Em Thom Yorke:

Radiohead 2018 x Radiohead 2009, o setlist “polêmico”, o “show do ano” para quem estava na Premium, um “show ok” ou “diferente” para os das outras áreas

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* Segundo as discussões de internet um dia após a nova passagem da cultuada banda pelo Brasil, a impressão que se tem é que foram dois shows distintos do grupo de Thom Yorke ontem em São Paulo, no Allianz Arena: um para quem viu na pista premium, outro para quem estava “lá atrás”, na Pista 2.

A questão aí nem é a performance da banda, porque o senso comum quando se trata de uma apresentação do Radiohead é sempre assim: não existe show ruim deles. É a tal “experiência”.

Ou o setlist é incrível, como foi o de ontem para metade da galera presente, ou ele foi apenas “muito bom”, como pareceu para uma outra metade, em que pese tudo: a falta de “Creep”, a inclusão de “My Iron Lung” e o final anticlímax com “Fake Plastic Trees”, numa levada maravilhosa mas ainda assim uma música “pouco indicada” para se terminar um show. Como o Radiohead nesta turnê sul-americana tocou quase sempre 27 músicas e ontem em SP foram 26, pareceu que faltou algo. Aaah faltou “Karma Police”! Poxa, faltou “Creep”. Não faltou nada… Com uma discografia tão rica, não dá para esperar que a banda continue com aquele “setlist de 2009” (mais sobre isso abaixo), certo? Mas também é compreensível o fã que espera pela “sua música”. Até aí, estamos resolvidos e o setlist não estragou o show de ninguém. Mas…:

Sim, o som estava baixo. Sim, para ver Radiohead as falas paralelas não podem acontecer (tipo show do XX, show do Portishead). Sim, num concerto desses, os ambulantes não podem passar com isopor gigante na cabeça das pessoas gritando como se estivessem num campo de futebol, apesar de estarem num campo de futebol.

O episódio Pista Premium x Pista 2: os espaços criaram duas atmosferas diferentes para um único show, no que envolvia o som, o telão artsy e o palco baixo (parece que a banda pediu para a altura ser mais próxima do público), o que em show de estádio complica a vida de quem está lá atrás, e que geralmente é o fã mais ardoroso da banda. Aqueles com estatura inferior a 1,75 provavelmente tiveram que ver a apresentação inteira olhando apenas no telão. E aí temos um outro “problema” ou choque de setores, como preferirem: aos da Pista 1, o telão conceitual era parte integrante da banda. Interagia com a música e com as luzes, tinha vida própria e além do propósito de apenas “exibir o show”. Mas, para quem estava lá atrás dependendo deste recurso visual, a experiência se assemelhou a de uma instalação artística com trilha sonora ao vivo ao fundo. De lá, ora se via o tênis do Thom Yorke ou um de seus olhos ou então, as mãos dos integrantes e às vezes os instrumentos. O ideal, neste caso, teria sido a banda deixar os telões laterais para a exibição do show mesmo. Sem contar que, em um determinado momento, o telão pifou e ficou verde por alguns minutos. Na dúvida se fazia parte do show, se era alguma “intervenção artística com as cores do time dono do estádio”, ou não (acontece, né), quase ninguém se manifestou.

Dito isso e sem considerar as diferentes experiências entre classe executiva x econômica, porque o mercado de shows está virando uma espécie de companhia aérea, a apresentação do Radiohead em São Paulo foi mais ou menos assim, a gente achou:

Nove anos depois, Radiohead volta a São Paulo. Para os fãs que estavam lá no lendário 2009, havia a (quase impossível) missão de superar aquela ocasião. Tocando num Allianz Parque que demorou muito a encher, e seguindo boas performances de Aldo The Band, Junun e Flying Lotus, o Radiohead conseguiu, sim, trazer outro show mágico para o Brasil. Melhor que o primeiro? Difícil dizer.

Ouvir um estádio inteiro cantando “Daydreaming”, logo de cara, já foi maravilhoso e cativante, e um perfeito início para um longo show. Mesmo com a demorada Ful Stop em seguida, logo engataram as ótima 15 Step e Myxomatosis. Daí as coisas foram para outro nível. Versões absolutamente perfeitas de You And Whose Army?, All I Need e Pyramid Song, em sequência, foram o ponto alto do show, e facilmente pagaram o ingresso de quem aprecia as músicas mais melódicas e perfeccionistas da banda.

Depois, começaram a pipocar alguns problemas técnicos e de execução, que perduraram pelo show. Uma pequena pausa em Everything in Its Right Place para arrumar algo, umas batidas fora do lugar em The Gloaming, um começo enrolado em 2+2=5. Para piorar, a cada errinho, Thom Yorke parecia fazer cara de bravo para a banda. Enfim, diversos momentos de confusão que fizeram o show parecer menos perfeito do que o de 2009 – ou será que só ficamos mais críticos no tempo que passou?

Não há como não falar do setlist, especialmente em comparação ao resto das performances pela América do Sul. Não teve Creep. Isso não seria de tanta significância se não fosse por dois outros fatos: vários shows da turnê tiveram 27 músicas, enquanto que SP teve 26; e Karma Police foi uma música que comumente fechou shows do Radiohead nesta turnê. Em SP, terminaram com Fake Plastic Trees (que não tem cara de fim de show), o público ficou esperando mais, e não voltaram. Simplesmente não tinha cara de fim de show.

Apesar de tudo isso, é difícil reclamar. Tendo visto There There, Paranoid Android, My Iron Lung e tantas outras, num estádio, já valeu demais. Pode não ter sido tão bom quanto em 2009, mas mesmo assim foi, desde já, um dos melhores do ano.

Cobertura Popload

Ana Carolina Monteiro, Fernando Scoczynski Filho, Lúcio Ribeiro.
Fotos de Fabrício Vianna.

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Radiohead em SP: sua última chance de ganhar um par de ingressos está aqui!!

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******* RESULTADO DA PROMOÇÃO **************

O vencedor do sorteio do par de ingressos, em meio a muuuuuuuuuuuuuitos emails recebidos, foi o ARIEL HEMSI (ariel.hemsi@gmail.com). Ele já foi avisado e a entrega, combinada. Muito obrigado pela participação de todo mundo. Outros sorteios virão.

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* Sem embromação. A Popload vai sortear, nos moldes de sempre, um par de ingressos de pista 2 para a apresentação de domingo da adorada banda inglesa Radiohead na adorada arena do Palmeiras, a Allianz Parque.

O esquema é aquele: mande seu email para lucio@uol.com.br até sexta-feira meio-dia, com a linha de assunto contendo apenas “Radiohead”. Simples assim.

O Radiohead entra em cena no domingo às 20h, depois que Aldo the Band, Junun e Flying Lotus tiverem se apresentado, desde à 16h30, ali na Pompéia.

Um dos shows do ano, você sabe, né, Thom?

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Quer ir pelas mãos da Popload? Então vai lá no email e entope minha caixa.

O resultado vai ser divulgado neste post mesmo na sexta à tarde.

* As fotos deste post são de Alessandro Currarino, do jornal “El Comercio”, do Peru, tiradas na apresentação de ontem da banda em Lima.


******* RESULTADO DA PROMOÇÃO **************

O vencedor do sorteio do par de ingressos, em meio a muuuuuuuuuuuuuitos emails recebidos, foi o ARIEL HEMSI (ariel.hemsi@gmail.com). Ele já foi avisado e a entrega, combinada. Muito obrigado pela participação de todo mundo. Outros sorteios virão.

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Radiohead ontem no Peru. Sim, teve “Creep”. Teria Lima visto o melhor bis da história?

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* Ao que interessa. Ontem teve o último show do grupo inglês Radiohead no Peru antes do desembarque no Brasil, para dois shows: sexta no Rio e domingo em SP. E, em Lima, sim, eles tocaram “Creep”.

Numa “moral da história”, fica assim. O primeiro show do giro sul-americano foi em Santiago, Chile, semana passada, e o hino deprê mais famoso da história NÃO compareceu ao setlist, porque, talvezzzzz, a apresentação chilena foi dentro de um outro festival, o SUE, e não nesse Soundhearts Festival, idealizado pelo próprio Radiohead com o gênio Flying Lotus, a banda Junun e uma atração local (o Rio não vai ter, em SP será a linda Aldo The Band).

Só no Chile “Creep” não foi tocada. Nos outros dois shows seguintes, Buenos Aires e Lima, já como Soundhearts Festival, a canção fucking special na primeira cidade fechou a apresentação, na segunda esteve no último bis.

No concerto peruano foram 26 músicas tocadas. O tal último bis foi assustador de bom: “Creep”, “Paranoid Android” e “Karma Police”, na sequência.

Para quem quiser acompanhar o último show do Radiohead antes do Brasil, ocorrido ontem à noite em Lima, um vídeo de 2h20 registra a apresentação toda. A imagem é de longe e mostra muito pouco, mas o som é bem OK para essa função “jornalística”.

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* As fotos de Thom Yorke, deste post e a da home da Popload, são de Alessandro Currarino, do jornal “El Comercio”.

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A tristeza que fez os chilenos dançarem: Radiohead começa turnê na América do Sul com show de duas horas. Sem “Creep”

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rh23Fotos: La Tercera

Começou ontem, enfim, a turnê do Radiohead em terras latinas. Nove anos após sua primeira visita histórica à região, o grupo inglês retorna com a turnê do disco “A Moon Shaped Pool”. Mas, a julgar pelo setlist da apresentação elogiadíssima em Santiago, vai ter para todo mundo.

A banda de Thom Yorke tocou nada menos que 26 canções, fez dois bis, tocou clássicas tipo “Paranoid Android” e “Karma Police”, mas deixou de fora o hino indie deprê “Creep”.

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O show novo, o primeiro deste ano, diz a imprensa chilena que é uma variedade sonora e hipnotizante. O La Tercera, por exemplo, destacou que a banda às vezes “é uma máquina dance, em outras um artefato que recorre ao jazz e à psicodelia para se dispersar”.

A entrada é com a linda e lentinha “Daydreaming”, que faz o público se ajeitar para o que vem em seguida. E em seguida vem “Ful Stop”, “acendendo” toda a parafernália de luzes e imagens que o palco reserva.

Depois de percorrer praticamente todo o seu catálogo, os ingleses reservam para a reta final um caminhão de hits até chegar a “Paranoid Android” e “Karma Police”, duas das canções mais cantadas pelo público. Curti a descrição do jornal local: “a tristeza, mais uma vez, fez os chilenos dançarem”.

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Uma versão em vídeo completa (não tão boa assim) do show pode ser acessada aqui.

O próximo show do Radiohead será no sábado agora, em Buenos Aires. Depois, eles seguem para Lima no dia 17 e chegam ao Brasil para as duas apresentações no Rio (dia 20) e São Paulo (22), encerrando a turnê latina dia 28, em Bogotá.

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Cursinho Popload! Aula de hoje: “Para gostar de RADIOHEAD”

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Digamos que, para quem gosta de shows e festivais, o ano começa mesmo só agora. Março é o nosso “fim de Carnaval”, aquela época em que a gente passa a trabalhar dobrado e pegar tudo quanto é freela para poder torrar em ingresso. E vai ser um massacre: tem Lolla, tem Gorillaz, tem o Super Maio!

Pensando nos leitores “indecisos” ou iniciantes, criamos esta seção para que eles possam entender o que vem pela frente. Qual show escolher, o que ver, como se preparar, o que ouvir etc. Didaticamente falando, é como se fosse um breve curso mesmo, dividido em três módulos: Iniciante, Intermediário e Avançado.

*** Uma colaboração do jornalista Vinicius Felix* para a Popload. ***

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RADIOHEAD

A “aula” de hoje é sobre o RADIOHEAD, banda de Thom Yorke que se apresenta no Brasil em abril. O Radiohead fez nove álbuns em um período de 25 anos. São exatamente 100 músicas lançadas. Entre “You”, a primeira do primeiro disco, e “True Love Waits”, a faixa que encerra “A Moon Shaped Pool”, existe um universo que vai da simplicidade pegajosa de “Creep” até o instrumental ambiente de “Treefingers”, uma faixa onde muito pouco acontece.

Para os recém-chegados não é um mar fácil de navegar. Pegue o caminho errado e talvez você nunca entenda a banda. Mas este post está aqui para você que quer descobrir qual é a do Radiohead. Seja porque vai aos shows que vão rolar no Brasil ou só porque está interessado em curtir mais uma das bandas com os fãs mais, herrr, chatos do universo.

Para as playlists, todas as músicas foram avaliadas, mas nem todas incluídas. Afinal, ninguém aguenta uma aula extensa. Uma hora e meia para cada playlist é mais que o necessário.

As escolhas foram feitas para quem não manja nada de Radiohead, mas também pode funcionar para os fãs médios e para os fanáticos. Estou disponível para ouvir considerações e reclamações lá no Twitter @viniciusfeIix. Posso até mexer nas playlists se o papo for bom.

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Iniciante

A playlist iniciante é para quem está habituado só com música pop nesta vida. Comece por aqui se você nunca foi além do formato da canção e nunca deu moral para grande esquisitices estéticas. O foco desta playlist são as canções que têm refrões, que não são longas demais, que não têm longas introduções, que têm um violãozinho bacana, umas cordas, que são calminhas.

Obviamente, o Radiohead não facilita. Algumas têm lá seus momentos agressivos e se estendem um pouco além do que talvez você esteja acostumado. “Just” vai te deixar forte para momentos com muito mais guitarra. “Idioteque” é um começo para os toques mais eletrônicos da banda. Algumas músicas selecionadas não seguem nada do que eu falei até agora, mas acho que elas são ‘de boa’ para você amar a banda de saída. Tipo “Weird Fishes/Arpeggi”, que tocou até em novela. Pensa que esses momentos mais esquisitos na aula inicial são para te preparar melhor para o que está por vir. Afinal, você está começando, mas não é bobo, né? Talvez eu tenha enfileirado muitas músicas mais tristes da banda? Talvez. Radiohead, amigx.

** Músicas desta playlist que talvez rolem no show: “Fake Plastic Trees”, “There There”.

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Intermediário

Ok, você já é um pouco mais versado em músicas estranhas. Tolera longas introduções, músicas enormes, microfonias, mas não está preparado para abandonar algo que sua bisavó chamaria de canção. Você ainda preza por algum sentido nas letras, por timbres cativantes e repetições que agradam o ouvido. É hora de você ouvir músicas do Kid A e do Amnesiac, na minha opinião, os discos mais difíceis deles. Está pronto para passear pelas diversas músicas que vivem dentro de “Paranoid Android”, para o peso da melancolia em “Daydreaming” e para reparar nas semelhanças de “Blow Out” e “Knives Out”.

** Músicas desta playlist que talvez rolem no show: “Paranoid Android”, “2 + 2 = 5”, “My Iron Lung”, “15 Step”, “Identikit”, “Pyramid Song”, “Present Tense”, “Reckoner”, “The National Anthem”, “Nude”, “Street Spirit (Fade Out)”, “Daydreaming”.

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Avançado

Everything in its right place, mas não por muito tempo. Aos poucos, a playlist vai para caminhos muitos esquisitos rítmicos e estéticos. Música ambiente, experimentações eletrônicas, vontade nenhuma de facilitar para o ouvinte. Letras esquisitas (mais ainda, no caso), versos repetidos e repetidos e repetidos, mensagens cifradas ou faixas instrumentais nada convencionais.

** Músicas desta playlist que talvez rolem no show: “Everything in Its Right Place”, “The Gloaming”, “You and Whose Army?”, “Bloom”, “Full Stop”.

“Videotape” está aqui e, embora facilmente se encaixasse na playlist intermediária, quero te mostrar este vídeo do Vox sobre um segredinho da música. É um bônus para quem ficou até o fim da aula!

*Vinicius Felix é jornalista e tem obsessão por playlists.

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