita que está sendo lançada hoje, em versão exatamente desse ano

“I Promise”, simples e linda de morrer, é NOVANOTNOVA, né? Era uma das que ficaram de fora do “OK Computer”, mas nos anos 90 fazia certo sucesso em shows ao vivo da banda de Thom Yorke. E, finalmente, ganha edição de estúdio e lançamento apropriado, ainda que tenha demorado um pouquiiiiinho.

A música, “nova”, foi ao ar, CLARO, na BBC 6 Music, no “Recommends”, apresentado pelo mestre Steve Lamacq e sua voz mais legal do mundo radiofônico desde que o John Peel morreu. O Lamacq diz que é exclusivo mundial e manda um “Thissssss… is Radiohead”. Até arrepia.

Segundo Lamacq contou, depois de exibir a música em rádio pela primeira vez, “I Promise” estava perdida em algum lugar e foi encontrada recentemente pela banda em seus materiais de gravação antigos. E que essa canção lançada agora é exatamente a versão que foi gravada em 1996, para o disco, e que acabou não entrando. O Radiohead não entrou agora em estúdio para regravá-la.

** “Mand of War” e “Lift” são as outras músicas velhas-novas que ficaram de fora do “OK Computer”, mas estarão no “OKNOTOK”. O Radiohead é o grande headliner no grande Glastonbury deste ano. O show deles vai ser no dia 23, próximo, mesmo dia do lançamento do álbum.

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Fooking special – “Creep” apareceu ontem na turnê americana do Radiohead, no show de Portland

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* Tem sempre a expectativa. A praga musical “Creep”, uma das duas canções indies mais celebradas de todos os tempos, voltou aos palcos na voz e na interpretação drama-luz de Thom Yorke ontem à noite, no show do Radiohead no Moda Center, na especialíssima Portland, cidade no alto da outra ponta dos EUA, perto de Seattle.

“Creep” é o primeiro single da banda de Oxford. Foi lançada em 1992 e de cara chapou a cena inglesa pela letra deprê e as guitarras nível Nirvana. A Radio One no começo não tocou a música, por causa de sua pegada triste, quase suicida. Mas no começo do ano seguinte sairia no marcante álbum de estreia “Pablo Honey” e o resto é história.

Portland foi o sexto show desta nova turnê americana do cultuado grupo inglês, que deve passar pela América do Sul em 2018. O Radiohead começou o giro na terra do Trump no último dia 30, em Miami, e já visitou Atlanta, New Orleans, Kansas City, Seattle no sábado e Portlândia ontem. A cada show, uma supresinha no setlist.

A de ontem foi “Creep”, como você pode ver no vídeo classe de fã, de superfã, abaixo:

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