Em tiny desk concerts:

Popnotas – Só as minas e as músicas lindas, estrelando Jorja Smith, Chvrches, Rina Sawayama e Dua Lipa fazendo Arlo Parks

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– Deu uma saudade aqui do show da Jorja Smith no Lollapalooza 2019. Aquele clima bom, cair da noite. Um show tão foda que ela conseguiu ressignificar a tão-malhada camiseta da seleção brasileira quando apareceu com o uniforme – a banda inteira, aliás, estava uniformizada. Que bom saber que ela voltou com “Be Right Back”, um EP de oito músicas, que dá sequência ao excelente “Lost & Found”, seu álbum de 2018. Deste projeto, já temos dois singles na manga: “Gone” e “Addicted”. As outras seis músicas saem no dia 14 de maio.

A gente por aqui amou a versão que a Rina Sawayama fez com o Elton John de sua “Chosen Family”. Mais alegria em saber que ela tocou uma versão da música em sua recente participação no “Tiny Desk (Home) Concert”. Só que a apresentação não teve nada de pequena. Foi é com banda completa e até uma seção de cordas. No setlist ainda rolaram “Dynasty” e “XS”. Luxo.

– Que maravilha a cover que a musa pop Dua Lipa (foto na home) fez da delicadeza indie Arlo Parks, para o programa “Live Lounge”, da Radio One, da BBC inglesa. A música que Dua Lipa fez performance foi “Eugene”, do álbum de estreia de Parks, o intensamente belo “Collapsed in Sunbeams”, lançado no final de janeiro. Em seu Stories, Arlo Parks afirmou estar “levitando” enquanto ouve a versão da amiga famosa. “Que momento para uma canção tão calma e pessoal que foi feita na sala da minha casa”, falou Parks.

– Olha quem apareceu. A banda escocesa Chvrches, da pequena vocalista enorme Lauren Mayberry. Lançaram hoje “He Said She Said”, primeira música inédita desde o álbum “Love Is Dead”, de 2018. Mataram o amor e sumiram. “Como todo mundo, tive muito tempo para pensar e refletir no ano passado; para examinar experiências que eu havia antes encoberto ou enterrado. Sinto que passei grande parte da minha vida (pessoal e profissional) realizando o ato de equilíbrio desconfortável que é esperado das mulheres, e fica mais confuso e exaustivo quanto mais velha eu fico”, explica o desaparecimento e o novo single a cantora do trio escocês. A música nova é Lauren enfrentando forte a misoginia. “‘He Said She Said’ é minha maneira de avaliar as coisas que aceitei e que sei que não deveria. Coisas que fingi não me prejudicarem. Foi a primeira música que escrevemos quando começamos a voltar, e a linha de abertura (“He said, You bore me to death”) foi a primeira letra que saiu. Todos os versos são versões irônicas ou parafraseadas de coisas que me foram ditas por homens em minha vida. Ser mulher é exaustivo e seria melhor gritar em uma música pop do que gritar no vazio. Depois do ano passado, acho que todos podemos nos relacionar com a sensação de que estamos perdendo a cabeça.” O Chvrches vem com seu quarto álbum neste ano. O projeto já está sendo chamado de “CHV4”, mas não deve ser o título do disco.

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Popnotas – Sonic Youth liberando raridades. O Tiny Desk do Fleet Foxes. Lucy Dacus e o trauma de seu single novo. E a Bernardo, de Londres

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– A seminal banda americana Sonic Youth, ainda que sem existir mais snif., anda generosa no compartilhamento de raridades de seus arquivos. Vale ficar atento ao Bandcamp deles, vai saber. Ainda que a novidade mais recente venha do YouTube. Eles soltaram por lá a íntegra da apresentação beneficente de 12 de abril de 2003 no The Anthology Film Archives, onde o quarteto criou uma colaboração instrumental improvisada com filmes mudos de Stan Brakhage. Essa performance ainda contou com o baterista Tim Barnes (Essex Green, Jukeboxer, Silver Judeus). Ela já tinha sido lançada no disquinho “SYR 6 Koncertas Stan Brakhage Prisiminimui”, que como todo bom fã de Sonic Youth pode desconfiar é o sexto capítulo de linha de álbuns SYR, onde a banda soltava suas raridades. Mas esta versão aí do Youtube é coisa inédita.

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– Nosso querido Robin Pecknold, o dono do Fleet Foxes, pegou seu violão e uma mesinha para o Tiny Desk (Home) Concert, a versão home-office do Tiny Desk, e mandou nada mais nada menos que quatro canções de seu álbum mais recente, “Shore”, lançado em 2020: “Going-to-the-Sun-Road”, “Sunblind”, “Featherweight” e “I’m Not My Season”. É uma barato ver ele se virar no português para dar conta da parte que teve a voz do Tim Bernardes na gravação original, na primeira delas.

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– Tem música nova da Lucy Dacus na área – quem ainda não conhece a Lucy precisa saber que ela faz parte do boygenius (olha as minúsculas geracionais), seu trio com as atualmente bombadas Julien Baker e Phoebe Bridgers. A gente acredita que ela tem tudo para repetir o barulho das amigas com seu próximos álbum solo. Enquanto esse disco não vem, ela soltou uma música que já rolava nos shows desde 2018, “Thumbs”. Muito querida dos fãs, teve até uma conta de Twitter que perguntava: A Lucy já lançou “Thumbs”? A guitarrista conta que sentia um certo nervosismo com essa canção e esperou isso se resolver antes de gravar, tanto que ela sempre pedia de que ninguém registrasse a versão ao vivo.

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– A mistura é grande e quase dá um post CENA, mas vamos lá. A gravadora paulistana Seloki Records lançou “Almost a Mother”, novo single da Bernardo. Bernardo, no caso, é Sonia Bernardo, algo como uma portuguesa que nasceu em Londres e foi e voltou de suas duas pátrias até se achar como música e se fixar na capital inglesa para tentar viver disso. Bernardo, vocalista, guitarrista e produtora, tem alguns singles lançados e deve vir muito em breve com um EP de quatro músicas chamado “Wasn’t There, Someone Told Me”, também via Seloki. Dentro da enorme cena londrina de soul alternativo com pegadas jazzísticas, Bernardo fez essa “Almost a Mother” para armar um bullying musical em garotos estúpidos sendo estúpidos com uma menina, pelo que eu entendi da letra. A música em si é ótima e tem na produção o Dave Maclean, do Django Django. Olho em Bernardo. Ela é bem articulada na cena inglesa

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Todo o gingado da punk Hayley Williams em session para a Tiny Desk

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Captura de Tela 2020-12-09 às 8.49.00 AM

* Tá um momento que está assim na cena internacional. A ex-pop Miley Cyrus está a maior roqueira e beleza. A ex-punk emo Hayley Williams está meio R&B e tudo bem também.

Hayley, que nunca foi com sua banda Paramore à série Tiny Desk Concerts, participou agora, em dezembro, montando uma banda de amigos para um “show na salinha” da NPR, mostrando faixas de sua carreira solo. Ela lançou seu primeiro disco sob seu nome, “Petals for Armor”, em maio, começo de pandemia, zero apresentações ao vivo.

Entre os amigos que acompanharam Hayley em sua estreia na Tiny Desk estão a fofa Julien Baker na guitarra e a conhecida Becca Mancari, nos teclados. E um cara no baixo que parece muito o Kevin Parker do Tame Impala. Mas enfim.

De “Petals for Armour”, seu disco debut solo depois de cinco álbuns com o Paramore, Williams mandou, pela ordem, “Pure Love”, “Taken” e “Dead Horse”.

Menos gritaria, mais ginga. Good job, Hayley!

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Tiny Desk do dia. De um dia de 2013. Programa desencava session linda do You La Tengo

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Captura de Tela 2020-11-18 às 9.34.51 AM

* Pedimos desculpas pelo excesso de Tiny Desk Concert publicado neste espaço rocker (nem sempre) virtual, mas é que nós não r(d)esistimos e temos sempre um na manga para aquele momento do disco em que achamos que você precisa de um sonzinho bom para ouvir e/ou um vídeo legal para ver.

Portanto chegamos agora aos arquivos recém-divulgados do programa de internet da NPR, a rede de rádios independentes americanas, porque vídeos novos ou antigos do Tiny Desk merecem ser divulgados, tipo este do beeeeeelo grupo “alternativo” americano Yo La Tengo, de New Jersey (bom frisar”, de longos serviços prestados na pavimentação dessa estrada sonora pela qual a gente viaja.

Três musiquinhas em session feita no escritorinho de Washington DC em julho de 2013 feitas na época em que a banda veterana lançou “Fade”, seu 13º disco, pensa. Desse álbum tem duas canções nesse Tiny Desk especialíssimo do querido Yo La Tengo: “Is That Enough” e “Ohm”. A terceira é “Tears Are in Your Eyes”, de 2000, quando o novo rock estava pegando forma.

Para sua apreciação!

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Luxo e requinte. Uma session absurda do Michael Kiwanuka para o Tiny Desk

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* Na voz, no violão e nos teclados, Michael Kiwanuka. Na tela, uma session para a série cool da NPR, o conglomerado de rádios alternativas americanas, nossa prediletíssima Tiny Desk Concerts, na versão “home” faz tempo e ainda pelo “foreseeable future”.

Que coisa linda essa performance, a vibe, as cores, as cinco músicas que o espetacular cantor, produtor e multiinstrumentista britânico gravou direto de uma “Londres chuvosa” para mandar para a série americana, que na pandemia reforçou o conceito de session intimista ao extremo e tem vivido grandes momentos.

O premiado Kiwanuka, que tocou principalmente canções de seu terceiro álbum, homônimo e excelente, vive numa fase espetacular em seu som indie folk black único. Nem vamos citar suas participações tipo secretas na misteriosa banda Sault, um dos grandes nomes do ano na música.

A lista de músicas da Tiny Desk com o Kiwanuka é a seguinte:

“Light”
“Hard To Say Goodbye”
“Hero”
“Cold Little Heart”
“Solid Ground”

Tenha uma prazerosa terça-feira à tarde:

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